MÉRTOLA - NOMES FALAS & LENDAS...
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2.
as LENDAS
a MITOLOGIA
& os Contos...

3.
o CANTO do Riso AlentejANEDOTAS
& outras falas...

4
a POESIA:
Quadras- Cantigas DÉCIMAS RIMANCES...

5
o CANTE
Gr. Corais
& Modas

QUADRAS - CANTIGAS POPULARES - DÉCIMAS

- QUADRAS - que mencionam MÉRTOLA

- QUADRAS I - QUADRAS II - QUADRAS III - QUADRAS IV - QUADRAS V

- DÉCIMAS - de MANUEL GUERREIRO MARTINS (Mina de S. Domingos) e JOAQUIM MANUEL BENTO (Amendoeira da Serra)

- DÉCIMAS ao MINEIRO - Despique ALENTEJO / ALGARVE I - II

- do ROMANCEIRO I - LAURA LINDA... - II ISOLINA - ORAÇÃO DAS ALMAS

 

O que exprimem as CANTIGAS Populares: “sentimentos: Paixão do amor... prazer, dor, alegria e tristeza, ódio, ciúme, inveja, desgosto, resignação, saudade, melancolia, orgulho... tudo nela se versa...” “Os próprios sentimentos – religioso, moral, intelectual, estético, aí se retratam”.

In Corais alentejanos de José Francisco Pereira – Edições Margem 1997 – p. 25 sobre a Flora... Ver p. 21...Ver ainda fenómenos e figuras de estilo... pp. 34 e 35
 
As QUADRAS e CANTIGAS - podem exprimir ainda:

1. Toponímia – Mértola... Guadiana...

2. Fauna – Passarinhos... animais existentes na região... animais do trabalho... bois...

3. Flora – Plantas flores... lírio roxo... Vivo no jardim do mundo... rosa roseira botão...

4. Comoções, paixões, sentimentos... - (medo cólera, ternura, amor, ciúme, ódio, inveja orgulho, alegria e tristeza, prazer e dor, melancolia, desgosto, resignação, saudade... Ó minha mãe, minha mãe...

5. Partes e órgãos do corpo humano – olhos... rosto... coração...

6. Peças de vestuário e objectos de adorno... saia... anel... lenço...chapéu...

7. Astros – Sol Lua... 8. elementos da natureza... – água... montes... serras... terra  

Vivo no jardim do Mundo,
Nos treze ramos matrizes,
Com cinquenta e duas flores
E vinte e cinco raízes.
(Mértola)

in CONCIONEIRO POPULAR PORTUGUÊS coligido por J. Leite d Vasconcelos, coordenado e com introdução de Maria Arminda Zaluar Nunes, II vol. ACTA UNIVERSITATIS CONIMBRIGENSIS - Por Ordem da Universidade, 1983
 

QUADRAS que mencionam MÉRTOLA

XXXIII CANTIGAS GEOGRÁFICAS E TÓPICAS p. 1
 
p.22
Beja
Adeus, cidade de Beja,
Cada vez me alembras mais!
Adeus, quartel dos soldados,
Sepultura dos meus ais!
 
Adeus, cidade de Beja,
Cativeiro da mocidade,
Cativaste o meu amor
Na felor da sua idade!
Na rua nova de Beja
‘Stá um fio de algodão,
Todos passam, não se prendem,
Só eu fiquei na prisão.
(Mértola)
 
 
68
Mértola
 
Adeus, ó vila de Mértola,
De ti me ‘stou a ausentar;
Há-de ser tarde ou nunca
Quando ê p’ra cá voltar.
(Mértola)
 
69
Adeus, ó vila de Mértola,
És o meu acabamento,
És a causa de eu não ver
Meu amor há muito tempo
 
Adeus, ó vila de Mértola,
Onde a palma reverdece!
Quem tem amores
É porque não nos merece.
 
70
Mina de S. Domingos
 
A Mina de São Domingos,
Palácio de D. Diogo (Referência ao dono da mina)
Onde assiste tanta gente,
Cada um é do seu povo.
(Mértola)
 
107
Serpa
 
Eu não sei que tenho em Serpa
Que sempre me está lembrando.
Em chegando ao Guadiana
As ondas me vão levando...
(Mértola)
 
122
Vila Real de Santo António
 
Ó Vila Real alegre,
Lá ia morrendo à sede!
Uma sécia me deu água (Sécia = flor; neste caso significa rapariga bonita e bem vestida)
Da raiz da salsa verde.
 
 
145
Baixo Alentejo – Beja  

Adeus, estação de Beja,
Adeus, jardim do quartel;
Adeus, ó portas de Mértola,
E a praça de Dom Manuel.
(Mixilhoeira Grande, c. De Portimão)
 
na secção de Rios e suas cercanias: (168)
176
Em setenta e seis se viu (Alusão à grande cheia de 1876)
A desgraça em Portugal:
Tanta água em Gudiana
Nunca se lembra de tal.
 
