MÉRTOLA - NOMES FALAS & LENDAS...
viagens do Cigano Castanho e da Cigana Mariana ataravés do maravilhoso
por Josephus - o Esturjão - mais conhecido por - o SOLHO
por JORAGA o acrónimo de JOsé RAbaça GAspar e outros mais de 1001 deNÓMIOS...

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2.
as LENDAS
a MITOLOGIA
& os Contos...

3.
o CANTO do Riso AlentejANEDOTAS
& outras falas...

4
a POESIA:
Quadras- Cantigas DÉCIMAS RIMANCES...

5
o CANTE
Gr. Corais
& Modas

MÉRTOLA

 

a possível origem de um NOME

ver noutra PÁGINA alguns recortes sobre LENDAS relacionadas com MÉRTOLA e MITOLOGIA GRECO LATINA que podem dar uma certa verosimelhança a estes voos de fantasia e encantamento...

 

 

Ver nesta PÁGINA:

MYRTILIS ou NOVA TIRO... "em honra da Deusa MIRTO...

MIRTILIS - as ligações à MITOLOGIA... Tântalo... Pélope... Níobe...

MÉRTOLA & MIRTILIS...

MÉRTOLA a LENDA (im)possível...

MÉRTOLA uma PROPOSTA para um CANTO dos CONTOS & en CANTOS...

 

 

 

MYRTILIS ou NOVA TIRO - nome dado, provavelmente, pelos Fenícios "que aqui se homiziaram quando Alexandre Magno (356 - 323 a. C.) Rei da Macedónia, o grande conquistador, conquistou TIRO (333 / 332 a. C.)..."

ou MIRTILIS - «Cófilas, Rei dos Túrdulos,  fez aliança com os chefes Fenícios e, naquele porto, construíram uma cidade a que deram o nome de Mirtilis, em honra da Deusa Mirto, sua mãe que o teve de Mercúrio.» ver LENDAS

«Em um dos barcos (fenícios) vinha um Príncipe, jovem , guerreiro e bem parecido, que ao ver Serpínia se apaixonou por ela. E Serpínia amou Polípio, o belo Príncipe Fenício. E logo ficaram noivos.»

 

MYRTILUS - aparece nos dicionários de Latim como MÍRTILO, filho de Mercúrio... A mãe terá sido a Deusa MIRTO...

... ora, nas diversas bibliografias consultadas e apesar de sabermos que os Deuses do Olimpo eram pródigos em arranajar várias esposas ou amantes a exemplo do grande Jupiter ou Zeus, não encontrámos uma Deusa ou esposa de Mercúrio com o nome de MIRTO...

 

... mas encontrámos a Deusa que tem o MIRTO como árvore - símbolo ou consagrada

é a Deusa AFRODITE (VÉNUS)
- a Deusa do Amor e da Beleza
que a todos seduzia.
... e que, na grande maioria das histórias,
surge como mulher de HEFASTO (VULCANO)
o Deus da Forja, disforme e coxo...

(vide in a «Mitologia», de Edith HAMILTON, Dom Quixote, Lisboa, 1979)

 

Ora Mírtilo, foi inexplicavelmente morto por PÉLOPE, o filho de TÂNTALO...

 

MÍRTILO
A lenda pode contar-se assim...

 

TÂNTALO

TÂNTALO, Rei da Lída, filho de Júpiter ou ZEUS e da ninfa Plota, tinha um lugar privilegiado entre os Deuses do Olimpo...
Era convidado para os seus banquetes onde podia saborear a comida e a bebida própria dos Deuses, como a ambrosia e os néctares mais delicados, desconhecidos dos pobres mortais, como se dava ao luxo de poder convidar os Imortais para os seus banquetes no seu palácio deslumbrante...

Um dia, do que é que se havia de lembrar?
Tântalo mandou matar o seu próprio filho, Pélope, ordenou que fosse cozinhado num grande caldeirão e serviu-o de refeição aos seus convidados do Olimpo...

Que motivo o terá levado a tão hediondo gesto é um mistério para os poetas e historiadores!

Talvez o ódio e a revolta que sentia por estes seres que se consideravam superiores, para os obrigar a sentir o horror do canibalismo!

