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Boletim nº28 da Alma Alentejana.(Foto JMoutela)
Salão
Lopes Graça do Fórum Romeu Correia, 25 de Outubro
de 2009, IX Jogos Florais de AlmaAlentejana - Patrono - José
Manuel Maia
Com gratidão e reconhecimento
Eu Patrono me confesso como um Lisboeta
Sinto o Alentejo, Observo os Alentejanos e a AlmaAlentejana
Senhoras
e Senhores
Agradeço o vosso carinho e a partilha deste significativo
momento.
A todos cumprimento com enorme gratidão
Reconhecimento particular ao Sr. Presidente da Direcção
António Oliveira, ao Sr. Vice-Presidente Cultural Professor
José Rabaça, aos demais Dirigentes da AlmaAlentejana,
ao Joaquim Avó, ao Júri na pessoa da poetisa
Rosa Dias, aos artistas, maestro José Carita, Ricardo
Fonseca, Célia Dias.
ao Designe Hélio Heitor,
aos Concorrentes aos Prémios Poesia, Quadra, Conto
Reconhecimento e gratidão também a todos vós,
Sras. e Srs. que com a vossa presença engrandecem a
iniciativa e o feito
Uma palavra de apreço para a pintora Teresa Rodrigues
autora da obra que dá rosto ao documento que anuncia
este evento e onde é destacado o Pórtico da
Lisnave. É na verdade um símbolo muito forte,
ainda hoje o é e vai ser monumento de afirmação
operária de Almada e de referência na urbanização
que ali vai nascer.
Para mim são memórias, muitas vivências,
a escola superior, as lutas mil
Subi ao ponto mais alto daquele Pórtico apenas uma
vez, precisamente cerca das 18H00 do dia 25 de Abril de 1974.
De manhã e de tarde estive no Terreiro do Paço
e no Largo do Carmo.
Vim para a Lisnave a meio da tarde pois trabalhava no turno
das 17H20 à 01H00 da manhã.
Período inesquecível, esses dias de Abril, momentos
fantásticos;
Da noite escura e de muros altos do dia 24 de Abril e de uma
madrugada e manhã difusa, cinzenta, duvidosa, hei-nos
a dobrar esquinas e a alcançar o Belo na Praça
Iluminada de Radioso Sol da Liberdade.
Ao Professor José Rabaça - Vice-Presidente da
AlmaAlentejana os meus agradecimentos pelas suas palavras.
O que está dito, dito está!
Faltou-lhe mencionar os defeitos, que tantos seriam que se
escusou.
Quanto ao título de que me investiram, do Patrono dos
IX Jogos Florais, é uma grande honra para mim.
Se é merecido? Permitam que não me pronuncie,
fica à vossa consideração e avaliação.
Certo é que me sinto muito pequenino ao lado dos anteriores
patronos onde se destacam vultos como Bento de Jesus Caraça,
Galopim de Carvalho, Urbano Tavares Rodrigues, Eunice Munoz.
E certamente por este facto, confesso-vos, que me sinto muito
feliz. Não calculais o que me vai dentro. O bater do
coração, a alegria da vivência do momento.
Vaidoso? Sim, mas sem presunção, ostentação
ridícula ou gratuitidade.
Meus amigos.
Quem não gosta de ser reconhecido pelos seus conterrâneos
ou concidadãos?
Quem não gosta de ser apreciado e referenciado pela
sua comunidade?
Eu estou, sinto-me, estou vaidoso!
Não com Soberda, tenho os pés na terra, apercebo-me
da natureza humana, sei que na vida há muito de efémero,
mas sei também se construirmos caminhos, daqueles que
se fazem caminhando, guiados por princípios, causas
e valores humanistas, há muito de duradoiro, que induz
auto-estima, alastra felicidade.
Foi e é este "estado de alma" a causa do
atrevimento para eu, o Lisboeta do Alto do Pina e de S. Jorge
de Arroios, que se sente almadense da Almada do Além
Tejo vir falar do Alentejo e da AlmaAlentejana.
