|
ALENTEJANEDOTAS

Tentativa
de contribuir com algo de original - sabido de todos - e de tão
velho, que já tem barbas - para conhecer melhor uma região...

Anedotas
ALENTEJANAS na Internet. Ver algumas ligações:
anedotas.aborla.net
amar-ela.com/anedotas-alentejanas
orgulhoseralentejano.paginas.sapo.pt/aned_alet
tudoben.com/diversao/anedotas/anedotas_list.asp
miguelroque.com.sapo.pt/anedotas
loucuraerisosemjuizo.planetaclix.pt/alentejanos
anedotas.rir.com.pt/anedota_de_alentejanos
portugal-tchat.com/forum/ajouter-vos-fotos-blagues-rigolottes/4952-anedotas-alentejanas

Pistas
para uma introdução...
Pistas
para um ESQUEMA - uma modesta, respeitável e discutível
opinião...
Pistas
para uma BIBLIOGRAFIA e casos polémicos...
Elementos
para mais uma REFLEXÃO ou para mais uma DISCUSSÃO...
a ver noutra PG
|
série 0 |
1ª
série |
2ª
série |
3ª
série |
4ª
série |
5ª
série |
6ª
série |
7ª
série |
|
Uma
ANEDOTA sua Estrutura para treino da oralidade
|
A/s
ANEDOTA/s das AlentejANEDOTAS |
ANEDOTA/s
para mostrar o estilo de "regatinhar" |
...
para
mostrar a ligação à Terra
|
...para
ver a lhaneza e simplicidade... |
os
Lisboetas, os inimigos do coração... |
a
esperteza saloia... |
a
lei do menor esforço... |
 
"Sábio
é aquele que se sabe rir de si próprio - conhece-se."
|
A
|
|
|
|
|
|
A
|
|
|
N
|
|
|
|
A
|
|
L
|
|
|
E
|
|
|
|
N
|
|
E
|
A
|
|
D
|
|
|
|
E
|
|
N
|
N
|
|
O
|
|
A
|
|
D
|
A
|
T
|
E
|
|
T
|
A
|
N
|
A
|
O
|
N
|
E
|
D
|
|
A
|
L
|
E
|
N
|
T
|
E
|
J
|
O
|
|
S
|
E
|
D
|
E
|
A
|
D
|
A
|
T
|
|
|
N
|
O
|
D
|
S
|
O
|
N
|
A
|
|
|
T
|
T
|
O
|
|
T
|
E
|
S
|
|
|
E
|
A
|
T
|
|
A
|
D
|
|
|
|
J
|
S
|
A
|
|
S
|
O
|
|
|
|
O
|
|
S
|
|
|
T
|
|
|
|
|
|
|
|
|
A
|
|
|
|
|
|
|
|
|
S
|
|
"É
um POVO Sábio aquele que se sabe rir de si próprio."

Pistas
para uma introdução...
Há
quem diga que os melhores contadores de ANEDOTAS sobre ALENTEJANOS
são os próprios ALENTEJANOS...
Pelo que me foi dado VER e OUVIR durante mais de 20 anos, é
mesmo verdade...
Há
quem diga que os Alentejanos não têm sentido de humor...
são demasiado infelizes e sofredores...
Claro que há... alguns... sobretudo os que até têm
pena de ser Alentejanos...
Ainda
um aspecto a salientar: o saudável virus do "contágio"...
numa roda de amigos, mesmo onde há muitos que não
são Alentejanos... mesmo onde há alguns que não
se lembram ou não sabem contar uma anedota... logo que a
"roda" começa por algum mais capaz e dotado...
é um encarreirar de anedotas que não para e pode dar
um convívio de horas e horas acompanhado de um bom petisco
e de uns bons copos... Como o Cante... Como o Baldão... Como
as Décimas... Como as Décimas Silvadas... Como o despique...
É o espírito de Competição?! umas vez
saudável, outras vezes menos...
Possivelmente,
este é um dos motivos, pelo qual as anedotas são in/catalogáveis...
ver questão levantada por A. Machado Guerreiro... Como é
que e porque é que as pessoas reagem e, ao ouvir uma anedota,
tentam "furar"...
- Ah! a propósito!... sabem aquela... - Por semelhança?...
a propósito?... qual propósito?... por contraste...
como resposta a uma provocação... por exibicionismo...
por inveja do êxito que o/s outro/s está a ter?...
para animar?... para participar?...
Ver
ainda, mais uma vez, a marca "colonizadora" duma região
que quiseram ou tentaram que fosse "colonizada"...
Dando atenção ao "determinante" da palavra
Além -Tejo, verifica-se, como em Além - Garbe... e
Além - Mar... o "ferrete" - "estigma"
da colonização... Ninguém dá um nome
a si próprio usando "ali" "além"...
nem os do Ribatejo... Poemos dizer "Eu sou do Riba Tejo..."
Ninguém pode dizer: Eu sou d'Além..." a não
ser para dizer precisamente que vem do estrangeiro e é estrangeiro...
ora ninguém deve ser estrangeiro, sobretudo na sua própria
Terra!!!... E, arrogar-se no direito de DAR um NOME... é
indício de poderio e domínio... de exploração...
Como
ja dissemos noutro lugar, não sugerimos que se mude o nome,
mas que se assuma a "marca" porventura "indelével"...

Pistas
para um ESQUEMA - uma modesta, respeitável e discutível
opinião...
que afinal, dada a presença contante das interrelações,
tanto quanto aos temas como quanto aos personagens e características
implicados em cada ANEDOTA, como ainda quanto à oportunidade
de a contar, (... a propósito, lembras-te daquela...), se
torna aleatória e daí esta divsão ser, já
em si, uma perfeita ANEDOTA... como qualquer outra...
Seguindo
a sugestão de Arnaldo Saraiva (ver nas Pistas para uma Bibliografia:
« ... a anedota pode dar um bom contributo para o estudo
de uma comunidade - suas manias e fobias, seus hábitos sociais,
seus desejos e recalcamentos, seus heróis e suas vítimas,
sua visão do mundo e do destino».
| série
0 |
1ª
série |
2ª
série |
3ª
série |
4ª
série |
5ª
série |
6ª
série |
7ª
série |
| Uma
ANEDOTA sua Estrutura para treino da oralidade |
A
ANEDOTA das AlentejANEDOTAS |
ANEDOTA/s
para mostrar o estilo de "regatinhar" |
...
para mostrar a ligação à Terra |
...para
ver a lhaneza e simplicidade... |
os
Lisboetas, como ini/a/migos de estimação... |
a
esperteza saloia... |
a
lei do menor esforço... |
Tal
como no CONTO, a Estrutura com suas: Sequências... núcleos...
indícios... informantes...
- a
linguagem como marca de umaidentidade Cultural... |
-
Quem conta mais anedotas sobre os Alentejanos?
- Os Alentejanos.
-E sobre os Lisboetas?
- ?
- Os Lisboetas Alentejanos...
-
Porque é que os alentejanos contam ANEDOTAS?
- Para se rirem (uns) dos outros...
|
A
competição...
Atão
inda no regatinhámos NADA!!!
Atão
troco com quiem?
|
Viver
ao ritmo da Natureza e das Estações do Ano é
sabedoria que a gente do "stress" já perdeu...
e chama Perguiça... |
Uma
folha A4 para um alentejano... |
Planeamento
familiar alentejano?
-
Atirar pedras às cegonhas.
E o lisboeta?...
Há
quem diga que a maioria dos lisboetas... são Alentejanos...
- Não?! Atão porque é que todos querem
lá um monte...
|
Atão
porque é que precisa de duas camas no quarto? |
Atão
na vai trabalhar?
-
Saco vazio no s'indireita...
Atão
na vai trabalhar?
-
Saco cheio no se dobra...
|
| a
da Cortiça... como modelo, ou qualquer outra |
A/s
ANEDOTA/s... das ANEDOTAS |
a
da ida para a FEIRA... |
a
dos "Beços"
a do Papa... |
a
do Puzzle |
E
os lisboetas aos Alentejanos |
Uma
p'ra dormir ca nha mulher outra ca sua... |
a
da fome... |

