O CANTO DO CANTE
GRUPOS CORAIS ALENTEJANOS

por um Cigano Castanho vindo da Serra da Estrela
JORAGA o acrónimo de JOsé RAbaça GAspar

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0.
Índice dos GRUPOS CORAIS ALENTEJANOS
1.
OBRAS & AUTORES
o CANTE do AQUÉM TEJO
2.
o CANTO do CANTE
os Grupos Corais
VOZes do Ventre da Terra
GALERIA de GRUPOS
algumas MÚSICAS e...
3.
Actualizações & Ilustrações
GALERIA de Extras
Grupos e Símbolos
4.
Textos:
ABERTO a
Comentários e NOTAS
O CANTE
a VOZ DO VENTRE DA TERRA
MODAS com PAUTAS MUSICAIS

 

LISTA 06
(245 a 282) 38 PAUTAS MUSICAIS
in
CANCIONEIRO POPULAR PORTUGUÊS
Michel Giacometti, com a colaboração de Fernando Lopes Graça, Círculo de Leitores, Lisboa, 1981.

continuação de Lista 01 (ver antes)
63 PAUTAS MUSICAIS
in TRADIÇÃO de SERPA, publicada entre Janeiro de 1899 e Junho de 1904

e LISTA 02 (ver antes)
(64 a 152) 89 PAUTAS de MODAS E DANÇAS recolhidas no ALENTEJO
CANCIONEIRO DE MUSICAS POPULARES
Cancioneiro de musicas populares: collecção recolhida e escrupulosamente trasladada para canto e piano por Cesar A. das Neves / coord. a parte poetica por Gualdino de Campos; pref. pelo Exmo Sr. Dr. Teophilo Braga. - V. 1, fasc. 1 (1893)-V. 3, fasc. n. 75 (1899).

LISTA 03
(153 a 203) 51 (em 25) PAUTAS MUSICAIS
in subsídio para o
CANCIONEIRO POPULAR do BAIXO ALENTEJO
Volume II, Comentário, recolha e notas de Manuel Joaquim Delgado, 2ª ed. INIC, Lisboa, 1980 (1ª 1955).

LISTA 04
(204 a213) 10 PAUTAS MUSICAIS
in
CANÇÃO POPULAR PORTUGUESA
de Fernando Lopes Graça, 2ª ed. remodelada e ampliada, Publicações Europa-América, Mem Martins, 1974 (1ª 1954).

LISTA 05
(214 a 244) 31 PAUTAS MUSICAIS
in
CANTARES DO POVO PORTUGUÊS
Estudo crítico, recolha e comentário de RODNEY GALLOP, 2ª ed. Instituto de Alta Cultura, Lisboa, MCLX (1ª 1934? - trabalho de campo desde 1932... dois anos e meio...).

252 - 08 - Esta Noite é de Janeiras
(Canto de peditório)

Esta Noite é de Janeiras
(Canto de peditório)

Esta Noite é de Janeiras
e dum grande mer'cimento,
por ser a noite primeira
em que Deus passou tormento.

Os tormentos que passou,
eu lhes digo a verdade:
o seu sangue derramou
pra salvar a Cristandade.

Um raminho, dois raminhos,
um raminho de salsa crua, \ bis
ao pé da tua cama
nasce o Sol e põe-se a Lua \ bis

Daqui d'onde eu 'stou bem vejo
um canivete a bailar \ bis
para cortar a choiriça
que a senhora me há-de dar. \ bis


Nota da página 305 e 306 do CPP:
27. ESTA NOITE É DE JANEIRAS
- Espécime inédito da nossa recolha. Entoado no estilo polifónico próprio à região, apresenta um texto fragmentado de romance religioso, bastante vulgarizado, com a particularidade, contudo, de ser acompanhado da chamada desgarrada, ou seja, quadra do peditório.
Com efeito, os cantos de Janeiras e de Reis, e as Orações das almas, tinham por fim (não especificamente declarado, mas não menos prioritário nos tempos de mais acentuada penúria) a colheita de víveres, em geral distribuídos pelos cantadores ou destinados a um repasto coliectivo. A recompensa era por certo merecida, já que a cerimónia obrigava a longas caminhadas pela noite fora, através dos vários lugares da freguesia.

Bib. César das Neves e Gualdino de Campos (80/1, pp. 96-97, m) fornecem dados com interesse sobre Janeiras, no último quartel do século XIX:

Com esta música (que vem arquivada com o título Noite de Natal) cantam-se também as Janeiras. É nas noites de 31 de Dezembro e 1.° de Janeiro, costume antiquíssimo o darem-se as boas-festas por meio de descantes, a gente do povo, e para isso reúne-se um grupo de homens e mulheres (quatro, cinco ou seis indivíduos, às vezes mais) e vão à porta das pessoas das suas relações cantar as Janeiras[...].

Estes AA. assinalam ainda que, depois das cantigas ditas de Janeiras, que têm relação com o Menino Jesus, seguem-se outras (Vivas) dirigidas às pessoas da casa, com música de Chula ou Cana Verde e com letra improvisada, pelo que «andamento (é) muito lento, e com compasso de espera de verso a verso» [...]
Por fim, escrevem eles, numa nota de rodapé (p. 100):

Os rapazes menores, também formam grupos para ir cantar as Janeiras [...] O
instrumental, de que se servem é extravagante: compõe-se de ferrinhos, ou qualquer coisa de ferro que imita o som do triângulo, castanholas ou conchas, campainhas e tambores feitos de pequenas barricas, ou panelas velhas tapadas com pele de carneiro [...]

Observe-se que nada tem de extravagante o instrumental mencionado, já que o seu uso é tradicional em vastas regiões do país, sobretudo no que respeita aos chamados tambores, que possivelmente seriam as roncas ou sarroncas, instrumentos rituais de longínqua origem e larga difusão, relacionados em numerosos países cristãos com o chamado ciclo dos doze dias (do Natal aos Reis).
Francisco Serrano (112, pp. 97-98, m) nota que os rapazes que «pedem janeiradas.. não se utilizam do produto da recolha, mas vendem tudo e mandam dizer missas pelas almas do Purgatório.

Disc. Laura Boulton (IX)
M. Giacometti/F. Lopes-Graça (1/2), (1/4), (XVIII), (XIXI5) e (XXI)
Artur Santos (XVIII)

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http://www.joraga.net/gilvicente/pags/043janeiras.htm#J08

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http://pocovelho.blogspot.com/2009_01_01_archive.html

ver também - 4 AO SUL - em almodôvar
http://www.youtube.com/watch?v=Ljc1vzWSF0s

 

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