 
177
1.
No meio do Guadiana
‘Stá um copo de água-mel.
Não é copo nem é água:
São os olhos de Manel.
 
2.
No meio do Guadiana
‘Stá um copo de água fria.
Não é copo nem é água:
São os olhos de Maria.
 
Ó rio Guadiana,
Que para baixo correis:
Não leves o meu amor
Nessas ondas que fazeis.
(Mértola)
 
 
sobre grupos étnicos p.186
 
187
Quero cantar à saloia,
Já que outra moda não sei:
Minha mãe era saloia,
E eu com ela me criei...
 
Sou saloia, honro-me de isso,
P’ra casacas não sou má. Os janotas atrevidos
Sei correr a varapau.
 
Sou saloia trago botas,
E mantéu até ao meio,
Lenço grande no pescoço
P’ra tapar meu lindo seio.
( Ver já noutra citação) (Mértola)
 
Sou saloia trago botas,
Também trago as minhas meias,
Tenho a cintura delgada,
Sem precisar de baleias (Varas de baleia usadas nos espartilhos, para apertar.) (Ver já citada)
 
Sou saloia trago botas,
Também trago meias pretas,
Não me fales em namoro,
Não creio nas tuas tretas...
(Mértola) (já citada)
 
Sou saloia trago botas,
Também trago o meu mantéu,
Também tiro a carapuça
A quem me tira o chapéu...
 
Sou saloia trago botas,
Também trago o meu cordão,
E por medalha pendente
De ouro um bom coração.
(Mértola) (já citada)
 
Sou saloia,
Na cedade de Lisboa;
Dizem todos os janotas:
- Ó saloia, és tão boa !
(Mértola)

 

 

QUADRAS I

In Subsídio para o Cancioneiro Popular do Baixo Alentejo - Manuel Joaquim Delgado – Com. Rec. Notas – Instituto Nacional de Investigação Científica Lx. – Editorial império 2ª Ed. 1980, p.328  

3026
O nosso olhar é espelho
Do que sente o coração.
A boca pode mentir,
O nosso olhar é que não.
(Mértola)
 
3027
Onte'à noite à meia-noite,
A meia-noite seria,
Eu ouvi cantar um Anjo
No coração de Maria.
(Beja e Mértola)
 
3028
Onze horas, meia-noite,
Já por aqui tudo drome:
Só este meu coração
Quer descansar mas não pode.
(Mina de S. Domingos)
 
3029
Ó olhos azuis,
Que já foram meus,
Agora são doutro,
Paciência, adeus.
(Beja; Mina de S. Domingos; Ervidel e Vale de Santiago)
 
3030
Ó olhos doa minha cara,
Não olhem para ninguém;
Já que perderam a graça,
Percam o olhar também.
(Beja; Entradas, Castro Verde; Mértola; Vale de Santiago, Odemira)
 
3031
Ó olhos da minha cara,
Não olhem para ninguém,
Que eu não quero ter na cara
Olhos que ofendam alguém.
 
4554 (p. 482)
S’eu sobesse quem tu eras,
Ou quem tu vinhas a ser,
Nunca t’eu teria dado
Meus segredos a saber.
(Colos, Odemira; Mina da juliana, Aljustrel; Mértola; Vale de Santiago, Odemira, etc.)
 
p. 515
4884
Fui um dia à tua horta,
Pisí a salsa sem querer;
Mas regando-a bem regada,
Ela tronou a crescer
(Mina de S. Domingos)
 
p. 495
4690
Vai-te, carta, feliz carta,
Triste de quem a notou.
Com lágrimas te escreveu,
Com suspiros te fechou.
(Mértola)
 
p. 493
4670
Tudo no mundo se prende,
Dele não há que fugir.
Eu sinto-me presa a ti.
E nã dei pr’àdonde hê-de’ir (Mértola)
 
p. 491
4649
Todas as Marias são
Doces como o caramelo.
Eu, como guloso sou,
Uma Maria é que eu quero.
(Beja; Amaraleja; Vila Nova da Baronia; Ervidel; e Mina de S. Domingos)
 
4650
Todo o homem que embarca,
Deve rezar uma vez.
Quando vai p’rá guerra, duas,
E, quando se casa, três.
(Mértola)
 
p. 489
4628
Tenho carta no correio,
A letra de quem será?
S’é de Manuel nã’na quero,
S’é de João deita-a cá.
(Mina de S. Domingos)
 