Que ingenuidade o levou a escarnecer, desta maneira, dos Deuses que tudo sabem, a ponto de sacrificar o seu próprio filho?!

Os Senhores do Olimpo tinham que decidir um castigo exemplar, para que nunca mais, ninguém ousasse insultá-los de novo:

Foi decidido o conhecido

SUPLÍCIO de TÂNTALO:

Foi lançado num poço, o Hades o inferno, mas, surpreendentemente, num Jardim maravilhoso onde corria abundantemente a água e abundavam todas as árvores de fruto, mas...

cada vez que esticava a mão para beber, a água sumia-se...

cada vez que esticava o braço para um fruto, o vento levava os ramos das árvores para longe, fora do seu alcance...

e, ali está, para a eternidade, morto de sede, à beira da água que se some...

ali está, morto de fome, à vista de uma abundância indescrítível, que se lhe escapa...

PÉLOPE

Além deste castigo exemplar, para que fosse reposta a Justiça, os Deuses do Olimpo, enternecidos, decidiram restituir a vida a Pélope...

Pélope foi reconstruído, mas tiveram de lhe moldar um ombro de marfim! Conta-se que, inadevertidamente, uma das Deusas presentes no macabro banquete, uns dizem que foi Deméter, outros garantem que foi Tétis, não teria resistido ao aspecto agradável daquele saboroso hediondo manjar...

Mas, contam as Lendas, a vida de Pélope correu daí em diante sem incidentes de maior. Teria sido o único descendente de Tântalo que não foi marcado pelo infortúnio, que se abateu de uma maneira impiedosa, por exemplo, sobre a sua irmã NIOBE...

 

NIOBE

Niobe, a que tudo teve para ser feliz...

Fez um casamento feliz com Anfião o Rei de Tebas...

Foi rainha querida de todos os súbditos...

Teve sete filhos que se tornaram jovens valentes e destemidos...

Teve sete filhas, que se tornaram as mais belas entre as belas...

O seu marido Anfião e seu irmão gémeo Zeto empreenderam a fortificação de Tebas...

O seu marido, músico de eleição, suplantou a força colossal do irmão, arrancando, com a sua lira, sons tão arrebatadores, que as grandes pedras o seguiram para a construção das muralhas de Tebas...

No meio de tanta prosperidade e felicidade decidiu, como seu pai Tântalo, desafiar os Deuses e exigiu do Povo de Tebas as honrarias e o incenso que queimavam no templo de Leto, a mãe de Apolo e Artemisa, em Delos!!!

Ora, como a arrogância e a insolência é imediatamente reconhecida no Olimpo e nunca deixam de ser punidas, Apolo (Febo) e Artemisa (Diana) deslizaram rapidamente dos seus tronos celestiais e, ao mesmo tempo, o Deus do Arco de Prata e da Flecha de longo alcance e a Divina Caçadora, desceram a Tebas e, com pontaria infalível, abateram, sem piedade, os filhos e filhas de Niobe, um dos motivos da sua arrogância perante a rival que só tinha tido dois filhos!!!

Atingida por aquela dor inenarrável, Niobe desfez-se em lágrimas mudas incapazes de um grito, e transformou-se em pedra, que ficou humida por toda a eternidade, devido às lágrimas, que correm sem parar...

 

MÍRTILO

 

Mas seu irmão Pélope, o ressuscitado, foi mais feliz...

Cortejou entretanto a fatídica princesa Hipodamia, que foi causa de muitas mortes, talvez não por ela, mas pelo artifício engendrado pelo Rei seu pai, - ENOMÃO ou ENOMAU, que obrigava os pretendentes a prestarem uma prova insuperável...

Como não queria que a filha se casasse, propunha aos pretendentes uma corrida com a sua de parelhas de cavalos.

Se ganhassem, teriam a mão da sua filha...

Se perdessem, pagariam com a morte...

A parelha de cavalos do rei, oferta de Ares, era, evidentemente superior a qualquer parelha de cavalos mortais!...

E assim muitos perderam a vida...

Quando chegou a vez de Pélope, este aceitou o desafio, porque a sua parelha de cavalos tinha sido um presente de Poseídon, e por isso confiava na sua superioridade, mas...

