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MÉRTOLA
a
possível origem de um NOME
ver
noutra PÁGINA alguns recortes sobre LENDAS
relacionadas com MÉRTOLA e MITOLOGIA
GRECO LATINA que podem dar uma certa verosimelhança
a estes voos de fantasia e encantamento...
Ver
nesta PÁGINA:
MYRTILIS
ou NOVA TIRO... "em honra da Deusa MIRTO...
MIRTILIS
- as ligações à MITOLOGIA...
Tântalo... Pélope... Níobe...
MÉRTOLA
& MIRTILIS...
MÉRTOLA
a LENDA (im)possível...
MÉRTOLA
uma PROPOSTA para um CANTO dos CONTOS & en CANTOS...
MYRTILIS
ou NOVA TIRO
- nome dado, provavelmente, pelos
Fenícios "que aqui se homiziaram quando Alexandre Magno
(356 - 323 a. C.) Rei da Macedónia, o grande conquistador,
conquistou TIRO
(333 / 332 a. C.)..."
ou
MIRTILIS - «Cófilas,
Rei dos Túrdulos, fez aliança com os chefes Fenícios e, naquele
porto, construíram uma cidade a que deram o nome de Mirtilis, em
honra da Deusa Mirto, sua mãe que o teve de Mercúrio.» ver
LENDAS
«Em
um dos barcos (fenícios) vinha um Príncipe, jovem , guerreiro
e bem parecido, que ao ver Serpínia se apaixonou por ela. E Serpínia
amou Polípio, o belo Príncipe Fenício. E logo ficaram noivos.»
MYRTILUS
- aparece nos dicionários de Latim como MÍRTILO, filho
de Mercúrio... A mãe terá sido a Deusa MIRTO...
...
ora, nas diversas bibliografias consultadas e apesar de sabermos
que os Deuses do Olimpo eram pródigos em arranajar várias
esposas ou amantes a exemplo do grande Jupiter ou Zeus, não
encontrámos uma Deusa ou esposa de Mercúrio com o
nome de MIRTO...
...
mas encontrámos a Deusa que tem o MIRTO como árvore
- símbolo ou consagrada
é
a Deusa
AFRODITE (VÉNUS)
- a Deusa do Amor e da Beleza
que a todos seduzia.
... e que, na grande maioria das histórias,
surge como mulher de HEFASTO (VULCANO)
o Deus da Forja, disforme e coxo...
(vide
in a «Mitologia», de Edith HAMILTON, Dom Quixote, Lisboa,
1979)
Ora
Mírtilo, foi inexplicavelmente morto por PÉLOPE, o
filho de TÂNTALO...
MÍRTILO
A lenda pode contar-se assim...
TÂNTALO
TÂNTALO,
Rei da Lída,
filho de Júpiter
ou
ZEUS e da
ninfa Plota,
tinha um lugar privilegiado entre os Deuses do Olimpo...
Era convidado para os seus banquetes onde podia saborear a comida
e a bebida própria dos Deuses, como a ambrosia e os néctares
mais delicados, desconhecidos dos pobres mortais, como se dava ao
luxo de poder convidar os Imortais para os seus banquetes no seu
palácio deslumbrante...
Um
dia, do que é que se havia de lembrar?
Tântalo mandou matar o seu próprio filho, Pélope,
ordenou que fosse cozinhado num grande caldeirão e serviu-o
de refeição aos seus convidados do Olimpo...
Que
motivo o terá levado a tão hediondo gesto é
um mistério para os poetas e historiadores!
Talvez o ódio e a revolta que sentia por estes seres que
se consideravam superiores, para os obrigar a sentir o horror do
canibalismo!
Que
ingenuidade o levou a escarnecer, desta maneira, dos Deuses que
tudo sabem, a ponto de sacrificar o seu próprio filho?!
Os
Senhores do Olimpo tinham que decidir um castigo exemplar, para
que nunca mais, ninguém ousasse insultá-los de novo:
Foi
decidido o conhecido
SUPLÍCIO
de TÂNTALO:
Foi
lançado num poço, o Hades o inferno, mas, surpreendentemente,
num Jardim maravilhoso onde corria abundantemente a água
e abundavam todas as árvores de fruto, mas...
cada
vez que esticava a mão para beber, a água sumia-se...
cada
vez que esticava o braço para um fruto, o vento levava os
ramos das árvores para longe, fora do seu alcance...
e,
ali está, para a eternidade, morto de sede, à beira
da água que se some...
ali
está, morto de fome, à vista de uma abundância
indescrítível, que se lhe escapa...