4629
Tenho carta no correio,
E a letra de quem será?
S’é do José nã’na quero,
S’é do Manuel venha já.
(Mértola)
 
p. 488
4623
Tenho a minha fala presa,
Mas não é do vinho tinto;
É duma penguinha d’água
Que bubi na Corte Pinto.
(Mina de S. Domingos)
 
p. 486
4595
Se te quis bem algum dia,
Esse tempo já passou.
S’inda hôis pera ti ôlho,
Foi jeito que me ficou.
(Corte Pinto – Mértola)  

p. 485
4589
Se queres qu’ê seje tua,
Manda ladrilhar o mar;
Despois do mar ladrilhado,
Sou tua se não faltar.
(Mina de S. Domingos)
 
p. 484
4581
Se ouvires tocar os sinos,
Nã’ prèguntes quem morreu,
Lembra-te de uma infeliz,
Que tanto por ti sofre.
(Mértola)
 
p.482
4554
S’eu soubesse quem tua eras,
Ou quem tu vinhas a ser,
Nunca t’eu teria dado
Meu segredos a saber.
(Colos, Odemira; Mina da Juliana Aljustrel; Mértola; Vale de Santiago, Odemira, etc.)
 
 
 
p. 481
4546
Se entrares no cemitério,
Entra e pede licença,
Verás o rico do pobre
Mesmo lá fazer diferença.
(Beja e Mértola)
 
p. 480
4534
Se a liberdade dos presos
Tivesse na minha mão,
Soltava presos e presos,
Quantos na cadeia estão.
(Mina de S. Domingos)
 
p.479
4526
Sant’Entónio é bom rapaz,
Que livrou seu pai da morte.
Também livrará meu bem
Quando for “tirar as sortes”. (ir à inspecção militar)
(Mina de S. Domingos)
 
4527
Santo António é meu pai,
S. Francisco é meu irmão,
Os anjos são meus parentes,
Oh! Que linda geração!
(Beja; Ervidel; Barrancos e Mértola)
 
4531
S. João à minha porta,
Nada tenho p’ra lhe dar,
Dom-le uma caninha verde – (dou-lhe)
Para a pôr no seu altar.
 
p. 477
4511
Raparigas d’hoje em dia
Só pensam em se casar.
Põem a panela ao lume
E nã na sabem tratar.
(Mina de S. Domingos)
 
p. 476
4496
Quem queser armar currais,
Traga redes e atenchões,
Qu’ê tamém quer’ir ô mêo
Em certas àcsiões.
(Mina de S. Domingos)
 

QUADRAS II

 

in “Vocabulário Alentejano” – A. Tomás Pires, Elvas, 1813 XIV (citado por Delgado in LPBB):  
XIV
Acrâdita, mê amôri,
Tenho-te munta amezade;
Tu é que cudas que não,
Pensas q’isto é falsedade.
(Mina de S. Domingos)
 
Ouvidas numa rua de Mértola:
 
A nobre vila de Mért’la
Tem dois rios, duas pontes:
Uma é p’rós automóiveins,
A outra é p’ros transuntes.  

A nobre vila de Mért’la
Tem dois rios, duas pontes:
Num rio, nadam os pêxes,
O outro é p’ros (in)fluentes.  

QUADRAS III - JANEIRAS
 
 
In Subsídio para o Cancioneiro Popular do Baixo Alentejo - II Vol. - Com. Rec. Notas de Manuel Joaquim Delgado – Instituto Nacional de Investigação Científica Lx. – Editorial império 2ª Ed. 1980, p. 147  
Janeiras
Uma tradição que se cantava em grupos de Monte em monte, de casa em casa, levando à frente um burro que transportava as esmolas recebidas... Chegados às portas, tiravam os gorros ou chapéus e cantavam. Depois vinha ou não a esmola que consistia em geral em coisas de comer. Aceitavam-na de mão estendida e aberta e agradeciam com uma quadra.
 
Variante parecida com uma de Beja...):
 
Esta noite é de Janeiras,
É de grande merecimento,
Por ser a noite primeira
Em que Deus passou tromento.
 
Os tromentos que passou
Eu lhe digo na verdade:
O seu sangue derramou,
Pra salvar a cristandade.
 
Já os três reis estão chegados
À Lapinha de Belém,
Visitar o Deus-Menino,
Que Nossa Senhora tem.
 
Nossa Senhora lhe disse:
- Filho meu, que te farei?
Não tenho cama nem berço,
Em meus braços te deitarei.
(Mértola)

 

ROMANCE POPULAR - LAURA LINDA

 

In Subsídio para o Cancioneiro Popular do Baixo Alentejo - II Vol. - Com. Rec. Notas de Manuel Joaquim Delgado – Instituto Nacional de Investigação Científica Lx. – Editorial império 2ª Ed. 1980, pp. 154 - 155  
Romances Populares
 
LAURA LINDA, ÉS TÃO LINDA
 
Ele – Laura linda, és tão linda! ‘Stás tão linda como o Sol Deixa-me dormir contigo
Nas barras do teu lençol!
 
Ela – Sim, sim, cavalheiro sim, Esta noite, amanhã não,
Meu marido não está cá,
Foi à Feira de Garvão.
 
Era meia-noite em ponto
Marido à porta bateu;
Bateu uma, bateu duas,
Mas ninguém lhe respondeu.
 
