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Alguns DADOS históricos...
Várias Fontes...
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S. Martinho - a História
possível e as ... confusões
muitos Martinhos... e a relação com o
vinho que não em nada a ver com o santo!!!
S. Martinho uma FESTA tradicional Popular -
O S. Martinho - José
Manuel Landeiro, in Mensário das Casa do Povo
Ano XXIV, Nov. 1969
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Lenda/s de S. Martinho |
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AUTO DE
S. MARTINHO |
Gil Vicente |
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Provérbios Populares
in O FOLCLORE DO VINHO, de Whitker Penteado, Ed. Centro
do Livro Brasileiro, Dez 1980
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BIBLIOGRAFIA |
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veja
a seguir outros temas relacionados...
brindes...
quadras... despiques... lengalengas...curiosidades... uma
exposição... canções... BD...
São
MARTINHO
alguns dados históricos
e elementos para tentar desfazer algumas confusões:
Basta
consultar alguns Dicionários e Enciclopédias
para perceber que o nome MARTINHO é nome de muita gente
ilustre, entre os quais, 5 Papas, vários Bispos e Frades
e ainda pelo menos dois Reis...
(Obras consultadas. Dicionário Enciclopédico
de Língua Portuguesa - Edições Alfa;
Enciclopédia Fundamental - VERBO - Ed. Verbo; Enciclopédia
VERBO Luso-Brasileira de Cultura, edição Século
XXI).
São
MARTINHO I - PAPA e MÁRTIR - festa litúrgica
a 12.11.
A primeira confusão pode vir de Martinho I, (590 -
eleito Papa 649, condenado à morte pelo imperador Constante
II e desterrado em 653, veio a falecer em 16.9.655). A igreja
venera-o como mártir e celebra a sua festa em 12.11.
[Podem encontrar-se muitos outros de diversas épocas,
até São Martinho de Porres (1579-1639) , Dominicano,
peruano, filho de pai espanhol e mãe indígena,
que foi canonizado já em 1962 têm a festa litúrgica
facultativa, em 03.11...]
São
MARTINHO DE DUME - Bispo em Dume, arredores de Braga e
depois Arcebispo de Braga.
Oriundo de Panónia (na actual Hungria) viveu entre
518 - 20.03.579. Esteve na Palestina e Itália onde
terá estudado. Veio para a Galécia em 550 e
fixou-se em Dume onde fundou um Mosteiro, onde foi eleito
Bispo em 556. Em 569, ficou a ser também Bispo metropolita
de Braga. Dedicou-se à conversão dos suevos
e deixou grandes obras que são grandes tratados de
doutrina cristã.
São
MARTINHO DE TOURS
(n. Na actual Szambatkely, Hungria, 316 ou 317 - Candes, França,
08.11.397)
Este ó o santo que é ou terá sido o santo
mais popular da Europa. Filho de um oficial romano, em serviço
na fronteira do Império, alista-se no exército
desde os 15 anos. Em Amiens, provavelmente em 338, quando
fazia a ronda na cidade, no inverno, encontrou um pobre seminu
com quem repartiu a capa. Na noite seguinte, Jesus apareceu-lhe,
em sonhos, vestido com a capa que ele dera ao mendigo. Chegou
a ser oficial da guarda imperial. Aos 40 anos abandona a vida
militar. Foi Bispo desde 371 e ficou na história pela
sua bondade ilimitada e pelo seu zelo apostólico. A
sua Festa litúrgica celebra-se a 11 de Novembro.
CONFUSÕES!?
Porque
é que este SÃO MARTINHO, está relacionado
com estas Festas Populares cheias de cstahas assadas, magustos,
vinho, jeropiga e aguardente?
Talvez,
por ser ou ter sido o Santo mais popular de toda a Europa
e conhecidopela sua Bondade ilimitada e ter convivido com
os mais pobres...
Talvez
pela sua FESTA, 11 de novembro (não na data da sua
morte a 8, porquê..) coincidir com a primeira quinzena
de Novembro, quando o Outono se prepara para dar lugar ao
Inverno e quando costuma haver uma espécie de "visita"
mais apreciada do Sol, que parece despedir-se até à
Primavera...
Muitas
festividades religiosas, como a do Natal, vieram substituir
e tentar cristianizar festividades primitivas, muito antigas,
de diversas origens, que estavam relacionadas com a Natureza,
com as Estações do Ano e portanto, com o decorrer
do Ano Agrícola e esta é a altura em que, depois
das vindimas, o vinho novo se está a trasfegar nas
adegas e quando se costuma dar "o milagre do Sol".
Segundo
aponta Veiga de Oliveira, as festas do vinho, devem estar
relacionadas com antigos bacanais ou outras festas e celebrações
caracterizadas por uma licenciosidade festiva e de certa maneira
autorizada e até mesmo glorificada e consagrada, integrada
no ciclo da fertilidade das Pessoas e da Terra...
O S. Martinho
- in Mensário das Casa do Povo, Ano
XXIV, Nov. 1969, por José Manuel Landeiro
Com outras nossas buscas em velhos pergaminhos
e em papéis velhos e amarelecidos, encontrámos
numa revista de há 70 anos o seguinte escrito sobre
S. Martinho, o qual é antes de mais nada um elogio
ao vinho. Este trabalho vem completar o "Sermão
de S. Martinho", que, em 1938, arquivámos no nosso
livro "O Concelho de Penamacor na História, na
Tradição e na Lenda".
Vamos, pois, transcrever:
EM DIA DE S. MARTINHO
"Escrevemos em dia de S. Martinho (1),
não estranhará o leitor, nem levará a
mal que lhe fale em uma cousa que se conhece pelos clássicos
nomes de bebedeira, borracheira, embriaguez, e a que também
há quem chame turca, moafa, cabeleira, camoeca e carraspana
(2). O nome, porém, mais decente
desta cousa é bico. Tomar o bico, toma-o muito boa
gente. Eu creio que a turca simples é útil e
digna de elogio. As pessoas que fazem oposição
à pinga dizem que o ébrio perde a razão.
Eu duvido que a perca toda: ou então, se perde uma,
adquire outra, porque todos os dias estamos vendo homens que
valem mais noventa e nove por cento quando neles fala o vinho.
Quantos pregadores, e digamo-lo sem ofensa de nenhum reverendo,
antes de subirem à cadeira da verdade enxugam a sua
garrafita do choco! E então é que a verdade
lhes sai dos lábios em torrentes. Se se consultar a
história romana, ver-se-á que Catão,
e era um romano às direitas, tomava a sua touca sem
cerimónia nenhuma; Alexandre Magno, nesse não
falemos e mais era o conquistador das Índias; esse
amiguinho tomava cada moafa de rachar. E os gregos, que não
eram nenhuns tolos, concederam um diploma de divindade ao
grão borrachão Baco e até lhe associaram
Minerva, como quem diz que o vinho vigoriza o engenho. Folheando
a Escritura Sagrada, vemos que ela diz que o vinho alegra
o coração dos homens. Ora a gente tem tantas
cousas que nos afligem, os alugueres caros, as décimas,
o tabaco podre, os. defluxos, que deve querer bem a uma cousa
que nos distraia dos pensamentos tristes de todos os dias.
Se eu fosse deputado proporia um projecto de lei para que
todo o cidadão livre e no uso dos seus direitos fosse
obrigado a tomar este meio de alegrar-se uma ou duas vezes
por dia. Dirão que isto é uma asneira; mas eu
creio que o Estado lucraria muito mais com trazer o povo alegre,
porque assim não sentiria o peso dos tributos.
Dionísio era um tirano, e para que
o povo não desse por tal, decretou uma coroa de prémio
àquele que mais vinho bebesse em qualquer festa. Nero,
que foi um verdugo do género humano, foi um dos maiores
enxuga-botelhas do seu tempo. Maurício, duque da Toscana,
fundou em 1600 uma sociedade chamada de Temperança,
e um dos artigos do estatuto determinava que nenhum dos sócios
bebesse ao dia mais de sete copos de vinho, mas não
consta da história toscana se os copos eram de meio
quartilho ou de canada. Enfim, um príncipe inglês,
sendo obrigado a escolher o género de morte, preferiu
afogar-se em um tonel de Malvasia. Portanto, pelo lado da
história, tudo abona a excelência do pifão.
