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Autor:
José Penedo de Moura
Um deNómio de José Rabaça Gaspar. (www.joraga.net
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Não
é um pseudónimo nem um heterónimo (exclusivo
de Pessoa) mas um neologismo inventado, um NOME (outro), anjo
ou demónio, musa inspiradora, que escreve através
do autor, o livro ou cada um dos poemas do autor, como se
pode ver nesta obra, com vários deNÓMIOS...
(quase um por poema)...
Apresentação
M
O U R A - A MOURA AMOR A MORTE -A MAGIA ou A UTOPIA DA COM-VIVÊNCIA
(IM)POSSÍVEL é um trabalho de compilação
e transcrição de 10 LENDAS DE MOURA de José
Rabaça Gaspar, com versos de introdução,
desafios e uma DÉCIMA A SALÚQUIA por José
Penedo de Moura um deNÓMIO de JRG para entrar neste
Mundo de enCANTO e Fantasia de Mouros e Mouras.
Este é um breve apanhado de uma obra mais vasta realizada
em 1994, com Pistas de Leituras para cada uma das Lendas e
para a sua globalidade que atinge cerca de 200 páginas.
Num primeiro momento, pode parecer que este trabalho se limita
a trans-crever DEZ LENDAS DEZ sobre a MOURA SALÚQUIA,
de diversos autores e usando diferentes formas de expressão.
Portanto nem são de minha autoria nem de nenhum dos
meus deNÓMIOS ou demónios que me seduzem e me
permitem um acesso a Mundos de Fantasia, enCanto e Fascínio
que não são normalmente os meus. Seria portanto
um mero trabalho de tesoura e cola.
Não foi isso que aconteceu. Desde que ouvi a primeira
versão contada pelos alunos, lá para os anos
idos de 1985, ficámos encantados e trabalhámos
a lenda, à procura de significados e símbolos
que nos escapavam. Outras versões da mesma lenda foram
aparecendo e parece que descobrimos que, apesar de poder não
ser verdade, apesar de poder haver erros históricos,
ou não, como na lenda de Ourique e outras, apesar de
poderem ser só, pura Fantasia, há, pode haver,
nas LENDAS, um MUNDO de MUNDOS a descobrir. Não é
esse, portanto, o desafio a que me propus responder. Não
é esse o desafio que pretendo deixar aos possíveis
leitores: um tra-balho de corta e cola que qualquer
pode fazer... Estas dez formas de CONTAR a mesma LENDA revelaram-me,
possivelmente mais uma vez, a MAGIA da prodigiosa ARTE de
enCANTAR! As DEZ maneiras diferentes mostram que há
MIL maneiras e UMA de CONTAR, CANTAR ou tentar enCONT(R)AR
a verdade, mesmo que não seja a verdade histórica!!!...
A minha proposta para a leitura destas LENDAS é: ...lendo
A/s LENDA/s nas letras das estrelas ou a humanidade a crescer
para a tolerância, para a com-vivência na diversidade,
para o direito à diferença, num regresso ao
futuro, ou o maravilhoso fantástico do real no imaginário
alentejano. Será afinal a realização
da UTOPIA (IM)POSSÍVEL.
Qual é a verdadeira LENDA DE MOURA ou da MOURA ou da
MOURA SALÚQUIA? Não se iluda. Não é
nenhuma destas DEZ, nem muito menos a minha! A verdadeira
é a MIL E UMA. É a sua.
Aqui ficam pois:
as
...viagens maravilhosas
através da fantasia
de um tal cigano CASTANHO
e da cigana MARIANA
contando, cantando co(a)ntado
e ca(o)ntando
vão lendo a LENDA as LENDAS
da moura princesa de nome SALÚQUIA
que vence morrendo derrota a vitória
vencedores vencidos por seu heroísmo
dando nome à terra
que fica cristã
com nome de MOURA
com mouros cristãos de valores estranhos
que mistura raças
que mistura credos
respeita diferenças
cria um mundo novo
regresso ao futuro escrito nos astros
que só pode ler
quem lê as estrelas
Vale
de Milhaços, Fevereiro de (1997) 2004.
Disponível também em papel. Preço: US$
8.30 (mais gastos de envio).
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Fragmento
gratuito
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FRAGMENTO:
...
que istória é essa da moura?
terra cristã, nome mouro!
os cristãos vencem vencidos!
a vencida é vencedora!
derrota dos vencedores
que assaltam a cidade
vestidos de mouros ricos
os albornozes de seda
sobre as cotas de batalha...
ricas armas simuladas
lutam com armas de guerra!
um alfange de oiro puro
contra o aço duma espada!
e uma rosa branca pura
fica rubra de papoila!
é
história de encantar
aquela que ouvi contar...
Zara
era a velha escrava
que sabia de segredos
e mistérios que se lêem
nos astros e nas estrelas...
mas ela morrera então
já Salúquia era alcaideça
mas não viveu a paixão
da filha de Buaçon
pelo valente Brafama
o guerreiro mais valente
que era o terror dos cristãos...
ficou Fátima e Zuleima
as escravas companheiras
mais amigas da princesa
que nas vésperas do noivado
bem olharam os seus olhos
e viram os maus presságios...
Fátima a d' olhos azuis
bem cantou suas cantigas
que Zara lhe ensinara
mas eram coisas sem tino
que não faziam sentido...
coitada daquela velha!
estava perdida do siso!
já não atinava nada!
? diziam sem entender
as jovens escravas livres
que cantavam entretanto
os velhos cantos de Zara
que contavam o que lia
olhando a lua e os astros
e as letras das estrelas...
o
que lera a velha Zara
e não pôde transmitir
à sua senhora amada
que era sua filha querida
pois por ela foi criada
desde o berço em que nascera!?
estava
escrito no destino
que se lia nas estrelas
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