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CANÇÕES TRADICIONAIS DE
NATAL
JANEIRAS
 
(A Pg. remete para a brochura "NATAL NA ESCOLA" - Recolhas de Canções
Poemas e Textos - realizada para a Escola Secundária João de Barros,
Corroios, para comemorar o 10º Aniversário, Novembro de 1996)A
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Janeiras
e Reis
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41
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Língua
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Origem/
Autor/
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Fonte
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Pg.
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‘Inda agora aqui cheguei
Mal pus o pé nesta escada...
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CANTAR
- Caderno policp. Guarda, 4ª ed. 1960, 162
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42
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‘Inda agora aqui cheguei
Já começo a cantar...
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CANTAR
- Caderno policp. Guarda, 4ª ed. 1960, 154
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42
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Em Belém à meia noite...
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CANTAR
- Caderno policp. Guarda, 4ª ed. 1960, 152
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42
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REIS: Viva lá minha senhora
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CANTAR
- Caderno policp. Guarda, 4ª ed. 1960
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42
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Janeiras lindas janeiras
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CANTAR
- Caderno policp. Guarda, 4ª ed. 1960, 169
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43
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Boas noites, Boas noites
(Naquela relvinha...)
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Vale
de Lobo, BB
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EtB,
I vol., JLD, 2ª ed. ENP, Lx. 1944, 159
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44
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Viva lá...
(Naquela relvinha...)
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Valezim,
Sazes, BA
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Alegrias
Populares, JPPereira, ed. autor 1967 (Cancioneiro da BA),
21
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45
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Esta noite é de Janeiras
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Mértola,
Beja Alt.
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CPP,
MGiacometti, CL, Lx.,1981, 46
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46
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Esta Noite é de Janeiras
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Serpa
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Cancioneiro
de Serpa, M. Rita O. Pinto Cortez, Ed. CMSerpa, Nov. 1994,
366
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46
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| Quem
são n’os Três Cavalheiros |
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Serpa |
Cancioneiro
de Serpa, M. Rita O. Pinto Cortez, Ed. CMSerpa, Nov. 1994, 368 |
47
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| Quais
foram os três Cavalheiros |
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CPP,
MGiacometti, CL, Lx.,1981, 55 |
47
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| Partiram’nos
três Reis Magos |
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Cabanas,
Alenquer |
CPP,
MGiacometti, CL, Lx.,1981, 54 |
48
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‘INDA AGORA AQUI CHEGUEI
(Janeiras) (Cantar, cad. policopiado, Guarda,
4ª ed., 1960, 162)
Inda agora aqui cheguei
Mal pus o pé na escada
Logo o meu coração disse:
Aqui mora gente honrada.
Ó irmãos na caridade
Notícias vos trago eu
Às doze horas da noite,
O Deus Menino nasceu.
Nasceu numas tristes palhas
Como nasce o cordeirinho;
Por causa dos meus pecados
Foi preso ao madeirinho.
Viva lá senhor .....
Casaquinha de veludo,
Meta a mão no seu bolsinho
Deite p’ra cá um escudo.
De quem é a bengalinha
Que está além no bengaleiro?
É do senhor .....
Que é um lindo cavalheiro.
Vamos dar a despedida
Que a cereja deu ao ramo;
Fiquem-se com Deus, senhores,
Adeus, até outro ano.
‘INDA AGORA AQUI CHEGUEI...
(Janeiras) (Cantar, cad. policopiado, Guarda,
4ª ed., 1960, 154)
‘Inda agora aqui cheguei
Já começo a cantar
‘Inda não pedi licença
Não sei se ma querem dar.
Coro
Pastores, Pastores,
Vinde todos a Belém
Adorar o Deus Menino,
Que Nossa Senhora tem.
Não venho aqui por boleta
Que este ano muita houve,
Venho cá pelo chouriço
P’ra ‘nha mãe fazer com couve.
Levante-se lá, senhora,
Desse seu lindo banquinho,
Venha o prato das filhoses
E um bom garrafão de vinho.
Levante-se lá, senhora
Dessa cadeira de prata,
Venha-nos dar as Janeiras,
Que está um frio que mata
EM BELÉM
(Janeiras) (Cantar, cad. policopiado, Guarda, 4ª ed., 1960, 152)
Em Belém, à meia noite,
Noite de tanta alegria;
Já nasceu o Deus Menino,
Filho da Virgem Maria.
Pastores, Pastores,
Vinde todos a Belém
Adorar o Deus Menino,
Que Nossa Senhora tem.
Viva lá, senhora ....
