os
RABAÇA
2
SÉCULOS de uma Grande FAMÍLIA
1770/90 - 1970/90
origem
Serra da Estrela
Manteigas
PORTUGAL
OUTROS
RABAÇA
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por
JORAGA o acrónimo de JOsé RAbaça GAspar e outros
mais de 1001 deNÓMIOS...
 
A foto
mais antiga, de 1894? ou finais do séc. XIX, os PATRIARCAS
da FAMÍLIA António Craveiro Rabaça (n1838)
e Delfina da Assunção (1840) com 9 dos 8 filhos que
tiveram descendência e a outra foto de 1920? com Maria da
Encarnação Rabaça ( 6ª 1874) e Manuel
Lucas Paiva com 4 dos 6 filhos (2 Brasil)
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Além
destes 8 RAMOS
brotaram muitos outros... salientamos do 6º RAMO: RSerra,
NunesR (Brasil), AlmeidaR (Br), RADuarte, RGaspar...
dos OUTROS... muitos...

se
pertence a esta GRANDE FAMÍLIA contacte e complete...
|
contacto © inserido em http://www.joraga.net
® em construção
desde Maio 2000 - em rec. Outubro de 2002
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n1862
GRAÇA
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n1864
JOAQUIM
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n1868
ANTÓNIO
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n1870
EDUARDO
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n1872
CLEMÊNCIA
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n1876
JOSÉ
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n1887
MARIA JOSÉ
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PESQUISAS
DE SÍLVIA RABAÇA
será nome JUDEU?
PISTAS
para os interessados e "experts"...
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Silvia
Rabaça rsilvia11@uol.com.br
quarta-feira,
26 de Março de 2003
0:00
terra de meu avô e os judeus
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"primo"
José
Veja no final, o que achei nas minhas pesquisas.
O interessante é que meu avô nascido em Castelo
Rodrigo, dizia que no passado, a familia tinha mudado de nome,
e passaram a usar o nome Rabaça, ( originalmente a
familia se chamava Manssana, nome espanhol !!!)
O motivo alegado seria a cobrança de impostos de uma
outra familia Manssana da região, que se encontrava
inadimplente, e com problemas na justiça.
Pode ser, ( conforme o texto abaixo relata ), mas pode ser
tambem, uma desculpa que foi usada para os descendentes (
não falar das origens verdadeiras ), em virtude do
pavor que ficou incorporado neles, ( pelas perseguições)
como comprovei também em minhas pesquisas
Eis o texto:
O crescimento do comércio no Portugal da Idade Média
deve-se muito à actividade dos judeus.
Já as cartas de foral o registam, casos de Évora
(1166), Covilhã (1186), Pinhel (1200).
Este tipo de actividade económica promovia financeiramente
parte da população hebraica, facto que permitia
invejas e queixas, como por exemplo aquando da cobrança
de juros no empréstimo de dinheiro ou no preço
de arrendamento. Em Castelo Rodrigo, nos planaltos a norte
da Serra da Estrela, já em 1321 o concelho se queixava
ao rei D. Dinis dizendo que " os judeus emprestavam dinheiro
a tais juros que arruinavam os moradores da vila e das aldeias
vizinhas ".
Na agricultura, o cultivo da videira e da oliveira e, por
conseguinte, a produção de vinho e azeite em
adegas e lagares era muito importante, por exemplo, nas comunidades
da Serra da Estrela.
A população judaica foi sempre crescendo ao
longo da Idade Média. Se em 1400 existiriam em Portugal
cerca de 30 comunidades e alguns milhares de famílias,
na data da chegada de Colombo à América haveria
mais de 100 judiarias e dezenas de milhar de habitantes.
Intrigante não???
um abraço
silvia
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From:
Silvia Rabaça
To: José Rabaça Gaspar
Sent: Wednesday, March 19, 2003
10:34 PM
Subject: Re: primos???
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caro "primo" jose
Adorei sua atenção respondendo meu email.
Gostaria de lhe perguntar algo:
Estive pesquisando na internet a inquisição
espanhola e portuguesa para tentar entender os problemas
vividos eventualmente por nosssos antepassados, quando da
troca de nomes judeus ou espanhois para portugueses na fase
de conversão forçada ao cristianismo.
A região da Guarda pelo que investiguei, foi uma
judiaria, e a migração de judeus espanhois
para Portugal a partir de 1492 foi consideravel, coisa de
dezena ou mesmo centena de milhares de pessoas...
Li tambem que em certa epoca na Europa, portugueses e judeus
poderiam ser consideradas palavras sinonimas. Será??
Voce acha que podemos ser eventualmente descendentes de
judeus ??? eu sei que não somos primos..... é
somente uma consulta, ja que voce vive mais perto dessas
informações.....Serra da estrela foi um ponto
importante nessa migração.
Ontem li em um site que a expressão muito usada pelos
meus avos portugueses quando espirravamos " Deus te
crie" é tipicamente judia, ( tradução
de uma expressão judaica), assim como a lenda que
diz que se apontarmos para as estrelas criamos verrugas
nos dedos.....ouvi muito isso tambem na minha infancia ......era
para as crianças não demonstrarem suas origens
judaica, porque o dia judaico começa à noite
e é habito deles apontar para o céu..... para
ver o inicio do novo dia.....
Estou muito interessada nesse assunto ." cristãos
novos" , voce me sugere alguma literatura a respeito???
Aguardo retorno quando puder me responder, sem pressa
abraço de "prima brasileira"
silvia
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From:
José Rabaça Gaspar
To: Silvia Rabaça
Sent: Monday,
March 17, 2003
9:59 AM
Subject: Fw: primos???
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Olá Silvia:
Escrevo para lhe agradecer esta mensagem e as palavras amigas
que deixou no "livro de visitas". Ao princípio,
quando decidi organizar a árvore da nossa Família,
também eu pensava que RABAÇA era um nome muito
raro e que seríamos todos PRIMOS! Como pode ver,
pela primeira MENSAGEM, no LIVRO DE VISITAS, aparece um
Senhor José RABAÇA, do ROCHOSO, com Família
em PARADA, perto da GUARDA. Também verificámos
que em MANTEIGAS, há mais Pessoas com o nome RABAÇA
e que não têm ligação consanguínea
com a nossa, como tento mostrar nessa TEIA bastante complexa.
(Os nossos Tios: MANUEL, ANTÓNIO e JOSÉ os
3 de apelido PAIVA RABAÇA, foram para o Brasil entre
1912 e 1920 e os dois primeiros têm muita descendência
pelo RIO e arredores... O Tio José não teve
decendentes.) O contacto do Senhor do ROCHOSO é joserabaca@yahoo.com.
Creio que não terá dificuldade em contactar.
Também nós temos bastante família espalhada
pelo Brasil mas, da maior parte eu não tenho contacto.
Há uns RABAÇA SERRA SANTOS em S. Paulo. Vou
contactá-los e dar o seu endereço. (O email
de uma prima é: ritasqc@cepa.com.br - a quem vou
dar o seu endereço).
