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AS MODAS
COREOGRÁFICAS
Depois
de fazer uma análise das modas publicadas na primeira
parte do "Cancioneiro Alente-jano", nos seus mais
variados e interessantes aspectos, vamos agora à segunda
parte, que nos apresenta as modas coreográficas, não
muitas, embora também as haja em profusão.
O alentejano
não cantava só no campo, nas romarias, nas ruas,
nas vendas, nos largos e na Igreja, o seu lindo e nostálgico
cantochão: também se divertia empregando o mesmo
tipo de cante, embora mais alegre e próprio para se
dançar.
Consultando
a segunda parte do referido Cancioneiro encontramos apenas
oito modas que se dançavam fora e dentro de casa.
Formavam-se
os pares, rapazes e raparigas, voltados uns para os outros
e em compasso de três tempos - temário - marcavam
o ritmo do primeiro tempo fazendo estalar as pontas dos dedos
polegar e médio enquanto dançavam para a direita
e para a esquerda, sempre em fren-te um do outro, e se deslocavam
em volta fazendo uma roda.
Um dos
versos dizia assim:
São
saias, meu bem, são saias,
São saias que andam na moda.
Segura-te bem não caias
Que elas têm pouca roda.
Eu penso
que este tipo de verso e de dança devia ter sido introduzido
no Baixo-Alentejo que confina com o Alto-Alentejo onde é
muito vulgar encontrar danças desta natureza numa zona
que irá de Mourão a Reguengos, Portel e Viana
do Alentejo.
Vem depois
a dança
Pediste-me
uma laranja ( ):
Pediste-me
uma laranja
Meu pai não tem laranjal
Ai se queres um limão doce,
Vai à porta do quintal.
Vai à
porta do quintal
Que lá 'stá o limoeiro
Ai não há para armar cantigas
Como é um rapaz solteiro!
A esta
dança poge introduzir-se o ritmo de As saias. Era assim
dançada.
Vem a
seguir a O tim tim:
Ó
tim tim, olaré, tim tim
Ó téu téu, olaré, téu,
téu
Quatro borlas tenho eu,
Nas abas do meu chapéu
Padres Nossos das mulheres
Não levam almas ao céu.
Era uma
dança de pares, já agarrados, em ritmo binário,
batendo em "ostinato" com os pés, os três
meios tempos do compasso.
Cantem...
bailem... moças era própria do Carnaval, a que
se chamava entrudo, pessoa disfar-çada, mal vestida..
Era dançada
como a anterior.
Cantem,
bailem, moças
Que isto é entrudo
Lá vem a Quaresma,
Que se acaba tudo.
O Sarapateado(
) era dança que se usava muito em Santo Aleixo da Restauração
e tirou o nome do ritmo feito pelos pés dos dançarinos
que era muito rápido e batido.
O verso
era assim:
Ó
que brinca o moxo ( )
Ó que dança o coxo,
Venha cá, meu cravo roxo,
Ó que brinca aqui,
O que dança ali,
Dança amor que eu já danc'i.
Vem depois
a Moda Pulada, dançada como as duas primeiras. Também
não tinha verso pró-prio.
Das que
não estão no Cancioneiro citaremos o Gira, vai-te
que era uma dança de cadeia, aos pares.
Quando
se diz "Vai-te, vai-te que te não quero"
, a moça passa ao moço da frente, mudando todos
os pares.
O verso
dizia assim:
Eu cuidava
com o tempo
Minha pena acabaria.
Agora vai em aumento
A toda a hora do dia.
Gira,
vai-te, que te não quero
Que venhas ao meu jardim
Vai-te, vai-te que te não quero,
Eu quero-te só a ti.
Havia
ainda as danças do "Tope" e do "Marcadinho",
de que não temos as letras, muito dan-çadas
em Peroguarda.
E a dança
do "Maquineu", de que também não temos
letra nem música. Há, ou havia, perto de Amareleja
o poço do Maquineu e penso que era ali que se cantava
e dançava aquela dança, quando as moças
iam buscar água ao referido poço.
Estas
algumas das modas de que os alentejanos se serviam para cantar
e dançar, principal-mente no Entrudo e nos "mastros"
de S. João e de S. Pedro, quando havia algum casamento
ou chegavam as "sortes".
A par
do solene e majestoso cantochão festivo e domingueiro,
que ajudava no trabalho ou se dirigia à namorada, lá
estava o outro, já sem a gravidade do primeiro, alegre
e divertido, por-que tristezas não pagam dívidas
- o outro lado da vida.
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