os
RABAÇA

2 SÉCULOS de uma Grande FAMÍLIA
1770/90 - 1970/90

origem
Serra da Estrela
Manteigas
PORTUGAL

OUTROS RABAÇA

por JORAGA o acrónimo de JOsé RAbaça GAspar e outros mais de 1001 deNÓMIOS...


A foto mais antiga, de 1894? ou finais do séc. XIX, os PATRIARCAS da FAMÍLIA António Craveiro Rabaça (n1838) e Delfina da Assunção (1840) com 9 dos 8 filhos que tiveram descendência e a outra foto de 1920? com Maria da Encarnação Rabaça ( 6ª 1874) e Manuel Lucas Paiva com 4 dos 6 filhos (2 Brasil)

Além destes 8 RAMOS
brotaram muitos outros... salientamos do 6º RAMO: RSerra, NunesR (Brasil), AlmeidaR (Br), RADuarte, RGaspar...
dos OUTROS... muitos...

se pertence a esta GRANDE FAMÍLIA contacte e complete...

contacto © inserido em http://www.joraga.net ® em construção desde Maio 2000 - em rec. Outubro de 2002
n1838 c1858?
António Delfina
+ RABAÇA TEIXEIRA
n1862
GRAÇA
n1864
JOAQUIM
n1868
ANTÓNIO
n1870
EDUARDO
n1872
CLEMÊNCIA
n1874
ENCARNAÇÃO
+ RABAÇA GASPAR
n1876
JOSÉ
n1887
MARIA JOSÉ

 

PESQUISAS DE SÍLVIA RABAÇA
será nome JUDEU?

PISTAS para os interessados e "experts"...

Silvia Rabaça rsilvia11@uol.com.br

quarta-feira,
26 de Março de 2003
0:00
terra de meu avô e os judeus

"primo" José
Veja no final, o que achei nas minhas pesquisas.
O interessante é que meu avô nascido em Castelo Rodrigo, dizia que no passado, a familia tinha mudado de nome, e passaram a usar o nome Rabaça, ( originalmente a familia se chamava Manssana, nome espanhol !!!)
O motivo alegado seria a cobrança de impostos de uma outra familia Manssana da região, que se encontrava inadimplente, e com problemas na justiça.
Pode ser, ( conforme o texto abaixo relata ), mas pode ser tambem, uma desculpa que foi usada para os descendentes ( não falar das origens verdadeiras ), em virtude do pavor que ficou incorporado neles, ( pelas perseguições) como comprovei também em minhas pesquisas
Eis o texto:
O crescimento do comércio no Portugal da Idade Média deve-se muito à actividade dos judeus.
Já as cartas de foral o registam, casos de Évora (1166), Covilhã (1186), Pinhel (1200).
Este tipo de actividade económica promovia financeiramente parte da população hebraica, facto que permitia invejas e queixas, como por exemplo aquando da cobrança de juros no empréstimo de dinheiro ou no preço de arrendamento. Em Castelo Rodrigo, nos planaltos a norte da Serra da Estrela, já em 1321 o concelho se queixava ao rei D. Dinis dizendo que " os judeus emprestavam dinheiro a tais juros que arruinavam os moradores da vila e das aldeias vizinhas ".
Na agricultura, o cultivo da videira e da oliveira e, por conseguinte, a produção de vinho e azeite em adegas e lagares era muito importante, por exemplo, nas comunidades da Serra da Estrela.
A população judaica foi sempre crescendo ao longo da Idade Média. Se em 1400 existiriam em Portugal cerca de 30 comunidades e alguns milhares de famílias, na data da chegada de Colombo à América haveria mais de 100 judiarias e dezenas de milhar de habitantes.
Intrigante não???
um abraço
silvia
 
From: Silvia Rabaça
To: José Rabaça Gaspar
Sent: Wednesday, March 19, 2003
10:34 PM
Subject: Re: primos???

caro "primo" jose

Adorei sua atenção respondendo meu email.

Gostaria de lhe perguntar algo:

Estive pesquisando na internet a inquisição espanhola e portuguesa para tentar entender os problemas vividos eventualmente por nosssos antepassados, quando da troca de nomes judeus ou espanhois para portugueses na fase de conversão forçada ao cristianismo.

A região da Guarda pelo que investiguei, foi uma judiaria, e a migração de judeus espanhois para Portugal a partir de 1492 foi consideravel, coisa de dezena ou mesmo centena de milhares de pessoas...

Li tambem que em certa epoca na Europa, portugueses e judeus poderiam ser consideradas palavras sinonimas. Será??

Voce acha que podemos ser eventualmente descendentes de judeus ??? eu sei que não somos primos..... é somente uma consulta, ja que voce vive mais perto dessas informações.....Serra da estrela foi um ponto importante nessa migração.

Ontem li em um site que a expressão muito usada pelos meus avos portugueses quando espirravamos " Deus te crie" é tipicamente judia, ( tradução de uma expressão judaica), assim como a lenda que diz que se apontarmos para as estrelas criamos verrugas nos dedos.....ouvi muito isso tambem na minha infancia ......era para as crianças não demonstrarem suas origens judaica, porque o dia judaico começa à noite e é habito deles apontar para o céu..... para ver o inicio do novo dia.....

Estou muito interessada nesse assunto ." cristãos novos" , voce me sugere alguma literatura a respeito???

Aguardo retorno quando puder me responder, sem pressa

abraço de "prima brasileira"
silvia

 
From: José Rabaça Gaspar
To: Silvia Rabaça
Sent: Monday,
March 17, 2003
9:59 AM
Subject: Fw: primos???

Olá Silvia:
Escrevo para lhe agradecer esta mensagem e as palavras amigas que deixou no "livro de visitas". Ao princípio, quando decidi organizar a árvore da nossa Família, também eu pensava que RABAÇA era um nome muito raro e que seríamos todos PRIMOS! Como pode ver, pela primeira MENSAGEM, no LIVRO DE VISITAS, aparece um Senhor José RABAÇA, do ROCHOSO, com Família em PARADA, perto da GUARDA. Também verificámos que em MANTEIGAS, há mais Pessoas com o nome RABAÇA e que não têm ligação consanguínea com a nossa, como tento mostrar nessa TEIA bastante complexa. (Os nossos Tios: MANUEL, ANTÓNIO e JOSÉ os 3 de apelido PAIVA RABAÇA, foram para o Brasil entre 1912 e 1920 e os dois primeiros têm muita descendência pelo RIO e arredores... O Tio José não teve decendentes.) O contacto do Senhor do ROCHOSO é joserabaca@yahoo.com. Creio que não terá dificuldade em contactar.
Também nós temos bastante família espalhada pelo Brasil mas, da maior parte eu não tenho contacto. Há uns RABAÇA SERRA SANTOS em S. Paulo. Vou contactá-los e dar o seu endereço. (O email de uma prima é: ritasqc@cepa.com.br - a quem vou dar o seu endereço).
Dentro de uma ou duas semanas, vou colocar n'aminhaTEIAnaREDE os pormenores do nosso CONVÍVIO, em Maio, e insistir para que alguém de S. Paulo e do Brasil apareça e, com certeza que teremos todo o gosto e recebê-la. Mesmo que não sejamos "PRIMOS" muito próximos, há um NOME e uma Humanidade que nos liga... Posso adiantar: o CONVÍVIO vai ser dia 17 de Maio, com um ALMOÇO... pelas 13H30, em Foz do ARELHO (perto de Caldas da Rainha), Hotel FOZ PRAIA, (tel. 262979413 fax. 262979460 - Email - fozpraia@msn.com e pode ver mais dados consultando http://www.rt-oeste.pt/ ). Ainda não confirmámos com o Hotel, só em inícios de Abril, quando enviarmos o COMUNICADO oficial para todos.
Deixo a sua mensagem a seguir para melhor referenciar o nosso contacto que apreciei e me deu muita alegria.
Um grande abraço e, possivelmente, até breve
José Rabaça Gaspar