Conta outra Lenda, que ele terá vencido e conquistado a mão da princesa, porque Hipodamia, apaixonada por ele, ou decidida a acabar com aquele terrível massacre, teria subornado MÍRTILO, o cocheiro do seu pai, ...

MÍRTILO, (filho de Mercúrio e Mirto), para agradar à princesa, terá engendrado uma maneira de os raios das rodas do carro real se partirem durante a corrida... e assim a vitória coube, sem dificuldade, a Pélope...

Por motivos insondáveis, que só acontecem no reino da Lendas e dos Deuses, mais tarde, Pélope, em vez da eterna gratidão, veio a matar Mírtilo, que, ao expirar, amaldiçoou o assassino...

Não foi sobre Pélope, directamente, que caiu a maldição, mas ele teve dois filhos:

Atreu e Tiestes...

Foram estes e os seus descendentes que pagaram pelo crime do pai...

Atreu era o rei...

Tiestes apaixonou-se pela Rainha, a esposa do irmão e seduziu-a...

O Rei descobriu, claro, e concebeu uma vingança hedionda e inenarrável...

Matou os dois filhinhos do irmão e mandou serví-los ao pai partidos em bocadinhos...

e Tiestes comeu...

Ao descobrir a verdade Tiestes gritou até à loucura... cuspiu e vomitou até ao desespero... amaldiçoou aquela casa para que sobre ela caíssem todos os male inimagináveis... e, com a mesa do banquete, ficou esmagado contra o chão...

O crime atroz não foi divulgado nem vingado durante o reinado do soberano...

Atreu, o filho mais velho de Pélope, assassino de Mírtilis, era Rei e Tiestes não tinha poderes!!!

Foram os filhos e os filhos dos filhos que vieram a pagar...

 

MÉRTOLA & MÍRTILO

 

É, possivelmente, assim, que Mértola, a cidade das encruzilhadas que se ergue entre-ambas-as-águas e foi porto importante de ligação ao mar está ligada à MITOLOGIA Greco-Latina:

 

- a MÍRTILO, filho da Deusa do Mirto, morto por aquele a quem ajudou a ganhar a corrida e a mão da princesa...

- a VÉNUS dos Romanos - a AFRODITE dos Gregos... a Deusa que tem o MIRTO como árvore consagrada... e a quem os Fenícios , fundadores da Cidade no porto do Ode Ana, deram o nome de Myrtilis, em homenagem à sua Mãe a Deusa (do) MIRTO...

- e quem sabe às terríveis pragas que pesam sobre o hediondo crime de TÂNTALO... castigado pelo suplício de ter tudo ao alcance da mão sem o poder usar...

- ao castigo dos artifícios do pai da Princesa HIPODAMIA, ENOMAU, que causou a morte de tantos jovens pretendentes à mão da Bela Princesa...,

- e ao crime do seu marido Pélope, assassino de MÍRTILO!!!..

- e ao castigo de NIOBE? ... Não será MÉRTOLA o ROCHEDO - a PEDRA em que ELA se transformou e que ficou húmida por toda a eternidade, devido às lágrimas, que correm sem parar... simbolizado no "esporão rochoso" em que a VILA se ergue ENTRE-AMBAS-AS-ÁGUA, que correm sem parar o RIO - ODE ANA e a ribeira de OEIRAS?...

 

São LENDAS - divagações, podem dizer os Estudiosos sisudos que dedicam a vida na tentativa de saber os segredos do Universo...

São LENDAS - verdades possivelmente ocultas para reflectir e descobrir, podem dizer os Sábios que se dedicam a descobrir os segredos do Universo e as Leis da Natureza e do Cosmos...

São LENDAS que servem para alimentar a inspiração dos Poetas e que o Povo, na sua generosa ingenuidade, se gosta e lhe reconhece algum valor, vai repetindo e reinventando ao longo dos Tempos...

São LENDAS que talvez abram pistas para perceber uma espécie de "maldição" ou "fado" ou "fardo" que pesa sobre Mértola e o Alentejo em geral e está "escrito" nas LENDAS ou nas "estrelas", mas que seria preciso saber e perceber para não se ficar amarrado a um fatalismo sem esperança!...

