PRÉMIOS IX Jogos AA

 

IX JOGOS FLORAIS da ALMA ALENTEJANA
QUADRA - POEMAS - CONTO

PATRONO

JOSÉ MANUEL MAIA NUNES DE ALMEIDA
2009 10 25
ALMADA
FÓRUM ROMEU CORREIA - AUDITÓRIO LOPES GRAÇA
15H00

uma APRESENTAÇÃO por JORAGA
um Cigano Castanho vindo da Serra da Estrela

 

 

 

 

contacto © joraga ®

 


Para MEMÓRIA…
para que as palavras não se percam na voragem do tempo…
para que as PALAVRAS deste prestigiado ACTOR da vida SOCIAL e POLÍTICA do nosso País e de Almada, (trabalhou nos pilares da Democracia desde 74 e antes… e continua…) possam chegar a todos os associados da AlmaAlentejana…
aos seus FUNDADORES… aos que continuam activos e aos que se afastaram por vários motivos…
para que o SERVIÇO SOCIAL e CULTURAL continue em crescendo…
para que o SONHO não se perca e para que a UTOPIA nos continuem a servir de estímulo e desafio…até realizarmos "UM REINO de OUTRO MUNDO…"

aqui deixamos as PALAVRAS do PATRONO dos IX Jogos Florais da Alma Alentejana: José Manuel Maia, Presidente da Assembleia Municipal de Almada.


in Boletim nº28 da Alma Alentejana.(Foto JMoutela)

Salão Lopes Graça do Fórum Romeu Correia, 25 de Outubro de 2009, IX Jogos Florais de AlmaAlentejana - Patrono - José Manuel Maia


Com gratidão e reconhecimento
Eu Patrono me confesso como um Lisboeta
Sinto o Alentejo, Observo os Alentejanos e a AlmaAlentejana

Senhoras e Senhores
Agradeço o vosso carinho e a partilha deste significativo momento.
A todos cumprimento com enorme gratidão
Reconhecimento particular ao Sr. Presidente da Direcção António Oliveira, ao Sr. Vice-Presidente Cultural Professor José Rabaça, aos demais Dirigentes da AlmaAlentejana, ao Joaquim Avó, ao Júri na pessoa da poetisa Rosa Dias, aos artistas, maestro José Carita, Ricardo Fonseca, Célia Dias.
ao Designe Hélio Heitor,
aos Concorrentes aos Prémios Poesia, Quadra, Conto
Reconhecimento e gratidão também a todos vós, Sras. e Srs. que com a vossa presença engrandecem a iniciativa e o feito
Uma palavra de apreço para a pintora Teresa Rodrigues autora da obra que dá rosto ao documento que anuncia este evento e onde é destacado o Pórtico da Lisnave. É na verdade um símbolo muito forte, ainda hoje o é e vai ser monumento de afirmação operária de Almada e de referência na urbanização que ali vai nascer.
Para mim são memórias, muitas vivências, a escola superior, as lutas mil
Subi ao ponto mais alto daquele Pórtico apenas uma vez, precisamente cerca das 18H00 do dia 25 de Abril de 1974.
De manhã e de tarde estive no Terreiro do Paço e no Largo do Carmo.
Vim para a Lisnave a meio da tarde pois trabalhava no turno das 17H20 à 01H00 da manhã.
Período inesquecível, esses dias de Abril, momentos fantásticos;
Da noite escura e de muros altos do dia 24 de Abril e de uma madrugada e manhã difusa, cinzenta, duvidosa, hei-nos a dobrar esquinas e a alcançar o Belo na Praça Iluminada de Radioso Sol da Liberdade.
Ao Professor José Rabaça - Vice-Presidente da AlmaAlentejana os meus agradecimentos pelas suas palavras.
O que está dito, dito está!
Faltou-lhe mencionar os defeitos, que tantos seriam que se escusou.
Quanto ao título de que me investiram, do Patrono dos IX Jogos Florais, é uma grande honra para mim.
Se é merecido? Permitam que não me pronuncie, fica à vossa consideração e avaliação.
Certo é que me sinto muito pequenino ao lado dos anteriores patronos onde se destacam vultos como Bento de Jesus Caraça, Galopim de Carvalho, Urbano Tavares Rodrigues, Eunice Munoz.
E certamente por este facto, confesso-vos, que me sinto muito feliz. Não calculais o que me vai dentro. O bater do coração, a alegria da vivência do momento.
Vaidoso? Sim, mas sem presunção, ostentação ridícula ou gratuitidade.
Meus amigos.
Quem não gosta de ser reconhecido pelos seus conterrâneos ou concidadãos?
Quem não gosta de ser apreciado e referenciado pela sua comunidade?
Eu estou, sinto-me, estou vaidoso!
Não com Soberda, tenho os pés na terra, apercebo-me da natureza humana, sei que na vida há muito de efémero, mas sei também se construirmos caminhos, daqueles que se fazem caminhando, guiados por princípios, causas e valores humanistas, há muito de duradoiro, que induz auto-estima, alastra felicidade.
Foi e é este "estado de alma" a causa do atrevimento para eu, o Lisboeta do Alto do Pina e de S. Jorge de Arroios, que se sente almadense da Almada do Além Tejo vir falar do Alentejo e da AlmaAlentejana.
Desculpem-me os alentejanos e os sócios da AlmaAlentejana
É o que eu senti, sinto e observei, observo.
É um contributo para o momento que vivemos.
O Alentejo - a planície, as vistas desafogadas, as gentes que cativam, a vida agrária, o trabalho, o pão, a paisagem ondulante que embala a criatividade e apura os sentimentos.
Os alentejanos e a sua identidade cultural e como interagem nas comunidades e nas redes de sociabilidade.
Creio que o alentejano sente-se sempre alentejano, mas, e interessante, também não se sente fora do Alentejo em Almada, no Seixal, Barreiro ou Moita. Sentem estes territórios, estas comunidades, como espaços onde podem e devem continuar a recriar o Alentejo.
Vieram para a Margem Esquerda do Tejo à procura de uma vida melhor