Laura linda não responde,
Pois já tem novos amores,
Foi lá bàxo a 'scar as chaves,
Lá ós fins dos corredores.
 
Ele - De que é aquele cavalo
Que na minha esquadra entrou?
Ela - Será pra ti meu marido,
Foi teu pai que to mandou.
 
Ele - De quem é aquele capote
Q'ue além está pendurado?
Ela - Será pra ti, meu marido,
Que tão bem o tens ganhado.
 
Ele- De quem é aquele chapéu
Todo cheio de galões?
Ela - Será pra ti, meu marido,
Fize-o (1) eu por minhas mãos. (por Fi-lo)
 
Ele - De quem é aquele suspiro
Que na minha cama entrou?
Laura linda não responde,
Dé-le'um ai e desmaiou.
 
Ele - Vom dezer (2) às tuas manas – (Vou dizer)
Que já tens novos amores;
Tu por seres a mais velhinha
Dás-les tão lindos louvores!
 
(Por Gerturdes Augusta Pinto, criada de servir e natural de Mina de S. Domingos)
 

ROMANCE POPULAR - ISOLINA

 

In Subsídio para o Cancioneiro Popular do Baixo Alentejo - II Vol. - Com. Rec. Notas de Manuel Joaquim Delgado – Instituto Nacional de Investigação Científica Lx. – Editorial império 2ª Ed. 1980, p. 155  
ISOLINA MUI FERMOSA
 
Isolina mui fermosa
Já se aparta o teu guerreiro!
- A Palestina me chama,
Adeus, que sou cavaleiro!
 
Senhora, sinto o seu choro,
Nas suas lágrimas creio;
Mas, temo o novo amante,
As circunstâncias receio.
 
- Afonso, não receies,
Nada tens que arrecear;
Juro amar-te vivo ou morto,
Mais ninguém m'há-de lograr!
 
Se eu quebrar as minhas juras,
Se minhas juras quebrar,
Tua sombra me apareça
No dia em que m'eu casar.
 
Tua sombra me apareça,
Com teu direito requer
Que ao sepulcro me arrastes
Dizendo que eu sou tua mulher.
 
Graças de amor são prendas,
Nelas Isolina deu todas;
Finezas quebraram juras,
Trovador acode às bodas.
 
(Recitados por Aura dos Mártires Gomes de Brito, de Mértola)

 

ORAÇÃO PARODIADA

in CONCIONEIRO POPULAR PORTUGUÊS coligido por J. Leite d Vasconcelos, coordenado e com introdução de Maria Arminda Zaluar Nunes, I vol. ACTA UNIVERSITATIS CONIMBRIGENSIS - Por Ordem da Universidade, 1975
 
P. 91 – NAS ORAÇÕES Parodiadas:

Louvado seja
Nosso Senhor Jesus Cristo,
Para comer
é que se faz isto!
 
(Dizem a começar a comer? Não pude averiguar, mas o 1º verso diz-se ao começar a comer).
 

QUADRAS IV - Mineiro

 

Em ofícios e ocupações (p. 216) sobre o mineiro, ver pp. 240 e 241
 
Meu amor é barreneiro
Trabalha na contramina
À luz do seu candeeiro
Tira ouro e prata fina.
(Alentejo) ( os barreneiros (= mineiros) cantam estas quadras enquanto trabalham.
 
Ó _Senhora Santa «Barba»
Tenha dó dos barreneiros:
Trabalham debaixo do chão
À luz dos seus candeeiros.
(Mértola)
Nota JRG - (Comparar com as cantigas dos mineiros de Aljustrel a S. Bárbara, Padroeira dos Mineiros – e influência dos mineiros do norte de Espanha...)  

no cap. X (p. 301) - AMORES, AMORES... 7. DECISÃO(p.371):

p.375
Uma silva, duas silvas,
É uma brenha fechada
Uma prende a outra arranha...
Com silvas não quero nada.
(Mértola)
 
em 12. (p.400) AMOR PERFEITO:
P. 405
Dá-me, amor, a tua mão,
Juntemos palma com palma,
Que eu te dou meu coração,
Toma posse da minh’alma. (Mértola)
 
em 13. ALEGRIA (418)
P. 420
Graças a Deus que já chove
Pingas de água no jardim;
Graças a Deus que já tenho
Meu amor ao pé de mim!
(Castelo Branco; Mértola)
 
em 23 DESDÉNS E DESENGANOS (p. 516)
539
Se quere que eu seja tua
Manda ladrilhar o mar;
Depois do mar ladrilhado
Serei tua sem faltar...
(Ver a recolhida por Delgado...) “Serei tua se não faltar)  