Pistas
para uma BIBLIOGRAFIA e casos polémicos...
Para
os que quiserem documentar-se sobre o MUNDO DAS ANEDOTAS e suas
teorias, consultámos e reconmendamos que consultem o "enciclopédico
investigador das ANEDOTAS em PORTUGAL: António Machado Guerreiro.
Nos dois volumes que teve a oportunidade de publicar pode encontrar
toda a informação ou pistas de estudo... desde:
-
"Como se faz uma recolha"
-
a Anedota e o pretenso CopyRight de algo que não tem autor
e "é de toda a gente", como as "Cantigas da
rua" é uma Anedota!.. Como é a única "coisa"
no mundo que não tem direitos de Autor há por aí
uns espertos que cobram direitos de autor pelas ANEDOTAS que não
são deles! Ah!!! Ah!!! Ah!!!.
-
a Catalogação de algo tão complexo e anárquico
como é a ANEDOTA é outra ANEDOTA aue se pode chamr
ARRUMAÇÂO... são sugeridos 17 GRUPOS, alguns
subdivididod em ribricas... Sem este disparate deixava de haver
livro de ANEDOTAS... Sem o sumo do ABSURDO... do "non sense"...
da ESTUPIDEZ... do Trocadilho... etc. não há ANEDOTA...
Claro
que o decidir incluir nesta TEIA um ESPAÇO para as ANEDOTAS
e para as ANEDOTAS de e sobre ALENTEJANOS é porque nos interessa
especialmente a chamada de atenção que A. Machado
Guerreiro faz, citando Arnaldo Saraiva in Jornal de Notícias
12.07.1988: «Há mais de um ano me ocupei de anedotas,
espécie literária tão popular quanto desprezada
pelos estudiosos"... e mais adiante: « ... a anedota
pode dar um bom contributo para o estudo de uma comunidade - suas
manias e fobias, seus hábitos sociais, seus desejos e recalcamentos,
seus heróis e suas vítimas, sua visão do mundo
e do destino».
Livros
consultados:
GUERREIRO
A. Machado - ANEDOTAS - Contribuição para um Estudo,
Editorial Império, Lisboa, 1986, 736pp.
GUEREIRO
A. Machado - LIVRO DE ANEDOTAS - (da inocente à indecente)
Textos. Comentários. Edições Colibri, Lisboa,
Maio de 1995, 378.pp.
CHESTERTON,
G. K. - DISPARATES DO MUNDO - Tradução e Prefácio
de José Blanc de Portugal, Livraria Morais Editora, Lisboa,
1958, 208 pp.
DANINOS,
Pierre - A VOLTA AO MUNDO DO RISO, Tradução de a.
dias Costa, Livraria Bertrand, s/d (1958), 356 pp.
Nota
- em especial nos dois primeiros, encontrará a BIBLIOGRAFIA
e as PISTAS suficientes para o satisfazer.

A
vaca - Temos feito grandes progressos, meu filho: antigamente, as
autoridades sanitárias mandavam abater a tiro todos aqueles
que contraíam a febre aftosa.
O vitelo. - E agora?
A vaca - Agora contentam-se em os levar para o matadouro.
[Novidades]
"É
um POVO Sábio aquele que se sabe rir de si próprio."
"Sábio
é aquele que se sabe rir de si próprio"

série
0
Uma
ANEDOTA para ver sua Estrutura Narrativa e para treino da oralidade
UM
ALENTEJANO EM LISBOA com o DINHEIRO da CORTIÇA:
Um
alentejano, que tinha e vendia cortiça, resolve um dia mandar
o filho depositar o dinheiro, no banco, a Lisboa.
Este pega num taçalho de pão com linguiça,
monta no seu burro e lá vai para Lisboa.
Chegando
a Lisboa, visto estar cheio de fome, senta-se, na relva, junto do
Marquês de Pombal, a comer o seu taçalho de pão.
Por ali, andavam dois ardinas a vender jornais e apregoavam:
- óóólhó sééééééclo
(Olha o Século)...
- é u diáááário d'notíííííííícias
(É o Diário de Notícias)...
O nosso bom alentejano, mal ouve isto,
pega
nas suas coisa monta-se no burro e lá vem ele a caminho do
Alentejo.
Quando chega a casa, o pai pergunta-lhe:
- 'tão filho! porque foste tão depressa? O banco stava
fechado?
- cal banco! cal quê? atão um home vai a Lisboa, assenta-se
a comer o seu taçalho de pão cum linguiça,
muto descansado, vêm logo dois homes e gritam:
- óólhó, cerquem-no... óóólhó
céérquem-no ...é o d'nheiro da cortiça...
ele tem o dinheiro da cortiça...

