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ANDARILHO 7partidas
Poesia Décimas
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Cancioneiro NIASSA

Canto do
ALENTEJO
NOVO(MÉRTOLA)

Canto do CANTE os COROS

CANCIONEIRO

CANÇÕES DE GUERRA CONTRA A GUERRA

uma continuação do CANCIONEIRO DO NIASSA

     
O DESERTOR Tradução / Adaptação de José Mário Branco Le Deserteur de Boris Vian
Para não Dizer que não Falei das Flores original Geraldo Vandré  
Ronda do Soldadinho José Mário Branco  
Menina dos Olhos Tristes Reinaldo Ferreira - José Afonso Voz: José Afonso
Até o Diabo se ria Rádio Macau origina l  
Cantata da Paz Sophia de Mello Breyner Anderse - Rui Paz Voz: Francisco Fanhais
Máquina Zero Rui Veloso - Carlos Tê Rui Veloso
Ronda dos Paisanos Zeca Afonso original  
Pedro Soldado Poema de Manuel Alegre Canta Adriano Correia de Oliveira
Barcas Novas Adriano Correia de Oliveira A. C. Oliveira, Fiama Hasse, Rui Pato


CANCIONEIRO

o DESERTOR
Tradução / Adaptação de José Mário Branco
Le Deserteur de Boris Vian

Ao Senhor Presidente
E chefe da Nação
Escrevo a presente
p'ra sua informação
Recebi um postal
Um papel militar
Com ordem p'ra marchar
P 'ra guerra colonial

Diga aos seus generais
Qu' eu não faço essa guerra
Porque eu não vim à terra
p'ra matar meus iguais
E assim digo ao Senhor
Queira o Senhor ou não
Tomei a decisão
De ser um desertor.

Desde que me conheço
Já vi meu pai morrer
Vi meus irmãos sofrer
Vi meus filhos sem berço
Minha mãe sofreu tanto
Que me deixou sozinho
morreu devagarinho
nas do seu pranto

Já estive na prisão
Sem razão me prenderam
Sem razão me bateram
Como se fosse um cão
Amanha de madrugada
Pego numa sacola
e na minha viola
e meto-me à estrada...

Irei sem descansar
P'la terra lusitana
Do Minho ao Guadiana
Toda a gente avisar:
À guerra dizei NÃO
A gente negra sofre
E como nós é pobre
Somos todos irmãos

E se quer continuar
A explorar essa gente
Vá o Senhor presidente
Tomar o meu lugar...
Se me mandar buscar
Previna a sua guarda
Qu'eu tenho uma espingarda
E que eu sei atirar...

Se me mandar buscar
Previna a sua guarda
Que eu tenho uma espingarda
E que eu sei atirar

Se me mandar buscar
Previna a sua guarda
Que eu não tenho arma
E não vou atirar...

Se nos mandar buscar
Previna os seus guardas
Que temos espingardas
E sabemos atirar... Se nos mandar buscar
Previna os seus guardas
Que nós não temos armas
Nem vamos atirar...

Le déserteur

Boris Vian

Monsieur le président
Je vous fais une lettre
Que vous lirez peut-être
Si vous avez le temps.
Je viens de recevoir
Mes papiers militaires
Pour partir à la guerre
Avant mercredi soir.
Monsieur le président
Je ne veux pas la faire
Je ne suis pas sur terre
Pour tuer des pauvres gens.
C'est pas pour vous fâcher,
Il faut que je vous dise,
Ma décision est prise,
Je m'en vais déserter.

Depuis que je suis né,
J'ai vu mourir mon père,
J'ai vu partir mes frères
Et pleurer mes enfants.
Ma mère a tant souffert
Qu'elle est dedans sa tombe
Et se moque des bombes
Et se moque des vers.
Quand j'étais prisonnier,
On m'a volé ma femme,
On m'a volé mon âme,
Et tout mon cher passé.
Demain de bon matin
Je fermerai ma porte
Au nez des années mortes,
J'irai sur les chemins.

Je mendierai ma vie
Sur les routes de France,
De Bretagne en Provence
Et je crierai aux gens:
«Refusez d'obéir,
Refusez de la faire,
N'allez pas à la guerre,
Refusez de partir.»
S'il faut donner son sang,
Allez donner le vôtre,
Vous êtes bon apôtre
Monsieur le président.
Si vous me poursuivez,
Prevenez vos gendarmes
Que je n'aurai pas d'armes
Et qu'ils pourront tirer.

