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(como
é evidente, mesmo sem o parecer, este mini AUTO - POEMA
- faz parte integrante dos POEMAS À MINHA ESCOLA que irão
aparecer no SISTEMA eScOLAR...)
Na minha rua
que era uma quelha sem saída
o que quer dizer que era um beco
do feitio de um saco
de onde só se podia sair por onde
se podia entrar
havia
além de meia dúzia de casas umas
ao lado das outras
e umas em frente das outras como
que apertando-se, abafando-se,
disse a fada,
havia, como tinha começado a dizer,
as pessoas que viviam nas casas
umas ao lado das outras
e as pessoas que viviam nas casas
umas em frente das outras...
e havia
além de muitos gatos e gatas que
miavam dolorosamente em janeiro
havia,
como há em todo o lado quando se
vive no campo ou melhor dizendo na província,
havia cães e burros, cavalos e
pardais, porcos e galinhas...
enfim, tudo o que pode chamar-se
de animais domésticos...
mas havia, no meio de toda esta
bicharada,
e isto é que nos interessa para
a história,
havia UM GATO E UMA GATA.
um gato que passava a vida no telhado
e uma gata que passava a vida na
janela.
o gato era, por isso, conhecido
como o GATO DO TELHADO,
e a GATA, exactamente pelo mesmo
motivo que não era o mesmo,
era conhecida como
A GATA DA JANELA.
A certa altura, aí por voltas de
Janeiro,
o GATO DO TELHADO começo a fazer
RENHAUNHAU à GATA DA JANELA
e a GATA DA JANELA começou a fazer
RENHAUNHAU ao GATO DO TELHADO.
antes da primavera, já o GATO DO
TELHADO namorava a GATA DA JANELA
e a GATA DA JANELA namorava o GATO
DO TELHADO.
Quando as coisas estavam, como
é natural, a tomar o seu devido rumo,
o que quer dizer que estavam a
ir longe de mais,
a GATA DA JANELA que já estava
no telhado,
disse para o GATO DO TELHADO que
continuava no telhado
depois de várias surtidas e assaltos
ao telhado
que, como podemos verificar, estavam a dar o previsto
resultado:
- e se nos deixássemos destas vindas
e idas ao telhado
e destas idas e voltas à janela?
- UAU! - disse o GATO DO TELHADO!!!
- MIAU, quer você dizer, - disse
a GATA DA JANELA.
- MAU! MAU! - disse o GATO DO TELHADO
- o que eu queria dizer, era mesmo UAU!!!
- Então, já que se quer armar em
MAU.
o que é que você quer dizer com
esse UAU!!!?-
disse a GATA DA JANELA que estava
no telhado.
- Você é que fez uma proposta...,
- disse o GATO DO TELHADO, que estava no telhado
- E você não miou como devia, -
disse a GATA DA JANELA já em pé em cima do telhado. - E sabe que
mais? Vou já sair daqui deste telhado e regressar à minha janela
antes que eu passe a ser a GATA
DO TELHADO
e você o GATO DA JANELA!...
- Não seja piegas, miúda! Eu também
começo a ficar farto.
destas idas e vindas à janela
e das suas vindas e idas do telhado
- disse o GATO DO TELHADO.-
E sabe que mais, minha gatinha?
Se assim continuamos
eu corro o risco, como você disse,
de ser o GATO DA JANELA
e você corre o risco de passar
a ser a GATA DO TELHADO!!!
e você nem calcula o que são as
más línguas dos donos e das donas dos telhados!!!
e das donas e dos donos
das janelas!!!?
Já dizem mesmo por aí qu'isto é
mesmo um INSUSSEXO.
- INSUCESSO? quer você dizer -
disse a GATA DA JANELA, no telhado.
- InsuSSEXO foi o que eu disse - disse o GATO DO
TELHADO.
- BEM! BEM! Você tem que ter sempre
razão, não é? Mas o que eu digo é que este INSUSSEXXO é mesmo um verdadeiro INSUCESSO! pois já era tempo
de termos uma casinha só p'rós dois... a nossa casinha que seria
p'rós gatinhos que havíamos de ter - disse a GATA DA JANELA no cimo
do telhado, já a caminho do parapeito da janela...