PISTAS
PARA UMA ANÁLISE ESTRUTURAL DA NARRATIVA
a partir desta pequena anedota:

Para
os que se dedicam à ANÁLISE ESTRUTURAL DA NARRATIVA
ou pensam que isso pode ter algum intresse, resumimos AQUI:
| Sequências: |
Catálises
- Informantes - Indícios: |
Seq.
1 - Um alentejano... manda o filho... este vai para Lisboa
núcleo 1 - resolve mandar o filho...
núcleo 2 - o filho monta o burro...
núcleo 3 - e vai para Lisboa. |
C1.
Um alentejano écaracterizado - vendia...
Inf. Um dia... Banco... Lisboa...
Ind. Cortiça (símbolo $)... taçalho de
pão (comida, uso, modo de ser)... vai de burro (uso,
contraste) apressadamente...
|
Seq.
2 - Em Lisboa... senta-se... e come... e ouve... e parte...
núcleo 1 - Chegando a Lisboa senta-se a comer...
núcleo 2 - ouve os ardinas que apregoam os jornais...
núcleo 3 - monta-se e regressa rapidamente. |
C1/2
- Chega... senta-se... vê/ouve 2 ardinas que por ali andavam...
Inf. Lisboa... Marquês (relva)... ouve e parte de LX pata
Al
Ind. A estátua e a relva (Lx outro Mundo mas com relva)...
o taçalho de pão (usos de uma Cultura) e... ardinas...
Século... Diário de Notícias... (s. de
outra cultura) Burro para fugir... Alentejo como refúgio... |
Seq.
3 - Chega a casa... o pai pergunta... o filho responde...
núcleo 1 - Viagem de regresso e chegada a casa...
núcleo 2 - o pai espantado pergunta o que se passou...
núcleo 3 - o filhos responde porque teve de fugir. |
C4/5
- Chegada a casa... Inquirição e Prestação
de Contas...
Inf. casa no Alentejo... pai que pede explicações...
e mostra espanto da pressa...
Ind. Banco fechado... descanso e comida... ardinas (2 homes)...
Século = cerquem-no... Diário de Notícias
= Tem o dinheiro da cortiça. |
MODELO
ACTANCIAL
|
ADJUVANTE
|
SUJEITO
|
OPONENTE
|
|
|
1.
Pai manda
|
|
|
Burro
- Filho
|
2.
Filho vai
|
Ardinas
Nomes Jornais
|
|
Burro
- Filho
|
3.
Filho foge
|
Casa
longe
|
|
DESTINADOR
|
OBJECTO
|
DESTINATÁRIO
|
|
Pai
Juiz: decide, manda, pede contas
|
o
BANCO
o $ a render
|
Pai
/ Filho
os ALENTEJANOS
|
|
Salientar
7 SIGNOS
SÍMBOLOS - ÍCONES - ÍNDICES - INDÍCIOS...
1.
A cortiça - de riqueza e segurança...
2. Taçalho de pão e chouriço - a alimentação
típica mesmo para um Alentejano rico...
3. o Burro - o meio de transporte adequado ao estilo de vida,
não às funções do caso...
4. o Marquês - a estátua - o tamanho - a relva...
O Mundo diferente- Lisboa - a altura - a grandeza - o domínio,
o oposto do Alentejo mas com a relva em comum...
5. Ardinas e Jornais o nome dos jornais... e o que ele ouve
- a acumulação de outros sinais complementares
do anterior, símbolos de outra Cultura, do diferente,
do desfasamento...
6. o BANCO - distante... Outro Mundo, mas símbolo de
outro estatuto que se deseja, mas de um Mundo Cultura diferente...
7. O Alentejo - A Casa - o Pai... a Terra... a Segurança...
a Autoridade... Um Universo - Uma Cultura diferente.
|
Para
além destas PISTAS, se pegarmos nos DETERMINANTES - como
o AQUI no ALÉM TEJO... e em ISOTOPIAS, por exemplo o nome
dos jornais: Século que pode indicar o tempo... 100 anos...
um tempo que nunca mais acaba... DIÁRIO que desde medida
de tempo é nome indica algo de regular e frequente... habitual...
acessível... NOTÍCIAS: do significado literal a nome
de jornal... Podemos seguir por cada SIGNO seus SIGNIFICANTES e
SIGNIFICADOS literais e simbólicos... aplicar por exemplo
a cada um dos 7 ÍCONES inventariados...
Pistas
para exercício oral:
Mentalizar o Ambiente que se quer cómico dentro da seriedade
do ridículo...
Memorizar as 3 Sequências com 3 Núcleos cada - ver
ESQUEMA!!!
NADA
MAIS SIMPLES PARA SE TORNAR UM EXÍMIO CONTADOR DE ISTÓRIAS...

1ª
série
A/s
ANEDOTA/s das AlentejANEDOTAS
| |
-
Porque é que os alentejanos contam ANEDOTAS?
- Para se rirem (uns) dos outros... |
|
| |
-
Quem conta mais anedotas sobre os Alentejanos?
- Os Alentejanos.
|
|
| |
-E
sobre os Lisboetas?
- ?
- Os Lisboetas Alentejanos... |
|

