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- 15 - Vai-se o Dia, vem a Noite
(Moda da Lavoura)



Vai-se
o Dia, vem a Noite
(Moda da Lavoura)
(falado)
- Vá arriba!...
Vamos lá subindo arriba ao rego...
Vai-se o Dia, vem a Noite
Vamos
lá devagar!...
(e)
atrás do Inverno, o V'rão;
Ó
rego, ó rego! A Espanhola mais a Boneca!
Venha cá arriba, venha!...
Vai-se
o Dia, vem a Noite
Venha
cá arriba, Espanhola!...
(e)
atrás do Inverno, o V'rão;
Vá
a ver, vai!...
tudo
no mundo renova,
Ó
macho, ó rego... ó rego...
só
a mocidad' não;
Venha
cá pra baixo, ó rego, mula!... Ó devagar!...
tudo
no mumdo r'nova,
só
a mocidad' não.
Ei!
Oh Trr! Vamos lá devagar...
(assobiando)
Vai
lá mais adiante, vai!... Trr, trr, trr. trr...
(assobiando)
EI!
Nota
na página 312 e 313 do CPP:
72.
VAI-SE O DIA, VEM A NOITE
- M. Giacometti/F. Lopes-Graça (XXV) Aboio a que
chamam «Moda da lavoura» no Baixo Alentejo.
Recolhido ao vivo na própria ocasião da lavra
e en toado pelo lavrador a guiar a charrua, puxada por um
par de muares, o canto é entrecortado de gritos e
falas dirigidos aos animais.
Transcreve-se outra das estrofes cantadas na altura:
Nestes
campos solitários
onde a disgraça me tem,
brado, ninguém me responde,
olho, não vejo ninguém.
Notar
o seu parentesco com a seguinte quadra, do diálogo
dos pastores, do Auto do Nascimento do Menino Jesus, coligido
pelo Pe. Firmino Martins (72/2, p. 251):
Nestes
montes solitários
aonde a fortuna me tem,
olho de uma parte a outra,
por acaso vejo alguém.
Disc.
Michel Giacometti/F. Lopes-Graça (XIX/3)
Nota
do organizador: Ver Décima de Inocêncio de
Brito in:
http://www.joraga.net/iBrito/index.htm
http://www.joraga.net/iBrito/pags/04decimas30_03.htm
«Neste
lugar solitário,
Onde o acaso me tem,
Brado, ninguém me responde,
Olho, não vejo ninguém.»