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Cancioneiro NIASSA

Canto do
ALENTEJO
NOVO(MÉRTOLA)

Canto do CANTE os COROS

CANCIONEIRO DO NIASSA

AGORA (2004)

já pode ver em reorganização... e ouvir algumas músicas

devido ao especial contributo dos Amigos Manuel Aleixo, que está a fazer a recuperação de algumas gravações datadas de 1969 e do Manuel Cruz, que vai tentando que eu consiga aplicar alguma coisa destas artes da programação e da internet

Carregue AQUI ou nas NOTAS ao lado

 

 


Lago Niassa - Metangula - 1968

 

O CANCIONEIRO DO NIASSA...

a sua continuação GRITOS DE GUERRA CONTRA A GUERRA

INTRODUÇÃO - EXPLICAÇÃO

GLOSSÁRIO

CANÇÃO ADAPTADA

CANÇÃO de onde foi ADAPTADA

AUTOR/es da ADAPTAÇÃO

VAMPIROS

Zeca Afonso

HINO DO LUNHO

“Vampiros” – Zeca Afonso

Alferes Carvalho Cem da 1ª de Engª e outras achega

AOS “GUERRILHEIROS” (ARTILHEIROS) DO LUNHO

“Muito Boa Noite – Amália

Joaquim Correia

LÁ LÁ LÁ DO LUNHO

“Lá Lá Lá...” Festival EuroVisão 68/69?

Joaquim Correia

FADO DO CHECA

“Rosa Enjeitada” – Fado

Jorge Ferreira c/5.4.2003

RECEPÇÃO AO CHECA

“Povo que Lavas no Rio” – Amália

Jorge Ferreira c/5.4.2003

AOS “CHECAS”

“Júlia Florista”

Jorge Ferreira ?

O TURRA DAS MINAS

“Júlia Florista” - Max

Jorge Ferreira c/5.4.2003

FADO DO TURRA

“Fado Corrido”

Jorge Ferreira

FADO DAS COMPARAÇÕES

“Estranha Forma de Vida”

Jorge Ferreira c/5.4.2003

FADO DO ESTADO MAIOR

“São Caracóis” - Amália

?

FADO DO MILICIANO

“Ser Fadista” – Frei Hermano da Câmara

?

FADO DA RESERVA NAVAL

“Ser Fadista” – Frei Hermano da Câmara

?

FADO DO DESERTOR

"O Cavalo Baio"

PIQUENIQUE NA PICADA

“Piquenic! Piquenic!!!”

Jorge Ferreira

O EMBOSCADO

“Fado do Embuçado”

Furriel Crespo c/5.4.2003

FADO DA ÁGUA

“Ó Tempo, volta p’ra trás” – A. Calvário

Furriel Crespo c/5.4.2003

DAR DE BEBER À SEDE

“Dar de Beber à Dor”

Jorge Ferreira c/5.4.2003

SAUDADE

“Zé Cacilheiro”

Jorge Ferreira c/5.4.2003

FADO DA MESSE DOS SARGENTOS

“A Casinha de Nós Dois”

Furriel Crespo c/5.4.2003

PATRULANDO AS PICADAS

“Fui de Viela em Viela”

?

PRECE COPOFÓNICA

Letra e Música do alferes Miliciano Calvinho

ÂNSIA DE VOLTAR

Música do Quinteto do Bart 2838

Vitorino e Couto

ADEUS METANGULA – Fado da Despedida

“Adeus Mouraria”

Jorge Ferreira?

ALMA RUIM E CRUEL

Soneto

Camões

A HISTÓRIA DO MANUEL

Fado Canção

QUE MAIS QUERES TU ?

Fado Corrido

O CANCIONEIRO DO NIASSA

uma INTRODUÇÃO - EXPLICAÇÃO

        O LUNHO, uma zona quase desconhecida ao Norte de Moçambique, e o HINO DO LUNHO, a partir da CANÇÃO - OS VAMPIROS de ZECA AFONSO, devem ter dado origem, julgamos nós, a um fenómeno dos mais originais, criativos e significativos que aconteceram na GUERRA DO ULTRAMAR. Claro que deve ter começado antes, e continuado depois, mas foi com o nosso BATALHÃO de ARTILHARIA 2838, e a COMPANHIA de ARTILHARIA 2325, que este fenómeno se desenvolveu e depois foi divulgado pela Marinha (a famigerada MARINHA DE ÁGUA DOCE sediada em Metangula que até tinha ar condicionado, rádio e tudo...), que este fenómeno adquiriu a sua projecção especial.

        Foi esta CART 2325 que herdou esta versão dos VAMPIROS do alferes Carvalho da Companhia que fomos render(?!). Consta, conta-se que este rapaz, um tanto forte a dar p’ró gordo, era a calma em pessoa, e, era um génio em aplicações práticas de engenharia. Num atascanso, por exemplo, (Não sabem o que é?) em vez de pôr a malta a puxar à bruta, sentava-se a calcular a força e a posição do pequenos Unimogs e, aí estava uma pesada Berliet fora do buraco!!!. Consta ainda, conta-se, que, enquanto os Unimogs puxavam e não puxavam, se sentava encostado ao tronco de um enorme embondeiro, (Também não sabem o que é?) e no fim, estava mais uma canção feita. Quando lhe vinham trazer a notícia, que ele já sabia, de que a Berliet estava desatascada, ele, displicente, puxava da viola e aí estva mais um fado ou uma canção, uma adaptação! Era uma maneira original e “subversiva”!? de encarar a guerra! Ora isto, creio eu, deu origem a algo singular que, passados vinte anos, vinte e cinco, ainda não foi percebido. Talvez o venha a ser.

NOTA IMPORTANTE 18 de Julho de 2013 (só inderida em 5 de Janeiro de 2014:

José Artur - josearturfaria@gmail.com - Companhia de Engenharia 1531 - nota de 18 de Julho de 2013

Amigo e Senhor Joraga, só hoje detectei o seu belo e explicativo artigo sobre a Canção do Lunho e a rectificação do Senhor Amadeu Neves da Silva. Vou dar mais um achega sobre o assunto embora não seja muito importante. na sua INTRODUÇÃO-EXPLICAÇÃO "GLOSÁRIO", o Senhor diz que o Alferes Carvalho CEM é da 1ª de Engenharia. Não é verdade, fazia parte da escolta. A Companhia de Engenharia 1531 a que se refere era comandada pelo Capitão António Manuel Vilares Cepeda, mais tarde comandante do Regimento de Engenharia 1 da Pontinha... Muito mais poderia dizer, mas calo-me porque considero tudo o que o Senhor disse verdadeiro e real. Cumprimentos, José Artur Faria ex-furriel da C.E. 1531.

Mais alguns elementos para a história (enviados em mensagem de 6 de Janeiro de 2014):
«A Companhia de Engenharia 1531, foi sediada inicialmente em Vila Cabral e dividida em grupos por diversas zonas do Niassa; Messenguece, (Lureco) Lugenda, Olivença, Ten. Valadim e NCoimbra. No meu caso estava em Messenguece, onde fizemos os acessos à ponte sobre o rio Messenguece, iniciámos a estrada para Marrupa e fizemos o tabuleiro da ponte sobre o rio Lureco. O meu grupo de trabalho era composto por um Alf. Engº, 2 sarg., 2 furr. e 1 furriel enfº. Estivemos naquele destacamento de Fev.66 a Out.ou Nov.66, juntando-nos nessa altura à sede da Comp., que tinha mudado para NCoimbra. Desde o inicio, foram colocados em NCoimbra, 1 alf. Engº. e 3 furriéis.»