Se te eu quis bem, foi um sonho,
Se te amei foi falsidade:
Foi enquanto não achei
Amor à minha vontade.
(Mértola)
 
em 25 BEIJOS E ABRAÇOS (553)
556
Eu já fui ao céu em vida,
Numa nuvem fiz encosto,
Dei um beijo numa estrela,
Julgando que era o teu rosto.
(Mértola)
 
em 30 RETRATOS (P. 619)
622
Meu amor moço
É um bule-bule,
É um rapazinho
Vestido d’azul. (Mértola)
 
O CORAÇÃO MAIS OS OLHOS p. 632
660
Sobrancelhas arqueadas,
Arcos que rogam a vida,
Olhos que despedem raios
Trazem a minha alma rendida!
(Mértola)
 

QUADRAS V


in CONCIONEIRO POPULAR PORTUGUÊS coligido por J. Leite d Vasconcelos, coordenado e com introdução de Maria Arminda Zaluar Nunes, II vol. ACTA UNIVERSITATIS CONIMBRIGENSIS - Por Ordem da Universidade, 1979
 
Cap. XI – AMOR E TRISTEZAS p. 1 3. AUSÊNCIA p.13 16
Desejava saber
Onde a pena mais se auguenta:
Se é no peito de quem fica
Ou é no de quem se ausenta.
(Mértola)
 
em 4. SAUDADES p. 23
25
É de noite, é de noite,
Para mim nunca amanhece!
Nem a água me mata a sede,
Nem o meu amor me esquece.
(Mértola)
 
em 3. DINHEIRO E POBREZA p. 191
196
Você diz que me não quer
Porque eu não tenho fazenda :
Não é o seu pai tão rico,
Nem você tão boa prenda.
(Mértola)
 
No cap. XVII USOS E COSTUMES p. 197
206
1.
Sou saloia trago botas
E mantéu até ao meio,
Lenço grande no pescoço
P’ra tapar meu lindo seio.  
2.
Sou saloia, trago botas,
Também trago as minhas meias,
Tenho a cintura delgada
Sem precisar de baleias. (Varas de baleia, para se apertar, usadas nos espartilhos.)
 
3.
Sou saloia, trago botas,
Também trago meias pretas;
Não me fales em namoro:
Não creio nas tuas tretas...
 
4.
Sou saloia, trago botas,
Também trago meu mantéu,
Também tiro a carapuça
A quem me tira o chapéu.
 
5.
Sou saloia, trago botas,
Também trago o meu cordão,
E por medalha pendente
De ouro um bom coração.
(Mértola)
 

Cap. XX – CANTIGAS CONCEITUOSAS P. 235 245
Eu não digo que não hei-de
Desta fonte água beber...
Pode-me a sede obrigar
E outro remédio não ter.
(Mértola)
 
Cap. XXIV BOCAS DO MUNDO p. 289
290
Andas sempre a acreditar
Coisas que não podem ser;
A inveja faz falar,
Não tens ouvisto dizer?
(Mértola)
 
291
Andas sempre a duvidar
Eu não sei o que arreceias...
As nuvens descem ao mar
Vazias e vêm cheias.
(Mértola)
 
302
Você diz que me quer munto,
Esse sê querer é engano:
Você corta a minha vida
Cuma a tesoura no pano.
(Mértola)
 
XXV GRAÇAS, CHALAÇAS E «CANTIGAS às AVESSAS» p. 303
325
Quando meus olhos te viram,
‘Stavs tu a assar castanhas,
Na rua do merca-tudo,
No armazém das aranhas.
 
Quando Tróia se arrasou,
Choveu três dias areia,
Só uma alma se salvou
No ventre de uma baleia.
(Mértola)
 
XXVI – CANTIGAS SATÍRICAS p. 339 348
1
Estas meninas de agora
Não querem senão casar;
Põem na panela ao lume
Nem volta lhe sabem dar.
 
2.
Estas meninas de agora
Não querem senão regalo;
Bom sapato, boa meia
E a barriga dando estalo.
(Mértola)
 

DÉCIMAS

In SUBSÍDIOS PARA O PATRIMÓNIO HISTÓRICO E CULTURAL DO CONCELHO DE MÉRTOLA, Mário Elias, Edição da Assocoação de Defesa do Património, Mértola, s/d.:

A PSICOLOGIA de um Povo, a sua espontaneidade e singularidade pode estudar-se "nas suas manifestações espontâneas... as vivências populares... nas mais diversas circunstância..."
Tudo isto e muito mais podemos encontrar na obra citada de Mário Elias, que nos fornece ainda o nome de colaboradores e poetas populares e cita António Louro Carrilho, no prefácio de "TERRA POUSIA" de António Vitorino (Ti Zé do Santo), poeta popular de Nisa...

DÉCIMAS de Manuel Guerreiro Martins (Mina de S. Domingos)
in SUBSÍDIOS PARA O PATRIMÓNIO HISTÓRICO E CULTURAL DO CONCELHO DE MÉRTOLA, Mário Elias, Edição da Assocoação de Defesa do Património, Mértola, s/d. - p. 106

És jovem, sou reformado
Tu tens o mundo na mão;
Olha bem para o meu passado
Luta sempre p'la razão.

