Gil Vicente 500

Vida GV de 1460/70 a 1502 a 1536/38
500 anos de GV - de 1960 - 2002 - 2038

78 anos a celebrar o 5ºCGV como reNASCIMENTO de um TEATRO a partir da RAIZ
por José Gil Vicente da Beira e outros deNÓMIOS...

Obras de Gil Vicente:
PANORÂMICA

as 47 uma a uma

S . MARTINHO - para uma COMUNIDADE EM FESTA

(Ver a continuação OUTROS ELEMENTOS relacionados)


Desenho de PG 10º ano, Escola Secundária Nº 2 de Beja (D. Manuel I) em 1989

Alguns DADOS históricos...

Várias Fontes...

S. Martinho - a História possível e as ... confusões muitos Martinhos... e a relação com o vinho que não em nada a ver com o santo!!!

S. Martinho uma FESTA tradicional Popular -
O S. Martinho - José Manuel Landeiro, in Mensário das Casa do Povo Ano XXIV, Nov. 1969

  Lenda/s de S. Martinho
Lenda do Verão de S. Martinho Num Livro da Escola Primária
S. Martinho in Obra de Manuel Joaquim Delgado
Verão de S. Martinho Num livro da 4ª classe, rec. por João Lobo
S. Martinho e o Mendigo Ramalho Ortigão - Verão de S. Martinho -
Lenda em BD por André Cláudio e Vítor Charrua
  AUTO DE S. MARTINHO Gil Vicente
 

Provérbios Populares

in O FOLCLORE DO VINHO, de Whitker Penteado, Ed. Centro do Livro Brasileiro, Dez 1980

Portugal e Brasil 200 (ou 239 in Pedro Chaves)
Brasil os 200 (ou 239) mais 9...
Espanha 25 de centena e meia...
Itália 28
França 24
Inglaterra 30
Alemanha 21
Russia 6
China 5
Jusgoslávia 5
Checoslováquia 4
Bulgária 2
Roménia 2
Hungria 3
Japão 2
Suécia 1
Grécia 1
  BIBLIOGRAFIA  

veja a seguir outros temas relacionados...
brindes... quadras... despiques... lengalengas...curiosidades... uma exposição... canções... BD...

São MARTINHO
alguns dados históricos e elementos para tentar desfazer algumas confusões:

Basta consultar alguns Dicionários e Enciclopédias para perceber que o nome MARTINHO é nome de muita gente ilustre, entre os quais, 5 Papas, vários Bispos e Frades e ainda pelo menos dois Reis...
(Obras consultadas. Dicionário Enciclopédico de Língua Portuguesa - Edições Alfa; Enciclopédia Fundamental - VERBO - Ed. Verbo; Enciclopédia VERBO Luso-Brasileira de Cultura, edição Século XXI).

São MARTINHO I - PAPA e MÁRTIR - festa litúrgica a 12.11.
A primeira confusão pode vir de Martinho I, (590 - eleito Papa 649, condenado à morte pelo imperador Constante II e desterrado em 653, veio a falecer em 16.9.655). A igreja venera-o como mártir e celebra a sua festa em 12.11.
[Podem encontrar-se muitos outros de diversas épocas, até São Martinho de Porres (1579-1639) , Dominicano, peruano, filho de pai espanhol e mãe indígena, que foi canonizado já em 1962 têm a festa litúrgica facultativa, em 03.11...]

São MARTINHO DE DUME - Bispo em Dume, arredores de Braga e depois Arcebispo de Braga.
Oriundo de Panónia (na actual Hungria) viveu entre 518 - 20.03.579. Esteve na Palestina e Itália onde terá estudado. Veio para a Galécia em 550 e fixou-se em Dume onde fundou um Mosteiro, onde foi eleito Bispo em 556. Em 569, ficou a ser também Bispo metropolita de Braga. Dedicou-se à conversão dos suevos e deixou grandes obras que são grandes tratados de doutrina cristã.

São MARTINHO DE TOURS (n. Na actual Szambatkely, Hungria, 316 ou 317 - Candes, França, 08.11.397)
Este ó o santo que é ou terá sido o santo mais popular da Europa. Filho de um oficial romano, em serviço na fronteira do Império, alista-se no exército desde os 15 anos. Em Amiens, provavelmente em 338, quando fazia a ronda na cidade, no inverno, encontrou um pobre seminu com quem repartiu a capa. Na noite seguinte, Jesus apareceu-lhe, em sonhos, vestido com a capa que ele dera ao mendigo. Chegou a ser oficial da guarda imperial. Aos 40 anos abandona a vida militar. Foi Bispo desde 371 e ficou na história pela sua bondade ilimitada e pelo seu zelo apostólico. A sua Festa litúrgica celebra-se a 11 de Novembro.

CONFUSÕES!?

Porque é que este SÃO MARTINHO, está relacionado com estas Festas Populares cheias de cstahas assadas, magustos, vinho, jeropiga e aguardente?

Talvez, por ser ou ter sido o Santo mais popular de toda a Europa e conhecidopela sua Bondade ilimitada e ter convivido com os mais pobres...

Talvez pela sua FESTA, 11 de novembro (não na data da sua morte a 8, porquê..) coincidir com a primeira quinzena de Novembro, quando o Outono se prepara para dar lugar ao Inverno e quando costuma haver uma espécie de "visita" mais apreciada do Sol, que parece despedir-se até à Primavera...

Muitas festividades religiosas, como a do Natal, vieram substituir e tentar cristianizar festividades primitivas, muito antigas, de diversas origens, que estavam relacionadas com a Natureza, com as Estações do Ano e portanto, com o decorrer do Ano Agrícola e esta é a altura em que, depois das vindimas, o vinho novo se está a trasfegar nas adegas e quando se costuma dar "o milagre do Sol".

Segundo aponta Veiga de Oliveira, as festas do vinho, devem estar relacionadas com antigos bacanais ou outras festas e celebrações caracterizadas por uma licenciosidade festiva e de certa maneira autorizada e até mesmo glorificada e consagrada, integrada no ciclo da fertilidade das Pessoas e da Terra...

 

O S. Martinho
- in Mensário das Casa do Povo, Ano XXIV, Nov. 1969, por José Manuel Landeiro

Com outras nossas buscas em velhos pergaminhos e em papéis velhos e amarelecidos, encontrámos numa revista de há 70 anos o seguinte escrito sobre S. Martinho, o qual é antes de mais nada um elogio ao vinho. Este trabalho vem completar o "Sermão de S. Martinho", que, em 1938, arquivámos no nosso livro "O Concelho de Penamacor na História, na Tradição e na Lenda".

Vamos, pois, transcrever:

EM DIA DE S. MARTINHO

"Escrevemos em dia de S. Martinho (1), não estranhará o leitor, nem levará a mal que lhe fale em uma cousa que se conhece pelos clássicos nomes de bebedeira, borracheira, embriaguez, e a que também há quem chame turca, moafa, cabeleira, camoeca e carraspana (2). O nome, porém, mais decente desta cousa é bico. Tomar o bico, toma-o muito boa gente. Eu creio que a turca simples é útil e digna de elogio. As pessoas que fazem oposição à pinga dizem que o ébrio perde a razão. Eu duvido que a perca toda: ou então, se perde uma, adquire outra, porque todos os dias estamos vendo homens que valem mais noventa e nove por cento quando neles fala o vinho. Quantos pregadores, e digamo-lo sem ofensa de nenhum reverendo, antes de subirem à cadeira da verdade enxugam a sua garrafita do choco! E então é que a verdade lhes sai dos lábios em torrentes. Se se consultar a história romana, ver-se-á que Catão, e era um romano às direitas, tomava a sua touca sem cerimónia nenhuma; Alexandre Magno, nesse não falemos e mais era o conquistador das Índias; esse amiguinho tomava cada moafa de rachar. E os gregos, que não eram nenhuns tolos, concederam um diploma de divindade ao grão borrachão Baco e até lhe associaram Minerva, como quem diz que o vinho vigoriza o engenho. Folheando a Escritura Sagrada, vemos que ela diz que o vinho alegra o coração dos homens. Ora a gente tem tantas cousas que nos afligem, os alugueres caros, as décimas, o tabaco podre, os. defluxos, que deve querer bem a uma cousa que nos distraia dos pensamentos tristes de todos os dias. Se eu fosse deputado proporia um projecto de lei para que todo o cidadão livre e no uso dos seus direitos fosse obrigado a tomar este meio de alegrar-se uma ou duas vezes por dia. Dirão que isto é uma asneira; mas eu creio que o Estado lucraria muito mais com trazer o povo alegre, porque assim não sentiria o peso dos tributos.