«Tudo o que disse no meu mail de 18 Jul. é verdade. O referido Carvalho 100, autor da canção do Lunho, já falecido, esteve na realidade connosco como escolta na construção de aquedutos na picada para o Lunho. Pelas datas verifico que quando chegou ao Lunho, já nós lá não estávamos. Nós saimos do Lunho no final do ano de 1967 para iniciarmos a construção do quartel da Engª em Marrupa e regressámos a Lisboa em Fev.68, o que comprova os factos. Quem esteve nessa altura connosco em NCoimbra sede da n/Companhia, foi o ex-furriel Amadeu Silva, gestor do blog "Picadas do Niassa" e esse sim conhece e tem pormenores de toda aquela zona.»
José Artur Faria

«Quanto ao Alf. 100, autor da canção do Lunho, dei-me muito bem com ele, aquando da nossa presença no
tal bivaque que serviu de base à construção dos pontões na picada/estrada para o Lunho. Posso dizer-lhe que
um dos nossos passatempos preferidos era a caça às rolas. Para tal, retirávamos o projéctil dos cartuchos da
G3, um pouco de pólvora, tampávamos com papel higiénico húmido, metíamos chumbo em bocados, voltávamos
a tampar com papel higiénico e ficávamos com um cartucho de caça, excepcional para a caça aos pássaros.»

«Posso dizer-lhe também que no Natal de 66, foi o pai do referido Alferes 100, que, numa visita a L.Marques,
como Reitor de uma Universidade da Metrópole, nos enviou umas belas lagostas para a ceia de Natal.
Entretanto informo que o ex-furriel Amadeu Silva das Picadas do Niassa, também esteve nesses locais e tem
muitas notas desse periodo.»
José Artur FariaFaria

NOTA IMPORTANTE 2 de Março de 2009:

(A pedido (ameaça!?) registado no eMail que se segue aí fica a reposição da VERDADE HISTÓRICA do Senhor Amadeu que foi uma testemunha ao vivo.)

De: Amadeu Neves da Silva
Data: 02/03/09 22:26:24
Para: joraga@netcabo.pt
Assunto: Hino do Lunho

Olá Joraga

Sou, Amadeu Neves da Silva, Ex. Furriel Milº da CCAÇ 1558 do BCAÇ 1891.
Vivo em Almada, o meu contacto é 965407583.
Há meses entrei no seu blog ???) e constatei a inverdade e a versão romanceada sobre o Ex. Alferes Carvalho 100. Já o alertei para repor a verdade.
Digo e repito não foi a CART 2325 que divulgou o Hino do Lunho. Ele foi feito na picada entre Nova Coimbra e o Lunho.
Em Março de 1967, estava estacionada em Nova Coimbra uma CENGª, comandada pelo Cap. Cepêda que tinha por missão fazer a picada para o Lunho e o aquartelamento em Miandica. De Março a Junho quem fez a segurança à Engenharia foi a 1558 e em Miandica e 1 Grupo de Combate da 1559.
Em Junho de 67 chegou a N. Coimbra a 1ª Cª do BCAÇ 16 do recrutamento da Província. Esta Compª rendeu a 1558 na segurança à Engª. ficando a 1558 com a missão de quadricula e com os destacamentos de Messumba e de Miandica.
E é aqui entre Nova Coimbra e o Lunho, em Bivaque, que é na minha presença que é feito o Hino do Lunho.
Quando o então Brigadeiro Costa Gomes e a sua comitiva foram ver a picada o Hino foi-lhe cantado.
Em Novembro de 1967 chegam ao fim as obras da picada e em paralelo a construção do aquartelamento do Lunho. Nele ficaram instalados a 1ªCª do BCAÇ 16 e a 2ª CENGª do recrutamento da Província.
Nos finais de Dezembro de 1967 aquando do regresso do meu G.Combate a N. Coimbra vindo de Miandica, estas 2 Companhias ainda estavam no Lunho e ainda não tinha começado a obra da ponte sobre o Rio Lunho.
Na época a 2ª Cª. Comandos, comandada pelo Falecido Capº Valente, andava muito por aquelas paragens e levou consigo o Hino para Vila Cabral e daqui expandiu-se por todo o Niassa.
Quando fomos rendidos pela CARTª 2324, em Fevereiro de 1968, regressámos à Zambézia e em todo o trajecto ouvíamos e cantámos o Hino. Ele já era bem popular entre os Militares, talvez não entre os Checas.
Em Maio de 1968 regressámos ao Niassa. Tivemos algum tempo em Vila Cabral onde o sucesso do Hino era enorme.
No mesmo mês fomos fazer intervenção a Nova Viseu, onde estavam os checas da CARTª 2374, eles gostaram do Hino do Lunho e do "TOMBE LA NEIGE". Esta canção não lhe deve dizer nada.
A respeito da força do Alf. Carvalho 100 ele era um homem obeso, não tinha nem pouco mais ou menos a força e o poder que o JORAGA quer fazer crer.
Mais uma vez lhe peço: reponha a verdade histórica.

Um abraço

Amadeu Silva

Por favor consulte o blog www.bcac1891.blogspot
e abra os livros da 1558 e 1559 e vai reviver algumas coisas e algo sobre a morte do soldado Fernandes.

        Naquele tempo, e nos anos da revolução, os heróis foram aqueles que desertaram e depois se locupletaram com os louros e proventos da REVOLUÇÃO. Este fenómeno de contestação daqueles que não quiseram ou não puderam “desertar” porque não podiam fugir, e, mesmo assim, não abdicavam do seu poder crítico e da sua maneira de ver as coisas, é algo que é preciso entender como forma “normal” do comportamento humano, em situações de risco e de “irracionalidade” e “injustiça” normalizada, institucionalizada e legalizada.

        Esse acontecimento singular, com a conivência de alguns dirigentes e oficiais (os do 25 de Abril não vieram do nada!), deu origem, passado um ou dois anos, a uma coisa que se chamou - O CANCIONEIRO DO NIASSA -.

        Com as melodias das músicas mais em voga nesse tempo, finais dos anos sessenta, de que nos recordávamos, alguns dos nossos colegas do BATALHÃO e de outros, e os vizinhos da MARINHA, criaram letras que cantámos e punham toda a gente a cantar, tentando gritar a nossa raiva, insatisfação e impotência, e, ao mesmo tempo, nos proporcionaram momentos de inesquecível convívio que teriam repercussões e efeitos imprevisíveis!

        Não raro, passou mesmo a ser de bom tom, (ali no mato aconteciam coisas estranhas!!!), convidar um BALADEIRO (soldado, furriel, sargento, oficial...!) que se apresentava estoirado de uma operação no mato, para cantar aquela versão do fado (...!?), ao ao senhor General, Almirante ou Brigadeiro que estavam ali de passagem, para inspecção ou em viagem de rotima...!