Pelo lado da ciência, vemos graves médicos aconselharem
o uso do vinho (3), não o vinho
mau, mas o bom, descrevendo as suas qualidades tónicas
e diaforéticas, que dão força aos fracos
e saúde aos enfermos. Vê-se, portanto, que a
Medicina também é a nosso favor, e tendo nós
pelo nosso lado a História e a Medicina, não
precisamos de mais nada. Donde se conclui que a piteira é
boa, útil e necessária.
Os gregos foram os inventores dessa parvoíce
de misturar água com vinho; mas como eles não
sabiam as ciências físicas têm desculpa.
O vinho misturado é prejudicial à economia,
pois se a sua virtude está no espírito, é
claro que, quanto mais água tiver menos espírito
terá. O vinho misturado com água relaxa o estômago
e diminui a energia vital. Os homens que só gostam
de água são incapazes dum empreendimento sério.
Senão, veja-se a energia com que um borracho advoga
a sua causa e a frieza com que o faz o que só bebe
água. Se o borracho ama, é capaz, por causa
da sua bela, de saltar um quarto ou quinto andar, ao passo
que aquele que só bebe água não é
capaz de aparar-lhe um bilhete com medo da patrulha. Se o
borracho monta a cavalo, o mais tísico jumento entre
os seus joelhos torna-se horsa inglesa; galopa, salta paredes
e rios. Porém o que bebe água deixa ir o animalzinho
à sua vontade e leva as esporas por decência.
Para o borracho não há chuva; para o amigo da
água um orvalho é um dilúvio. Por estas
e outras razões que não diremos, o uso, e até
o abuso do vinho, é a cousa melhor que há neste
mundo, e cremos que também no outro. E pondo aqui ponto,
peço desculpa ao leitor se o ataquei pelo seu fraco.
Ah! O leitor é devoto do S. Martinho?..
Tanto melhor. Vamos fazer-lhe juntos uma saúde, e depois
entregar-nos-emos regaladamente nos braços de Morfeu.
Bon Soir."
Na verdade, o que acabamos de ler foi feito com espírito.
Só o "Juiz de Fora de Penamacor" 1775 que
vimos publicado no "Diário Popular", por
ocasião do Carnaval, o suplanta em espírito
imaginativo. Essa mimosa prosa é um louvor ao vinho
bom, a zurrapa só prejudica a saúde.
JOSÉ MANUEL LANDEIRO
Notas:
(1) Os dias de S. Martinho são 10,
11 e 12 de Novembro. O dia 10 é o de S. Martinho Bispo,
o dia 11 de S. Martinho Papa e o dia 12 de S. Martinho Rapa,
ou, como dizem os etnógrafos, o dia 10, o S. Martinho
dos garotos; o dia 11, o dos homens, e o dia 12, das mulheres.
(2) E perua, na Beira Baixa, em terras
de Penamacor e Idanha-a-Nova.
(3) Há três décadas
de anos tivemos conhecimento de que um médico-veterinário
do distrito de Coimbra aconselhava a deitar-se nas viandas
(comida dos porcos) meio ou um litro de vinho.
Quem ler o nosso "Sermão de S. Martinho"
verá que nele nós falámos nos antigos
sábios gregos, romanos estroinas de que aqui se fala.
DA
HISTÓRIA À/s LENDA/s...
LENDA
DO VERÃO DE S. MARTINHO
para explicar o Verão de S. Martinho, recolhida num
livro da Escola Primária:
Num
dia tempestuoso ia S. Martinho, valoroso soldado, montado
no seu cavalo, quando viu um mendigo quase nu, tremendo de
frio que lhe estendia a mão suplicante e gelada.
S. Martinho não hesitou: parou o cavalo, poisou a sua
mão carinhosamente na do pobre e, em seguida, com a
espada cortou ao meio a sua capa de militar, dando metade
ao mendigo.
E, apesar de mal agasalhado e de chover torrencialmente, preparava-se
para continuar o seu caminho, cheio de felicidade.
Mas subitamente, a tempestade desfez-se, o céu ficou
límpido e um sol de estio inundou a terra de luz e
calor.
Diz-se que Deus, para que se não apagasse da memória
dos homens o acto de bondade praticado pelo Santo, todos os
anos, nessa mesma época, cessa por alguns dias o tempo
frio e o céu e a terra sorriem com a benção
dum sol quente e miraculoso.
LENDA DO VERÃO DE S. MARTINHO
para explicar o Verão de S. Martinho, recolhida in
- A ETNOGRAFIA E FOLCLORE DO BAIXO ALENTEJO, Manuel Joaquim
Delgado, 2ª ed. Da Assembleia municipal de Beja, 1985.
Diz
a lenda que s. Martinho seguia um dia (11 de Novembro) por
uma estrada. Era quase Inverno, e o santo encontrou no caminho,
um pobre mendigo esfarrapado e a tiritar de frio.
Tanta pena lhe fez o velhote que, S. Martinho, condoído
e cheio de caridade por aqule pobre de Cristo, despiu a sua
capa, deu-a ao mendigo e seguiu o seu caminho.
Mais adiante, encontrou também, cheio de frio, um moço
pobre quase nu. Rasgando metade d batina que trazia vestida,
deu-a igualmente ao pobre rapaz, que agradeceu o gesto bondoso
e caritativo daquele homem que não conhecia.
O Santo, ao praticar tão digna como virtuosa acção,
cheia de misericórdia e amor, continuou o seu caminho.
Despojado de metade da batina e da capa que oferecera, o santo
deveria então sentir o frio intenso, que fazia nessa
manhã do dia 11 do mês dos Santos, mas não.
Deus, querendo comulá-lo de graças e favorecê-lo
pelas suas virtuosas acções tão cheias
de caridade e amor ao próximo, fez o Sol aquecer a
Terra e brilhar com uma luz mais intensa que nos outros dias,
de modo que o santo não sentisse o mais leve arrepio
de frio.
É por isso que, nos dias de Novembro, em que o Sol
ainda aquece, são conhecidos do povo pelo Verão
de S. Martinho.
O VERÃO DE S. MARTINHO
(Num livro antigo, da 4ª Classe)
Havia,
há muitos anos, um rico soldado romano, que, a cavalo,
fazia as suas rondas pela cidade a ver se estava tudo em ordem.
E uma vez, por alturas de Novembro, saiu, como de costume,
debaixo de uma chuva miudinha e fria. No caminho, apareceu-lhe
um velho, pobre e faminto e quase nu, que lhe pedia esmola.
Martinho, assim se chamava o cavaleiro, não tendo à
mão nada que lhe dar, tirou a capa que levava aos ombros,
e, com a espada, cortou-a ao meio, cobrindo com metade os
ombros do mendigo.
E seguiu o seu caminho.
Poucos metros andados, sem mais nem menos, a chuva parou e
um sol bonito pareceu no céu.
É por isso que ainda hoje, todos os anos, na época
de S. Martinho, um sol radioso costuma aparecer e o povo chama-lhe
o Verão de S. Martinho.
SÃO MARTINHO E O MENDIGO
Verão de São Martinho - Ramalho Ortigão
São Martinho foi na mocidade soldado das legiões
do imperador Juliano. Num certo dia de borrasca, em pleno
Inverno, sob o vendaval e a neve, equipado e armado, montado
a cavalo, embuçado até aos olhos na capa militar,
São Martinho viu, às portas de Amiens, um mendigo
andrajoso e seminu, tiritando de frio, estendendo suplicantemente
para ele a sua pobre mão ossuda, ganchona e congelada.
O Santo sofreou o cavalo, acalentou com enternecida caridade
a mão desse abandonado e, em seguida, desembuçando-se,
tomou da espada, cortou ao meio a sua capa de agasalho, deu
metade dela a esse miserável peregrino e, envolto na
outra metade, sacudiu a rédea e prosseguiu através
da tormenta, de peito ao vento e a neve.
Subitamente, porém, no caminho do soldado, a tempestade
desfez-se, amainou o tufão e a geada, o céu
descobriu instantaneamente, como por encanto, a sua inefável
profundidade límpida e azul, e um sol de Estio acariciante
e resplendente inundou a terra de alegria e vestiu de luz
e calor, numa apoteose da natureza, esse cavaleiro de caridade
evangélica.