Dentro de uma ou duas semanas, vou colocar n'aminhaTEIAnaREDE
os pormenores do nosso CONVÍVIO, em Maio, e insistir
para que alguém de S. Paulo e do Brasil apareça
e, com certeza que teremos todo o gosto e recebê-la.
Mesmo que não sejamos "PRIMOS" muito próximos,
há um NOME e uma Humanidade que nos liga... Posso
adiantar: o CONVÍVIO vai ser dia 17 de Maio, com
um ALMOÇO... pelas 13H30, em Foz do ARELHO (perto
de Caldas da Rainha), Hotel FOZ PRAIA, (tel. 262979413 fax.
262979460 - Email - fozpraia@msn.com e pode ver mais dados
consultando http://www.rt-oeste.pt/ ). Ainda não
confirmámos com o Hotel, só em inícios
de Abril, quando enviarmos o COMUNICADO oficial para todos.
Deixo a sua mensagem a seguir para melhor referenciar o
nosso contacto que apreciei e me deu muita alegria.
Um grande abraço e, possivelmente, até breve
José Rabaça Gaspar
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From:
Silvia Rabaça
To: joraga@netcabo.pt
Sent: Sunday,
March 16, 2003
9:06 PM
Subject: primos???
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ola
Escrevo de são paulo, Brasil.
Escrevi tambem no site uma mensagem.
Meu nome é silvia regina rabaça, 50 anos,
neta de jose rabaça, nascido em 1898, distrito da
guarda, chegou ao Brasil apos passar uns tempos em Mendoza
na Argentina, ( região produtora de vinhos), orfão
e solteiro, 1916??, (estou pesquisando), e se casou aqui
com uma portuguesa Margarida Machado, orfã de pai
e mãe, irmã de Amadeu Machado, que foi lutar
na França durante a guerra, oriundos da freguesia
de almofala, distrito da guarda.
Minha avó sem ninguem em Portugal, veio ao Brasil
viver com uns tios.Meus avós se encontraram aqui
mas ja se conheciam de Portugal.
Meu avô deixou um irmão em Portugal, que entrou
para a marinha, e cujos netos ( joão rafael rabaça
moraes, medico, e manuel rabaça moraes, professor
) moram hoje em Santarem e uma neta ana maria rabaça,
trabalha numa seguradora, em Lisboa.
Ja estive com meus primos ai em Portugal, e eles falam de
manteigas, mas meu avo falava de figueira de castelo rodrigo,
rio Douro, divisa com Espanha, inclusive falava bem castelhano,etc.
Há um ramo da familia conhecido em castelo rodrigo???
Estou tentando dupla cidadania e comecei a pesquisar os
cartorios dessas aldeias para pedir as certidões
de nascimento deles.
Adorei a iniciativa de seu site, e gostaria de ser avisada
sobre o encontro em maio deste ano.....embora não
entenda bem onde me encaixo nesssa teia......
Quando receber os dados oficiais de entrada de meu avo no
Brasil, com seus dados mais completos, lhe escrevo.
um grande abraço
silvia
Silvia Rabaça rsilvia11@uol.com.br
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Jose
Rabaca joserabaca@yahoo.com
sexta-feira,
20 de Dezembro de 2002
15:33
assunto: Rabaças
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Boa tarde
Casualmente visitei a sua página sobre a familia
Rabaça.
Ainda não li ao pormenor a informação
que está
disponibilizada nessa página mas gostaria de saber,
se
possivel, se um ramo da família Rabaça oriunda
da
Parada - Rochoso - Guarda, terá ou não alguma
ligação
a essa família.
O nome da minha família é Alves Rabaça
e não Paiva
Rabaça.
Cumprimentos e obrigado
José Rabaça
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Silvia
Rabaça rsilvia11@uol.com.br
quarta-feira,
26 de Março de 2003 16:14
Assunto: este email voltou
Foto?


Festa
de Pessah (séc. XIII)

"
Judeu ". Óleo sobre madeira de castanho, oficina
de Vasco Fernandes, primeira metade do século XVI.
(Museu Nacional de Arte Antiga)

Janela
manuelina existente na Rua das Flores, uma das principais
ruas judaicas da Covilhã.
?
As
muralhas no séc. XV
A ligação entre a parte cristã da cidade
e o bairro judeu era feita através de cinco das dez
extremidades da antiga muralha.
Igreja
de Santa Maria, principal centro da Inquisição
na cidade da Covilhã.

O
" Tratado del esphera y del arte del marear ",
escrito em 1535, é um dos principais documentos históricos
mundiais que provam o avanço científico português
da época.

Igreja
de S. Vicente Guarda

Os
artífices: o gibiteiro, o sapateiro, o tecelão,
etc.

O
Bairro de Santo António era o núcleo original
do Fundão.
A
Rua da Cale foi o eixo de crescimento das actividades comerciais
do Fundão
GOUVEIA
A comuna judaica da cidade - localização histórica

A
glória desta Última casa será maior
que a primeira;
Diz o "Adonai" (Senhor) DOS EXÉRCITOS
A CASA DA NOSSA SANTIFICAÇÃO, DA NOSSA GLÓRIA,
E OS RESGATADOS
PELO SENHOR, VOLTARÃO E REGRESSARÃO A SIÃO
EM ALEGRIA
Tradução do texto hebraico da pedra da sinagoga
de Gouveia (1496) exposta no Museu de Arte Sacra da cidade
Gouveia

LINHARES
DA BEIRA
1 - Castelo
2 - Rua do Arco (fachadas manuelinas)
3 - Igreja da Misericórdia
4 - Igreja da Assunção
5 - Pelourinho
6 - Janela manuelina na Rua Direita (da Procissão)
7 - Janela manuelina na Rua Direita (da Procissão)
8 - Janela manuelina na Rua do Passadiço (da Judiaria)
As
figuras na fachada da Casa do Gato Negro

Penamacor
- elemento judaico no Largo da Carapuça





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OS ÚLTIMOS JUDEUS SECRETOS
DE SEFARAD
AS COMUNIDADES JUDAICAS NA IDADE MÉDIA
Desde o fim do Império romano que uma minoria judaica
existia no território que depois veio a ser Portugal.
Aquando da fundação da nacionalidade, em 1143,
esta minoria já se encontrava disseminada em algumas
localidades importantes como Santarém que possuía
a mais antiga sinagoga nacional.
A população judaica aumentava favorecida com
a necessidade que os primeiros reis (século XII)
sentiam de povoar o território que ia sendo conquistado
aos mouros.
Em todos os locais em que o número de judeus superava
a dezena, era criada uma comuna ou aljama cujo centro organizacional
era a sinagoga. O seu sino chamava os fiéis não
só à oração como também
para lhes fornecer qualquer informação vinda
do rei ou qualquer decisão tomada pelo rabi-mor.
A sinagoga era a sede do governo da comuna.