        A maior parte dos autores, sobretudo na altura como é compreensível, eram ou ficavam desconhecidos. Era natural. Todos ali sabíamos quem eram, mas o facto de terem saído umas letras nuns jornais com nomes e tudo e o zelo da PIDE e outras organizações, recomendavam que aquilo aparecesse como um fenómeno colectivo e expontâneo como acontece com a poesia popular e tradicional que, sendo de todos, não são de ninguém como as “Cantigas da Rua...”

        Foram muitos os que contribuiram para este CANCIONEIRO. Não temos sequer a pretensão de estar convencidos que temos todas e as mais profundas.

        Estamos no entanto convencidos de que, pela variedade de autores, temas e melodias facilmente identificáveis pelos que têm acesso ao que estava em voga nos anos sessenta, setenta, temos, de facto algo de valor documental que pode mostrar o retrato de uma época e de uma maneira de ser e estar própria de um número significativo de pessoas que, não tendo posições de relêvo, têm a sua maneira de intervir na história.

        Quem tiver oportundade de ouvir uma famigerada cassete que circulou “clandestina” de mão em mão com o CANCIONEIRO DO NIASSA e ter acesso a uma recolha como esta ou outras similares, pode aperceber-se do cuidado que tinham, em não ofender “ouvidos atentos” e perigosos que sempre estavam por perto!

        E não eram só os da PIDE ou similares. Eram até os zelosos defensores dos “bons costumes”, das boas maneiras e da linguagem! Claro! A linguagem é que revela os “bons” ou os “maus” costumes ou modos de pensar e estar na vida! É de notar entretatanto, que, quase todos os palavrões, (a coisa mais natural nos meios castrenses!) têm, quase sempre, uma palavra suave e digna (como “corra” em vez de “porra”, “leões” ou “colchões” em vez de “colhôes” ou “carvalho” em vez de “caralho” ou até “perriupiupiu” em vez de “puta que os pariu”) para que tudo isto pudesse ser apresentado e cantado nos salões do mais elevado requinte!!!

        É por isso, e por muito mais, que, passados VINTE E CINCO ANOS!!!, (desde 1968 – 1970) - (outro fenómeno que dara para um enorme estudo... Porquê? mais de vinte anos?) aqui fica uma recuperação daquilo que conseguimos recordar ou recuperar.

        Seguimos as recolhas feitas pelo Jornal do Batalhão de Artilharia 2838, “OS LOBOS” que esteve em comissão em Moçambique entre Janeiro, Fevereiro de 1968 e Março Maio de 1970. Até certa altura foi publicando o que aparecia, depois?... Depois, mudou o comandante! Seguimos ainda  o “HIT PARADE DO NIASSA - DESABAFOS- ” umas folhas com a menção de “REPRODUÇÃO PROIBIDA” que guardamos desde 1970 e uma cassete com o “CANCIONEIRO DO NIASSA” que, clandestina, toda a gente desse tempo sabe que só a MARINHA QUE ESTEVE EM METANGULA tinha meios e possibilidades de a realizar, até o/s cantor/es, o homem das partituras e das letras e o homem das gravações, que tiveram de fazer várias maratonas!!!

        Tentámos “dar o seu a seu dono” e identificar o maior número possível de autores das letras. Mesmo sem conseguir tudo, deixamos espaço para cada um fazer esse trabalho.

        Aí fica pois, a recolha de que fomos capazes e a hipótese de cada um a completar da melhor maneira possível.

Agora na minha TEIA na REDE http://www.joraga.net

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VAMPIROS

Zeca Afonso 

No céu cinzento, sob o astro mudo,

Batendo as asas p’la noite calada,

Vêm em bandos, com pés de veludo,

Chupar o sangue fresco da manada.

 

Se alguém se engana com seu ar sisudo

E lhes franqueia as portas, à chegada:

Eles comem tudo, Eles comem tudo,

Eles comem tudo e não deixam nada.

A toda a parte chegam os vampiros,

Poisam nos tectos, poisam nas calçadas...

Trazem no ventre despojos antigos

E nada os prende às vidas acabadas.

Eles comem tudo, Eles comem tudo,

Eles comem tudo e não deixam nada.

No chão do medo, tombam os vencidos,

Ouvem-se os gritos, na noite abafada,

Jazem nos fossos vítimas de um credo

E não se esgota o sangue da manada.

Se alguém s engana com seu ar sisudo

e lhes franqueia as potas à chegada!

Eles comem tudo, Eles comem tudo,

Eles comem tudo e não deixam nada.

HINO DO LUNHO

“Vampiros” – Zeca Afonso

Alferes Herculano de Carvalho (O Carvalho Cem da 1ª de Engª) e outras achegas

No céu cinzento, sob o astro mudo

Batem as hélices na tarde esquentada,

Vêm em bandos, com pés de veludo

Chupar o sangue fresco da manada.

Se alguém se engana com o seu sorrir

E lhes franqueia as portas, à chegada:

Só mandam vir, só mandam vir,

Só mandam vir e não fazem nada.

A toda a parte chegam helicópteros,

(Vêm em bandos) Poisam nos tandos, poisam nas picadas...

Trazem no ventre “os cabeças d’ouro”

Que de guerrilhas não percebem nada.

São os reizinhos do Niassa todo.

Senhores por escolha, mandadores sem punho,

Aceitam cunhas e dizem que não,

Passam a ronda sobre os céus do Lunho.

‘Stou farto deles, ‘stou farto deles,

Só mandam vir e não fazem nada.

Quantos “mercedes”, senhor capitão,

Até agora foram fornicadas?!

Eu bem lhe disse que pusesse os homens

Detectando minas, fazendo emboscadas.

Lendo os papéis, lá na sua ZAC,

Gritam p’ra nós, mui enfurecidos:

- Foi de propósito, foi de propósito,

Foi de propósito que ela foi estoirada.

No chão do medo tombam os vencidos,

Ouvem-se os tiros (gritos) na noite abafada,

Jazem nos fossos vítimas d’um credo

E não se esgota o sangue da manada.

‘Stou farto deles, ‘stou farto deles,

Só mandam vir e não fazem nada.

Comem cabrito, comem cabrito,

Comem cabrito e n´s feijoada.

Fazendo a estrada sobre um chão de greda

Fazem-se aterros, pontes e pontões,

Ouvem-se os tiros lá na emboscada

Aqui no Lunho é que há leões!!! (colchões!)

Ouve-se um estrondo, todo o chão tremendo,

Saltam as chispas com grande estupor,

Soam as tubas: - O que terá sido?

- Mudou o chefe deste sector.

Acaba a guerra, eu cá sou bom

Sou candeeiro e também fogão! (fogom!)

 NOTA:(O novo comandante era qualquer coisa com HIPÓLITO!)

- Só quero feridos à segunda-feira!...

- Não quero mais evacuações!...

- O inimigo deve conhecer-se,

Vamos chamá-lo para as inspecções.

Agora queriam arrasar o LUNHO,

Deixar a estrada e largar a pista!

...Ele é que é bom, já ninguém duvida,

Deixa contente qualquer terrorista.

Encher o peito de metal brilhante,

É essa a sua aspiração.

Por isso deixa os turras sózinhos

Dentro a linha de contenção.