Dionísio era um tirano, e para que o povo não desse por tal, decretou uma coroa de prémio àquele que mais vinho bebesse em qualquer festa. Nero, que foi um verdugo do género humano, foi um dos maiores enxuga-botelhas do seu tempo. Maurício, duque da Toscana, fundou em 1600 uma sociedade chamada de Temperança, e um dos artigos do estatuto determinava que nenhum dos sócios bebesse ao dia mais de sete copos de vinho, mas não consta da história toscana se os copos eram de meio quartilho ou de canada. Enfim, um príncipe inglês, sendo obrigado a escolher o género de morte, preferiu afogar-se em um tonel de Malvasia. Portanto, pelo lado da história, tudo abona a excelência do pifão. Pelo lado da ciência, vemos graves médicos aconselharem o uso do vinho (3), não o vinho mau, mas o bom, descrevendo as suas qualidades tónicas e diaforéticas, que dão força aos fracos e saúde aos enfermos. Vê-se, portanto, que a Medicina também é a nosso favor, e tendo nós pelo nosso lado a História e a Medicina, não precisamos de mais nada. Donde se conclui que a piteira é boa, útil e necessária.

Os gregos foram os inventores dessa parvoíce de misturar água com vinho; mas como eles não sabiam as ciências físicas têm desculpa. O vinho misturado é prejudicial à economia, pois se a sua virtude está no espírito, é claro que, quanto mais água tiver menos espírito terá. O vinho misturado com água relaxa o estômago e diminui a energia vital. Os homens que só gostam de água são incapazes dum empreendimento sério. Senão, veja-se a energia com que um borracho advoga a sua causa e a frieza com que o faz o que só bebe água. Se o borracho ama, é capaz, por causa da sua bela, de saltar um quarto ou quinto andar, ao passo que aquele que só bebe água não é capaz de aparar-lhe um bilhete com medo da patrulha. Se o borracho monta a cavalo, o mais tísico jumento entre os seus joelhos torna-se horsa inglesa; galopa, salta paredes e rios. Porém o que bebe água deixa ir o animalzinho à sua vontade e leva as esporas por decência. Para o borracho não há chuva; para o amigo da água um orvalho é um dilúvio. Por estas e outras razões que não diremos, o uso, e até o abuso do vinho, é a cousa melhor que há neste mundo, e cremos que também no outro. E pondo aqui ponto, peço desculpa ao leitor se o ataquei pelo seu fraco.

Ah! O leitor é devoto do S. Martinho?.. Tanto melhor. Vamos fazer-lhe juntos uma saúde, e depois entregar-nos-emos regaladamente nos braços de Morfeu. Bon Soir."


Na verdade, o que acabamos de ler foi feito com espírito. Só o "Juiz de Fora de Penamacor" 1775 que vimos publicado no "Diário Popular", por ocasião do Carnaval, o suplanta em espírito imaginativo. Essa mimosa prosa é um louvor ao vinho bom, a zurrapa só prejudica a saúde.

JOSÉ MANUEL LANDEIRO

Notas:
(1) Os dias de S. Martinho são 10, 11 e 12 de Novembro. O dia 10 é o de S. Martinho Bispo, o dia 11 de S. Martinho Papa e o dia 12 de S. Martinho Rapa, ou, como dizem os etnógrafos, o dia 10, o S. Martinho dos garotos; o dia 11, o dos homens, e o dia 12, das mulheres.
(2) E perua, na Beira Baixa, em terras de Penamacor e Idanha-a-Nova.
(3) Há três décadas de anos tivemos conhecimento de que um médico-veterinário do distrito de Coimbra aconselhava a deitar-se nas viandas (comida dos porcos) meio ou um litro de vinho.
Quem ler o nosso "Sermão de S. Martinho" verá que nele nós falámos nos antigos sábios gregos, romanos estroinas de que aqui se fala.

 

DA HISTÓRIA À/s LENDA/s...

LENDA DO VERÃO DE S. MARTINHO
para explicar o Verão de S. Martinho, recolhida num livro da Escola Primária:

Num dia tempestuoso ia S. Martinho, valoroso soldado, montado no seu cavalo, quando viu um mendigo quase nu, tremendo de frio que lhe estendia a mão suplicante e gelada.
S. Martinho não hesitou: parou o cavalo, poisou a sua mão carinhosamente na do pobre e, em seguida, com a espada cortou ao meio a sua capa de militar, dando metade ao mendigo.
E, apesar de mal agasalhado e de chover torrencialmente, preparava-se para continuar o seu caminho, cheio de felicidade.
Mas subitamente, a tempestade desfez-se, o céu ficou límpido e um sol de estio inundou a terra de luz e calor.
Diz-se que Deus, para que se não apagasse da memória dos homens o acto de bondade praticado pelo Santo, todos os anos, nessa mesma época, cessa por alguns dias o tempo frio e o céu e a terra sorriem com a benção dum sol quente e miraculoso.


LENDA DO VERÃO DE S. MARTINHO
para explicar o Verão de S. Martinho, recolhida in - A ETNOGRAFIA E FOLCLORE DO BAIXO ALENTEJO, Manuel Joaquim Delgado, 2ª ed. Da Assembleia municipal de Beja, 1985.

Diz a lenda que s. Martinho seguia um dia (11 de Novembro) por uma estrada. Era quase Inverno, e o santo encontrou no caminho, um pobre mendigo esfarrapado e a tiritar de frio.
Tanta pena lhe fez o velhote que, S. Martinho, condoído e cheio de caridade por aqule pobre de Cristo, despiu a sua capa, deu-a ao mendigo e seguiu o seu caminho.
Mais adiante, encontrou também, cheio de frio, um moço pobre quase nu. Rasgando metade d batina que trazia vestida, deu-a igualmente ao pobre rapaz, que agradeceu o gesto bondoso e caritativo daquele homem que não conhecia.
O Santo, ao praticar tão digna como virtuosa acção, cheia de misericórdia e amor, continuou o seu caminho.
Despojado de metade da batina e da capa que oferecera, o santo deveria então sentir o frio intenso, que fazia nessa manhã do dia 11 do mês dos Santos, mas não. Deus, querendo comulá-lo de graças e favorecê-lo pelas suas virtuosas acções tão cheias de caridade e amor ao próximo, fez o Sol aquecer a Terra e brilhar com uma luz mais intensa que nos outros dias, de modo que o santo não sentisse o mais leve arrepio de frio.
É por isso que, nos dias de Novembro, em que o Sol ainda aquece, são conhecidos do povo pelo Verão de S. Martinho.


O VERÃO DE S. MARTINHO
(Num livro antigo, da 4ª Classe)

Havia, há muitos anos, um rico soldado romano, que, a cavalo, fazia as suas rondas pela cidade a ver se estava tudo em ordem. E uma vez, por alturas de Novembro, saiu, como de costume, debaixo de uma chuva miudinha e fria. No caminho, apareceu-lhe um velho, pobre e faminto e quase nu, que lhe pedia esmola.
Martinho, assim se chamava o cavaleiro, não tendo à mão nada que lhe dar, tirou a capa que levava aos ombros, e, com a espada, cortou-a ao meio, cobrindo com metade os ombros do mendigo.
E seguiu o seu caminho.
Poucos metros andados, sem mais nem menos, a chuva parou e um sol bonito pareceu no céu.
É por isso que ainda hoje, todos os anos, na época de S. Martinho, um sol radioso costuma aparecer e o povo chama-lhe o Verão de S. Martinho.


