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O
CANTE em MÉRTOLA
GRUPOS
CORAIS & algumas MODAS
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3
GRUPOS CORAIS
in
GRUPOS CORAIS, José Francisco Pereira
Edições Margem, 1997
pp. 167-170 e 299-301
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O
meu anel
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Rio
Guadiana
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As
cobrinhas de água
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Mértola
do Guadiana
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Nossa
Senhora das Neves
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Passarinho
Prisioneiro
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Não
quero que vás à monda
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Maria
pega na carta
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Ao
romper d bela aurora
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Lírio
roxo
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Reis
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Janeiras
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Algumas
REFLEXÔES sobre o CANTE
GRUPO
CORAL «GUADIANA» DE MÉRTOLA
GRUPO
CORAL DA MINA DE SÃO DOMINGOS
GRUPO
CORAL DA LIGA DOS AMIGOS DE S~SO DOMINGOS
SACAVÉM
Alguma
REFLEXÕES sobre o CANTE
Lopes
Graça sobre a canção Alentejana:
"Tem
de ir ao coração do Alentejo, a Serpa e seu termo
quem quiser conhecer uma das mais genuínas e curiosas manifestações
do génio do nosso povo: as canções corais,
que os íncolas da região, na sua maioria rudes trabalhadores
do campo e pequenos mesteirais, cantam com uma admirável
musicalidade nata e a compenetração de quem cumpre
um velho ritual.
É vê-los, concentrados e um tanto bisonhos, formar
os seus grupos, cerrados uns aos outros, muitas vezes as raparigas
os braços nos braços, e, numa cadenciação
suave do corpo, como messe de altas espigas tocada pela brisa, darem
início à função.
Uma voz entoa a melodia: canta sozinha os primeiros compassos; em
geral, outra lhe dá uma como que réplica - e logo
as restantes se lhes juntam, numa harmonização instintiva,
em que um que outro gostoso arcaísmo lembra a arte medieva
do Organum e do Discantus.
Esta gente canta com verdadeira paixão e todas as ocasiões
lhe são boas para dar largas ao seu lirismo ingénito.
Não há trabalho, folga, festa ou reunião de
qualquer espécie sem um rosário infindo de cantigas.
A alma do alentejano é profundamente musical e o canto é
o elo vital que liga aqueles seres primitivos no sentimento de uma
fraternidade de destinos, na afirmação de uma comunidade
telúrica. Em qualquer parte o alentejano se reconhece e identifica,
reconhecendo e identificando, do mesmo passo os seus irmãos
em carne e espírito, mediante o viático das suas canções.
O ar e a paisagem vibram constantemente de melodias. É, porém,
no silêncio da noite, da vasta e profunda noite alentejana,
que estas ganham toda a sua altura e projecção anímica...
[. . .] A canção alentejana é, por via de regra,
larga, dolente e triste, de uma tristeza nada depressiva, antes
nobre e serena, de um colorido sóbrio, de uma linha severa,
nisto reflectindo a monotonia grandiosa, hierática e, por
assim dizer, ensimesmada da própria planura alentejana."
FERNANDO
LOPES-GRAÇA, "Apontamento sobre a canção
alentejana", in A canção popular portuguesa,
Lisboa, Europa-América, 1953, pp. 41-43.
In MJ DELGADO:
"Hoje
a rádio, levada à mais humilde aldeia ou lugarejo,
tem de algum modo apagado certos usos tradicionais dos cantos alentejanos
que, insensivelmente, vão perdendo muito de seu natural e
típico sabor, alterando-se e substituindo-se por inexpressivas
e, porventura, duvidosas canções. Nem por isso, creio,
terão a rádio e os modernos 'jazes' força bastante
para obliterar por completo muitos dos nossos patriarcais costumes
e usos que nossos maiores nos legaram por via da tradição.
É que tão enraizados eles estão na alma do
povo, que não podem perder-se ou alterar-se senão
por lenta evolução.
I. . .] O valor das 'modas' alentejanas está em serem um
canto misteriosamente afectivo, apaixonado, tendo algo de religioso
e místico, como se desprende dos acordes e melodias. .
A dolência e o vagaroso do canto vem-lhe do mundo ambiente
- paisagem extensa, largos horizontes, influência climática..
etc.. em que vive o alentejano. Da liturgia recebeu a forma indefinida
e simbólica, o que lhe dá carácter hierático.
A tristeza e melancolia, de sentido vago que estes cantos traduzem
e deixam transparecer, está na etnopsicologia do alentejano.
Na verdade, o canto alentejano é expressivamente belo e,
penetrando fundo na alma, cria-lhe suavidade e doçura."
MANUEL
JOAQUIM DELGADO, Subsídio para o cancioneiro popular do Baixo
Alentejo, vol. 11, Lisboa, Ed. Álvaro Pinto, 1955, pp. 8-9.
293 Momentos
- J Ranita d Nazaré
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