- Deixem crescê-los,organizar-se,

Depois eu vou deitar-lhes a mão!

Tremem as paredes de qualquer quartel,

Falam militares, anda tudo à bulha!...

Ri-se o capitão, ri-se o coronel,

Com esta merda (moda) da mini-patrulha!

Estranha maneira de tratar o cancro,

Que se propaga por nossa nação!...

Ele será leigo ou talvez ceifeiro.

Mas nunca médico cirurgião.

‘Stou farto deles, ‘stou farto deles,

Só mandam vir e não fazem nada.

Senhor comandante de batalhão,

Invente mais uma operação

E distribua mais uma ração,

Mais quatro noites a dormir no chão...

‘Stou farto deles, ‘stou farto deles,

Só mandam vir e não fazem nada.

Por uma ponte sem terminação,

O nosso sangue foi sacrificado,

Mas aleluia!, não será lembrada,

Pelos cabeças de ar condicionado.

‘Stou farto deles, ‘stou farto deles,

Só mandam vir e não fazem nada.

(repetido os VAMPIROS do ZECA, para comparação)

 

 

 

No céu cinzento, sob o astro mudo,

Batendo as asas p’la noite calada,

Vêm em bandos, com pés de veludo,

Chupar o sangue fresco da manada.

Se alguém se engana com seu ar sisudo

E lhes franqueia as portas, à chegada:

Eles comem tudo, Eles comem tudo,

Eles comem tudo e não deixam nada.

A toda a parte chegam os vampiros,

Poisam nos tectos, poisam nas calçadas...

Trazem no ventre despojos antigos

E nada os prende às vidas acabadas.

Eles comem tudo, Eles comem tudo,

Eles comem tudo e não deixam nada.

No chão do medo, tombam os vencidos,

Ouvem-se os gritos, na noite abafada,

Jazem nos fossos vítimas de um credo

E não se esgota o sangue da manada.

Se alguém s engana com seu ar sisudo

e lhes franqueia as potas à chegada!

Eles comem tudo, Eles comem tudo,

Eles comem tudo e não deixam nada.

AOS “GUERRILHEIROS” (ARTILHEIROS) DO LUNHO

“Muito Boa Noite – Amália

Joaquim Correia

Muito boas noites, senhoras, senhores,

Os homens do Lunho são bons lutadores.

São bons lutadores,

São bons guerrilheiros,

Fazem horas extra sem ganhar dinheiro.

Sem ganhar dinheiro, e a nada se fica;

No dia da folga, vai a pá e pica.

LÁ LÁ LÁ...

Fazemos machambas e nasce o que é bom;

No rancho, comemos sopa de feijão.

Sopa de feijão

E algum com cristas

E p’ra variar temos os ciclistas.

Temos os ciclistas, com molho e salada.

Fome não passamos, mas fartura? Nada.

LÁ LÁ LÁ...

Conforto não falta, a verdade é uma,

Até colchão temos e de lusospuma.

Para o não estragar,

Fazem o esforço

De mandar p’ró mato ou pôr de reforço.

Pondo de reforço, já sabem que são

colchões p’ra durar outra comissão.

LÁ LÁ LÁ....

LÁ LÁ LÁ DO LUNHO

“Lá Lá Lá...” Festival EuroVisão 68/69?

Joaquim Correia

Eu canto p’r’a minha terra,

Já que não posso lá estar!

E canto p’ra distrair

Quem passa o tempo a chorar!

Canto também, até

mesmo sem rima;

Eu canto porque já estou

apanhado pelo clima!

(Coro) LÁ LÁ LÁ LÁ...

No Lunho, Todos nós temos

Uma missão a cumprir:

“LERPAR” de tacho e correio

E de resto, toca a rir...

Passo, também aqui,

Tempos felizes,

Vendo corridas aéreas

De patos e de perdizes.

(Coro) LÁ LÁ LÁ LÁ...

Temos também, como capa,

Oficiais e sargentos,

Que em vez de pé, dizem pata

E são todos rabujentos.

O capitão, porém,

É nosso amigo;

A quem souber cumprir bem,

Dá reforços de castigo.

(Coro) LÁ LÁ LÁ LÁ...

FADO DO CHECA

“Rosa Enjeitada” – Fado

Jorge Ferreira c/5.4.2003

Benvindo, checa

P’ra esta guera

Que cá te espera.

Não estejas triste

Que a guerra é linda

Só fazes cera.

Vais ter saudades

De mulheres brancas,

Ai, que tormento!

Aqui há pretas

Mas tem cuidado

C’os esquentamentos!

Checa danado

P’la tropa muito lixado,

Não chores, ó desgraçado,

Não vale a pena chorar.

Checa, benvindo,

Chegaste a horas,

eu já vou indo.

Afinal, mal encavado,

Que vieste cá fazer?!

Checa, danada,

Vieste p’ra me render.

Vais “lerpar” muito,

Mas com o aumento

Vais ficar rico.

Dá-o às pretas.

Pois assim, fazes

A tus “Psico”;

Mas tem cuidado,

Checa danado,

Sê pouco anjinho;

Manda-os lixar

E faz a tua

Guerra sozinho.

RECEPÇÃO AO CHECA

“Povo que Lavas no Rio” – Amália

Jorge Fereira c/5.4.2003

Checa, que vens para cá,

Toma lá cuidado, ó pá,

Porque isto não interessa a ninguém.

Põe-te a pau com toda a estrada

E também com a emboscada,

Se quiseres viver cá bem.

Quando as ouvires zumbir,

Nunca deixes de sorrir,

Mas fica sempre calado.

Se fores ferido, não te omportes,

Pois - só - demoras dez horas,

Para seres evacuado.

Quando fores, de noite, p’ró mato,

Tem cuidadinho contigo

E cola-te bem à terra.

Se fores ferido, estás lichado,

Porque, após as quatro horas,

O helicóptero “fecha a guerra”!

Com minas, é tudo mau.

Rapazes, ponham-se a pau,

Não sejam lá muito tontos.

Vocês não valem um chavo

E cá uma berliet

Custa quatrocentos contos.

Nesta tua recepção,

Eu aceno com a mão,

Dizendo adeus, ao NIASSA.

Tem paciência, amigo checa,

Porque eu já estou farto disto.

Aguenta tu com a passa.

AOS “CHECAS”

“Júlia Florista”

(Herada do anterior) c/5.4.2003 Jorge Ferreira

Bem vestidinhos!

Tão lavadinhos!

Qual Rosalina!

Com fardas novas,

Medo das covas,

Cheiro a naftalina!

Mas esse cheiro.

No ano inteiro,

Há-de acabar.

São vossas sinas,

Rebentar minas

E muito andar.

Turras, granads

Minas, emboscadas?!

Sempre, para a frente!

C0’as fardas novas,

Fazei, ´CHECAS,

Figura de gente!

Checas chegados,

Copos e fados

É vossa esteira...

Seguir os rumos...

“Não beber sumos.”

“Só bebedeira!...”

Afinal, desventurados,

Que vêm (vieram), cá, fazer?

Vocês, são os CHECAS... (Checas danados)

Vêm p’ra nos render!

