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MÉRTOLA
AS
VOZES DO SILÊNCIO
POR
JOSEPHUS - O ESTURJÃO mais conhecido por SOLHO
As
"PEDRAS" os "CACOS" e os "TRAPOS"
também FALAM...
mas
os NOMES as VOZES e as FALAS
FALAM
MAIS, ou talvez não?
do
que as PEDRAS, os CACOS e os TRAPOS
«Proteger
as tradições artesanais é também impedir
que a nossa escola continue a insultar aqueles a quem chama "analfabetos"
corrigindo e deturpando o seu falar, o seu gosto e a sua cultura
para impor o modelo dominante de Lisboa - Cascais.»
Claúdio
Torres in PALAVRAS PRÉVIAS - MANTAS TRADICIONAIS DO BAIXO
ALENTEJO - Ângela Luzia, Isabel Magalhães, Claúdio
Torres - Caderno N.º 1 - Campo Arqueológico de Mértola
- Edição da CM Mértola - 1984
Mértola
"oppidum veteris" a que os fenícios deram o nome
de MYRTILIS - a NOVA TIRO "porque aqui se homiziaram alguns
fenícios, quando Alexandre Magno invadiu a cidade de Tiro...
importante
porto de inúmeras transações de riquezas e
importante encruzilhada de estradas por onde passaram tantos Povos
e Culturas - «... por aqui passaram fenícios,
cartagineses, suevos, visigodos, romanos e árabes... »
- para além das "pedras", dos "cacos"
e dos "trapos" que, tão meritoriamente, o Campo
Arqueológico de Mértola
e os seus Arqueólogos têm posto a FALAR, queremos deixar
AQUI um apanhado possível das FALAS... dos NOMES... das "coisas",
dos lugares - toponímia - das PESSOAS - apelidos e alcunhas
- das
Lendas e
dos Contos,
das
FALAS mesmo, como expressões
características e Anedotas,
Quadras e Cantigas e Décimas, como o Cante e suas Modas...
Claro
que não é um trabalho para ser feito do exterior para
o interior. Tem de ser feito por gente de lá, que lá
vive e sente. Como não encontrei o que esperava, decidi sugerir
e investigar o que estava ao meu alcance.
O
que e MÉRTOLA HOJE?
Quais
as suas ORIGENS?
Qual
o seu percurso milenar que lhe define uma identidade?
Que
explicações para, de encruzilhada de vias de comunicação
fluviais e terrestres... e de gentes as mais díspares, chegar
a um número de habitantes reduzido e numa luta ingente para
fugir ao isolamento a que estava condenada?...
O
que há a fazer para além do muito e bom que está
a ser feito?
...
«Mértola
é uma povoação muito antiga.
Foi utilizada como porto fluvial do tráfego mediterrânico,
pelo menos, desde o ano 1000 a. C.
A existência do Guadiana deve ter sido a principal razão
para que os pescadores se fixassem nas sua margens, no local da
actual vila velha, pela riqueza das suas águas e espécies
piscícolas, aliada ao facto de o rio constituir uma ligação
com o mar e funcionar como abrigo interior.
As redes de trocas que se estabeleceram entre os séculos
XIV e VII a.C., assentes na extracção mineira devido
à riqueza existente nos solos xistosos: chumbo, ferro, e
quantidades apreciáveis de ouro e prata.
Aqui fixaram-se fenícios, cartagineses, suevos, visigodos,
romanos (altura em que se surge o topónimo de Myrtilis) e
árabes.»
vide
in Alentejo Digital - Concelho de Mértola
Aspectos
a desenvolver:
1.
Nome & Nomes - a NOMINALIA - Uma LENDA com
ligação à mitologia Greco latina
-
O nome
"Alentejo" e a marca de colonização (Ver
José Matoso - aspecto histórico e José Rabaça
- aspecto linguístico)
1.1
- nomes que Mértola teve e palavras ligadas a Mértola
1.2
Nomes de Freguesias & Lugares...