Deus, reconhecido, para que não se apagasse da memória
dos homens a notícia deste acto de bondade, praticado
por um dos seus eleitos, dispôs que em cada ano, na
mesma época em que São Martinho se desapossou
da metade da sua capa, por alguns dias de gala, se interrompesse
o Inverno, cessasse o frio, sorrisse o céu e a terra
de um miraculoso contentamento.
Esta lenda, tão ingénua e tão simples,
é talvez, um simbólico resumo, como toda a obra
da filosofia popular, a única filosofia do Inverno:
para não ter frio, repartir a capa por metade; para
não ser velho, arrancar para fora do peito o coração
inteiro e reparti-lo todo!

André Cláudio - 1989 - Escola
Secundária nº2 (D. Manuel I) de Beja
A LENDA DE S. MARTINHO
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Vítor Charrua, 7º 2ª,
1989 - Escola Secundária nº2 (D. Manuel
I) de Beja
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AUTO
DE S. MARTINHO de Gil Vicente
(in OBRAS de GIL VICENTE com revisão e notas de Mendes
dos Remédios, Tomo I de III, França Amado Editor, Coimbra,
1907, (I PÁG. LXXXV).
|
in Obras de Gil Vicente
AUTO DE S. MARTINHO - GIL VICENTE
|
Auto de S. Martinho - Tradução
e adaptação de José gil vicente da
Beira - tentativa - |
|
Entra
o Pobre, dizendo:
POBRE.
O
piernas, llevadme um paso siquiera;
Manos, pegad os naqueste bordon,
Descansad, dolores, de tanta pasion;
Siquiera un momento en alguna manera
Dejadme pasar por esta carrera,
Iré á buscar un pan que sostenga
Mi cuerpo doliente, hasta que venga
La muerte que quiero por mi compañera.
Devotos
Cristianos, dad al sin ventura
Limosna, que pide por verse plagado:
Mirad ora el triste que estoy lastimado
De pies y de manos por mi desventura;
Mirad estas plagas que no sufren cura;
Ya son incurables por mi triste suerte.
Ay! que padezco dolores de muerte,
Y aquesto que vivo, es contra natura.
Mirad
ora el triste con mucho dolor;
Que ante de muerto me comen gusanos;
Mirad el tullido de pies y de manos;
Mlrad la miseria de mi pecador.
Dadme limosna por aquello Señor,
Que guarde á vosotros de tantos dolores.
Limosna bendita me dad, mis senhores;
Que ya no la puede ganar mi sudor.
Habed
compasión del pobre doliente,
Que ya se vio sano mancebo y lucido.
O mundo que ruedas, á qué me has traído!
Qué recio solía yo ser y valiente,
Cuán alabado de toda la gente!
De recio, galan, qué fue de mi bien?
O muerte, qué tardas, quien te detien;
Que yo no me atrevo á ser mas paciente!
O
paciencia que en Job reposó,
Qué quieres que haja con tantos tormentos?
Perdóname tu, que mis sufrimientos
No pueden callar la miseria en que só.
Criante rocío, qué te hice yo,
Que las hiervecitas floreces por Mayo,
Y sobre mis carnes no echas un sayo,
Ni dejan dolores que lo gane yo?
Deje
la muerte las niñas, las dueñas,
Y deje doncellas galanas vivir:
Deje las aves cantares decir,
Y deje ganados andar por las peñas.
Llévame á mí: por qué me
desdeñas,
Y matas sin tiempo quien merece vida?
Sácame ya desta cárcel podrida.
Mi ánima triste, no quieras mas señas,
Dadme
ora limosna por la pasión
Del hijo de Dios, que pobre se vido,
Daquel que por nos fue muerto y herido,
Doliente y plagado por la redención.
Mirad ora, ricos, que teneis razon
Dar de sus bienes, pues sois tesoreros,
Sed los suyos buenos dispenseros,
Y vuestras riquezas se os doblaron.
Vem
S. Martinho, cavalleiro, com tres Pagens, e diz o
P0BRE,
Devoto
Señor real caballero,
Volved vuestros ojos á tanta pobreza,
Que Dios os prospere vuestra gentileza:
Dadme limosna, que de hambre me muero.
MAR.
Hermano, ahora no traigo dinero:
Vosotros traeis que demos por Dios?
PAG.
No ciertamente.
MAR.
.....................Entrambos á dos
No traéis que demos á este romero?
POBRE.
No
hay dolor que en mí no lo sienta:
Haved de mis males, Señor, compasión.
MAR.
Quien ora tuviesse daquella pasion
La parte que tienes que mas te atormenta!
POB.
Guárdeos
Dios de tan grande afrenta;
Dios lo prospere con mucha salud.
Dadme limosna por vuestra virtud,
Que mi gran pobreza no hay quien la sienta.
S.
MART!NHO.
No
sé que te dé, de dolor de ti,
Ni puedo á tus males ponerte remedio.
Partamos aquesta mi capa por medio;
Pois outra limosna no traigo aqui:
Rógote, hermano, que ruegues por mi.
Pues sufres dolores nesta triste vida,
Tu ánima en gloria será recebida
Con dulces cantares, diciendo así.
Emquanto
S. Martinho com sua espada parte a capa, cantão
mui devotamente hua prosa. Não foi mais porque
foi pedido muito tarde.
|
Entra um Pobre dizendo:
POBRE
Ó pernas minhas, permiti que
ande um pouco mais;
Ó minhas mãos, agarrai ainda este bordão,
Ó dores fatais que me trazeis tanta paixão
Descansai um pouco deste sofrer que me causais
Deixa-me caminhar, oh dor!, até um cais
Onde possa encontrar um pão que me sustente
Este corpo fraco já cansado tão doente
Ó Morte amiga e companheira, aonde estais?
Cristãos devotos, dai a este
desgraçado
Uma esmola que valha a esta desventura.
Olhai bem para estas chagas já sem cura
Que cobrem mãos e pés, o corpo mutilado
Deixando a alma triste e em pecado
Ao sabor do destino e da má sorte
Pois já não busco a vida mas a morte
Deixai então que parta descansado...
Olhai bem este triste com a vossa dor
Mesmo antes de morto já me comem vermes
Pois vêem-me atado de mãos e de pés
Olhai a miséria de tal pecador
E dai-me uma esmola que a dais ao Senhor
Que vos pode livrar de semelhantes dores;
Dai-me uma esmola, felizes senhores
Um pingo que seja do vosso suor...
Tende compaixão do pobre doente
Que também foi jovem e são, decidido.
Ó mundo cruel porque sou banido
Da roda de amigos onde era o valente,
Onde era aplaudido por toda a gente!
Do jovem garboso, que me resta agora?
Ó morte, que tardas, vinde sem demora
Pois não é possível ser mais paciente!
Eu não tenho a paciência
que teve o Job,
Que posso eu fazer com tantos tormentos
Que me causam as dores e os sofrimentos.
Olhai bem para mim, de mim tende dó
Que fiz eu a Deus para me deixar só?
Até entre as pedras florescem as flores
E eu neste corpo só feridas, só dores
Triturando o corpo qual grão entre a mó!
Que a morte deixe viver as crianças
Que deixe as donzelas mais belas dançar
Que deixe as aves cantar e voar...
E os jovens sorrir sem guerras matanças...
Levai-me a mim cansado de andanças.
Porque levais tantos, tão cheios de vida
E deixais viver esta carne perdida
Que já correu mundo - França e Araganças...
Dai-me uma esmola do fundo do coração.
Lembrai as palavras do Verbo Encarnado:
O que dais aos pobres, a Deus emprestado
Que vos há-de dar sua Salvação.
Olhai, bem, ó ricos: Eu tenho razão
Se derdes abertos do que recebestes
E se tendes bens, é que os merecestes
E dando sem conta, mais bens vos virão...
aparece S. Martinho, a cavalo, com três
Pagens e diz o
POBRE:
Devoto Senhor, de posto tão nobre
Volvei vossos olhos pra tanta pobreza,
que Deus vos aumente a vossa riqueza
e dai-me uma esmola, que morro de fome.
Martinho:
Irmão, bem vês que não tenho um
cobre...
Alguém tem dobrados para dar de esmola?
Pagem: Não tenho nem tusto...
Martinho: .................. .......Não
trazem sacola?
Não temos dinheiro que socorra o pobre?
POBRE:
Minha vida, senhor,
é grande tormenta
Tende compaixão de mim, de meus males, Senhor!
