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MÉRTOLA
- um NOME LIGADO às LENDAS?
«Cófilas,
Rei dos Túrdulos, fez aliança com os chefes Fenícios e, naquele
porto, construíram uma cidade a que deram o nome de Mirtilis, em
honra da Deusa Mirto, sua mãe que o teve de Mercúrio.»
ou um NOME a evocar
a filha de TÂNTALO - NIOBE - irmã de PÉLOPE
- o que assassinou MYRTILIS e foi transformada em enorme PEDRA
donde correm dois RIOS DE LÁGRIMAS por toda a eternidade...
Algumas
FIGURAS DA MITOLOGIA greco romana
que, através do nome MYRTILIS e por MÉRTOLA estar
implantada num «ESPORÃO ROCHOSO» e Entre-ambas-as-Águas,
do Rio Guadiana e da Ribeira de Oeiras, parece poderem ser evocdas
nos primórdios da sua fundação, desde a chegada
dos fenícios...
ver
em especial MIRTILO PÉLOPE
e MIRTILO e NÍOBE
na INTERNET
- in http://mithos.cys.com.br/
Mirtilo
Mitologia Greco-Romana
Filho
de Mercúrio
e de Mirto. Sendo cocheiro de Enomáo,
traiu-o numa corrida em proveito de Penélope
(ver PÉLOPE) e, como
castigo, foi precipitado no mar, donde foi transportado para o céu
e colocado na constelação de Cocheiro.
Ver A MITOLOGIA
- Edith Hamilton p. 359... Era Cocheiro do pai da princesa Hipodamia
e traiu o rei em favor de Pélope o irmão de Niobe, filhos de Tântalo...
Tântalo
Mitologia Greco-Romana
Rei
da Lída, filho de Júpiter
e da ninfa Plota. Por haver servido aos deuses os membros do próprio
filho ( Pélops
), e roubar da mesa dos deuses o néctar e a ambrosia,
foi condenado a morrer de fome
e sede: precipitou-se no Tártaro,
e as águas fugiam aos seus lábios; árvores repletas de frutos pendiam
sobre a sua cabeça; ele, faminto, estendia as mãos crispadas, para
apanhá-los, e o vento os arrebatava.
Niobe
Mitologia Greco-Romana
Rainha
frígia, filha de Tântalo,
irmã de Pélops
mulher de Amphion, foi mãe
de sete filhos e sete filhas. Orgulhosa dessa sua fecundidade, zombou
de Latona,
que só
teve um casal de gêmeos: Apolo
e Diana; estes para vingarem sua mãe,
mataram, a flechadas, todos os filhos de Niobe. A infeliz mãe,
desesperada de dor e fechada em profundo mutismo, pediu a Júpiter
que a mudasse em rochedo, e, em seguida, encaminhou-se para a montanha
Sípile, onde as rochas cresceram ao redor do seu corpo, envolvendo-a
em uma bainha de pedra; neste estado, um turbilhão arrebatou-a para
a Lídia, e a depôs sobre o cimo de uma montanha, onde ela derrama
lágrimas que, perpetuamente, correm de um bloco de mármore.
Latona
Mitologia Greco-Romana
Filha
do Céu
e de Febe,
foi amada de Júpiter,
de quem teve Apolo
e Diana.
Juno,
enciumada por esse desvio do seu esposo, mandou a serpente Piton
perseguir a sua rival, e ordenou à Terra
que não lhe desse abrigo. Nas vésperas de dar à luz Apolo,
ela debalde percorria o mundo à procura de asilo, quando, já exausta
e desanimada, Netuno
veio em seu auxílio e, fazendo uma rocha, com seu tridente, fez
surgir a ilha de Delos,
uma das Cícladas, onde nasceu o luminoso Ser. Latona personifica
a noite,
da qual parece nascer a aurora.
Apolo
Mitologia Greco-Romana
Febo
dos latinos. Divindade solar, filho de Júpiter
e de Latona.
É concebido como
irmão de Diana,
porque ambos, alternativamente, iluminam o mundo. Quando Apolo (
o Sol ) desaparece no horizonte, Diana
( a Lua
) resplandece no céu.
Latona,
ao sentir aproximar-se o momento de pôr no mundo o deus de cabeleira
loura e de radiante beleza, saiu pelo mundo a fora, à procura de
um asilo, e não o encontrava, porque Juno
havia maldosamente ordenado à Terra
que não lhe desse abrigo. Mas Netuno,
fendendo uma rocha com o seu tridente, fez nascer a ilha de Delos,
para onde Latona,
transformada em codorniz, se transportou.
Aí chegando, vários cisnes de imaculada brancura vieram saudá-la,
ruflando as asas e sacudindo as lindas plumagens; a terra
cobriu-se de flores; o mar e as montanhas,
douradas pela luz solar, pareciam revestir-se de um manto
de púrpura, e a criança veio ao mundo. Temis,
descendo do Olimpo,
chegou aos lábios do recém-nascido o néctar e a ambrosia.
Mal Apolo saboreou esses licores da imortalidade, as faixas que
o envolviam, bem como
o cinto de ouro que cingia a sua cintura, se desataram, e ele, "entrando
no seu brilhante carro, iniciou o giro através do esplendor do céu".
Apenas com quatro dias de existência, já manifestou o seu poder,
atravessando, com suas infalíveis flechas, o horrendo dragão
Piton,
tremendo flagelo de Parnaso.
Amou a ninfa Coronis,
que o tornou pai de Esculápio; e, como
esse seu filho fosse fulminado por Júpiter
( vide Esculápio
), Apolo matou, a flechadas, os cíclopes
que forjaram o raio fatal. Por este ato homicida, foi ele condenado
ao exílio na terra,
onde se entregou, durante nove anos, ao serviço de Admeto,
rei da Tessália, cujo rebanho passou a apascentar. Certa vez, quando
ali se achava, surpreendeu na solidão de um bosque, a colher flores,
a formosa Dafne,
filha de Gea.
Por ela se apaixonando, tentou possuí-la: mas a donzela, rápida
como
uma corsa, abriu em desabrida carreira, e estava quase a ser alcançada,
já sentia
em suas faces o hálito escaldante do seu perseguidor, quando, a
um supremo grito, a sua mãe
( a terra
) abriu o seio e a acolheu. Amou e foi amado por Jacinto,
filho de Amiclos. Divertia-se com este mancebo, no jogo de arremesso
de disco, quando o maldoso Zefiro,
movido pelo ciúme, desviou, com seu sopro, a pesada massa de ferro,
levando-a a vitimar o amigo. Apolo, cheio de dor, transformou-o
na flor jacinto.
Sendo Apolo o deus da claridade diurna, os gregos, para explicarem
os dias brumosos do inverno, concebem-no como
um deus viajante que, temporariamente, abandona o santuário grego,
para onde torna na primavera.
Além disso, é Apolo deus dos oráculos,
da poesia, da medicina, da arte,
dos pastores, do dia, da música e da dança. Com sua lira, preside
o coro das musas
e das graças
e, no Olimpo,
diverte os imortais. Tendo Mársias
ousado rivalizar com a sua lira, foi por ele esfolado vivo ( vide
Mársias
). Castigou o rei Midas,
com orelhas de burro, por haver votado contra ele em concurso musical.
Entre os seus inúmeros templos,
os mais célebres foram localizados em Delfos,
Leocotoe, Dafne,
Clitia,
etc. Eram-lhe consagrados: o galo, o gavião
e a oliveira. Os artistas representam-no com uma lira na mão, rodeado
de instrumentos própios das artes; ou ainda, sobre um coche tirado
por cavalos, correndo o zodíaco.
Venus
Mitologia Greco-Romana
Ver Mirto como árvore e Mãe de Myrtilis??? in Edith Hamilton 358...
Divindade
romana da Beleza, dos amores, da energia reprodutra, da volúpia
e da vida universal, filha de Júpiter
e de Dionéa,
ou do Céu
e do Dia, esposa de Vulcano,
e mãe
de Eros
( o Amor
). Os gregos chamam-na Afrodite,
que quer dizer: " nascida de espumas ". Chamam-na também
Anadyomina, que significa: " aquela que sobe, saindo das vagas
". Narra-se da seguinte forma a lenda do seu nascimento: Urano,
tendo aversão aos seus filhos, havidos de Gea,
encerrava-os no Tártaro.
