O CANTO DO CANTE
GRUPOS CORAIS ALENTEJANOS

por um Cigano Castanho vindo da Serra da Estrela
JORAGA o acrónimo de JOsé RAbaça GAspar

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O CANTE
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DÉCIMAS

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Cagando pr'ó... (Pode ouvir AQUI...)

Cagando pr'ó PPD
Cagando pr'ó CDS
Eu caguei Pr'ó PCP
E também caguei pr'ó PS

Eu caguei pr'ó Balsemão!
Pr'ó Freitas do Amaral
Eu caguei para o Cunhal
E o Bochechas fecha a mão!
Vai o maior cagalhão
Que em toda a vida caguei!
E também caguei pr'ó rei
O senhor Ribeiro Teles!
Cago pr'a todos eles!
Cagando pr'ó PPD

Eu caguei pr'ó presidente!
Caguei pr'as Forças Armadas!
Eu faço as minhas cagadas!
Cagando pr'a toda a gente!
E quem não estiver contente
Ainda mais me enobrece!
Porque eu nunca me esquece!
Lá debaixo do sobreiro
Caguei pr'ó senhor Saleiro
Cagando pr'ó CDS

Eu caguei para o ministro
Cá da nossa agricultura!
Cago sempre com fartura!
Porque eu no cagar estou bem visto
E ainda correm o risco!
D'eu cagar pra quem não sei
Cago pr'a quem fez a lei
Que me proibiu de cagar
Mandando o cinto apertar
Eu caguei pr'ó PCP

Caguei pr'a democracia!
Caguei pr'ó socialismo
Caguei para o comunismo
E caguei para a monarquia!
E mais cagar já não podia!
Mesmo que eu cagar quisesse!
O muito cagar aquece/
As bordas dum cu bendito!
Que cagou cozido e frito
E também caguei pr'ó PS

(remate)

Porque eu caguei a bem cagar
Como há muito não cagava
E não pude cagar mais
Porque a merda já não deixava

 

Nota PLima
Os textos versificados escatológicos não têm sido, infelizmente, estudados em Portugal, não existindo, inclusivé, qualquer espécimen bibliográfico para a sua análise. A extrema raridade com que surgem, quer nas antologias quer nos estudos, dão uma ideia de inexistência que deve apenas ser entendida como um fenómeno de invisibilidade provocado pela pretensa moral científica que tem raízes na ideia de que o 'povo' é criança e não tem maldade alguma, logo o palavrão e a pornografia são algo de exterior, pensado por muitos como que introduzidos no século passado pelos estudantes de Coimbra.
A quadra de Francisco Horta Cagando pr'o... [gravo 16] é não só o primeiro texto editado em gravação como é aquele, que entre todos, o que mais se aproxima do título dado a este trabalho. Esta quadra de Francisco Horta, é de muito interesse, no aspecto formal e de conteúdo, não só porque é uma adaptação de uma quadra muito antiga: "Puz-me a cagar ferros quentes" (Tengarrinha 1999: 161-'63], como também porque faz uso de um quinto corpo versificatório, o remate, espécie de conclusão.

In CD - No Paraíso Real - Tradição, revolta e utopia no Sul de Portugal, R - O Canto do som - produtor executivo José Luís Jones - com todos os direitos reservados…


Francisco Domingos Horta [1938] Castro Verde. Beja

 

 

 

 

XXIX (12) [SONETO DA DAMA CAGANDO] - Bocage

Cagando estava a dama mais formosa,
E nunca se viu cu de tanta alvura;
Porém o ver cagar a formosura
Mete nojo à vontade mais gulosa!

Ela a massa expulsou fedentinosa
Com algum custo, porque estava dura;
Uma carta d'amores de alimpadura
Serviu àquela parte malcheirosa:

Ora mandem à moça mais bonita
Um escrito d'amor que lisonjeiro
Afetos move, corações incita:

Para o ir ver servir de reposteiro
À porta, onde o fedor, e a trampa habita,
Do sombrio palácio do alcatreiro!

(12) Tanto este, como o que adiante segue sob número XXXII, andam em
algumas colecções atribuídas ao Abade de Jazente. [nota da fonte]

 

 

In CD - No Paraíso Real - tradição, revolta e utopia no sul de Portugal, R - O Canto do som - produtor executivo José Luís Jones - com todos os direitos reservados…

Trovas ao vento que passa
Francisco Domingos Horta [1938]
Castro Verde. Castro Verde. Beja

Pergunto ao vento que passa!
Notícias do meu país!
O vento cala a desgraça!
O vento nada me diz (MAlegre)

Portugal mal governado!
Por ter ruim governante!
E eu português emigrante!
Sem querer ser emigrado
O meu lar abandonado
O país de minha raça!
Por gosto não sei quem faça!
Mas a vida é aí incerta!
E quando a saudade aperta!
Pergunto ao vento que passa

Aqui longe da minha aldeia!
Onde nasci e fui criado
Mas por não ter fui obrigado
A emigrar para terra alheia!
Aqui a voz me escasseia!
Não entendo rei nem juiz!
Eu não sei ler sou infeliz!
Sinto dor sinto tormento
E às vezes pergunto ao vento
Noticias do meu país

Resposta não me quer dar
E a saudade que eu sentia!
Era ir para lá um dia!
E nunca mais para aqui voltar
Mas que posso eu lá ganhar
Onde a pobreza se abraça!
Onde a miséria se ataça(?)
E muitos não têm pão
Quem fala vai para a prisão!
O vento cala a desgraça

Portugal o meu cantinho
Que saudades que eu tenho tuas!
Mas por desgraça continuas!
A não me servir de ninho
E eu sinto amor sinto carinho
Por tudo quanto te fiz!
Sou português de raiz!
E quando pergunto por ti
Ao vento que passa aqui
O vento nada me diz

 

 

 

Notas de PLima:

Trovas do vento que passa (grav.12), quadra cujo mote é o quarteto de Manuel alegre que abre o poema "Trova do vento que passa", Praça da Canção, 1965, foi gravado em Castro Verde [Beja] a Francisco Domingos Horta. Esta quadra magnífica fala-nos da migração que atingiu o Alentejo na década de sessenta, e que apenas abranda no período pós-'74. Texto de rara beleza e que, numa profunda voz, nos fala da distância, quase saudade, de uma emigração tão estranha ao assalariado do Sul que, curiosamente, aplicará no estrangeiro a mesma mobilidade usada aquando da procura de trabalho nos campos do Sul.

SE A MERDA FOSSE DINHEIRO
O QUE É QUE QUERIA TU?
DE CERTEZA QUE OS POBRES
NASCIAM TODOS SEM CU!

JRG 1975 TB cantigas ao desafio...

 

MAS COMO O DINHEIRO É MERDA
O QUE É QUE ENTENDES TU?
A MERDA QUE OS POBRES CAGAM
METE-A O GOVERNO NO CU

(actualizando em 2012)

TÃO SIMPLES COMO LIMPAR O CU A MENI(STR)(N)OS

 

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