Martinho:
Quem me dera poder socorrer tua dor
Livrar-te do mal que te atormenta!
POBRE:
Que Deus vos proteja, vos guarde e ajude
Vos conceda sempre riqueza e saúde
E inda pra mais vos dê a virtude
De ajudar o pobre que não tem
ajuda...
S. Matinho:
Que te darei eu que sofro por ti
Por sofreres tais dores que não têm cura
Só tenho esta capa, que é grande, que
é dura
Metade pra ti, metade pra mim
O frio e a neve me obrigam assim
A dar-te metade pois também preciso
De me proteger até ter abrigo...
E que Deus te ajude e te valha aqui!
E enquanto S. Martinho vai partindo
a capa ao meio com a sua espada, o coro e os presentes
cantam uma devota canção de louvor a S.
Martinho... Não pude fazer melhor, porque ninguém
me pediu esta tarefa e nem me foi encomendado este sermão...
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PROVÉRBIOS
IN O FOLCLORE DO VINHO, DE Whitaker Penteado,
Ed. Centro do Livro Brasileiro, Dez, 1980
"Colectânea de 200
provérbios brasileiros"
(que afinal são "todos"
portugueses...) e estrangeiros...
"A literatura sobre os provérbios
brasileiros encontra-se ainda esparsa na obra dos folcloristas,
poetas populares, cronistas e escritores, à espera
de alguém disposto a recolhê-los sob forma sistemática.
As colectâneas são raras e o mais das vezes obra
de diletantes, faltando-lhes não só o rigor
na escolha e na transcrição, quanto a sua interpretação,
a exegese do seu conteúdo de conhecimento e sabedoria
populares.
Das poucas obras que tive em mãos para consulta, apenas
os trabalhos pioneiros de Mario Lamenza, no Brasil, e Pedro
Chaves, em Portugal, pareceram-me válidos para os fins
a que me propunha de recolher os provérbios referentes
ao vinho. Entre os dois autores, tinha evidentemente de preferir
o brasileiro. Assim, dos milhares de rifões coleccionados
por Lamenza, verifiquei que 200 concernem o vinho, a uva,
a vide e o viticultor. Sua transcrição é
indispensável, pois, acredito, nunca foram apresentados
por ordem alfabética a um público exclusivamente
interessado no folclore do vinho:"
1. À boca de fraco, esporada de vinho.
2. A bom amigo, com teu pão e com teu
vinho.
3. A condição de bom, vinho
(é igual), a do bom amigo.
4. A cuba cheira ao vinho que tem em si.
5. À mulher e à vinha o homem
dá alegria.
6. A mulher e o vinho tiram o homem do seu
juízo.
7. A mulher, o estudo, a experiência
e o vinho mudam a natureza do homem.
8. A par do rio, nem vinha, nem olival, nem
edifício.
9. A vinha escave-a quem quiser, pode-a quem
souber e cave. a o seu dono.
10. Abril frio, pão e vinho.
11. Afoga-se mais gente em vinho do que em
água.
12. Água ao figo, e à pêra,
vinho.
13. Ainda que entres na vinha e voltes o gibão,
se não trabalhares não te darão pão.
14. Alho e vinho puro levam a porto seguro.
15. Amigos e pichéis de vinho, tudo
acaba.
16. Amor de rameira e vinho de frasco, pela
manhã é bom, e à noite, gasto.
17. Ao bebedor não falta vinho, nem
à fiandeira, linho.
18. Ao bom amigo, com teu pão e com
teu vinho.
19. Aonde alhos há, vinho haverá.
20. Apregoa vinho e vende vinagre.
21. Arrenda a vinha e o pomar, se os queres
desgraçar.
22. Até S. Pedro, tem o vinho medo.
23. Azeite, vinho e amigo, o mais antigo.
24. Azeite de riba, mel do fundo e vinho do
meio.
25. Azeite, vinho e amigo, melhor o antigo.
26. Azeite, vinho e amigo, prefere o mais
antigo.
27. Bebe vinho branco de manhã, e,
à tarde, tinto para teres sangue.
28. Bebe vinho, mas não bebas o siso.
29. Bom vinho, má cabeça.
30. Cabra que vai à vinha, onde pula
a mãe, pula a filha.
31. Cada cuba cheira o vinho que tem.
32. Cada odre cheira ao vinho que tem.
33. Carne de hoje, pão de ontem e vinho
de outro verão fazem o homem são.
34. Carne que baste, vinho que farte e pão
que sobre.
35. Casa de pai, vinha de avô.
36. Casa, quanto caibas, vinho, quanto bebas,
terras, que nem saibas.
37. Casa, quanto mores, terra, quanta vejas,
vinho quanto podes.
38. Casa, vinho, potro, faça-o outro.
39. Cavalo rifador e odre de bom vinho, pouco
se logram.
40. Chuva de S. João tira o Vinho e
o azeite e não da pão.
41. Chuva no S. João bebe o vinho e
come o pão.
42. Com a vinha em Outubro, come a cabra,
engorda o boi e ganha o dono.
43. Com pão e vinho, anda-se caminho.
44. Conselho de vinho é falso caminho.
45. De bom vinho, bom vinagre.
46. De vinho, abastado, e de razão,
minguado.
47. Depois de morto, nem vinho e nem horto.
48. Dia de S. Martinho, prova o teu vinho.
49. Dia de S. Mateus, vindimam os sisudos,
semeiam os sandeus.
50. Dia de S. Tiago, vai à vinha e
acharás bago.
51. Disse o leite ao vinho: venhas em boa
hora, amigo!
52. Do amigo, do vinho e do café, o
mais antigo melhor é.
53. Do vinho e da mulher livre-se o homem,
se puder.
54. Em Agosto, nem vinho e nem mosto.
55. Em cada prado, uma vinha, e em cada bairro,
uma tia.
56. Em dia de S. Lourenço, vai à
vinha e encherás o lenço.
57. Em Fevereiro, chuva, em Agosto, uva.
58. Gaba-te cesta rota, que vais para a vindima.
59. Gente do Minho veste pano de linho, bebe
vinho de enforcado e come pão de passarinho.
60. Homem atrevido, odre de bom vinho e vaso
de vidro duram pouco.
61. Homens bons e pichéis de vinho
apaziguam o arruído.
62. Isso quer Martinho, sopas de vinho.
63. Maio, couveiro não é vinhateiro.
64. Maio, come o trigo, Agosto, bebe o vinho.
65. Maio frio, Junho quente, bom pão,
vinho valente.
66. Mais vale pão e água com
amor, que vinho bom e galinha, com dor.
67. Martinho, bebe o vinho, deixa a água
para o Minho.
68. Meia vida é a candeia; pão
e vinho, a outra meia.
69. Mel novo, vinho velho
70. Menina e Vinho, peral e faval, são
maus de guardar.
71. Menos vale, às vezes, o vinho que
a borra.
72. Muita parra e pouca uva.
73. Mulher janeleira, uvas na parreira.
74. Na Sta. Marinha, vai ver tua vinha, assim
como a achares, assim na vindima.
75. Nada escapa aos homens, senão o
vinho que as mulheres bebem.
76. Não compres malhada nem vinha desamparada.
77. Não é bom o mosto colhido
em Agosto.
78. Não é cada dia Páscoa
nem vindima.
79. Não vás sem borracha, a
caminho, e quando a levares, não seja sem vinho.
80. Nem mulher casada, nem vinha vindimada.
81. Nem vinha em baixo, nem trigo em cascalho.
82. Ninguém se embebeda com o vinho
da sua adega.
83. No dia de S. Martinho, fura o teu pipinho.
84. No dia de S. Martinho, lume, castanhas
e vinho.
85. No dia de S. Martinho, mata o teu porco
e bebe o teu vinho.
86. No dia de S. Martinho, vai à adega
e prova o teu vinho.
87. No S. Mateus, vindimam os sisudos e semeiam
os sandeus.
88. No S. Tiago, pinta o bago.
89. No Verão, por calma, e no Inverno,
por frio, não faltam achaques ao vinho.
90. Numa porta se põe o ramo, e noutra
se vende o vinho.
91. O bom vinho arruina a bolsa e o mau, o
estômago.
92. O bom vinho escusa pregão.
93. O bom vinho escusa pregão, o bom
peso faz vender o pão.