 
From: Silvia Rabaça
To: joraga@netcabo.pt
Sent: Sunday,
March 16, 2003
9:06 PM
Subject: primos???

ola

Escrevo de são paulo, Brasil.
Escrevi tambem no site uma mensagem.
Meu nome é silvia regina rabaça, 50 anos, neta de jose rabaça, nascido em 1898, distrito da guarda, chegou ao Brasil apos passar uns tempos em Mendoza na Argentina, ( região produtora de vinhos), orfão e solteiro, 1916??, (estou pesquisando), e se casou aqui com uma portuguesa Margarida Machado, orfã de pai e mãe, irmã de Amadeu Machado, que foi lutar na França durante a guerra, oriundos da freguesia de almofala, distrito da guarda.
Minha avó sem ninguem em Portugal, veio ao Brasil viver com uns tios.Meus avós se encontraram aqui mas ja se conheciam de Portugal.
Meu avô deixou um irmão em Portugal, que entrou para a marinha, e cujos netos ( joão rafael rabaça moraes, medico, e manuel rabaça moraes, professor ) moram hoje em Santarem e uma neta ana maria rabaça, trabalha numa seguradora, em Lisboa.
Ja estive com meus primos ai em Portugal, e eles falam de manteigas, mas meu avo falava de figueira de castelo rodrigo, rio Douro, divisa com Espanha, inclusive falava bem castelhano,etc.
Há um ramo da familia conhecido em castelo rodrigo???
Estou tentando dupla cidadania e comecei a pesquisar os cartorios dessas aldeias para pedir as certidões de nascimento deles.
Adorei a iniciativa de seu site, e gostaria de ser avisada sobre o encontro em maio deste ano.....embora não entenda bem onde me encaixo nesssa teia......
Quando receber os dados oficiais de entrada de meu avo no Brasil, com seus dados mais completos, lhe escrevo.
um grande abraço
silvia

Silvia Rabaça rsilvia11@uol.com.br

 
Jose Rabaca joserabaca@yahoo.com
sexta-feira,
20 de Dezembro de 2002
15:33
assunto: Rabaças

Boa tarde
Casualmente visitei a sua página sobre a familia
Rabaça.
Ainda não li ao pormenor a informação que está
disponibilizada nessa página mas gostaria de saber, se
possivel, se um ramo da família Rabaça oriunda da
Parada - Rochoso - Guarda, terá ou não alguma ligação
a essa família.
O nome da minha família é Alves Rabaça e não Paiva
Rabaça.

Cumprimentos e obrigado
José Rabaça

 

Silvia Rabaça rsilvia11@uol.com.br
quarta-feira,
26 de Março de 2003 16:14
Assunto: este email voltou

Foto?

Festa de Pessah (séc. XIII)

" Judeu ". Óleo sobre madeira de castanho, oficina de Vasco Fernandes, primeira metade do século XVI. (Museu Nacional de Arte Antiga)

Janela manuelina existente na Rua das Flores, uma das principais ruas judaicas da Covilhã.

?

As muralhas no séc. XV
A ligação entre a parte cristã da cidade e o bairro judeu era feita através de cinco das dez extremidades da antiga muralha.


Igreja de Santa Maria, principal centro da Inquisição na cidade da Covilhã.

O " Tratado del esphera y del arte del marear ", escrito em 1535, é um dos principais documentos históricos mundiais que provam o avanço científico português da época.

Igreja de S. Vicente Guarda

Os artífices: o gibiteiro, o sapateiro, o tecelão, etc.

O Bairro de Santo António era o núcleo original do Fundão.

A Rua da Cale foi o eixo de crescimento das actividades comerciais do Fundão

 

GOUVEIA
A comuna judaica da cidade - localização histórica

A glória desta Última casa será maior que a primeira;
Diz o "Adonai" (Senhor) DOS EXÉRCITOS
A CASA DA NOSSA SANTIFICAÇÃO, DA NOSSA GLÓRIA, E OS RESGATADOS
PELO SENHOR, VOLTARÃO E REGRESSARÃO A SIÃO EM ALEGRIA
Tradução do texto hebraico da pedra da sinagoga de Gouveia (1496) exposta no Museu de Arte Sacra da cidade Gouveia

LINHARES DA BEIRA
1 - Castelo
2 - Rua do Arco (fachadas manuelinas)
3 - Igreja da Misericórdia
4 - Igreja da Assunção
5 - Pelourinho
6 - Janela manuelina na Rua Direita (da Procissão)
7 - Janela manuelina na Rua Direita (da Procissão)
8 - Janela manuelina na Rua do Passadiço (da Judiaria)

As figuras na fachada da Casa do Gato Negro

Penamacor - elemento judaico no Largo da Carapuça

 

 

OS ÚLTIMOS JUDEUS SECRETOS DE SEFARAD

AS COMUNIDADES JUDAICAS NA IDADE MÉDIA

Desde o fim do Império romano que uma minoria judaica existia no território que depois veio a ser Portugal.
Aquando da fundação da nacionalidade, em 1143, esta minoria já se encontrava disseminada em algumas localidades importantes como Santarém que possuía a mais antiga sinagoga nacional.
A população judaica aumentava favorecida com a necessidade que os primeiros reis (século XII) sentiam de povoar o território que ia sendo conquistado aos mouros.
Em todos os locais em que o número de judeus superava a dezena, era criada uma comuna ou aljama cujo centro organizacional era a sinagoga. O seu sino chamava os fiéis não só à oração como também para lhes fornecer qualquer informação vinda do rei ou qualquer decisão tomada pelo rabi-mor. A sinagoga era a sede do governo da comuna.
Já no século XIII, D. Afonso II legisla (Ordenações Afonsinas) as relações entre cristãos e judeus pois estas começavam a criar dificuldades à minoria. Quer isto portanto dizer que: os judeus não podiam ter criados cristãos sob pena de perda de património; qualquer judeu converso ao cristianismo que retornasse à religião original podia ser condenado à morte; não podiam os judeus ocupar cargos oficiais de modo a que os cristãos não se sentissem prejudicados.
No reinado posterior, D. Sancho II permite o esquecimento destas leis e, por exemplo, volta a confiar aos hebreus cargos públicos. Esta decisão provoca a queixa dos cristãos ao Papa que obriga dois bispos a advertirem o rei português para que não dê a judeus cargos com autoridade sobre cristãos.