Já no século XIII, D. Afonso II legisla (Ordenações
Afonsinas) as relações entre cristãos
e judeus pois estas começavam a criar dificuldades
à minoria. Quer isto portanto dizer que: os judeus
não podiam ter criados cristãos sob pena de
perda de património; qualquer judeu converso ao cristianismo
que retornasse à religião original podia ser
condenado à morte; não podiam os judeus ocupar
cargos oficiais de modo a que os cristãos não
se sentissem prejudicados.
No reinado posterior, D. Sancho II permite o esquecimento
destas leis e, por exemplo, volta a confiar aos hebreus
cargos públicos. Esta decisão provoca a queixa
dos cristãos ao Papa que obriga dois bispos a advertirem
o rei português para que não dê a judeus
cargos com autoridade sobre cristãos.
Na época do rei D. Dinis a população
hebraica sefardita habitava comunas espalhadas por todo
o país. Estas eram dirigidas por oficiais judeus
superintendidos por um rabi-mor, valido do soberano. Existia
portanto protecção real.
Cada comuna tinha uma ou mais judiarias. Neste tempo, o
rabi-mor tinha delegados seus, chamados ouvidores, nos principais
centros judaicos do país: Porto (Região de
Entre Douro e Minho); Torre de Moncorvo (Trás-os-Montes);
Viseu (Beira); Covilhã (Beira/Serra da Estrela);
Santarém (Estremadura); Évora (Alentejo) e
Faro (Algarve). Estes ouvidores exerciam verdadeira jurisdição
sobre todas as comunidades judaicas nacionais.
A sinagoga era um local tão importante do ponto
de vista religioso (como era a igreja para os cristãos)
quanto civil, era lugar de assembleia e reunião dos
membros da comuna.
As comunas obrigavam ao desenvolvimento de escolas. Diz
o Talmud: " Toda a cidade em que as crianças
não frequentem uma escola está destinada a
perecer, está destinada à ruína ".
Para além da escola, a comuna tinha o Beth Hamidrash,
casa de comentário das Escrituras Sagradas.
Junto da sinagoga existia o Genesim onde os judeus se dedicavam
ao estudo e analisavam o Pentateuco (a Torah).
Estas comunidades viviam do comércio e artesanato
mas também da agricultura e criação
de gado. Nestes âmbitos funcionavam ligados aos cristãos.
Do ponto de vista administrativo e religioso eram independentes
mas estavam directamente ligadas ao rei.
Em geral, as comunidades situavam-se dentro das muralhas
da cidade (ex.: Trancoso, Guarda e Covilhã) mas também
podiam criar outras judiarias no exterior (caso da Covilhã).
Inclusivamente, a população podia espalhar-se
por zonas cristãs para além do bairro judeu
(caso da Guarda).
Riquezas de judeus no século XIII
" ... Estevão Eanes recebeu do judeu da Covilhã
" huuma çafira en castõ de prata dourada
"; " hua Calçadonia en castõ de
prata " e " huuma Torquesa contrafeyta en castõ
de prata " ... "
Texto de 1279 in Inventários e contas da casa de
D. Denis (1278-82)
A VIDA ECONÓMICA ATÉ FINAIS DO SÉCULO
XV
O crescimento do comércio no Portugal da Idade Média
deve-se muito à actividade dos judeus.
Já as cartas de foral o registam, casos de Évora
(1166), Covilhã (1186), Pinhel (1200).
Este tipo de actividade económica promovia financeiramente
parte da população hebraica, facto que permitia
invejas e queixas, como por exemplo aquando da cobrança
de juros no empréstimo de dinheiro ou no preço
de arrendamento. Em Castelo Rodrigo, nos planaltos a norte
da Serra da Estrela, já em 1321 o concelho se queixava
ao rei D. Dinis dizendo que " os judeus emprestavam
dinheiro a tais juros que arruinavam os moradores da vila
e das aldeias vizinhas ".
Na agricultura, o cultivo da videira e da oliveira e, por
conseguinte, a produção de vinho e azeite
em adegas e lagares era muito importante, por exemplo, nas
comunidades da Serra da Estrela.
A população judaica foi sempre crescendo ao
longo da Idade Média. Se em 1400 existiriam em Portugal
cerca de 30 comunidades e alguns milhares de famílias,
na data da chegada de Colombo à América haveria
mais de 100 judiarias e dezenas de milhar de habitantes.
As razões do aumento da população
são as seguintes:
" a quase ausência de levantamentos antijudaicos
em Portugal;
" o crescimento dos movimentos contra os judeus em
Espanha (Navarra, Castela e Aragão) desde meados
do século XIV;
" o estabelecimento da Inquisição e a
expulsão dos judeus da Andaluzia (Espanha) nos primeiros
anos de reinado dos reis católicos;
" o início do processo dos Descobrimentos Portugueses
com a abertura de novas rotas marítimas e comerciais.
Durante o século XV sobressaíam já
grandes comunas. No fim da centúria os maiores núcleos
de povoamento judaico eram Lisboa com cerca de 2.000 membros,
Évora, Santarém e Covilhã com mais
de 1.000, Lamego, Guarda e Trancoso (onde uma feira franca
era muito atractiva para os hebreus) com entre 500 e 850.
Depois, Porto, Tomar (famosa pela sinagoga do século
XIV), Guimarães e Braga. A comuna de Belmonte seria
então satélite das da Covilhã e Guarda,
ambas na Serra da Estrela, Região onde as mais importantes
judiarias existiam em Gouveia, Pinhel e Penamacor.
No total, viveriam em Portugal cerca de 30.000 judeus -
3% da população. Em 1492, ano da descoberta
da América, os reis católicos promulgam o
édito de expulsão dos judeus de Espanha. Precisamente,
também no ano da unificação final de
todo o território desse país (com a etapa
final da reconquista cristã - a tomada de Granada),
se inicia verdadeiramente a Diáspora de Sefarad.
D. João II acolhe muitos desses judeus, cujo total
superaria as 50.000 - 70.000 pessoas. Outros utilizaram
Portugal como local de passagem
A DIÁSPORA DE SEFARAD
OS JUDEUS NA ÉPOCA DOS DESCOBRIMENTOS
Quatro anos depois do acontecido em Espanha, o sucessor
de D. João II, D. Manuel, casado com uma filha dos
reis católicos e muito pressionado por estes, promulga
também o édito de expulsão. Longe de
ser consensual, esta política não agradou
a todos, principalmente nos meios da ciência e da
escrita. A D. Manuel também não agradaria
ver partir grande parte da dinâmica do reino. Por
isso, congemina a estratégia da conversão
e baptismo forçado. Esta atitude foi criticada por
muitos, inclusive por parte da igreja católica como
foi o caso do Bispo de Ceuta, D. Diogo Ortiz, colega do
judeu Mestre José Vizinho da Covilhã na junta
científica (para os descobrimentos) do rei D. João
II.