- 15 Fév. 1954 -

Chanson n° 47 du site http://borisvian.free.fr/
p. 52

P'RA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES
GERALDO VANDRÉ
original
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção

Pelos campos a fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão
Vem vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer
Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Antigas lições
De morrer pela pátria
E viver sem Razões
Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição
Vem vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

RONDA DO SOLDADINHO
original
José Mário Branco

Um e dois e três
Era uma vez
Um soldadinho
De chumbo não era
Como era
O soldadinho

Um menino lindo
Que nasceu
Num roseiral
O menino lindo
Não nasceu
P'ra fazer mal
Menino cresceu
Já vai à escola
De sacola
Um e dois e três
Já sabe ler
Sabe contar

Menino cresceu
Já aprendeu
A trabalhar
Vai gado guardar
Já vai lavrar
E semear
Menino cresceu
Mas não colheu
De semear
Os senhores da terra
O mandam p'ra guerra
Morrer ou Matar

Os senhores da guerra
Não matam
Mandam matar
Os senhores da guerra
Não morrem
Mandam morrer
A guerra é p'ra quem
Nunca aprendeu
A semear
É p'ra quem só quer
Mandar matar
Para Roubar
Dancemos meninos
A roda
No roseiral
Que os meninos lindos
Não nascem
P'ra fazer mal

Soldadinho lindo
Era o rei
Da nossa terra
Fugiu para França
P'ra não ir
Morrer na guerra

Soldadinho lindo
Era o rei
Da nossa terra
Fugiu para França
P'ra não ir
Matar na guerra

 

MENINA DOS OLHOS TRISTES
Reinaldo Ferreira - José Afonso)
voz: José Afonso

Menina dos olhos tristes,
O que tanto a faz chorar?
- O soldadinho não volta
Do outro lado do mar.
Senhora de olhos cansados,
Porque a fatiga o tear?
- O soldadinho não volta
Do outro lado do mar.
Vamos, senhor pensativo,
Olhe o cachimbo a apagar.
- O soldadinho não volta
Do outro lado do mar.

Anda bem longe o amigo,
Uma carta o fez chorar.
- O soldadinho não volta
Do outro lado do mar.
A Lua, que é viajante.
É que nos pode informar.
- O soldadinho não volta
Do outro lado do mar.
O soldadinho já volta
Está quase mesmo a chegar.
Vem numa caixa de pinho.
Desta vez o soldadinho
Nunca mais se faz ao mar.

 

ATÉ O DIABO SE RIA
RÁDIO MACAU
original

'Tava eu cá a pensar
Noutro dia de manhã
'Tava eu cá a pensar
Até o diabo se ria
'Tava eu cá a pensar
Os generais a gritar "Às armas"
E ninguém querer disparar
Como iria reagir
O tal general assassino
Como iria reagir
Até o diabo se ria
Como iria reagir
Os generais a gritar "Fogo"
E começasse tudo a rir
Não seria p' ra admirar
Até tinha muita graça
Não seria p'ra admirar
Até o diabo se ria
Não seria p'ra admirar
Os generais a gritar "Às armas"
E as armas a enferrujar

Aí que grande confusão
Os generais desnorteados
Ai. que grande confusão
Até o diabo se ria
Aí que grande confusão
Os generais a olhar p'ras bombas
E tudo a olhar para o chão
Havia de ser uma festa
Uma cegada das antigas
Havia de ser uma festa
Até o diabo se ria
Havia de ser uma festa
Os generais a gritar "Alerta"
E tudo a dormir a sesta
A gritar Ó tio! Ó tio!
A saltar como os macacos
A gritar Ó tio! Ó tio!
Ate o diabo se ria
A gritar Ó tio! Ó tio
Os generais tudo maluco
E os quartéis tudo vazio

 

CANTATA DE PAZ
(Sophia de Mello Breyner Andresen - Rui Paz)
voz: Francisco Fanhais

Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos Ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar

Vemos, ouvimos e lemos
Relatórios da fome
O caminho da injustiça
A linguagem do terror

A bomba de Hiroshima
Vergonha de nós todos
Reduziu a cinzas
A carne das crianças

D'Africa e Vietname
Sobe a lamentação
Dos povos destruídos
Dos povos destroçados

Nada pode apagar
O concerto dos gritos
O nosso tempo é
Pecado organizado

 