SÃO MARTINHO E O MENDIGO
Verão de São Martinho - Ramalho Ortigão


São Martinho foi na mocidade soldado das legiões do imperador Juliano. Num certo dia de borrasca, em pleno Inverno, sob o vendaval e a neve, equipado e armado, montado a cavalo, embuçado até aos olhos na capa militar, São Martinho viu, às portas de Amiens, um mendigo andrajoso e seminu, tiritando de frio, estendendo suplicantemente para ele a sua pobre mão ossuda, ganchona e congelada.
O Santo sofreou o cavalo, acalentou com enternecida caridade a mão desse abandonado e, em seguida, desembuçando-se, tomou da espada, cortou ao meio a sua capa de agasalho, deu metade dela a esse miserável peregrino e, envolto na outra metade, sacudiu a rédea e prosseguiu através da tormenta, de peito ao vento e a neve.
Subitamente, porém, no caminho do soldado, a tempestade desfez-se, amainou o tufão e a geada, o céu descobriu instantaneamente, como por encanto, a sua inefável profundidade límpida e azul, e um sol de Estio acariciante e resplendente inundou a terra de alegria e vestiu de luz e calor, numa apoteose da natureza, esse cavaleiro de caridade evangélica.
Deus, reconhecido, para que não se apagasse da memória dos homens a notícia deste acto de bondade, praticado por um dos seus eleitos, dispôs que em cada ano, na mesma época em que São Martinho se desapossou da metade da sua capa, por alguns dias de gala, se interrompesse o Inverno, cessasse o frio, sorrisse o céu e a terra de um miraculoso contentamento.
Esta lenda, tão ingénua e tão simples, é talvez, um simbólico resumo, como toda a obra da filosofia popular, a única filosofia do Inverno: para não ter frio, repartir a capa por metade; para não ser velho, arrancar para fora do peito o coração inteiro e reparti-lo todo!

 


André Cláudio - 1989 - Escola Secundária nº2 (D. Manuel I) de Beja

A LENDA DE S. MARTINHO


Vítor Charrua, 7º 2ª, 1989 - Escola Secundária nº2 (D. Manuel I) de Beja

AUTO DE S. MARTINHO de Gil Vicente

(in OBRAS de GIL VICENTE com revisão e notas de Mendes dos Remédios, Tomo I de III, França Amado Editor, Coimbra, 1907, (I PÁG. LXXXV).

in Obras de Gil Vicente
AUTO DE S. MARTINHO - GIL VICENTE
Auto de S. Martinho - Tradução e adaptação de José gil vicente da Beira - tentativa -

Entra o Pobre, dizendo:

POBRE.

O piernas, llevadme um paso siquiera;
Manos, pegad os naqueste bordon,
Descansad, dolores, de tanta pasion;
Siquiera un momento en alguna manera
Dejadme pasar por esta carrera,
Iré á buscar un pan que sostenga
Mi cuerpo doliente, hasta que venga
La muerte que quiero por mi compañera.

Devotos Cristianos, dad al sin ventura
Limosna, que pide por verse plagado:
Mirad ora el triste que estoy lastimado
De pies y de manos por mi desventura;
Mirad estas plagas que no sufren cura;
Ya son incurables por mi triste suerte.
Ay! que padezco dolores de muerte,
Y aquesto que vivo, es contra natura.

Mirad ora el triste con mucho dolor;
Que ante de muerto me comen gusanos;
Mirad el tullido de pies y de manos;
Mlrad la miseria de mi pecador.
Dadme limosna por aquello Señor,
Que guarde á vosotros de tantos dolores.
Limosna bendita me dad, mis senhores;
Que ya no la puede ganar mi sudor.

Habed compasión del pobre doliente,
Que ya se vio sano mancebo y lucido.
O mundo que ruedas, á qué me has traído!
Qué recio solía yo ser y valiente,
Cuán alabado de toda la gente!
De recio, galan, qué fue de mi bien?
O muerte, qué tardas, quien te detien;
Que yo no me atrevo á ser mas paciente!

O paciencia que en Job reposó,
Qué quieres que haja con tantos tormentos?
Perdóname tu, que mis sufrimientos
No pueden callar la miseria en que só.
Criante rocío, qué te hice yo,
Que las hiervecitas floreces por Mayo,
Y sobre mis carnes no echas un sayo,
Ni dejan dolores que lo gane yo?

Deje la muerte las niñas, las dueñas,
Y deje doncellas galanas vivir:
Deje las aves cantares decir,
Y deje ganados andar por las peñas.
Llévame á mí: por qué me desdeñas,
Y matas sin tiempo quien merece vida?
Sácame ya desta cárcel podrida.
Mi ánima triste, no quieras mas señas,

Dadme ora limosna por la pasión
Del hijo de Dios, que pobre se vido,
Daquel que por nos fue muerto y herido,
Doliente y plagado por la redención.
Mirad ora, ricos, que teneis razon
Dar de sus bienes, pues sois tesoreros,
Sed los suyos buenos dispenseros,
Y vuestras riquezas se os doblaron.

Vem S. Martinho, cavalleiro, com tres Pagens, e diz o

P0BRE,

Devoto Señor real caballero,
Volved vuestros ojos á tanta pobreza,
Que Dios os prospere vuestra gentileza:
Dadme limosna, que de hambre me muero.

MAR.
Hermano, ahora no traigo dinero:
Vosotros traeis que demos por Dios?

PAG. No ciertamente.

MAR. .....................Entrambos á dos
No traéis que demos á este romero?

POBRE.

No hay dolor que en mí no lo sienta:
Haved de mis males, Señor, compasión.

MAR.
Quien ora tuviesse daquella pasion
La parte que tienes que mas te atormenta!

POB.

Guárdeos Dios de tan grande afrenta;
Dios lo prospere con mucha salud.
Dadme limosna por vuestra virtud,
Que mi gran pobreza no hay quien la sienta.

S. MART!NHO.

No sé que te dé, de dolor de ti,
Ni puedo á tus males ponerte remedio.
Partamos aquesta mi capa por medio;
Pois outra limosna no traigo aqui:
Rógote, hermano, que ruegues por mi.
Pues sufres dolores nesta triste vida,
Tu ánima en gloria será recebida
Con dulces cantares, diciendo así.

Emquanto S. Martinho com sua espada parte a capa, cantão mui devotamente hua prosa. Não foi mais porque foi pedido muito tarde.

Entra um Pobre dizendo:

POBRE

Ó pernas minhas, permiti que ande um pouco mais;
Ó minhas mãos, agarrai ainda este bordão,
Ó dores fatais que me trazeis tanta paixão
Descansai um pouco deste sofrer que me causais
Deixa-me caminhar, oh dor!, até um cais
Onde possa encontrar um pão que me sustente
Este corpo fraco já cansado tão doente
Ó Morte amiga e companheira, aonde estais?

Cristãos devotos, dai a este desgraçado
Uma esmola que valha a esta desventura.
Olhai bem para estas chagas já sem cura
Que cobrem mãos e pés, o corpo mutilado
Deixando a alma triste e em pecado
Ao sabor do destino e da má sorte
Pois já não busco a vida mas a morte

Deixai então que parta descansado...

Olhai bem este triste com a vossa dor
Mesmo antes de morto já me comem vermes
Pois vêem-me atado de mãos e de pés
Olhai a miséria de tal pecador
E dai-me uma esmola que a dais ao Senhor
Que vos pode livrar de semelhantes dores;
Dai-me uma esmola, felizes senhores
Um pingo que seja do vosso suor...

Tende compaixão do pobre doente
Que também foi jovem e são, decidido.
Ó mundo cruel porque sou banido
Da roda de amigos onde era o valente,
Onde era aplaudido por toda a gente!
Do jovem garboso, que me resta agora?
Ó morte, que tardas, vinde sem demora
Pois não é possível ser mais paciente!

Eu não tenho a paciência que teve o Job,
Que posso eu fazer com tantos tormentos
Que me causam as dores e os sofrimentos.
Olhai bem para mim, de mim tende dó
Que fiz eu a Deus para me deixar só?
Até entre as pedras florescem as flores
E eu neste corpo só feridas, só dores
Triturando o corpo qual grão entre a mó!

Que a morte deixe viver as crianças
Que deixe as donzelas mais belas dançar
Que deixe as aves cantar e voar...
E os jovens sorrir sem guerras matanças...
Levai-me a mim cansado de andanças.
Porque levais tantos, tão cheios de vida
E deixais viver esta carne perdida
Que já correu mundo - França e Araganças...