O TURRA DAS MINAS

“Júlia Florista” - Max

Jorge Ferreira c/5.4.2003

O turra das minas

Pequeno e traquinas

Lá vai na picada;

E a malta escondida

Na mata batida

Monta a emboscada.

O turra passou,

A malta esperou

Já toda estafada;

Não o viu passar

E a berliet

Sempre foi estoirada.

Oh turra das minas,

Tua vida, agora,

É pôr as “marmitas”,

Pela estrada fora!!!

Oh turra das minas,

Tua arma soa,

Por léguas e léguas,

Aqui no Niassa,

Onde a guerra entoa!

Há mortos e feridos

E os mais fodidos (comidos)

Somos sempre nós.

Vamos pelos ares

Gritando por todos,

Até p’los avós.

Oh turra bairrista,

Mas pouco fadista,

Já é tradição,

Ser paraquedista

Sem tirar o curso?

Ai, isso é que não.

Oh turra das minas...

FADO DO TURRA

“Fado Corrido”

?

Se, de mim, nada consegues,

Não sei porque me persegues

Constantemente, no mato.

Sabes bem que eu sou ladino,

Tenho o andar muito fino

E que escapo como um rato.

Lá porque és branco e pedante,

Pretendes ser arrogante,

Por capricho e altivez.

Eu, que tenho sido pobre,

Mas que tenho a alma nobre,

Talvez te lixe, de vez.

Como ando sempre ALERTA,

Tua arma não me acerta,

Nem me deixa atrapalhado;

E assim, num breve instante,

Por mais que andes vigilante,

Tu serás, sempre, emboscado.

Por isso toma cuidado

E não me venhas com teu fado,

Dizer que “branco é melhor”;

Eu, já muito codilhado,

Estou sempre desconfiado.

Irás desta, p’ra melhor

FADO DAS COMPARAÇÕES

“Estranha Forma de Vida”

Jorge Ferreira c/5.4.2003

Que estranha forma de vida!

Que estranha comparação!

Vive-se, em Lourença Marques,

Cá, arrisca-se o coirão!

Vida boa! Vida airada!

E boites! É só festança!

Lá, não se fala em matança,

Nem turras. Há só borgada!

Niassa? Pura olvidança!

Guerra, como és ignorada!

Conversa que é evitada

P’los que vivem n’abastança!

Falar, da nossa desdita,

Fica mal e aborrece!

E, como lembrar irrita,

Toda a gente a desconhece!

Ao passar, pela cidade,

Com tanta tranquilidade,

Deu-me para comparar...

Meninas de mini-saias!?

Mandai-as p’rás nossas praias,

P´ra “manobra de atracar”.

Pipis com carros GT’s!?

Mandai-os p’rás berliets!

Tirai-lhes as modas finas!

Melenudos efeminados

Eram bem utilizados

P’ra fazer rebentar minas!

Bem como essas tais meninas,

Que apesar de enfezadinhas,

Mas com ar de sua graça,

Serviriam, muito a jeito,

P’r’aliviar (acalmar) a dor de peito,

Cá da malta do Niassa.

Mas não! Foi só por pirraça.

Hão-de lá continuar,

E nós temos de lerpar!

Invertem-se as posições

E trocam-se as situações!?

Continuamos a aguentar!

Nós, sem sermos desejados,

Ficamos cá “APANHADOS”,

Aos urros, num desvario!

Eles, os daqui naturais,

Gastando dinheiro aos pais,

Vão para o Matola-Rio!

Acabe-se com a tradição!

Entre-se em mobilização!

Utilize-se a manada!

Dentro de poucas semanas,

Como quem come bananas,

Estará a guerra acabada!

FADO DO ESTADO MAIOR

“São Caracóis” - Amália

?

Cheguei, vindo de Lisboa!

Desci, apanhei calor!

Não vinha p’ra coisa boa!

Passei ao Estado Maior!

 

A vida que aqui julgava,

Nem sempre será da pior!

Mas logo, a coisa estava,

Não pensar ser o melhor.

O SITREP (diga SITERREPE) O SITREPEZINHO

É O RELIM E O ORDOPEZINHO,

E ORDEMOVEé coisa já sabida

Nada mais lindo p’ra fazer na vida.

Passei a ser meticuloso

Estudei e vi qual era a norma.

A guerra assim até dá gozo

Pois tudo é só questão de “forma”.

Não tenho que usar coragem,

No papel é que está a glória,

Pois só interessa a percentagem

P’ra quem quiser ficar p’rá história.

O SITREP (diga SITERREPE) O SITREPEZINHO

É O RELIM E O ORDOPEZINHO,

E ORDEMOVEé coisa já sabida

Nada mais lindo p’ra fazer na vida.

FADO DO MILICIANO

“Ser Fadista” – Frei Hermano da Câmara

?

        Ser miliciano foi meu sonho,

        Mas não foi esse o meu fado;

        Deus me deu outra mania,

        De entrar p’ra Academia,

        Ser oficial do quadro.

        Abandonei os milicianos,

        Ai deixei a honestidade,

        Passei a ser calaceiro,

        Sabujo do mundo inteiro,

        Deixei de falar verdade.

        Hei-de ir p’ró Estado Maior,

        Cagar postas de pescada,

        Dedicar-me à quele estudo:

        “Eles é que sabem tudo,

        Os outros não sabem nada”.

        Não chorem pelo meu fado!

        Ai amigos, não levem a mal;

        Se eu aldrabar um bocado,

        Se eu aldrabar um bocado,

        ‘Inda chego a General!

FADO DA RESERVA NAVAL

“Ser Fadista” – Frei Hermano da Câmara

?

        Ser “eRRe” “eNe” foi meu sonho,

        Mas não foi esse o meu fado;

        Deus me deu outro ideal,

        De ir p’ra Escola Naval,

        Ser oficial do quadro.

        Abandoneia RESERVA,

        Ai deixei a honestidade,

        Passei a ser calaceiro,

        Sabujo do mundo inteiro,

        Deixei de falar verdade.

        Hei-de ir p’ró Estado Maior,

        Cagar postas de pescada,

        Dedicar-me àquele estudo:

        “Eles é que sabem tudo,

        Os outros não sabem nada”.

        Não chorem pelo meu fado!

        Do meu fado eu sou amante;

        Se eu aldrabar um bocado,

        Se eu aldrabar um bocado,

        ‘Inda chego a Almirante!

FADO DO DESERTOR

“Fado Canção”

?

Estava eu, na minha terra,

Disseram-me: -Vais p’rá guerra,

Toma lá uma espingarda;

Um bilhete pr’ó navio,

Uma medalha num fio

E uma velha, velha farda.

Após dias de caminho,

Estava já muito magrinho,

Esfomeado como um rato,

Olhei e vi as palmeiras,

macacos e bananeiras!!!

Entendi. Estava no mato.

Foi então, que o nosso cabo

Disse que eu era um bom nabo,

Por , à noite, a Deus rezar.

Para ele, um bom magala

Vai à noite p’rá sanzala

Para uma preta arranjar.

O furriel e o sargento

Chamavam-me fedorento,

Porque me queria lavar.

O alferes e o capitao

Diziam que era calão,

Se me viam descansar.

Estava já farto da guerra,

A lembrar a minha terra,

Fui um dia passear...

Numa palhota, sozinha,

Estava uma preta girinha,

Que ao ver-me, pôs-se a chorar.