2ª
série
ANEDOTA/s
para mostrar o estilo de "regatinhar"
Como resposta à solidão e isolamento
em que alguns vivem?
Para mostrar o estilo aciganado de queda para o negócio...
Pura e simplesmente o exercício da Função Fálica
da Linguagem e da Comunicação?...
O
ALENTEJANO QUE VAI À FEIRA
(Esta e a seguinte são de Narrativa longa
não recomendáveis como ANEDOTAS típicas que
se quer curta e com desfecho inesperado. Estas servem só
para tentar mostrar um aspecto mais ou menos velado, talvez de uma
herança ou certa marca do convívio bastante frequente
com o Povo Cigano... ou como se comenta noutro lado - a necessidade
de enfatizar a Função Fálica da Comunicação
e Contacto, para quem passa longos períodos em absoluta Solidão...)
Alentejano
na feira... Atão que é que ia fazer à feira,
sem o burrico para regatinhar? A NECESSIDADE DO JOGO E DA COMUNICAÇÃO...
Esta
dum alentejano é mesmo verdade que eu conheço as pessoas.
passou-se com o pastor António Verdasco que era ali de Baleizão
e tinha um grande rebanho a meias com o patrão... bem feitas
as contas já era mais dele que do patrão pois ele
é que sabia das voltas e das trocas, e por causa do vivo,
ali tinha a vida presa sem domingos nem dias de semana nem friados
que isto os animais são com'a gente e comem todos os dias
e são uma carga de trabalhos... eram dias, semanas, meses
a fio lá no monte e pelos campos quase sem ver mais ninguém
e sem poder uma hora de seu...
Tamén
era demais! e pela feira de Beja, até o patrão já
sabia... arranjava um moço por conta e abalava de madrugada
cedinho a caminho da feira montado no gerico que tinha lá
para os avios... duma vez que tinha uma burra lá para o avio,
veio amontado na burra e, à ilharga, trouxe a cria que ela
tinha parido...
Ainda
não ia por altura das Neves e passou-lhe pela frente o carro
dum lavrador ali das redondezas que logo à frente parou com
grande barulho de travões... Lembrou-se que o feitor lá
da herdade lhe tinha dito que fazia falta lá um jerico para
o pastor deles e para certos trabalhos que andavam sempre enrodilhados...
Na pressa, esperou pacientemente pela chegada do trio... Ora ali
estava a solução. Em vez de andar por aí à
procura e ter de ir comprar aos ciganos!... Estava lá agora
para essas maçadas!... O pastor que reparou naquilo abrandou
mais o duo... Que diabo quer o lavrador?! anda sempre tão
apressado que nem tem tempo para dar a salvação à
gente!!! Será que nos quer levar a todos três naquele
carro tão bonito'!!!
Chegam-se á fala e:- Bons dias, pastor... Ah! é o
Ti António Verdasco! Ora quem!... ia dizendo o lavrador a
ver se apressava.
-Bons dias, lavrador. - respondeu o ti António chegando-se
e parando.
-Atão o rebanho do patrão, ...a medrar e de boa saúde?
-Lá anda com'ó meu que vai de saúde e lá
vai medrando..., sim senhor.
-Ah! o seu também é grande?
-Se o do patrão é grande, o meu também é
grande sim senhor.
-Bem. 'Stá bem. Mas eu queria era outra conversa. Tem aí
uma bela burra!?
-Tenho sim senhor. É ela que me faz os carregos e hoje é
o meu transporte p'rá feira sim senhor.
-Ora era isso mesmo. Lá o Virgílio precisava lá
um assim p'ró pastor lá da herdade e p'ralgum seriço
no monte... era mesmo isso que a gente precisava...
- Ah! mas a burra no se vende que é o mê arrimo e as
minhas pernas, lavradore... Inda o burricalho era com'o outro que
se me der... inda o vendo lá na feira... vou cá com
essa fezada...
-OH! homem, eu compro-lho já. Pra que vai gastar tempo e
passadas lá na feira... Quanto é que vai pedir por
ele?... Acertamos aqui as contas e já tem ganho o dia e pode
voltar para trás...
-Ah! isso no sei lavradore... não sei o que estão
lá a pedire... mas ê vou começar aí pelos
mil... mil e ...
-Eh! pastor, no se fala mais nisso. Eu dou-lhe já mil e quinhentos
e fica o negócio fechado... e digo ao Virgílio que
mande lá por ele... - E nisto ia tirando o dinheiro e abrindo
a porta do carro para o pastor no ter que desmontar... quando esbarrou
com uma barreira intransponível...
- Tenha lá paciência, ó lavradore, mas assim
no pode seri... Atão inda no regatinhámos nem nada!!!
E ós pois O QUE É QUE EU IA FAZER LÁ NA FEIRA?
(Lá
se ia todo o encanto e magia de IR À FEIRA acalentado e amadurecido
durante um ano em que era a única diversão para o
pastor sair da sua solidão dos dias todos iguais e sempre
presos... Todo aquele tempo sonhou, inda antes do burrico nascer,
que naquele ano ia passar pela feira amontado na burra mai-lo burrico
á ilharga... e aquela gente toda a olhar... passar por ali
por entre a gente e depois descer até à feira do gado
e dar a volta com as suas alimárias... beber-lhe uns copos
e comparar os seus com os restantes que enchiam a feira... e ouvir
os comentários... Eles sabem-na toda... eles vão desfazer
nos meus e cantar loas aos deles... mas se fossem bons na nos iam
a vender o que eles queriam sei eu... e ficar ali a ouvir e falar...
que a falar é que a gente se intende... e depois discutir
e regatinhar entre mais dois copos de três... e quanto é
que havia de valer e não havia de valer... e até óspois
se lhe desse na telha nem o vendia nem nada... e à noitinha,
todo derreado e feliz, enevoado numa divina bebedeira, lá
voltava a caminho de Baleizão, que isto um dia no são
dias e... pró ano há outra feira... e até pode
ser que este ano inda vá á de Castro pró S.Miguel,
ou á do Alvito prós Santos!
E
óspois, o que é que lá ia fazer à FEIRA?

Alentejano
no comboio.
Trocava
com quêim?
SOLIDÃO... A NECESSIDADE DE REGATINHAR... DO JOGO... DA COMUNICAÇÃO...
O
ALENTEJANO NA CARRUAGEM (ou autocarro) VAZIA - TROCAVA COM QUEM?
Dia
de chuva. Um alentejano embarca no comboio, em Beja, que vai para
o Barreiro. Entra numa carruagem completamente vazia e senta-se
no lugar que viu mais a jeito. Além de chover está
bastante frio e ele embrulha-se muito bem na capa larga com gola
de boa pele. Continua a chover torrencialmente. Agasalha-se ainda
melhor e já quase dorme quando o comboio parte.
Entretanto,
mesmo por cima do seu lugar começa a pingar. Dentro em pouco
é uma goteira quase em fio. Aconchega-se ainda melhor na
capa e lá segue as três horas de viagem meio adormecido
pelo rolar e pelo barulho do comboio.
Já muito perto do Barreiro, aparece finalmente o revisor
naquela carruagem perdida...
- Atão aqui sozinho, homem? - Atão!? - O sê
bilhete?...
E o nosso alentejano, serena e lentamente, sem se desencostar, começa
o penoso trabalho de encontrar o bilhete, procurando vagarosamente
por tudo quanto é sítio parecido com bolso ou coisa
que o valha. Finalmente encontra-o e mostra-o pacientemente ao revisor
emergindo a custo a mão por entre as dobras da capa completamente
encharcada...
O
revisor. Trrrac... Trrrrac... - primeiro a obrigação...
-
Tudo em ordem. Aqui tem o seu bilhete. Mas ó homem... estive
aqui a reparar. Atão não vê que vai aí
todo molhado?
-
Atão que quer? Até no comboio chove! Pinsei qu'era
só lá no mê monti!
-
Mas, ó homem, atão não vê que só
chove aí nesse lugar onde se sentou e o resto está
tudo vazio! Porque é que não trocou de lugar?
-
Porqui'é que nu troqui? E trocava com quêim?

O
Baleizoeiro - e o da bicicleta...
(Esta já revala mais a "cumplicidade" - a "fidelidade"
aos próximos)
Estavam uns compadres à porta dum café em Baleizão
a ver quem passa e, nos entretantos entra na curva lá em
cima um ciclista com ar de turista que não é ali conhecido...
Desmonta
da bicicleta, encosta a bicicleta à porta do café...
Dá a salvação e entra para tomar uma cervejinha...
Paga...
Sai. E quando vai pegar na bicicleta verifica que não tem
roda da frente...
Aflito e espantado pergunta aos dois compadres:
- Então vocês não viram que me roubaram a roda
da bicicleta...
- Oh, amigo, tenha lá calma e não esteja aí
com suspeições...
Atão nós no vimos muto beem... Quando mocê deu
a curva lá em cima já na traziaaa...