PÉLOPE
Além
deste castigo exemplar, para que fosse reposta a Justiça,
os Deuses do Olimpo, enternecidos, decidiram restituir a vida a
Pélope...
Pélope
foi reconstruído, mas tiveram de lhe moldar um ombro de marfim!
Conta-se que, inadevertidamente, uma das Deusas presentes no macabro
banquete, uns dizem que foi Deméter, outros garantem que
foi Tétis, não teria resistido ao aspecto agradável
daquele saboroso hediondo manjar...
Mas,
contam as Lendas, a vida de Pélope correu daí em diante
sem incidentes de maior. Teria sido o único descendente de
Tântalo que não foi marcado pelo infortúnio,
que se abateu de uma maneira impiedosa, por exemplo, sobre a sua
irmã NIOBE...
NIOBE
Niobe,
a que tudo teve para ser feliz...
Fez
um casamento feliz com Anfião o Rei de Tebas...
Foi
rainha querida de todos os súbditos...
Teve
sete filhos que se tornaram jovens valentes e destemidos...
Teve
sete filhas, que se tornaram as mais belas entre as belas...
O
seu marido Anfião e seu irmão gémeo Zeto empreenderam
a fortificação de Tebas...
O
seu marido, músico de eleição, suplantou a
força colossal do irmão, arrancando, com a sua lira,
sons tão arrebatadores, que as grandes pedras o seguiram
para a construção das muralhas de Tebas...
No
meio de tanta prosperidade e felicidade decidiu, como seu pai Tântalo,
desafiar os Deuses e exigiu do Povo de Tebas as honrarias e o incenso
que queimavam no templo de Leto, a mãe de Apolo e Artemisa,
em Delos!!!
Ora,
como a arrogância e a insolência é imediatamente
reconhecida no Olimpo e nunca deixam de ser punidas, Apolo (Febo)
e Artemisa (Diana) deslizaram rapidamente dos seus tronos celestiais
e, ao mesmo tempo, o Deus do Arco de Prata e da Flecha de longo
alcance e a Divina Caçadora, desceram a Tebas e, com pontaria
infalível, abateram, sem piedade, os filhos e filhas de Niobe,
um dos motivos da sua arrogância perante a rival que só
tinha tido dois filhos!!!
Atingida
por aquela dor inenarrável, Niobe desfez-se em lágrimas
mudas incapazes de um grito, e transformou-se em pedra, que ficou
humida por toda a eternidade, devido às lágrimas,
que correm sem parar...
MÍRTILO
Mas
seu irmão Pélope, o ressuscitado, foi mais feliz...
Cortejou
entretanto a fatídica princesa Hipodamia, que foi causa de
muitas mortes, talvez não por ela, mas pelo artifício
engendrado pelo Rei seu pai, - ENOMÃO ou ENOMAU, que obrigava
os pretendentes a prestarem uma prova insuperável...
Como
não queria que a filha se casasse, propunha aos pretendentes
uma corrida com a sua de parelhas de cavalos.
Se
ganhassem, teriam a mão da sua filha...
Se
perdessem, pagariam com a morte...
A
parelha de cavalos do rei, oferta de Ares, era, evidentemente superior
a qualquer parelha de cavalos mortais!...
E
assim muitos perderam a vida...
Quando
chegou a vez de Pélope, este aceitou o desafio, porque a
sua parelha de cavalos tinha sido um presente de Poseídon,
e por isso confiava na sua superioridade, mas...
Conta
outra Lenda, que ele terá vencido e conquistado a mão
da princesa, porque Hipodamia, apaixonada por ele, ou decidida a
acabar com aquele terrível massacre, teria subornado MÍRTILO,
o cocheiro do seu pai, ...
MÍRTILO,
(filho de Mercúrio e Mirto), para agradar à princesa,
terá engendrado uma maneira de os raios das rodas do carro
real se partirem durante a corrida... e assim a vitória coube,
sem dificuldade, a Pélope...