E, fiquei com tanta pena

Dessa mocinha morena,

Que fugimos para o mato.

Somos um casal feliz

E já temos um petiz,

Que, por sinal, é mulato.

PIQUENIQUE NA PICADA

“Piquenic! Piquenic!!!”

?

Piquenique fazemos todos os dias

P’la estrada fora carregados como burros.

Em pirilau, lá vamos nós

Calcando minas, em vez de caçar os turras.

(Estribilho)

Piquenique, Piquenique!?

Ai se isto é piquenique

antes quero estar quieto!

Piquenique, Piquenique!?

Nem na caserna estou bem

pois pode cair o tecto.

P’lo mato fora, vamos abrindo caminho

Sem demonstrar o nosso forte cansaço.

De tanto andar, temos de prémio,

Uma camada do belo feijão macaco.

(Estribilho)

Piquenique, Piquenique!?...

Até de noite, patrulhamos o capim,

Àluz da lua sem temer a bicharada.

Vimos palhotas com sentinelas

E regressámos sem ter apanhado nada.

(Estribilho)

Piquenique, Piquenique!?

O EMBOSCADO

“Fado do Embuçado”

Furriel Crespo c/5.4.2003

Em tempos, tive a mania

que não havia emboscadas,

Até que, num lindo dia,

Toda a minha companhia,

P’los turras, foi avisada.

A história, que eu vou contar,

contou-ma certo velhinho,

Quando eu vim p’ró Ultramar.

Disse-me ele, a sussurrar:

- “Checa toma juizinho,

senão podes-te lixar”.

E, lá no mato, cansado,

De aspecto feio e sério,

Ia sempre um soldado

Prestes a ser emboscado

E a ir p’ró cemitério.

P’ró Niassa, veio alguém,

Com uma ideia aferrada:

- Ouve, turra, escuta bem

Que nós não queremos ninguém

Emboscado, na picada.

Perante a admiração de todos,

Acabou-se a emboscada!

Foi o batalhão dos “LOBOS”

Que lhes deu porrada a rodos,

Temos a guerra acabada.

FADO DA ÁGUA

“Ó Tempo, volta p’ra trás” – A. Calvário

Furriel Crespo c/5.4.2003

Isto, já não é como outrora!

Só temos água a certa hora.

Já não é como o passado,

Que havia água em todo o lado!

As horas p’ra mim são dias...

As horas p’ra mim são dias...

Os dias p’ra mim são meses...

Recordação é saudade;

Agora há só sujidade;

Só nos lavamos, às vezes.

Ó tempo, volta p’ra trás,

Traz-me tudo o que eu perdi;

Tem pena e dá-me a água,

A água que eu não bebi.

Ó tempo, volta p’ra trás,

Olha a minha esperança vã,

Porque eu preciso de água

P’ra me lavar, de manhã.

Abrem-se poços, à toa,

À procura da nascente,

Mas, se não fosse a lagoa,

O que seria desta gente?!

O tempo vai passando

E nós vamos lerpando.

O que será de nós agora?

Não poderemos esquecer

Aquela água, de beber,

Que nós tínhamos, outrora.

Ó tempo, volta p’ra trás...

DAR DE BEBER À SEDE

“Dar de Beber à Dor”

Jorge Ferreira c/5.4.2003

Foi no Batalhão dos “LOBOS”, que encontrei,

Depois de já ter andado às voltinhas,

Um belo e rico bar;

- E quem lá fui encontar?

Os “LOBOS” a beber umas “bazuquinhas”!

Da entrada até ao balcão,

Vi-os todos, todos, todos,

Com copinhos e garrafas, tão lindinhas!

E um “manga” embebedado, lá no chão,

Abraçado às garrafinhas.

Entrei lá e vi ao fundo dessa sala,

No balcão, um sujeito que é pinguinhas.

Vi também homens de garra,

vi violas e guitarras,

Vi bebedeiras das finas, de ginginhas.

O tempo, aqui, sempre passa

Para esta rapaziada,

Que, já muito, tem andado às voltinhas,

Cá nas terras do NIASSA, com cachaça,

Fazendo caça aos TURRINHAS.

As janelas tão garridas, que ficavam

Com cortinados de saca às rendinhas,

Tinham mesmo muita graça,

Que ninguém pensa em desgraça,

Com os jogos inocentes das “LERPINHAS”.

Tem as paredes pintadas,

De bonecas engraçadas,

Belas ruivas e morenas, mais loirinhas.

Para mim, é recordada esta casa,

A nascente das pinguinhas.

Foi bom, fazer, lá, do bar o que fizeram:

Uma cerca enfeitada com caninhas...

Com violas e guitarras

P’ra se ouvir as desgarradas

E dar de beber, a nós, as cervejinhas...

Recordando o passado,

Vivendo e cantando o fado!...

Procurar tudo esquecer!...

Nas garrafinhas.

Pois, - dar de beber à sede é o melhor - ,

Já dizia o ZÉ PINGUINHAS.

SAUDADE

“Zé Cacilheiro”

Jorge Ferreira c/5.4.2003

Aqui, no Lago NIASSA,

Onde a malta toda passa,

Falta cá mais um passante...

Aqui, nesta guerra fria,

Sentimos a nostalgia!...

Falta o nosso Comandante!

Quando da sua presença,

Desde o Lunho a Olivença,

Tudo gostou dele, cá.

Mas, nestes tempos de agora,

Toda a malta ainda chora,

Pois ele já cá não está!

(outra versão, 1ª, da sextilha anterior)

Quando da sua presença,

Do Bandece a Olivença,

Todos deu sua bondade!

Agora, está em Nampula.

Em nós, saudade pulula

Da sua velha amizade.

Aqui, na guerra,

Distantes da nossa terra

No peito, a saudade encerra,

Cá, por esta vida errante...

Mas há certeza,

Da malta andar em beleza,

Mas com uma certa tristeza,

Falta o nosso Comandante.

E, por esta vida fora,

Cá vamos andando, agora,

Sempre com a esperança em vão.

Nós sentimos a ausência

Da saudosa permanência

Do comandante Falcão.

Como a vida tem que andar,

Temos que nos conformar

Aqui, na Pátria distante;

Mas a saudade permanece

E a “malta” nunca esquece

O Primeiro Comandante.

FADO DA MESSE DOS SARGENTOS

“A Casinha de Nós Dois”

Furriel Crespo c/5.4.2003

A messe de nós todos é pequenina

E entra vento por todo o lado.

O pequeno almoço é café com margarina,

com pão e leite condensado.

Tem as paredes decoradas

De desenhos feitos à mão;

As cadeiras despregadas;

E as mesas desengonçadas,

E sem gelo p’rá refeição.

Um prato fino, na mesa,

Ao almoço e ao jantar

Tem arroz com peixe, de certeza,

E um cheirinho de enjoar;

E o primeiro bebe caldinho,

Porque já não tem dentes;

Mas tem sorte, porque o Toninho

Lhe arranja coisinhas quentes.

Nossa messe é bestial!

Até tem vida animal,

Embalsamada pelo Leal.

Quando fico a descansar, pela semana,

Em lindas noites sonhadoras,

É tão lindo, os percevejos lá na cama

E as baratas voadoras!!!

