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José
de Vasconcellos e Sá, Évora, 1926
Terras
de grandes barrigas
Onde há muita gente gorda,
À sopa, chamam açorda,
E à açorda, chamam-lhe migas...
Às razões, chamam cantigas;
Milhaduras, são gorgetas;
Maleitas dizem maletas
E em vez de encostas, chapadas;
Em vez de açoites, nalgadas;
E as bolotas são boletas...
Terra
mole
é atasquero;
Ir embora é abalare;
Deitar fora é aventare;
Fita de coiro é atêro;
Vaso com planta é cravero;
Carpinteiro é abegão;
E a choupana é cabanão;
Às hortas chamam hortejos;
Os cestos, são cabanejos;
E ao trigo, chama-se pão!
No
resto de Portugal(e)
Ninguém diz palavras tais:
As terras baixas, são vais;
Monte de feno é frascal(e)
Vestir bem, parece mal(e);
À aveia, chamam cevada;
E ao bofetão, orelhada;
Alcofa grande é gorpelha;
A ?....." é vermelha;
Broas de mel é melada!...
Quando
um tipo está doente
Logo dizem que está morto;
E a todo o vau, chamam porto;
Chamam gajo, a toda a gente;
Vestir safões é corrente;
Por acaso é por adrego;
Ao saco, chamam talego...
E até nas classes mais ricas,
Ser janota é ser maricas;
Ser beirão, é ser galego!
Os
porcos, medem-se às varas;
E o peixe vende-se aos quilos...
E a gente pasma de ouvi-los
usar maneiras tão raras!
Chamam relvas, às searas,
Às vezes, não sei porquê?...
E tratam por vomecê
Pessoas a quem venero!...
Não quero, diz-se: Nã quero!
Eu não sei, diz-se: Ê nã sê!
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Mê
caro Zé Valentim:
Nô
ôtro dia ‘tava ê ali à bêra do maticuenho de palaio, ali
memo onde o barranco bate c’oa semeada...
‘Tava
assim a modos qu’esmorraçando...
Ajitei-me dentro do gabinardo e assenti-me no marco.
Enroli
um cigarro e cando ia a puxar do zarapatusco de modo a acender,
di c’os olhos numa velhaca...
Era
um rego cheio de carne, ó cumpadre!!!
Imaparelhê-me cum ela e meti o ferro à cara...
Fiz-le
dois fogachos, mas a mangana foi-se-me imbora mais a p.
que a pariu!!!
Texto
ditado pelo professor Manuel Pedro, num café, em Beja, 1981
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M'nina
que tá à j'nela
Regand'o lind'caravêro
Ó há-de ser para mim
Ó p'ró mê rico pracêro.
Ê
nã sô p'ra vocêi
Nê (ein) p'ró sê rico pracêro
Que me tá mê pai criendo
P'ró más lind'o sapatêro.
Ó
m'nina, ê sô sapatêro
Hê-d'ir p'rá sapataria
Hê-d'le fazer uns sapatos
C'a maior galantaria.
Ê
nã quer'os sês sapatos
Dê-os lá a quê(ein) qu'séra
Qu'o marot' que tal diz
Nã merec' uma mulhéra.
Entes
qu'ria ser carnêro
Enxertado na raiz
E nã qu'ria ser marido
Da magana que tal diz.
Entes
ê qu'ria ser porco
Que fossasse num valado
E nã qu'ria ser ispôsa
Dum tã frac' namorado.
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