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Autor:
José Penedo
Um deNómio de José Rabaça Gaspar. (www.joraga.net
)
Não
é um pseudónimo nem um heterónimo (exclusivo
de Pessoa) mas um neologismo inventado, um NOME (outro), anjo
ou demónio, musa inspiradora, que escreve através
do autor, o livro ou cada um dos poemas do autor, como se
pode ver nesta obra, com vários deNÓMIOS...
(quase um por poema)...
Apresentação
Lendas
de Beja: o Touro e a Cobra e Outras Lendas
José Rabaça Gaspar
Obra ainda não publicada
LENDAS
A obra Lendas de Beja - O Touro e a Cobra e outras Lendas...,
de José Rabaça Gaspar, professor de Literatura
na Escola Secundária D. Manuel I, em Beja, traduz-se
num trabalho de investigação minucioso e preciso
sobre muitas das lendas e estórias maravilhosas que
marcam a identidade cultural das gentes de Beja.
Levando a cabo quase dez anos de recolha de lendas, a Lenda
da Cobra e do Touro é, sem dúvida, a mais interessante
e mais rica em conteúdo, sendo contada de múltiplas
maneiras e com várias versões. Nesta(s) estória(s)
existe quase sempre um predomínio do touro sobre a
cobra, podendo representar, assim, uma vitória da força
e astúcia do touro sobre a ruindade e ambição
da cobra. O imaginário da cultura portuguesa, está
carregado de evocações à cobra como animal
quase humano capaz dos actos mais desprezíveis, pelo
que esta lenda não poderia "fugir à regra".
Seja como for, a verdade é que esta lenda ainda está
viva, e com por- menores que se vão recombinando consoante
as versões, e expressa a ideia de um mito de origem
que organiza e marca a sua concepção do mundo
envolvente.
Num tempo em que o conhecimento científico impera,
todos os ensina- mentos baseados na oralidade, os contos,
os jogos, os cantares, as crenças e as lendas, passados
de boca em boca, de geração em geração,
parecem estar ameaçados de esquecimento e à
deturpação dos seus significados.
Esta obra remete-nos para um conhecimento tradicional, assente
na natureza e raiz popular de um povo, colocando-nos perante
um conhecimento dos antigos, dos ditos "analfabetos",
que transportam consigo verdadeiras bibliotecas, sabedorias
e segredos.
Ao transpor esta realidade para a escrita está-se a
preservar um património vivo, rico, que merece ser
conhecido por todos. Daí que trabalhos como o de José
Rabaça Gaspar devam ser encorajados e dignificados,
na medida em que a nossa cultura popular encerra ainda muitos
mistérios e desafios que vale a pena serem descobertos.
Ana Machado
Antropóloga
in
"Imenso Sul", Nº 17, Janeiro de 1999, p. 46
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