MÁQUINA ZERO
RUI VELOSO / CARLOS TÉ
Rui Veloso
Fui à inspecção ao quartel de infantaria
estava no edital da junta de freguesia
depois de inspeccionado deram-me uma guia
com um carimbo chapado dizendo que servia
ainda argumentei e disse que não ouvia
não regulava bem e que tinha miopia
O capitão mirou-me no seu ar de comando
e o sargento mandou-me um sorriso de malandro
do bolso tirou a velha máquina zero
e tugindo gozou PRÓ ANO EU CÁ TE ESPERO

eu não quero ir à máquina zero
eu não quero ir a maquina zero
um dia na recruta fui limpar a latrina
o rancho veio-me à boca e faltei à faxina
o sargento de dia não me deixou impune
levou-me à companhia e aplicou-me o RDM
aqui nada se aprende odeio espingardas
não fui feito para isto e tenho horror a fardas

eu não quero ir à máquina zero
eu não quero ir a maquina zero
não me façam guerreiro eu nunca fui audaz
sou um gajo porreiro só quero viver em paz

eu não quero ir à máquina zero
eu não quero ir a maquina zero
nunca fiz inimigos em nenhum continente
não dividam o mundo em Leste e Ocidente
pactos e Alianças são um bom remédio
para entreter marechais e lhes combater o tédio

eu não quero ir à máquina zero
eu não quero ir a maquina zero

 

RONDA DOS PAISANOS
ZECA AFONSO
original
Ao cair da madrugada
No quartel da guarda
Senhor general
Mande embora a sentinela
Mande embora e não lhe faça mal
Ao cair do nevoeiro
Senhor brigadeiro
Não seja papão
Mande embora a sentinela
Mande embora a sua posição
Ao cair do céu cinzento
Lá no regimento
Senhor coronel
Mande embora a sentinela
Mande embora e deixe o seu quartel
Ao cair da madrugada
Depois da noitada Senhor capitão
Mande embora a sentinela
Mande embora o seu guarda-portão
Ao cair do sol nascente
Venha meu tenente
Deixe a prevenção
Mande embora a sentinela
Mande embora e tire o seu galão
Ao cair do frio vento
Primeiro sargento
Junte o pelotão
Mande embora a sentinela
Mande embora e cale o seu canhão
Ao cair do sol doirado
Venha meu soldado
Largue o seu punhal
Vá-se embora sentinela
Vá-se embora que aí fica mal
Vá-se embora sentinela
Vá-se embora que aí fica mal

 

Pedro SOLDADO
Adriano Correia de Oliveira
Poema de Manuel Alegre

Já lá vai Pedra Soldado
Num barco da nossa armada
Num barco da nossa armada
Já lá vai Pedro Soldado
Num barco da nossa armada
Num barco da nossa armada
E leva o nome bordado
Num saco cheio de nada
Triste vai Pedro Soldado
Branda rola não faz ninho
Nas agulhas do pinheiro
Branda rola não faz ninho
Nas agulhas do pinheiro
Não é Pedro marinheiro
Nem no mar é seu caminho
Nem no mar é seu caminho
Nem anda a branca gaivota
Pescando peixes em terra
Nem anda a branca gaivota
Pescando peixes em terra
Nem é de Pedro essa rota
Dos barcos que vão à guerra
Dos barcos que vão à guerra
Onde não anda ceifando
Já o campo se faz verde
Já o campo se faz verde
E em cada hora se perde
Cada hora que demora
Pedro no mar navegando
Não é Pedro pescador
Nem no mar vindimador
Não é Pedro pescador
Nem no mar vindimador
Nem soldado vindimando
Verde vinha vindimada
Triste vai Pedro Soldado
Já lá vai Pedro Soldado
Num barco da nossa armada
Num barco da nossa armada
Deixa o nome bordado
E era Pedro Soldado
E era Pedro Soldado
Branda rola não faz ninho
Nas agulhas do pinheiro
Branda rola não faz ninho
Nas agulhas do pinheiro
Não é Pedro marinheiro
Nem no mar é seu caminho
Nem no mar é seu caminho

Deixa o nome bordado
E era Pedro Soldado
E era Pedro Soldado

 

BARCAS NOVAS
ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA
A. C.Oliveira, Fiama Hasse, Rui Pato
Lisboa tem suas barcas
Agora lavradas de armas
São de guerra as barcas novas
Sobre o mar com a sua guerra
Barcas novas levam guerra
E as armas não lavram terra
E as armas não lavram terra '
De Lisboa sobre o mar
Barcas novas são mandadas
Barcas novas levam guerra
Sobre o mar com suas armas

 

 

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