
A
Lenda de Martim Moniz
http://www.eb23-cmdt-conceicao-silva.rcts.pt/sev/hgp/lendas_1.htm
«O
nome de Martim Moniz está ligado à conquista
de Lisboa aos Mouros e figura na memória da cidade
através de uma praça com o seu nome.
A
lenda conta que D. Afonso Henriques tinha posto cerco à
cidade, ajudado pelos muitos cruzados que por aqui passaram
a caminho da Terra Santa. O cerco durou ainda algum tempo,
durante o qual se travavam pequenas investidas por parte
dos cristãos. Numa dessas tentativas de assalto a
uma das portas da cidade, Martim Moniz enfrentou os mouros
que saíam para repelir os cristãos e conseguiu
manter a porta aberta mesmo a custo da sua própria
vida. O seu corpo ficou atravessado entre os dois batentes
e permitiu que os cristãos liderados por D. Afonso
Henriques entrassem na cidade. Ferido gravemente, Martim
Moniz entrou com os seus companheiros e fez ainda algumas
vítimas entre os seus inimigos, antes de cair morto.
D.
Afonso Henriques quis honrar a sua valentia e o sacrifício
da sua vida ordenando que aquela entrada passasse a ter
o nome de Martim Moniz.
O
povo diz que foi D. Afonso Henriques que mandou colocar
o busto do herói num nicho de pedra, onde ainda hoje
se encontra, junto à Praça de Martim Moniz.»
Santarém,
Uma cidade tomada de assalto
(Mem Ramires)
«Santarém
parecia impossível de conquistar. Situada no alto
de um monte, rodeada de muralhas e torreões, equipada
com boas máquinas de guerra e defendida por soldados
aguerridos, era um alvo desanimador. Mas D. Afonso Henriques,
em vez de recuar perante as dificuldades, aplicava-se a
imaginar soluções engenhosas para alcançar
o que queria. E queria absolutamente conquistar Santarém.
Depois
de muito pensar, decidiu incumbir Mem Ramires de ir sozinho
e em segredo escolher os melhores caminhos para se aproximarem
da cidade e um lugar do muro que se pudesse escalar com
alguma segurança. Só depois de receber essas
informações traçou o plano final.
No
dia 9 de Março de 1147 saiu de Coimbra com um pequeno
exército, tendo o cuidado de não dizer exactamente
ao que iam. Quatro dias depois acampavam em Pernes, e então
sim, reuniu os homens, explicou o que tencionava fazer e
distribuiu tarefas. Antes de mais nada, era necessário
construir escadas, dez escadas que a coberto da escuridão
se encostariam à muralha. Todas ao mesmo tempo. Junto
de cada escada estariam doze homens prontos a subir com
rapidez, e assim, quando
os
mouros dessem por isso, já lá estariam em
cima cento e vinte cristãos. Os cavaleiros entusiasmaram-se
com o projecto mas pediram-lhe que não participasse,
pois receavam que lhe acontecesse alguma coisa e não
queriam ficar sem rei. Mas D. Afonso Henriques respondeu:
-
Eu estou convosco e serei o primeiro. Ninguém poderá
separar-me da vossa companhia quer na vida quer na morte.
E se tiver que morrer sem esta cidade estar conquistada,
peço a Deus que não me deixe sair vivo deste
combate!
As
suas palavras levaram o exército ao rubro. E como
nessa noite viram uma grande estrela cadente riscar o céu
e cair para as bandas do mar, todos acharam que era bom
presságio.
De
madrugada puseram-se em marcha rumo ao local escolhido por
Mem Ramires. Quando os primeiros homens lá chegaram
acima ouviram as sentinelas mouras perguntar: «Manhu?»,
o que significa «Quem sois?». Não responderam,
e então as sentinelas deram o alarme, gritando: «Annachara!
Annachara!», ou seja, «Cilada de cristãos!»
Mas
era tarde de mais. Na muralha circulavam já de espada
em punho muitos cavaleiros de D. Afonso Henriques, outros
destruíam as portas de madeira com machados e pedras...