Na época do rei D. Dinis a população hebraica sefardita habitava comunas espalhadas por todo o país. Estas eram dirigidas por oficiais judeus superintendidos por um rabi-mor, valido do soberano. Existia portanto protecção real.
Cada comuna tinha uma ou mais judiarias. Neste tempo, o rabi-mor tinha delegados seus, chamados ouvidores, nos principais centros judaicos do país: Porto (Região de Entre Douro e Minho); Torre de Moncorvo (Trás-os-Montes); Viseu (Beira); Covilhã (Beira/Serra da Estrela); Santarém (Estremadura); Évora (Alentejo) e Faro (Algarve). Estes ouvidores exerciam verdadeira jurisdição sobre todas as comunidades judaicas nacionais.

A sinagoga era um local tão importante do ponto de vista religioso (como era a igreja para os cristãos) quanto civil, era lugar de assembleia e reunião dos membros da comuna.
As comunas obrigavam ao desenvolvimento de escolas. Diz o Talmud: " Toda a cidade em que as crianças não frequentem uma escola está destinada a perecer, está destinada à ruína ".
Para além da escola, a comuna tinha o Beth Hamidrash, casa de comentário das Escrituras Sagradas.
Junto da sinagoga existia o Genesim onde os judeus se dedicavam ao estudo e analisavam o Pentateuco (a Torah).
Estas comunidades viviam do comércio e artesanato mas também da agricultura e criação de gado. Nestes âmbitos funcionavam ligados aos cristãos. Do ponto de vista administrativo e religioso eram independentes mas estavam directamente ligadas ao rei.
Em geral, as comunidades situavam-se dentro das muralhas da cidade (ex.: Trancoso, Guarda e Covilhã) mas também podiam criar outras judiarias no exterior (caso da Covilhã). Inclusivamente, a população podia espalhar-se por zonas cristãs para além do bairro judeu (caso da Guarda).
Riquezas de judeus no século XIII
" ... Estevão Eanes recebeu do judeu da Covilhã " huuma çafira en castõ de prata dourada "; " hua Calçadonia en castõ de prata " e " huuma Torquesa contrafeyta en castõ de prata " ... "
Texto de 1279 in Inventários e contas da casa de D. Denis (1278-82)

A VIDA ECONÓMICA ATÉ FINAIS DO SÉCULO XV

O crescimento do comércio no Portugal da Idade Média deve-se muito à actividade dos judeus.
Já as cartas de foral o registam, casos de Évora (1166), Covilhã (1186), Pinhel (1200).
Este tipo de actividade económica promovia financeiramente parte da população hebraica, facto que permitia invejas e queixas, como por exemplo aquando da cobrança de juros no empréstimo de dinheiro ou no preço de arrendamento. Em Castelo Rodrigo, nos planaltos a norte da Serra da Estrela, já em 1321 o concelho se queixava ao rei D. Dinis dizendo que " os judeus emprestavam dinheiro a tais juros que arruinavam os moradores da vila e das aldeias vizinhas ".
Na agricultura, o cultivo da videira e da oliveira e, por conseguinte, a produção de vinho e azeite em adegas e lagares era muito importante, por exemplo, nas comunidades da Serra da Estrela.
A população judaica foi sempre crescendo ao longo da Idade Média. Se em 1400 existiriam em Portugal cerca de 30 comunidades e alguns milhares de famílias, na data da chegada de Colombo à América haveria mais de 100 judiarias e dezenas de milhar de habitantes.

As razões do aumento da população são as seguintes:
" a quase ausência de levantamentos antijudaicos em Portugal;
" o crescimento dos movimentos contra os judeus em Espanha (Navarra, Castela e Aragão) desde meados do século XIV;
" o estabelecimento da Inquisição e a expulsão dos judeus da Andaluzia (Espanha) nos primeiros anos de reinado dos reis católicos;
" o início do processo dos Descobrimentos Portugueses com a abertura de novas rotas marítimas e comerciais.
Durante o século XV sobressaíam já grandes comunas. No fim da centúria os maiores núcleos de povoamento judaico eram Lisboa com cerca de 2.000 membros, Évora, Santarém e Covilhã com mais de 1.000, Lamego, Guarda e Trancoso (onde uma feira franca era muito atractiva para os hebreus) com entre 500 e 850. Depois, Porto, Tomar (famosa pela sinagoga do século XIV), Guimarães e Braga. A comuna de Belmonte seria então satélite das da Covilhã e Guarda, ambas na Serra da Estrela, Região onde as mais importantes judiarias existiam em Gouveia, Pinhel e Penamacor.
No total, viveriam em Portugal cerca de 30.000 judeus - 3% da população. Em 1492, ano da descoberta da América, os reis católicos promulgam o édito de expulsão dos judeus de Espanha. Precisamente, também no ano da unificação final de todo o território desse país (com a etapa final da reconquista cristã - a tomada de Granada), se inicia verdadeiramente a Diáspora de Sefarad.
D. João II acolhe muitos desses judeus, cujo total superaria as 50.000 - 70.000 pessoas. Outros utilizaram Portugal como local de passagem

A DIÁSPORA DE SEFARAD
OS JUDEUS NA ÉPOCA DOS DESCOBRIMENTOS
Quatro anos depois do acontecido em Espanha, o sucessor de D. João II, D. Manuel, casado com uma filha dos reis católicos e muito pressionado por estes, promulga também o édito de expulsão. Longe de ser consensual, esta política não agradou a todos, principalmente nos meios da ciência e da escrita. A D. Manuel também não agradaria ver partir grande parte da dinâmica do reino. Por isso, congemina a estratégia da conversão e baptismo forçado. Esta atitude foi criticada por muitos, inclusive por parte da igreja católica como foi o caso do Bispo de Ceuta, D. Diogo Ortiz, colega do judeu Mestre José Vizinho da Covilhã na junta científica (para os descobrimentos) do rei D. João II.
D. Manuel sabia que ia perder aqueles que devia segurar. Assim tentou decretar medidas que simultaneamente favoreciam os conversos e eram um convite à abjuração para os renitentes:

MAGNA CARTA dos CRISTÃOS NOVOS PORTUGUESES
" "não inquirir da sua fé religiosa, durante vinte anos;
" no caso de haver denúncia de práticas heréticas, o feito deveria correr no tribunal civil e não no tribunal religioso, processando-se legalmente como qualquer feito cível, com testemunhas publicadas e contraditas por parte do réu. Aquelas deveriam ser denunciadas no prazo de vinte dias, sob pena de a acusação perder a validade;
" todo o acusado com culpa provada de heresia contumaz teria os bens confiscados, para os seus herdeiros cristãos;
" os médicos que não soubessem latim podiam possuir livros de medicina em hebraico."
Maria José Ferro Tavares, Os Judeus na Época dos Descobrimentos

Em 1536 a situação piorou com D. João III. Estabelece-se o Tribunal do Stº Ofício (a Inquisição) criado por bula papal. A integração anteriormente desejada voluntária é agora forçada pelo medo e pelo terror da estupidez real.

