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vai
semente...
não
sei o que quero
o que procuro
sei que quero
que procuro
o
quê?
quem?
aonde
?
quando
?
porquê
?
e
como?
isso
não perguntem.
não
o sei. porra!
só
sei que tenho procurado...
demais,
talvez!
de
mais noutro lugar
ou
noutro tempo
ou
nos outros.
mas
afinal EU só existo
AQUI
e AGORA
aqui
e agora que já não existem porque
já
não são
nem
agora nem aqui
no
momento em que o disse ou escrevi!...
quando
o disse ou escrevi
já
é diferente o tempo e o lugar
do
tempo e do lugar em que o pensei
e
o papel que era branco
já
está sujo de tinta
está
pintado
e
o ventre que era virgem
foi
rasgado foi
desvirginado
e
o pensamento que saiu de mim
como
semente
vai
voar, correr o mundo,
veloz
como o pensar
passar
montes vales campos planícies... e
o
mar...
talvez
A MAR
e
Lá
nesse
imenso ventre que é
A
MAR
talvez
vá encontrar lugar fecundo
onde
a semente invisível
que
ninguém viu nem vê
vá
desabrochar
como
as ervas que crescem na calçada
ou
nas paredes do quintal
ou
até‚ nas fendas do cimento
ou
mesmo entre as pedras
ou
nas pedras, mesmo nelas,
ou
noutro qualquer lugar
fecundo
deste
imenso pequeno planeta que é
A
MAR
zé
que foi, 90.maio.24/25
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