Gea,
revoltando-se contra esse proceder, deliberou vingar-se: fabricou
então uma foice, com metal tirado do seu seio, e entregou-a a Cronos
que, assim armado, se pôs de emboscada e, de surpresa, decepou-lhe
os orgãos sexuais. O sangue vertido, caindo sobre a terra,
deu origem às fúrias
e aos gigantes; mas algumas gotas caíram no mar e, sacudidas pelas
ondas, formaram um floco de espuma nacarada que, banhado pelos fulgurantes
raios do sol, deu nascimento a uma encantadora jovem de arrebatadora
beleza, cuja dourada cabeleira flutuava ao sopro da brisa. Os tritões
e demais divindades do mar cercaram-na, envolveram em véus o seu
cândido corpo, e depositaram-na sobre uma nacarada concha marinha,
enquanto dois zéfiros a conduziram até
a ilha de Chipre
e a entregaram aos cuidados das horas
e das graças
que, por sua vez, a fizeram subir para um carro de alabastro, tirado
por cândidas pombas, e a transportaram para o Olimpo,
onde os deuses, encantados com a sua fascinante formosura, proclamaram-na
rainha da beleza. Com a sua presença, toda a natureza
sorria, os ventos
serenavam e as ondas se acalmavam. Possuía um cinto mágico, dotado
do poder de sedução e de encanto, Esse precioso talismã esteve em
mãos de Juno,
que Io
pedira emprestado para atrair ao leito o volúvel esposo. Venus,
tendo desposado Vulcano,
o feio e disforme deus ferreiro, deixou-se enamorar por outros:
Obteve de Júpiter
permissão para que Adonis,
morto por um javali, saísse dos infernos para passar junto dela
quatro meses de cada ano. Vemos em Adonis
uma representação alegórica da Natureza,
que se apresenta bela e fecunda, durante os quatro meses primaveris
para, em seguida, aparentar fenecimento. Venus amou ainda Anchises,
de cuja ligação nasceu Enéas.
Manteve relações adulterinas com Marte,
até
que, surpreendida e denunciada pelo Sol, foi castigada pelo esposo,
que a apanhou, com o amante, em sua rede maravilhosa que armava
no seu leito, e expôs ambos à irrisão dos deuses ( vide Marte
). Dessa união, nasceu Eros
ou Cupido,
o irrequieto deus do amor.
Amou tambem Baco,
de quem houve Príapo. Tendo Venus saído nua do seio das ondas, é,
na maioria das vezes, representada com o pé sobre uma tartaruga,
ou uma concha marinha, na simples e desataviada beleza que trazia
ao nascer. Elevaram-lhe templos
em Amatonte
( ilha de Chipre
), em Pafos,
na ilha Cítera,
etc. Daí os seus nomes: Chipris, Páfia, Citérea,
etc. Foi também chamada Dionéa,
como
sua mãe.
Zeus
Mitologia Greco-Romana
Júpiter
dos latinos, Osíris
dos egípcios e Amon
do resto da África, filho de Cronos
( Saturno
) e de Rea.
Deus do raio do trovão, supremo rei do Olimpo,
senhor do mundo e pai dos deuses e dos homens, agita o universo
com um simples movimento de sua cabeça. Conta-nos a lenda que seu
pai, símbolo do tempo,
que devora tudo o que cria, obteve, do irmão mais velho Titão, a
desistência dos direitos da progenitura, que lhe assegurava o império
do universo, sob condição dele ir eliminando ( devorando-os ) todos
os seus filhos varões que fossem nascendo da sua esposa Rea.
Destarte, tais direitos, futuramente, se perpetuariam nos descendentes
de Titão. Foi Zeus o único que escapou, graças
às precauções de sua mãe
que, ao sentí-lo estremecer nas entranhas, desceu do céu
e encaminhou-se para um profundo vale, onde deu à luz o divino ser,
e entregou aos cuidados de uma ninfa que o levou para a ilha de
Creta
e o ocultou em uma caverna, cuja entrada era velada por sombria
vegetação. Em seguida, apresentou ao esposo uma enorme pedra envolta
em cueiros, fazendo constar ser o recém-nascido. Iludido, Cronos
devorou a pedra. No seu esconderijo, Zeus cresceu alimentado com
o leite da cabra Amaltéa, com o mel que as abelhas lhe ofereciam
e com ambrosias que as pombas traziam, enquanto uma linda águia
oferecia-lhe o néctar, licor da imortalidade colhido numa fonte
divina; as ninfas
Adrastéia e Ida
vinha distraí-lo, e os coribantes
ou curetas
dançavam em torno dele, e abafavam seus vagidos com entrechocar
de espadas, afim de que não despertassem a mais leve suspeita paterna.
Tornando-se adulto, Zeus saiu da caverna e, a conselho da deusa
Metis
( a Prudênica ), a quem se associou, obrigou o pai a ingerir uma
beberagem, cujo efeito foi de fazê-lo vomitar a pedra e, em seguida,
os seus irmãos Netuno
e Plutão,
e o destronou. Zeus iniciou, daí, o seu reinado no Olimpo; mas como
os titãs
não quisessem se submeter ao seu império e, sobrepondo o monte Pélion
ao Ossa,
pretendessem escalar o Olimpo,
teve ele necessidade
de eliminá-los; dardejando relâmpagos e raios, auxiliados por seus
irmãos Netuno
e Plutão,
pelos cíclopes
e por três dos gigantes
de cinqüenta cabeças e cem braços ( Egeon,
Coto
e Giges
), deu-lhes então renhido combate, no qual montanhas
e rochedos eram arremessados, de parte a parte, formando novas montanhas,
ao caírem na terra,
ou semeando ilhas,
quando precipitadas no mar. O vestígio deixado por essa luta épica
é o panorama caótico que a natureza
nos oferece. Completando a sua obra, Zeus encadeou, sob a massa
do Etna
e de outros vulcões, os últimos dos seus adversários: Tifeu,
demônio do furacão, e os gigantes
Encelado, Hiberbios, Efialto
e Políbotes. Daí, os gregos explicam as freqüentes convulsões subterrâneas
e os tremores de terra.
Uma vez consolidado o seu poder, Zeus partilhou o universo com seus
irmãos, cabendo-lhe o céu; a Netuno,
o mar; e a Plutão,
os infernos. Zeus teve muitas mulheres e inúmera prole: primeiramente,
desposou Metis,
a personificação da sabedoria.
Querendo o poeta significar que ao poder de Zeus estava ligada a
sabedoria,
idealizou haver ele encerrado Metis
no seio, assimilando-a e gerando Minerva.
Chegado o tempo
da gestação, ordenou a Vulcano
que vibrasse, sobre a sua cabeça um profundo golpe de machado. A
arma brandiu, e da divina fronte surgiu a deusa Athené ( Minerva
) vestida de armaduras guerreiras. Em seguida, Zeus teve por esposa
Temis,
a deusa da justiça,
de quem houve as horas
e as parcas.
Da titanidade Mnemósine,
deusa da memória,
Zeus teve as nove musas; da oceânide Eurimone, as graças; de Demeter,
Prosérpina; de Leto,
ou Latona,
Apolo
e Diana; de Alcmene, Herácles; de Dione,
a bela Afrodite; de Sêmele, Dionísio; e de Maia,
Hermes.
Metamorfoseado em touro, Zeus raptou Europa,
de quem houve Minos
e Radamanto,
os juízes dos infernos. Finalmente, mudado em chuva de ouro, fecundou
Danae,
de quem teve Perseu.
Os artistas representam-no sob aspecto majestoso, com barba espessa,
cabeleira basta, sentado em seu trono de ouro ou de marfim, segurando
o raio, com mão direita, e o cetro com a esquerda. Aos seus pés,
vê-se a águia raptora de Ganímedes com as asas abertas. Muitas outras
representações têm sido idealizadas pela fértil imaginação dos artistas.
Diana
Mitologia Greco-Romana
Divindade
romana, Artemis
dos gregos, filha de Júpiter
e de Latona,
irmã mais velha de Apolo,
nasceu em Delos; tem, no céu,
os nomes de Lua
e Febe
e, nos infernos, o de Hécate.
Deusa da Caça e da serena luz, é Diana a mais pura e casta das deusas
e, como
tal, tem sido fonte inesgotável da sublime inspiração dos artistas.