A Inquisição

A INQUISIÇÃO E AS COMUNAS DA SERRA DA ESTRELA
Alguns exemplos de denúncias contra os judeus tornados secretos. Início do século XVII:
"... Helena, moça negra, escrava de Manuel Gomes, da Covilhã, sabe também que, na Páscoa, em casa do amo comem pão ázimo, sem sal, não o deixando levedar..."
"... Pêro Gonçalves, do Rochoso, garante que vindo à Guarda, sexta-feira de Endoenças, vender perdizes, entrara, sem bater, numa casa e viu cinquenta pessoas, pouco mais ou menos, mulheres, homens e meninos em oração, "com hu altar na dita caza muito rico de peças de prata e ouro" com velas acesas e "... em o qual estava hua toura muito fermosa"..."
"... Beatriz Mendes, do Fundão, declara que na Semana Santa, de dia de Ramos para diante "tinham panelas ao lume novas, e num eirado tinham uma cebola partida pelo meio e um pavio, no meio, aceso."...
"... Diz Michel Escamilla que a Inquisição não teria resistido quase três séculos sem o apoio da população. Os acusados sabiam-no; tinham conhecimento da miséria, da fome, da violência, da descida ao inferno de inúmeras famílias, companheiros de infortúnio. Di-lo sabiamente António José da Silva, o Judeu, também ele queimado com a mulher e a sogra, pela Inquisição:
"Que delito fiz eu para que sinta
O peso desta aspérrima cadeia
Nos horrores de um cárcere penoso,
Em cuja triste, lôbrega morada,
Habita a confusão e o susto mora?
Mas se acaso, tirana, estrela ímpia
É culpa o não ter culpa, eu culpa tenho;
Mas se a culpa que tenho não é culpa
Para que me usurpais com impiedade
O crédito, a esposa e a liberdade?"..."
Maria Antonieta Garcia, Denúncias em nome da fé.
BELMONTE
Depois de séculos de organização judaica em segredo, é, nos anos vinte do século XX que Samuel Schwarz anuncia a existência de uma comunidade no interior de Portugal, junto à Serra da Estrela: Belmonte, a vila natal do descobridor do Brasil em 1500, Pedro Álvares Cabral.
Findas as perseguições da Inquisição e terminados os processos de integração católica que diluíram a totalidade das muitas comunidades existentes, veio a descobrir-se que nesta vila estavam vivas as tradições, a organização e a estrutura religiosa dos últimos judeus secretos de Portugal. Belmonte é, no limiar do século XXI, a última comunidade peninsular de origem Cripto-Judaica a sobreviver enquanto tal. São cerca de 200 pessoas, quase 10% dos habitantes da vila.
A onomástica presente na vila é clara: existem os Sousa, Dias, Henriques, Fernandes, Mendes, Diogo, Rodrigues, etc.
A origem remota desta comunidade está comprovada, pelo menos desde o século XIII (1297) e subsiste ainda hoje com unidade, possuindo sinagoga, rabino e cemitério próprio. Igualmente, tem uma direcção comunitária.
A sua importância deve-se mais à originalidade de uma resistência decorrida ao longo dos séculos do que ao seu peso demográfico ao longo da história.
A comunidade de Belmonte cumpre hoje os principais ritos religiosos, alguns dos quais haviam desaparecido da memória colectiva belmontense. Outros foram secularmente cumpridos, embora por vezes fortemente deturpados. É necessário entender que esta comunidade se tornou secreta durante séculos e não manteve qualquer tipo de contacto com o judaísmo exterior.
Actualmente, o ciclo litúrgico anual dos judeus de Belmonte compreende o Dia do Perdão (Yom Kippur), a Festa dos Tabernáculos (Sukot), a Alegria da Lei (Simhat Torah), a celebração da Rainha Ester (Purim), a Santa Festa (Pessah) e a Festa das Colheitas (Sabuot).
Para que se compreendam as transfigurações tornadas evidentes pelo isolamento secular veja-se o caso da Hanukah. Esquecida há séculos, havia sido substituída pela cerimónia do Natalinho. Interrogados sobre o seu significado, os judeus belmontenses diziam que se celebrava o nascimento do Santo Moisés. Nas últimas décadas a festa acabava por coincidir com o Natal dos cristãos.
Todos estes curiosos relatos podem ser analisados no livro de Maria Antonieta Garcia "Os Judeus de Belmonte - Os Caminhos da Memória".
Encontra-se em fase de projecto o Museu Judaico que em Belmonte sediará a Rota Turística e Cultural das Antigas Judiarias da Serra da Estrela.

A ÚLTIMA COMUNIDADE CRIPTO-JUDAICA VIVA
COVILHÃ

A comunidade judaica da cidade da Covilhã localizada a 20 Kms de Belmonte, foi desde o século XII e até à sua diluição, a maior e mais importante da Região da Serra da Estrela e uma das maiores e mais fortes de Portugal.
Como se pode ver na planta da cidade quinhentista, existiam, no final do século XV, pelo menos três núcleos hebraicos. Um (o mais antigo) intra-muralhas junto às Portas do Sol; o segundo, na parte exterior das mesmas confinando com elas, e o terceiro corresponderia a bairros de localização perto da cidade (Refúgio - Meia Légua). Este último (Refúgio) deverá ter o seu nome ligado a uma zona que terá sido refúgio de judeus perseguidos.