- EIA LÁ, gatinha! Mas nós vamos
fazer a nossa casinha
que há-de ser p'rós nossos gatinhos!
- disse o GATO DO TELHADO, já à beira do beirado do telhado, a tentar
ainda fazer-se ouvir pela gata a caminho da janela...
- RENHAU! - disse a gata recuando
no caminho do beiral do telhado.
- RENHAUNHAU! - disse o gato correndo
ao encontro da GATA DA JANELA.
-Vamos então fazer uma casinha?
- disse a GATA DA JANELA.
-Vamos fazer a nossa casinha!,
que há-de ser p'rós nossos gatinhos!, - disse o GATO DO TELHADO,
já às voltas com a GATA DA JANELA, às cambalhotas em cima do telhado,
em risco de se estatelarem cá em baixo no meio da rua, e, correndo
o risco de porem a correr às portas e janelas os donos e as donas
de todos aqueles telhados e janelas...
-Vamos fazer A NOSSA CAAAAASA!!!
disse o GATO DO TELHADO ao mesmo tempo que a GATA DA JANELA.
- Não podemos perder mais tempo,
- disse o GATO DO TELHADO.
- Temos de fazer já os nossos planos,
- disse a GATA DA JANELA.
- Vamos começar já, - disse o GATO
DO TELHADO.
- ´É p'ra já, - disse a GATA DA
JANELA.
- Comecemos então.
Vamos começar, e já, pelo telhado,
- disse o GATO DO TELHADO.
- Olha o disparate! Lá isso é que
não, senhor gato, - disse a GATA DA JANELA abanando muito o dedo
mais perto do polegar para o GATO DO TELHADO. - Vamos começar ,e
já, como compete, a começar pela janela!
- Olha o desplante! Onde é que
já se viu? - disse o GATO DO TELHADO, abrindo as patas da frente
muito ofendido como se fossem braços... - Agora temos uma casa começar
pela janela!!! Parvoíce! Isto só podia vir duma GATA DE JANELA!
PFFF!!!
-PAAAF! PIIIF! ou PUUUF!, senhor
gato.!!! Estou-me perfeitamente PFANDO para as suas teorias e para
esse desastroso machismo que revela pelas GATAS, especialmente DE
JANELA... Onde é que já se viu, ... PSCHIU! nem PIU!!!..., começar
uma casa pelo telhado, disse a GATA DA JANELA?
- Parece que não nos entendemos,
- disse o GATO DO TELHADO.
- Mas temos de nos entender, -
disse a GATA DA JANELA, - se queremos mandar vir os nossos gatinhos...
já estavam para ali a discutir
há uma eternidade... ficaram amuados durante muito tempo... não
se falavam... entretanto estavam aí a vir os gatinhos que geraram...
passou-se algum tempo...
... nasceram os gatinhos.
...não havia meio de o GATO DO
TELHADO se entender com a GATA DA JANELA...
...nem de a GATA DA JANELA se entender
com o GATO DO TELHADO...
... passou 'inda mais tempo.
... cresceram os gatinhos.
... de vez em quando os gatinhos
ainda ouviam discutir o GATO DO TELHADO com a GATA DA JANELA e a
GATA DA JANELA com o GATO DO TELHADO! - É pelo telhado..., - dizia
um... - É pela janela... - dizia outro... E já nem conversavam...
Casmurravam, cada um na sua. pelo TELHADO já disse... - Pela JANELA,
já disse e pronto...
...
- Mass o que é aquilo? - interrogaram-se
um dia os jovens gatinhos
a rir que já tinham corrido outros becos ruas e telhados...
e até já tinham andado a jogar às escondidas por casas em ruínas
e outras que estavam a construir ainda a cheirar a terra e a alicerces...
- Mas as casas não se começam a
construir pelo telhado!!!, - disseram uns gatinhos para os outros.
- Nem tão pouco, as casas, se começam
a construir pela janela!!!, - disseram os outros gatinhos para os
primeiros.
- Dizemo-lhes? - interrogaram-se
os gatinhos.
- Deixemo-los! propuseram as gatinhas.
- Eles até estão tão felizes por
nos terem!!!- disseram os gatinhos e as gatinhas.
- Então, deixamo-los na ignorância?