Eis um, o Domingos Condeças - Operário da Lisnave e residente em Almada.
"Na minha terra Vale de Vargo ganhava 30 escudos por 10 horas de trabalho num lagar de azeite. Vim para a Lisnave em 1966 a ganhar 74 escudos dia - Foi um grande salto "
Fala-se em mais 200 mil o número de alentejanos no Arco Ribeirinho Sul do Tejo.
Espalharam-se concentradamente por toda a Península de Setúbal e vincaram a sua presença com cantos e solidariedade.
Pode dizer-se que para onde vão, levam consigo as suas tradições e contagiam quem os rodeia, a comunidade em que se integram.
Desde os cantares à gastronomia por todo o lado existem marcas dos hábitos e sentir alentejanos.
Em Almada serão 30 mil, dizem uns, 60 mil, avaliam outros, são certamente muitos milhares e mais de 30 mil.
Noto neles, nesses muitos amigos, companheiros e camaradas alentejanos que embora exista uma linha base na identidade, na tradição, continuam a ter uma muito forte ligação à sua própria terra - à Freguesia, à Vila, à Aldeia, ao Lugar, ao Monte.
Ou seja, fora do seu espaço habitual, fora da sua "comunidade" tomam a definição da naturalidade alentejana pelo todo, mas entre si procuram as afinidades ligadas à sua própria terra - Vale de Vagos, Serpa, Moura, Amareleja, S. Pedro do Corval, Torrão.
Em toda esta cultura, esta forma de estar e sentir não se pode perder.
É importante cultivar, adubar, cuidar o canto, a poesia, a gastronomia para que perpetue os poejos, as beldroegas, as migas, as açordas de alho, os gaspachos.
Com tudo isto, por tudo isto, a que se juntou a vontade e o querer dos Homens nasceu a AlmaAlentejana - Associação para o Desenvolvimento, Cooperação e Solidariedade Social.
Associação ao serviço do Alentejo, da sua cultura e das suas gentes e aberta a todas as outras gentes.
Foi um acto de amor de bons filhos para com a sua terra, as suas gentes e as suas raízes.
Os primeiros passos, com o Encontro no Café Lorde na Sobreda - O António Policarpo e o Joaquim Avó, em Outubro de 1995; a 1ª Reunião alargada no CIRL em que é formada a Comissão Instaladora. O muito grande jantar na SFUAP. Os Estatutos e a Escritura Pública no 3º Cartório de Almada, em 13 de Abril de 1996 de Constituição da Associação.
Nascia assim oficialmente a AlmaAlentejana.
O próprio nome marcou e marca a riqueza, o sentir, a alma.
Pode-se e deve-se afirmar que a AlmaAlentejana nasceu pela profunda dedicação de um forte e alargado grupo de alentejanos, com um profundo sentimento de cidadania e entrega a objectivos colectivos.