Dai-me uma esmola do fundo do coração.
Lembrai as palavras do Verbo Encarnado:
O que dais aos pobres, a Deus emprestado
Que vos há-de dar sua Salvação.
Olhai, bem, ó ricos: Eu tenho razão
Se derdes abertos do que recebestes
E se tendes bens, é que os merecestes
E dando sem conta, mais bens vos virão...

aparece S. Martinho, a cavalo, com três Pagens e diz o

POBRE:

Devoto Senhor, de posto tão nobre
Volvei vossos olhos pra tanta pobreza,
que Deus vos aumente a vossa riqueza
e dai-me uma esmola, que morro de fome.

Martinho:
Irmão, bem vês que não tenho um cobre...
Alguém tem dobrados para dar de esmola?

Pagem: Não tenho nem tusto...

Martinho: .................. .......Não trazem sacola?
Não temos dinheiro que socorra o pobre?

POBRE:

Minha vida, senhor, é grande tormenta
Tende compaixão de mim, de meus males, Senhor!

Martinho:
Quem me dera poder socorrer tua dor
Livrar-te do mal que te atormenta!

POBRE:

Que Deus vos proteja, vos guarde e ajude
Vos conceda sempre riqueza e saúde
E inda pra mais vos dê a virtude

De ajudar o pobre que não tem ajuda...

S. Matinho:

Que te darei eu que sofro por ti
Por sofreres tais dores que não têm cura
Só tenho esta capa, que é grande, que é dura
Metade pra ti, metade pra mim
O frio e a neve me obrigam assim
A dar-te metade pois também preciso
De me proteger até ter abrigo...
E que Deus te ajude e te valha aqui!

E enquanto S. Martinho vai partindo a capa ao meio com a sua espada, o coro e os presentes cantam uma devota canção de louvor a S. Martinho... Não pude fazer melhor, porque ninguém me pediu esta tarefa e nem me foi encomendado este sermão...


PROVÉRBIOS
IN O FOLCLORE DO VINHO, DE Whitaker Penteado, Ed. Centro do Livro Brasileiro, Dez, 1980

"Colectânea de 200 provérbios brasileiros"
(que afinal são "todos" portugueses...) e estrangeiros...

"A literatura sobre os provérbios brasileiros encontra-se ainda esparsa na obra dos folcloristas, poetas populares, cronistas e escritores, à espera de alguém disposto a recolhê-los sob forma sistemática. As colectâneas são raras e o mais das vezes obra de diletantes, faltando-lhes não só o rigor na escolha e na transcrição, quanto a sua interpretação, a exegese do seu conteúdo de conhecimento e sabedoria populares.
Das poucas obras que tive em mãos para consulta, apenas os trabalhos pioneiros de Mario Lamenza, no Brasil, e Pedro Chaves, em Portugal, pareceram-me válidos para os fins a que me propunha de recolher os provérbios referentes ao vinho. Entre os dois autores, tinha evidentemente de preferir o brasileiro. Assim, dos milhares de rifões coleccionados por Lamenza, verifiquei que 200 concernem o vinho, a uva, a vide e o viticultor. Sua transcrição é indispensável, pois, acredito, nunca foram apresentados por ordem alfabética a um público exclusivamente interessado no folclore do vinho:"

1. À boca de fraco, esporada de vinho.

2. A bom amigo, com teu pão e com teu vinho.

3. A condição de bom, vinho (é igual), a do bom amigo.

4. A cuba cheira ao vinho que tem em si.

5. À mulher e à vinha o homem dá alegria.

6. A mulher e o vinho tiram o homem do seu juízo.

7. A mulher, o estudo, a experiência e o vinho mudam a natureza do homem.

8. A par do rio, nem vinha, nem olival, nem edifício.

9. A vinha escave-a quem quiser, pode-a quem souber e cave. a o seu dono.

10. Abril frio, pão e vinho.

11. Afoga-se mais gente em vinho do que em água.

12. Água ao figo, e à pêra, vinho.