Aí fica

para os circunspectos Estudiosos...

para os Sábios ignorados e desprezados pela Ciência cega...

para os Poetas visionários...

para a ingénua generosidade do Povo...

para os que têm a responsabilidade de SABER para poderem decidir e governar...

UMA VERSÃO (im)possível

de uma possível

LENDA DE MÉRTOLA

...Foi há muitos muitos anos... Um povo de navegadores e comerciantes (fenícios) que tinham as suas cidades estado e os seus deuses e artes lá para o outro lado do Mediterrâneo, perto da Grécia e do Egipto, decidiram sair daquele que para eles era o grande mar, para se aventurarem pelo outro mar imenso que se abria para além do ROCHEDO [ALUBE para os fenícios ESTREITO DE HÉRCULES ou as COLUNAS DE HÉRCULES para os gregos - Foi Hércules que ergueu ali as duas Colunas - GALPE e ABILA (Ceuta), quando separou a Europa da África...] imponente que servia de PORTA de saída para o desconhecido... a partir do qual não se podia ir mais além... Era a PONTA do mundo conhecido de então... a ponta do que agora conhecemos como a EUROPA... a quinze quilómetros do outro Continente, a Àfrica... Já se tinham arriscado várias vezes até ao MONS SACRUS (Sagres), e pela Costa Africana abaixo, sempre à vista de Terra, mas não se podiam atrever a ir mais além para o desconhecido imenso, que era só território dos deuses e abismo donde se não poderia voltar...

Foi então que desde uns 1000 anos a. C. um grupo mais arrojado de navegadores e comerciantes fenícios, pois é desse povo que falamos, decidiu aventurar-se mais para o interior... passaram o grande ROCHEDO da PORTA do GRNADE MAR, avançaram até ao MONS SACRUS, voltaram atrás e encontraram a foz de um grande rio que era o ANA... Subiram aproveitando a força das marés... Subiram até sentirem onde as marés os empurravam e pararam à vista daquele ESPORÃO ROCHOSO que se erguia ENTRE-AMBAS-AS-ÁGUAS...

Voltaram ali muitas vezes... Alguns ficavam e estabelecram contactos com os povos dispersos que por ali viviam pelos montes... Vendiam o que traziam e compravam os produtos que puco a pouco iam chegando àquele porto de rio que se foi formando e até apareceu minério e outras riquezas para comerciar...
Mas um dia as embarcações que chegaram eram mais numerosas e notava-se um tipo de agitação diferente daquele a que as pessoas das redondezas estavam habituadas... A chegada de barcos era sempre um acontecimento, mas daquela vez, além de serem mais, e a chegarem dia após dia ainda mais, vinham mais carregadas e traziam outro tipo de gente. Para além dos navegadores e comerciantes notavam-se outro tipo de gente que não estava habituada àquelas lides... era tambem gente de guerra, o que não era habitual, e outro tipo de gentes... Os habitantes das redondezas, habituados a lidar com aquela gente desde os avós dos avós ficaram perturbados...
Souberam então que uma das suas mais ricas cidades, a cidade de TIRO tinha sido conquistada pelo ainda jovem e ambicioso Alexandre, o Macedónio, que até tinha sido discípulo de Aristóteles, para quem a sede de conquista não tinha limites...