É tão linda a nossa messe! Tem beleza.

Tenho dela presunção.

O Costa, a servir à mesa,

É a maior riqueza,

Desta nossa corporação.

PATRULANDO AS PICADAS

“Fui de Viela em Viela”

?

Fui, de picada em picada,

Andei muito e não vi nada

E andava atarantado...

Sob a árvore da estrada,

Um turra, com uma granada,

ali, estava bem armado.

Fui, com grande precaução!

Fiz das tripas coração

E mandei, logo, avançar...

Pois eram três, bem armados,

que ali foram raptados

E acabei por os matar.

Toda a malta está contente.

Caminhámos sempre em frente,

Não parámos um só momento...

E com a malta já cansada,

Depois de tanta maçada,

Entrámos no acampamento.

No rosto da rapaziada,

Só vi desgosto e descrença!

Era a guerra!... Mas a GUERRA

Não é, sempre, o que se pensa.

PRECE COPOFÓNICA

Letra e Música do alferes Miliciano Calvinho

Ao longo dum caminho pedregoso,

Depois de expor, às balas, minha vida,

meus lábios, num desejo sequioso,

Rogam, a Deus, a benção da bebida.

E, quando a distância aumenta sempre mais

E, no mato, pernoitamos escondidos,

Lembrando ferozes animais,

E recordando os copos já bebidos...

Eis que acaba a noite e surge o dia,

E, com ele, a esperança de voltar!

Meus lábios, loucos de alegria,

Antevêem, já, a chegada ao bar.

E, logo que o regresso tem lugar,

Toda a minha gente está contente,

Pois o regresso significa: “Não lerpar!”.

E “Não lerpar” significa; AGUARDENTE!!!

ÂNSIA DE VOLTAR

Música do Qinteto do Bart 2838

Vitorino e Couto

Vivo esperando

O dia em que voltar.

Chegará o dia

De meus pais abraçar.

A felicidade

Que eu vou sentir.

Ao vê-los, de novo,

Para mim, sorrir!...

E, ao voltar,

Chorando de alegria,

Beijar o mar,

Que me trouxe um dia.

ADEUS METANGULA – Fado da Despedida

“Adeus Mouraria”

(Herdada dos anteriores c/5.4.2003 Jorge Ferreira

Adeus, Cóbue e Manhais

E Lipoche, “Good bye”,

A zona que é mais pachola.

Adeus, ó ondas malucas,

Que, daqui às Molulucas,

É sempre a bater cachola.

(estribilho)

Adeus, Metangula!

Adeus, comissão!

Já vou p’rá cidade

E até me dá vontade

De m’amandar p’ró chão!

O farol da torre,

(Deixei o farol)

Que o “control” regula,

Vou, pelo caminho,

Dizendo, baixinho:

- Adeus, Metangula

Adeus, ó Lago Niassa,

Onde se apanha uma passa

(Só conhece quem lá passa)

E se dorme ao luar.

Adeus, recantos banais;

A mim, não me lixais mais.

Agora, vou descansar.

Adeus, Metangula...

ALMA RUIM E CRUEL

Do Soneto de Camões: “Alma Minha e Gentil...”

Alma ruim e cruel, que enfim partiste,

Tão tarde, diz o povo descontente,

Fica, lá, no inferno eternamente,

Que nenhum português ficará triste.

Se, lá no inferno, onde caíste,

Memória, deste mundo, se consente,

Que te não esqueça, nunca, a lusa gente,

A quem, tantos maus tratos, infligiste.

E se vires, que te é dado compesar,

De alguma forma, a dor que nos legaste,

Nestes quarenta anos de penar!!!,

Roga a Deus, em quem sempre acreditaste,

Que, bem cedo, te mande acompanhar

Pela corja de bandidos, que criaste.

A HISTÓRIA DO MANUEL

Fado Canção

Manuel era feliz,

Numa aldeia, lá da serra,

A guardar o seu rebanho

Não sabia o que era a guerra.

SE EM TODA A TERRA TODOS OS HOMENS

DISSESSEM NÃO! DISSESSEM NÃO!

NUNCA, OS JOVENS, COMO O MANEL,

TERIAM MORTO O SEU IRMÃO.

Mas os homens, que são maus,

Vão tirar a paz, à serra,

E o Manuel deixa o rebanho

E, um dia, parte para a guerra.

(Coro 1)

Morrem homens, aos milhares,

Está de luto, toda a terra,

E o Manel, que era pastor,

Sabe, agora, o que é a guerra.

 

(Coro1)

Manuel parte p’r’a guerra,

Leva, em paz, o coração.

Manuel parte, chorando;

Manuel parte, rezando:

Não matarei meu irmão.

(Coro 1)

Manuel, pelo mar fora,

Vai pensando em sua mãe!...

Lá na aldeia, onde o criou,

DE menino, lhe ensinou,

A ser um homem de bem.

PENSA NAS MÃES QUE, EM TODA A TERRA,

VÊEM SEUS FILHOS PARTIR P’RA MATAR...

ELAS QUE, SEMPRE, OS ENSINARAM

A SER FIÉIS A LEI DE AMAR.

Manuel, na noite escura,

Sabe que a hora chegou.

Não tem medo de lutar,

Pois sabe que foi p’ra amar

Que sua mãe o criou.

(Coro 2)

Manuel não usa arma,

Tem, no corpo, o frio chão,

Olha o outro, à sua frente,

Diz-lhe, baixo e tristemente,

Porque me mataste, irmão?

(Coro 2)

(Coro 1)

QUE MAIS QUERES TU ?

Fado Corrido

Que mais queres, tu?

Que mais queres, tu?

No país do sol,

Podes andar nu!

Tens um sol doirado,

Que até dá nas vistas

P’ra comeres com fados,

Olhando os turistas...

Com sol e com fados,

Com toiros e bola,

Que mais queres, ingrato,

Para encheres a tola?!

Quartos alugados?

Para cinco ou para seis!...

Três assoalhadas?

Dois contos de reis!...

E os bairros de lata

Que lindos que são!

Alguns, até, têm televisão!

Podes fazer filhos,

Que o abono é chorudo,

Pois dã-te cem paus

por cada miúdo!

Vê que a Previdência

Por ti se depena

Agora a doença

Até vale a pena.

Se perderes um braço

Nalguma batalha

No Dia da Raça

Dão-te uma medalha...

Se morreres na guerra,

Os teus chefes ‘stão prontos

A pôr-te, na terra,

Por catorze contos.

E assim vai a vida,

Neste mar de rosas!...

E se alguém protesta

Contra este bem-estar?!!!

‘Inda há solução:

A PIDE, eficiente,

Retira o doente

Da circulação...

FIM

GLOSSÁRIO:

Palavras e expressões que tiveram e têm um significado especial.

Apanhado pelo clima

Era ficar maluco ou varrido da tola.

Bandece

Pequena povoação perto do Lago Niassa ou do Malawi da Administração de Maniamba.

Bazuca

A bazuca era a arma de fogo de cano largo que seria o canhão transportável (isto para leigos)...

bazuquinhas ou bazzokinhas

Por analogia(!?), no bar, a Bazuca, que até dava para escrever à estrangeiro, era a a garrafa de cerveja grande acima das minis e médias....