3ª
série
A/s
ANEDOTA/s... para mostrar a ligação à Terra
o estilo de vida ligado ao tempo e ao ritmo das Estações...
O
ALENTEJANO E O PRETO (P'los BÊÇOS).
Amonta-se
um alentejano no comboio que vai de Beja até ao Barreiro
e logo na sua frente pranta-se um preto. Nem "bom-dia",
nem "salvo seja"... só se cumprimentam com um rápido
olhar como quem diz "Olá"... "Pois então
faça vocemecê muito boa viagem aí muito bem
assentado que eu por aqui também faço tenção
de fazer querendo deus, queira..."
E
lá seguiram...
Pára
aqui...Pára acolá... Já lá vai Cuba...
Já lá vai Vila Nova da Baronia... Já passaram
a Casa Branca...
Aqui mudam os passageiros que se destinam a Évora e outras
direcções... Nem uma palavra... e o alentejano sempre
a olhar, a olhar... ora directamente, ora de soslaio para não
dar tanto nas vistas...
Chegam
enfim ao Barreiro depois de três longas horas de minuciosa
observação... À saída...
- "Faz favor..."
- "Faz favor..."
- "Ora até uma outra vez..."
E, já cada um com o seu saco na mão a caminhar para
o seu destino, dirige-se o alentejano ao preto e pergunta:
-
? Desculpe lá amigo, mas tenho vindo toda a viagem a observá-lo...
Diga-me lá uma coisa: Você é preto nu éi???
- Que pergunta meu amigo. Eu sou preto, sim senhor. Então
não se vê logo? Olhe bem para mim!? Ah sim, já
tinha arreparado. Logo me quis parecer, pelos bêços.
O
da Cuba de burro... e o emigrante com o carro de 40 cavalos...
Vai
o ti Manel no sê descanso, no fim de um dia de trabalho, amontado
no seu burrico pela estrada fora que vai dar à Cuba... Num
repente aparece o Tónio que ainda o ano passado emigrara
para a Alemanha ao volante de um quarenta cavalos...
- Bos'tardes, ti Manel... Atão como vai tudo cá pela
nossa terra...
- Cá vai andando sempre com o mê burrico para diante
e p'ra trás...
- Olhe bem p'ra isto, homem!!! Um ano de emigra e tenho aqui um
quarenta cavalos!!!... Até mais logo. Logo nos vemos na venda
que vou mostrar esta máquina lá a todo o pessoal...
E
arranca a toda a velocidade, deixando o pobre burro espantado e
a cuspir a poeira que s'alevantou...
Andando, andando, lá vai adando o ti Manel até que
entra na curva antes da ribêra...
Chega
à beirinha da ponte e o que houvera de ver... O carro do
António esbarrado, no meio da água... Ainda vai a
parar mas, compreendendo, de repente, Sauda-o com grande aceno cá
de cima:
- Atão compadre, a dar de beber ó gado!!!
O
alentejano e as festas.
ESTRALA A BOMBA
E O FOGUETE VAI NO AR.
ARREBENTA, FICA TUDO QUEIMADO...
NO HÁ NINGUÉM, QUE BALHE MAIS BEM
C'AS MENINAS DA RIBEIRA DO SADO...
E AS MENINAS DA RIBEIRA DO SADO É QUE Éi
LAVRAM A TERRA C'AS UNHAS DOS PÉiS...
E AS MENINAS DA RIBEIRA DO SADO SAN COM'AS OVELHAS
TÊM CARRAPATOS ATRÁS DAS ORELHAS!!!
(Cantada pelas alunas que tiravam o curso de Educadoras na escola
do Magistério Primário, Beja, em 1985... Fica como
registo de linguagem fortemente agarrada à terra...)

