Mértola
o
NOME
uma
REGIÃO marcada pelo isolamento, no ALENTEJO com nome imposto
de fora...
Encontrámos
vários maneiras de grafar o NOME
ao
longo dos tempos e em diversas obras
Myrtilis
– da presença romana – a muralha na margem do rio – ponte-cais...
Mirtilis
– «... fenícios e, naquele porto, construíram uma cidade a que
deram o nome de Mirtilis, em honra da Deusa Mirto, sua mãe, que
o teve de Mercúrio.» in Arquivos de Serpa, João Cabral, Serpa,
1971 – na Lenda «Serpínia, Princesa Feliz»
Mirtilys
Júlia – Mário Elias in Estudos Literários sobre Mértola
e seu Concelho, Associação dos Municípios do Distrito de Beja,
s/d,
MVRTILIS
– Atónio Marques de Faria – Colonização e Municipalização nas
Províncias Hispano Romanas– in Internet...
Myrtilis
Julia (Mértola) (Mantas, 1987, p. 28) – cita FARIA
Murtilis
– terá sido provavelmente colónia de César... (Faria in citado)
MARTULA
(Romage (1998, p. 440, n. 38) citado por FARIA
Myrtilis
– Nova Tiro, porque aqui se homiziaram alguns Fenícios quando
Alexandre Magno invadiu a cidade de Tiro ... –
séc V a VIII – rotas
marítimas e comerciais inseguras... alberga comerciantes nativos
e orientais
Mãrtula
– (em vez do til é um - sobre o a) árabe vide
Site de Mértola Alentejo Digital
Mártula
- «... com o andar dos tempos Mirtilis corrompeu-se em Mártula
– Arquivo Histórico de Portugal 1898 – citado por Carlos Leite
Ribeiro – in cidade Virtual - Mértola
Mirtolah
– árabe - in As mais Belas Vilas e Aldeias de Portugal – Verbo
– (1984) 1996
Nomes
e PALAVRAS,
possivelmente ligadas a MÉRTOLA & MÍRTILO
MIRTILO
[mirtílu] s.m. (do lat. científico myrtillus). bot.
1.
planta subarbustiva, da família das ericáceas
( Vaccinium myrtillus, lin.) que produz bagas comestíveis;
2.
Baga negra e comestível, de sabor ligeiramente ácido
e com propriedades adstringentes, produzida por essa planta.
Doce de mirtilo.
MIRTO
[mírtu] s. m. (Do Lat. myrtus - grego murtos)
1.
Bot. planta da família das mirtáceas de folhagem
sempre verde, pequenas flores brancas, de aroma agradável,
fruto baciforme, negro azulado, na maturação,
também designado por murta.
2.
Folha ou conjunto de folhas dessa planta. Uma coroa de mirto.
MURTA
[múrta] s. f. ( do let. murta do gr. murtos). bot.
1.
Designação comum de uma planta arbustiva, por
vezes arborescente, da família das mirtáceas (Myrtus
comunis, Linn.) de folhas opostas, duras, levemente pecioladas
e aromáticas quando esmagadas, flores brancas e perfumadas,
fruto pequeno, ovóide negro e azulado, quando maduro,
espontânea ou cultivada em Portugal.
Bagas
de murta.
Colheu
um raminho de murta, mas o vento da serra depressa lhe murchou
as flores.
A
essencia estraída das flores da murta é usada
em perfumaria.
2.
Fruto dessa planta, aromática e com propriedades balsâmicas.
Deliciava-se
com o licor de murta que truxera da aldeia.
Antigamente,
usava-se a murta em determinados preparados farmacêuticos.
murtal
[murtál] s. m. (De murta + suf. al).
1.
área onde crescem ou se plantam murtas.
murteira
[murtéira] s. f. (De murta + suf. eira) Bot. o mesmo que
murta.
murtinheira
- o mesmo que murta
murtinho
- Baga da murta...
mertolengo
1-
o mesmo que mertolense Habitante de Mértola
mertolengo
2 - o mesmo que mertolense Habitante de Mértola
mertolense
1- Habitante de Mértola
mertolense
2 - Habitante de Mértola
(vide
in Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea,
Verbo, 2001
MÉRTOLA
onde,
além das "pedras"
dos
"cacos"
e
dos "trapos"
as
PALAVRAS VIVAS
também
falam
a
pedir, por exemplo, um
CENTRO
DE DOCUMENTAÇÃO, INVESTIGAÇÃO, ANIMAÇÃO
interventiva e DIVULGAÇÃO CULTURAL
um
CANTO do CANTE
um
CANTO dos CONTOS & das LENDAS
um
CANTO dos ENCONTROS
&
enCANTOS
Trata-se,
afinal, tão somente, de, no meio dos já numerosos
núcleos museológicos, dar lugar mais vísível
a algo, que já existe em todos eles e no dia a dia da vida
da população, one as pessoas convivem e partilham
as
palavras vivas...