94. O bom vinho faz bom sangue.
95. O bom vinho faz o homem desapercebido.
96. O bom vinho traz a venda consigo.
97. O bom vinho traz consigo a ventura.
98. O bom vinho não há mister
ramo novo.
99. O casal de ruim lavrador, e a vinha, de
bom adubador.
100. O leitão com vinho torna-se menino.
101. O medo é quem guarda a vinha.
102. O medo é quem guarda a vinha,
que não o cão.
103. O medo é quem guarda a vinha,
que não o dinheiro.
104. O pão pela cor e o vinho pelo
sabor.
105. O pródigo e o bebedor de vinho
nunca têm casa nem moinho.
106. O velho põe a vinha e o velho
a vindima.
107. O vinho e o amigo, do mais antigo.
108. Olhar para a uva não mata a sede.
109. Onde alhos há, vinha haverá.
110. Onde entra o beber, sai o saber.
111. Ouro velho, vinho velho, amigo velho;
casa nova, navio novo, vestido novo.
112. Outubro resolver, Novembro semear, Dezembro
nascer, Janeiro gear, Fevereiro chover, Março encanar,
Abril espigar, Maio engrandecer, Junho ceifar, Julho debulhar,
Agosto engavetar, Setembro vindimar.
113. Pão, carne e vinho andam caminho,
que não moço garrido.
114. Pão com olhos, queijo sem olhos
e vinho que salte aos olhos.
115.. Pão de hoje, carne de ontem,
vinho do outro Verão, fazem o homem são.
116. Pão e vinho é parte no
paraíso.
117. Pão e vinho, levam o homem a caminho.
118. Pão e vinho, um ano, meu, e outro,
do meu vizinho.
119. Pão que sobre, carne que baste
e vinho que farte.
120. Passar como cão por vinha vindimada.
121. Peixe e cochino, vida em água,
morte em vinho.
122. Pelo S. Bartolomeu, vai à vinha
e enche o lenço.
123. Pelo S. Martinho, prova o teu vinho;
ao cabo de um ano, já não te faz dano.
124. Pelo S. Tiago, na vinha acharás
bago; se não for maduro, será inchado.
125. Poda tardia, semeia temporão,
terás vinho e pão.
126. Por carne, vinho e pão, deixo
quantos manjares são.
127. Por casa e nem por vinha, não
cases com mulher parida.
128. Por cima de pêras, vinho bebas,
e tanto (bebas) que nadem as pêras.
129. Por cima do melão, vinho de tostão.
130. Por S. Martinho, nem favas e nem vinho.
131. Por S. Martinho, prova o teu vinho.
132. Por S. Martinho, todo mosto é
bom vinho.
133. Por um que morre de sede, morrem cem
mil de beber.
134. Porco fresco e vinho novo, cristão
morto.
135. Porcos com fome, homens com vinho, fazem
grande ruído.
136. Presunto, vinho e toucinho, os da Turquia
são os melhores.
137. Quando chover em Agosto, não metas
teu dinheiro em mosto.
138. Quando o vinho desce, as palavras sobem.
139. Quem anda de noite com alcaide e meirinho,
ou é beleguim ou gosta de vinho.
140. Quem com o demo cava a vinha, com o demo
a vindima.
141. Quem compra pão na praça
e vinho de taberna, filhos alheios governa.
142. Quem de vinho fala, sede tem.
143. Quem é amigo do vinho, de si mesmo
é inimigo.
144. Quem em ruim parte tem as vinhas, às
costas tira a vindima.
145. Quem não bebe, cheira o copo.
146. Quem não podar em Março,
vindima no regaço.
147. Quem no Algarve morar, tenha vinha e
figueiral, com figueiras de tocar.
148. Quem pão c vinho compra, mostra
a bolsa.
149. Quem poda em Março, vindima regalo.
150. Quem quiser mal à vizinha, dê-lhe
em Março uma sardinha e em Agosto a vindima.
151. Quem se lava com vinho, torna-se menino.
152. Quem sobre salada não bebe, não.
sabe o bem que perde.
153. Quem tem bom vinho, não mude jazigo.
154. Quem tem bom vinho, tem bom amigo.
155. Quem tem vinha em mau lugar, o olho vê
o seu mal.
156. Ramo curto, vindima longa.
157. Sancha, Sancha, bebes o vinho, e dizes
que mancha.
158. São como os de Valega, bebem o
vinho e quebram a malga.
159. São como os de Valega, bebem o
vinho e quebram o ovar.
160. S. Miguel das uvas, tanto tardas e tão
pouco duras, se mais vezes vieras no ano, não estivera
eu com amo.
161. Se bebes vinho, não bebas o siso.
162. Se queres a vinha velha remoçada,
poda-a enfolhada.
163. Se queres o velho, menino, em cima de
doce, dá-lhe vinho.
164. Se queres ser bem disposto, bebe vinho
e manja mosto.
165. Sem borracha, não botes caminho,
e quando fores, não a leves sem vinho.
166. Semeia cedo e colhe tardio, colherás
pão e vinho.
167. Semeia trigo em barral, e não
ponhas vinha em cascalho.
168. Sobre figos, água; sobre pêras,
vinho.
169. Sobre melão, vinho de tostão.
170. Sobre pêras, vinho bebas, e seja
tanto que nadem elas.
171. Solas e vinho, andam caminho.
172. Tão bom é o que vai à
vinha como o que fica à espreita.
173. Tal ladrão é o que vai
à vinha como o que fica à espreita.
174. Tenha eu pipas e cabedal, e quem quiser,
vinhas e lagares.
175. Todo mundo inveja o vinho que bebo, mas
ninguém quer saber das quedas que eu tomo.
176. Tonel mal lavado, vinho estragado.
177. Três coisas mudam a natureza do
homem: a mulher, o estudo e o vinho.
178. Três inimigos tem o segredo: Baco,
Vénus e o interesse. O primeiro, descobre. O segundo,
vende. O terceiro, arrasta.
179. Valentes e vinho bom, duram pouco.
180. Velho só vinho, ouro e conselho;
e novo só moça, hortaliça e ovo.
181. Vindima enxuta, colherás vinho
puro.
182. Vindima molhada, acaba cedo e aliviada.
183. Vindima molhada, pipa asinho despejada.
184. Vinha entre vinhas, casa entre vizinhas.
185. Vinha onde pique, horta onde regue.
186. Vinha posta em bom compasso, ao primeiro
ano dá agraço.
187. Vinha que rebenta em Abril, dá
pouco vinho para o barril.
188. Vinho a seis, cabra a três.
189. Vinho de Maio, nem vai ao cabaço.
190. Vinho de pêras, não o bebas
nem o dês a quem queiras.
191. Vinho do meio, mel do fundo, azeite de
riba.
192. Vinho e moça, peral e faval, maus
são de guardar.
193. Vinho e mouro não é tesouro.
194. Vinho, ouro e amigo, quanto mais velho,
melhor.
195. Vinho pela cor, pão pelo sabor.
196. Vinho que baste, carne que farte, pão
que sobre e seja eu pobre.
197. Vinho que nasce em Maio é para
gaio; o que nasce em Abril vai ao funil; o que nasce em Março
fica no regaço.
198. Vinho turvo, madeira verde e pão
quente são três inimigos da gente.
199. Vinho velho, amigo velho, ouro velho.
200. Vinho verde em Janeiro é mortalha
no telheiro.
BRASIL:
1. Os bons amigos são como os bons
vinhos: melhoram com a idade.
2. São vinhos da mesma pipa.
3. Livra-te do mau vinho e do mau vizinho.
4. Na bigorna se prova o ferro, e no vinho,
o homem.
5. Três coisas mudam o homem: a mulher,
o estudo e o vinho.
6. Vinho e cachaça estão sempre
na praça.
Destes seis provérbios, acredito na
nacionalidade brasileira do último, versão de
outros rifões sobre a cachaça, coleccionados
por José Calasans:
1. Mulher, briga e cachaça estão
sempre na praça.
2. Mulher e cachaça, em todo lugar
se acha.
3. Mulher, cachaça e bolacha, em toda
a parte se acha.