Por
motivos insondáveis, que só acontecem no reino da
Lendas e dos Deuses, mais tarde, Pélope, em vez da eterna
gratidão, veio a matar Mírtilo, que, ao expirar, amaldiçoou
o assassino...
Não
foi sobre Pélope, directamente, que caiu a maldição,
mas ele teve dois filhos:
Atreu
e Tiestes...
Foram
estes e os seus descendentes que pagaram pelo crime do pai...
Atreu
era o rei...
Tiestes
apaixonou-se pela Rainha, a esposa do irmão e seduziu-a...
O
Rei descobriu, claro, e concebeu uma vingança hedionda e
inenarrável...
Matou os dois filhinhos do irmão e mandou serví-los
ao pai partidos em bocadinhos...
e
Tiestes comeu...
Ao
descobrir a verdade Tiestes gritou até à loucura...
cuspiu e vomitou até ao desespero... amaldiçoou aquela
casa para que sobre ela caíssem todos os male inimagináveis...
e, com a mesa do banquete, ficou esmagado contra o chão...
O
crime atroz não foi divulgado nem vingado durante o reinado
do soberano...
Atreu,
o filho mais velho de Pélope, assassino de Mírtilis,
era Rei e Tiestes não tinha poderes!!!
Foram
os filhos e os filhos dos filhos que vieram a pagar...
MÉRTOLA
& MÍRTILO
É,
possivelmente, assim, que Mértola, a cidade das encruzilhadas
que se ergue entre-ambas-as-águas e foi porto importante
de ligação ao mar está ligada à MITOLOGIA
Greco-Latina:
-
a MÍRTILO, filho da Deusa do Mirto, morto por aquele a quem
ajudou a ganhar a corrida e a mão da princesa...
-
a VÉNUS dos Romanos - a AFRODITE dos Gregos... a Deusa que
tem o MIRTO como árvore consagrada... e a quem os Fenícios
, fundadores da Cidade no porto do Ode Ana, deram o nome de Myrtilis,
em homenagem à sua Mãe a Deusa (do) MIRTO...
-
e quem sabe às terríveis pragas que pesam sobre o
hediondo crime de TÂNTALO...
castigado pelo suplício de ter tudo ao alcance da mão
sem o poder usar...
-
ao castigo dos artifícios do pai da Princesa HIPODAMIA, ENOMAU,
que causou a morte de tantos jovens pretendentes à mão
da Bela Princesa...,
-
e ao crime do seu marido Pélope, assassino de MÍRTILO!!!..
-
e ao castigo de NIOBE? ... Não será MÉRTOLA
o ROCHEDO - a PEDRA em que ELA se transformou e que ficou húmida
por toda a eternidade, devido às lágrimas, que correm
sem parar... simbolizado no "esporão rochoso" em
que a VILA se ergue ENTRE-AMBAS-AS-ÁGUA, que correm sem parar
o RIO - ODE ANA e a ribeira de OEIRAS?...
São
LENDAS - divagações, podem dizer os Estudiosos sisudos
que dedicam a vida na tentativa de saber os segredos do Universo...
São
LENDAS - verdades possivelmente ocultas para reflectir e descobrir,
podem dizer os Sábios que se dedicam a descobrir os segredos
do Universo e as Leis da Natureza e do Cosmos...
São
LENDAS que servem para alimentar a inspiração dos
Poetas e que o Povo, na sua generosa ingenuidade, se gosta e lhe
reconhece algum valor, vai repetindo e reinventando ao longo dos
Tempos...
São
LENDAS que talvez abram pistas para perceber uma espécie
de "maldição" ou "fado" ou "fardo"
que pesa sobre Mértola e o Alentejo em geral e está
"escrito" nas LENDAS ou nas "estrelas", mas
que seria preciso saber e perceber para não se ficar amarrado
a um fatalismo sem esperança!...
Aí
fica
para
os circunspectos Estudiosos...
para
os Sábios ignorados e desprezados pela Ciência cega...
para
os Poetas visionários...
para
a ingénua generosidade do Povo...
para
os que têm a responsabilidade de SABER para poderem decidir
e governar...

