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ANDARILHO 7partidas
Poesia Décimas
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Cancioneiro NIASSA

Canto do
ALENTEJO
NOVO(MÉRTOLA)

Canto do CANTE os COROS

 

O CANTO O ENCANTO DAS FONTES

2. NO CANCIONEIRO POPULAR

(ver também: O CANTO e o enCANTO das FONTES 1. NO CANCIONEIRO MEDIEVAL)  

in
-CANCIONEIRO POPULAR PORTUGUÊS, J. Leite de Vasconcelos, vol.
I, 1975, p. 411; 421; 581/3, vol. II, 1979, p. 224-/7
-O CANCIONEIRO POPULAR EM PORTUGAL, M. A. Zaluar Nunes, 1978, p. vár.( as mesmas do anterior)
-Subsídio. para O CANCIONEIRO POPULAR do BAIXO ALENTEJO, M.J.Delgado, I e II, 1980, p.vár.
- ALEGRIAS POPULARES, Jaime Pinto Pereira, Volume II, 1967?, p. 99.
- ETNOGRAFIA DA BEIRA, Dr. Jaime Lopes Dias, vol. I a XI, 1944 - 1971.
(A restante Bibliografia encontra-se na PÁGINA indicada acima...)

QUADRAS de todo o País e vários Cancioneiros...
CANTIGAS - Dá-me uma gotinha d'água... Fui à Fonte beber Água...
- A Água da Ribeira é doce...
- Água leva ao regadinho...
- Fui-te ver 'stavas lavando...
- Dá-m'um copo d'água fresca...
CONTO CUMULATIVO

A mulher (formiga, cabra) e a neve...

Poemas
Zé da Fonte Santa - joraga

Espiral do AMOR
O CANTE das FONTES

Outras a acrescentar... O Fonte das Sete Bicas
As Águas do rio Douro a correr...
Maria é nome de Mar...
A MAR - poema para um título de um livro que não escrevi mas já pari...

 QUADRAS, MODAS E CANTIGAS

do nosso CANCIONEIRO POPULAR

 

(Albufeira)

(CPP II, 227)

'Srevi com tinta roxa,
Minha letra não degenera;
Fui à fonte beber água
Só p'ra estar à tua espera.

  Se fores ao monte,
Leva um pucarito,
Bebe água da fonte
Qu'e p'ra ser's bonito.

(Montargil, c. de Ponte de Sor)

(CPP II, 224)

- Diz-me lá, fonte melina,
Onde tens o teu nascente.
- Debaixo da prata fina,
Em cima do ouro patente. 

(Vale de Nogueira, c. de Bragança)

(CPP II, 224)

A fonte da minha terra
Ao brotar deixa dizer:
- Serei tua até à morte,
Serei tua até morrer.

(Alcáçovas, c. de Viana do Alentejo)

(CPP II, 224)

À fonte dos meus amores
Vou minha bilha levar,
Quero enchê-la só de beijos
p'ró meu amor se banhar.

(S.Pedro  das Cebolas, c. de Bragança)

(CPP II, 224)

Adeus caminho da fonte,
Hei-de-te mandar varrer
C'uma vassoura de prata,
Que de oiro não pode ser!

  Adeus, pedrinha da fonte,
Onde me eu ia assentar,
Onde passei muitas noites
E noitinhas de luar.

  Adeus pedrinha da fonte,
Onde se assentam pimpões;
Donde se rasgam baetas,
Panos finos e bretões.

 

(Barrô, c. de Resende)

(CPP II, 224)

Bota-te daí a baixo,
Pintassilgo, ó ladrão,
Tu és o alcoviteiro
Das moças que à fonte vão.

 

(Sub. CPBA, 102,

Beja, Quintos, Messejana, Aljustrel, Ervidel.)

Dá-me uma gotinha d'água
Dessa que eu ouço correr;
Antre silvas e montrastes
Alguma pinga há-de ver!

 

(Sub. CPBA, 305,

Amareleja e Barrancos.)