Raminho de amendoeira,
‘Inda neste mundo anda
Já no céu tem a cadeira.
Viva lá, o menino...
Que lá está juntinho à brasa;
Venha-nos dar as Janeiras
Que é o morgado da casa.
Viva lá, senhor....
Raminho de salsa crua,
Quando vai para a igreja
alumia toda a rua.
A todos que aí estão
Ao redor dessa fogueira,
Santa paz lhes desejamos
‘Té à hora derradeira.
REIS
in ALEGRIAS POPULARES, vol.
II, Jaime Pinto Pereira, Ed. autor, 1967, p. 22 ‑ Vila Verde
‑ Tourais.
Viva lá, minha senhora,
Casaquinho de veludo;
Quando mete a mão ao bolso,
Tem dinheiro para tudo.
Boas Festas, Boas Festas,
Vos dizemos neste dia;
Venham-nos dar as Janeiras,
Com prazer e alegria.
Viva lá, minha senhora,
No seu livrinho a ler;
Quando vai para a janela,
Parece o sol a nascer.
Viva lá, minha senhora,
Linda estrela do norte;
Que Deus a deixe criar,
Para uma boa sorte.
Levante-se lá, minha senhora,
Desse banco de cortiça;
Venha-nos dar as Janeiras,
Ou de carne, ou de chouriça.
JANEIRAS, LINDAS JANEIRAS
(Janeiras) (Cantar,
cad. policopiado, Guarda, 4ª ed., 1960, 169)
Letra J. Geraldes, Música: M. Fernandes
Vinde pastores depressa,
Que já nasceu o Menino,
Já se cumpriu a promessa,
Vamos a tocar o sino.
Janeiras,, lindas Janeiras,
Janeiras da minha aldeia
Sois quais estrelas fagueiras,
Nas noites de lua cheia
Janeiras, lindas Janeiras
Senhores, vimos cantar,
Boas Festas e alegrias
Vos queremos desejar.
Sopram os ventos
da serra,
Caem estrelas do céus,
Alegre-se toda a terra,
Nasceu o Menino Deus.
Senhores, não demoreis,
Que é muito frio o luar;
Vinde-nos dar as Janeiras,
Que temos de caminhar.
Levantai-vos da lareira
E vinde depressa ver
a grandiosa fogueira
Que o Menino há-de aquecer.
Ó Janeiras de (Nome da terra...)
Como vós não há igual
Dais consoada aos pobres
Nestas noites de Natal.
A mensagem de Natal
A todos dê luz e amor
Oxalá por toda a vida
Vos guie com seu fulgor.
Boas noites, meus senhores,
Até para o ano que vem;
Alegria e paz em Deus
E na Virgem sua Mãe.
BOAS NOITES, BOAS NOITES...
(Naquela relvinha...) Recolha de várias com base na de Vale de Lobo, BB.
- EtB, I vol., JLD, 2ª ed. ENP, Lx. 1944, 159
Boas noites, boas noites,
Boas noites de alegria,
Que lhas manda o Rei da Glória,
Filho da Virgem Maria.
Naquela relvinha,
C’o vento gelou,
A mãe de Jesus
Tão pura ficou.
Dominus excelsis Deo,
Que já é nascido
O que nove meses
Andou escondido.
De quem será (é) o chapeuzinho
Qu’além ‘stá despindurado?
É do senhor (menino) (...)
Que Deus o faça um cravo.
De quem será (é) o vestidinho
Cosido com seda branca?
É da senhora (menina) (...)
Que Deus a faça uma santa.
De quem será (é) o pentem d’oiro
Que se achou no alvoredo?
É da senhora (menina) (...)
Que lhe caiu do cabelo.
De quem seriam (eram) as liguinhas
Que se acharam entre as ervas?
Eram da senhora (menina) (...)
Que lhe caíram das pernas.
De quem seriam (eram) as botinhas
Que se acharam (estavam) no sapateiro?
Eram do senhor (menino) (...)
Que as pagou c’o seu dinheiro.
Levante-se lá, senhora
Do seu banco de cortiça,
Venha-nos dar as Janeiras:
Ou morcela ou chouriça.
Levante-se lá, senhora
Desse seu rico banquinho,
Venha-nos dar as Janeiras
Em louvor do Deus Menino.
Levante-se lá, senhora,
Desse seu rico assento,
Venha-nos dar as Janeiras
Em louvor do Nascimento.
Levante-se lá, senhora,
Desse seu banco de prata,
Venha-nos dar as Janeiras
Que está um frio que rapa (mata).
(se demoram a dar as Janeiras...)
