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— Aos dezoito anos começa a dar aulas em Almada, podemos,
portanto, considerar essa data como o ponto de referência
à sua ligação e vivência neste município?
— É verdade. A partir dessa altura venho ensinar para Almada,
como Mestre de Trabalhos Manuais, hoje chamado 2º ciclo, sendo
na época as chamadas Escolas Preparatórias, onde mantive um
excelente contacto com o professor David Lopes, permitindo-se
estabelecer os primeiros contactos com a realidade do ensino
e com Almada.
Foi com ele que visitei algumas colectividades, como a Incrível,
Academia, a S.F.U.A.P., as Cooperativas Almadense e Piedense.
Era de facto, uma personalidade de grande cariz antifascista,
marcando-me profundamente e abrindo todas as condições para
o gosto de Almada e sentir-me de certa forma incluído no seu
movimento trabalhador e associativo.
— Quando, em 1967, vai para a Guerra Colonial, já é possuidor
de uma consistência política bem definida. Nunca pensou fugir
ao cumprimento da imposição de lutar por uma causa que a maioria
dos portugueses não concordava?
— Foi realmente um tempo da minha vida muito difícil, de
muitas contradições e de muito pensar. Acredite Artur Vaz
e falo-lhe sinceramente. Primeiramente tentei livrar-me através
do hospital, ainda tive algum tempo com baixa no Hospital
Militar da Estrela, tentando não voltar ao serviço militar,
mas não consegui.
Por outro lado, ainda se criou condições por intermédio de
alguns amigos para a minha saída de Portugal No entanto, pesou
muito as condições familiares e em particular de minha mãe.
Na altura vivia sozinha e pediu-me que não fizesse isso, porque
eu era filho único. Acabei por embarcar para Africa, mas digo-lhe,
sem qualquer complexo, que foi também uma grande experiência
na minha vida e aprendi muito. Direi que não tenho grandes
problemas de consciência, no ponto de vista de Guerra Colonial,
embora tenha passado momentos muito difíceis. Contactei com
a morte muito de perto, vi camaradas a morrerem, no entanto,
foi um tempo de grande solidariedade entre todos, incentivando
coragem e ânimo nos momentos mais duros, procurando, acima
de tudo, estabelecer uma união e ajuda mútua.
— No entanto, a guerra colonial deixou grandes traumas e
certamente nesse tempo houve algum episódio que o sensibilizou.
— Sim. Lembro-me que um dia fui chamado para socorrer uma
viatura emboscada, acerca de 20 quilómetros do aquartelamento onde estava.
Nela seguiam três pessoas que faziam parte da assistência
médica, eram um branco e dois negros que estavam com as pernas
esfaceladas, em virtude de terem sido apanhados por uma mina.
Trouxemo-los para o aquartelamento afim de lhes prestar os
primeiros socorros e, por incrível que pareça, aqueles homens
passaram a noite toda a cantar tentando enganar a dor. Isso
demonstra o sofrimento destes e de muitos outros, de uma guerra
injusta como são todas as guerras.
— Depois da Guerra entra, em 1971, nos quadros da Lisnave,
como operário, mais tarde especializado. Passados poucos anos
dá-se a revolução de Abril, que instaurou a democracia. Como
é que viveu esse inesquecível dia como operário e como cidadão?
— Sabe, a minha entrada na Lisnave é interessante, pois,
ela deve-se ao seguinte factor. Eu venho do Serviço Militar
e tenho três hipóteses de entrar no mundo do trabalho: continuar
a dar aulas em Almada na Escola António da Costa, ir para
a Central de Cervejas ou para a Lisnave. Na Lisnave com as
horas extras o salário era maior e também por outra razão,
que pesou bastante, foi uma certa ansiedade em contactar com
a classe operária, meio praticamente desconhecido, mas que
galvanizava. Assim, juntando o útil ao agradável, acabei por
entrar para a Lisnave. Devo dizer, sem qualquer exagero, que
representou uma grande escola para mim. Sabe, foi como que
o encontro com a essência do verdadeiro conceito de classe
operária. Ali estava o espírito de classe, de luta pelos ideais
de justiça e de liberdade.