1.3
Apelidos e Nomes mais significativos...
2.
As LENDAS & os CONTOS...
3.
ANEDOTAS & outras FALAS....
4.
POESIA: QUADRAS - CANTIGAS & DÉCIMAS
5.
RIMANCES - ORAÇÕES...
6.
o CANTE - MODAS & os GRUPOS CORAIS...
7.
a BIBLIOGRAFIA
...
Sugestão
- a criação de um pólo ou Centro de Documentação,
Investigação e Divulgação activa e interventiva(CDIDAI)-
MÉRTOLA
MÉRTOLA
- AS VOZES DO SILÊNCIO...
A
Tradição Oral como MARCA indelével na Identidade
de um Povo
Este
trabalho pretende apresentar algumas reflexões a partir de
uma diversificada recolha de várias manifestações
da TRADIÇÃO ORAL e da LITERATURA POPULAR com a finalidade
de propor a implementação de um CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO
- INVESTIGAÇÃO e CONVÍVIO, que torne visível
e mais interventivo aquilo que de si já é evidente...a
marca da Tradição e da Oralidade como SINAL - SIGNO
- SÍMBOLO E MOSTRA da
AMÁLGAMA resultante da fusão de tantas Gentes e Culturas
que se cruzaram e fixaram neste espaço privilegiado nascido
no deserto árido do Alentejo, mas entre-ambas-as-águas
e com ligação ao grande mar... senhora de riquezas
invulgares em paisagem fauna e flora diversificada, agrícola
e piscatória ao mesmo tempo, detentora de vasta riqueza mineral,
confluência de rotas estratégicas por terra e água...
e
agora parece fora e esquecida dos grandes centros de decisão
e do comércio...
afinal,
o que resultou desta ALQUIMIA milenar, lenta, aglutinadora e talvez
devastadora de tantos que deixaram tantas marcas e que desde 1979,
meritória e em profundidade nos tem sido mostrada pelos trabalhos
desenvolvidos e apresentados pelos diversos núcleos museológicos
e Monumentos que o Campo Arqueológico de Mértola desde
Serrão Martins e Cláudio Torres que souberam juntar
uma vasta equipa de técnicos e cientistas avalisados?
A
LÍNGUA... A FALA...
«Expressão
da consciência de uma colectividade, a LÍNGUA é
o meio por que ela concebe o mundo que a cerca e sobre ele aje.
Utilização social da faculdade da linguagem, criação
da sociedade, não pode ser imutável; ao contrário,
tem de viver em perpétua evolução, paralela
à do organismo social que a criou.» in Gramática
do Português Contemporâneo, de Celso Cunha & Lindley
Cintra, Ed. João Sá da Costa, Lx., 1985...
«O
que perturba e alarma o homem não são as coisas, mas
as suas opiniões e fantasias acerca das coisas.»
Epicteto
Epicteto
- Filósofo estóico grego (c. 50 a 138). Escravo em
Roma, depois de libertado ensinou Filosofia. Na sua doutrina predominam
as preocupações éticas. Considerando o homem
como um rebento ou parte da divindade, diz ser o seu maior dever
tomar todos os acontecimentos da vida como serviço e testemunho
de obediência prestada a Deus.
In Enciclopédia Fundamental Verbo.
Ver citação in ANTROPOLOGIA DO SIMBÓLICO, Mesquitela
Lima, Editorial Presença, L.da ,Porto, 1983....
Se
as PEDRAS, os CACOS, os TRAPOS, os RESTOS e os MONUMENTOS
FALAM...
onde
é que isso se reflecte e mostra? nas
FALAS
das GENTAS
nos
NOMES dos Lugares, das Coisas e das Pessoas
nas
HISTÒRIAS CONTOS e LENDAS
nas
ANEDOTAS, CANTILENAS LENGALENGAS PROVÉRBIOS E ADÁGIOS...
na
POESIA, QUADRAS E DÉCIMAS...
no
seu CANTE e nas suas MODAS...
no
que comem e bebem e no nome que dão às coisas
"Não
são as coisas que metem medo aos homens; são os Nomes
que os Homens dão às coisas." adaptado de Epicteto...