13. Ainda que entres na vinha e voltes o gibão, se não trabalhares não te darão pão.

14. Alho e vinho puro levam a porto seguro.

15. Amigos e pichéis de vinho, tudo acaba.

16. Amor de rameira e vinho de frasco, pela manhã é bom, e à noite, gasto.

17. Ao bebedor não falta vinho, nem à fiandeira, linho.

18. Ao bom amigo, com teu pão e com teu vinho.

19. Aonde alhos há, vinho haverá.

20. Apregoa vinho e vende vinagre.

21. Arrenda a vinha e o pomar, se os queres desgraçar.

22. Até S. Pedro, tem o vinho medo.

23. Azeite, vinho e amigo, o mais antigo.

24. Azeite de riba, mel do fundo e vinho do meio.

25. Azeite, vinho e amigo, melhor o antigo.

26. Azeite, vinho e amigo, prefere o mais antigo.

27. Bebe vinho branco de manhã, e, à tarde, tinto para teres sangue.

28. Bebe vinho, mas não bebas o siso.

29. Bom vinho, má cabeça.

30. Cabra que vai à vinha, onde pula a mãe, pula a filha.

31. Cada cuba cheira o vinho que tem.

32. Cada odre cheira ao vinho que tem.

33. Carne de hoje, pão de ontem e vinho de outro verão fazem o homem são.

34. Carne que baste, vinho que farte e pão que sobre.

35. Casa de pai, vinha de avô.

36. Casa, quanto caibas, vinho, quanto bebas, terras, que nem saibas.

37. Casa, quanto mores, terra, quanta vejas, vinho quanto podes.

38. Casa, vinho, potro, faça-o outro.

39. Cavalo rifador e odre de bom vinho, pouco se logram.

40. Chuva de S. João tira o Vinho e o azeite e não da pão.

41. Chuva no S. João bebe o vinho e come o pão.

42. Com a vinha em Outubro, come a cabra, engorda o boi e ganha o dono.

43. Com pão e vinho, anda-se caminho.

44. Conselho de vinho é falso caminho.

45. De bom vinho, bom vinagre.

46. De vinho, abastado, e de razão, minguado.

47. Depois de morto, nem vinho e nem horto.

48. Dia de S. Martinho, prova o teu vinho.

49. Dia de S. Mateus, vindimam os sisudos, semeiam os sandeus.

50. Dia de S. Tiago, vai à vinha e acharás bago.

51. Disse o leite ao vinho: venhas em boa hora, amigo!

52. Do amigo, do vinho e do café, o mais antigo melhor é.

53. Do vinho e da mulher livre-se o homem, se puder.

54. Em Agosto, nem vinho e nem mosto.

55. Em cada prado, uma vinha, e em cada bairro, uma tia.

56. Em dia de S. Lourenço, vai à vinha e encherás o lenço.

57. Em Fevereiro, chuva, em Agosto, uva.

58. Gaba-te cesta rota, que vais para a vindima.

59. Gente do Minho veste pano de linho, bebe vinho de enforcado e come pão de passarinho.

60. Homem atrevido, odre de bom vinho e vaso de vidro duram pouco.

61. Homens bons e pichéis de vinho apaziguam o arruído.

62. Isso quer Martinho, sopas de vinho.

63. Maio, couveiro não é vinhateiro.

64. Maio, come o trigo, Agosto, bebe o vinho.

65. Maio frio, Junho quente, bom pão, vinho valente.

66. Mais vale pão e água com amor, que vinho bom e galinha, com dor.

67. Martinho, bebe o vinho, deixa a água para o Minho.

68. Meia vida é a candeia; pão e vinho, a outra meia.

69. Mel novo, vinho velho

70. Menina e Vinho, peral e faval, são maus de guardar.

71. Menos vale, às vezes, o vinho que a borra.

72. Muita parra e pouca uva.

73. Mulher janeleira, uvas na parreira.

74. Na Sta. Marinha, vai ver tua vinha, assim como a achares, assim na vindima.

75. Nada escapa aos homens, senão o vinho que as mulheres bebem.

76. Não compres malhada nem vinha desamparada.

77. Não é bom o mosto colhido em Agosto.

78. Não é cada dia Páscoa nem vindima.

79. Não vás sem borracha, a caminho, e quando a levares, não seja sem vinho.

80. Nem mulher casada, nem vinha vindimada.

81. Nem vinha em baixo, nem trigo em cascalho.

82. Ninguém se embebeda com o vinho da sua adega.

83. No dia de S. Martinho, fura o teu pipinho.

84. No dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.

85. No dia de S. Martinho, mata o teu porco e bebe o teu vinho.

86. No dia de S. Martinho, vai à adega e prova o teu vinho.

87. No S. Mateus, vindimam os sisudos e semeiam os sandeus.

88. No S. Tiago, pinta o bago.

89. No Verão, por calma, e no Inverno, por frio, não faltam achaques ao vinho.

90. Numa porta se põe o ramo, e noutra se vende o vinho.

91. O bom vinho arruina a bolsa e o mau, o estômago.

92. O bom vinho escusa pregão.

93. O bom vinho escusa pregão, o bom peso faz vender o pão.

94. O bom vinho faz bom sangue.

95. O bom vinho faz o homem desapercebido.

96. O bom vinho traz a venda consigo.

97. O bom vinho traz consigo a ventura.

98. O bom vinho não há mister ramo novo.

99. O casal de ruim lavrador, e a vinha, de bom adubador.

100. O leitão com vinho torna-se menino.

101. O medo é quem guarda a vinha.

102. O medo é quem guarda a vinha, que não o cão.

103. O medo é quem guarda a vinha, que não o dinheiro.

104. O pão pela cor e o vinho pelo sabor.

105. O pródigo e o bebedor de vinho nunca têm casa nem moinho.

106. O velho põe a vinha e o velho a vindima.

107. O vinho e o amigo, do mais antigo.

108. Olhar para a uva não mata a sede.

109. Onde alhos há, vinha haverá.

110. Onde entra o beber, sai o saber.

111. Ouro velho, vinho velho, amigo velho; casa nova, navio novo, vestido novo.

112. Outubro resolver, Novembro semear, Dezembro nascer, Janeiro gear, Fevereiro chover, Março encanar, Abril espigar, Maio engrandecer, Junho ceifar, Julho debulhar, Agosto engavetar, Setembro vindimar.

113. Pão, carne e vinho andam caminho, que não moço garrido.

114. Pão com olhos, queijo sem olhos e vinho que salte aos olhos.

115.. Pão de hoje, carne de ontem, vinho do outro Verão, fazem o homem são.

116. Pão e vinho é parte no paraíso.

117. Pão e vinho, levam o homem a caminho.

118. Pão e vinho, um ano, meu, e outro, do meu vizinho.

119. Pão que sobre, carne que baste e vinho que farte.

120. Passar como cão por vinha vindimada.

121. Peixe e cochino, vida em água, morte em vinho.

122. Pelo S. Bartolomeu, vai à vinha e enche o lenço.

123. Pelo S. Martinho, prova o teu vinho; ao cabo de um ano, já não te faz dano.

124. Pelo S. Tiago, na vinha acharás bago; se não for maduro, será inchado.

125. Poda tardia, semeia temporão, terás vinho e pão.

126. Por carne, vinho e pão, deixo quantos manjares são.

127. Por casa e nem por vinha, não cases com mulher parida.

128. Por cima de pêras, vinho bebas, e tanto (bebas) que nadem as pêras.

129. Por cima do melão, vinho de tostão.

130. Por S. Martinho, nem favas e nem vinho.

131. Por S. Martinho, prova o teu vinho.

132. Por S. Martinho, todo mosto é bom vinho.

133. Por um que morre de sede, morrem cem mil de beber.

134. Porco fresco e vinho novo, cristão morto.

135. Porcos com fome, homens com vinho, fazem grande ruído.

136. Presunto, vinho e toucinho, os da Turquia são os melhores.

137. Quando chover em Agosto, não metas teu dinheiro em mosto.

138. Quando o vinho desce, as palavras sobem.

139. Quem anda de noite com alcaide e meirinho, ou é beleguim ou gosta de vinho.

140. Quem com o demo cava a vinha, com o demo a vindima.

141. Quem compra pão na praça e vinho de taberna, filhos alheios governa.

142. Quem de vinho fala, sede tem.

143. Quem é amigo do vinho, de si mesmo é inimigo.

144. Quem em ruim parte tem as vinhas, às costas tira a vindima.

145. Quem não bebe, cheira o copo.

146. Quem não podar em Março, vindima no regaço.

147. Quem no Algarve morar, tenha vinha e figueiral, com figueiras de tocar.

148. Quem pão c vinho compra, mostra a bolsa.

149. Quem poda em Março, vindima regalo.

150. Quem quiser mal à vizinha, dê-lhe em Março uma sardinha e em Agosto a vindima.

151. Quem se lava com vinho, torna-se menino.

152. Quem sobre salada não bebe, não. sabe o bem que perde.

153. Quem tem bom vinho, não mude jazigo.

154. Quem tem bom vinho, tem bom amigo.

155. Quem tem vinha em mau lugar, o olho vê o seu mal.

156. Ramo curto, vindima longa.

157. Sancha, Sancha, bebes o vinho, e dizes que mancha.

158. São como os de Valega, bebem o vinho e quebram a malga.

159. São como os de Valega, bebem o vinho e quebram o ovar.

160. S. Miguel das uvas, tanto tardas e tão pouco duras, se mais vezes vieras no ano, não estivera eu com amo.

161. Se bebes vinho, não bebas o siso.

162. Se queres a vinha velha remoçada, poda-a enfolhada.

163. Se queres o velho, menino, em cima de doce, dá-lhe vinho.

164. Se queres ser bem disposto, bebe vinho e manja mosto.

165. Sem borracha, não botes caminho, e quando fores, não a leves sem vinho.

166. Semeia cedo e colhe tardio, colherás pão e vinho.

167. Semeia trigo em barral, e não ponhas vinha em cascalho.

168. Sobre figos, água; sobre pêras, vinho.

169. Sobre melão, vinho de tostão.

170. Sobre pêras, vinho bebas, e seja tanto que nadem elas.

171. Solas e vinho, andam caminho.

172. Tão bom é o que vai à vinha como o que fica à espreita.

173. Tal ladrão é o que vai à vinha como o que fica à espreita.

174. Tenha eu pipas e cabedal, e quem quiser, vinhas e lagares.

175. Todo mundo inveja o vinho que bebo, mas ninguém quer saber das quedas que eu tomo.

176. Tonel mal lavado, vinho estragado.

177. Três coisas mudam a natureza do homem: a mulher, o estudo e o vinho.

178. Três inimigos tem o segredo: Baco, Vénus e o interesse. O primeiro, descobre. O segundo, vende. O terceiro, arrasta.

179. Valentes e vinho bom, duram pouco.

180. Velho só vinho, ouro e conselho; e novo só moça, hortaliça e ovo.

181. Vindima enxuta, colherás vinho puro.

182. Vindima molhada, acaba cedo e aliviada.

183. Vindima molhada, pipa asinho despejada.

184. Vinha entre vinhas, casa entre vizinhas.

185. Vinha onde pique, horta onde regue.

186. Vinha posta em bom compasso, ao primeiro ano dá agraço.

187. Vinha que rebenta em Abril, dá pouco vinho para o barril.

188. Vinho a seis, cabra a três.

189. Vinho de Maio, nem vai ao cabaço.

190. Vinho de pêras, não o bebas nem o dês a quem queiras.

191. Vinho do meio, mel do fundo, azeite de riba.

192. Vinho e moça, peral e faval, maus são de guardar.

193. Vinho e mouro não é tesouro.

194. Vinho, ouro e amigo, quanto mais velho, melhor.

195. Vinho pela cor, pão pelo sabor.

196. Vinho que baste, carne que farte, pão que sobre e seja eu pobre.

197. Vinho que nasce em Maio é para gaio; o que nasce em Abril vai ao funil; o que nasce em Março fica no regaço.

198. Vinho turvo, madeira verde e pão quente são três inimigos da gente.

199. Vinho velho, amigo velho, ouro velho.

200. Vinho verde em Janeiro é mortalha no telheiro.


BRASIL:

1. Os bons amigos são como os bons vinhos: melhoram com a idade.

2. São vinhos da mesma pipa.

3. Livra-te do mau vinho e do mau vizinho.

4. Na bigorna se prova o ferro, e no vinho, o homem.

5. Três coisas mudam o homem: a mulher, o estudo e o vinho.

6. Vinho e cachaça estão sempre na praça.

Destes seis provérbios, acredito na nacionalidade brasileira do último, versão de outros rifões sobre a cachaça, coleccionados por José Calasans:

1. Mulher, briga e cachaça estão sempre na praça.

2. Mulher e cachaça, em todo lugar se acha.

3. Mulher, cachaça e bolacha, em toda a parte se acha.

A mistura do vinho com a cachaça é típica do Brasil, onde se bebem as combinações alcoólicas mais surpreendentes, como a jeropiga, cachaça adicionada ao mosto de uva. E existem outras, desconhecidas na Europa:
o rabo-de-galo, mistura, em partes iguais, de vinho e cachaça, popular na Baía;
a meladinha, mel e cachaça, do Ceará;
e, no Rio Grande do Sul, a jacuba, bebida feita de cachaça, mel e farinha de mandioca. Em São Paulo, bebe-se a champinga, mistura de guaraná e cachaça,
e, no Nordeste, o mata-negro, infusão de cachaça e café.

