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Autor:
José Penedo - o baladeiro
Um deNómio de José Rabaça Gaspar. (www.joraga.net
)
Não
é um pseudónimo nem um heterónimo (exclusivo
de Pessoa) mas um neologismo inventado, um NOME (outro), anjo
ou demónio, musa inspiradora, que escreve através
do autor, o livro ou cada um dos poemas do autor, como se
pode ver nesta obra, com vários deNÓMIOS...
(quase um por poema)...
Apresentação
Em
A COBRA, José Penedo, outro deNómio como José
d'A MAR, e José Penedo de Castro, canta-nos aqui, em
BALADAS, as Lendas do Touro e da Cobra (uma LENDA de BEJA?)
e o enCanto das Fontes... numa espécie de sinfonia
em três Andamentos e várias Cantatas...
Publicou
também, na mesma editora, como José d'A MAR
- A MAR e A ILHA e A FEIRA como José Penedo de Castro.
edição virtual e em papel a pedido.
Sinopse
Como
diz M. Torga (in Portugal, p.40):
Lamentavelmente "... mesmo nos reinos maravilhosos (do
maravilhoso) acontece a desgraça de o povo saber duma
maneira e as escolas saberem doutra."
A
COBRA não devia, nem podia ser título deste
livro, nem de nenhum LIVRO!
A COBRA é um bicho repelente que foi condenada a rastejar
pela terra, por ser a origem de todos os males da Humanidade,
desde a Criação do Mundo (Génesis, 3,
1 -24).
Mas "A COBRA era o mais astuto de todos os animais dos
campos que o Senhor Deus tinha formado..." E disse a
COBRA: "Mas Deus bem sabe que no dia em que comerdes
(do fruto dessa árvore) os vossos olhos se abrirão,
e sereis como deuses, conhecendo o bem e o mal." E disse
o Senhor Deus: "Eis que o homem se tornou como um de
nós conhecendo o bem e o mal. Agora pois, cuidemos
que ele não estenda a sua mão e tome também
o fruto da árvore da vida, e o coma, e viva eternamente.
O Senhor Deus expulsou-o do jardim do Éden, para que
ele cultivasse a terra donde tinha sido tirado. E expulsou-o;
e colocou ao oriente do jardim do Éden Querubins armados
de uma espada de fogo, para guardar o caminho da árvore
da vida."
A COBRA, possivelmente, é o animal que revolve as entranhas
do Ventre da Terra abrindo caminhos para a descoberta dos
seus mistérios, segredos e tesouros... "... e
sereis como deuses."
Eis o grande perigo. Por isso, A COBRA não é
istória que se conte a pobres mortais!
Por
isso, A COBRA não é a istória da COBRA.
A COBRA é a istória do TOURO e da COBRA, que
várias pessoas me contaram em Beja, muito a medo e
de uma maneira muito difusa, confusa e variada e que muitos
outros me afiançaram que... não senhor... essa
istória não é bem assim... até
um senhor doutor de Lisboa disse que não é nada
uma lenda de Beja, mesmo que as pessoas de lá digam
que sim e a contem em segredo!!!... até se pode ver
na brasão da cidade que tem uma cabeça de touro
e duas águias e não tem cobra nenhuma, e portanto...
Portanto a COBRA é a istória do TOURO, porque
é o touro que salvou a cidade, mas parece que senão
houver uma cobra o touro não salva a cidade de coisa
nenhuma!!! Mas, como a COBRA não existe!... Portanto
a istória da Cobra não existe. É fantasia
dos contadores de istórias que não têm
estatuto de contadores de istórias!...
É
por isso que A COBRA, tem uma dedicatória especial.
Estas baladas, badaladas por alguém que não
sabe cantar, nem sabe música... e pouco sabe da arte
de contar..., é dedicada aos "contadores de istórias"
àqueles, que sem o saberem... ou sem terem esse estatuto
outorgado por nenhuma escola ou entidade arvorada em autoridade,
têm de facto, por direito próprio e inalienável
esse direito e esse estatuto....
Afinal, são eles que sabem contar..., sabem cantar...,
sabem encantar recriando simplesmente aquilo que, dizem, ouviram
contar...
Aqui fica a minha homenagem aos alunos dos cursos nocturnos
e diurnos, com quem tive o privilégio de trabalhar,
em diversas escolas de Beja e suas famílias, que,
diziam eles:
- "Não sabem NADA daquilo que possa interessar
à Escola...!!!"
(Pois! Quando a Escola está desligada da VIDA!!! Como
diz Torga!...)
Assim quero deixar aqui o meu agradecimento a TODOS com quem
tive o prazer de me cruzar na década dos anos 80 do
séc. XX, personificados nalgumas figuras inolvidáveis:
A D. Antónia Horta a mulher considerada quase analfabeta,
que fazia poemas e contava istórias, mãe de
filhos doutores... como o meu amigo e insatisfeito empreendedor
o Professor Doutor José Orta, que conseguiu que alguns
trabalhos do pensador maldito fossem publicados e sempre quis
que esta istória fosse publicada, depois de devidamente
expurgada!!!...
À Antónia Horta, filha, que morreu na homenagem
a outra grande figura na nobre Arte de Aprender / Ensinar,
o Professor Aiveca...
E com estes nomes a figura franzina da Ana Maria, tímida
e quase inaudível a contar - "a minha avó
disse..."!!! temendo que lhe ralhassem pelo atrevimento...