UMA COMUNA IMPULSIONADORA DO TRABALHO DA LÃ

A importância dos membros das comunidades judaicas da Covilhã ou seus descendentes pode ver-se reflectida em seis factos principais:
- a percentagem da área e da população da cidade ocupada pelos bairros judeus (cerca de 30%) no séc. XV;
- o desenvolvimento posterior da indústria de lanifícios que teve a colaboração de imensos elementos importantes oriundos desse ramo social e étnico;
- a quantidade e qualidade de portugueses judeus ou de origem judaica covilhanense ligados à epopeia dos descobrimentos e expansão portuguesa (ver brochura "Rota dos Descobridores"), caso único em Portugal: Mestre José Vizinho, cosmógrafo de D. João II; Rui Faleiro, artífice da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães; Francisco Faleiro, grande cosmógrafo colocado ao serviço de Espanha, autor do " Tratado del esphera y del arte del marear "; eventualmente mesmo Pêro da Covilhã, explorador e preparador do caminho marítimo para a Índia, seria de origem cristã-nova; também o famoso João Ramalho, primeiro bandeirante no Brasil, teria origem judaica covilhanense;
" o volume financeiro das rendas pagas pela comuna em fins do séc. XV (42.500 réis);
" as referências históricas nacionais feitas em relação ao judaísmo covilhanense durante séculos e registadas desde o foral de 1186 que são constantes e diversificadas;
" a presença numerosa dos nomes mais clássicos (embora não exclusivos) de origem cristã-nova em muitos dos actuais habitantes da cidade (ex. : Mendes, Cardoso, Costa, Pereira, Henriques, Cruz, Dias, Baltazar, Vizinho, Gomes, Ramalho, Nunes, Flores, Franco, Vaz, Pinho, Teles, Faleiro, Elias, Mesquita, Oliveira, Ranito, Benjamim etc.).
Já no séc. XX, a terceira comunidade do país foi re-estabelecida na Covilhã (Julho de 1929) onde existiriam 6.000 Cripto-Judeus. Edificou-se uma sinagoga chamada Sha'ari kabbalah ("As Portas da Tradição"). Com a implantação da ditadura em 1932, a actividade missionária judaica entre os Cripto-Judeus diminuiu na Covilhã, assim como em todo o território nacional.
Até ao século XX, em meados do qual foi demolido, existia o edifício da sinagoga que se situava nas cercanias da actual igreja de Santiago.
As inquirições das denúncias contra os judeus secretos ou judaizantes eram feitas nas igrejas de Santa Maria e da Madalena. A primeira é hoje visitável.

BERÇO DOS CIENTISTAS JUDEUS DOS DESCOBRIMENTOS
GUARDA

Desde sempre localizado no interior da cidade muralhada, ainda hoje aí existe o antigo bairro judeu. Encontra-se muito perto da Porta d'El-Rei.
A comuna judaica da Guarda foi durante longos períodos uma das mais importantes do país e é considerada uma das mais antigas. Está comprovado que remonta ao século XIII com o aforamento, por parte de D. Dinis, de casas da freguesia de S. Vicente a famílias judaicas, tendo sido numa delas instalada a sinagoga.
Esta era a judiaria nova, prolongamento de uma mais antiga, a velha, mencionada no foral de 1199.
Em fins do século XIV aí residiam cerca de 200 pessoas e, cerca de 50 anos depois, o número de habitantes de credo judaico já rondaria entre os 600 e os 850.
As famílias tinham nomes como Ergas, Castro, Falilho, Baruc, Mocatel, Marcos, Querido, Alva, Cáceres, Castelão, etc.
As audições perante o tribunal da Inquisição decorriam nas igrejas de S. Vicente e S. Pedro.
A dinâmica comunidade judaica da Guarda oferecia toda uma série de serviços à população: alfaiates, sapateiros, curtidores, ferreiros, tecelões, gibiteiros, tosadores, físicos, cirurgiões, ourives, carpinteiros e esmaltadores.
No livro do Museu Municipal da Guarda, História e Cultura Judaica, está presente muito mais informação.


A judiaria tinha o seu início junto à Porta d'El-Rei e estendia-se até ao adro da igreja de S. Vicente, limitada pela muralha e pela Rua Direita que dava acesso àquela Porta. Em 1465 este acesso foi fechado devido aos protestos dos cristãos. Desenho de José Garcês

DAS MAIORES E MAIS ANTIGAS COMUNIDADES
FUNDÃO

Terra de origem bem mais recente que as já referidas, nem por isso deixa de apresentar uma enorme influência de origem judaica.
Em 1400, esta povoação no sopé da Gardunha a sul da Serra da Estrela, era apenas um lugar agrícola sem quaisquer características urbanas. Pouco mais de 100 anos depois era já um centro urbano dinâmico pertença do concelho da Covilhã. A originalidade da então povoação não se deve a comunas organizadas de judeus.
O Fundão desenvolveu-se após a expulsão destes de Espanha, como terra de cristãos-novos, tornados artífices, tecelões, pisoeiros, tintureiros, mercadores, borracheiros e fundidores. Em poucos anos transformaram um lugarejo rural num centro urbano cheio de actividade e vida.
A actual cidade do Fundão teve pois uma origem bem diferente de todas as outras e aliás única em Portugal. O judeu transformado em cristão-novo pelas imposições reais cria, já no século XVI, uma cidade nova iniciada no bairro de Santo António. Os nomes Mendes, Barros, Vaz eram usuais.

Em 1542 elementos destas famílias eram acusados à Inquisição de aí possuírem uma secreta sinagoga. Hoje, se passearmos na movimentada Rua da Cale, não veremos panos de muralhas que aliás nunca existiram mas sim o comércio herdeiro dessas actividades tradicionais, berço do Fundão.
O nome desta rua deriva da palavra hebraica Kahal que significa aljama, comuna, lugar de reunião. Segundo Moisés Abrantes, " na parte mais larga da referida rua existia essa Kahal com a respectiva sede. No seu lugar mais amplo se fixaram em maior número vários cristãos-novos oriundos de Castela ". " Era repleta de pequenas lojas e escuras oficinas onde, por detrás dos balcões, se lobrigava um olhar ou perfil da gente hebraica... " Esta antiga Rua da Kahal era centro dos imigrantes hebreus que tanto desenvolvimento vieram trazer, projectando em definitivo o Fundão para o futuro.

GOUVEIA

Gouveia iniciou-se com uma pequena comuna tendo cerca de 50 judeus em meados do século XV. No final da centúria, seriam quase 200. Encontramos aqui os Adida, Abenazo, Baruc, Faravam, Navarro e Sacuto.
A comuna de Gouveia esteve sempre muito ligada ao trabalho da lã, actividade clássica desde há muito nesta cidade.
Depois da data de expulsão dos judeus de Espanha (1492), muitos dos refugiados afluíram a Gouveia (tal como à Covilhã) com o sentido de intensificarem o trabalho dos lanifícios praticado então de forma muito rudimentar. As duas vilas (na época), com ribeiras caudalosas e íngremes, ofereciam a energia hidráulica necessária ao movimento das rodas dos engenhos.
Poucos anos mais tarde (1496) é construída uma sinagoga cujo registo fica patente na pedra encontrada em 1967 numa casa da Rua Nova em plena judiaria de Gouveia.
Nesta cidade da vertente norte da Serra da Estrela a comunidade era também bem organizada. Fica para a história a força que, no período entre 1525 e 1530, o ódio fomentado por D. João III atingiu, tornando conhecido este episódio relatado por Meyer Kayserling:
"Em Gouveia foi encontrada em pedaços uma imagem de Maria, muito adorada pelo povo. Este sacrilégio, atribuído aos cripto-judeus da cidade, levou à prisão de três deles, que foram soltos após alguns dias. A massa enfurecida acusou os judeus de suborno. [...] O inquérito contra os cripto-judeus libertados foi reiniciado por insistência dos moradores. Falsas testemunhas depuseram contra os acusados e, como ficou provado mais tarde, devido a acusações caluniosas, morreram na fogueira como hereges e profanadores de imagens sagradas."