 


6. Florilégio de provérbios Internacionais sobre o vinho
(in O Folclore do Vinho, Whitaker Penteado, Ed. Centro do Livro Brasileiro, Dez, 1980)
:

A sabedoria popular, em todas as latitudes, sempre encontrou no vinho fonte de inspiração e exemplo. Não conheço nenhuma colectânea internacional de provérbios sobre o vinho e portanto, transcrevo em seguida de diversas fontes, a maior das quais citada na Bibliografia deste ensaio, uma série dessas máximas populares correntes em diversos países.
Para esta transcrição adoptei um critério duplo. Em primei lugar, a originalidade do rifão e, em segundo, a repetição do mesmo conceito recitado, às vezes de forma idêntica, outras com pequenas alterações, por povos diferentes. É uma panorâmica que tem por objectivo demonstrar, através dos provérbios, a universalidade do vinho:

ESPANHA:

1. A la bota, darle el beso después del queso.
À borracha, dar-lhe o beijo depois do queijo.

2. A la mañana el blanco y el tinto al sereno.
De manhã, branco, e o tinto, com o sereno. (à noite).

3. A la mañana puro y a la tarde, sin agua.
De manhã puro e à tarde sem água.

4. A la moza y a la parra, alzala la falda.
À moça e à parreira, levante a saia.

5. Ali buen amigo, con tu pan y con tu vino, y al malo con tu can y con tu palo.
Ao bom amigo, com teu pão e com teu vinho, e mau, com teu cão e teu bastão.

6. Al enemigo, comerle el pan y beberle el vino
Ao inimigo, comer o pão e beber-lhe o vinho.

7. Al higo, vino, y al agua, higa.
Ao figo, vinho, e à água, figa.

8. Al pie de la cama, ni el vino ni el agua.
Ao pé da cama, nem vinho, nem água.

9. Al- que tiene mujer hermosa, o castillo en frontera, viña en carretera, nunca le faltan guerra.
A quem tem mulher bonita, castelo em fronteira vinha na estrada, nunca falta batalha.

10. A mala cama, colchón de vino.
A má cama colchão de vinho.

11. Amor de ramera y vino de frasco, a la mañana, dulce y a la tarde, amargo.
Amor de rameira e vinho de frasco, de manhã, doce, e à tarde, amargo.

12. Al par de río, ni compres viña, ni olivar, ni caserío.
Ao nível do rio, não compres vinha, nem olival, nem casal. (casario).

13. A su tiempo se cogen las uvas.
A seu tempo se colhem as uvas.

14. Aunque tengo malas piernas, bien visito las tabernas.
Embora tenha más pernas vou muito bem às tabernas.

15. A viña vieja, amo nuevo.
A vinha velha, amo novo.

16. Agua por San Juan, quita vino y no da pano
Água pelo S. João tira o vinho e não dá pão.

17. Agua quiere el pez vivo; el muerto, el vino.
Água quer o peixe vivo; o morto, vinho.

18. Amigo viejo, tocino y vino anejo.
Amigo velho, toucinho e vinho velho.

19. Abad que fue monacillo, bien sabe quien se bebe el vino.
Abade que foi fradinho, bem sabe quem bebe o vinho.

20. A lo que no tiene remedio, cuartillo y medio.
Para o que não tem remédio, litro e meio.

21. A quien va a la bodega, por vez se cuenta, beba o no beba.
Para quem vai à taberna, cada vez conta, beba ou não beba.

22. Andar derecho y mucho beber, no puede ser.
Andar (direito) firme e muito beber não pode ser.

23. A quien no bebe vino, el demonio se lo lleva por otro camino.
A quem não bebe vinho, o demónio leva por outro I

24. Al Aragonés fino, no des agua sino vino.
Ao Aragonês fino, não dês água, mas vinho.

25. Abril frío, mucho pan y poco vino.
Abril frio, muito pão e pouco vinho.

...

139. Sopa de vino no emborracha, pero agacha.
Sopa de vinho não embriaga, mas derruba.

140. Tierra en frontera y viña en ladera.
Terra na fronteira e vinho na ladeira.

141. Viejo planta viña y viejo la vendimia.
O velho planta a vinha e o velho a vindima.

142. Verterse el vino es buen sino, derramarse la sal es mala señal.
Derramar o vinho é bom sinal, derrubar o sal é mau.

143. Viña preciada, damela en la solana.
Vinha apreciada quero ensolarada.

144. Vino a las nueces y agua a tos peces.
Vinho às nozes e água aos peixes.

 

ITALIA


1. Amor de signore e vin de frasco, se la mattina è buono, la sera è guasto.
Amor de dama e vinho em frasco, se de manhã é bom, à noite (gasto) estraga.

2. Amicizio stretta di vino, non dura da sera al mattino.
Amizade feita com vinho não dura da noite à manhã.

3. Amici, oro e vino vecchio, sono buoni per tutto.
Amigos, ouro e vinho velho são bons para todos.

4. Bacco, Tabacco e Venere riducon l'uomo in cenere.
Baco, Tabaco e Vénus reduzem o homem a cinzas.

5. Belleza senza bonta è come vino svanito.
Beleza sem bondade é como vinho perdido.

6. Bocca ubriaca scopre il fondo dei cuore.
Boca embriagada descobre o fundo do coração.

7. Buon vino fa buon sangue.
O bom vinho faz bom sangue.

8. Chi non può bere nell oro beva nel vetro.
Quem não pode beber no ouro, beba no vidro.

9. Chi va via perde il posto all'osteria.
Quem vai embora perde o lugar na taberna.

10. Domanda all'oste se ha buon vino.
Pergunte ao hospedeiro se o vinho é bom.

11. Fare come l'asino, che porta il vino e beve acqua.
Fazer como o burro, que leva o vinho e bebe água.

12. F emmine, vino e cavaUo, mercanzia di fallo.
Mulheres, vinho e cavalo, mercadoria que engana.

13. Forte è l'aceto di vino dolce.
Forte é o vinagre de vinho doce.

14. II buon vino non vuol frasco.
O vinho bom não precisa de garrafa.

15. II vino di casa non ubriaca.
Vinho de casa não embriaga.

16. Il vino è il latte dei vecchi.
O vinho é o leite dos velhos.


17. ln chiesa coi santi e in tav,erna coi ghiottoni.
Na igreja com os santos, e na taberna com os beberrões.

18. La botte da del vino che ha.
A pipa dá o vinho que tem.

19. L'asino porta il vino e beve l'acqua.
O burro carrega o vinho e bebe água.

20. La verità è nel Vino.
A verdade está no vinho.

21. Latte e vino, velleno fino.
Leite e vinho, veneno fino.

22. L'uomo si conosce al bicchiere.
É no copo que se conhece o homem.

23. Non chiedere all'oste se ha buon vino.
Não perguntar ao hospedeiro se ,tem bom vinho.

24. Non si può avere le botte piene e la moglie ubriaca.
Não se pode ter as pipas cheias e a mulher de porre.

25. Non si può bere e fischiare.
Não se pode beber e assobiar.

26. Pane d'un giorno col vino d'un anno.
Pão de um dia com Vinho de um ano.

27. Sono le botti vuote quelle che cantano.
São as pipas vazias as que cantam.

28. Vinno dentro, senno fuori.
Vinho dentro, juízo fora.


FRANÇA:

1. A bon vin, point d'enseigne.
O bom vinho não precisa de aviso.

2. Ami du topinn et de tasse de vin, tenir ne dois tu pour bon voisin.
Amigo de topin (intriga) e de copo de vinho, não os tenha por bom vizinho.