Dá-me uma gotinha d'água
Não ma dês pela panela,
Dá-ma pela tua boca
Que eu não tenho nojo dela!

(Sub. CPBA, 506,

Beja)

Dá-me uma gotinha dágua,
Para lavar (Quero molhar) a garganta;
Quero cantar cmo a rola,
Como a rola ninguém canta.

(np.???)

Dá-me uma pinguinha d'água,
Da boca faz 'ma bica;
Quanto mais água me dás
Tanto mais sede me fica.

 

(Alandroal)

(CPP II, 224)

Dá-me uma pinguinha de água
Da raiz do coração;
Dos lados de aonde eu venho
Nem as fontes água dão.

  Da raiz da cana verde
Nasceu água a correr;
Menina que estás na fonte,
Dá-me água, quero beber.

(Sub. CPBA, 418, Barrancos)

Dá-mi uma gotinha dágua,
Deça qu'ê oiçu currê
,
Antre pedraZ i pèdrinhah,
Agunta gôta à-di abê.

(Oliveira do Hospital)

(CPP II, 224)

Entre pedras e pedrinhas
Água deve de nascer:
Menina que vem da fonte,
Dê-me água, quero beber.

+

Dê-me água, quero beber,
Cantarinho vai quebrado;
Menina, que vem da fonte,
Dê água ao seu namorado.

 

(de Descantes: Trigueirinha engraçada,

Rosmaninhal, EB, IV, 59)

Esperei-te no cais da fonte (bis)
Três golos de água bebi. (bis)
Faltaste ao prometido,
Deu-me o sono, dormi. (bis)
Três golos de água bebi.

(Moura)

(CCP I, 581)

Eu 'screvo com tinta verde,
Minha letra não desnera;
Bebo água sem ter sede,
Meu amor, à tua espera.

 

(???)

(CCP I, 581, nota)

Eu 'srevo com tinta verde,
Minha letra não desnera;
Fui à fonte beber água,
Só p'ra estar à tua espera.

 

(Tolosa, c. de Nisa)

(CPP II, 224)

Fostes à fonte descalça,
Só p'ra te verem os pés,
Em manguinhas de camisa,
Co'os dedos cheis de anés.

(Tolosa, c. de Nisa)

(CCP I, 582)

Fostes à fonte descalça,
Só p'ra te verem os pés;
Em manguinhaas de camisa,
Co'os dedos cheios de anés.

 

(Alandroal)

(CPP II,225)

Fui à fonte beber água
Debaixo da flor da murta:
Foi só p'ra ver os teus olhos,
Que a sede não era muita...

(Soutelo, c. de Vila Pouca de Aguiar)

(CPP II,225)

Fui à fonte beber água
Por baixo da folha verde,
Encontrei o meu amor,
Bebi água sem ter sede.

Fui à fonte buber auga,
Bubi auga como terra;
'Stava o meu amor defronte
Arrimou-me c'uma pedra.

+

A pedra era amorosa,
Toda cheia de felores,
Agora posso dizer
Qu'a buber tomei amores

 

(Vila Pouca de Aguiar)

(CCP I, 582)

Fui à fonte beber água
Por baixo da folha verde;
Encontrei o meu amor,
Bebi água sem ter sede.

  Fui à fonte buber auga
Em casca de belancia;
Nem bubi, nem truxe a auga,
Nem falei com quem eu qu'ria.

(Lagos)

(CPP II,225)

Fui à fonte beber água,
Achei a fonte caída;
Mais vale que a fonte caia,
Que o meu amor perca a vida

(Castro Verde)

(CPP II,225)

Fui à fonte beber água,
Achei um raminho verde;
Quem o achou tinha amores,
Quem o perdeu tinha sede.

(Baião, Tolosa, c. de Nisa)

(CPP II, 225)

Fui à fonte beber água,
Achei um ramo de flores;
Quem no perdeu tinha sede,
Quem no achou tinha amores.