D. Manuel sabia que ia perder aqueles que devia segurar.
Assim tentou decretar medidas que simultaneamente favoreciam
os conversos e eram um convite à abjuração
para os renitentes:
MAGNA CARTA dos CRISTÃOS NOVOS PORTUGUESES
" "não inquirir da sua fé religiosa,
durante vinte anos;
" no caso de haver denúncia de práticas
heréticas, o feito deveria correr no tribunal civil
e não no tribunal religioso, processando-se legalmente
como qualquer feito cível, com testemunhas publicadas
e contraditas por parte do réu. Aquelas deveriam
ser denunciadas no prazo de vinte dias, sob pena de a acusação
perder a validade;
" todo o acusado com culpa provada de heresia contumaz
teria os bens confiscados, para os seus herdeiros cristãos;
" os médicos que não soubessem latim
podiam possuir livros de medicina em hebraico."
Maria José Ferro Tavares, Os Judeus na Época
dos Descobrimentos
Em 1536 a situação piorou com D. João
III. Estabelece-se o Tribunal do Stº Ofício
(a Inquisição) criado por bula papal. A integração
anteriormente desejada voluntária é agora
forçada pelo medo e pelo terror da estupidez real.
A Inquisição
A INQUISIÇÃO E AS COMUNAS DA SERRA DA ESTRELA
Alguns exemplos de denúncias contra os judeus tornados
secretos. Início do século XVII:
"... Helena, moça negra, escrava de Manuel Gomes,
da Covilhã, sabe também que, na Páscoa,
em casa do amo comem pão ázimo, sem sal, não
o deixando levedar..."
"... Pêro Gonçalves, do Rochoso, garante
que vindo à Guarda, sexta-feira de Endoenças,
vender perdizes, entrara, sem bater, numa casa e viu cinquenta
pessoas, pouco mais ou menos, mulheres, homens e meninos
em oração, "com hu altar na dita caza
muito rico de peças de prata e ouro" com velas
acesas e "... em o qual estava hua toura muito fermosa"..."
"... Beatriz Mendes, do Fundão, declara que
na Semana Santa, de dia de Ramos para diante "tinham
panelas ao lume novas, e num eirado tinham uma cebola partida
pelo meio e um pavio, no meio, aceso."...
"... Diz Michel Escamilla que a Inquisição
não teria resistido quase três séculos
sem o apoio da população. Os acusados sabiam-no;
tinham conhecimento da miséria, da fome, da violência,
da descida ao inferno de inúmeras famílias,
companheiros de infortúnio. Di-lo sabiamente António
José da Silva, o Judeu, também ele queimado
com a mulher e a sogra, pela Inquisição:
"Que delito fiz eu para que sinta
O peso desta aspérrima cadeia
Nos horrores de um cárcere penoso,
Em cuja triste, lôbrega morada,
Habita a confusão e o susto mora?
Mas se acaso, tirana, estrela ímpia
É culpa o não ter culpa, eu culpa tenho;
Mas se a culpa que tenho não é culpa
Para que me usurpais com impiedade
O crédito, a esposa e a liberdade?"..."
Maria Antonieta Garcia, Denúncias em nome da fé.
BELMONTE
Depois de séculos de organização judaica
em segredo, é, nos anos vinte do século XX
que Samuel Schwarz anuncia a existência de uma comunidade
no interior de Portugal, junto à Serra da Estrela:
Belmonte, a vila natal do descobridor do Brasil em 1500,
Pedro Álvares Cabral.
Findas as perseguições da Inquisição
e terminados os processos de integração católica
que diluíram a totalidade das muitas comunidades
existentes, veio a descobrir-se que nesta vila estavam vivas
as tradições, a organização
e a estrutura religiosa dos últimos judeus secretos
de Portugal. Belmonte é, no limiar do século
XXI, a última comunidade peninsular de origem Cripto-Judaica
a sobreviver enquanto tal. São cerca de 200 pessoas,
quase 10% dos habitantes da vila.
A onomástica presente na vila é clara: existem
os Sousa, Dias, Henriques, Fernandes, Mendes, Diogo, Rodrigues,
etc.
A origem remota desta comunidade está comprovada,
pelo menos desde o século XIII (1297) e subsiste
ainda hoje com unidade, possuindo sinagoga, rabino e cemitério
próprio. Igualmente, tem uma direcção
comunitária.
A sua importância deve-se mais à originalidade
de uma resistência decorrida ao longo dos séculos
do que ao seu peso demográfico ao longo da história.
A comunidade de Belmonte cumpre hoje os principais ritos
religiosos, alguns dos quais haviam desaparecido da memória
colectiva belmontense. Outros foram secularmente cumpridos,
embora por vezes fortemente deturpados. É necessário
entender que esta comunidade se tornou secreta durante séculos
e não manteve qualquer tipo de contacto com o judaísmo
exterior.
Actualmente, o ciclo litúrgico anual dos judeus de
Belmonte compreende o Dia do Perdão (Yom Kippur),
a Festa dos Tabernáculos (Sukot), a Alegria da Lei
(Simhat Torah), a celebração da Rainha Ester
(Purim), a Santa Festa (Pessah) e a Festa das Colheitas
(Sabuot).
Para que se compreendam as transfigurações
tornadas evidentes pelo isolamento secular veja-se o caso
da Hanukah. Esquecida há séculos, havia sido
substituída pela cerimónia do Natalinho. Interrogados
sobre o seu significado, os judeus belmontenses diziam que
se celebrava o nascimento do Santo Moisés. Nas últimas
décadas a festa acabava por coincidir com o Natal
dos cristãos.
Todos estes curiosos relatos podem ser analisados no livro
de Maria Antonieta Garcia "Os Judeus de Belmonte -
Os Caminhos da Memória".
Encontra-se em fase de projecto o Museu Judaico que em Belmonte
sediará a Rota Turística e Cultural das Antigas
Judiarias da Serra da Estrela.
A ÚLTIMA COMUNIDADE CRIPTO-JUDAICA VIVA
COVILHÃ
A comunidade judaica da cidade da Covilhã localizada
a 20 Kms de Belmonte, foi desde o século XII e até
à sua diluição, a maior e mais importante
da Região da Serra da Estrela e uma das maiores e
mais fortes de Portugal.
Como se pode ver na planta da cidade quinhentista, existiam,
no final do século XV, pelo menos três núcleos
hebraicos. Um (o mais antigo) intra-muralhas junto às
Portas do Sol; o segundo, na parte exterior das mesmas confinando
com elas, e o terceiro corresponderia a bairros de localização
perto da cidade (Refúgio - Meia Légua). Este
último (Refúgio) deverá ter o seu nome
ligado a uma zona que terá sido refúgio de
judeus perseguidos.