A mistura do vinho com a cachaça é
típica do Brasil, onde se bebem as combinações
alcoólicas mais surpreendentes, como a jeropiga, cachaça
adicionada ao mosto de uva. E existem outras, desconhecidas
na Europa:
o rabo-de-galo, mistura, em partes iguais, de vinho
e cachaça, popular na Baía;
a meladinha, mel e cachaça, do Ceará;
e, no Rio Grande do Sul, a jacuba, bebida feita de
cachaça, mel e farinha de mandioca. Em São Paulo,
bebe-se a champinga, mistura de guaraná e cachaça,
e, no Nordeste, o mata-negro, infusão de cachaça
e café.
6. Florilégio de provérbios Internacionais
sobre o vinho
(in O Folclore do Vinho, Whitaker Penteado, Ed. Centro do
Livro Brasileiro, Dez, 1980):
A
sabedoria popular, em todas as latitudes, sempre encontrou
no vinho fonte de inspiração e exemplo. Não
conheço nenhuma colectânea internacional de provérbios
sobre o vinho e portanto, transcrevo em seguida de diversas
fontes, a maior das quais citada na Bibliografia deste ensaio,
uma série dessas máximas populares correntes
em diversos países.
Para esta transcrição adoptei um critério
duplo. Em primei lugar, a originalidade do rifão e,
em segundo, a repetição do mesmo conceito recitado,
às vezes de forma idêntica, outras com pequenas
alterações, por povos diferentes. É uma
panorâmica que tem por objectivo demonstrar, através
dos provérbios, a universalidade do vinho:
ESPANHA:
1.
A la bota, darle el beso después del queso.
À borracha, dar-lhe o beijo depois do queijo.
2.
A la mañana el blanco y el tinto al sereno.
De manhã, branco, e o tinto, com o sereno. (à
noite).
3.
A la mañana puro y a la tarde, sin agua.
De manhã puro e à tarde sem água.
4.
A la moza y a la parra, alzala la falda.
À moça e à parreira, levante a saia.
5.
Ali buen amigo, con tu pan y con tu vino, y al malo con tu
can y con tu palo.
Ao bom amigo, com teu pão e com teu vinho, e mau, com
teu cão e teu bastão.
6.
Al enemigo, comerle el pan y beberle el vino
Ao inimigo, comer o pão e beber-lhe o vinho.
7.
Al higo, vino, y al agua, higa.
Ao figo, vinho, e à água, figa.
8.
Al pie de la cama, ni el vino ni el agua.
Ao pé da cama, nem vinho, nem água.
9.
Al- que tiene mujer hermosa, o castillo en frontera, viña
en carretera, nunca le faltan guerra.
A quem tem mulher bonita, castelo em fronteira vinha na estrada,
nunca falta batalha.
10.
A mala cama, colchón de vino.
A má cama colchão de vinho.
11.
Amor de ramera y vino de frasco, a la mañana, dulce
y a la tarde, amargo.
Amor de rameira e vinho de frasco, de manhã, doce,
e à tarde, amargo.
12.
Al par de río, ni compres viña, ni olivar, ni
caserío.
Ao nível do rio, não compres vinha, nem olival,
nem casal. (casario).
13.
A su tiempo se cogen las uvas.
A seu tempo se colhem as uvas.
14.
Aunque tengo malas piernas, bien visito las tabernas.
Embora tenha más pernas vou muito bem às tabernas.
15.
A viña vieja, amo nuevo.
A vinha velha, amo novo.
16.
Agua por San Juan, quita vino y no da pano
Água pelo S. João tira o vinho e não
dá pão.
17.
Agua quiere el pez vivo; el muerto, el vino.
Água quer o peixe vivo; o morto, vinho.
18.
Amigo viejo, tocino y vino anejo.
Amigo velho, toucinho e vinho velho.
19.
Abad que fue monacillo, bien sabe quien se bebe el vino.
Abade que foi fradinho, bem sabe quem bebe o vinho.
20.
A lo que no tiene remedio, cuartillo y medio.
Para o que não tem remédio, litro e meio.
21.
A quien va a la bodega, por vez se cuenta, beba o no beba.
Para quem vai à taberna, cada vez conta, beba ou não
beba.
22.
Andar derecho y mucho beber, no puede ser.
Andar (direito) firme e muito beber não pode ser.
23.
A quien no bebe vino, el demonio se lo lleva por otro camino.
A quem não bebe vinho, o demónio leva por outro
I
24.
Al Aragonés fino, no des agua sino vino.
Ao Aragonês fino, não dês água,
mas vinho.
25.
Abril frío, mucho pan y poco vino.
Abril frio, muito pão e pouco vinho.
...
139.
Sopa de vino no emborracha, pero agacha.
Sopa de vinho não embriaga, mas derruba.
140.
Tierra en frontera y viña en ladera.
Terra na fronteira e vinho na ladeira.
141.
Viejo planta viña y viejo la vendimia.
O velho planta a vinha e o velho a vindima.
142.
Verterse el vino es buen sino, derramarse la sal es mala señal.
Derramar o vinho é bom sinal, derrubar o sal é
mau.
143.
Viña preciada, damela en la solana.
Vinha apreciada quero ensolarada.
144.
Vino a las nueces y agua a tos peces.
Vinho às nozes e água aos peixes.
ITALIA
1. Amor de signore e vin de frasco, se la mattina è
buono, la sera è guasto.
Amor de dama e vinho em frasco, se de manhã é
bom, à noite (gasto) estraga.
2.
Amicizio stretta di vino, non dura da sera al mattino.
Amizade feita com vinho não dura da noite à
manhã.
3.
Amici, oro e vino vecchio, sono buoni per tutto.
Amigos, ouro e vinho velho são bons para todos.
4.
Bacco, Tabacco e Venere riducon l'uomo in cenere.
Baco, Tabaco e Vénus reduzem o homem a cinzas.
5.
Belleza senza bonta è come vino svanito.
Beleza sem bondade é como vinho perdido.
6.
Bocca ubriaca scopre il fondo dei cuore.
Boca embriagada descobre o fundo do coração.
7.
Buon vino fa buon sangue.
O bom vinho faz bom sangue.
8.
Chi non può bere nell oro beva nel vetro.
Quem não pode beber no ouro, beba no vidro.
9.
Chi va via perde il posto all'osteria.
Quem vai embora perde o lugar na taberna.
10.
Domanda all'oste se ha buon vino.
Pergunte ao hospedeiro se o vinho é bom.
11.
Fare come l'asino, che porta il vino e beve acqua.
Fazer como o burro, que leva o vinho e bebe água.
12.
F emmine, vino e cavaUo, mercanzia di fallo.
Mulheres, vinho e cavalo, mercadoria que engana.
13.
Forte è l'aceto di vino dolce.
Forte é o vinagre de vinho doce.
14.
II buon vino non vuol frasco.
O vinho bom não precisa de garrafa.
15.
II vino di casa non ubriaca.
Vinho de casa não embriaga.
16.
Il vino è il latte dei vecchi.
O vinho é o leite dos velhos.
17.
ln chiesa coi santi e in tav,erna coi ghiottoni.
Na igreja com os santos, e na taberna com os beberrões.
18.
La botte da del vino che ha.
A pipa dá o vinho que tem.
19.
L'asino porta il vino e beve l'acqua.
O burro carrega o vinho e bebe água.
20.
La verità è nel Vino.
A verdade está no vinho.
21.
Latte e vino, velleno fino.
Leite e vinho, veneno fino.
22.
L'uomo si conosce al bicchiere.
É no copo que se conhece o homem.
23.
Non chiedere all'oste se ha buon vino.
Não perguntar ao hospedeiro se ,tem bom vinho.
24.
Non si può avere le botte piene e la moglie ubriaca.
Não se pode ter as pipas cheias e a mulher de porre.
25.
Non si può bere e fischiare.
Não se pode beber e assobiar.
26.
Pane d'un giorno col vino d'un anno.
Pão de um dia com Vinho de um ano.
27.
Sono le botti vuote quelle che cantano.
São as pipas vazias as que cantam.
28.
Vinno dentro, senno fuori.
Vinho dentro, juízo fora.
FRANÇA:
1. A bon vin, point d'enseigne.
O bom vinho não precisa de aviso.
2.
Ami du topinn et de tasse de vin, tenir ne dois tu pour bon
voisin.
Amigo de topin (intriga) e de copo de vinho, não os
tenha por bom vizinho.
3.
Ami, or et vin vieux, sont bons en tous lieux.
Amigo, ouro e vinho velho são bons em todo o lugar.