Seu pai armou-a de flechas, deu-lhe uma corte de ninfas,
e fê-la rainha dos bosques. Como
a luz prateada da lua
percorre todos os recantos dos prados, montes
e vales, é Diana concebida como
uma infatigável caçadora. Costumava banhar-se nas águas das fontes
cristalinas; numa das vezes, tendo sido surpreendida pelo caçador
Acteon
que, ocasionalmente, para ali se dirigiu, afim de saciar a sede,
transformou-o em veado, e fê-lo vítima da voracidade da própria
matilha. Outra lenda nos conta que, apesar do seu voto de castidade,
tendo ela se apaixonado, perdidamente, pelo jovem Orion,
e se dispondo a consorciá-lo, o seu irmão Apolo
impediu o enlace, mediante uma grande perfídia: Achando-se em uma
praia, em sua companhia, desafiou-a a atingir, com a sua flecha,
um ponto negro que indicava a tona da água,
e que mal se distinguia, devido a grande distância. Diana, toda
vaidosa, prontamente retesou o arco e atingiu o alvo, que logo desapareceu
no abismo no mar, fazendo-se substituir por espumas ensangüentadas.
Era Orion
que ali nadava. Ao saber do desastre, Diana, cheia de desespero,
conseguiu, do pai, que a vítima fosse transformada em constelação.
Sob o nome de Selene,
apaixonou-se pelo jovem pastor Eudimião, a quem ia
visitar todas as noites. Raptou Ifigênia
no altar do sacrifício fazendo-a substituir por uma novilha ou uma
cerva. É representada, como
caçadora que é, vestida de túnica, calçada de coturno, trazendo
aljava sobre a espádua, um arco na mão, um cão ao seu lado. Outras
vezes vêmo-la acompanhada das suas ninfas,
tendo a fronte ornada de um crescente. Representam-na ainda: ora
no banho, ora em atitude de repouso, recostada a um veado, acompanhada
de dois cães; ora em um carro tirado por corças, trazendo sempre
o seu arco e aljava cheia de flechas. Há quem a represente com três
cabeças de animais - uma de cavalo, a segunda de mulher e a terceira
de cão; ou ainda - de touro, de cão e de leão. Sob este aspecto,
era Diana a deusa triforme, adorada sob o nome de Trívia e guarda
das encruzilhadas. Teve Diana o seu mais famoso templo em Efeso,
considerado como
uma das sete maravilhas do mundo.
In
http://www.olimpo.hpg.ig.com.br/ares.htm
PÉLOPE
E HIPODÂMIA – ( e o papel de MIRTILIS...)
...
Mas a chegada de Pélope à Elida veio terminar
com a história de derrotas mortais. Pélope era o filho de Tântalo,
a quem este tentou oferecer como manjar insultante aos deuses, fato
pelo qual Tântalo foi castigado eternamente, enquanto o inocente
Pélope era devolvido à vida por eles, após ser recomposto quase
totalmente. Após o incidente, o jovem protegido dos deuses chegou
às terras de Enomau e apaixonou-se pela bela Hipodâmia. Como era
natural, o rei desafiou-o à mortal corrida e o jovem, sentindo-se
acompanhado pela boa vontade divina, aceitou o desafio. Há quem
diz que Pélope contava com uns cavalos ainda melhores, oferecidos
por Possêidon, e a melhor qualidade dos corcéis foi a causa exclusiva
do seu triunfo; há outros que preferem a versão do amor da princesa,
e por isso asseguram que foi Hipodâmia quem decidiu terminar com
a sanha do rei Enomau, que se negava a aceitar a possibilidade de
ser o sogro, e preferia evitar o laço político potencial, atuando
como um pai muito ciumento. Hipodâmia, farta de ter que resignar-se
a ver desaparecer na fossa tantos admiradores valentes, sem chegar
a desfrutá-los, inventou uma solução definitiva ao seu problema,
fazendo com que um suborno chegasse a Mirtilo, moço de cavalariça
do rei, para que este atentasse contra Enomau, deixando o eixo do
carro real quase partido ao meio. A corrida começou e o carro real
ficou de fora, sem nenhuma possibilidade de chegar, embora fosse
o último, à meta. Para rematar a história, conta-se que Pélope deu
morte a Mirto, não sem que este o maldissesse antes de morrer. Resulta
trágico que Mirto morresse pelas mãos de quem tinha ajudado a viver,
apesar de ter sido ele responsável do seu triunfo, mas isto pode
ser interpretado como outro desses fatos infelizes que trouxeram
a desgraça a toda a estirpe de Tântalo e que vêm justificar ainda
mais o infortúnio do clã. O que se pode dizer com certeza é que
o sanguinário e implacável deus do sofrimento alheio, Ares, embora
só o fosse por intermédio do fracasso do seu amigo Enomau, também
terminou a aventura numa má situação, dado que a derrota desse cúmplice
era -em boa medida- também uma derrota própria. E sem nenhum gênero
de dúvida, os gregos colocavam a prenda de Ares num lugar proeminente
da lenda de Hipodâmia, para que se pudesse claramente ver a classe
de indivíduo celestial que era o deus próprio das guerras.
OUTROS
RECORTES sobre a MITOLOGIA GRECO LATINA

IN
A MITOLOGIA , de Edith HAMILTON, Publicações Dom Quixote,
Lisboa, 1979:
-
sobre AFRODITE - VENUS - a Deusa que tem o MIRTO como árvore
símbolo... p. 39 - 41
-
sobre FEBO APOLO - filho de ZEUS e LETO (Latona) irmão gémeo
de Diana...pp. 36 - 37
-
sobre ARTEMISA - DIANA - filha de Zeus e LETO, irmã gémea
de APOLO... pp. 38 - 39
-
HERMES - MERCÚRIO - pai de MIRTYLIS... pp. 41 - 42
-
A Casa dos ATRIDAS - uma casa malfadada, cuja causas de todos os
infortúnios parece ter sido um antepassado, um rei da LÍDIA
chamado TÂNTALO, que ao ousar insultar os DEUSES do OLIMPO,
atraiu sobre si e seus descendentes os mais terríveis castigos...
ver
-
TÂNTALO e NÍOBE - o banquete em que TÂNTALO manda
servir o filho, PÉLOPE, como repasto aos Deuses... pp. 358
- 359
-
a vida de PÉLOPE... e a sua relação com MÍRTILO
cocheiro do pai (ENOMÃO) da princesa HIPODAMIA, que trai
o rei para ele poder vencer a corrida e depois é assassinado
por PÉLOPE...
-
NÍOBE, irmã de PÉLOPE (filhos
de TÂNTALO) feliz com ANFIÃO (filho de Zeus) rei de
TEBAS e vem a ter 7 filhos belos e valentes e 7 filhas, as mais
belas entre as Belas... e por se ter revoltado contra LETO - LETONA,
mãe de APOLO e DIANA, sofre o terrível castigo de
assistir à sua matança, pelos dois irmãos gémeos
(Apolo e Diana) "foi transformada em PEDRA..." donde correm
dois rios de lágrimas por toda a eternidade...
TRANSCRIÇÕES DA OBRA:
pp. 22 a 26
OS MITÓGRAFOS GREGOS E ROMANOS
A maioria das abras referentes aos mitos clássicos fundamenta-se
principalmente no poeta latino Ovídio, que escreveu durante
o reinado de Augusto. Ovídio é um autêntico
compêndio de mitologia. Deste ponto de vista, nenhum escritor
antigo pode equiparar-se a ele. Contou quase todas as histórias
e de modo bastante desenvolvido. Ocasionalmente, algumas das mais
conhecidas, nos campos da literatura e da arte, chegaram até
nós apenas através da sua pena. Evitámos, no
caso presente, recorrer a ele tanto quanto possível. Não
há dúvida de que foi um bom poeta e um fabulista seguro,
capaz de apreciar devidamente os mitos, compreendendo, portanto,
o material de qualidade que lhe ofereciam; Ovídio, no entanto,
estava realmente muito afastado deles, mais do que nós hoje.
Para ele os mitos eram meros disparates e, segundo esta linha de
pensamento, escreveu:
Eu canto as monstruosas mentiras dos poetas antigos
Nunca vistas, quer agora quer então, por olhos humanos.
Com efeito, dirigindo-se ao leitor, afirma: "Não importa
serem absurdos; apresentar-vo-los-ei com tão belos artifícios
que haveis de gostar." E, na realidade, fá-lo frequentemente
muito bem; nas suas mãos, contudo, os assuntos que eram verdade
de facto e verdade solene para os poetas primitivos, Hesíodo
e Píndaro, e veículos de autênticos dogmas religiosos
para os tragediógrafos gregos, tornam-se contos fúteis,
algumas vezes espirituosos e divertidos até, outras sentimentais
e desoladoramente retóricos, e mantêm-se notável
e perfeitamente alheios a qualquer forna de sentimentalismo.