A conquista foi rápida e fulminante; poucas horas
depois Santarém fazia parte do reino de Portugal.
(1)
(1)
Esta descrição da conquista de Santarém
foi feita com base no relato escrito por um cavaleiro que
se julga ter participado no assalto à cidade. O relato
chegou até aos nossos dias.»
in
Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, Portugal
- História e Lendas, ed. Caminho
O
LIDADOR
http://www.gforum.tv/board/1277/206364/lendas-de-portugal/index2.html
A Morte do Lidador
«Num dia longínquo de 1170, Gonçalo
Mendes da Maia, nomeado Lidador pelas muitas batalhas travadas
e ganhas contra os Mouros, decidiu celebrar os seus 95 anos
com um ataque ao famoso mouro Almoleimar.
Da
cidade de Beja saiu o Lidador naquela manhã com trinta
cavaleiros fidalgos e trezentos homens de armas, sabendo
de antemão que o exército de Almoleimar era
muitas vezes superior.
Perto
do meio-dia, pararam os cavaleiros para descansar perto
de um bosque onde emboscados aguardavam os mouros.
A
primeira seta feriu de morte um guerreiro português,
o que fez com que o exército cristão se pusesse
em guarda. Frente a frente se mediam a destreza e perícia
árabes, invocando Allah, e a rudeza e força
cristãs, clamando por Santiago.
A
batalha começou e ambos os exércitos se debateram
com coragem, até que num dado momento Gonçalo
Mendes e Almoleimar cruzaram espadas em cima dos seus cavalos.
Um
dos vários golpes desferidos atingiu Gonçalo
Mendes que, mesmo ferido, atacou com raiva Almoleimar, que
ripostou.
O
resultado foram dois golpes fatais, um dos quais matou o
mouro e outro que deixou Gonçalo Mendes Maia ferido
de morte.
O
Lidador, moribundo, perseguiu com os seus homens os mouros
que debandavam em fuga até que o esforço de
um último golpe sobre um cavaleiro árabe lhe
agravou os ferimentos.
O
Lidador caiu morto na terra juncada de mais de mil corpos
inimigos.
Os
cerca de sessenta cristãos sobreviventes celebraram
com lágrimas esta última vitória do
Lidador.
Um
sacerdote templário disse em voz baixa as palavras
do Livro da Sabedoria: "As almas dos justos estão
na mão de Deus e não os afligirá o
tormento da morte".»
A
LENDA DO GERALDO GERALDES, O SEM PAVOR
http://www.gforum.tv/board/1277/206364/lendas-de-portugal/index2.html
Esta lenda passou-se no ano de 1166, no tempo em que Évora
era ainda a Yeborath árabe, para grande desgosto
de D. Afonso Henriques que a desejava como ponto estratégico
da reconquista de Portugal aos Mouros.
Geraldo
Geraldes, um homem de origem nobre que vivia à margem
da lei, era chefe de um bando de proscritos que habitavam
num pequeno castelo nos arredores de Yeborath.
Conhecido
também pelo Sem Pavor, Geraldo Geraldes decidiu conquistar
Évora para resgatar a sua honra e o perdão
para os seus homens.
Disfarçado
de trovador rondou a cidade e traçou a sua estratégia
de ataque à torre principal do castelo que era vigiada
por um velho mouro e pela sua filha.
Numa
noite, o Sem Pavor subiu sozinho à torre e matou
os dois mouros, apoderando-se em silêncio da chave
das portas da cidade. Mobilizou os seus homens e atacou
a cidade adormecida numa noite sem lua que, surpreendida,
sucumbiu ao poder cristão.
No
dia seguinte, D. Afonso Henriques recebeu surpreendido a
grande novidade e tão feliz ficou que devolveu a
Geraldo Geraldes as chaves da cidade, bem como a espada
que ganhara, nomeando-o alcaide perpétuo de Évora.
Ainda
hoje, a cidade ostenta no brasão do claustro da Sé,
a figura heróica de Geraldo Geraldes e as duas cabeças
dos mouros decepadas, para além de lhe dedicar a
praça mais emblemática de Évora.
in
site Lendas de Portugal / Cidade de Lisboa