4.
Beauté sans bonté, est comme vin éventé.
Beleza sem bondade é como vinho perdido.
5.
C'est du bon. vin que se fait le plus fort vinaigre.
É do bom vinho que se faz o Vinagre mais forte. (fino)
é do Bom Vinho que se faz o Melhor Vinagre.
6.
Ce que le sobre tient au cur, est sur la langue du buveur.
O que o sóbrio guarda no coração está
na língua do beberrão.
7.
De bon plant, plante la vigne, de bonne mère prends
la file.
De boa cepa, planta a vinha, de boa mãe, casa com a
filha.
8.
De l'Auvergne ne vient ni bon vin, ni bon vent, ni bon argent,
ni bonnes gens.
Do Auvergne não vêm nem bom vinho, nem bom vento,
nem bom dinheiro, nem boa gente.
9.
La vérité est dans le vin.
A verdade está no vinho.
10.
L'âne de la montagne porte le vin et boit de l'eau.
O burro da montanha carrega o vinho e bebe água.
11.
Le bon vin réjouit le cur de l'homme.
O bom vinho alegra o coração do homem.
12.
Le boire entre, la raison sort.
Entra o beber, sai o juízo.
13.
Le lait avec le vin se tourne en venin.
O leite com o vinho transforma-se em veneno.
14.
Les tonneaux vides sont toujours ceux qui font le plus de
bruit.
As pipas vazias são sempre as que fazem mais barulho.
15.
Le vin est versé, il faut le boire.
Já puseram o vinho, agora é bebê-lo.
16.
Le vin est le lait des vieillards.
O vinho é o leite dos velhos.
17.
Vin délicat, friand et bon, n' a mestier lierre ni
brandon.
Vinho delicado, saboroso e bom, não precisa de ramo
nem de placa.
18.
V in sur lait, c'est souhait, lait sur vin, c' est venin.
Vinho depois de leite, apetece, leite depois vinho, é
veneno.
19.
Sans pain, sans vin, l'amour n'est rien.
Sem pão, sem vinho, o amor não vale nada.
20.
Saint Vincent clair et beau, met du vin au tonneau.
S. Vicente claro e bonito, põe o vinho no barril.
21.
S'il pleut a la Saint-Barnabé, les vignes baignent
dans l' eau jusqu' au tonneau.
Se chove em S. Bamabé, as vinhas se enchem de água
até a pipa.
22.
Si Laurent manque d'ardeur, le petit vin de l'année
sera froid.
Se falta calor a Lourenço, nosso pobre vinhozinho será
fraquinho.
23.
Pays du vin, pays divin.
Terra do vinho, terra divina.
24.
Saint Martin boit le bon vin, e laisse l'eau courre au moulin.
No S. Martinho, beba o bom vinho, e deixe a água correr
para o moinho.
INGLATERRA:
1.
Where wine is not common, commons must be sent.
Onde o vinho não é comum, gente comum deve ser
mandada.
2.
The wine is the master's, the goodness is the drawer's.
O vinho é do dono, a bondade de quem o produz.
3.
The best wine comes out of an old vessel.
O melhor vinho vem do barril velho.
4.
Wine and wealth change wise men's manners.
O vinho e a riqueza mudam o homem mais sábio.
5.
Wine by the savour, bread by the colour.
Vinho pelo sabor, pão pela cor.
6.
Short boughs, long vintage.
Ramos curtos, vindima longa.
7.
No nation is drunken where wine is cheap.
Nenhuma nação é alcoólatra onde
o vinho é barato.
8.
Drinking is the soldier's pleasure.
Beber é o prazer do soldado.
9.
Religions change: beer and wine remain.
As religiões passam, o vinho e a cerveja ficam.
10.
Drink wine in Winter for cold, and in Summer for heat.
Beba vinho no Inverno pelo frio, e no Verão pelo calor.
11.
There's many a slip twixit the cup and the lip.
Há muita escorregadela entre o copo e a boca.
12.
Grape on grape, corn on corn.
Uva com uva, grão com grão.
13.
It is a good wind that blows a man to the wine.
Bons ventos empurram o homem para o Vinho.
14.
He that is fit to drink wine, must have sugar on his beard,
his eyes in his pockets, and his feet in his hands.
Quem está pronto para beber vinho, deve ter açúcar
na barba, olhos nos bolsos e pés nas mãos.
15.
Good wine needs no bush.
O bom vinho não precisa ramo.
16.
Wine sets an edge to wit.
O vinho corta o juízo.
17.
Of wine the middle, of oil the top, and of honey, the bottom,
are the best.
Vinho do meio, azeite de cima e mel de baixo são os
melhores.
18.
From wine what sudden friendship springs!
Com o vinho, quantas amizades repentinas surgem!
19.
No friendship lives long that owes its rise lo the pot.
Amizade de copo não dura muito.
20.
Old wine and old friends, are good provisions.
Vinho velho e velhos amigos são boas provisões.
21.
Bacchus, ever fair and ever young.
Baco, sempre justo e sempre jovem.
22.
A fair woman without virtue is like palled wine.
Mulher bonita sem virtude é como vinho sem gosto.
23.
Empty barrels makes the most sound.
Pipas vazias fazem mais ruído.
24.
Wine is wont to show the mind of man.
O vinho é necessário para mostrar a mentalidade
do homem.
25.
Women, money and wine, have their good and their spine.
Mulheres, dinheiro e vinho têm seu bem e seu espinho.
26.
Take a wine of a good soil, and a daughter of a good mother.
Tire vinho de bom solo e filha de boa mãe.
27.
The fathers have eaten sour grapes, and the children's teeth
are set on edge.
Os pais comeram as uvas azedas, e os dentes dos filhos é
que sofrem.
28.
Milk say to wine: Welcome friend.
O leite diz ao vinho: Bem vindo, amigo.
29.
Wine makes glad the heart of man.
O vinho alegra o coração dos homens.
30.
In wine there is truth.
A verdade está no vinho.
ALEMANHA:
(Só a tradução ou o sentido, para comparar
com os mais conhecidos...)
1.
Quando aparecem os dentes na criança, a mãe
que venda a saia para lhe dar vinho.
2.
O primeiro copo morde, o segundo beija e o terceiro abraça.
3.
Pegue o copo com cuidado, pois deus e o diabo estão
dentro.
4.
Na taverna tem vinho de todo preço.
5.
Três copos de vinho mandam embora os espíritos
malignos, mas, com o quarto, eles voltam.
6.
Quem cedo bebe vinho, tarde enriquece.
7.
Quando o cozinheiro e o garçon discutem, a gente fica
sabendo que fim levou o vinho.
8.
O vinho não inventa nada.
9.
Na água, você vê seu rosto, e no vinho,
o coração dos outros.
10.
A água te ensina a chorar e o vinho, a cantar.
11.
A amizade que o vinho fez, como o vinho, conserva-se só
uma noite.
12.
Amigo velho, Vinho velho e dinheiro velho têm o mesmo
valor em todo o mundo.
13.
Beleza sem virtude é vinho que perdeu o gosto.
14.
Barris vazios fazem mais barulho.
15.
O vinho é o espelho do homem.
16.
Sem vinho e sem pão, Vénus sente falta.
17.
Perguntar à hospedeira se tem bom vinho.
18.
Três coisas nos trazem muitos tormentos: mulher, dados
e vinho.
19.
Leite sobre vinho, faz mal.
20.
O vinho alegra o coração dos homens.
21.
O bom vinho é o leite dos velhos.
RÚSSIA:
(Só a tradução ou o sentido, para comparar
com os mais conhecidos...)
1.
Coma até estar meio cheio e beba até estar meio
bêbado.
2.
Quem bebe, morre, quem não bebe, morre, portanto o
melhor é beber.
3.
Se duas pessoas dizem que estás bêbado, é
melhor que vás dormir.
4.
A vodca é a tia do vinho.
5.
Feliz de quem não bebe vinho.
6.
O pão levanta e o vinho derruba.
CHINA:
(Só a tradução ou o sentido, para comparar
com os mais conhecidos...)
1.
Não esconde nada quem serve seus convidados de vinho.
2.
Três copos de vinho acertam tudo.
3.
O vinho não intoxica os homens, são os homens
que se intoxicam.
4.
Quem serve mau vinho aos convidados, só bebe chá
na casa deles.
5.