A Ana Burrica a inventar que ouviu...; O Jorge Cruz... e o
Luís Filipe... que inventavam mesmo sem terem ouvido...;
e o Abílio... e a Cláudia... e a Custódia...
e a Florinda... e a Liliana...; nomes que pretendem representar
as várias centenas de alunos que me proporcionaram
horas maravilhosas de aprendizagem comum!!!
Nesta
homenagem, fica também a minha crítica impiedosa,
aos responsáveis pela Escola e pela Coisa Pública,
que, arvorados em Donos e Doutores, iam, vão dizendo:
- Isso não é bem assim... Não é
essa a Lenda... Isso não é lenda que se conte...
- Um Senhor Doutor de Lisboa veio dizer que aquilo não
era uma Lenda de Beja... que ele é que sabia!!!
Lembro
até aquela senhora ilustre, quase histérica,
que veio de Lisboa intimar as Autoridades locais e os Directores
para lhe mostrarem onde estavam os "tesouros de Contos
e Lendas" escondidos no Alentejo que um vagabundo tinha
andado a dizer, lá por Lisboa, que continuavam a existir
e em abundância!!!
- "e... como vêem... vocês não sabem,
portanto, afinal, não existem!!! Se existissem, vocês,
autoridades, teriam de saber!!! Têm de fazer concursos...
Têm de saber onde é que essas "coisas"
estão... pois nós "os que sabemos"
é que temos o "pesado encargo" de "decidir"
se são ou não são de cariz e raiz popular...
e nós é que podemos decidir se merecem ou não
ser publicadas e divulgadas... temos de organizar sessões
com muitos estrangeiros e gente de nome sonante, sobretudo
em euros!!!, para ensinar esta gente a ouvir e aprender!!!"...
Estes e outros disparates continuam a correr por aí,
não em palavras mas perversamente em acção
asfixiante e castradora, sem se lembrarem que a "tradição
oral / popular" vem dos "tempos antigos", ancestrais,
sem licença dos "arvorados em ilustres donos do
saber", porque, como na Língua, o Mestre e o Dono
da Tradição Oral é o Povo que a usa e
cultiva.
Afinal,
lamentavelmente, continua a ser verdade a fantasia do Poeta
Miguel Torga, in PORTUGAL - Um Reino Maravilhoso (Trás-os-Montes),
Coimbra, 5ª edição, 1986, p. 40:
"Mas mesmo nos reinos maravilhosos acontece a desgraça
de o povo saber de uma maneira e as escolas saberem doutra."
Mas
tu és parvo ou quê? Não sabes que estas
coisas (mesmo que sejam verdade) não se podem dizer
assim!!! Não se pode dizer mal dos doutores porque
eles é que sabem... muito menos das autoridades, porque
são elas que mandam!!!
Então como é que se diz?
E
a FADA madrinha começou assim:
"Um dia, "no reino da imensa planura - Além
Tejo, onde, como diz o Torga, aquele do Reino Maravilhoso
- Trás-os-Montes, terá nascido a esperança
num destino nacional do tamanho do mundo" andava um vagabundo,
que era meio cigano andarilho de montes e de feiras, e andava
à procura de istórias e de contos desses que
não vêm nos livros... Um dia distraiu-se e contou
no sinistro castelo dos feitiços, onde feiticeiros
e tenebrosas feiticeiras viviam de enganar as gentes confundido-as
com a garotada que queriam enganar, que tinha encontrado uma
mina sem fim de tesouros intermináveis... Disse, distraído,
e convencido que ninguém o tinha ouvido!!! Qual não
é o seu espanto, quando, logo uns tempos depois, enviaram
a feiticeira chefe com o seu chapéu bicudo e nariz
adunco, com verruga e tudo, montada na sua vassoura voadora
e repentinamente convocou todos os aprendizes de feiticeiros
e autoridades que havia na região e reclamou, em altos
gritos, os seus direitos sobre todos os tesouros conhecidos
e a conhecer, com a proibição ameaçadora
e mortal de que nada seria divulgado e dito sem passar pela
sua finíssima peneira e só assim seria permitido
"brincar" a essa "brincadeira de "contar
istórias" que era só para gente entendida
e com credenciais daquela "escola" do "sinistro
castelo das feitiços e não por esses vagabundos
andarilhos de montes e de feiras!!! E assim foi dito e assim
se fez... e desde esse dia, desde essa altura, nunca mais
ninguém teve licença para contar istórias
naquele reino da imensa planura sem essa devida e indispensável
autorização!!! Podem, é claro contar-se
istórias e até histórias, até
doutros reinos e contadores, desde que aprovados e "vendidos"
pelos senhores do sinistro castelo dos feitiços!!!
Os outros, os verdadeiros contadores de sempre, esses não
existem... tal como este LIVRO, magia!, não existe.
Assim,
como estas istórias não existem, aqui ficam
...as viagens maravilhosas
através da fantasia
de um tal cigano CASTANHO
e da cigana MARIANA
contando, cantando co(a)ntado
em BALADAS
emBALADAS
a balada (badalada) - as baladas, em 3 andamentos e várias
cantatas...
DO TOURO E DA COBRA DAS TERRAS DE BEJA
as LENDAS de touros e cobras nascidas das FONTES...
& algumas Cantigas do enCANTO das FONTES
Ver
Também - O TOURO e a COBRA - LENDAS de BEJA?
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