UMA COMUNA IMPULSIONADORA DO TRABALHO DA LÃ
A importância dos membros das comunidades judaicas
da Covilhã ou seus descendentes pode ver-se reflectida
em seis factos principais:
- a percentagem da área e da população
da cidade ocupada pelos bairros judeus (cerca de 30%) no
séc. XV;
- o desenvolvimento posterior da indústria de lanifícios
que teve a colaboração de imensos elementos
importantes oriundos desse ramo social e étnico;
- a quantidade e qualidade de portugueses judeus ou de origem
judaica covilhanense ligados à epopeia dos descobrimentos
e expansão portuguesa (ver brochura "Rota dos
Descobridores"), caso único em Portugal: Mestre
José Vizinho, cosmógrafo de D. João
II; Rui Faleiro, artífice da viagem de circum-navegação
de Fernão de Magalhães; Francisco Faleiro,
grande cosmógrafo colocado ao serviço de Espanha,
autor do " Tratado del esphera y del arte del marear
"; eventualmente mesmo Pêro da Covilhã,
explorador e preparador do caminho marítimo para
a Índia, seria de origem cristã-nova; também
o famoso João Ramalho, primeiro bandeirante no Brasil,
teria origem judaica covilhanense;
" o volume financeiro das rendas pagas pela comuna
em fins do séc. XV (42.500 réis);
" as referências históricas nacionais
feitas em relação ao judaísmo covilhanense
durante séculos e registadas desde o foral de 1186
que são constantes e diversificadas;
" a presença numerosa dos nomes mais clássicos
(embora não exclusivos) de origem cristã-nova
em muitos dos actuais habitantes da cidade (ex. : Mendes,
Cardoso, Costa, Pereira, Henriques, Cruz, Dias, Baltazar,
Vizinho, Gomes, Ramalho, Nunes, Flores, Franco, Vaz, Pinho,
Teles, Faleiro, Elias, Mesquita, Oliveira, Ranito, Benjamim
etc.).
Já no séc. XX, a terceira comunidade do país
foi re-estabelecida na Covilhã (Julho de 1929) onde
existiriam 6.000 Cripto-Judeus. Edificou-se uma sinagoga
chamada Sha'ari kabbalah ("As Portas da Tradição").
Com a implantação da ditadura em 1932, a actividade
missionária judaica entre os Cripto-Judeus diminuiu
na Covilhã, assim como em todo o território
nacional.
Até ao século XX, em meados do qual foi demolido,
existia o edifício da sinagoga que se situava nas
cercanias da actual igreja de Santiago.
As inquirições das denúncias contra
os judeus secretos ou judaizantes eram feitas nas igrejas
de Santa Maria e da Madalena. A primeira é hoje visitável.
BERÇO DOS CIENTISTAS JUDEUS DOS DESCOBRIMENTOS
GUARDA
Desde sempre localizado no interior da cidade muralhada,
ainda hoje aí existe o antigo bairro judeu. Encontra-se
muito perto da Porta d'El-Rei.
A comuna judaica da Guarda foi durante longos períodos
uma das mais importantes do país e é considerada
uma das mais antigas. Está comprovado que remonta
ao século XIII com o aforamento, por parte de D.
Dinis, de casas da freguesia de S. Vicente a famílias
judaicas, tendo sido numa delas instalada a sinagoga.
Esta era a judiaria nova, prolongamento de uma mais antiga,
a velha, mencionada no foral de 1199.
Em fins do século XIV aí residiam cerca de
200 pessoas e, cerca de 50 anos depois, o número
de habitantes de credo judaico já rondaria entre
os 600 e os 850.
As famílias tinham nomes como Ergas, Castro, Falilho,
Baruc, Mocatel, Marcos, Querido, Alva, Cáceres, Castelão,
etc.
As audições perante o tribunal da Inquisição
decorriam nas igrejas de S. Vicente e S. Pedro.
A dinâmica comunidade judaica da Guarda oferecia toda
uma série de serviços à população:
alfaiates, sapateiros, curtidores, ferreiros, tecelões,
gibiteiros, tosadores, físicos, cirurgiões,
ourives, carpinteiros e esmaltadores.
No livro do Museu Municipal da Guarda, História e
Cultura Judaica, está presente muito mais informação.
A judiaria tinha o seu início junto à Porta
d'El-Rei e estendia-se até ao adro da igreja de S.
Vicente, limitada pela muralha e pela Rua Direita que dava
acesso àquela Porta. Em 1465 este acesso foi fechado
devido aos protestos dos cristãos. Desenho de José
Garcês
DAS MAIORES E MAIS ANTIGAS COMUNIDADES
FUNDÃO
Terra de origem bem mais recente que as já referidas,
nem por isso deixa de apresentar uma enorme influência
de origem judaica.
Em 1400, esta povoação no sopé da Gardunha
a sul da Serra da Estrela, era apenas um lugar agrícola
sem quaisquer características urbanas. Pouco mais
de 100 anos depois era já um centro urbano dinâmico
pertença do concelho da Covilhã. A originalidade
da então povoação não se deve
a comunas organizadas de judeus.
O Fundão desenvolveu-se após a expulsão
destes de Espanha, como terra de cristãos-novos,
tornados artífices, tecelões, pisoeiros, tintureiros,
mercadores, borracheiros e fundidores. Em poucos anos transformaram
um lugarejo rural num centro urbano cheio de actividade
e vida.
A actual cidade do Fundão teve pois uma origem bem
diferente de todas as outras e aliás única
em Portugal. O judeu transformado em cristão-novo
pelas imposições reais cria, já no
século XVI, uma cidade nova iniciada no bairro de
Santo António. Os nomes Mendes, Barros, Vaz eram
usuais.
Em 1542 elementos destas famílias eram acusados
à Inquisição de aí possuírem
uma secreta sinagoga. Hoje, se passearmos na movimentada
Rua da Cale, não veremos panos de muralhas que aliás
nunca existiram mas sim o comércio herdeiro dessas
actividades tradicionais, berço do Fundão.
O nome desta rua deriva da palavra hebraica Kahal que significa
aljama, comuna, lugar de reunião. Segundo Moisés
Abrantes, " na parte mais larga da referida rua existia
essa Kahal com a respectiva sede. No seu lugar mais amplo
se fixaram em maior número vários cristãos-novos
oriundos de Castela ". " Era repleta de pequenas
lojas e escuras oficinas onde, por detrás dos balcões,
se lobrigava um olhar ou perfil da gente hebraica... "
Esta antiga Rua da Kahal era centro dos imigrantes hebreus
que tanto desenvolvimento vieram trazer, projectando em
definitivo o Fundão para o futuro.
GOUVEIA
Gouveia iniciou-se com uma pequena comuna tendo cerca de
50 judeus em meados do século XV. No final da centúria,
seriam quase 200. Encontramos aqui os Adida, Abenazo, Baruc,
Faravam, Navarro e Sacuto.
A comuna de Gouveia esteve sempre muito ligada ao trabalho
da lã, actividade clássica desde há
muito nesta cidade.
Depois da data de expulsão dos judeus de Espanha
(1492), muitos dos refugiados afluíram a Gouveia
(tal como à Covilhã) com o sentido de intensificarem
o trabalho dos lanifícios praticado então
de forma muito rudimentar. As duas vilas (na época),
com ribeiras caudalosas e íngremes, ofereciam a energia
hidráulica necessária ao movimento das rodas
dos engenhos.
Poucos anos mais tarde (1496) é construída
uma sinagoga cujo registo fica patente na pedra encontrada
em 1967 numa casa da Rua Nova em plena judiaria de Gouveia.