os
gestos expressivos..
os
saberes acumulados...
o
gosto de estar em contacto...
ou
afrontam os conflitos...
ou
buscam a solução para os problemas...
ou
pura e simplesmente cultivam o gosto de se recrear...
-
a LAREIRA - onde ainda se contam istórias e Lendas e se repetem
lengalengas...
-
a MESA das refeições, onde se conversa...
-
a MESA do PETISCO ou do JOGO, no cafe ou na taberna...
-
o LARGO da VILA ou o ADRO da IGREJA ou o BANCO de os Velhos se assentarem
para partilhar a Solidão e o Passar do Tempo.....
-
os Pontos de PESCA onde se encontram os pescadores e caçadores
e outros "mentidores" exímios na arte da "efabulação"...
-
os outros LUGARES de ENCONTRO... ou os passeios pelo campo...
enfim...
um
CANTO de ENCONTROS...
de
CONTOS e de LENDAS...
um
CANTO do CANTE...
de
DESCANTE...
de
CANTIGAS e / ou de VERSOS ao DESAFIO...
devidamente
apoiado com meios Humanos e Materiais, que permitam a recolha, a
investigação, o estudo, a mostra e a divulgação...
das manifestações Culturais, que têm por base
essencialmente a oralidade, a Tradição, a tradição
que se transmite e renova constantemente e tem as vantagens e desvantagens
de serem um Acto efémero, irrepetível... mas talvez
por isso tão criativo e criador de criatividade, como podem
ser as "pedras", os "cacos", os "trapos",
os "monumentos" mudos que sabem falar para quem os quiser
ouvir...
Trata-se
afinal de dar alguma visibilidade e reconhecimento ao que já
existe e se manifesta no dia a dia da população de
todas as freguesias e lugares e montes do Concelho, para que a População
possa sentir o Prazer, a Gratificação e a Responsabilidade
de ser, não só a FORMA MAIS VÍSIVEL e a legítima
Herdeira de uma Cultura milenar e caldeada de muitas Culturas diversificadas,
mas que também de tomar consciência de que, na senda
da Tradição, terá de deixar algo de VIVO, VÁLIDO
e gratificante, como Herança para o Futuro, que não
desmereça do Legado do Passado, mas que terá de falar
mais alto e fundo, do que as pedras, os cacos, os trapoes, os monumentos...
e todas as "coisas" mudas, que apesar de mudas falam...
e
então as PESSOAS que falam???
...

INSTITUTO
SUPERIOR DE SUPERIORES CIÊNCIAS APLICADAS

MÉRTOLA
situada e integrada no ALENTEJO
tem
ou sofre das características endémicas duma REGIÃO
marcada desde o NOME pelo isolamento e pela exploração
ou colonização...
Ver
- «ALENTEJO NÃO TEM SOMBRA SENÃO A QUE
VEM NO CÉU» - José Mattoso, in Revista
Arquivo de Beja, Actas das II Jornadas, ALENTEJO E OS OUTROS MUNDOS,
vol.s VII e VIII, série III, Agosto de 1998, pp. 15 -30
Começa
assim: «Toda a gente sabe que uma das características
mais salientes do Alentejo é o seu isolamento.»p.
15
Mais
à frente ao tentar descrever a situação do
Alentejo antes do século XIII: «As condições
geográficas favoreciam portanto, estas estruturas de produção
e de circulação...»
Descreve
depois as grandes vias de circulação... «...a
importância do eixo económico do Guadiana desde a antiguidade
até ao século XIII«... e «...a sua íntima
ligação com o Mediterrâneo... e não com
o Atlântico...» e... «Beja era um grande centro
do GARB muçulmano... em relação... com
outros mundos de que o Mediterrâneo era a grande encruzilhada.»
«O
que se passou para que Beja (o Alentejo - Mértola...) entre
o século XIII e o século XX...para um dos níveis
mais afastados deles (dos grandes circuitos internacionais)...