Levante-se lá, senhora
Dessa cadeirinha torta,
Venha-nos dar as Janeiras
Se não (fazemos-lhe) à porta.
(Se dão as Janeiras, cantam a
despedida)
Despedida, despedida,
Despedida quero dar,
Os senhores desta casa
Bem nos podem desculpar.
(Se não dão as Janeiras)
Esta casa não é alta,
Tem apenas um andar,
Estes barbas de farelo
Nada têm p’ra nos dar.
Esta casa é bem alta,
Forradinha de papel,
O senhor que nela mora
É um grande furriel.
Esta casa é bem alta,
Forradinha a papelão,
O senhor que nela mora
É um (grande forretão) grandessíssimo ladrão.
(Trelinca a martelo
Torna a trelincar
Estes barbas de chibo
Não têm que nos dar.)
(Quando vão comer as Janeiras)
Naquela relvinha,
Naquela lameira,
Detrás da fontinha
Se come a Janeira.
Gloria in excelsis Deo,
Que já é nascido
O que nove meses
Andou escondido.
JANEIRAS
in ALEGRIAS POPULARES,
vol. II, Jaime Pinto Pereira, Ed. autor, 1967, p.21
Viva
lá, minha senhora,
Raminho
de salsa crua;
Quando
vai para a Igreja,
Alumia
toda a rua
Viva
lá, minha senhora,
A
sua cara é o sol;
Prendada
de diamantes
Com
serafins ao redol.
Estas
casas são bem altas,
Têm
varandas de vidro;
Vivam
nela muitos anos,
A
senhora e seu marido.
Não
venho cá por bolota,
Que
este ano muita houve;
Venho
cá por o chouriço
P’ra
minha mãe cozer com couve
CORO
Naquela relvinha,
Que o vento gelou;
A Mãe de Jesus,
Tão pura ficou.
Agarra, agarra
Peixinhos no mar;
Adora, adora
Jesus no altar.
De
quem é aquela caneta
Forradinha
de veludo?
-
É do menino ...................,
Ai,
que anda no estudo.
De
quem é aquela camisa,
Que
além está no lavadoiro?
-
É d... ...........................,
Que
ela tem raminhos d’oiro.
Venho
dar a despedida,
Por
cima de toda a luz;
Gente
nobre desta casa,
Viva
sempre com Jesus.
Viva
lá, senhor prior,
Raminho
de serpão;
Quando
vai para a igreja,
Os
anjos lhe dão a mão.
JANEIRAS
in CANCIONEIRO POPULAR PORTUGUÊS, Michel Giacometti,
e FLGraça, Círculo de Leitores, 1981, p.46
(Canto de peditório ‑ Mértola, Beja, 1970)
Esta noite
é de Janeiras
E dum grande
merecimento,
Por ser
a noite primeira
Em que Deus
passou tormento.
Os tormentos
que passou,
Eu lhes
digo a verdade:
O seu sangue
derramou
P’ra salvar
a sociedade.
UM RAMINHO,
DOIS RAMINHOS
UM RAMINHO
DE SALSA CRUA,
AO PÉ DA
TUA CAMA
NASCE O
SOL E PÕE-SE A LUA
DAQUI D’ONDE
EU ‘STOU BEM VEJO
UM CANIVETE
A BAILAR,
PARA CORTAR
A CHOURIÇA
QUE A SENHORA
ME HÁ-DE DAR.
JANEIRAS
in Cancioneiro de Serpa, M. Rita Ortigão
P. Cortez, Ed. CMSerpa, 1994, 366/7.
Esta noite
é de Janeiras,
é de grande
mer’cimento.
Por ser
a noite primeira
em que Deus
passou tormento.
Os tormentos
que passou
de Sua livre
vontade,
o Seu Sangue
derramou
pra salvar
a Cristandade.
O Seu Sangue
derramou,
Seu Sangue
derramaria
pra salvar
a Cristandade,
São Pedro,
Santa Maria!
Ao fim de
séculos passados,
foram ver
a sepultura.
Acharam
ossos mirrados,
o sinal
da criatura!
Esta noite
de Ano Novo
é de tão
alto valor.
Deus lhe
dê muita saúde
e pão ao
Sr. Doutor!
Viva o Sr.
Dr. Carlos
que vela
p’los pobrezinhos
Deus lhe
dê muita saúde
pra criar
os seus filhinhos!
Esta casa
está juncada
com junquilhos
da ribeira.
Viva o dono
desta casa,
mais a sua
companheira!
Esta casa
está juncada
com ramos
de erva cidreira.