Nesta cidade da vertente norte da Serra da Estrela a comunidade
era também bem organizada. Fica para a história
a força que, no período entre 1525 e 1530,
o ódio fomentado por D. João III atingiu,
tornando conhecido este episódio relatado por Meyer
Kayserling:
"Em Gouveia foi encontrada em pedaços uma imagem
de Maria, muito adorada pelo povo. Este sacrilégio,
atribuído aos cripto-judeus da cidade, levou à
prisão de três deles, que foram soltos após
alguns dias. A massa enfurecida acusou os judeus de suborno.
[...] O inquérito contra os cripto-judeus libertados
foi reiniciado por insistência dos moradores. Falsas
testemunhas depuseram contra os acusados e, como ficou provado
mais tarde, devido a acusações caluniosas,
morreram na fogueira como hereges e profanadores de imagens
sagradas."
UM TESTEMUNHO DE PEDRA
LINHARES DA BEIRA
É uma das Aldeias Históricas portuguesas.
Possuía uma judiaria que pode ainda hoje ser localizada.
Num edifício perto do centro, devidamente assinalado,
existe uma casa manuelina onde funcionou antigamente uma
sinagoga. Esta comunicava com as casas anexas, das quais
subsistem apenas os locais das portas. Aqui é possível
ver a mais bonita janela de estilo manuelino da aldeia.
A judiaria era composta pela Rua Direita (da Procissão)
e Rua do Passadiço (da Judiaria). Ainda hoje é
possível notá-la através dos portais
chanfrados dispersos pela povoação e também
através das janelas manuelinas. As casas dos cristãos
novos têm, nas ombreiras das portas, cruzes que os
protegiam da Inquisição. Mesmo assim, muitos
processos foram instaurados a famílias com nomes
como Fernandes, Linhares, Nunes, Rodrigues, Froes, Antunes.
CELORICO DA BEIRA
Esta vila da Beira-Serra teve o seu grande incremento a
partir da data de fuga de Espanha de inúmeros judeus.
Celorico da Beira, vila antiga mas pacata, tornou-se uma
terra de um desenvolvimento comercial extraordinário
por onde se escoavam os produtos agrícolas de toda
a Região. Os judeus de Celorico dedicavam-se muito
ao artesanato. A onomástica refere os Barrocas, Serrano,
Munhom, Levi, Cohen, Leiria, Adida. O número máximo
de habitantes da comuna deverá ter sido 150-200.
TRANCOSO
Em meados do século XIV a comuna judaica de Trancoso
crescia e tornava-se rival da da Guarda em importância
e riqueza. Localizava-se dentro das muralhas, junto à
igreja de S. João de Vila Nova, englobava a Rua Direita
e a Rua da Corredoura e desembocava na praça onde
hoje existe a Câmara Municipal.
A feira medieval foi decisiva para o crescimento de Trancoso
e da sua comuna judaica provocando, no século XV,
o extravasar da judiaria. Existiriam mais de 500 habitantes
judeus. Este facto provocou um litígio com a comuna
da Guarda, sede do almoxarifado.
Eram judeus de Trancoso os Levi, Franco, Barzelai, Justo,
Barroca. Também os Cáceres, Navarro, Souriano
e Castelão. Os Tovi, Faravam, Adida, Soleima, Pasilha
eram nomes comuns aos da Guarda.
O edifício mais emblemático da vila fortificada
é a Casa do Gato Negro, antiga residência do
rabino. Na sua fachada podem ver-se representações
figuradas do Leão da Judeia e das Portas de Jerusalém.
Provavelmente terá sido esta a sinagoga.
PINHEL
A comuna judaica desta antiga cidade fronteiriça
portuguesa deve ter-se desenvolvido apenas no inicio do
século XV. No final deste século, favorecida
pela proximidade de Espanha, vê o número de
habitantes judeus ascender a cerca de 200.
As famílias mais comuns correspondiam aos Barzelai,
Amiel, Abenazum, Ergas, Cid, Adida, Cohen e Castro.
O foral de Pinhel de 1200 já regista a actividade
comercial dos hebreus aí residentes.
PENAMACOR
Terra de origem de um dos mais conhecidos médicos
da história portuguesa - Ribeiro Sanches. Cristão-novo,
acusado de judaísmo, Ribeiro Sanches (1699-1783)
foi perseguido pela Inquisição em Portugal.
Alcançou grande prestígio na corte de Catarina
II na Rússia.
Penamacor possui vestígios da antiga judiaria de
quinhentos nas cercanias da Rua de S. Pedro, uma das ruas
históricas da vila. O incremento do número
de habitantes judeus após a expulsão de Espanha
aconteceu devido à situação de grande
proximidade da fronteira.
O PORTUGAL DE SEFARAD
Esta é a história única que pode visitar.
Esta é a história daqueles que são
os últimos judeus secretos sefarditas.
Até ao século XX o mundo desconhecia a existência,
no interior de Portugal, da última comunidade Cripto-Judaica
da Península Ibérica e porventura da Europa.
Junto à Serra da Estrela, montanha mais alta de Portugal
(2.000 m), fica Belmonte, memória humana viva do
riquíssimo e antigo Portugal Judaico. Aí ficam
também as terras que como Covilhã, Guarda,
Trancoso, Fundão e outras são a referência
das antigas comunidades sefarditas portuguesas.
Saiba como há séculos, os judeus portugueses
desta Região foram decisivos nos movimentos dos descobrimentos
lusos e espanhóis que trouxeram novos mundos ao mundo.
Saiba como foram decisivos para o desenvolvimento do comércio
e para o incremento da indústria têxtil de
lanifícios na Serra da Estrela.
Fazer turismo cultural nesta Região é homenagear
não só a história de Portugal mas um
povo que honrou essa história e que hoje vive...
na Europa, na América, enfim, em todo o mundo.
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"primo José"
Envio a seguir lista de costumes judaicos que pesquisei
na internet e uma pagina que li também
Costumes de Cristãos novos nas tradições
familiares brasileiras
Segue-se uma lista de aspectos culturais e perguntas que
podem revelar a origem judaica de uma família. Dividida
em tópicos: Família, Ritos Natalícios,
Ritos Matrimoniais, Refeições, Objetos, Costumes
e Ritos Fúnebres; a lista apresenta práticas
possivelmente já esquecidas pelas tradições
familiares no decorrer dos tempos. Compare tais práticas
com as tradições de sua família, se
possível com a ajuda de familiares mais antigos (pais,
tios, avós, bisavós). Peço desculpas
pela simplicidade devido ao desconhecimento do significado
da maioria dos costumes, mas procurei ser o mais explanador
possível.
Família
Alguém, pai, avô, ou outro parente, já
falou algo sobre a família ser de judeus?
Na cidade em que a família morava, há algum
judeu ou comunidade judaica antiga?
Alguém da família fala/falava alguma língua
desconhecida? Parecia com o espanhol? Era totalmente desconhecida?
Ladino?
Algum parente evita ou evitava igrejas católicas?
As Igrejas, mesmo católicas, que os familiares freqüentavam
não tinham imagens?