Quer
dizer: não são as coisas que têm, em si, um
significado e simbolismo directo para as Pessoas; as Pessoas é
que decidiram e decidem o que é que as "coisas"
significam ou simbilizam para elas, na medida em quelhes dão
um NOME, para de certa maneira se assenhorearem delas ou para conviveram
com elas, .
Donde
viemos?
Quem somos? Onde estamos?
Para
onde vamos?
Donde
e como nasceu MÉRTOLA?
Que
Terra é esta de MÉRTOLA e que Gentes a povoam?
Que
Futuro?
Talvez
por isso, decidimos arriscar um primeiro texto que nos permita assistir
ao nascimento de Mértola
Talvez
não seja difícil imaginar, pelos diversos testemunhos
diversificados que nos chegam, um grupo de fenícios, que
aqui chega à procura de comércio e abrigo (entre
eles um belo príncipe - POLÍPIO, que se veio a apaixonar
por SERPÍNEA, filha de CÓFILAS, o rei dos túrdulos,
que fugídos do Leste se tinham fixado mais acima no Rio ANA,
na zona que depois foi SERPE) para fugirem de TIRO conquistada
por Alexandre Magno, aportarem aqui neste porto com ligação
ao mar, olhar este monte alcantilado entre-ambas-as-águas
e evocarem as fábulas e lendas que povoavam a sua imaginação
e verem ali a PEDRA HÚMIDA donde correm dois rios de lágrimas
por toda a eternidade em que NIOBE, a filha de TÂNTALO e irmã
de PÉLOPE, o assassino de MIRTILIS, se transformou, como
castigo do seu insulto a LETO a MÃE de APOLO e ARTEMISA (DIANA)
venerada e adorada no seu templo de TEBAS!??? e decidem chamar-lhe
a NOVA TIRO?, com o nome de MYRTILIS em honra de sua Mãe
MIRTO ou Vénus? que tem o MIRTO como árvore símbolo?!
Ver:
Serpínea, Princesa Feliz - in Arquivos de
Serpa de João Cabral, 197. pp. 165 - 167
Quem
sabe se, os fenícios ali chegados, perante a visão
deste morro que se ergue subitamente na curva do rio, onde chegam
as marés do grande mar, e onde vai desaguar a ribeira que
rodeia o monte, não teriam pensado inicialmente em chamar-lhe
Niobe ou Níobe? Como se chamaria hoje Mértola? Como
se chamariam os Mertolenses? Teriam as mesmas características,
ou teriam arcado com a maldição da orgulhosa filha
de Tântalo, que, como seu pai, se atreveu a desafiar os deuses.
daqui,
o convite para uma breve recolha de Lendas da Mitologia greco Latina
que podem estar nas origens de MÉRTOLA a cidade MUSEU que
afinal também foi, posteriormente, TERRA de MOURAS ENCANTADAS
e agora...aposta na senda do progresso ou talvez, como diz Borges
Coelho:
«O
rio ainda serve de fronteira. Sem desrespeitar a memória
e a diferença dos dois povos, ele deve voltar a unir as duas
margens com respeito pelas diferenças e os interesses específicos.
Há que libertar o rio, há que libertar a agricultura,
valorizar os recursos naturais, há que planear o desenvolvimento
da região, há que investir profundamente na educação
e na cultura, para que se torne possível o sonho de fazer
desta terra velha de milénios uma terra de jovens.»
in
"SOBRE MÉTOLA E O GUADIANA" António Borges
Coeho, in "Arqueologia Medieval, 1" Ed. Afrontamento,
1992, Campo Arqueológico de Mértola....
MÉRTOLA
- a possível origem de um NOME...
Se
lhe der gosto:

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