Sobre o dia 25 de Abril, devo dizer que vivi de uma forma
inesquecível, com lágrimas nos olhos, com sorrisos, com uma
grande fraternidade e acima de tudo com aquela sensação que
está vamos prontos para encetar um processo colectivo de transformação
em Portugal, no sentido de se instaurar um regime verdadeiramente
democrático e de liberdade, envolvido numa grande participação
popular.
— Foi na Lisnave, com esse contacto com a classe operária,
que o motivou a uma maior continuidade na intervenção politica?
— É verdade, sabe, eu comecei muito cedo a despertar, a interessar-me
pela política. Aliás, devo dizer que foi através de um homem
que era encarregado da ferraria da Lisnave, na Rocha de Conde
Óbidos, em Lisboa, que me incitou a ouvir à noite as emissões
das rádios Argélia e Moscovo. Com um certo ideal anarquista,
ele era muito paciente no ponto de vista da explicação política.
Outra consequência foi a minha participação num grupo de jovens
com perspectivas ideológicas de esquerda que paravam em Lisboa,
na zona do Areeiro, nos cafés Paço Alentejano e nas Pastelarias
S. João e Todi, estabelecimentos muito frequentados por estudantes
do Instituto Superior Técnico.
Esse grupo era constituído por jovens mais velhos que eu,
aliás, eu nessa altura tinha quinze anos, (1960) era portanto
o mais novo. Outra coisa também muito interessante, no aspecto
de conviver com a realidade social e económica do país dessa
altura, foi a minha entrada num gabinete de estudos económicos,
(1962 / 1963) fazendo inquéritos deporta aporta. Os inquéritos
permitiam questionar as pessoas de quanto ganhavam, quantos
filhos tinham, como viviam, qual o tipo de habitação, enfim,
toda uma série de contactos com as mais diversificadas classes
sociais, desde a criada que chamava a senhora para responder
ao inquérito à simples dona de casa, mãe de inúmeros filhos
descalços, onde a pobreza e a miséria eram uma realidade constante.
A par disto tudo, tinha também a minha vida familiar, de origem
rural e pobre, pois a minha mãe era vendedeira de hortaliça
no mercado Forno Tijolo e mais tarde de Arroios, trabalhando
doze horas seguidas para arranjar uns magros dinheiros. Foi,
sem dúvida, todas estas vivências, que me deram a conhecer
as grandes clivagens que havia na sociedade, onde uns tinham
tudo, enquanto que os outros não tinham nada.
— Já como deputado, na Assembleia da República, numa entrevista
dada por si a um semanário, em 1992, dizia que “Pena é que
a Assembleia seja surda ao que se passa à sua volta”. Decorridos
todos estes anos e agora já não fazendo parte da Assembleia
ainda tem a mesma opinião?
— Em primeiro lugar deixe dizer o seguinte: eu tive mais
de vinte anos na Assembleia da República e tem sido sempre
minha conduta tirar o máximo de saber e experiências dos órgãos
políticos onde intervenho e, de facto, minha passagem por
esse epicentro da democracia foi, sem dúvida, uma grande experiência
da minha vida.
No entanto considero que a Assembleia da República ainda
não corresponde à sua verdadeira função como órgão representativo
de todos os portugueses, sendo ainda, muitas vezes, surda
ao que se passa à sua volta. E quando eu digo que é surda,
é porque ela continua governamentalizada, ou seja, os governos
continuam a abafar a Assembleia, deixando para segundo lugar
o debate das grandes questões com os representantes de todo
o povo português. Por outro lado, o prestigio da Assembleia
defende-se quando se aprovam leis justas e que tenham como
o principal objectivo o bem estar de todo o povo, ora o que
agente vê, na maioria das vezes, é que são aprovadas leis
que, no ponto de vista de sua justiça, deixam muito a desejar,
principalmente, aqueles que são os mais desfavorecidos. Por
vezes, na Assembleia discute-se o ‘sexo dos anjos’ em vez
de se dar atenção aos reais problemas e carências do próprio
povo, dos trabalhadores.