UM TESTEMUNHO DE PEDRA
LINHARES DA BEIRA

É uma das Aldeias Históricas portuguesas. Possuía uma judiaria que pode ainda hoje ser localizada.
Num edifício perto do centro, devidamente assinalado, existe uma casa manuelina onde funcionou antigamente uma sinagoga. Esta comunicava com as casas anexas, das quais subsistem apenas os locais das portas. Aqui é possível ver a mais bonita janela de estilo manuelino da aldeia.
A judiaria era composta pela Rua Direita (da Procissão) e Rua do Passadiço (da Judiaria). Ainda hoje é possível notá-la através dos portais chanfrados dispersos pela povoação e também através das janelas manuelinas. As casas dos cristãos novos têm, nas ombreiras das portas, cruzes que os protegiam da Inquisição. Mesmo assim, muitos processos foram instaurados a famílias com nomes como Fernandes, Linhares, Nunes, Rodrigues, Froes, Antunes.

CELORICO DA BEIRA
Esta vila da Beira-Serra teve o seu grande incremento a partir da data de fuga de Espanha de inúmeros judeus. Celorico da Beira, vila antiga mas pacata, tornou-se uma terra de um desenvolvimento comercial extraordinário por onde se escoavam os produtos agrícolas de toda a Região. Os judeus de Celorico dedicavam-se muito ao artesanato. A onomástica refere os Barrocas, Serrano, Munhom, Levi, Cohen, Leiria, Adida. O número máximo de habitantes da comuna deverá ter sido 150-200.
TRANCOSO

Em meados do século XIV a comuna judaica de Trancoso crescia e tornava-se rival da da Guarda em importância e riqueza. Localizava-se dentro das muralhas, junto à igreja de S. João de Vila Nova, englobava a Rua Direita e a Rua da Corredoura e desembocava na praça onde hoje existe a Câmara Municipal.
A feira medieval foi decisiva para o crescimento de Trancoso e da sua comuna judaica provocando, no século XV, o extravasar da judiaria. Existiriam mais de 500 habitantes judeus. Este facto provocou um litígio com a comuna da Guarda, sede do almoxarifado.
Eram judeus de Trancoso os Levi, Franco, Barzelai, Justo, Barroca. Também os Cáceres, Navarro, Souriano e Castelão. Os Tovi, Faravam, Adida, Soleima, Pasilha eram nomes comuns aos da Guarda.
O edifício mais emblemático da vila fortificada é a Casa do Gato Negro, antiga residência do rabino. Na sua fachada podem ver-se representações figuradas do Leão da Judeia e das Portas de Jerusalém. Provavelmente terá sido esta a sinagoga.

PINHEL
A comuna judaica desta antiga cidade fronteiriça portuguesa deve ter-se desenvolvido apenas no inicio do século XV. No final deste século, favorecida pela proximidade de Espanha, vê o número de habitantes judeus ascender a cerca de 200.
As famílias mais comuns correspondiam aos Barzelai, Amiel, Abenazum, Ergas, Cid, Adida, Cohen e Castro.
O foral de Pinhel de 1200 já regista a actividade comercial dos hebreus aí residentes.

PENAMACOR
Terra de origem de um dos mais conhecidos médicos da história portuguesa - Ribeiro Sanches. Cristão-novo, acusado de judaísmo, Ribeiro Sanches (1699-1783) foi perseguido pela Inquisição em Portugal. Alcançou grande prestígio na corte de Catarina II na Rússia.
Penamacor possui vestígios da antiga judiaria de quinhentos nas cercanias da Rua de S. Pedro, uma das ruas históricas da vila. O incremento do número de habitantes judeus após a expulsão de Espanha aconteceu devido à situação de grande proximidade da fronteira.

O PORTUGAL DE SEFARAD

Esta é a história única que pode visitar.
Esta é a história daqueles que são os últimos judeus secretos sefarditas.
Até ao século XX o mundo desconhecia a existência, no interior de Portugal, da última comunidade Cripto-Judaica da Península Ibérica e porventura da Europa.
Junto à Serra da Estrela, montanha mais alta de Portugal (2.000 m), fica Belmonte, memória humana viva do riquíssimo e antigo Portugal Judaico. Aí ficam também as terras que como Covilhã, Guarda, Trancoso, Fundão e outras são a referência das antigas comunidades sefarditas portuguesas.
Saiba como há séculos, os judeus portugueses desta Região foram decisivos nos movimentos dos descobrimentos lusos e espanhóis que trouxeram novos mundos ao mundo.
Saiba como foram decisivos para o desenvolvimento do comércio e para o incremento da indústria têxtil de lanifícios na Serra da Estrela.
Fazer turismo cultural nesta Região é homenagear não só a história de Portugal mas um povo que honrou essa história e que hoje vive... na Europa, na América, enfim, em todo o mundo.

 

 


 

"primo José"
Envio a seguir lista de costumes judaicos que pesquisei na internet e uma pagina que li também

Costumes de Cristãos novos nas tradições familiares brasileiras

Segue-se uma lista de aspectos culturais e perguntas que podem revelar a origem judaica de uma família. Dividida em tópicos: Família, Ritos Natalícios, Ritos Matrimoniais, Refeições, Objetos, Costumes e Ritos Fúnebres; a lista apresenta práticas possivelmente já esquecidas pelas tradições familiares no decorrer dos tempos. Compare tais práticas com as tradições de sua família, se possível com a ajuda de familiares mais antigos (pais, tios, avós, bisavós). Peço desculpas pela simplicidade devido ao desconhecimento do significado da maioria dos costumes, mas procurei ser o mais explanador possível.

Família

Alguém, pai, avô, ou outro parente, já falou algo sobre a família ser de judeus?

Na cidade em que a família morava, há algum judeu ou comunidade judaica antiga?

Alguém da família fala/falava alguma língua desconhecida? Parecia com o espanhol? Era totalmente desconhecida? Ladino?

Algum parente evita ou evitava igrejas católicas?

As Igrejas, mesmo católicas, que os familiares freqüentavam não tinham imagens?

Alguém da família participava de reuniões secretas, ou de encontros onde só homens ou só os pais podiam ir? Ou de algum grupo de oração secreto?

Os nomes bíblicos são/eram comuns entre os familiares?

Ritos Natalícios

Colocar a cabeça de um galo em cima da porta do quarto onde o nascimento iria acontecer.

Depois do nascimento, a mãe não deveria descobrir-se ou mudar de roupas durante 30 dias. Ela deveria permanecer em repouso em sua cama, e afastada do contato com outras pessoas, pois segundo a Lei, a mulher fica impura durante 30 dias após um parto. Parecida com esta prática é a de afastar-se no período menstrual, em que também é considerada impura.