UMA
VERSÃO (im)possível
de
uma possível
LENDA
DE MÉRTOLA
|
...Foi
há muitos muitos anos... Um povo de navegadores e comerciantes
(fenícios) que tinham as suas cidades estado e os seus
deuses e artes lá para o outro lado do Mediterrâneo,
perto da Grécia e do Egipto, decidiram sair daquele
que para eles era o grande mar, para se aventurarem pelo outro
mar imenso que se abria para além do ROCHEDO [ALUBE
para os fenícios ESTREITO DE HÉRCULES ou as
COLUNAS DE HÉRCULES para os gregos - Foi Hércules
que ergueu ali as duas Colunas - GALPE e ABILA (Ceuta), quando
separou a Europa da África...] imponente que servia
de PORTA de saída para o desconhecido... a partir do
qual não se podia ir mais além... Era a PONTA
do mundo conhecido de então... a ponta do que agora
conhecemos como a EUROPA... a quinze quilómetros do
outro Continente, a Àfrica... Já se tinham arriscado
várias vezes até ao MONS SACRUS (Sagres), e
pela Costa Africana abaixo, sempre à vista de Terra,
mas não se podiam atrever a ir mais além para
o desconhecido imenso, que era só território
dos deuses e abismo donde se não poderia voltar...
Foi
então que desde uns 1000 anos a. C. um grupo mais arrojado
de navegadores e comerciantes fenícios, pois é
desse povo que falamos, decidiu aventurar-se mais para o interior...
passaram o grande ROCHEDO da PORTA do GRNADE MAR, avançaram
até ao MONS SACRUS, voltaram atrás e encontraram
a foz de um grande rio que era o ANA... Subiram aproveitando
a força das marés... Subiram até sentirem
onde as marés os empurravam e pararam à vista
daquele ESPORÃO ROCHOSO que se erguia ENTRE-AMBAS-AS-ÁGUAS...
Voltaram
ali muitas vezes... Alguns ficavam e estabelecram contactos
com os povos dispersos que por ali viviam pelos montes...
Vendiam o que traziam e compravam os produtos que puco a pouco
iam chegando àquele porto de rio que se foi formando
e até apareceu minério e outras riquezas para
comerciar...
Mas um dia as embarcações que chegaram eram
mais numerosas e notava-se um tipo de agitação
diferente daquele a que as pessoas das redondezas estavam
habituadas... A chegada de barcos era sempre um acontecimento,
mas daquela vez, além de serem mais, e a chegarem dia
após dia ainda mais, vinham mais carregadas e traziam
outro tipo de gente. Para além dos navegadores e comerciantes
notavam-se outro tipo de gente que não estava habituada
àquelas lides... era tambem gente de guerra, o que
não era habitual, e outro tipo de gentes... Os habitantes
das redondezas, habituados a lidar com aquela gente desde
os avós dos avós ficaram perturbados...
Souberam então que uma das suas mais ricas cidades,
a cidade de TIRO tinha sido conquistada pelo ainda jovem e
ambicioso Alexandre, o Macedónio, que até tinha
sido discípulo de Aristóteles, para quem a sede
de conquista não tinha limites...
Agora
ali, exilados da sua cidade, e não querendo viver submetidos
a um povo estranho, um grupo daqueles homens entre os quais
vinha POLÍPIO, um príncipe fenício, sonhou
e decidiu que podiam ali fundar a sua NOVA TIRO... Também
ele, como muitos outros ilustres fugitivos, tinham sido educados
por sábios e filósofos gregos, que eram os depositários
e difusores da cultura greco-latina, que era o padrão
de cultura de todo o mundo mediterrânico, o mundo conhecido
de então... Gente pacífica, mas sem descurar
a guerra, foram bem aceites pelas gentes da região
e logo fizeram aliança com um povo que vinha de além
dos Pirineus à procura de Paz e da Abundância...
Eram os Túrdulos que fugiam dos Celtas e do temível
ROLARTE e eram chefiados por CÓFILAS, o rei querido
do seu povo, que tudo fazia para lhes agradar, e mais ainda,
para tudo fazer em favor da mais Bela entre as Belas a sua
filha SERPÍNEA... E foi assim que nasceu SERPA, e logo
a seguir a outra cidade, a NOVA TIRO que depois decidiram
"chamar MYRTILIS em honra da deusa MIRTO que o teve de
MÉRCÚRIO", como dizem lendas antigas...