‑ Não acha que as razões e motivos para a defesa dos
interesses do círculo que elegem um deputado são por vezes
esquecidas, ou melhor, preteridas pelos eleitos, quando se
sentam na bancada da Assembleia, em defesa de uma politica
mais centralista do que regional?
‑ Existe verdade na questão que me coloca, embora o
deputado não seja somente um deputado do seu distrito, mas
sim da nação — é um deputado da República. Agora o que não
se admite é que, independentemente disso e até por isso mesmo,
os deputados esqueçam os problemas do círculo onde foram eleitos.
Eu defendo que o deputado deve prestar contas no seu distrito,
deve incentivar a participação dos eleitores, deve informar
sobre o trabalho que desenvolve, aliás, foi sempre assim que
procedi cumprindo uma orientação de sempre do meu Partido
e do meu Grupo Parlamentar. Assim deve ser a intervenção de
um deputado, num regime democrático. Porque toda a classe
política, desde o simples Presidente de Junta de Freguesia,
passando pelo Primeiro Ministro até ao Presidente da República,
são acima de tudo servidores públicos, essa é, para mim, o
cerne da questão.
— José Manuel Maia como vê, presentemente, o distrito de
Setúbal. Ainda comunga da opinião que o seu crescimento económico
não significa desenvolvimento?
— Na verdade, o crescimento económico é uma condição necessária,
mas não a suficiente para haver desenvolvimento. Para haver
desenvolvimento tem que haver crescimento económico, mas só
por si o crescimento económico não traduz a desenvolvimento.
Atente-se no que respeita á evolução do tecido económico distrital,
tal como o nacional, e das condições de vida dos portugueses,
que o crescimento económico não foi suficiente para garantir
o desenvolvimento harmonioso da economia e da sociedade e,
em especial, não foi capaz de pôr fim às desigualdades económicas
e sociais existentes. Ao contrário estas agravavam-se ao mesmo
tempo que aumenta a dependência do exterior como comprova
o défice da balança de transacções correntes - cada vez produzimos
menos. Como sabe Artur Vaz o desenvolvimento tem várias vertentes,
como político, o económico, o cultural, o ambiental e o social.
Ou seja, um desenvolvimento ao serviço do Homem — um desenvolvimento
humanizado que contribua para elevar o nível e qualidade de
vida dos trabalhadores e das populações, contribuindo para
o fim das desigualdades sociais e económicas.
Ora no caso concreto do distrito de Setúbal, tem sido prejudicado
fortemente pela falta ou com o tipo de investimentos do Poder
Central. Por exemplo o não financiamento das estações de tratamento
de águas residuais importantíssimas para o ambiente. Direi
mesmo que existe uma política no sentido de atrasar a resolução
dos inúmeros problemas existentes e de alguma maneira deixar
para segundo plano o aproveitamento das riquezas e dos recursos
e potencialidades da nossa região. Citarei como exemplo o
investimento industrial que continua a concentrar-se num núcleo
reduzido de actividades (quase tudo é canalizado para a indústria
dos transportes — a industria automóvel — se vem uma crise,
que é cíclica, lá vai tudo por “água abaixo” ao mesmo tempo
que se assiste ao declínio e crise de muitas outras indústrias
onde temos mão de obra altamente especializada como é por
exemplo os casos das indústrias naval, siderúrgica, corticeira
e química. A agricultura e as pescas continuam em enfraquecimento
acelerado; o sector de serviços, embora registe uma evolução,
continua a não dar a resposta necessária ás solicitações de
algumas das novas unidades industriais surgidas e assim como
de serviços de proximidades às populações — continua tudo
muito concentrado em Lisboa. Em consequência,
continua uma elevada taxa de desemprego, mantém-se os baixos
salários e intensificam-se as situações de trabalho precário
e de desrespeito pelos direitos dos trabalhadores, pelo que
crescem as manchas de pobreza e a marginalização de camadas
sociais, aumenta a delinquência a criminalidade.