Alguém da família participava de reuniões
secretas, ou de encontros onde só homens ou só
os pais podiam ir? Ou de algum grupo de oração
secreto?
Os nomes bíblicos são/eram comuns entre os
familiares?
Ritos Natalícios
Colocar a cabeça de um galo em cima da porta do
quarto onde o nascimento iria acontecer.
Depois do nascimento, a mãe não deveria descobrir-se
ou mudar de roupas durante 30 dias. Ela deveria permanecer
em repouso em sua cama, e afastada do contato com outras
pessoas, pois segundo a Lei, a mulher fica impura durante
30 dias após um parto. Parecida com esta prática
é a de afastar-se no período menstrual, em
que também é considerada impura.
Ainda durante esses trinta dias, a mulher só comia
frango, de manhã, de tarde e de noite. Dava "sustância",
força para a recuperação.
Lançar uma moeda prateada na primeira água
de banho do bebê.
Dizer uma oração oito dias depois de nascimento
na qual o nome do bebê é citado.
Realizar a circuncisão ou mesmo batizar o menino
ao oitavo dia de nascido.
Acender alguma vela ou lamparina no quarto onde o parto
ia acontecer, porque o menino não podia ficar no
escuro até ser batizado (ou circuncidado).
Ritos Matrimoniais
Os noivos e seus padrinhos e madrinhas deveriam jejuar
no dia do casamento.
Na cerimônia, as mãos dos noivos eram envoltas
por um pano branco, enquanto fazia-se uma oração.
Da cerimônia seguia-se uma refeição
leve: vinho, ervas, mel, sal e pão sem fermento.
Noivo e noiva comiam e tomavam do mesmo prato e copo.
Refeições
A prática de jejuns era comum.
Era proibido comer carne com sangue. Às vezes também
se retiravam os nervos, com uma faca especial para tal.
Ovos com mancha de sangue eram jogados fora.
Não se comia carne de porco, pois é considerada
impura.
Não era permitido cozinhar carne e leite juntos.
Ás vezes esperava-se um certo tempo entre a ingestão
do leite e da carne.
Comia-se apenas comida preparada pela mãe ou pela
avó materna.
Um menino deveria jejuar durante 24 horas antes de completar
sete anos.
Costumava-se beijar qualquer pedaço de pão
que cai no chão.
Era proibido comer carne de animal de sangue quente que
não tivesse sido sangrado.
Havia certas restrições quanto aos tipos
de peixe comestíveis: os peixes "de couro"
(sem escamas) não serviam para consumo, e às
vezes só os peixes do mar podiam ser ingeridos. Moluscos
e mariscos também eram proibidos.
Há ainda hoje um hábito muito difundido,
especialmente no interior, de derramar um pouco da bebida
e da comida "para o santo", com raízes
na páscoa judaica.
Em algumas casas de famílias cristãs-novas,
na mesa de jantar, havia gavetas, que serviam para esconder
a comida kasher, a comida recomendada pela Torah, caso chegasse
alguma visita inesperada.
Costumes
Acender velas nas sextas-feiras à noite.
Celebrar a Páscoa, e jejuar durante a Semana Santa.
As datas da Páscoa Cristã e da Páscoa
judaica freqüentemente coincidem.
Limpar a casa nas sextas-feiras durante o dia.
Era proibido fazer qualquer coisa na sexta-feira à
noite (até mesmo lavagem de cabelo).
Realizar alguma reunião familiar nas sextas-feiras
à noite.
Aos sábados, velas eram acesas diante do oratório
e deveriam queimar até o fim do dia.
Havia roupas especiais para o sábado. Às
vezes eram simplesmente roupas novas ou roupas limpas.
Dizeres comuns: "O Sábado é o dia da
glória", ou "Deus te crie" (Hayim
Tovim), para quando alguém espirrava.
Comemorações diferentes das católicas,
como o "Dia Puro" (Yom Kippur) ou algum feriado
de Primavera. Era costume de alguns acender no Natal oito
velas.
Em imitação a alguns personagens bíblicos,
quando acontecia algo importante, rasgavam-se as vestes.
Um costume ainda muito comum hoje em dia era varrer o chão
longe da porta, ou varrer a casa de fora pra dentro, com
a crença de que se o contrário fosse feito
as visitas não voltariam mais. Na verdade esta prática
está ligada ao respeito pela Mezuzah, que era pendurada
nos portais de entrada, e passar o lixo por ela seria um
sacrilégio.
Ao abençoar um filho, neto ou sobrinho, costumava-se
fazer com a mão sobre a cabeça.
Como o dia judaico começa na noite do dia anterior,
o início de um dia era marcado pelo despontar da
primeira estrela no céu. Assim o sábado (dia
de celebração nas casas judaicas), começava
com o despontar da primeira estrela no céu da sexta-feira.
Se uma pessoa demonstrasse alguma reação publicamente
com relação a tal estrela, ela seria alvo
de suspeitas. Um adulto consegue conter-se, mas uma criança
não. Então ensinava-se às crianças
a lenda de que apontar estrelas fazia crescer verrugas nos
dedos.
Ritos Fúnebres
Cobrir todos os espelhos da casa.
Toda a água da casa do defunto era jogada fora.
Cortar as unhas do defunto (ou pelo menos um par delas)
como também alguns fios de cabelo e envolver tudo
em um pedaço de papel ou pano.
Lavar o corpo com água trazida da fonte em um recipiente
novo, que nunca tenha sido usado, e vestir o corpo em roupas
brancas, as mortalhas.
O corpo era velado durante um dia, e então uma procissão
levava-o à igreja e de lá ao cemitério.
A casa então era lavada.
Durante uma semana manter-se-ia o quarto do finado iluminado.
A casa da família enlutada fechada ao máximo,
durante uma semana, com incenso queimando pelos cômodos.
Quase ninguém entrava ou saía durante esse
período.
Os homens não se barbeavam durante trinta dias.
Manter o lugar do defunto à mesa, encher o prato
dele ou dela e dar a comida a um mendigo.
Não comer carne durante uma semana depois de uma
morte na família.
Jejuar no terceiro e oitavo dia e uma vez a cada três
meses durante um ano.
Convidar um mendigo para comer e servir a comida que o
morto mais gostava.
Colocar comida perto da cama do defunto.
Fazer a cama do defunto com linho fresco e queimar uma
luz perto dela durante um ano.
As parentes mulheres deveriam cobrir suas cabeças
e esconder as faces com uma manta.
Ir para o quarto do defunto por oito dias e dizer: "Que
Deus te dê um boa noite. Você foi uma vez como
nós, nós seremos como você ".
Passar uma moeda de ouro ou prata em cima da boca do defunto,
e então dá-la a um mendigo.
Passar um pedaço de pão em cima dos olhos
do defunto e dá-lo a um mendigo.
Dar esmolas em toda esquina antes da procissão funerária
chegar ao cemitério.
Dar pelo menos para um mendigo um terno completo e comida
aos Sábados durante um ano.
Ter várias luzes iluminando em véspera de
Dia Puro, em memória do defunto.