Não é longa a lista dos principais escritores através
de quem os mitos chegaram até nós. Homero surge em
primeiro lugar, naturalmente. A Ilíada e a Odisseia são,
ou melhor, contêm os escritos gregos mais antigos, muito embora
não haja possibilidade de se datar com exactidão qualquer
passagem desses poemas. Os eruditos têm opiniões muito
díspares quanto a esse ponto; no entanto uma das datas a
que não se levantam muitas objecções é
o ano 100 a. C. - no que respeita à Ilíada, que é
o mais antigo.
A partir deste momento, todas as datas da presente obra devem entender-se
como anteriores ao nascimento de Cristo, a não ser que se
faça qualquer referência em contrário.
Hesíodo, o segundo escritor, logo depois de Homero, é
algumas vezes situado entre os séculos IX e VIII; levava
uma vida dura e amarga de camponês. Não pode haver
maior contraste do que aquele que se verifica entre o seu poema
"Os Trabalhos e os Dias" (mediante o qual pretende mostrar
ao homem o processo de se conseguir ter uma vida razoável
num mundo inóspito) e o esplendor cortês que transparece
da Ilíada; e da Odisseia. Mas Hesíodo tem muito que
dizer sobre os deuses e, por isso, dedica à mitologia todo
um segundo poema, que habitualmente lhe é atribuído,
a "Teogonia". Se Hesíodo é realmente o seu
autor, então podemos afirmar que esse camponês humilde,
vivendo numa quinta solitária, longe da cidade, foi o primeiro
homem na Grécia que ponderou sobre o modo como tudo aconteceu,
o Mundo, o Céu, os deuses, a humanidade, e foi também
o primeiro que tentou elaborar uma explicação adequada.
Homero nunca se debruçou sobre tal problema. A "Teogonia",
uma narrativa da criação do Universo e das gerações
de deuses, assume, pois, grande importância para o estudo
da mitologia.
A seguir aparecem os "Hinos Homéricos", poemas
escritos em honra de vários deuses. Não podem ser
datados com carácter definitivo, mas os mais antigos são
considerados pela maioria dos especialistas como pertencendo aos
fins do século VIII, princípios do século VII.
Aquele que se considera menos importante (são trinta e três
ao todo) refere-se à Atenas do século V, ou provavelmente
do século IV.
Píndaro, o maior poeta lírico da Grécia, começou
a escrever por volta dos fins do século VI. Compôs
odes homenageando os vencedores dos jogos realizados por ocasião
dos grandes festivais nacionais gregos e, em todos os seus poemas,
surgem narrativas ou meras alusões aos mitos; é, portanto,
um autor tão importante para o conhecimento da mitologia
como Hesíodo.
Ésquilo, o mais antigo dos três poetas trágicos,
foi contemporâneo de Píndaro. Os outros dois, Sófocles
e Eurípides, eram um pouco mais novos. Eurípides,
o mais jovem, morreu nos fins do século V. À excepção
de Os Persas, de Ésquilo, escrita para celebrar a vitória
dos Gregos sobre os Persas em Salamina, todas as peças versam
temas mitológicos. Juntamente com a obra de Homero constituem
a fonte mais importante dos estudos desses temas.
O grande comediógrafo Aristófanes, que viveu durante
os últimos anos do século V e começos do IV,
faz muitas vezes referências aos mitos, bem como dois outros
grandes prosadores, Heródoto, o primeiro historiador da Europa,
que foi contemporâneo de Eurípides, e Platão,
o filósofo, que pertenceu à geração
seguinte.
Os poetas alexandrinos viveram por volta do ano 250. Esta designação
provém do facto de, na altura, o centro da literatura grega
ter sido transferido para Alexandria, no Egipto. Apolónio
de Rodes contou pormenorizadamente a Demanda do Velo de Oiro e uma
série de outros mitos relacionados com essa história.
Juntamente com outros três poetas alexandrinos, que também
se debruçaram sobre os temas da mitologia, os poetas pastoris
Teócrito, Bíon e Mosco perderam a simplicidade da
crença nos deuses, que caracteriza Hesíodo e Píndaro,
e apresentam-se, pois, já muito afastados da profundidade
e da gravidade das ideias religiosas dos poetas trágicos;
ainda não tocam, porém, a frivolidade de Ovídio.
Dois escritores já do fim dessa época, Apuleio, latino,
e Luciano, grego, ambos do século II da era cristã,
vêm trazer um contributo bastante notável. A célebre
história de Cupido e Psique é contada por Apuleio,
que escreve bastante à maneira de Ovídio. Luciano,
por seu turno, tem um estilo muito pessoal, muito sui generis: satirizou
os deuses, que, na sua época, se tinham tornado já
assunto jocoso. Não obstante, dá, a propósito,
muitas indicações úteis.
Apolodoro, grego também, é, depois de Ovídio,
o mitógrafo antigo de produção mais vasta;
no entanto, ao contrário do que acontece com Ovídio,
é muito terra a terra, chegando a ser, por vezes, um tanto
enfadonho. A data em que viveu tem sido fixada diferentemente ao
longo do período que medeia entre o século I a. C.
e o século IX da era cristã. Segundo a opinião
do erudito inglês Sir J. G. Frazer, as suas obras terão
sido escritas muito provavelmente no século I ou no Século
II da nossa era.
O grego Pausânias, viandante entusiasta, autor do primeiro
guia escrito, tem muito que dizer sobre os acontecimentos mitológicos
que constava terem ocorrido nos locais que visitou. Viveu já
nos derradeiros anos do século II d. C., mas não põe
em discussão quaisquer dos argumentos das histórias
relatadas, e a sua obra tem um carácter de absoluta seriedade.
Virgílio ocupa posição proeminente em relação
a todos os escritores romanos, não que acreditasse mais nos
mitos do que Ovídio, de quem foi contemporâneo, mas
achou que havia neles algo característico da natureza humana
e, por isso, deu vida a determinadas personagens mitológicas
como ninguém antes dele conseguira, desde os tragediógrafos
gregos.
Outros poetas romanos versaram o tema dos mitos. Catulo narra várias
histórias e Horácio alude com frequência a esta
ou àquela, mas nem um nem outro tem grande importância
para o estudo da mitologia. Para todos os romanos as histórias
eram infinitamente remotas, meras sombras. Os melhores guias para
o conhecimento da mitologia grega são, pois, os autores gregos,
que acreditavam no que escreveram.
AO DOZE OLIMPIANOS
"Os gregos não acreditavam que os deuses tivessem criado
o Universo; pensavam precisamente o contrário - o universo
criara os deuses...
Primeiro, formaram-se o CÉU e a TERRA... Estes foram os
primeiros pais...
Vieram depois os filhos: os TITÃS... seres supremos do Universo...
de estatura descomunal... Apesar de muito numerosos, só nos
restam:
CRONOS (SATURNO), o mais importante que dominou os primitivos deuses...
até ao momento em que o seu filho ZEUS o destronou e tomou
conta do poder...
OCEANO - o rio que envolvia a Terra...
TÉTIS - esposa de Oceano...
HIPERÍON - pai do sol, da lua e da Aurora...
MNEMOSINE - que significa "memória"...
TÉMIS - equivalente à ideia de justiça...
JÁPETO - pai de ATLAS que trazia o Mundo às costas...
e de PROMETEU, o salvador da humanidade
pp. 29 - 45
OS 12 Deuses DO OLIMPO:
1. ZEUS - JÚPITER - filho de CRONOS que destronou o pai,
e irmão de POSÍDON (NEPTUNO), HADES (PLUTÃO)
e de HÉSTIA (VESTA), dividiu o universo com os irmãos
e tornou-se o chefe supremo...
2. POSÍDON - NEPTUNO - irmão de ZEUS - JÚPITER
ficou com o MAR...
3. HADES - PLUTÃO, irmão dos dois, ficou com o Inferno...
4. HÉSTIA - VESTA, a irmã dos três...
5. HERA - JUNO, a mulher de ZEUS - JÚPITER...
6. ARES - MARTE, o filho de ZEUS - JÚPITER e HERA - JUNO...
7. ATENA - MINERVA
8. APOLO
9. AFRODITE - VÉNUS
10. HERMES - MERCÚRIO
11. ARTEMISA - DIANA
12. HEFESTO - VULCANO - o filho de HERA - JUNO e talvez filho de
ZEUS - JÚPITER
POSÍDON (NEPTUNO)
Posídon, irmão de Zeus, era o Senhor do Mar e ocupava
o segundo lugar, a seguir àquele, na hierarquia dos Olimpianos.