(Capareiros, c. de Viana do Castelo)

(CPP II, 225, nota)

Fui à fonte beber água,
Achei um ramo de flores;
Quem as perdeu, tinha penas,
Quem as topou, tem amores

 

(Tolosa, c. de Nisa)

(CPP II, 225)

Fui à fonte beber água,
Bebi, tornei a beber;
Minha boca não se enfada
Nem meus olhos de te ver.

(Baião; Mesão Frio; Ponte de Lima; Tolosa, c. de Nisa)

(CPP II, 225)

Fui à fonte beber água,
Bebi, tornei a beber;
'Stava o meu amor de frente
Muito gostei de o ver!

(Baião; Tolosa, c. de Nisa)

(CCP I, 582)

Fui à fonte beber água,
Achei um ramo de flores,
Quem no perdeu tinha sede,
Quem no achou tinha amores.

 

(Baião; Ponte do Lima)

(CCP I, 582)

Fui à fonte beber água,
Bebi tornei a beber,
'Stava o meu amor defronte
Regalei-me de o ver!

 

(Tolosa, c. de Nisa)

(CCP I, 582, nota)

Fui à fonte beber água,
Bebi tornei a beber,
Minha boca não se enfada,
Nem meus olhos de te ver!

 

(Alandroal, Alcáçovas, c. de Viana do Alentejo)

(CCP I, 582)

Fui à fonte beber água,
Debaixo da flor da murta;
Fui para ver os teus olhos,
Que a sede não era muita.

(Baião)

(CCP I, 582)

Fui à fonte beber água,
Debaixo da vide branca.
Fui p'ra ver o meu amor,
Que a sede não era tanta...

(Sub. CPBA,.116, Beja e Alvalade)

Fui à fonte beber água,
Achei um raminho
(Encontrei um ramo) verde;

Quem o perdeu, tinha amores,

Quem o achou tinha sede.

 

(Sub. CPBA,.514, Beja)

Fui à fonte beber água,
Achi
um raminho (lencinho) verde.
Quem no perdeu tinha amores,
Quem no achou tinha sede.

(Norte)

(CPP II,225)

Fui à fonte buscar água
Em botinhas de veludo,
Eu quebrei a cantarinha,
Re-ché-chiu que lá foi tudo!

(Bragança)

(CPP II,225)

Fui à fonte buscar água
Na casca da melancia;
Não bebi, não trouxe água,
Nem falei com quem eu qu'ria.

(S. Pedro das Cebolas, c. de Braga)

(CCP I, 582)

Fui à fonte buscar água
Na casca da belancia
Nem bebi, nem trouxe água
Nem falei com quem eu qu'ria.

(Jolda, c. de Arcos de Valdevez)

(CCP I, 582)

Fui à fonte buscar água,
E encontrei-te no caminho;
Ao ouvir as tuas falas
Quebrei o meu cantarinho.

  Fui à fonte com Maria
Encontrei-me com Manuel,
Foi a coisa como eu qu'ria:
Caíu a sopa no mel.

  Fui à fonte das três bicas,
Bebi, tornei a beber:
'Stava lá o meu amor,
Regalei-me de o ver.

(vila Velha de Ródão)

(CPP II, 226)

Fui à fonte com Maria,
Encontrei-me com Manuel,
Foi a coisa como eu qu'ria,
Caíu a sopa no mel.

  Fui à fonte da Garcia
Beber água graciosa,
'Stava lá o meu amor,
Era a folha duma rosa.

(Nogosa, c. de Moimenta da-Beira)

(CPP II,226)

Fui à fonte das três bicas,
Dei a mão à libardade,
'Stava vária do sentido
Quando te fiz a vontade...

 

(Durrães, c. de Guimarães)

(CCP I, 582, nota)

Fui à fonte das três bicas,
Bebi, tornei a beber:
Nem minha boca se enfada,
Nem meus olhos de te ver.

(Arcos de Valdevez; Nisa)

(CPP II,226)

Fui à fonte dos amores
Dar a mão à lealdade;
Enchi o pote de rosas
Fiz a rodilha de cravos.

(Arcos de Valdevez; Nisa)

(CCP I, 582)

Fui à fonte dos amores
Dar a mão à lealdade:
Enchi o pote de rosas,
Fiz a rodilha de cravos.