Agora ali, exilados da sua cidade, e não querendo viver submetidos a um povo estranho, um grupo daqueles homens entre os quais vinha POLÍPIO, um príncipe fenício, sonhou e decidiu que podiam ali fundar a sua NOVA TIRO... Também ele, como muitos outros ilustres fugitivos, tinham sido educados por sábios e filósofos gregos, que eram os depositários e difusores da cultura greco-latina, que era o padrão de cultura de todo o mundo mediterrânico, o mundo conhecido de então... Gente pacífica, mas sem descurar a guerra, foram bem aceites pelas gentes da região e logo fizeram aliança com um povo que vinha de além dos Pirineus à procura de Paz e da Abundância... Eram os Túrdulos que fugiam dos Celtas e do temível ROLARTE e eram chefiados por CÓFILAS, o rei querido do seu povo, que tudo fazia para lhes agradar, e mais ainda, para tudo fazer em favor da mais Bela entre as Belas a sua filha SERPÍNEA... E foi assim que nasceu SERPA, e logo a seguir a outra cidade, a NOVA TIRO que depois decidiram "chamar MYRTILIS em honra da deusa MIRTO que o teve de MÉRCÚRIO", como dizem lendas antigas... Alguns propuseram que se chamasse NÍOBE, por "aquele esporão rochoso" que se erguia na curva do rio lhes lembrar a lenda da filha de TÂNTALO, a orgulhosa rainha de TEBAS que, por ser mãe de sete valentes rapazes e de sete belas raparigas desafiou LETO, mãe de APOLO e de DIANA e assistiu à morte dos catrorze filhos executados sem piedade pelas flechas certeiras dos dois filhos ofendidos... Então, conta a lenda, "Níobe ficou muda de dor e espanto... só deixava correr as lágrimas de um inútil arrependimento... e os deuses condoídos permitiram que, a seu pedido, ficasse tranformada em pedra donde correm dois rios de lágrimas por toda a eternidade..." Ora Níobe, a orgulhosa filha do também insolente Tântalo, era irmã de PÉLOPS, aquele que fora servido aos deuses como manjar de afronta e que, uma vez regressado à vida por intervenção dos deuses que tinham condenado o pai ao suplício de viver para sempre ao lado da abundância sem a poder alcançar, veio por sua vez a assassinar MYRTILIS, o cocheiro de ENUMÃO, pai da princesa HIPODAMIA, por quem o ressuscitado se apaixonara, e que decidira trair o seu rei, serrando a rodas do carro para que Pélops pudesse ganhar a corrida e assim ser poupado à morte!!!

Sim, aquela cidade seria MYRTILIS, aquele que se sacrificou pelo seu assassino, irmão de Níobe, e pela sua princesa HIPODAMIA, e como prémio dos Deuses do Olimpo, brilha na Constelação de Cocheiro com uma luz especial... de protecção e conforto para os que a sabem ver e admirar...
Ela era filho de VÉNUS, a Deusa do amor e da Fertilidade, que tem o MIRTO como sua árvore sagrada, que o teve de MERCÚRIO, o HERMES dos gregos, Mensageiro dos Deuses, com asas nos pés, no chapéu e no seu bastão que era o Caduceu, ele próprio Deus dos Rebanhos, dos Pastores, dos Comerciantes e dos Ladrões,garante e sinal de uma prosperidade sem limites, que gostava de se refugiar em lugares ermos e secretos, como estes alcantilados e os Montes Hermínios (as Serras Nevadas de Hermes) donde, no tempo do frio e das neves geladas, vinham numerosos e enormes rebanhos dos mais variados gados...
Não. O nome de NÍOBE, traria, porventura, augúrios de desgraça e fatalidade, para uma nova cidade, que ali começava a nascer... e estava destinada a ter um grande futuro de grandeza e prosperidade... e agora se chama a NOBRE VILA DE MÉRTOLA...

Alumiada pela estrela MYRTILIS da constelação de COCHEIRO, o seu brilho, mesmo que muitas vezes escondido, nunca deixará de brilhar... e, como aconteceu. desde a sua fundação, MÉRTOLA, «nunca deixará de ser uma terra de passagem, onde não há familiar...» como dizia, em 1613, o pároco Vicente Afonso Lampreia, quando se oferece para comissário do Santo Ofício...

...nunca deixará de ser uma encruzilhada de povos, raças, comécios e culturas... como aconteceo em 1420, em que D. João I concede a Mértola o "estatuto de couto do homiziados"... como "homiziados" tinham sido os fenícios, que aqui decidiram construir a nova Tiro... e ...

...surpreendentemente, quando se tratou de aplicar o preceito introduzido pela Santa Casa de Lisboa, de 1598, de que, para administrar as Misericórdias, se dveriam «interditar o desempenho de funções e o estatuto de irmãos (da Confraria) a todos os que não fossem "limpos de sangue judeu ou mouro" por raça ou casamento»... "os limpos de nação"...preceito que se tentou aplicar, com exagero, em 1638... e que em 1642, foi objecto de uma petição feita pelos "moradores da vila" ao Rei D. João IV, «para que não fosse aplicável à misericórdia de Mértola a aplicação de tal cláusula... por a maoir parte da gente nobre e mais poderosa da terra «estar casada» com mulhers que tem tal rasa ou eles parte dela" e sempre, apesar disso "andaram sempre com armas na mão" «defendendo as fronteiras do reino»...