Os gregos de ambas as costas do mar Egeu eram homens devotados às
fainas marítimas e, por isso, o Deus do Mar tinha para eles
uma importância muito especial. Anfitrite, sua mulher, era
uma das netas do titã Oceano. Posídon possuía
um palácio esplendoroso no fundo do mar, mas, a maior parte
das vezes, encontrava-se no Olimpo.
Além de Senhor dos Mares, foi ele quem deu o primeiro cavalo
ao homem - dois motivos igualmente válidos para a sua veneração.
Nosso Posídon, de vós este nosso orgulho temos,
os fortes cavalos, os jovens corcéis e também o domínio
das profundezas do mar.
A tempestade e a bonança estavam sob o seu comando:
Ele dava uma ordem e o vento da tempestade
E as vagas do mar surgiam.
Mas, quando ele passava por sobre as águas, conduzindo o
seu carro de oiro, a agitação das ondas amainava e
logo advinha uma paz tranquila sob o rolar suave das rodas.
Chamavam-lhe habitualmente o "Agitador da Terra" e era
sempre representado com o tridente (uma lança de três
pontas), com o qual agitava ou destruía aquilo que lhe apetecia.
O seu nome estava associado ao toiro e ao cavalo; o toiro, porém,
era associado também a muitos outros deuses.
pp. 36...
FEBO APOLO
Filho de Zeus e de Leto (Latona) , nasceu na pequena ilha de Delos.
Tem sido chamado "o mais grego de todos os deuses". É
uma bela figura da poesia grega, o músico mestre que deleita
o Olimpo, quando tange a sua lira de oiro; é também
o Deus do Arco de prata, o Deus da Flecha de grande alcance; o Curandeiro,
que ensinou, pela primeira vez, ao homem a arte de curar todas as
doenças. Além destes belos atributos, Apolo é
igualmente o Deus da Luz, em quem não existe a mínima
mácula e por isso, é também o Deus da Verdade
- nunca nenhuma palavra falsa brota dos seus lábios.
Oh! Febo, do teu trono de Verdade,
Do lugar que habitas no coração do mundo,
Tu falas aos homens.
Por ordem de Zeus, nunca dizes uma mentira,
Uma sombra que escureça o mundo da Verdade.
Zeus selou, por direito eterno,
A honra de Apolo, em quem todos podem cnfiar
Com fé inabalável.
Delfos, sob o imponente monte Parnaso, onde ficava o oráculo
de Apolo, desempenha um papel importante na mitologia; aí
se situava a fonte Castália e o rio Cefisso. Era considerada
o centro do mundo e, por isso, muitos peregrinos, oriundos quer
de países estrangeiros quer da própria Grécia,
vinham visitá-la. Não havia santuário que rivalizasse
com essa fonte. As respostas às perguntas daqueles que, ansiosos,
procuravam a Verdade eram pronunciadas por uma sacerdotisa, que
entrava em transe antes de falar. Supunha-se que o transe era provocado
pelos vapores provenientes de uma profunda fenda do rochedo sobre
o qual se colocava o banco de três pés, o trípode,
em que ela se sentava.
Apolo era chamado Délio por ter nascido na ilha de Delos,
e Pítio por ter morto a serpente Píton, que, em tempos,
vivera nas cavernas do monte Parnaso. A luta foi dura, pois tratava-se
de um monstro aterrador; mas, por fim, as suas flechas certeiras
deram-lhe a vitória. O nome que, muitas vezes também,
lhe é atribuído, o Lício, explica-se de modo
diferente; para uns, significa Deus-Lobo, para outros, Deus da Luz
ou ainda Deus da Lícia. Na Ilíada, é chamado
o Smíntio, o Deus-Rato, mas não se sabe ao certo por
que razão, se por proteger os ratos se por os destruir. Frequentemente
era também o Deus-Sol. O seu outro nome, Febo, significa
"brilhante" ou "cintilante". Mais exactamente,
porém, o Deus-Sol era Hélio, filho do titã
Hiperíon.
Em Delfos, Apolo era um poder puramente benéfico, um elo
entre os deuses e os homens, ajudando estes a conhecer a vontade
divina, mostrando-lhes como haviam de pactuar com eles; era também
o purificador, capaz de tornar imaculados até aqueles que
se manchavam com o sangue dos próprios parentes. Não
obstante, contam-se histórias acerca dele que o revelam impiedoso
e cruel. Duas ideias se digladiavam no seu íntimo, como em
todos os deuses, aliás: uma, eivada de primitivismo e crueldade,
outra, bela e poética. No caso de Apolo, apenas uns laivos
de primitivismo ficaram associados à personalidade que o
caracteriza habitualmente.
O loureiro era a sua árvore, e havia muitos animais que lhe
eram consagrados, entre os quais se destacavam o delfim e o corvo.
ARTEMISA (DIANA) .
Também chamada Cíntia, de acordo com o nome do lugar
em que nascera, o monte Cinto, em Delos.
Irmã gémea de Apolo, filha de Zeus e de Leto, era
uma das três deusas virgens do Olimpo:
Afrodite aureolada de oiro insufla amor a toda a criação.
Não é capaz de dominar nem armar cilada a três
corações: a pura donzela Vesta,
Atena dos olhos cinzentos, que só se preocupa com a guerra
e com os trabalhos dos artesãos,
Artemisa, amante dos bosques e da caça nas montanhas.
Era a Senhora da Floresta, Caçadora-Chefe dos Deuses, cargo
um tanto estranho para ser desempenhado por uma mulher. Como boa
caçadora que era, tinha o cuidado de preservar os animais
jovens, sendo, portanto, a "protectora da juventude".
Não obstante, devido a uma dessas espantosas contradições
tão vulgares na mitologia, impediu que a armada grega navegasse
rumo a Tróia enquanto esta não sacrificou em sua honra
uma donzela.
Em muitas outras histórias mostra-se igualmente feroz e vingativa.
Por outro lado, quando as mulheres morriam subitamente, sem sofrimentos
prolongados, dizia-se que tinham sido vítimas das suas setas
de prata.
Assim como Febo era o Sol, ela era a Lua, chamada Febe e Selene
(Luna, em latim). Nenhum destes nomes, porém, lhe pertenciam
originariamente. Febe era um titã, um dos deuses da primitiva
geração, tal como Selene - uma deusa da Lua, realmente,
mas não relacionada com Apolo. Era irmã de Hélio,
o Deus-Sol, com quem se confundia Apolo.
Nos poetas posteriores, Artemisa foi identificada com Hécate.
É a "deusa que pode assumir três aspectos",
Selene, no Céu, Artemisa, na Terra, Hécate, nos Infernos
e na Terra, quando esta se encontra envolta em trevas. Hécate
era a Deusa da Lua Nova, das noites de breu, em que a Lua não
é visível. Como Deusa das Encruzilhadas, lugares que
eram considerados fantasmagóricos, de magia nefasta, estava
associada a tudo o que acontecia na escuridão. A divindade
terrível.
Hécate dos infernos
Capaz de aniquilar toda a rebeldia.
Escuta! Escuta! Os seus cães andam a ladrar pela cidade,
Onde três caminhos se cruzam, ela lá está!
É m uma estranha transformação da encantadora
Caçadora desferindo as suas setas por toda a floresta, da
Lua embelezando tudo à sua volta com o luar, da casta Deusa-Virgem
para quem
Quem quer que seja absolutamente casto de espírito
Pode colher folhas e flores e frutos.
Os impuros nunca.
Através dela é revelada o mais vividamente possível
a hesitação entre o bem e o mal, mais ou menos evidente
em todas as divindades.
O cipreste era-lhe consagrado, bem como todos os animais selvagens,
mas muito em especial a corça.
Pp 39
AFRODITE (VÉNUS)
A Deusa do Amor e da Beleza, que seduzia todos, tanto deuses como
mortais; a deusa alegre, que ria ora docemente ora de modo trocista
daqueles que os seus ardis haviam conquistado; a deusa irresistível,
que até aos mais sensatos subtraia as faculdades mentais.
Filha de Zeus e de Dione, segundo a Ilíada; em poemas posteriores,
porém, afirma-se ter brotado da espuma do mar, sendo o seu
nome explicado precisamente como "a que nasceu da espuma do
mar". Aphros é o vocábulo grego que significa
espuma. Este nascimento marítimo ocorreu perto da ilha de
Citera, donde foi levada suavemente pela brisa para Chipre. Ambas
as ilhas foram, desde então, consagradas à deusa.,
daí serem tão correntes as designações
de Citereia e de Cípria.