3. Ami, or et vin vieux, sont bons en tous lieux.
Amigo, ouro e vinho velho são bons em todo o lugar.

4. Beauté sans bonté, est comme vin éventé.
Beleza sem bondade é como vinho perdido.

5. C'est du bon. vin que se fait le plus fort vinaigre.
É do bom vinho que se faz o Vinagre mais forte. (fino) é do Bom Vinho que se faz o Melhor Vinagre.

6. Ce que le sobre tient au cœur, est sur la langue du buveur.
O que o sóbrio guarda no coração está na língua do beberrão.

7. De bon plant, plante la vigne, de bonne mère prends la file.
De boa cepa, planta a vinha, de boa mãe, casa com a filha.

8. De l'Auvergne ne vient ni bon vin, ni bon vent, ni bon argent, ni bonnes gens.
Do Auvergne não vêm nem bom vinho, nem bom vento, nem bom dinheiro, nem boa gente.

9. La vérité est dans le vin.
A verdade está no vinho.

10. L'âne de la montagne porte le vin et boit de l'eau.
O burro da montanha carrega o vinho e bebe água.

11. Le bon vin réjouit le cœur de l'homme.
O bom vinho alegra o coração do homem.

12. Le boire entre, la raison sort.
Entra o beber, sai o juízo.

13. Le lait avec le vin se tourne en venin.
O leite com o vinho transforma-se em veneno.


14. Les tonneaux vides sont toujours ceux qui font le plus de bruit.
As pipas vazias são sempre as que fazem mais barulho.

15. Le vin est versé, il faut le boire.
Já puseram o vinho, agora é bebê-lo.

16. Le vin est le lait des vieillards.
O vinho é o leite dos velhos.

17. Vin délicat, friand et bon, n' a mestier lierre ni brandon.
Vinho delicado, saboroso e bom, não precisa de ramo nem de placa.

18. V in sur lait, c'est souhait, lait sur vin, c' est venin.
Vinho depois de leite, apetece, leite depois vinho, é veneno.

19. Sans pain, sans vin, l'amour n'est rien.
Sem pão, sem vinho, o amor não vale nada.

20. Saint Vincent clair et beau, met du vin au tonneau.
S. Vicente claro e bonito, põe o vinho no barril.

21. S'il pleut a la Saint-Barnabé, les vignes baignent dans l' eau jusqu' au tonneau.
Se chove em S. Bamabé, as vinhas se enchem de água até a pipa.

22. Si Laurent manque d'ardeur, le petit vin de l'année sera froid.
Se falta calor a Lourenço, nosso pobre vinhozinho será fraquinho.

23. Pays du vin, pays divin.
Terra do vinho, terra divina.

24. Saint Martin boit le bon vin, e laisse l'eau courre au moulin.
No S. Martinho, beba o bom vinho, e deixe a água correr para o moinho.

 

 

INGLATERRA:

1. Where wine is not common, commons must be sent.
Onde o vinho não é comum, gente comum deve ser mandada.

2. The wine is the master's, the goodness is the drawer's.
O vinho é do dono, a bondade de quem o produz.

3. The best wine comes out of an old vessel.
O melhor vinho vem do barril velho.

4. Wine and wealth change wise men's manners.
O vinho e a riqueza mudam o homem mais sábio.

5. Wine by the savour, bread by the colour.
Vinho pelo sabor, pão pela cor.

6. Short boughs, long vintage.
Ramos curtos, vindima longa.

7. No nation is drunken where wine is cheap.
Nenhuma nação é alcoólatra onde o vinho é barato.

8. Drinking is the soldier's pleasure.
Beber é o prazer do soldado.

9. Religions change: beer and wine remain.
As religiões passam, o vinho e a cerveja ficam.

10. Drink wine in Winter for cold, and in Summer for heat.
Beba vinho no Inverno pelo frio, e no Verão pelo calor.

11. There's many a slip twixit the cup and the lip.
Há muita escorregadela entre o copo e a boca.

12. Grape on grape, corn on corn.
Uva com uva, grão com grão.

13. It is a good wind that blows a man to the wine.
Bons ventos empurram o homem para o Vinho.

14. He that is fit to drink wine, must have sugar on his beard, his eyes in his pockets, and his feet in his hands.
Quem está pronto para beber vinho, deve ter açúcar na barba, olhos nos bolsos e pés nas mãos.

15. Good wine needs no bush.
O bom vinho não precisa ramo.

16. Wine sets an edge to wit.
O vinho corta o juízo.

17. Of wine the middle, of oil the top, and of honey, the bottom, are the best.
Vinho do meio, azeite de cima e mel de baixo são os melhores.

18. From wine what sudden friendship springs!
Com o vinho, quantas amizades repentinas surgem!

19. No friendship lives long that owes its rise lo the pot.
Amizade de copo não dura muito.

20. Old wine and old friends, are good provisions.
Vinho velho e velhos amigos são boas provisões.

21. Bacchus, ever fair and ever young.
Baco, sempre justo e sempre jovem.

22. A fair woman without virtue is like palled wine.
Mulher bonita sem virtude é como vinho sem gosto.

23. Empty barrels makes the most sound.
Pipas vazias fazem mais ruído.

24. Wine is wont to show the mind of man.
O vinho é necessário para mostrar a mentalidade do homem.

25. Women, money and wine, have their good and their spine.
Mulheres, dinheiro e vinho têm seu bem e seu espinho.

26. Take a wine of a good soil, and a daughter of a good mother.
Tire vinho de bom solo e filha de boa mãe.

27. The fathers have eaten sour grapes, and the children's teeth are set on edge.
Os pais comeram as uvas azedas, e os dentes dos filhos é que sofrem.

28. Milk say to wine: Welcome friend.
O leite diz ao vinho: Bem vindo, amigo.

29. Wine makes glad the heart of man.
O vinho alegra o coração dos homens.

30. In wine there is truth.
A verdade está no vinho.


ALEMANHA:
(Só a tradução ou o sentido, para comparar com os mais conhecidos...)

1. Quando aparecem os dentes na criança, a mãe que venda a saia para lhe dar vinho.

2. O primeiro copo morde, o segundo beija e o terceiro abraça.

3. Pegue o copo com cuidado, pois deus e o diabo estão dentro.

4. Na taverna tem vinho de todo preço.

5. Três copos de vinho mandam embora os espíritos malignos, mas, com o quarto, eles voltam.

6. Quem cedo bebe vinho, tarde enriquece.

7. Quando o cozinheiro e o garçon discutem, a gente fica sabendo que fim levou o vinho.

8. O vinho não inventa nada.

9. Na água, você vê seu rosto, e no vinho, o coração dos outros.

10. A água te ensina a chorar e o vinho, a cantar.

11. A amizade que o vinho fez, como o vinho, conserva-se só uma noite.

12. Amigo velho, Vinho velho e dinheiro velho têm o mesmo valor em todo o mundo.

13. Beleza sem virtude é vinho que perdeu o gosto.

14. Barris vazios fazem mais barulho.

15. O vinho é o espelho do homem.

16. Sem vinho e sem pão, Vénus sente falta.

17. Perguntar à hospedeira se tem bom vinho.

18. Três coisas nos trazem muitos tormentos: mulher, dados e vinho.

19. Leite sobre vinho, faz mal.

20. O vinho alegra o coração dos homens.

21. O bom vinho é o leite dos velhos.

 

RÚSSIA:
(Só a tradução ou o sentido, para comparar com os mais conhecidos...)

1. Coma até estar meio cheio e beba até estar meio bêbado.

2. Quem bebe, morre, quem não bebe, morre, portanto o melhor é beber.

3. Se duas pessoas dizem que estás bêbado, é melhor que vás dormir.

4. A vodca é a tia do vinho.

5. Feliz de quem não bebe vinho.

6. O pão levanta e o vinho derruba.

 

CHINA:
(Só a tradução ou o sentido, para comparar com os mais conhecidos...)