Outra grande falha no desenvolvimento económico é, sem dúvida,
o desaproveitamento das nossas potencialidades. Somos por
natureza uma região de potencial para dar aos turistas algo
de muito rico e diversificado e estou certo que teríamos,
com uma política de forte incentivo nesta área, um sector
âncora do desenvolvimento económico.
Mas torna-se necessário a promoção, valoração e requalificação
das áreas de aptidão turística e do turismo com o aproveitamento
sustentável das enormes riquezas paisagísticas, patrimoniais,
ambientais, culturais, gastronómicas, das áreas ribeirinhas,
da frente litoral atlântica e do interior.
O distrito para o verdadeiro desenvolvimento exige a diversificação
e coerência da estrutura produtiva, a sua especialização equilibrada
pelo conjunto de território com respeito pelo equilíbrio ecológico
e ambiental— uma outra e nova política.
— Ainda ligada ao aproveitamento turístico, bem há pouco
tempo, toda a zona ribeirinha e frente atlântica de Almada
foi motivo de reconversão e qualificação, sendo, por esse
facto, recentemente estabelecido um acordo entre a Câmara
e o Governo com vista à criação de uma sociedade anónima de
capitais públicos, afim de se concretizar o projecto. Pode-nos
desvendar um pouco sobre tão importante investimento?
— Almada tem duas zonas importantes e de grandes potencialidades
para o turismo e lazer. A zona ribeirinha que vai desde Cacilhas
— Ginjal e Almada Velha até ao Porto Brandão e Trafaria e
a zona da Costa Atlântica que desde a Trafaria se desenvolve
pelas praias, matas, arribas e a urbe da Costa de Caparica
até à Fonte da Telha. Relativamente à área ribeirinha cujo
programa está em franco desenvolvimento, o objectivo é potenciar
a desenvolvimento sustentável da Cidade de Almada enquanto
centralidade metropolitana, revitalizando o relacionamento
urbano com o estuário do Tejo, em parceria com agentes do
desenvolvimento — entidades públicas e privadas, empresas
e instituições — em acções e projectos variados para o património
cultural e natural o lazer e o turismo, a animação urbana,
a formação profissional e o emprego. Todas estas iniciativas
integram-se no denominado projecto “NOVALMADAVELHA” onde a
obra avança — as habitações continuam a serem recuperadas
e alindadas, estudam-se novas áreas, o elevador panorâmico
da Boca do Vento está pronto, o jardim do rio já floresce,
a Fonte da Pipa e o Espelho de Água estão prontos, o Jardim
Botânico “Chão das Artes” constrói-se a bom ritmo, o Museu
do Sítio abre brevemente, a Quinta do Almara foi adquirida
pela Câmara Municipal e constituirá um pólo importante de
estudo da nossa história mas também de usufruto da população,
o ninho de empresas está a ser implementado, o passeio ribeirinho
de Cacilhas ao Olho Boi e o caís flutuante para os táxis do
rio constituirá um espaço óptimo de fomento de actividades
de recreio, lazer e restauração, animação urbana está a ser
realizada e será reforçada — o que proporciona a esta zona
ribeirinha uma área valorizada e requalificada, renovada e
desenvolvida e com o Tejo a chegar ao coração de Almada.