Um dos Hinos Homéricos, que a chama de "bela deusa dourada",
fala-nos assim:
O sopro do vento poente fê-la brotar
Do sussurrante mar,
Por sobre a delicada espuma a impeliu
Para Chipre envolta; em ondas, a sua ilha.
E as Horas engrinaldadas de oiro
Receberam-na com júbilo.
Envolveram-na em vestes imortais
E foram levá-la aos deuses.
Todos ficaram maravilhados quando contemplaram
A Citereia coroada de violetas.
Os Romanos escreveram sobre ela no mesmo tom. Quando Vénus
aparece surge a própria beleza. Os ventos e as nuvens da
tempestade desaparecem na presença dela; a terra vê-se
ornamentada de belas flores; as ondas do mar riem; a deusa move-se
envolta num halo de luz radiosa. Sem ela não há alegria
nem ,beleza em parte alguma - é a imagem que os poetas mais
se deleitam em apresentar.
Esta, porem, não era a sua única faceta. É
perfeitamente natural que, na Ilíada, cujo tema é
a luta entre heróis, Afrodite não passe de uma figura
apagada. Nesse poema ela é, com efeito, um ser brando, débil,
que qualquer mortal não receia atacar. Noutras obras posteriores,
no entanto, é normalmente traiçoeira e má,
exercendo sobre os homens uma influência fatal e destruidora.
Na grande maioria das histórias surge como mulher de Hefesto
(Vulcano), o Deus da Forja, disforme coxo.
O mirto era a sua árvore; a pomba a sua ave, e, por vezes,
o pardal e o cisne.
pp. 41...
HERMES (MERCÚRIO)
Zeus era seu pai e Maia, filha de Atlas, sua mãe. Devido
a uma estátua que o representa e que se tornou muito popular,
o aspecto deste deus é-nos muito mais familiar do que o de
qualquer outro. Os seus movimentos eram graciosos e rápidos.
Usava sandálias aladas; tinha asas também no chapéu
coroado, bem como no bastão, o caduceu. Era o Mensageiro
de Zeus, que voava "tão célere como o pensamento,
para cumprir as suas ordens".
De todos os deuses era ele o mais arguto e o mais astuto. De facto
era o Chefe dos Ladrões; dera início à sua
carreira ainda antes de completar um dia de vida.
Nasceu ao despontar do dia
E antes da noite cair já tinha roubado
Os rebanhos de Apolo.
Zeus obrigou-o a restituir tudo, e Hermes conseguiu o perdão
de Apoio presenteando-o com a lira que acabara de inventar e que
fizera com uma concha de tartaruga. Talvez houvesse qualquer relação
entre essa sua história, muito antiga, e o facto de ser o
Deus do Comércio e dos Mercados, o protector dos comerciantes.
Em estranho contraste com esta ideia, Hermes é considerado
também o solene guia dos mortos, o Mensageiro dos Deuses,
que conduzia as almas ate à sua última morada.
Este deus aparece mais frequentemente nos contos de mitologia do
que qualquer outro.
pp. 357 - 362
A CASA DOS ATRIDAS
A principal importância da história de Atreu e dos
seus descendentes reside no facto de o poeta trágico do século
V Ésquilo a ter utilizado como tema da trilogia A Oréstia,
constituída pelas suas maiores peças: Agamémnon,
As Coeforas e As Euménides. Esta obra não tem rival
em toda a tragediografia grega. excepção feita às
quatro peças de Sófocles, cujo assunto se concentra
em Édipo e nos seus filhos. Píndaro, nos princípios
do século V, narra a versão corrente do festim que
Tântalo ofereceu aos deuses, protestando não ser verdadeiro.
O castigo infligido a Tântalo e descrito várias vezes,
primeiro, na Odisseia, donde foi extraído para a presente
obra. A história de Anfião, tal como a de Níobe,
foram buscar-se a Ovídeo, que é o único e contá-las
na íntegra. Para a vitória de Pélope na corrida
de quadrigas preferiu-se Apolodoro (séculos I ou 11 da era
cristã), que nos legou o relato mais completo que chegou
até nós. A história dos crimes de Atreu e de
Tiestes, bem como de todos os factos que se lhes seguiram. foi baseada
na Oréstia, de Ésquilo.
A Casa dos Atridas é uma das mais célebres da mitologia.
Agamémnon, que chefiou os Gregos em Tróia, pertencia
a essa família e todos os seus parentes mais próximos,
a mulher, Clitemnestra, os filhos, Ifigénia, Orestes e Electra,
foram tão conhecidos como ele; o irmão, Menelau, foi
marido de Helena, a causadora da Guerra de Tróia.
Trata-se efectivamente de uma casa malfadada. A causa de todos
os infortúnios parece ter sido um antepassado, um rei da
Lídia chamado Tântalo, que, ao come- ter um acto de
perversidade atroz, fez cair sobre si um dos mais terríveis
castigos. Mas o pior foi que a maldição não
o atingiu só a ele. O mal que ele originou prolongou-se após
a sua morte; os seus descendentes também incorreram em actos
reprováveis e foram por isso punidos. Pairava sobre a família
como que uma obsessão maldita; os homens eram levados a pecar,
por vezes contra vontade, acarretando sofrimento e morte tanto a
inocentes como a culpados.
TANTALO e NÍOBE
Tântalo, como filho de Zeus, era muito mais considerado pelos
deuses do que qualquer outro descendente mortal do Senhor do Olimpo
- convidavam-no para a sua mesa, saboreava a ambrosia e o néctar,
que só ele podia partilhar com os imortais. Mais ainda: honraram
com a sua presença um banquete que Tântalo ofereceu
no seu palácio e condescenderam em conviver com ele na Terra.
Em troca desses favores, ele agiu de modo tão medonho que
não houve ainda nenhum poeta que conseguisse explicar cabalmente
a sua conduta. Mandou matar seu filho Pélope, cozinhá-lo
num grande caldeirão e servi-lo aos deuses. Aparentemente
tal acto teria sido consequência de uma paixão de ódio
que nutria por eles e que o dispôs a sacrificar o filho, a
fim de lhes fazer sentir, o horror de serem canibais; mas também
se põe a hipótese de ter querido mostrar-lhes da maneira
mais espantosa e chocante, sem dúvida, quão fácil
era para ele desapontar as divindades temíveis, veneradas
e humildemente adoradas. Com este escarnecer dos deuses e a sua
desmedida autoconfiança, Tântalo nunca sonhou que os
convidados descobrissem a espécie de alimento que lhes apresentava.
Fora um louco! Os Olimpianos estavam a par do que se passava. Retiraram-se,
pois, do banquete execrando e insurgiram-se contra o criminoso que
o havia idealizado. O seu castigo ia ser de tal ordem, declararam,
que ninguém, depois dele, ao ter conhecimento do sofrimento
a que fora condenado, ousaria insultá-los de novo. O superpecador
foi colocado num poço, no Hades, mas sempre que na sua atormentadora
sede se inclinava para beber não conseguia chegar à
água, pois ela desaparecia, infiltrando-se no chão,
enquanto ele se curvava; quando se levantava, lá aparecia
a água novamente. Por sobre o poço pendiam árvores
de fruto carregadas de pêras, de romãs, de maçãs
rosadas, de doces figos. Todas as vezes que esticava a mão
para apanhar um fruto o vento punha os ramos fora do seu alcance,
fazendo-os subir muito alto nos ares. Assim ficou para a eternidade,
a garganta imortal sempre sedenta, a fome no meio da abundância,
incapaz de a satisfazer.
Os deuses restituíram Pélope à vida, mas tiveram
de lhe moldar um ombro de marfim. Uma das deusas, uns dizem que
Deméter, outros, Tétis, teria comido inadvertidamente
do repugnante manjar; no momento em que os membros do rapaz foram
repostos no seu lugar, deu-se pela falta de um ombro. Esta história
detestável parece ter sido transmitida de geração
em geração em toda a sua forma brutal e crua, sem
qualquer tentativa de aligeiramento; os gregos das épocas
posteriores, no entanto, protestaram contra ela, pois não
era do seu agrado. O poeta Píndaro chamou-lhe:
Conto envolto em mentiras reluzentes contra a palavra da verdade.
Que não se fale de actos de canibalismo entre os deuses bem-aventurados!