Alguns propuseram que se chamasse NÍOBE, por "aquele
esporão rochoso" que se erguia na curva do rio
lhes lembrar a lenda da filha de TÂNTALO, a orgulhosa
rainha de TEBAS que, por ser mãe de sete valentes rapazes
e de sete belas raparigas desafiou LETO, mãe de APOLO
e de DIANA e assistiu à morte dos catrorze filhos executados
sem piedade pelas flechas certeiras dos dois filhos ofendidos...
Então, conta a lenda, "Níobe ficou muda
de dor e espanto... só deixava correr as lágrimas
de um inútil arrependimento... e os deuses condoídos
permitiram que, a seu pedido, ficasse tranformada em pedra
donde correm dois rios de lágrimas por toda a eternidade..."
Ora Níobe, a orgulhosa filha do também insolente
Tântalo, era irmã de PÉLOPS, aquele que
fora servido aos deuses como manjar de afronta e que, uma
vez regressado à vida por intervenção
dos deuses que tinham condenado o pai ao suplício de
viver para sempre ao lado da abundância sem a poder
alcançar, veio por sua vez a assassinar MYRTILIS, o
cocheiro de ENUMÃO, pai da princesa HIPODAMIA, por
quem o ressuscitado se apaixonara, e que decidira trair o
seu rei, serrando a rodas do carro para que Pélops
pudesse ganhar a corrida e assim ser poupado à morte!!!
Sim,
aquela cidade seria MYRTILIS, aquele que se sacrificou pelo
seu assassino, irmão de Níobe, e pela sua princesa
HIPODAMIA, e como prémio dos Deuses do Olimpo, brilha
na Constelação de Cocheiro com uma luz especial...
de protecção e conforto para os que a sabem
ver e admirar...
Ela era filho de VÉNUS, a Deusa do amor e da Fertilidade,
que tem o MIRTO como sua árvore sagrada, que o teve
de MERCÚRIO, o HERMES dos gregos, Mensageiro dos Deuses,
com asas nos pés, no chapéu e no seu bastão
que era o Caduceu, ele próprio Deus dos Rebanhos, dos
Pastores, dos Comerciantes e dos Ladrões,garante e
sinal de uma prosperidade sem limites, que gostava de se refugiar
em lugares ermos e secretos, como estes alcantilados e os
Montes Hermínios (as Serras Nevadas de Hermes) donde,
no tempo do frio e das neves geladas, vinham numerosos e enormes
rebanhos dos mais variados gados...
Não. O nome de NÍOBE, traria, porventura, augúrios
de desgraça e fatalidade, para uma nova cidade, que
ali começava a nascer... e estava destinada a ter um
grande futuro de grandeza e prosperidade... e agora se chama
a NOBRE VILA DE MÉRTOLA...
Alumiada
pela estrela MYRTILIS da constelação de COCHEIRO,
o seu brilho, mesmo que muitas vezes escondido, nunca deixará
de brilhar... e, como aconteceu. desde a sua fundação,
MÉRTOLA, «nunca deixará de ser uma
terra de passagem, onde não há familiar...»
como dizia, em 1613, o pároco Vicente Afonso Lampreia,
quando se oferece para comissário do Santo Ofício...
...nunca
deixará de ser uma encruzilhada de povos, raças,
comécios e culturas... como aconteceo em 1420, em que
D. João I concede a Mértola o "estatuto
de couto do homiziados"... como "homiziados"
tinham sido os fenícios, que aqui decidiram construir
a nova Tiro... e ...
...surpreendentemente,
quando se tratou de aplicar o preceito introduzido pela Santa
Casa de Lisboa, de 1598, de que, para administrar as Misericórdias,
se dveriam «interditar o desempenho de funções
e o estatuto de irmãos (da Confraria) a todos os que
não fossem "limpos de sangue judeu ou mouro"
por raça ou casamento»... "os
limpos de nação"...preceito que
se tentou aplicar, com exagero, em 1638... e que em 1642,
foi objecto de uma petição feita pelos "moradores
da vila" ao Rei D. João IV, «para
que não fosse aplicável à misericórdia
de Mértola a aplicação de tal cláusula...
por a maoir parte da gente nobre e mais poderosa da terra
«estar casada» com mulhers que tem tal rasa ou
eles parte dela" e sempre, apesar disso "andaram
sempre com armas na mão" «defendendo
as fronteiras do reino»...