As
respostas são muitas e complexas... não se deve facilitar
nem generalizar... Vale a pena ler todo o trabalho deste Mestre,
muito cuidado e abordando as críticas violentas com uma delicadeza
que é apanágio deste grande Histotiador e Pensador...mas,
conseguimos ler que, afinal, as grandes vias de circulação,
terrestres e fluviais, terão sido mais para levar e exportar
as "riquezas" do Alentejo do que para contribuir para
o seu progresso e desenvolvimento...
FIM
DE CITAÇÃO. fica o apelo à leitura do Artigo
completo que eu posso ter interpretado mal!!!
Ver
ainda «INSTITUTO ALENTEJANO DE CULTURA / DESENVOLVIMENTO
(IAC/D)» José Rabaça Gaspar, in Revista
ARQUIVO DE BEJA, ACTAS DAS I JORNADAS - CULTURA E SOCIEDADE NO BAIXO
ALENTEJO, vol. II / III, série III, Dezembro de 1996, pp.
237 - 248.
Em
1998, tive o raro privilégio de poder ouvir em directo a
intervenção deste Mestre, nas II Jornadas do ARQUIVO
DE BEJA e pude ser contemplado com o "elogio" de me ter
atrevido a tentar fazer a primeira intervenção, depois
da sua Magistral Palestra, que deixou a plateia sem respiração
nem capacidade de reação de tão profunda, clara
e inquestionável. Atrevi-me a sugerir, aquilo que tinha já
escrito, desde 1985, no CONGRESSO sobre O ALENTEJO, Évora,
Out., 85 e o que repetira por outras palavras nas I jORNADAS do
ARQUIVO de BEJA, de 13 a 15 de Junho de 1996: Afinal, aquilo que
o Mestre em História mostrava com tantos dados e pormenores...
podia LER-SE, através de uma análise linguística,
na própria palavra ALENTEJO... O determinante ALÉM,
mostra que o sujeito está distante do "objecto".
Enquanto o "EU" implica "AQUI" o "ALÉM"
indica que foram estranhos que deram NOME ao ALÉM-TEJO...
e como o nome indica relação ou apropriação
de algo... parece que comparando com a História, este "dar
NOME"... tem significado, exploração... colonização...
isolamento... apropriação individa do que pertence
a um Povo e a uma Região.
Deixo
duas citações do resumo que enviei, recomendadando,
para ser entendido, a leitura dos vários trabalhos em que
me tenho debruçado sobre o assunto...
«...
2- Dadas estas e outras características marcantes,
esta REGIÃO, tem sido ao longo dos tempos fortemente cobiçada,
usada, colonizada, (basta analisar o nome ALENTEJO) a ponto de,
mesmo os seus autóctones e defensores se considerarem sistematicamente
ignorados e marginalizados. Por tradição e tendência
do POVO português em geral fica-se normalmente à espera
de um "DESEJADO" que nos salve; de um "génio"-
que faça o que deve ser feito por muitos; das "AUTORIDADES
COMPETENTES", que nos mandem fazer o que nos compete; dos subsídios
e apoios da "UE" - que venham dar valor ao que é
nosso!!! ...
... 3- Em vez de nos lamentarmos, resta-nos tomar consciência
de que ninguém virá reconhecer os nossos VALORES para
nosso benefício... Pertence aos autóctones (indígenas
ou que escolheram aqui viver) o dever se conhecerem e reconhecerem
com as suas qualidades e defeitos, e para isso o dever de recolher,
estudar, divulgar os VALORES que os caracterizam como REGIÃO,
bem como, para o poderem exigir aos outros (Governos etc.), considerar
estas características como base, fundamento e condição
do seu desejável e imprescindível DESENVOLVIMENTO.»


In Estudos Linguísticos - o Idioma Português - Manuel
Joaquim Delgado - Editorial Império L.da, Lisboa 1968, p.
111
1
Na citada obra (Religiões da Lusitânia, Cap. I Época
Lusitano-Romana, vol. III) de J. L. de Vasconcelos da pág.
138, diz:
"Entre-Tejo-e-Guadiana ou Entre-Tejo-e-Odiana é designação
geográfica usada pelos nossos antigos AA. e corresponde pouco
mais ou menos à do Alentejo no sentido primitivo da expressão
(=além-Tejo). Os antigos costumavam designar muito naturalmente
as zonas geográficas pelos nomes dos rios".
Ver, sobre o mesmo tema, NOTA 2, p. 104 - 2 Região Entre-Tejo-e-Guadiana...
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