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de noite, olhando
as estrelas...
Numa
noite, sem dormir,
enredado em
mil problemas,
corri para
a rua a fugir...
e olhei para
dentro de mim
olhando para
as estrelas...
em silêncio,
pus-me a ouvir
com desejo
de (me) entendê-las.
Falavam as
mudas estrelas,
e caladas,
quem diria?
diziam mil
coisas belas
que eu cego
não entendia...
e eu surdo
não ouvia
Eu olhava...
Elas paradas
corriam em
disparada
mudando a noite
em dia...
mas eu é que
não as via...
ou ouvia? ou
via???
Fiquei
tonto.
Adormeci.
Foi-se a noite.
Veio o dia.
E uma vez já
cansado
de ver só noite
e ver dia
pus-me a ver,
assim parado
a hora em que
o sol fugia
sem ser noite
nem ser dia.
Veio
a noite. Foi-se o dia.
Esperei. A
luz não chegava
mas um roxo
anil tingia
o azul que
eu olhava,
quando o sono
me vencia...
Acordei. A
luz nascia
anunciando
a madrugada.
Descobri
que noite e dia
não são dois:
verso e reverso...
São parte da
melodia
da fascinante
harmonia
que é cantada
num só verso,
dia e noite,
noite e dia,
em coro
em todo o Universo.
Mas
eu que queria ver claro,
ouvir a voz
a canção
que me desse
a calma clara
de viver, sem
ilusão,
em perfeita
sintonia
com o que me
rodeava
corpo, alma e coração...,
procurava ainda
mais
e olhava sem
ouvir...
Queria
ver, no véu da noite,
e ouvir de
forma clara
a verdade inda
velada
onde um pobre
inda se acoite
quando percorre
o caminho
tão difícil
e arredio
duma vida desgraçada.
Fiquei
ali, sem dormir
cheio de sono,
a sonhar,
esperando,
sem o pedir,
encontrar aquele
caminho
que através
de terra e mar
d'a mar
leva o náufrago
perdido
a bom porto,
a bom lugar.
Acertei?
Não acertei?
vou tentar?
ficar parado?
vou bem por
este caminho
ou mudo de
direcção?
Pergunto, busco,
procuro...
Interrogo eu,
cada dia,
o outro eu
que decide
sem saber que
decidir
e sempre
sempre a perguntar,
e se errei
ou não errei....
e sempre. sempre
a errar...
Vai-se
a noite, vem o dia.
Vai-se o dia
vem a noite
e as estrelas
no céu
que nós só
vemos de noite
mas lá continuam
sempre
seguem seu
caminho certo
sem um desvio
e sem erro...
E eu, perdido
na noite,
mesmo seguindo
um caminho
guiado pela
luz do dia,
fico sem saber
ao certo
se acertei
ou se errei
e se por acaso
ou por sorte
sigo o caminho
do norte
que devo seguir
na vida
para a vida
gerar vida
mesmo pagando
com a morte!
aos 20 de Julho de 1990
quando fazia 52 anos
o Poeta à procura das estrelas.
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