4ª
série
A/s
ANEDOTA/s...para ver a lhaneza e simplicidade...
Há quem lhe chame "estupidez natural"
ou até burrice crassa ou congénita...
| |
A
Folha A4
- Sabes o que é uma folha A4, dobrada ao meio, para um
alentejano...
- ??? !!!
- Um puzzle! |
|
| |
Os
da Cuba e o comboio suado... a manta...
Na
Cuba, nunca perguntes pela manta a algum habitante desta simpática
terra pois pode ser tomado como ofensa...
Consta que no dia da inauguração da Estação
do Caminho de Ferro, quando o comboio ali parou pela primeira
vez, entre os foguetes e as festas com grande multidão
a ver os que viajavam... ao verem todo aquele vapor a sair da
máquina... o maquinista aproveitava a pausa para aliviar
a pressão... o Presidente da Junta gritou para os ajudantes:
- Ei, pessoal, tragam a manta para botar em riba da alimária
que está toda suada!!!
E lá foram pressurosos cobrir a máquina que resfolegava!!! |
|
| |
Os
da Cuba e o comboio que matou metade do rebanho...
Conta um pastor, ali da Cuba, as suas desgraças
para o outro pastor...
- Atão na quer lá ver o mê compadre... Vinha
ali com o rebanho a atravessar a linha... veio o comboio e matou-me
metade do rebanho!!! Isto é que são uma vidas!!!
- Eih! compadre no steja aí tão desmorecido por
nada... Olhe que se o bicho viesse de atravessado, inda matava
o rebanho todo... |
|
| |
Os
Alentejanos depois da seca...
O que é que os alentejanos haviam de esperar depois da
seca?
Ora pois! Esperam que as vacas dêem leite em pó... |
|
| |
Alentejano
pós operatório.
Um doente com um cancro no cérebro é internado
de urgência e a equipa médica decide que precisa
de cortar cerca de um terço para que o cancro seja erradicado.
No meio da confusão, ninguém teve tempo de perguntar
quem era e donde tinha vindo... Por erro de cálculo o
paciente vê-se privado de dois terços!!! Pânico
na equipa. Ao acordar o cirurgião cumprimenta o paciente:
- Ena! A operação correu bem, você está
vivo!!!
- Atão na ouvera de'star!!! |
|
| |
Os
alentejano e o Cristo-Rei.
Dois alentejanosque
regressavam de uma visita a Lisboa passam pelo monumento e dizem:
- Olha Jaquim a altura disto... a figura que isto metia lá
na nossa planície...
- Metia mesmo vista.
Vai daí, tiraram os casacos e começaram a empurrar.
Dois garotos, ali do Pragal, ao verem aquilo, apanharam os casacos
e fugiram para roubarem o dinheiro.
Passado um tempo, os alentejanso param para descansar e olham
para trás onde tinham posto os casacos e... - Ena compadre
o que nós já andámos! Já nem se
vêem os nossos casacos. |
|
| |
Os
alentejano e o Cristo-Rei.
Dois alentejanos passam na Ponte para se dirigirem para Casa...
Para passarrem para Além...
-
Eh! cumpadre já olhastes bêemm!... Isto no é
mesmo um desprezo que até corta a alma!!! Até
o Cristo Rei viraram de costas lá pra nossa terra,
home!!! Quanto mais os do Governo! Puxa!!!
|
|
| |
O
alentejano "Zé Nabo" vai a Lisboa e verifica
que toda a gente o conhece.
- Olha, Bia, co dinheiro da colheita deste ano já podemos
comprar um carro e vou experimentá-lo a Lisboa. Vou ali
c'o vezinho Blézinho que conhece aquilo bem. No t'assustes
qu'a gente volta!
Mal entraram na confusão da ponte:
- "Chega p'raí ò seu Nabo..."
No Marquês:
- "Olha-me pr'aquele Nabo!"...
Na Avenida:
"Oh seu Nabo, não sabe ir na sua fila!!!..."
Volta ao Alentejo e conta à mulher:
- Vês, fui a Lisboa e vi que toda a gente me conhece...
- AH! sim? Ê quero lá ir contigo... Se calhar tamén
me conhecem a mim!!! ...e foram. Desde a ponte, a mulher pôde
verificar como todos o conheciam até que na Praça
de Espanha um trocou o "Seu Nabo" por "Filha
da..." - Ah! ? disse a mulher ? o que no me tinhas dito
é que também conheciam a tua mãezinha! |
|
| |
O
alentejano compra um carro em Lisboa... e vai botar figura...
Com dinheiro vivo no bolso, o cumpadre corre tudo o que é
istande de bons carros e lá se decide por um boca de
sapo. Todo contente, depois de atravessar a ponte pára
na primeira zona de descanso e descansa.
Passado um pouco, vai entrar e vê o carro todo amochado
rentinho ao chão.
- Ora esta?! Inda nem cheguei à terra e já está
o bicho estragado!!! Puxa do "portátel" e telefona
para o istandard onde os vendedores rebentam a gargalhada...
- Ê vou voltar atrás e cantá-las bem cantadas!!!
E... telefona para a família a dizer que já não
chegará nesse dia...
- Nem penses homem... Nem és home nem és nada
se não chegas aqui dentro de cinco horas... 'Stá
aqui a aldeia toda à espera e se no apareces é
porque é um pelintra... e porque torna e porque deixa...
O homem decide arrancar para a terra e durante cinco horas deu
voltas à cabeça...
Chega a aldeia. Há foguetes e vivas... Uma roda de povo
nas ruas e na praça... o presidente da Junta está
para o cumprimentar... Sai todo impante e antes dos cumprimentos,
bate a porta, e ordena ao carro:
- "Dête-se". |
|
| |
O
alentejano repentista
... visita o rico lá da terra de origem duvidosa e fortuna
misteriosa. Vê tudo o que lhe mostram: os grandes corredores,
aquelas luzes todas, os quartos... e finalmente bebem um copo
na sala nobre onde estão pendurados os quadros dos notáveis
da família. Chega cá fora e os companheiros das
farras não o largam para saber novas daquela visita tão
insólita.
E ele:
DO HOMEM QUE DIZ SER FILHO
TEM O RETRATO NA SALA;
MAS DA PUTA QUE O PARIU
NÃO TEM RETRATO NEM FALA.
(Esta tem nomes e a casa é conhecida de todos... O
Zé Luís... é que a sabe completa... Parece
que é atrinuída ao Poeta Popular Francisco Ramos
que foi contemporâneo e rival do Ti Inocêncio de
Brito, de S. Matias...) |
|
| |
O
alentejano e os antropófagos, num concurso da TV.
Num célebre concurso do Artur Agostinho na TV, depois
da selecção apertada resta um alentejano para
ganhar o último prémio.
Pergunta:
- Para ganhar este fabuloso prémio, basta responder a
esta pergunta:
Como é que se chama o homem que come outros homens?
- Alô, Alô, Vidiguêra, Já ganhi! É
paneleiro!!!
Artur Agostinho desesperado:
- Lamento mas perdeu! |
|
| |
O
alentejano e as sobras.
No fim de um lauto repasto, sobra uma iguaria que ninguém
quer ou uma bebida! Alguém se sacrifica a aproveitar
e comenta:
- Se há-de ir p'rós porcos!!! |
|
| |
O
alentejano e o limpa pára brisas.
- Porque é que, no Alentejo, foram proibidos os carros
com limpa pára brisas atrás?
- Porque havia muitos alentejanos que passaram a conduzir de
marcha atrás. |
|
| |
O
Alentejano e com um RÁDIO portátil, que tem
AM e FM:
- Atão cumpadre, o sê rádio tem aí
umas letrinhas: AM e FM... Pra que raio serve essa coisa?...
- Atão vmc. qué tão esperto, no sabe?
AM é Antes de Mértola... FM é Fora de
Mértola!!!...???
|
|
| |
O
Alentejano e com um RELÓGIO, que tem AM e PM...
- Atão vmc. qué tão esperto, no sabe? AM
é Antes de Mértola... PM é PRA Fora de
Mértola!!!...???
|
|