Desculpem-me os alentejanos e os sócios da AlmaAlentejana
É o que eu senti, sinto e observei, observo.
É um contributo para o momento que vivemos.
O Alentejo - a planície, as vistas desafogadas, as
gentes que cativam, a vida agrária, o trabalho, o pão,
a paisagem ondulante que embala a criatividade e apura os
sentimentos.
Os alentejanos e a sua identidade cultural e como interagem
nas comunidades e nas redes de sociabilidade.
Creio que o alentejano sente-se sempre alentejano, mas, e
interessante, também não se sente fora do Alentejo
em Almada, no Seixal, Barreiro ou Moita. Sentem estes territórios,
estas comunidades, como espaços onde podem e devem
continuar a recriar o Alentejo.
Vieram para a Margem Esquerda do Tejo à procura de
uma vida melhor
Eis um, o Domingos Condeças - Operário da Lisnave
e residente em Almada.
"Na minha terra Vale de Vargo ganhava 30 escudos por
10 horas de trabalho num lagar de azeite. Vim para a Lisnave
em 1966 a ganhar 74 escudos dia - Foi um grande salto "
Fala-se em mais 200 mil o número de alentejanos no
Arco Ribeirinho Sul do Tejo.
Espalharam-se concentradamente por toda a Península
de Setúbal e vincaram a sua presença com cantos
e solidariedade.
Pode dizer-se que para onde vão, levam consigo as suas
tradições e contagiam quem os rodeia, a comunidade
em que se integram.
Desde os cantares à gastronomia por todo o lado existem
marcas dos hábitos e sentir alentejanos.
Em Almada serão 30 mil, dizem uns, 60 mil, avaliam
outros, são certamente muitos milhares e mais de 30
mil.
Noto neles, nesses muitos amigos, companheiros e camaradas
alentejanos que embora exista uma linha base na identidade,
na tradição, continuam a ter uma muito forte
ligação à sua própria terra -
à Freguesia, à Vila, à Aldeia, ao Lugar,
ao Monte.
Ou seja, fora do seu espaço habitual, fora da sua "comunidade"
tomam a definição da naturalidade alentejana
pelo todo, mas entre si procuram as afinidades ligadas à
sua própria terra - Vale de Vagos, Serpa, Moura, Amareleja,
S. Pedro do Corval, Torrão.
Em toda esta cultura, esta forma de estar e sentir não
se pode perder.
É importante cultivar, adubar, cuidar o canto, a poesia,
a gastronomia para que perpetue os poejos, as beldroegas,
as migas, as açordas de alho, os gaspachos.
Com tudo isto, por tudo isto, a que se juntou a vontade e
o querer dos Homens nasceu a AlmaAlentejana - Associação
para o Desenvolvimento, Cooperação e Solidariedade
Social.
Associação ao serviço do Alentejo, da
sua cultura e das suas gentes e aberta a todas as outras gentes.
Foi um acto de amor de bons filhos para com a sua terra, as
suas gentes e as suas raízes.
Os primeiros passos, com o Encontro no Café Lorde na
Sobreda - O António Policarpo e o Joaquim Avó,
em Outubro de 1995; a 1ª Reunião alargada no CIRL
em que é formada a Comissão Instaladora. O muito
grande jantar na SFUAP. Os Estatutos e a Escritura Pública
no 3º Cartório de Almada, em 13 de Abril de 1996
de Constituição da Associação.
Nascia assim oficialmente a AlmaAlentejana.
O próprio nome marcou e marca a riqueza, o sentir,
a alma.
Pode-se e deve-se afirmar que a AlmaAlentejana nasceu pela
profunda dedicação de um forte e alargado grupo
de alentejanos, com um profundo sentimento de cidadania e
entrega a objectivos colectivos.