Quanto à Costa Atlântica é já hoje, com as suas praias, matas,
arriba fóssil, hotéis, campos de golfe e outros equipamentos,
uma importante oferta turística e de lazer. No entanto muito
há a fazer nesta zona privilegiada pela natureza e com enormes
potencialidades, pelo que o Município e em particular a Câmara
Municipal além da abra realizada em que se destaca a Alameda
Atlântica e ultimamente o lançamento da Estação de Tratamento
de Águas Residuais do Portinho da Casta e da drenagem de águas
da Bacia de Vale Cavala permitindo um saneamento de qualidade
das praias e da Vila, tem vindo, desde há muitos anos a apresentar
propostas e a dialogar com a Administração Central realizando-se
mais de sessenta reuniões nos últimos seis anos, tendo em
conta que o Estado é proprietário de 60% do território e tem
jurisdição em 80%. Foi neste quadro ele preocupações e propostas
que em 1998, a Câmara Municipal
apresentou ao Governo o “‘Pacto para o Desenvolvimento Turístico
de Almada Costa de Caparica” na sequência do qual apareceu
a “COSTA GEST”, empresa de capitais públicos, e ultimamente
a integração no Programa Polis para a renovação urbana e valorização
ambiental da Costa de Caparica, uma parceria entre a Administração
Central e as Autarquias Locais que, esperamos, dará frutos
no ano 2000.
Há assim excelentes condições para um futuro risonho e harmonioso
da Costa de Caparica. Ainda por iniciativa autárquica está
em constituição uma Agência de Desenvolvimento Local que tem
por objecto contribuir para o desenvolvimento integrado da
frente Atlântica do Concelho enquanto área privilegiada para
o Turismo, Recreio e Lazer no contexto local regional e nacional,
reforçando o papel do eixo Costa de Caparica / Trafaria e
a sua centralidade metropolitana especializada, através de
iniciativas, acções e projectos que envolvam os agentes públicos
e privados, empresariais e sociais, em domínios vários, com
particular incidência no património natural e paisagístico,
no turismo, no recreio e no lazer, na animação desportiva,
recreativa e cultural, na formação profissional, no emprego
e na divulgação e marketing.
— Portanto a razão de Almada estar muito perto de Lisboa
e de ser, por vezes, considerado um dos seus dormitórios,
não representa um tampão ao seu desenvolvimento e crescimento
social.
— Não. Já é tempo de se acabar com a falsa ideia de Almada
ser um centro periférico de Lisboa, um dormitório, e que alguns
poucos chegam a dizer não ter vida própria. Aliás, existe
um dado concreto, que prova a sua identidade, as suas origens
culturais, a sua história. Almada sempre foi, mesmo antes
do 25 de Abril, um pólo importantíssimo do ponto de vista
cultural e democrático. Almada sempre teve vida própria, nunca
foi um apêndice de Lisboa. Agora existe, de facto, uma complementaridade
entre ambas as cidades, como em relação ao Seixal.
Atente-se na realidade concelhia. Ao nível desportivo, por
exemplo, somos apontados pelos organismos do sector a nível
nacional, como uma das capitais do desporto nacional — temos
uma rede de infra-estruturas composta por doze pavilhões gimnodesportivos
e uma pista de atletismo em tartan, piscinas, entre as quais
uma com dimensões olímpicas na Costa de Caparica, do Inatel,
campos de ténis e diversas realizações de carácter internacional
no surf, andebol, basquetebol, etc.
Temos milhares de praticantes nas variadíssimas modalidades
de ginástica e campeões. Estamos a preparar as condições para
Almada vir a ter o seu Estádio Municipal, um centro Internacional
de Surf e Um Centro de Estágio Desportivo.
A nível da educação e ensino, temos mais de sessenta estabelecimentos
de ensino básico e secundário e cerca de doze mil alunos universitários
distribuídos pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade
Nova de Lisboa, pelo Instituto Superior Jean Piaget, pelo
Instituto Superior de Ciências da Saúde e pela Escola Naval.
Acresce ainda a UNINOVA — Instituto Específico para a área
da investigação e desenvolvimento e em fase de instalação
do Maden Parque — Parque da Ciência e Tecnologia onde já se
encontram várias empresas e que certamente induzirá um novo
tecido empresarial mais dinâmico, empenhado e qualificado.