Se eu tivesse a tua idade
Tua força e valentia
Com certeza arranjaria
Outra nova sociedade
Onde houvesse só liberdade
Mas ninguém fosse roubado
Nem o povo explorado
Que já vem de antigamente
Tu tens o futuro à frente
És jovem, sou reformado. (vide p. 106 - no livro faltou este 10º verso)

És livre e podes votar
Vivemos em democracia
Até que enfim chegou o dia
Para o país libertar
Agora podemos falar
.............................ão..................(no livro falta este verso por ex Dizer a nossa razão ???!!!)
Não temer a reacção
Dos gulosos egoístas
Dar o fim aos parasitas
Tu tens o mundo na mão.

Foi bem triste o meu viver
Nos campos e nas fábricas
Às vezes bebia as lágrimas
E nada podia dizer
Tantos anos a sofrer
Mal comido e mal tratado
E nas prisões torturado
Pela nossa autoridade
Só por dizer a verdade
Olha bem o meu passado

Lutando com garras e esperança
Nós havemos de ganhar
Nunca deixes de lutar
P'ra destruir a vingança
É preciso ter lembrança
De quem me roubava o pão
E me chamava ladrão
E deixava-me envergonhado
Tu não lutes enganado
Luta sempre p'la razão

DÉCIMAS de Joaquim Manuel Bento (Amendoeira da Serra)
in SUBSÍDIOS PARA O PATRIMÓNIO HISTÓRICO E CULTURAL DO CONCELHO DE MÉRTOLA, Mário Elias, Edição da Assocoação de Defesa do Património, Mértola, s/d. - p. 143

VIVA AMNEDOEIRA DA SERRA
JÁ PARECE UMA CIDADE
RUAS TUDO ALCATROADO
JÁTEMOS ELECTRICIDADE

Era uma escuridão
O que faz os administradores
Podemos dar os louvores
A quem olhou à povoação
Foi o administrador Serrão
Que se encontra debaixo da terra
Esta palavra tudo encerra
Foi pelo concelho
Hoje parece um espelho
Viva amendoeira da Serra

Temos telefone e correio
E centro cultural
Já encontramos menos mal
Já se encontra algum recreio
Foi tarde mas já veio
Serrão teve cedo a infelicidade
Homem cheio de vontade
Sem excepção de criatura
Amendoeira já faz figura
Já parece uma cidade

Há transporte para o passageiro
Levou os alunos ao Liceu
Antes, não aconteceu
Só olhavam o dinheiro
Administrador foi o primeiro
Para todos foi um achado
A outro com o lugar ocupado
Da mesma opinião veio
Pode-se ver o asseio
Ruas tudo alcatroado

Foi a luz inaugurada
A vinte e oito de Outubro de oitente e três
A boa vontade tudo fez
Temos a causa preparada
Dentro de pouco não falta nada
É para a eternidade
Para os velhos e mocidade
Fica escrito na História
Fica-nos bem em memória
Já temos electricidade

OUTRAS DÉCIMAS
 

in CONCIONEIRO POPULAR PORTUGUÊS coligido por J. Leite d Vasconcelos, coordenado e com introdução de Maria Arminda Zaluar Nunes, II vol. ACTA UNIVERSITATIS CONIMBRIGENSIS - Por Ordem da Universidade, 1979
 
XXXI – ASSUNTOS VÁRIOS VERSADOS EM DÉCIMAS (Dado o apreço em que tinha estas décimas, o Prof. Leite de Vasconcellos conserva-as em maços à parte de outras composições. Versando vários assuntos, servem, na maioria dos casos, de glosas de quadras.)

Nota – ver tb. Na introdução os comentários de Ariete Galhoz sobre estas Décimas, onde se pode notar que não tem ideia nenhuma sobre o seu valor e origem e sobre a arte da sua construção... JRG.  
 
pp. 454 e 455
nota. Por não termos encontrado Décimas recolhidas em Mértola (antes de ver as registadas por Mário Elias - ver atrás) e por se tratar de uma (Composição da autoria de um mineiro) sem referência ao nome e local de recolha, e por a Mina de s. Domingos ter sido uma terra de mineiros e ter tido grande influência na vida económica de Mértola...
 
O mineiro traja bem:
Cas’mira, bota engraxada,
Usa chapéu de fivela.
Dinheiro, nunca tem nada.
 
1.
Enquanto as minas durar’
Vai a coisa assim, assim;
Mas, se chegam a ter fim,
O luxo há-de-se acabar.
Cada um se há-de tornar
Em vender aquilo que tem.
Eu falo de mim também,
Não me faço isento dos mais,
Porque, enquanto houver minerais,
O mineiro traja bem.
 