5ª
série
A/s
ANEDOTA/s... para mostrar os Lisboetas, como ini/a/migos de estimação...
os "queridos inimigos" e vice/versa...
| |
-
Sabes como é que os Alentejanos fazem o Planeamento familiar?
- Atão n'avera de sabere!!! Atirarando pedras às
cegonhas....
- E os lisboetas?...
- Homessa?!!! Atirando pedras ós Alentejanos... |
|
| |
-
Há quem diga que a maioria dos lisboetas... são
Alentejanos...
- ??? !!!
- Ah Não?! N'acreditas?? Atão porque é
que todos dizem que têm lá um monte... ó
andam mortinhos por lá ter um...! |
|
| |
-
Quem conta mais anedotas sobre os Alentejanos?
- Os Alentejanos. |
|
| |
-E
sobre os Lisboetas?
- ?
- Os Lisboetas Alentejanos...
Sim porque a maior parte dos lisboetas são Alentejanos
e os outros... uma grande parte, parece que sejam filhos deles... |
|
| |
-
Porque é que os Lisboetas gostam do Pão Alentejano?
- Porque na lhes deu trabalho nenhum a fazeriee...
- Atão e porque é que os Alentejanos gostam do
Pão alentejano?
- Porque no dá trabalho ao estômago e assim já
podem trabalhar mais um bocado pra fazer mais pão prós
Lisboetas... |
|
| |
O
alentejano pós operatório.
Tiraram parte do cérebro a um alentejano para evitar
que a cancro alastrasse. No lugar, para não ficar deformado,
os médicos meteram tripas e trampa que tinham ali à
mão. Que é que ficou? Um lisboeta. |
|
| |
O
alentejano e as alcunhas.
Avisaram aquele lisboeta que estava de abalada para visitar
uma aldeia no alentejo, para ver se...
Dizem que os alentejanos, lá da outra aldeia por onde
tens de passar, pôem alcunhas a todos os de lá
da terra e até a quem por lá passa.
- Ah! sim. Então eu vou de volta, diz o lisboeta.
Daí em diante todos conheciam aquele lisboeta. Era o
"VOU DE VOLTA"! |
|
| |
Pinguins
no Alentejo?!
Dois lisboetas num duzentos cavalos correm a caminho do Algarve...
Às tantas, ouve-se um barulho e diz o condutor:
- Ena pá, acho que atropelei dois pinguins!!!
- Ó homem, tu estás doido?!! Não vês
que estamos a atravessar o Alentejo?!!!
- Eiii! Queres ver que matei duas freiras! |
|
| |
O
alentejano e os antiquários de Lisboa.
Um desses lisboetas, coleccionadores de raridades, passa no
Alentejo e numa aldeia perdida entra numa taberna e vê
um gato a comer num prato de barro que lhe pareceu uma coisa
única e que lhe daria bom dinheiro. Come bem. Paga melhor
e ainda com a gorgeta na mão:
- Já agora podia oferecer-me ou até dar-me aquele
caco onde come o gato.
- Sabe, mê senhor, ê até lho dava mas o gatinho
que está habituado só a comer naquele caqueiro!
Que se há-de fazer? Lá morria o gatinho.
- Mas eu compro-lhe o gato e trato-o muito bem... e vai de oferecer
mais e mais...
Negócio fechado, mê senhor. Leve lá o gato
que é esse o preço, o prato fica aí pois
com este, já são trinta e cinco gatos que eu vendo
a papalvos como você! |
|
| |
O
alentejano que chega a Lisboa
... desembarcado do vapor que passa o Tejo sai-se com esta lengalenga:
NO RESSIO, ENFIO
CUM DESIMBARAÇO;
LOGO ME PRANTI
NO TERREIRO DO PAÇO.
FOI ATÃO QUE VI
E QUE PUDE OBSERVÁ-LO
UM HOME DE CHUMBO
EM RIBA DUM CAVALO!
(Contada
por uma Professora em Mértola, em 1985...) |
|
| |
O
alentejano pastor e o turista lisboeta.
Está um pastor no seu descanso a tomar conta do gado
e pára um turista para meter conversa.
- Quantas vacas (ovelhas) é que tem este rebanho?
- Ora vo(ce)mecê que está interessado pode botar-se
a adivinhar!...
- Olhe deve Ter aí umas 434.
- Ena! mê senhor, é mesmo certo. Nem mais uma nem
menos uma. Como é que adivinhou?
- Ora foi só contar as patas e dividir por quatro!!!...
- Pois muito bem, mas tem de concordar que era mais simples
contar os cornos, que estão ao alto e dividir por dois!!! |
|
| |
O
alentejano pastor e o turista.
- Por onde vai esta estrada?
- Esta estrada não vai para lado nenhum que a gente precisa
dela aqui. |
|
| |
O
alentejano pastor e o turista.
- Ó ti Manel para onde vai esta estrada?
- Como é que você sabe que eu me chamo Manel?
- Basta olhar para a sua cara e vê-se logo que tem cara
de Ti Manel!
- Pois atão olhe bem para as trombas da estrada que vê
logo pra donde é que ela vai. |
|
| |
O
alentejano pastor e o turista.
Um casal de alentejanos apascentava calmamente uma vara de porcos.
Para render mais a engorda, pegavam nalguns porcos mais pequenos
e levantavam-nos até aos ramos dos chaparros para poderem
comer as boletas...
Pára
uma família de turistas que se demora a ver a cena...
e o pai de família, passado algum tempo, não se
conteve e sugeriu:
- ? Olhe lá, não era melhor abanar a árvore
ou bater as bolotas com a vara? Caiam no chão e os porcos
podiam comer mais e sem tanto trabalho!...
- ? Mulher, 'stás ouvindo? Estes devem ser ingenheiros!!! |
|
| |
O
alentejano pastor e o turista.
Estava então um pastor alentejano encostado a um sobreiro
e olhar pelo gado...
Pára um carro donde sai uma grande família de
estrangeiros...
- Estão a ver, - diz o pai - esta é a árvore
da cortiça da qual se fazem as famosas rolhas!!!
- ? Mas paizinho, onde é que estão as rolhas?
- e partem.
O pastor a remoer...: Tal 'stá a moenga, hen! |
|
| |
A menina
vedeta e o pastorzinho Alentejano...
Esta é mesmo verdade!!! - Pára
o carro... dá dois dedos de conversa... se possível
tira uma fotografia... e depois... vai "cantar"
prós amigos... em Lisboa...
|
|
| |
O
turista estrangeiro no Alentejano...
Esta é mesmo verdade!!! Vem... gosta muito
do Alentejo... até namora umas Alentejanas... depois
compra um Monte... e depois ensina os Alentejanos como é
que devem ser os Alentejanos... |
|