 

(Cebolais de Cima, c. de Castelo Branco)

(CPP II, 226)

Fui à fonte dos amores,
Encontrei dois namorados:
Enchi a talha de rosas,
Fiz a rodilha de cravos.

(Vila do Conde; Ponte de Lima)

(CPP II,226, nota)

Fui à fonte dos amores,
Passei pela dos cuidados:
Enchi a talha de rosas,
Fiz a rodilha de cravos.

(Cebolais de Cima, c. de Castelo Branco)

(CCP I, 583)

Fui à fonte dos amores,
Encontrei dois namorados;
Enchi a talha de flores,
Fiz a rodilha de cravos.

(Vila do Conde)

(CCP I, 583, nota)

Fui à fonte dos amores,
Passei pela dos cuidados;
Enchi a talha de flores,

Fiz a rodilha de cravos.

(Cinfães)

(CCP I, 583, nota)

Fui à fonte dos amores,
Encontrei dois namorados;
Enchi o o cânt'ro de rosas,
Fiz a rodilha de cravos.

(Lamego)

(CPP II,226)

Fui à fonte p'ra te ver,
Ao rio para te falar,
Nem na fonte nem no rio
Nunca te pude encontrar.

(Lamego)

(CCP I, 583)

Fui à fonte p'ra te ver,
Ao rio p'ra te falar;
Nem na fonte, nem no rio,
Nunca te pude encontrar.

(Alandroal)

(CCP I, 583)

Fui à fonte p'ra ver Ana,
Encontrei-me com Isabel:
Encontrei-me com quem qu'ria,
Caíu-me a sopa no mel...

(Gáfete, c. do Crato)

(CPP II,226)

Fui à fonte por ver Ana,
Vinha meu primo com ela:

Adeus, primo, e adeus, Ana,
Raminho de Primavera!

(rp. ???)

Fui à fonte por ver Ana,
Vinha meu primo com ela:

Adeus, primo, adeus, Ana,

Deus te faça bem com ela.

(Gáfete, c. de Castro)

(CCP I, 583)

Fui à fonte por ver Ana,
Vinha meu primo com ela,

Adeus primo e adeus Ana,

Raminho de Primavera!

(Celorico da Beira)

(CCP I, 583)

Fui à fonte sem ter sede,
bebi água como terra
'Stava o meu amor defronte,
Atirou-me c'uma pedra.

+

a pedra era de vidro,
Toda se encheu de flores:

Agora posso dizer

Que a beber tomei amores.

(Sub. CPBA, 116, Barrancos)

Fui Bebê  a uma fônti,
Pur bàxu da bêrdi murta

Fui para bê uh teu Z ólhu,

Que a çedi não era munta
.

(Sub. CPBA, 118, Amareleja)

Fui beber à clara fonte,
Por baixo da verde murta.
Foi mais por ver os teus olhos,
Que a sede não era muita.

(Sub. CPBA, 514, Mina da Juliana, Aljustrel)

Fui beber a uma fonte
Debaixo da fresca murta.
Fui só pra ver os teus olhos,
Que a sede não era muita.

(Sub. CPBA, 514, Beja)

Fui dispor a saudade
Ao pé duma fonte fria.
Mais choravam nos meus olhos
Que a água da fonte corria.

(Ponte de Lima)

(CPP II,226)

Fui sentar-me ao pé da fonte
Para a água ver correr;
Vi correr a dos meus olhos

Para mais penas eu ter.

  Lá no monte aonde eu moro
Há uma fonte na rua:
É de lágrimas que eu choro;
Sabe Deus se a culpa é sua!

  Minha mãe mandou-me à fonte
Eu quebrei a cantarinha:
- Ó minha mãe não me bata,
Que eu inda sou pequenina.

(da Moda: Dá-me um sorriso dos teus,

Beira Baixa, EB, IV, 171)

Fui-me deitar a dormir
Ao pé da água que corre,
A mesma água me disse:
- Quem tem amores não dorme.