2.
Acho que e grande tortura
Usar o que lhe não ‘stá dado,
Muitas vezes andar empenhado
Por causa da grande loucura.
O luxo é p’ra quem tem fartura,
Não é p’ró pobre que não tem nada.
Passa a vida arrastada,
P’la semana trabalhando,
P’ró domingo andar trajando
Cas’mira, bota engraxada.  
3.
Até o ponto desta idade
Ê não costumei mentir
E, senhores, que me estão a ouvir,
Digõ se isto é verdade:
Para que é tanta gravidade
Que eu vejo nesta famelga? («Famelga» = família (de famélia).
Andaram sempre em Palmela
E nunca avezaram dez réis.
P’ra que serão tantos papéis
Usarem chapéu de fivela?
 
4.
Chega o mineiro ao armazém
Ou a outra qualquer panilha: (Panilha = «venda», taberna (calão).
- Venha lá pão e morcilha ( Morcilha = linguiça (esp.)
É a canha, vai dando bem. ( Canha = galeria)
Pergunta vinho se tem:
- Dête mais meia canada.
Ali se lhe vai a pionada (Pionada = tempo de trabalho).
E passa a noite sem dormir.
E anda sempre co’a bolsa a tinir,
Dinheiro nunca tem nada.
 
 


in CONCIONEIRO POPULAR PORTUGUÊS coligido por J. Leite d Vasconcelos, coordenado e com introdução de Maria Arminda Zaluar Nunes, II vol. ACTA UNIVERSITATIS CONIMBRIGENSIS - Por Ordem da Universidade, 1979
Talvez, por ser Mértola uma ligação entre Alentejo e Algarve, seja oportuno transcrever estas Décimas que teriam sido feitas por
( ver p. 465) (Décimas feitas por Marcelino Ramos, de Lisboa. Com outro homem andava ele cantando estes versos por várias terras.)
 
pp. 462 –463  
Despique do Alentejo e do Algarve:
 
I

Alentejo Algarve
Sou o Alentejo opulento,
Tenho gado e cereias;
Algarve, quero saber
Qual de nós valerá mais.
 
1.
Sou na verdade crescido,
Que a todos meto cobiça;
Tenho montanhas de cortiça
Que a muitos têm enriquecido.
Tenho p’ra fora vendido
Cereais de valimento;
Tu, Algarve, toma tento
Em quem já te socorreu,
Porque tu sabes que eu
Sou o Alentejo opulento.
 
2.
Eu sou em tudo abundante:
Tenho muitas azinheiras,
Com a lande das sobreiras
Engordo gado bastante;
Tenho muito negociante,
Tenho muitos olivais,
Eu tenho de tudo mais
Do que tu ninca hás-de ter;
Contudo deves saber
Tenho gado e cereais.
 
3.
Eu tenho em mim celeiros
Cheios de trigo até mais não;
Sou abundante de pão
Tenho em mim muitos dinheiros.
Até os teus corticeiros
Ajudo-os bem a viver,
Dou-te tudo p´ra comer
Em toda a minha grandeza.
E qual é a tua riqueza?
Algrave, quero saber.
 
4.
Eu tenho muito toicinho
E o precioso presunto,
Eu tenho de tudo munto.
Sou a fama do bom vinho,
Sou da riqueza o beijinho,
Porque tenho coisas tais.
Até pessoas reais
Em mim têm arvoredo.
Responde, não tenhas medo,
Qual de nós valerá mais?

Cá na minha pequenez
Sou todo uma povoação;
Tu, com a tua grandeza,
És um verdadeiro sertão.

1.
P’ra que te estás a abonar?
Que és muito rico eu bem sei,
Mas defeitos te porei
Que tu não hás-de gostar.
Eu tenho praias no mar,
Não acreditas talvez,
Que eu dou banho mais de um mês.
Sou o recreio do teu povo
E sou cheio como um ovo
Cá na minha pequenez.
 
2.
És mui grande e muito forte,
Mas és pouco povoado,
És muito desabitado,
Só tens charnecas e mato.
Por isso tu toma tacto:
Se muito valor te dão,
Eu, por mim, digo que não
Na explicação que te faço.
Mas, em meu pequeno espaço
Sou todo uma povoação.
 
3.
Se tu tens tanta valia
Como estás a apresentar,
P’ra que vens a mim buscar
P’ra ti tanta pescaria?
Não passa nem um só dia
Nem um sequer, com certeza,
Que eu não mande com franqueza
Peixe para a minha vizinha;
Não pescas nem uma sardinha,
Tu, com a tua grandeza.
 
4.
Quem em ti tem passeado
O que vem p’ra cá dizer?
Que és um país de temer
P’los lobos que tens criado.
Eu sou todo cultivado
P’la minha população.
Pois na estação do Verão
Sou de Portugal o beijo.
E tu, ó Alentejo,
És um verdadeiro sertão.


DESPIQUE ALENTEJO ALGARVE

II

Alentejo Algarve
Cala-te, Algarve faminto,
Que me estás a provocar !
Se te mostro o meu valor
Hás-de ter que te calar.
 