- DEIXEMO-LOS SONHAR! - disseram
em coro todos os gatinhos
FINAL NÚMERO
UM.
CAI O PANO

FINAL NÚMERO
DOIS
TORNA A ABRIR
O PANO
(que entretanto
talvez nem se tenha fechado!)
( Mas, a pedido de vários espectadores,
que ansiosamente desejam a evolução e actualização do GATO DO TELHADO
e da GATA DA JANELA, que são os heróis desta história... E assim,
voltemos atrás até à quarta fala a contar do fim...)
- Dizemo-lhes?, - interrogaram-se
os gatinhos.
- Não sabemos se vale a pena?!
- interrogaram-se as gatinhas pensativas.
- Já são adultos, não vêem? São
crescidos! Nem se pode dizer que já são velhos!!!
- Mas eles viveram sempre assim!,
- disseram uns gatinhos.
- Pois! O nosso pai foi sempre
um GATO DO TELHADO!!!...
- E a nossa mãe uma GATA DA JANELA!!!...
... depois, para serem nossos pais,
parece que ela passou a ser uma
GATA DO TELHADO
e ele passou a ser o O GATO DO
TELHADO que catrapiscou a GATA DA JANELA e ...
sonharam...
... sonharam toda a vida
construir uma casinha para eles
onde nós iríamos nascer
e onde eles iriam ser felizes para
sempre!!! ... CONNOSCO!!!, isto iam dizendo os gatinhos e gatinhas
que já eram de várias ninhadas ...
- UFFF! do que nos livrámos! -
disseram metade dos gatinhos.
- PUFFF! que sorte!- disseram a
outra metade dos gatinhos e gatinhas.
- Vamos mas é nós construir a nossa
casinha. - disseram todos em coro. Pode ser até que eles a queiram
construir connosco, A COMEÇAR PELOS ALICERCES...
-... !!! Como é que não nos tínhamos
lembrado disso!? disseram um para o outro o GATO DO TELHADO e a
GATA DA JANELA, que tinham estado à escuta sem eles verem para ouvirem
que raio de conversas costumava ter a juventude de agora que nunca
pensa em coisas sérias e o que quer é reinar e curtir e não fazem
nem dizem nada de jeito!!!
- Tão simples! - disse a GATA DA
JANELA para o GATO DO TELHADO que muito envergonhado mas feliz,
olhava os olhos dela brilhantes como estrelas...
- VAMOS TODOS CONSTRUIR A NOSSA
CASA! - gritaram em coro todos juntos quando descobriram admirados
que uns estavam a ouvir os outros quando pensavam que estavam a
dizer segredos...
- VAMOS TODOS CONSTRUIR A NOSSA
CASA ONDE POSSAMOS SER FELIZES!... gritam TODOS EM CORO:
- o GATO DO TELHADO que agora era mais da janela...
- a GATA DA JANELA que agora era mais do telhado...
- os GATINHOS e as GATINHAS que não eram lá muito nem do
telhado nem da janela porque eram mais da rua ...
- e as PESSOAS todas da minha rua que era uma quelha sem
saída, o que quer dizer que era um beco do feitio de um saco de
onde só se podia sair por onde se podia entrar... e andavam ansiosos
por viverem numa rua onde se pudesse entrar e sair por vários lados...
- VAMOS CONSTRUIR A NOSSA CASA!!!
- GRITARAM TODOS EM CORO quando descobriram que se tinham descoberto
TODOS UNS AOS OUTROS... e GRITARAM DA RUA, DAS PORTAS, DAS JANELAS,
DOS TELHADOS...
E ACREDITARAM
QUE PODIAM TENTAR SER TODOS FELIZES!!!
mesmo sem o serem para sempre!
QUE CHATICE...!!!

Penedo Gordo,
BEJA
Carnaval de 1988
Zé do TELHADO
(quando neste país aconteceu o
DIA D = que era um DIA DE DEBATE no sentido de procurar soluções
para a reforma do SISTEMA EDUCATIVO, mas com uma série de estudos
já com muitas soluções e propostas, onde faltava, só, O ESTUDO BASE.:
O QUE É QUE ESTÁ MAL...E PORQUÊ?...QUAL É A REALIDADE?...)
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de Gil Vicente
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