Em algumas cidades havia o chamado "abafador",
que deveria ajudar alguém gravemente doente a ir
embora antes que um médico viesse examiná-lo
e descobrisse que o enfermo é judeu. O abafador,
a portas fechadas, sufocava o doente, proferindo calmamente
a frase "Vamos, meu filho, Nosso Senhor está
esperando!". Feito o trabalho, o corpo era recomposto
e o abafador saía para dar a notícia aos parentes:
"ele se foi como um passarinho...".
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Objetos
Objetos encontrados em casas de famílias cristãs
novas:
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Estrela de Davi, usada em paredes
e em jóias, algumas vezes era vista como amuleto |
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Menorah, castiçal de sete
braços |
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Mezuzah, caixa pendurada nos umbrais
das portas, contendo textos bíblicos. Em algumas casas
antigas, são encontradas marcas de prego que sustentavam
mezuzahs (o plural correto é mezuzot) ou espaços
dentro das paredes onde eram mantidas ocultas |
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Peão - 'dreidle' - acredito
que fosse, como hoje, um brinquedo infantil masculino. |
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Kipah, chapéu redondo usado
nas orações e nos cultos, podendo variar em
cores e formato. É bastante conhecido, posto sobre
a parte posterior do crânio. |
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Talit,
Manto de oração
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Tefilim,
usadas em orações. As caixinhas pretas são
postas no pulso esquerdo e suas correntes são enroladas
em torno do braço e a outra na testa. Em alguns casos
eram escondidas sob os pés de imagens católicas
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SOBRENOMES
Portugueses e Origem Judaica
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A presença judia na Península
Ibérica é de remotíssima memória,
já se referindo a ela o Concílio de Orleans,
realizado no ano de 538, e o de Toledo, em 633. Por essa época,
os judeus ostentavam nomes e sobrenomes hebraicos.
Mais tarde, com a ocupação mulçumana,
a antroponímia judia também assimilou essa influência,
aparecendo nomes de sonoridade árabe, ao lado dos puramente
hebraicos e espanhóis.
Em 1492, os Reis Fernando e Isabel de Castela, conhecidos
como Reis Católicos, decretaram a expulsão dos
judeus da Espanha. Em razão disso, cerca de cento e
vinte mil pessoas foram buscar refúgio em Portugal
e, nessa mudança, levaram consigo sobrenomes árabes,
hebraicos e espanhóis, além dos nomes de família
representados por topônimos.
O crescimento da comunidade judaica em Portugal não
agradou aos Reis Católicos, que passaram a exercer
pressão política sobre o rei português
no sentido de que este também expulsasse os semitas
do território lusitano. Em 1496, D. Manuel I decretou
a expulsão dos judeus de Portugal, oferecendo, contudo,
a oportunidade de permanecerem no país, mediante conversão
ao catolicismo.
Essa conversão, através do batismo, exigia nomes
cristãos e, via de regra, o converso assumia nome e
sobrenome tipicamente portugueses. Muitos mantinham, reservadamente,
seus nomes originais, pois grande parte das conversões
eram apenas de fachada, preservando a fé na lei mosaica
na intimidade da família.
Com o estabelecimento do Tribunal da Inquisição,
em 1536, iniciou-se um caçada aos cristão-novos.
A bem da verdade, o escopo do Santo Ofício era expungir
da sociedade os "infectos de sangue" (árabes,
negros, mulatos, judeus, ciganos, etc) e os de conduta reprovável
(feiticeiros, adúlteros, sodômicos, etc). Ocorre
que o comunidade judia era a de número mais significativo
e sempre associada, pelo anti-semitismo popular, à
imagem de assassinos de Cristo, passando, portanto, a sofrer
maior perseguição.
Nas listas de processados pelo Santo Ofício, por serem
judeus ou cristão-novos, encontram-se milhares de nomes
e sobrenomes genuinamente portugueses, causando mesmo estranheza
que nomes hebraicos raramente sejam mencionados.
Analisando essas listas, nota-se que qualquer sobrenome português
poderá ter sido, em algum tempo ou lugar, usado por
um judeu ou cristão-novo. Não escaparam ao uso
sobrenomes bem cristãos, tais como "dos Santos",
"de Jesus", "Santiago", etc. Certos sobrenomes,
porém, aparecem com maior freqüência, tais
como "Mendes", "Pinheiro", "Cardoso",
"Paredes", "Costa", "Pereira",
"Henriques", etc. O de maior incidência, no
entanto, foi o "Rodrigues."
Alguns documentos ainda mantêm registrados os nome originais
dos judeus que, ao serem batizados, assumiram nomes tipicamente
portugueses. Eis alguns exemplos:
Nome Original Judeu --> Nome Cristão Português
" Abraão ...? --> Gonçalo Dias
" Abraão Gatel --> Jerônimo Henriques
" Benyamim Beneviste --> Duarte Ramires de Leão
" Eliézer Toledano --> Manoel Toledano
" Isaac Catalan --> Rafael Dias
" Isaac Tunes --> Gabriel Velho
" Icer ...? --> Grácia Dias
" Luna Abravanel --> Leonor Fernandes
" Salomão aben Haim --> Luís Álvares
" Salomão Coleiria --> Gonçalo Rodrigues
" Salomão Molcho --> Diogo Pires
" Samuel Samaia --> Pero Francisco
" Santo Fidalgo --> Diogo Pires
" ...? Arame --> Francisco Martins
" ...? Cabanas --> Estevam Godinho
" ...? Cohen --> Luis Mendes Caldeirão
" ...? Gatel --> Francisco Pires
Costuma-se dizer que os judeus tomavam como sobrenomes nomes
de árvores e animais. Mas, a bem da verdade, esses
sobrenomes já apareciam na antroponímia portuguesa
desde que se tornou usual a adoção de um nome
de família, não sendo, portanto, de ocorrência
exclusiva entre os hebreus.
O Brasil Colonial recebeu um grande contigente de imigrantes
portugueses. Estima-se que durante o ciclo do ouro cerca de
800 mil pessoas fixaram-se em nosso país. Entre esses
adventícios, certamente, vieram os cristãos-novos.
Nas listas dos Autos-de-fé da Inquisição,
mencionam-se centenas de processados nascidos no Brasil ou
aqui radicados. Contudo, identificar algum deles em pesquisas
genealógicas não constitui tarefa fácil.
Muitos judeus modernos, descendentes dos expulsos da Espanha
e Portugal, que hoje vivem principalmente na Holanda, Itália,
E.U.A. e Israel, preservam seus sobrenomes portugueses, às
vezes com grafia já deturpada.
Em resumo, em termos genealógicos, a incidência
de determinado sobrenome português, que tenha sido de
freqüente uso entre judeus, por si só não
autoriza dizer que determinada família seja de origem
judaica ou cristã-nova. Por outro lado, nem os sobrenomes
tipicamente cristãos garantem que a família
seja, usando a terminologia da época, cristã-velha.
Rubens Rodrigues Camara rrcamara@task.com.br
Homepage: http://www.geocities.com/Heartland/1074
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