1. Não esconde nada quem serve seus convidados de vinho.

2. Três copos de vinho acertam tudo.

3. O vinho não intoxica os homens, são os homens que se intoxicam.

4. Quem serve mau vinho aos convidados, só bebe chá na casa deles.

5. Quando a adega está vazia, o homem pode subir para o outro lado da montanha.

 

JUGOSLÁVIA:
(Só a tradução ou o sentido, para comparar com os mais conhecidos...)

1. Quando o vinho acaba, acaba a conversa.

2. O vinho não diz " Venha", mas "Sente-se".

3. Melhor beber e passar mal, do que não beber e passar mal.

4. O bom vinho afasta as más intenções.

5. Quem janta vinho, almoça água.


CHECOSLOVAQUIA:
(Só a tradução ou o sentido, para comparar com os mais conhecidos...)

1. Elogia a água, mas bebe vinho.

2. O vinho e as crianças falam a verdade.

3. Vinho puro desenrola a língua.

4. O bom vinho estraga o seu bolso, e o mau, o seu estômago.

BULGARIA:
(Só a tradução ou o sentido, para comparar com os mais conhecidos...)

1. O primeiro copo para a saúde; o segundo. para a alegria; o terceiro, para a felicidade e o quarto, para a loucura.

2. Se queres saber onde tem bom vinho, pergunta onde vão beber os frades.

ROMÉNIA:
(Só a tradução ou o sentido, para comparar com os mais conhecidos...)

1. Bebe o vinho, não deixes que ele te beba.

2. A verdade está no vinho.

HUNGRIA:
(Só a tradução ou o sentido, para comparar com os mais conhecidos...)

1. Faça-o beber e verás de quem é filho.

2. Copo cheio, conselho vazio.

3. A felicidade está no vinho.

JAPÃO:
(Só a tradução ou o sentido, para comparar com os mais conhecidos...)

1. O vinho varre as preocupações.

2. Primeiro, o homem toma o vinho; segundo, o vinho toma o homem.

SUÉCIA:
(Só a tradução ou o sentido, para comparar com os mais conhecidos...)

1. Do vinho mais doce, o vinagre mais azedo.

GRÉCIA:
(Só a tradução ou o sentido, para comparar com os mais conhecidos...)

1. A verdade está no vinho.

 


BIBLIOGRAFIA
usada para os diversos documentos desta Página

- Alegrias Populares, Cancioneiro Folclórico do Concelho de Seia, Beira Alta, Jaime Pinto Pereira, vol. I, 1952, vol. II, 1967

- Almanaque, 1985, Direcção Geral da Educação de Adultos

- A Canção Popular Portuguesa, Fernando Lopes Graça, Publicações Europa América, s.d., 1973?

- Canções para a Educação Musical, Raquel Marques Simões, 6ª ed. Editores Valentim de Carvalho, s.d.

- Cancioneiro Cova da Beira, Maria da Ascensão G.C. Rodrigues, ed. autora, Covilhã, 1986

- Cancioneiro Popular Português, I, II e III vols., colig. por José Leite de Vasconcelos, cord. e intr. de Maria Arminda Zaluar Nunes, ed., Universidade de Coimbra, 1975, 1979,1983

- Contos Populares e Lendas, I e II vol. colig. por José Leite de Vasconcelos, coord. de Alda da Silva Soromenho e Paulo Caratão Soromenho, Universidade de Coimbra, 1964, 1969

- Esboço dum VOCABULÁRIO AGRÍCOLA REGIONAL, Prof. D. A. Tavares da Silva (do Instituto Superior de Agronomia) - Separata dos «ANAIS DO INSTITUTO SUPERIOR DE AGRONOMIA» vol XII, Lisboa 1942 - Lisboa 1944. (Além de consultar a palavra VINHO, ver tb. MARTINHADA...)

- A Etnografia e o Folclore do Baixo Alentejo, Manuel Joaquim Delgado, 2ª ed. da Assembleia Distrital de Beja, 1985 (Ver tb. A LENDA DA DESCOBERTA DO VINHO pp. 238 e 239)

- Festividades Cíclicas em Portugal, Ernesto Veiga de Oliveira, ed. Publicações Dom Quixote, s/d

- O Folclore do Vinho, Whitaker Penteado, Ed. Centro do Livro Brasileiro, Dez, 1980

- Música Popular Portuguesa, 1º vol., Armando Leça, Editorial Domingos Barreira, Porto, s.d.

- Obra poética de Fernando Pessoa, Poesia III, 1934-1935, 0rg. e bibli. de António Quadros, Publicações Europa América, s.d., 1985? / 86?

- O Povo Português nos seus Costumes, Crenças e Tradições, Vol. I e II, Teófilo Braga, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1985

- ? World's Songs - Lonhman Group Limited, (1ª ed. 1979 8ª Ed. 1986), Essex CM20 2JE, England.

- Revista O Professor, N.º ? S. Martinho, Uma Festa na Escola, de Isabel Barreiro.

- Jornal "O JORNAL" de 08/11/85, 11 de Novembro de 1985 - O ÚLTIMO S.MARTINHO ANTES DA ENTRADA NA CEE, de Afonso Praça.


Desenho de João Guerreiro, do 7º 2ª, Escola Secundária Nº 2 de Beja (D. Manuel I) em 1989

Ficha Técnica e apresentação da BROCHURA que foi produzida em 1989, que contém as ideias e princípios BASE que me levaram a incluir esta PÁGINA em aminhaTEIAnaREDE :

Título: S. MARTINHO, A COMUNIDADE ESCOLAR EM FESTA

Autor/es: coord. do núcleo O CANTE do CLUBE LITERARIO da ESCOLA SECUNDARIA Nº2, BEJA, com a participação dos outros Clubes e alunos das mais diversas turmas e anos, e de diferentes áreas...

Principios e intenções:
Com a ideia de aproximar, tanto quanto possível, o conteúdo dos programas da vida social envolvente e das tradições e cultura
locais, propõe-se a Escola celebrar uma série de Festas e
comemorações, ao longo do Ano Lectivo.
Na medida em que nos foi possível, deixamos aqui uma série de indicações, dados e recolhas, com o propósito de proporcionar a todos os interessados uma mais profunda investigação, e elementos para uma possivel participação nas celebrações da Comunidade Escolar, com canções, poemas, ditados, histórias, dramatizações, ilustrações, desenhos...

Mesmo sem o conseguirmos na sua totalidade, com esta brochura, e sobretudo com o programa que foi concebido para esta FESTA da COMUNIDADE ESCOLAR, a ESCOLA SECUNDARIA Nº 2 de BEJA pretende mostrar, o melhor possível, o vasto leque de ÁREAS e DISCIPLINAS que esta simples FESTA pretende abranger, preocupada como está em implementar uma EDUCAÇÃO e uma FORMAÇÃO global.

Desde a investigação histórica à literatura tradicional e
erudita, à investigação científica nas áreas da Física, Química, Matemática, Ciências da Natureza, Geografia... a Música, o Teatro, o Desenho, a Pintura, as várias Formas de Expressão... debates e estudo sobre droga, alimentação, bebida... a saúde, a Educação Física... as Relações Públicas, a Festa, o Trabalho em Equipa, as condições de vida... os usos e costumes de cada região do país... e dos outros países... TUDO afinal, cabe numa simples festa.

S. Martinho, a realidade, a história e as lenda/s... o vinho, as castanhas, sua história e importância na vida das populações... os inúmeros provérbios, quadras e formas de celebrar o S. Martinho... os nomes e os números que se usam como medidas nas diversas regiões do país e noutros países o que é o magusto?
a água-pé? a jeropiga? o vinho abafado? o que é o galão? o meio quartilho? o copo de três? a cartola? a pipa? o almude? os
tonéis? Como se celebra o S. Martinho nas diversas regiões e países? ...
Pretende esta brochura registar a FESTA.
Outra, ou outras FESTAS posteriores, podem vir a realizá-lo de um modo mais completo.

(A pequena brochura: Adaptação do Rimance da Condessinha d'Aragão FOI complemento desta e foi uma abertura considerada excepcional para dar início ao MAGUSTO com CASTANHAS ASSADAS e BEBIDA - ÁGUA-PÉ bem diluída QB.)


IN "O JORNAL" 08/11/1985

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