Deus lhe
dê muita saúde,
e à sua
família inteira!
AOS REIS
in Cancioneiro de Serpa,
M. Rita Ortigão P. Cortez, Ed. CMSerpa, 1994, 368/9.
QUEM SÃ ‘NOS TRÊS CAVALHEIROS
- Quem sã’nos três cavalheiros
que fazem,
que fazem sombra no mar?
- Sã’nos três do Oriente,
que a Jesus,
que a Jesus vêm buscar!
Não perguntam por pousada,
nem onde,
nem onde ir pernoitar.
Só precuram’no Deus Menino,
aonde,
aonde O irão achar?
Foram-no achar em Roma,
revesti-,
revestido no altar,
com seis mil almas de roda,
todas pa-,
todas para comungar!
Missa Nova quer dizer,
Missa No-,
Missa nova quer cantar.
São João ajuda à Missa,
São Pedro,
São Pedro muda o missal!
QUAIS FORAM OS TRÊS CAVALHEIROS
in CANCIONEIRO POPULAR PORTUGUÊS, Michel Giacometti,
e FLGraça, Círculo de Leitores, 1981, p.55. Barbacena / Elvas, Portalegre,
1970.
Solo:
- Quais foram os três cavalheiros
Ai, que fizeram,
que fizeram sombra no mare?
(bis / coro)
- Foram’nos três d’Oriente,
Ai, que Jesus
que Jesus foram achamare.
(bis / coro)
Desgarrada:
Ai, casa nobre e gente honrada,
(e) viva da casa o patrão!
Aí, Aí!
Ai a sua alma era guiada
(e) pró reino di a salvação. Aí, Aí.
Solo
Não procuram por pousada,
Ai, nem aonde,
Nem aonde o irão achare.
(bis / coro)
Procuram por Jesus Cristo,
Ai, aonde,
aonde o irão achare.
(bis / coro)
Desgarrada:
Ai, onde estão primos, irmãos,
(e) onde esta toda a parenteira?
Aí, Aí!
Ai, eu canto com devoção,
(e) cantaria a noite inteira.
Aí, Aí!
PARTIRAM’NOS
TRÊS REIS MAGNOS
in CANCIONEIRO
POPULAR PORTUGUÊS, Michel Giacometti, e FLGraça, Círculo de Leitores,
1981, p. 54. Cabanas de Torres / Alenquer, Lisboa, 1971
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(E)
partiram’nos três Reis Magnos
(e)
da parte do Oriente
(e)
visitaram Deus nascido,
Filho
de a Virgem omnipotente.
(E)
guiados pel’uma estrela,
os
três Reis partiram pr’a costa,
(e)
visitaram Deus-Menino
(e)
quem no Céu, a terra adora.
(E)
embarcaram numa nau,
(e)
sem purder tempo
nem hora.
(E)
isto com quem Deus nãovega,
(e)
do mar o vento lhe assopra.
(E)
gaveiro que atrepa à gaiva,
(e)
lá le respondeu de a proa,
(e)
que já se avista Bolém,
(e)
já se vê Lisboa toda.
O
nosso rei se vestiu de gala
(e)
mais a sua gente toda.
|
Quando
chegaram ao palácio
aonde
estava o nosso rei,
(e)
logo le perguntaram
se
estavam longe de Belém.
O
nosso rei por ser tão bom
(e)
foi o próprio que les disse
(e)
que fossem sempre andado,
(e)
que o seu caminho seguisse.
(E)
logo ali le ofereceram
(e)
oiro, incenso e mirra,
(e)
nem ouro como o mortal,
nem
incenso como o divino.
Demos
louvores à Senhora,
(e)
demos graças ao Menino.
(E)
Boas-Festas vimos dari
(e)
à vinda dos Santos Reis,
(e)
também vós tereis cuidado
(e)
de arranjar o que nos deis.
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Siglas para identificar as fontes que possam apresentar mais problemas
de identificação.
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ASRCT
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Apostolicae et Sacrorum Rituum Congregationis Typographi
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aCPP
|
A CANÇÃO POPULAR PORTUGUESA
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CL
|
CIRCULO DE LEITORES
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CPP
|
CANCIONEIRO POPULAR PORTUGUÊS
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|
CsPP
|
CANTARES DO POVO PORTUGUÊS
|
|
ENP
|
EMPRESA NACIONAL DE PUBLICIDADE e depois
TORRES & Cta LIVRARIA FERIN
|
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EtB
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ETNOGRAFIA DA BEIRA
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IAC
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INSTITUTO DE ALTA CULTURA (Agora Instituto
Camões)
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JLD
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