Culturalmente Almada não passa despercebida. E um centro
importante de criação, produção e fruição cultural sobretudo
ao nível do teatro, da música e das artes plásticas. Os eventos
de nível nacional e ate internacional multiplicam-se. Temos
a prestigiada Companhia de Teatro de Almada residente no Concelho
e o prestigiado Festival Internacional de Teatro, a que se
juntam três grupos profissionais e uma dúzia de grupos amadores.
Na música além da grande referência que é o Festival de Música
dos Capuchos, florescem quatro bandas filarmónicas, mais de
cem “bandas de garagens” e a Escola Regional de Música. Na
dança Almada tem já a sua Companhia Profissional. Dispomos
de um movimento associativo com grande dinamismo e pujança
desportiva e cultural, com várias Colectividades centenárias,
no campo cultural se destacam a Imargem, a SCALA, a Associação
Manuel da Fonseca. Temos equipamentos culturais de nível superior
como o Centro de Arte Contemporânea — Palácio da Cerca, a
Galeria Municipal de Arte, a Oficina da Cultura, o Centro
Cultural do Solar dos Zagallos, o Teatro Municipal e dentro
de pouco mais de um ano o novo Teatro, o Fórum Romeu Coreia
e Biblioteca Municipal Central.
A par desta grande dinâmica e provando a vida própria do
Concelho os últimos dados estatísticos nacionais referem que
trabalham em Almada, 55% da sua população activa.
Em suma o concelho de Almada afirma-se, no contexto das Cidades
Portuguesas, empreendedor, pujante, protagonista e solidário.
— Como última questão nesta nossa agradável conversa, gostaria
que me respondesse: Se lhe fosse posta a questão, em liderar
a lista da CDU, nas próximas eleições autárquicas, como candidato
à presidência do município de Almada, aceitaria?
‑ Com toda a franqueza, Artur Vaz devo-lhe dizer que
uma pessoa deve ter algum cuidado e dizer que “daquela água
não beberei, porque de vez em quando há secas e um dia temos
que dela beber”. No entanto, no caso concreto de Almada existe
uma grande equipe, composta por pessoas que, certamente, com
algumas deficiências, porque são seres humanos, tem tido ao
longo dos anos uma intervenção de grande brio e dinâmica em
prol do desenvolvimento de Almada, liderada por uma pessoa
de grande protagonismo, humanidade e amor ao Concelho.
— Pensa que não possui protagonismo para liderar a autarquia?
— Não é isso. Cada um deve reconhecer as suas aptidões
e limitações e eu penso que sou um homem mais virado para
os deliberativos, para o debate de ideias e menos para a área
do executivo. Eu tenho grandes dificuldades em dizer não e
quem está num executivo tem que dizer muitas vezes sim, mas
algumas vezes tem que dizer não. Considero-me mais preparado
para a procura de consensos, perspectivas estratégicas. Deforma
inequívoca lhe digo que não sou candidato à presidência da
autarquia municipal executiva.
— Podemos então e segundo as suas palavras, considerá-lo
um homem certo num lugar certo?
— De certa forma sim. No quadro da Assembleia Municipal,
penso que tenho desempenhado o mandato de uma forma razoável,
dentro das minhas possibilidades e limitações, com deficiências
e também com erros, mas sempre procurando intervir e contribuir
para o desenvolvimento do Concelho e na qualidade de vida
da população. Mas por concepção da cidadania considero que
o trabalho individual é importante, mas acima de tudo conta
a acção colectiva — a grandiosa volta, o grande salto de progresso
operado no Concelho de Almada nestes vinte e cinco anos de
Sol de Abril representa um esforço generoso e um empenhamento
profundo na causa e no bem público dos eleitos, de todos os
eleitos nas Assembleias e Juntas de Freguesias, na Câmara
e Assembleia Municipal, mas também de muitos milhares cidadãos.
Foram todos, em conjunto que transformaram o Concelho num
espaço humanizado, de progresso e desenvolvimento, de liberdade,
e onde cada vez dá mais gosto viver.
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