Desde então, a vida de Pélope correu sem mais incidentes;
foi o único descendente de Tântalo não marcado
pelo infortúnio. Fez um casamento feliz, embora cortejasse
a perigosa princesa Hipodamia, causa de muitas mortes; contudo,
os homens não morriam propriamente por ela, mas por culpa
de seu pai (Enumau). O rei tinha uma maravilhosa parelha de cavalos,
superiores aos cavalos mortais, como é natural - tinham sido
uma oferta de Ares. Não queria que a filha casasse e, sempre
que um pretendente lhe vinha pedir a mão de Hipodamia, punha-o
ao corrente de que teria de competir com ele para conseguir o seu
intento - se os cavalos do hipotético noivo ganhassem, a
princesa casaria com ele; caso contrário, o jovem seria obrigado
a pagar com a própria vida a sua derrota. Muitos pretendentes
encontraram, assim, a morte. Pélope, apesar de tudo, ousou
realizar a prova. Tinha confiança nos seus cavalos, que,
no seu caso, haviam sido presente de Posídon. Ganhou a corrida.
Há uma versão, porém, segundo a qual Hipodamia
parece ter tido maior influência neste triunfo do que propriamente
os cavalos de Posídon - ou se apaixonou por Pélope
ou pensou ter chegado a altura de pôr termo àquelas
corridas de consequências trágicas. Teria, então,
subornado o cocheiro da quadriga do pai, Mirtilo, para que a ajudasse.
Arrancou para o efeito os raios que prendiam as rodas do carro real,
e a vitória coube, sem qualquer dificuldade, a Pélope.
Posteriormente, este matou Mírtilo, que, ao expirar, amaldiçoou
o assassino; há quem perfilhe a ideia de que foi esta a causa
das infelicidades que vieram a suceder-se na família. A maioria
dos escritores, no entanto, e certamente com boas razões,
partilha a opinião de que foi a malvadez de Tântalo
a fonte das desgraças que caíram sobre os seus descendentes.
(Níobe - a Pedra donde correm dois rios de água...)
Nenhum deles sofreu maior maldição que sua filha
Níobe e, contudo, a princípio parecia que os deuses
lhe tinham reservado melhor sorte que a do irmão Pélope.
Foi feliz no casamento; o marido, Anfião (filho de Zeus)
, era um músico incomparável. Ele e seu irmão
gémeo, Zeto, empreenderam a fortificação de
Tebas, mandando erguer uma alta muralha em redor da cidade. Zeto,
homem de grande força física, costumava censurar a
negligência do irmão pelos desportos viris e o seu
gosto pelas artes. Mas, no momento em que se pretendia arranjar
pedra suficiente para a construção das muralhas, foi
o músico e a sua arte que prestaram melhores ser viços,
suplantando, de longe, o forte atleta - arrancou sons tão
arrebatadores à sua lira que as próprias rochas se
moveram e o seguiram para Tebas.
Anfião e Níobe reinaram com inteiro agrado de todos.
Chegou a altura, porém, em que a rainha mostrou que a louca
arrogância de Tântalo estava também latente em
si. Devido à grande prosperidade de que desfrutava, considerava-se
superior, crendo-se acima de tudo o que os mortais temem e veneram.
Era de nascimento nobre e descendente de famílias abastadas
e poderosas; tivera sete filhos, que se tornaram jovens valentes
e sete filhas, as mais belas entre as belas - julgava-se, pois,
com poder suficiente não apenas para atraiçoar os
deuses, tal como seu pai, mas também para os desafiar abertamente.
Invocou o povo de Tebas a venerá-la: "Queimam incenso
em honra de Leto e, no entanto, que é ela ~ parada comigo?
Teve apenas dois filhos, Apolo e Artemisa; eu tive sete vezes mais.
Além disso, sou rainha; e ela, até chegar à
minúscula Delos, o único lugar do mundo que consentiu
em recebê-la, afinal, não passava de uma vagabunda
sem lar! Sou feliz, forte e poderosa - suficientemente poderosa
para lutar contra quem se me opuser, quer seja homem quer seja deus.
Dediquem-me os sacrifícios que oferecem no templo de Leto,
que, a partir de agora, passará a ser meu, e não dela!"
As palavras insolentes pronunciadas com a consciência arrogante
do poder chegavam sempre ao Céu e nunca deixavam de ser punidas.
Apolo e Artemisa deslizaram rapidamente do Olimpo até Tebas
e, à uma, o Deus do Arco e a caçadora divina, atirando
com pontaria certeira, abateram os filhos e as filhas de Níobe.
A rainha assistiu à mortandade demasiado angustiada para
poder falar. Afundou-se no meio daqueles corpos jovens e fortes,
tão cedo ceifados à vida; caiu imobilizada pela dor
imensa, muda como uma pedra, o coração empedernido
dentro do peito; apenas as lágrimas brotavam em torrentes
contínuas. Foi transformada em pedra, que ficou húmida
para a eternidade devido às lágrimas que derrama.
Pélope foi pai de dois filhos, Atreu e Tiestes. A herança
do mal também desceu sobre eles na sua máxima força.
Tiestes apaixonou-se pela mulher do irmão conseguindo que
ela faltasse ao cumprimento dos votos do casamento. Atreu descobriu
e jurou vingar-se como ninguém até então. Matou
os dois filhinhos do irmão, mandou-os mutilar membro a membro,
cozinhar e servir ao pai. Quando Tiestes acabou Ide comer...
Pobre miserável! Ao saber dó acto execrando,
Deu um grito terrível e caiu por terra - cuspiu
A carne que tragara; amaldiçoou aquela casa, chamando sobre
ela
Todos os males intoleráveis; a mesa. do banquete esmagou-se
contra o chão.
Atreu era rei. Tiestes não tinha quaisquer poderes. O crime
atroz não foi vingado durante a vida do soberano; foram os
filhos e os filhos dos filhos que vieram a sofrer.

in
MITOLOGIA CLÁSSICA Guia Ilustrado, A. R. HOPE MONCRIEFF
-
As origens da Mitologia e autores que a tratram e a podiam "deturpar"
e usar... p. 8
-
Os 14 Deuses mais ilustres reconhecidos pelos POETAS... pp. 8 -
13
TRANCRIÇÕES
DA OBRA:
"O mito conta uma história sagrada; relata um acontecimento
que teve lugar no tempo primordial, no tempo fabuloso das origens."
Mircea Eliade
In MITOLOGIA CLÁSSICA - Guia Ilustrado - A. R. Hope Moncrieff
- editorial Estampa / Círculo de Leitores, Lisboa, 1992
"INTRODUÇÃO
Este volume é uma versão abreviada da obra de A. R.
Hope Moncrieff Classic Myth and Legend. Como afirma o autor no prefácio
original, "trata das célebres ficções
lendárias da Grécia Antiga que tantos temas e alusões
proporcionaram aos autores modernos".
Transmitidas por via oral de geração em geração
durante milhares de anos, estas antigas histórias foram eventualmente
postas por escrito e depois aproveitadas pelos poetas e dramaturgos
gregos do último período, e assim transmitidas através
dos séculos até nós.
Hope Moncrieff declara que a sua tarefa foi "reproduzir as
características principais desta mitologia, geralmente segundo
a versão mais conhecida, mas por vezes tendo em conta o gosto
dos leitores que não digeririam facilmente as grosserias
que não ofendiam os ouvintes de outros tempos. Uma certa
selecção ou supressão praticadas justificam-se
pelo exemplo clássico; mas a intenção é,
na medida do possível, apresentar o espírito grego
tal como se revela nas suas famosas fábulas, e tornar familiares
os nomes e caracteres tantas vezes citados em poesia, em oratória
e na história".
Não há dúvida de que a mitologia grega, com
o seu vasto elenco de deuses e semideuses, heróis e mortais,
ninfas dos bosques e das águas, monstros da terra e do mar,
as alturas do Olimpo e as profundezas do Hades, muito deve ao génio
e à imaginação dos Gregos. A própria
tradição destas histórias remonta ao tempo
em que ainda não tinham sido contadas pela primeira vez,
isto é, a um passado pré-helénico.
Os dois grandes feitos épicos da mitologia grega são
evidentemente os relatados por Homero na sua Ilíada, onde
descreve a guerra de Tróia, e na Odisseia, que conta as aventuras
de Ulisses na sua perigosa viagem de regresso à pátria.
Homero escreveu estas histórias no ano 800 a. C. - quatrocentos
anos depois da guerra de Tróia. Extraídos de Homero
e do seu contemporâneo Hesíodo, estes temas e muitos
outros mitos clássicos de fontes desconhecidas foram relatados
nas peças de Ésquilo e Sófocles, nas Metamorfoses
de Ovídio, nas Vidas Paralelas de Plutarco, nas Odes de Píndaro
e nas Descrições da Grécia de Pausânias,
entre outras.