Depois os espaços físicos:
1º passo na Cova da Piedade com a cedência pela Junta de Freguesia do espaço da Biblioteca Juvenil e depois o aluguer da ex-Farmácia Cerqueira e eis o Centro de Convívio.
Depois as primeiras actividades culturais - as visitas ao Alentejo a 1ª Grande Feira do Alentejo na Escola António José Gomes.
A Revista Cultural sai em Maio de 98 e depois o Boletim. Em Junho de 2000 inaugura-se a 1ª Sede e em Março de 2001 abre o Centro de Dia do Laranjeiro e depois não mais parou de elevada relevância social.
Temos que estar todos reconhecidos e gratos à AlmaAlentejana e todos proclamarem e assumirem-se corresponsáveis pelo seu presente e futuro.
Tem uma acção de grande mérito.
Participa em 4 Comissões Sociais Inter-Freguesias
Intervém no Conselho Local de Acção Social e no Grupo Concelhio de Idosos.
Realiza Colóquios, Palestras, Debates, Exposições, Fins-de-semana Alentejanos e anualmente a Grande Feira do Alentejo.
Elabora e edita um Boletim Informativo e uma Revista Cultural.
Promove a Gastronomia e Visitas Culturais.
Acolhe Recitais de Poesia.
Comemoram datas.
Promovem homenagens e Jogos Florais.
Estabelece acordos com a Academia Almadense e a Casa do Povo de Corroios para benefício dos seus associados.
Protocola com a Universidade Sénior de Almada a criação de uma Área de Estudos Alentejanos.
Tem um Grupo Coral Feminino "As Cantadeiras", assim como um Grupo de Sevilhanas e um Grupo de Cavaquinhos.
Tem uma vintena de Funcionárias/Colaboradoras a que se juntam regularmente universitárias estagiárias.
Tem o Centro de Dia do Laranjeiro, o Centro de Convívio da Cova da Piedade, o Centro de Dia do Pragal, o Centro de Convívio da Trafaria de apoio a quase centena e meia de idosos, a que acresce o Serviço de Apoio Domiciliário com vinte utentes.
Gere cerca de quatrocentos mil euros anuais.
E tudo é feito pelos Dirigentes de forma voluntária, com muito amor ao próximo.

Contando sempre, sempre, com o apoio da sua Câmara Municipal e Juntas de Freguesia. Merecem o nosso reconhecimento e se me permitem um apelo - é preciso mais gente a trabalhar.
Juntem-se à direcção, colaborem.
Costuma dizer-se, por mera brincadeira, que os alentejanos até para cantarem se encostam, se amparam.

Pois bem encostem-se à direcção, colaborem e fortifiquem a AlmaAlentejana, espalhem cultura e solidariedade.
Do Alentejo são as raízes que não esquecem, a sua cultura, a planície, os cheiros e os sabores e em Almada sentem-se bem porque foi a casa que os acolheu e que eles também construíram e constroem.
Sei por convivência que os Alentejanos sentem-se bem em Almada porque continuam a ser alentejanos com filhos almadenses.
A Comunidade Almadense constituída essencialmente por migrantes e espaço e tempo de troca de conhecimentos e vivências, concorrentes para a afirmação e valorização da multiculturalidade e o progresso das suas gentes.
É também por isto que Almada é referência regional e nacional e se afirma pujante, protagonista, solidária e fraterna.
Que bom estarmos juntos
E precisamos de continuar juntos.
Sonhando, pulando, construindo solidariamente o presente, o futuro e o futuro do futuro.
Reconhecimento e gratidão à AlmaAlentejana, aos seus Dirigentes, aos seus Associados.
Que viva Almada e as suas Gentes

Salão Lopes Graça do Fórum Romeu Correia, 25 de Outubro de 2009, IX Jogos Florais da AlmaAlentejana - Patrono:

José Manuel Maia

 

 

E-Mail: joraga@netcabo.pt e joraga2000@gmail.com
pelo telefone 212553223 ou pelos Tlm. 917632524
e pelo CORREIO: Rua Almada Negreiros, 48 - 2855-405 CORROIOS.
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