Ainda durante esses trinta dias, a mulher só comia frango, de manhã, de tarde e de noite. Dava "sustância", força para a recuperação.

Lançar uma moeda prateada na primeira água de banho do bebê.

Dizer uma oração oito dias depois de nascimento na qual o nome do bebê é citado.

Realizar a circuncisão ou mesmo batizar o menino ao oitavo dia de nascido.

Acender alguma vela ou lamparina no quarto onde o parto ia acontecer, porque o menino não podia ficar no escuro até ser batizado (ou circuncidado).

Ritos Matrimoniais

Os noivos e seus padrinhos e madrinhas deveriam jejuar no dia do casamento.

Na cerimônia, as mãos dos noivos eram envoltas por um pano branco, enquanto fazia-se uma oração.

Da cerimônia seguia-se uma refeição leve: vinho, ervas, mel, sal e pão sem fermento.

Noivo e noiva comiam e tomavam do mesmo prato e copo.

Refeições

A prática de jejuns era comum.

Era proibido comer carne com sangue. Às vezes também se retiravam os nervos, com uma faca especial para tal.

Ovos com mancha de sangue eram jogados fora.

Não se comia carne de porco, pois é considerada impura.

Não era permitido cozinhar carne e leite juntos. Ás vezes esperava-se um certo tempo entre a ingestão do leite e da carne.

Comia-se apenas comida preparada pela mãe ou pela avó materna.

Um menino deveria jejuar durante 24 horas antes de completar sete anos.

Costumava-se beijar qualquer pedaço de pão que cai no chão.

Era proibido comer carne de animal de sangue quente que não tivesse sido sangrado.

Havia certas restrições quanto aos tipos de peixe comestíveis: os peixes "de couro" (sem escamas) não serviam para consumo, e às vezes só os peixes do mar podiam ser ingeridos. Moluscos e mariscos também eram proibidos.

Há ainda hoje um hábito muito difundido, especialmente no interior, de derramar um pouco da bebida e da comida "para o santo", com raízes na páscoa judaica.

Em algumas casas de famílias cristãs-novas, na mesa de jantar, havia gavetas, que serviam para esconder a comida kasher, a comida recomendada pela Torah, caso chegasse alguma visita inesperada.

Costumes

Acender velas nas sextas-feiras à noite.

Celebrar a Páscoa, e jejuar durante a Semana Santa. As datas da Páscoa Cristã e da Páscoa judaica freqüentemente coincidem.

Limpar a casa nas sextas-feiras durante o dia.

Era proibido fazer qualquer coisa na sexta-feira à noite (até mesmo lavagem de cabelo).

Realizar alguma reunião familiar nas sextas-feiras à noite.

Aos sábados, velas eram acesas diante do oratório e deveriam queimar até o fim do dia.

Havia roupas especiais para o sábado. Às vezes eram simplesmente roupas novas ou roupas limpas.

Dizeres comuns: "O Sábado é o dia da glória", ou "Deus te crie" (Hayim Tovim), para quando alguém espirrava.

Comemorações diferentes das católicas, como o "Dia Puro" (Yom Kippur) ou algum feriado de Primavera. Era costume de alguns acender no Natal oito velas.

Em imitação a alguns personagens bíblicos, quando acontecia algo importante, rasgavam-se as vestes.

Um costume ainda muito comum hoje em dia era varrer o chão longe da porta, ou varrer a casa de fora pra dentro, com a crença de que se o contrário fosse feito as visitas não voltariam mais. Na verdade esta prática está ligada ao respeito pela Mezuzah, que era pendurada nos portais de entrada, e passar o lixo por ela seria um sacrilégio.

Ao abençoar um filho, neto ou sobrinho, costumava-se fazer com a mão sobre a cabeça.

Como o dia judaico começa na noite do dia anterior, o início de um dia era marcado pelo despontar da primeira estrela no céu. Assim o sábado (dia de celebração nas casas judaicas), começava com o despontar da primeira estrela no céu da sexta-feira. Se uma pessoa demonstrasse alguma reação publicamente com relação a tal estrela, ela seria alvo de suspeitas. Um adulto consegue conter-se, mas uma criança não. Então ensinava-se às crianças a lenda de que apontar estrelas fazia crescer verrugas nos dedos.

Ritos Fúnebres

Cobrir todos os espelhos da casa.

Toda a água da casa do defunto era jogada fora.

Cortar as unhas do defunto (ou pelo menos um par delas) como também alguns fios de cabelo e envolver tudo em um pedaço de papel ou pano.

Lavar o corpo com água trazida da fonte em um recipiente novo, que nunca tenha sido usado, e vestir o corpo em roupas brancas, as mortalhas.

O corpo era velado durante um dia, e então uma procissão levava-o à igreja e de lá ao cemitério.
A casa então era lavada.

Durante uma semana manter-se-ia o quarto do finado iluminado.
A casa da família enlutada fechada ao máximo, durante uma semana, com incenso queimando pelos cômodos. Quase ninguém entrava ou saía durante esse período.
Os homens não se barbeavam durante trinta dias.

Manter o lugar do defunto à mesa, encher o prato dele ou dela e dar a comida a um mendigo.

Não comer carne durante uma semana depois de uma morte na família.

Jejuar no terceiro e oitavo dia e uma vez a cada três meses durante um ano.

Convidar um mendigo para comer e servir a comida que o morto mais gostava.

Colocar comida perto da cama do defunto.

Fazer a cama do defunto com linho fresco e queimar uma luz perto dela durante um ano.

As parentes mulheres deveriam cobrir suas cabeças e esconder as faces com uma manta.

Ir para o quarto do defunto por oito dias e dizer: "Que Deus te dê um boa noite. Você foi uma vez como nós, nós seremos como você ".

Passar uma moeda de ouro ou prata em cima da boca do defunto, e então dá-la a um mendigo.

Passar um pedaço de pão em cima dos olhos do defunto e dá-lo a um mendigo.

Dar esmolas em toda esquina antes da procissão funerária chegar ao cemitério.

Dar pelo menos para um mendigo um terno completo e comida aos Sábados durante um ano.

Ter várias luzes iluminando em véspera de Dia Puro, em memória do defunto.

Em algumas cidades havia o chamado "abafador", que deveria ajudar alguém gravemente doente a ir embora antes que um médico viesse examiná-lo e descobrisse que o enfermo é judeu. O abafador, a portas fechadas, sufocava o doente, proferindo calmamente a frase "Vamos, meu filho, Nosso Senhor está esperando!". Feito o trabalho, o corpo era recomposto e o abafador saía para dar a notícia aos parentes: "ele se foi como um passarinho...".