1.
Tu decerto tens desejo
De ser rico como eu sou
E dar, assim como eu dou,
Muita cera, mel e queijo.
Eu por todo o modo almejo,
Que sou poderoso o sinto
Tenho muito homem distinto,
Senhor’s de propriedads.
Escuta muitas verdades,
Cla-te, Algarve faminto.
 
2.
Os homes que tes em ti,
Coitados, como andarão?
Espr’ando que venha o V’rão
P’ra virem ceifar p’ra aqui:
Se eu o teu peixe comi,
Tenho pão para te dar
Ou tenho, p’ra te pagar,
Muito oiro, prata e cobre.
Cala-te, fminto e pobre,
Que me está a provicar.
 
3.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Se te mostro o meu valor.
 
4.
Nos meus matos tu verás
Gados de lã a valer
Que dão p’ra roupa fazer,
Que tu muito pouco dá.
P’ra que é que falando estás,
Se estás somente a errar?
Tu não devias falar
P’ra não caires no laço;
Olhando aos favor’s que te faço,
Hás-de ter que te calar.
De tudo o que tens em ti
Tenho eu cá um pouquechinho;
Eu tenho coisas em mim
Que tu não tens, amiguinho.
 
1.
Eu tenho navegações
Que tu lá não podes ter,
Pois, p’ra melhor te dizer,
Tenho muitas armações.
De fábricas tenho milhões,
Tudo que é rico há aqui.
A riqueza que te vi
Mais tarde dizer-te venho:
No Algarve também tenho
De tudo o que tens em ti.
 
2.
Embora menos porção
Eu tenha de olivais,
Mas também tenho olivais,
Tenho cortiça e pão;
Em mim tenho o bom feijão,
Tenho o grão e o bom vinho,
Também tenho algum toicinho
Para te imitar um dia,
De tudo o que lá se cria
Tenho eu cá um puquechinho.
 
3.
Eu tenho alfarrobeiras
Que tu nunca tens criado,
Tenho bom figo passado,
Estou coberto de figueiras
E milhar’s de amendoeiras
Que tu não lhe vês o fim.
Por isso te digo assim,
Se ainda bem não me ouviste,
Que tu nunca possuiste,
Eu tenho coisas em mim.
 
4.
Tenho tido vultos meus
Da ilustração comum,
Como há pouco morreu um:
O ilustre João de Deus.
Mostra então os vults teus,
Alentejo, um instantinho.
Tu chamas-me pobrezinho,
Dizes que não tenho nada
Mas tenho gente ilustrada,
Que tu não tens, amiguinho.


do ROMANCEIRO


 
in Romanceiro Popular Português, II Vol. - organização, introdução notas e Bibliografia de Maria Aliete Dores Galhoz, Centro de Estudos Geográficos – Instituto Nacional de Investigação científica, Lisboa, 1988 – nº 729 p. – 910.  
 

- 729. ORAÇÃO DAS ALMAS (estrofe)
Cristandade tão unida ouvindo gritos e ais
2 Que lá tens na outra vida as almas dos vossos pais.
Gritando em agonia toda a noite e todo o dia
4 Pedindo que lhe rezais sequer uma Avé-Maria.
É tã triste os pecadores tende compaixão daquela tã triste voz
6 Que repete para nós ó tã tristes pecadores.
As almas tão em clamores dando gritos tão sintidos
8 Gritam contra os seus amigos que cá dêxaram no mundo
Que são vivos e não dizem dá-me a mão qui eu os ajudo.
10 Gritam contra os seus herdeiros pelos bens que lhe dêxaram
Sendo os seus testamentêros ainda mais deles se lembraram.
12 Gritam contra os seus parentes da sua sanguinidade
Que são vivos e não se lembram de tanta necessidade.
14 Muito mal faz quem desperdiça das almas a devoção
Vamos-lhe ouvir uma missa dar-lhe esta consolação.
16 Que desta sorte se consolam as almas que em pena estão
Vamos pedir-lhe uma esmola andai com as almas irmão.
18 Quando deres a esmola não olhes a quem na dais
Considera que lá tens as almas dos vosso pais.
20 Quando deres a esmola nã olhes p'ra fazenda  
Cada esmola que dais tiras uma alma da pena.  
22 Homens, mulheres, meninos deste povo aditório  
Mandai a esmola às almas às almas do prigatório.
24 Que as almas do prigatório é que nos mandam pedir
Que lhes mandem uma esmola qu'elas nâ podem cá vir.
26 Fiquem-se com Deus irmãos qu'ê com Deus me vou embora
Queira Deus que nos ajunte-nos lá no reino da Glória.
 
Informador: José Raposo, 77 anos.
Localidade: Tacões, fr. de S. João dos Caldeireiros, conc. de Mértola, d. de Beja.
Ano de recolha: 1976.
Colectora: Adélia Grade. [gravado]

 

 

 

 

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