Quando a adega está vazia, o homem pode subir para
o outro lado da montanha.
JUGOSLÁVIA:
(Só a tradução ou o sentido, para comparar
com os mais conhecidos...)
1.
Quando o vinho acaba, acaba a conversa.
2.
O vinho não diz " Venha", mas "Sente-se".
3.
Melhor beber e passar mal, do que não beber e passar
mal.
4.
O bom vinho afasta as más intenções.
5.
Quem janta vinho, almoça água.
CHECOSLOVAQUIA:
(Só a tradução ou o sentido,
para comparar com os mais conhecidos...)
1.
Elogia a água, mas bebe vinho.
2.
O vinho e as crianças falam a verdade.
3.
Vinho puro desenrola a língua.
4.
O bom vinho estraga o seu bolso, e o mau, o seu estômago.
BULGARIA:
(Só a tradução ou o sentido,
para comparar com os mais conhecidos...)
1.
O primeiro copo para a saúde; o segundo. para a alegria;
o terceiro, para a felicidade e o quarto, para a loucura.
2.
Se queres saber onde tem bom vinho, pergunta onde vão
beber os frades.
ROMÉNIA:
(Só a tradução ou o sentido, para comparar
com os mais conhecidos...)
1.
Bebe o vinho, não deixes que ele te beba.
2.
A verdade está no vinho.
HUNGRIA:
(Só a tradução ou o sentido, para comparar
com os mais conhecidos...)
1.
Faça-o beber e verás de quem é filho.
2.
Copo cheio, conselho vazio.
3.
A felicidade está no vinho.
JAPÃO:
(Só a tradução ou o sentido, para comparar
com os mais conhecidos...)
1.
O vinho varre as preocupações.
2.
Primeiro, o homem toma o vinho; segundo, o vinho toma o homem.
SUÉCIA:
(Só a tradução ou o sentido, para comparar
com os mais conhecidos...)
1.
Do vinho mais doce, o vinagre mais azedo.
GRÉCIA:
(Só a tradução ou o sentido, para comparar
com os mais conhecidos...)
1.
A verdade está no vinho.
BIBLIOGRAFIA
usada para os diversos documentos desta Página
- Alegrias Populares, Cancioneiro
Folclórico do Concelho de Seia, Beira Alta, Jaime Pinto
Pereira, vol. I, 1952, vol. II, 1967
- Almanaque, 1985, Direcção
Geral da Educação de Adultos
- A Canção Popular
Portuguesa, Fernando Lopes Graça, Publicações
Europa América, s.d., 1973?
- Canções para
a Educação Musical, Raquel Marques Simões,
6ª ed. Editores Valentim de Carvalho, s.d.
- Cancioneiro Cova da Beira,
Maria da Ascensão G.C. Rodrigues, ed. autora, Covilhã,
1986
-
Cancioneiro Popular Português, I, II e III vols., colig.
por José Leite de Vasconcelos, cord. e intr. de Maria
Arminda Zaluar Nunes, ed., Universidade de Coimbra, 1975,
1979,1983
-
Contos Populares e Lendas, I e II vol. colig. por José
Leite de Vasconcelos, coord. de Alda da Silva Soromenho e
Paulo Caratão Soromenho, Universidade de Coimbra, 1964,
1969
- Esboço dum VOCABULÁRIO AGRÍCOLA
REGIONAL, Prof. D. A. Tavares da Silva (do Instituto Superior
de Agronomia) - Separata dos «ANAIS DO INSTITUTO SUPERIOR
DE AGRONOMIA» vol XII, Lisboa 1942 - Lisboa 1944. (Além
de consultar a palavra VINHO, ver tb. MARTINHADA...)
-
A Etnografia e o Folclore do Baixo Alentejo, Manuel Joaquim
Delgado, 2ª ed. da Assembleia Distrital de Beja, 1985
(Ver tb. A LENDA DA DESCOBERTA DO VINHO pp. 238 e 239)
- Festividades Cíclicas em Portugal,
Ernesto Veiga de Oliveira, ed. Publicações Dom
Quixote, s/d
- O Folclore do Vinho, Whitaker Penteado,
Ed. Centro do Livro Brasileiro, Dez, 1980
- Música Popular Portuguesa, 1º
vol., Armando Leça, Editorial Domingos Barreira, Porto,
s.d.
- Obra poética de Fernando Pessoa,
Poesia III, 1934-1935, 0rg. e bibli. de António Quadros,
Publicações Europa América, s.d., 1985?
/ 86?
-
O Povo Português nos seus Costumes, Crenças e
Tradições, Vol. I e II, Teófilo Braga,
Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1985
-
? World's Songs - Lonhman Group Limited, (1ª ed. 1979
8ª Ed. 1986), Essex CM20 2JE, England.
-
Revista O Professor, N.º ? S. Martinho, Uma Festa na
Escola, de Isabel Barreiro.
-
Jornal "O JORNAL" de 08/11/85, 11 de Novembro de
1985 - O ÚLTIMO S.MARTINHO ANTES DA ENTRADA NA CEE,
de Afonso Praça.

Desenho de João Guerreiro, do 7º
2ª, Escola Secundária Nº 2 de Beja (D. Manuel
I) em 1989
Ficha Técnica
e apresentação da BROCHURA que foi produzida
em 1989, que contém as ideias e princípios
BASE que me levaram a incluir esta PÁGINA em
aminhaTEIAnaREDE :
|
Título: S. MARTINHO, A COMUNIDADE
ESCOLAR EM FESTA
Autor/es: coord. do núcleo O
CANTE do CLUBE LITERARIO da ESCOLA SECUNDARIA Nº2,
BEJA, com a participação dos outros Clubes
e alunos das mais diversas turmas e anos, e de diferentes
áreas...
Principios e intenções:
Com a ideia de aproximar, tanto quanto possível,
o conteúdo dos programas da vida social envolvente
e das tradições e cultura
locais, propõe-se a Escola celebrar uma série
de Festas e
comemorações, ao longo do Ano Lectivo.
Na medida em que nos foi possível, deixamos aqui
uma série de indicações, dados
e recolhas, com o propósito de proporcionar a
todos os interessados uma mais profunda investigação,
e elementos para uma possivel participação
nas celebrações da Comunidade Escolar,
com canções, poemas, ditados, histórias,
dramatizações, ilustrações,
desenhos...
Mesmo sem o conseguirmos na sua totalidade,
com esta brochura, e sobretudo com o programa que foi
concebido para esta FESTA da COMUNIDADE ESCOLAR, a ESCOLA
SECUNDARIA Nº 2 de BEJA pretende mostrar, o melhor
possível, o vasto leque de ÁREAS e DISCIPLINAS
que esta simples FESTA pretende abranger, preocupada
como está em implementar uma EDUCAÇÃO
e uma FORMAÇÃO global.
Desde a investigação histórica
à literatura tradicional e
erudita, à investigação científica
nas áreas da Física, Química, Matemática,
Ciências da Natureza, Geografia... a Música,
o Teatro, o Desenho, a Pintura, as várias Formas
de Expressão... debates e estudo sobre droga,
alimentação, bebida... a saúde,
a Educação Física... as Relações
Públicas, a Festa, o Trabalho em Equipa, as condições
de vida... os usos e costumes de cada região
do país... e dos outros países... TUDO
afinal, cabe numa simples festa.
S. Martinho, a realidade, a história
e as lenda/s... o vinho, as castanhas, sua história
e importância na vida das populações...
os inúmeros provérbios, quadras e formas
de celebrar o S. Martinho... os nomes e os números
que se usam como medidas nas diversas regiões
do país e noutros países o que é
o magusto?
a água-pé? a jeropiga? o vinho abafado?
o que é o galão? o meio quartilho? o copo
de três? a cartola? a pipa? o almude? os
tonéis? Como se celebra o S. Martinho nas diversas
regiões e países? ...
Pretende esta brochura registar a FESTA.
Outra, ou outras FESTAS posteriores, podem vir a realizá-lo
de um modo mais completo.
(A pequena brochura: Adaptação
do Rimance da Condessinha d'Aragão FOI complemento
desta e foi uma abertura considerada excepcional para
dar início ao MAGUSTO com CASTANHAS ASSADAS e
BEBIDA - ÁGUA-PÉ bem diluída QB.)
|

IN "O JORNAL" 08/11/1985
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