 

 

 

 


 

 

 

 

Objetos
Objetos encontrados em casas de famílias cristãs novas:




 

Estrela de Davi, usada em paredes e em jóias, algumas vezes era vista como amuleto  
Menorah, castiçal de sete braços  
Mezuzah, caixa pendurada nos umbrais das portas, contendo textos bíblicos. Em algumas casas antigas, são encontradas marcas de prego que sustentavam mezuzahs (o plural correto é mezuzot) ou espaços dentro das paredes onde eram mantidas ocultas  
Peão - 'dreidle' - acredito que fosse, como hoje, um brinquedo infantil masculino.  
Kipah, chapéu redondo usado nas orações e nos cultos, podendo variar em cores e formato. É bastante conhecido, posto sobre a parte posterior do crânio.  
Talit, Manto de oração
 
Tefilim, usadas em orações. As caixinhas pretas são postas no pulso esquerdo e suas correntes são enroladas em torno do braço e a outra na testa. Em alguns casos eram escondidas sob os pés de imagens católicas
   
SOBRENOMES
Portugueses e Origem Judaica
A presença judia na Península Ibérica é de remotíssima memória, já se referindo a ela o Concílio de Orleans, realizado no ano de 538, e o de Toledo, em 633. Por essa época, os judeus ostentavam nomes e sobrenomes hebraicos.
Mais tarde, com a ocupação mulçumana, a antroponímia judia também assimilou essa influência, aparecendo nomes de sonoridade árabe, ao lado dos puramente hebraicos e espanhóis.
Em 1492, os Reis Fernando e Isabel de Castela, conhecidos como Reis Católicos, decretaram a expulsão dos judeus da Espanha. Em razão disso, cerca de cento e vinte mil pessoas foram buscar refúgio em Portugal e, nessa mudança, levaram consigo sobrenomes árabes, hebraicos e espanhóis, além dos nomes de família representados por topônimos.
O crescimento da comunidade judaica em Portugal não agradou aos Reis Católicos, que passaram a exercer pressão política sobre o rei português no sentido de que este também expulsasse os semitas do território lusitano. Em 1496, D. Manuel I decretou a expulsão dos judeus de Portugal, oferecendo, contudo, a oportunidade de permanecerem no país, mediante conversão ao catolicismo.
Essa conversão, através do batismo, exigia nomes cristãos e, via de regra, o converso assumia nome e sobrenome tipicamente portugueses. Muitos mantinham, reservadamente, seus nomes originais, pois grande parte das conversões eram apenas de fachada, preservando a fé na lei mosaica na intimidade da família.
Com o estabelecimento do Tribunal da Inquisição, em 1536, iniciou-se um caçada aos cristão-novos. A bem da verdade, o escopo do Santo Ofício era expungir da sociedade os "infectos de sangue" (árabes, negros, mulatos, judeus, ciganos, etc) e os de conduta reprovável (feiticeiros, adúlteros, sodômicos, etc). Ocorre que o comunidade judia era a de número mais significativo e sempre associada, pelo anti-semitismo popular, à imagem de assassinos de Cristo, passando, portanto, a sofrer maior perseguição.
Nas listas de processados pelo Santo Ofício, por serem judeus ou cristão-novos, encontram-se milhares de nomes e sobrenomes genuinamente portugueses, causando mesmo estranheza que nomes hebraicos raramente sejam mencionados.
Analisando essas listas, nota-se que qualquer sobrenome português poderá ter sido, em algum tempo ou lugar, usado por um judeu ou cristão-novo. Não escaparam ao uso sobrenomes bem cristãos, tais como "dos Santos", "de Jesus", "Santiago", etc. Certos sobrenomes, porém, aparecem com maior freqüência, tais como "Mendes", "Pinheiro", "Cardoso", "Paredes", "Costa", "Pereira", "Henriques", etc. O de maior incidência, no entanto, foi o "Rodrigues."
Alguns documentos ainda mantêm registrados os nome originais dos judeus que, ao serem batizados, assumiram nomes tipicamente portugueses. Eis alguns exemplos:
Nome Original Judeu --> Nome Cristão Português
" Abraão ...? --> Gonçalo Dias
" Abraão Gatel --> Jerônimo Henriques
" Benyamim Beneviste --> Duarte Ramires de Leão
" Eliézer Toledano --> Manoel Toledano
" Isaac Catalan --> Rafael Dias
" Isaac Tunes --> Gabriel Velho
" Icer ...? --> Grácia Dias
" Luna Abravanel --> Leonor Fernandes
" Salomão aben Haim --> Luís Álvares
" Salomão Coleiria --> Gonçalo Rodrigues
" Salomão Molcho --> Diogo Pires
" Samuel Samaia --> Pero Francisco
" Santo Fidalgo --> Diogo Pires
" ...? Arame --> Francisco Martins
" ...? Cabanas --> Estevam Godinho
" ...? Cohen --> Luis Mendes Caldeirão
" ...? Gatel --> Francisco Pires
Costuma-se dizer que os judeus tomavam como sobrenomes nomes de árvores e animais. Mas, a bem da verdade, esses sobrenomes já apareciam na antroponímia portuguesa desde que se tornou usual a adoção de um nome de família, não sendo, portanto, de ocorrência exclusiva entre os hebreus.
O Brasil Colonial recebeu um grande contigente de imigrantes portugueses. Estima-se que durante o ciclo do ouro cerca de 800 mil pessoas fixaram-se em nosso país. Entre esses adventícios, certamente, vieram os cristãos-novos. Nas listas dos Autos-de-fé da Inquisição, mencionam-se centenas de processados nascidos no Brasil ou aqui radicados. Contudo, identificar algum deles em pesquisas genealógicas não constitui tarefa fácil.
Muitos judeus modernos, descendentes dos expulsos da Espanha e Portugal, que hoje vivem principalmente na Holanda, Itália, E.U.A. e Israel, preservam seus sobrenomes portugueses, às vezes com grafia já deturpada.
Em resumo, em termos genealógicos, a incidência de determinado sobrenome português, que tenha sido de freqüente uso entre judeus, por si só não autoriza dizer que determinada família seja de origem judaica ou cristã-nova. Por outro lado, nem os sobrenomes tipicamente cristãos garantem que a família seja, usando a terminologia da época, cristã-velha.
Rubens Rodrigues Camara rrcamara@task.com.br
Homepage: http://www.geocities.com/Heartland/1074
 

 


Livro de Visitas deixe mensagem com o seu endereço ou envie e-mail

Há sempre DADOS incompletos e a emendar. Para ter a utilidade desejada, sempre que visite esta página e tenha elementos ou críticas ou sugestões, CONTACTE:

 

 

E-Mail: joraga@netcabo.pt e joraga2000@gmail.com
pelo telefone 212553223 ou pelos Telmv. 919777714 e 91 763 25 24
e pelo CORREIO: Rua Almada Negreiros, 48 - 2855-405 CORROIOS.
visite ainda a minha TEIA na REDE além joroga.net joraga.net/gilTeatro/cart2325/alice2000rg

Compatível com IE/Netscape na resolução 800x600
Joraga 2000 em viagem