Decididamente, desde a sua fundação, MÉRTOLA está destinada a ser, por ventura, por vocação ou destino:
- «uma terra de passagem...
- «um couto de homiziados...
- «uma terra onde «os puros de nação» são nascidos de famílias onde se misturam raças, credos e culturas...
- onde haverá sempre lugar para os forasteiros que chegam decididos a contribuir para o desenvolvimento e prosperidade desta cidade Estado, um estatuto que tem pergaminhos com quase dois mil anos anteriores à nacionalidade, uma nacionalidade que, desde os Campos de Ourique, ainda não atingiu sequer os mil anos!!!...

...

Josephus - o Estrujão-
ano 2359 do nascimento do Grande Alexandre...

 

MÉRTOLA

onde, além das "pedras"

dos "cacos"

e dos "trapos"

as PALAVRAS VIVAS

também falam

a pedir, por exemplo, um

CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO, INVESTIGAÇÃO, ANIMAÇÃO interventiva e DIVULGAÇÃO CULTURAL

um CANTO do CANTE

um CANTO dos CONTOS & das LENDAS

um CANTO dos ENCONTROS

&

enCANTOS

 

Trata-se, afinal, tão somente, de, no meio dos já numerosos núcleos museológicos, dar lugar mais vísível a algo, que já existe em todos eles e no dia a dia da vida da população, one as pessoas convivem e partilham

as palavras vivas...

os gestos expressivos..

os saberes acumulados...

o gosto de estar em contacto...

ou afrontam os conflitos...

ou buscam a solução para os problemas...

ou pura e simplesmente cultivam o gosto de se recrear...

- a LAREIRA - onde ainda se contam istórias e Lendas e se repetem lengalengas...

- a MESA das refeições, onde se conversa...

- a MESA do PETISCO ou do JOGO, no cafe ou na taberna...

- o LARGO da VILA ou o ADRO da IGREJA ou o BANCO de os Velhos se assentarem para partilhar a Solidão e o Passar do Tempo.....

- os Pontos de PESCA onde se encontram os pescadores e caçadores e outros "mentidores" exímios na arte da "efabulação"...

- os outros LUGARES de ENCONTRO... ou os passeios pelo campo...

enfim...

um CANTO de ENCONTROS...

de CONTOS e de LENDAS...

um CANTO do CANTE...

de DESCANTE...

de CANTIGAS e / ou de VERSOS ao DESAFIO...

devidamente apoiado com meios Humanos e Materiais, que permitam a recolha, a investigação, o estudo, a mostra e a divulgação... das manifestações Culturais, que têm por base essencialmente a oralidade, a Tradição, a tradição que se transmite e renova constantemente e tem as vantagens e desvantagens de serem um Acto efémero, irrepetível... mas talvez por isso tão criativo e criador de criatividade, como podem ser as "pedras", os "cacos", os "trapos", os "monumentos" mudos que sabem falar para quem os quiser ouvir...

Trata-se afinal de dar alguma visibilidade e reconhecimento ao que já existe e se manifesta no dia a dia da população de todas as freguesias e lugares e montes do Concelho, para que a População possa sentir o Prazer, a Gratificação e a Responsabilidade de ser, não só a FORMA MAIS VÍSIVEL e a legítima Herdeira de uma Cultura milenar e caldeada de muitas Culturas diversificadas, mas que também de tomar consciência de que, na senda da Tradição, terá de deixar algo de VIVO, VÁLIDO e gratificante, como Herança para o Futuro, que não desmereça do Legado do Passado, mas que terá de falar mais alto e fundo, do que as pedras, os cacos, os trapoes, os monumentos... e todas as "coisas" mudas, que apesar de mudas falam...

e então as PESSOAS que falam???

...


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...




 

 

 

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