Depois
os espaços físicos:
1º passo na Cova da Piedade com a cedência pela
Junta de Freguesia do espaço da Biblioteca Juvenil
e depois o aluguer da ex-Farmácia Cerqueira e eis o
Centro de Convívio.
Depois as primeiras actividades culturais - as visitas ao
Alentejo a 1ª Grande Feira do Alentejo na Escola António
José Gomes.
A Revista Cultural sai em Maio de 98 e depois o Boletim. Em
Junho de 2000 inaugura-se a 1ª Sede e em Março
de 2001 abre o Centro de Dia do Laranjeiro e depois não
mais parou de elevada relevância social.
Temos que estar todos reconhecidos e gratos à AlmaAlentejana
e todos proclamarem e assumirem-se corresponsáveis
pelo seu presente e futuro.
Tem uma acção de grande mérito.
Participa em 4 Comissões Sociais Inter-Freguesias
Intervém no Conselho Local de Acção Social
e no Grupo Concelhio de Idosos.
Realiza Colóquios, Palestras, Debates, Exposições,
Fins-de-semana Alentejanos e anualmente a Grande Feira do
Alentejo.
Elabora e edita um Boletim Informativo e uma Revista Cultural.
Promove a Gastronomia e Visitas Culturais.
Acolhe Recitais de Poesia.
Comemoram datas.
Promovem homenagens e Jogos Florais.
Estabelece acordos com a Academia Almadense e a Casa do Povo
de Corroios para benefício dos seus associados.
Protocola com a Universidade Sénior de Almada a criação
de uma Área de Estudos Alentejanos.
Tem um Grupo Coral Feminino "As Cantadeiras", assim
como um Grupo de Sevilhanas e um Grupo de Cavaquinhos.
Tem uma vintena de Funcionárias/Colaboradoras a que
se juntam regularmente universitárias estagiárias.
Tem o Centro de Dia do Laranjeiro, o Centro de Convívio
da Cova da Piedade, o Centro de Dia do Pragal, o Centro de
Convívio da Trafaria de apoio a quase centena e meia
de idosos, a que acresce o Serviço de Apoio Domiciliário
com vinte utentes.
Gere cerca de quatrocentos mil euros anuais.
E tudo é feito pelos Dirigentes de forma voluntária,
com muito amor ao próximo.
Contando
sempre, sempre, com o apoio da sua Câmara Municipal
e Juntas de Freguesia. Merecem o nosso reconhecimento e se
me permitem um apelo - é preciso mais gente a trabalhar.
Juntem-se à direcção, colaborem.
Costuma dizer-se, por mera brincadeira, que os alentejanos
até para cantarem se encostam, se amparam.
Pois
bem encostem-se à direcção, colaborem
e fortifiquem a AlmaAlentejana, espalhem cultura e solidariedade.
Do Alentejo são as raízes que não esquecem,
a sua cultura, a planície, os cheiros e os sabores
e em Almada sentem-se bem porque foi a casa que os acolheu
e que eles também construíram e constroem.
Sei por convivência que os Alentejanos sentem-se bem
em Almada porque continuam a ser alentejanos com filhos almadenses.
A Comunidade Almadense constituída essencialmente por
migrantes e espaço e tempo de troca de conhecimentos
e vivências, concorrentes para a afirmação
e valorização da multiculturalidade e o progresso
das suas gentes.
É também por isto que Almada é referência
regional e nacional e se afirma pujante, protagonista, solidária
e fraterna.
Que bom estarmos juntos
E precisamos de continuar juntos.
Sonhando, pulando, construindo solidariamente o presente,
o futuro e o futuro do futuro.
Reconhecimento e gratidão à AlmaAlentejana,
aos seus Dirigentes, aos seus Associados.
Que viva Almada e as suas Gentes
Salão
Lopes Graça do Fórum Romeu Correia, 25 de Outubro
de 2009, IX Jogos Florais da AlmaAlentejana - Patrono:
José
Manuel Maia

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