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- 12 - O Tempo doEntrudo
(Moda do Carnaval)


OTempo
doEntrudo
(Moda do Carnaval)
(E)
oTempo doEntrudo
é um tempo louco
faz sair as velhas
fora dos atoucos.
(E)
algum dia eu era,
agora já não,
da tua roseira
o melhor botão.
(E)
não sei se é por ser
as voltas do Entrudo,
acho o meu amore
demudado em tudo: bis
denudado em nada
não sei se é por sere
voltas d'entrada - (da).
Nota
na página 307 do CPP. (Transcrevemos a nota anterior
por se referir ao entrudo em geral e nomeadamente ao entrudo
em BEJA):
34
LA EM BAIXO VEM O ENTRUDO (Castelo Branco)
- António Avelino Joyce (51, p. 283)
O A. refere este espécime como «canção
frígia» que recorda o motivo [...] de um subtil
'scherzo' de Brahms». Completou-se a lição
de Joyce com uma quadra por nós recolhida na mesma
localidade.
A duração do Carnaval, que começa no
dia da Epifania (6 de Janeiro), é mais ou menos prolongada,
conforme a data da Páscoa, que fixa o seu fim. Assim,
o Carnaval pode durar entre 28 e 70 dias. A Terça-Feira
Gorda, último dia do Carnaval e véspera do
início dos 46 dias restritivos da Quaresma, era marcada
por festas e cerimónias várias que significavam
o fim de um período e o princípio de outro.
A Quaresma, instaurada pela Igreja desde os primeiros tempos
do Cristianismo, era rigorosamente observada e tinha possivelmente
por origem a necessidade de, após os abusos alimentares
do Inverno, impor uma dieta saudável na passagem
de uma estação para a outra.
O
Enterro do Entrudo constituía, na Terça-Feira
Gorda, a cerimónia mais marcante deste período.
De tarde ou à noite, um grupo de homens organizava
um cortejo fúnebre acompanhado pela população,
que apresentava na sua vestimenta e compostura sinais de
ressentido luto. À frente, vinha um boneco de palha
simbolizando o Entrudo, que ia a enterrar, pelo que alguns
dos homens levavam ferramenta própria para abrir
a cova.
Em
Beja, a exemplo de outras localidades, realizava-se
neste dia o chamado Enterro do Bacalhau, de que nos fala
Manuel Joaquim Delgado (30, p. 114), com homens montando
jumentos, lençóis brancos pela cabeça
e vassouras de palma ao ombro, à maneira de espingardas,
acompanhados da população, em duas alas, também
com lençóis e vassouras. À frente iam
três homens e o do meio empunhava uma espécie
de guião, no topo do qual era pendurado um enorme
bacalhau. A leitura de um testamento burlesco, não
isento por vezes de crítica social, fechava a cerimónia.
Bib.
José Diogo Correia (26, p. 17, m) Ernesto Veiga de
Oliveira (83, pp. 661-699)
Disc. M. Giacometti/F. Lopes-Graça (1/4), (1/5),
(XIX/6) e (XXI)
35.
O TEMPO DO ENTRUDO - M. Giacometti/ F. Lopes Graça
(1/4)
Moda que, a exemplo da precedente, era entoada num período
que ia, em geral, dos Reis ao Entrudo.

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