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- 10 - Quais foram os três Cavalheiros
(Canto de peditório pelos Reis)


Quais
foram os três Cavalheiros
(Canto de peditório pelos Reis)
Quais
foram os três Cavalheiros, \\\
ai que fizeram, \\\
fizeram sombra no mare? \\\ bis
Foram
n'os três d'Oriente, \\\
ai, que Jesus, \\\
que Jesus foram achare. \\\ bis
desgarrada:
Ai,
casa nobre e gente honrada,
(e) viva da casa o patrão!
Aí, aí!
Ai a sua alma era guiada
e p'ró reino di a salvação.
Aí, aí!
2
Não
procuram por pousada,
ai, nem onde,
Nem aonde o irão achare.
Procuram
por Jesus Cristo,
ai, aonde,
aonde o irão achare.
Ai,
onde estão promos, irmãos,
(e) onde está a parnteira?
Aí, aí!
Ai, eu canto com devoção,
(e) cantaria a noite inteira.
Aí, aí!
Nota
na página 306 do CPP:
31. QUAIS FORAM OS TRÊS CAVALHEIROS
- M. Giacometti/F. Lopes-Graça (XVIII)
Este canto de Reis, hoje caído em desuso, era cantado
à porta das casas, na véspera do dia de Reis.
O texto, entoado a solo e repetido pelo coro, apresenta
características de romance religioso, enquanto a
desgarrada é uma quadra do repertório comum,
adaptada à função de peditório.
O grupo de cantadores é composto por um baixão,
o coro e ofalsete, no sentido próprio do termo, que
se lhe sobrepõe no final do inciso coral. A desgarrada
é de estilo inteiramente diferente e - «lembra
certos giros melódicos andalu zes» (F.L-G.)
A
este respeito, Manuel Joaquim Delgado (30, p. 111), referindo
a desgarrada das Janeiras, no Baixo Alentejo, observa também
que «parece ter muitas semelhanças com os cantares
andaluzes e árabes».
Ainda a propósito da desgarrada, resta lembrar que
é conhecida em outras regiões do país
por vivas ou chacota, palavra esta que não tem o
sentido corrente de escârnio, mas sim de versos nata-
lícios de agradecimento.
Quanto à presença aqui do falsete, no seu
jeito quase dramático, é de admitir que tivesse
por função imprimir ao canto uma expressão
lacerante, levando à maior generosidade os moradores,
surpresos pela sua inesperada e provocante sonoridade.

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