O resultado, escreve Hope Moncrieff, foi que "podemos encontrar
feitos semelhantes atribuídos a personagens diferentes e
versões diversas, por vezes contraditórias, do que
parece ser a, mesma história. Claro que isto não é
novo em mitologia. Os escritores clássicos que tinham de
lidar com esta confusão de tradições eram mais
ou menos livres para as "deturpar" segundo os seus próprios
gostos e preconceitos... Hércules aparece como contemporâneo
de muitos heróis, alguns dos quais deviam ser demasiado velhos
ou demasiado jovens para terem alguma utilidade entre os Argonautas,
de quem ele era companheiro de bordo".
O estilo lírico de Hope Moncrieff nestas histórias
faz-se eco do próprio lirismo e da poesia com que os mitos
épicos eram originariamente tratados. Com toda a sua natureza
fantástica e a ausência de incrudelidade que a sua
leitura requer, são histórias cujos temas ainda hoje
dizem muito - o esforço, a perseverança e o espírito
aventureiro dos homens, o amor e o ódio, a bravura e a cobardia,
o ciúme, a tentação, a vingança e até
o mérito.
Uma relação completa de todos os personae dramatis
da mitologia grega não tem aqui cabimento. A lista que se
segue apresenta, porém, catorze das personagens mais notáveis,
com pormenores tão bem documentados, que são geralmente
aceites como "factos". O parentesco, as características,
os triunfos e os desaires dos protagonistas mais importantes são
revelados à medida que as histórias individuais se
desenrolam; mas primeiro vamos remeter-nos à narrativa de
Hope Moncrieff na sua descrição do Panteão.
O Panteão dos 14 DEUSES mais conhecidos
Os poetas reconhecem geralmente entre doze e dezasseis grandes deuses
e deusas, cujo domínio sobre o homem e a natureza só
é interrompido pelas suas próprias rixas. (No entanto,
curvavam-se ocasionalmente perante um Destino vagamente imaginado
como senhor de toda a vida, humana e sobrenatural.) A lista que
se segue destas personagens divinas apresenta primeiro o seu nome
principal e depois, entre parênteses, os nomes mais familiares
da divindade latina.
ZEUS (Júpiter, Jove) era o rei da terra e do ar e senhor
supremo do Olimpo, mas nem mesmo ele estava livre da força
do que tem de ser. Apresenta-se com um aspecto magnificente, de
barba encaracolada, por vezes com uma coroa de folhas de carvalho,
segurando nas mãos os raios com que flagelava os ímpios.
Uma águia serve-o como ministro da sua vontade e tem como
pagem ou copeiro Ganimedes, um rapaz tão belo que Zeus mandou-o
raptar do monte Ida, para o fazer imortal no céu.
HERA (Juno), esposa de Zeus, era a rainha legítima do Olimpo.
Com o seu ciúme deu ao marido uma vida agitada. As suas outras
características eram o orgulho e a arrogância, e sempre
se mostrava pronta a ofender-se por qualquer desfeita da parte de
deuses ou de homens. Tinha como criada Íris, o arco-íris,
que levava as suas mensagens para a Terra. A filha Hebe servia de
copeira, juntamente com Ganimedes, da mesa celestial.
APOLO (entre os seus muitos pseudónimos Febo é o mais
conhecido) era o mais belo e o mais amado dos habitantes do Olimpo.
Ao lado de sua irmã Selene, a Lua, figura como Hélio,
o Sol, e era também conhecido por Hiperíon. Era filho
de Zeus e de Leto (Latona), que foi levada para Delos por causa
do ciúme de Hera (Juno). Em virtude da contínua perseguição
que esta impunha a sua mãe, Apolo foi criado por Témis
e tão bem se desenvolveu neste cenário que, ao seu
primeiro gole de néctar e ambrósia, rebentou os cueiros
e surgiu como um jovem adulto que pedia a lira e o arco de prata
com que é habitualmente representado.
ARTEMÍSIA (Diana), irmã gémea de Apolo, também
tinha vários pseudónimos. Um era o famoso Diana, dos
naturais de Éfeso, cujo templo figurava entre as Sete Maravilhas;
outro era a cruel deusa Tauris. A Artemísia da Arcádia
era uma deusa da caça e da vida selvagem. Casta em excesso,
o seu ciúme fatal era mais facilmente suscitado pela presunção
dos mortais do que pelo amor.
ATENA (Minerva) era outra deusa virgem, cujo pseudónimo,
Palas, pode ter derivado de um herói ateniense com esse nome.
O seu nome principal, contudo, mostra a sua afinidade com a cidade
que a glorificou com o célebre Parténon. Supõe-se
que brotou, adulta e armada, da cabeça do pai, Zeus. É
muitas vezes representada com uma armadura e por isso passava por
deusa da guerra; mas a sua verdadeira vocação era
a fantasia, as artes e ofícios e os trabalhos manuais femininos.
Os seus animais sagrados eram a serpente,o galo e a coruja.
AFRODITE (Vénus), a deusa do amor, era filha de Zeus segundo
uma lenda, embora um velho mito diga que brotou do mar. O seu nome,
"nascida da espuma", confirma essa origem. Era dotada
de suaves encantos e a posse da sua faixa ajudava a inspirar amor.
CUPIDO (o Eros grego, mas mais conhecido pelo nome latino) era
filho de Vénus. Poetas e artistas muito têm aproveitado
este diabinho divertido, nu e alado, com os olhos por vezes vendados.
A sua luz incendiava corações e as setas que disparava
com descuidada malícia tinham umas vezes a ponta de ouro
para despertar o coração, outras vezes de chumbo para
fazer parar o palpitar do amor.
HEFESTO (Vulcano) era o deus do fogo, nas suas aplicações
industriais. Este sujeito coxo e feio fazia de bobo do Olimpo -
o seu manquejar fazia com que os deuses mais elegantes desatassem
em gargalhadas infindáveis. Grosseiro e negro como era, não
havia dúvidas quanto à sua utilidade. Para os heróis
do mito imaginou obras-primas como o escudo de Hércules,
a armadura de Aquiles e o ceptro de Agamémnon. As suas oficinas
situavam-se naturalmente em ilhas vulcânicas, onde os Ciclopes
actuavam como ajudantes.
ARES (Marte), filho de Zeus e de Hera, era o deus da guerra. Na
mitologia grega, este atleta fanfarrão não faz grande
figura, apresentando algo do mau génio e da estupidez selvagem
que são naturalmente atribuídos aos gigantes lendários.
Em Roma, Marte guindou-se a uma categoria mais elevada.
HERMES (Mercúrio) era outro filho de Zeus. A sua função
específica era a de mensageiro e arauto dos deuses, pelo
que é representado como um jovem belo e ágil, com
sandálias aladas e um chapéu de abas largas, também
com asas. Hermes veio a ser considerado deus dos rebanhos e também
do comércio e dos ladrões, ligação natural
quando o gado era o padrão dos preços. Era também
o guardião das estradas, das invenções inteligentes,
dos jogos de azar e de uma quantidade de outros aspectos da vida
quotidiana aparentemente não relacionados uns com os outros.
POSEIDON (Neptuno), irmão de Zeus, era deus dos mares, debaixo
dos quais possuía um maravilhoso palácio dourado com
grutas enfeitadas de corais e de flores marinhas e iluminado por
luzes fosforescentes. O seu ceptro era o tridente e movia-se num
carro puxado por golfinhos, cavalos-marinhos ou outras criaturas
do mar.
PLUTÃO, senhor do mundo subterrâneo, era o mais temível
dos deuses, imaginado como uma figura carrancuda sentada num trono
de ébano ou guiando um carro puxado por corcéis negros
como carvão. Brandia uma lança de duas pontas e entre
os seus pertences havia um elmo que tinha o poder de lançar
um feitiço de invisibilidade.
DIONISO (Baco), filho de Zeus, era sempre jovem, belo e efeminado.
Vestido com uma pele de pantera, tinha uma coroa de folhas de videira
e cachos de uvas e, como ceptro, segurava um bastão entrelaçado
de folhas de hera ou de videira. Veio para a Grécia com a
cultura da vinha e trouxe consigo orgias orientais que também
tinham a sua faceta religiosa.
PLUTO, o deus da riqueza, era uma personagem diferente de Plutão.
Os antigos acreditavam que Zeus o tinha cegado, e os poetas e os
moralistas, transmitindo a história ao longo dos tempos,
continuaram a fazer notar que a riqueza nem sempre acompanha o mérito.
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