Decididamente,
desde a sua fundação, MÉRTOLA está
destinada a ser, por ventura, por vocação ou
destino:
- «uma terra de passagem...
- «um couto de homiziados...
- «uma terra onde «os puros de nação»
são nascidos de famílias onde se misturam raças,
credos e culturas...
- onde haverá sempre lugar para os forasteiros que
chegam decididos a contribuir para o desenvolvimento e prosperidade
desta cidade Estado, um estatuto que tem pergaminhos com quase
dois mil anos anteriores à nacionalidade, uma nacionalidade
que, desde os Campos de Ourique, ainda não atingiu
sequer os mil anos!!!...
...
Josephus
- o Estrujão-
ano 2359 do nascimento do Grande Alexandre...
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MÉRTOLA
onde,
além das "pedras"
dos
"cacos"
e
dos "trapos"
as
PALAVRAS VIVAS
também
falam
a
pedir, por exemplo, um
CENTRO
DE DOCUMENTAÇÃO, INVESTIGAÇÃO, ANIMAÇÃO
interventiva e DIVULGAÇÃO CULTURAL
um
CANTO do CANTE
um
CANTO dos CONTOS & das LENDAS
um
CANTO dos ENCONTROS
&
enCANTOS
Trata-se,
afinal, tão somente, de, no meio dos já numerosos
núcleos museológicos, dar lugar mais vísível
a algo, que já existe em todos eles e no dia a dia da vida
da população, one as pessoas convivem e partilham
as
palavras vivas...
os
gestos expressivos..
os
saberes acumulados...
o
gosto de estar em contacto...
ou
afrontam os conflitos...
ou
buscam a solução para os problemas...
ou
pura e simplesmente cultivam o gosto de se recrear...
-
a LAREIRA - onde ainda se contam istórias e Lendas e se repetem
lengalengas...
-
a MESA das refeições, onde se conversa...
-
a MESA do PETISCO ou do JOGO, no cafe ou na taberna...
-
o LARGO da VILA ou o ADRO da IGREJA ou o BANCO de os Velhos se assentarem
para partilhar a Solidão e o Passar do Tempo.....
-
os Pontos de PESCA onde se encontram os pescadores e caçadores
e outros "mentidores" exímios na arte da "efabulação"...
-
os outros LUGARES de ENCONTRO... ou os passeios pelo campo...
enfim...
um
CANTO de ENCONTROS...
de
CONTOS e de LENDAS...
um
CANTO do CANTE...
de
DESCANTE...
de
CANTIGAS e / ou de VERSOS ao DESAFIO...
devidamente
apoiado com meios Humanos e Materiais, que permitam a recolha, a
investigação, o estudo, a mostra e a divulgação...
das manifestações Culturais, que têm por base
essencialmente a oralidade, a Tradição, a tradição
que se transmite e renova constantemente e tem as vantagens e desvantagens
de serem um Acto efémero, irrepetível... mas talvez
por isso tão criativo e criador de criatividade, como podem
ser as "pedras", os "cacos", os "trapos",
os "monumentos" mudos que sabem falar para quem os quiser
ouvir...
Trata-se
afinal de dar alguma visibilidade e reconhecimento ao que já
existe e se manifesta no dia a dia da população de
todas as freguesias e lugares e montes do Concelho, para que a População
possa sentir o Prazer, a Gratificação e a Responsabilidade
de ser, não só a FORMA MAIS VÍSIVEL e a legítima
Herdeira de uma Cultura milenar e caldeada de muitas Culturas diversificadas,
mas que também de tomar consciência de que, na senda
da Tradição, terá de deixar algo de VIVO, VÁLIDO
e gratificante, como Herança para o Futuro, que não
desmereça do Legado do Passado, mas que terá de falar
mais alto e fundo, do que as pedras, os cacos, os trapoes, os monumentos...
e todas as "coisas" mudas, que apesar de mudas falam...
e
então as PESSOAS que falam???
...

INSTITUTO
SUPERIOR DE SUPERIORES CIÊNCIAS APLICADAS
...
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