Berliet

O grande carro pesado para transporte de carga e, com bancos, para transporte de um pelotão ou?...

Cabeças d’oiro

Os brigadeiros e generais... os chefes.

Capim

Erva alta. Termo já percebido pela maior parte.

Checa

Era o caloiro que chegava para a guerra... fresquinho, idealista e/ou cagado de medo...

Cóbue

Pequena povoação a Norte do Niasa em frente(Este) à ilha de Likoma.

é mato

“Gente aqui é mato.” Há muita gente.

Esquentamento

As doenças venéreas derivadas da prostituição. A sífilis era o terror que esgotava os stokcs ded penincilina.

Jogar à lerpa

O jogo da batota, às cartas, em que se perdiam ordenados inteiros...

lerpar

Significava desde perder até morrer...

Licoma

Ilha em pleno Lago Niassa.

Lunho

Região interior o Oeste do Niassa que nos anos sessenta era considerada a zona isolada e de grande risco.

Machamba

Tereno de cultivo, desde o pequeno quintal à grande propriedade.

Malema

Povoação interior na ponta do triângulo do Cabo Delgado.

Marmita

Era o equipamento de cada soldado para poder receber o comer, mas aqui eram as minas anti-carro e anti-pessoal que eram o terror das deslocações que tínhamos de fazer.

Matabicho

Em princípio era o pequeno almoço à inglesa, mas pode ser um bagaço ou bebida branca ou até gorgeta... Tudo era Matabicho!

Meponda

Praticamente o porto do Lago Niassa que servia Vila Cabral, actual Lichinga.

Mutuáli

Povoação perto de Malema.

Nacala

Porto de mar ao Norte de Moçambique acim da Ilha de Moçambique.

Olivença

a última povoação a Norte do Moçambique cerca do Lago Niassa, com grande dificuldades de acesso. Só pelo Lago ou de avião.

ORDEMOVE

Termos militares para diversas ordens de serviço.

ORDOP

Termos militares para diversas ordens de serviço.

os ciclistas

O feijão frade.

Picada

Os caminhos os estradas de terra batida.

Psico

A chamada acção psicológica para aliciar as populações.

RELIM

Termos militares para diversas ordens de serviço.

RN

Reserva Naval - o equivalente aos milicianos na Marinha?

Sanzala

Qinta, propriedade, basicamente rural mas que podia ir desdde a casa de residência senhorial até oficinas, armazéns...

SITREP

Termos militares para diversas ordens de serviço.

Turra

Era o termo prático para denominar o “inimigo” ou o que se entendia por “inimigo”... como dizia um oficial de operações o que vale é que cada país tem o inimigo que merece... à nossa escala e proporção!!!” Se não!? Perante a falta de meios e falta de operacionalidade, era um autênticomilagre haver, apesar de tudo, tão poucas baixas nas fileiras do exército colonial.

Unimog

O pequeno carro, todo o terreno de caixa aberta a que se adaptaram bancos para transporte de uma patrulha.


ÍNDICE DO CANCIONEIRO DO NIASSA

numas memórias de Guerra feita para a Cart 2325

nome de guerra

adaptação de

canção conhecida

pág.

CANCIONEIRO

69

Uma introdução

70

Hino do LUNHO

alf. Carvalho Cem da...

Vampiros do Zeca Afonso

72

Aos ARTILHEIROS, “Guerrilheiros” do LUNHO

Joaquim Correia, Sol. transm. da 2325

Muito boa noite..., Amália

74

LÁ LÁ LÁ do LUNHO

Joaquim Correia, Sol. transm.

LÁ LÁ LÁ, fest.Eurov. 68/69?

74

Fado do Checa

Jorge Ferreira, Furriel sapador c/5.4.2003

Rosa enjeitada

75

Recepção ao Checa

Jorge Ferreira, Furriel sapador c/5.4.2003

Povo que lavas no rio

75

Aos “Checas”

?Júlia Florista

76

O Turra das minas

Jorge Ferreira, Furriel sapador c/5.4.2003

Júlia Florista

76

Fado do turra

?? (Herdada dos anteriores)Jorge Ferreira c/5.4.2003

77

Fado das comparações

Jorge Ferreira, Furriel sapador c/5.4.2003

Estranha forma de vida e Cavalo baio

77

Fado do Estado Maior

?

Caracóis, Amália

78

Fado do Miliciano

?exército

Ser fadista... Frei H. Câmara

78

Fado da Reserva Naval

?marinha

Ser fadista... Frei H. Câmara

78

Fado do desertor

?

O Cavalo Baio

79

Povo que cagas no Lago

?

Povo que lavas no rio, Adriano

79

Piquenique na picada

?? (Herdada dos anteriores)Jorge Ferreira c/5.4.2003

Piquenique

80

O Emboscado

Furriel Crespo c/5.4.2003

O Embuçado

80

Fado da Água

Furriel Crespo c/5.4.2003

Ó tempo volta p’ra tr’as

81

Dar de beber à sede

Adp. Jorge Ferreira,  L, nº3, Dez.68

Dar de beber à dor

81

Saudade

Jorge Ferreira, frl. sp. in L, Nº2, p.4

Zé Cacilheiro

82

Fado da Messe de Sargentos

Furriel Crespo c/5.4.2003

A casinha de nós dois

82

Patrulhando as picadas

in L, Nº2, P.4, Set.68

Fui de viela em viela

83

Prece copofónica

in L, Nº2, P.4, Set.68

Letra e música:Al.m. Calvinho

83

Ânsia de voltar

Vitorino e Couto

música: Quinteto do 2838

83

Fado da Despedida - Adeus Metangula

?Jorge Ferreira

Adeus Mouraria

83

Alma ruim e cruel...

(à morte do António da Calçada)

Soneto: Alma minha e gentil...

84

História do MANUEL

84

Que mais queres tu?

85

um pequeno GLOSSÁRIO

87

ÍNDICE DO CANCIONEIRO

89

NOTA FINAL: Isto é um índice que tentava dar o seu a seu dono e identificar os autores. De algumas foi possível, de outras não. Acontece também que, muitos, atribuiam a autoria àqueles a quem as ouviam cantar e já não se lembravam nem perguntavam quem é que tinha feito a adaptação. Outros ainda, a partir de uma adaptação, mudavam-na ao sabor do seu gosto ou das circunstâncias da guerra que viviam. É um fenómeno parecido com o que sucede com algumas expressões da Tradição Oral e mesmo cantigas, anedotas...etc.. De qualquer maneira, fica aí o espaço para cada um “DAR O SEU A SEU DONO” e, se mo quiserem comunicar, até os próprios autores, terei muito gosto em escrever o seu nome no seu lugar próprio. Um abraço.

o CANCIONEIRO DO NIASSA e dos VAMPIROS DE zECA AFONSO

remetem-nos para uma série de CANTORES e CANÇÕES de intervenção Portuguesas e estrangeiras que vamos tentar manter em constante actualização...

Vá vendo as que já recolhemos e envie-nos as que conhece e gostaria de ver aqui recordadas... (Clik aqui ou na imegem)


Francisco Fanhais - Capa do LP

Ver a continuação em GRITOS DE GUERRA CONTRA A GUERRA

 

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