6ª
série
A/s
ANEDOTA/s... para mostrar a esperteza saloia...
ou a capacidade de resposta pronta e adequada de
quem não se estaria à espera...
| |
Quarto
com duas camas...
- Atão, cumpadre, porque é vmc que precisa de
duas camas no quarto?
- Atão!!! Uma é pra dromir ca nha Senhora e a
outra pra dromir ca sua...
(Claro que a pergunta pode ser feita por um Lisboeta). |
|
| |
E
se na Cuba não se pode pedir uma manta... em Aguiar não
se pode perguntar as horas...
Conta-se que depois das obras demoradas e muito caras da igreja,
o povo de tão simpática terra passou um ror de
tempo a ser cerrazinado pelo prior lá da terra para abrirem
mais uma vez os cordões à bolsa... e contribuírem
generosamente para comprar os sinos que tanta falta faziam para
completar aquela bela obra... Os anos passaram... As esmolas
lá iam caindo... caindo... Mas de sinos nem notícia...
Até que por zangas ou andanças o prior foi mudado
de freguesia...
Revolta do povo... protestos ao bispo... grandes ajuntamentos...
Ameaças... Ainda por cima foi-se imbora co dinheiro dos
sinos!!!...
Até que um dia chegam à terra uns caixotes enormes
puxados por umas valentes juntas de bois... Ajuntamento geral...
São finalmente os sinos... Aquele prior dum c., sempre
sentiu vergonha e lá nos mandou aquilo que nos pertence...
Corre a voz por toda a terra e, com os homens no campo, as mulheres
é que fazem todo o alarido... cada uma deitando contas
à esmola com que a família tinha contribuído...
- Eu
também lá tenho parte...
- Ê 'inda tenho mais que só da nossa parte demos
pelo menos o dobro...
- Olha, olha... a minha 'inda é maior que demos mais...
e lá foi correndo a conversa até que o pessoal
das juntas dos bois descarregou a encomenda e lá foi
à vida... Logo apareceram as autoridades e os grados
da terra para abrirem os caixotes com todos os devidos cuidados...
Salta a tampa dos dois enormes caixotes quase ao mesmo tempo
e o que é que sai de lá? Uma quantidade enorme
de grandes e rijos cornos...
- Olha, Bia, aqueles mais ramalhudos devem ser a tua parte!!! |
|
| |
O
Alentejano que tinha três testículos...
Um dia um alentejano lá se deixa de vergonhas e vai ao
médico... Para espanto de ambos, depois de observar cuidadosamente,
o médico anuncia ao nosso homem...
- É estranho, mas não será caso de morte,
homem!!! Esse mal que o atormenta é só um caso
raro da natureza... Você tem três testículos!!!
O nosso homem lá abalou conformado e até um tanto
vaidoso por ter alguma coisa mais que outros... e, sem querer
falar muito no assunto, claro, não ia por aí anunciá-lo
aos quatro ventos, mas um dia não se conteve... Ia no
comboio mesmo ao lado de outro compadre e não tinham
mais assunto de conversa... Meio atrevido, meio envergonhado
atira para o outro:
- Atão no quer lá sabere, ó cumpadre...
atão no é vão aqui, no conjunto de ambos
os dois, nada mais nada menos, que cinco testículos...
- Que é que se passa compadre? Atão no querem
lá ver que vocemecê só tem um?!!! |
|
| |
O
Alentejano e o espelho.
Um alentejano vai a Lisboa e depois de correr tudo o que pode,
já quase no regresso, fica embasbacado em frente de uma
montra que tinha um espelho... Olha olha no qurem lá
ver!!! Logo a primeira vez que venho a esta terra e já
têm ali a minha fotografia... Entrou e comprou logo aquela
preciosidade... Chegou a casa e foi logo mostrar à mulherie...
- Olha o que eu fui encontrar, em Lisboa, ó Bia!!! A
minha fotografia ali escapachada numa montra da cidade!!! A
mulher olha, olha, deixa o homem abalare... Olha outra vez e
não se contém:
- Olha-me aquele velhaco! Apanha-se sem mim por um dia e logo
arranjou outra, inda por cima parecida comigo!!! ... e corre
a fazer queixas à mãe...
- Atãoe no quer lá ver nha mãe... Aquele
desgraçado vai a Lisboa a arranjou logo uma amante...
Venha cá ver o que aquele malvado trougue de presente!!!
A mãe olha com atenção, mira e remira o
espelho e comenta:
- Dêxa, mulher, no te rales que já é uma
velha relha e gasta que no presta p'ra nada... |
|
| |
O
(A) Alentejano(a) e o espelho.
Passados largos anos de trabalho e poupanças e de mudanças
de herdade para herdade, lá chegou o dia que o moiral
decidiu comprar um guarda-roupa com um grande espelho...
Monta-se a armário, grande azáfama para arrumar
as roupas... As mulheres da casa fazem desfile para se verem
de alto a baixo... Passa a avó velhinha e comenta:
- Oh filha, é verdade que aquela ali sou eu? Olha a figura
triste que ando por aí a fazer!!!
(Isto passou-se com a avó Clara que era a mãe
da ti Beatriz da Vinha, de S. Matias, contada em 1991). |
|
| |
O
Alentejano interrogado pelo polícia sobre o acidente...
- Olhe bem senhor polícia: Vê aquele chaparro?...
Vê aquela curva?...Pois eles nã vi(ra)ram!!!. |
|
| |
O
alentejano e as diferenças.
Para um alentejano, qual é a diferença entre um
relógio e um burro?
O relógio, quando parte a corda, pára; o burro,
quando parte a corda, foge. |
|
| |
O
alentejano e os veteranos da guerra.
Um alentejano confraterniza com dois veteranos da guerra do
Golfo.
- Olhe aqui compadre: esta é de Kweit City...
E o outro:
- Esta é de Bagdade City!
E o alentejano mostra a sua e
Apend City! |
|
| |
O
alentejano e os veteranos da guerra.
No fim da guerra, aquele alentejano que até, depois,
ficou a trabalhar no Banco lá da terra, na farra da despedida,
comprometeu-se com os dois amigos, um americano e um inglês
a beberem um copo, cada um no seu país, para lembrar
os bons e os maus momentos daquela guerra e por terem sobrevivido.
Todos os dias, desde há mais de vinte anos, ali o empregado
do café já tinha os três copos de três
perfilados para o nosso compadre veterano...
Um dia o empregado fica alarmado. Contra toda a rotina, o nosso
alentejano corre apressado e faz-lhe sinais desesperados para
que não comece e encher o terceiro copo... Com a garrafa
na mão, boquiaberto, o empregado espera e com o ar mais
triste que conseguiu, interroga:
- Então?, compadre, lá morreu um dos seus camaradas?!!!
- Deixe-me sossegado, homem e deixe ficar só estes dois.
Ontem, depois de sair daqui, fui ao médico... e ê,
é que deixei de beber!!! |
|

7ª
série
A/s
ANEDOTA/s... para mostrar a lei do menor esforço...
que afinal pode ser confundida com a 3ª série
a lhaneza, a simplicidade, a ligação à terra
| |
AZEITONAS
OU CARACÓIS?
Pergunta-se a um Alentejano:
- Vomecê prefere apanhar caracóis ou azeitonas?
- !!!??? - o Alentejano depois de muito matutare... a pensare
nas frieiras e na geada... da apanha da azeitona... - Ê
cá prefiro apanhar azeitonas... Os caracóis são
bichos muito remexidos... |
|
| |
-
Atão, hoije na se vai trabalhar, cumpadre?
- Saco vazio no s'indireita, patrão!!!...
O lavrador manda dar de comer ó home...
- Atão na vai trabalhar? Bem comido... Bem bebido...!
- Saco cheio na se pode dobrariee... |
|
| |
O
ALENTEJANO EM LISBOA (Dinheiro a pontapés.)
Um compadre já um bocado farto de passar toda a vida
ali no monte, resolve-se ir até Lisboa e vai comentando
esta ideia com os conhecidos e amigos...
Um dia encontra um velho conhecido e este é que o decide
mesmo:
- Pois faz muito bem o mê compadre... Lá em Lisboa
o dinheiro é aos ponta-pés!!!
Lá vai o nosso homem de comboio... Viagem no Domingo
para não perder sequer um dia de trabalho... Sai do comboio
no Barreiro e amonta-se no vapor que passa o Tejo... Mal põe
o pé no chão o que havia de ver... Uma nota de
vinte escudos a voar à sua frente...
Olha bem, esfrega os olhos e quando se ia a baixar, dá-lhe
um pontapé e comenta:
- Ora cá stá o co mê compadre muto bem dezia...
Dinheiro aos puntapés...!!!? Ora hoje no trabalho, que
é Domingo. |
|
| |
Os
Alentejanos e a alâmpada...
- Quantos alentejanos são precisos para mudarem uma lâmpada?
- ??? !!!
- São precisos cinco (41)... Um para segurar a lâmpada
e os quatro (40 para andar ca casa à roda...) para andar
com ele à roda... primeiro para a esquerda até
tirar a fundida e depois para a direita até atarrachar
a nova... |
|
| |
O
Alentejano e a cadeira ao lado da cama...
- Porque é que os alentejanos têm sempre uma cadeira
ao lado da cama?
??? !!!
- Para descansarem logo que s'alevantam. |
|
| |
O
Alentejano que cava sentado.
- ? Atão compadre, aí sentado a cavar!??
- Atão como houvera de ser! Já experimentei dêtado
no dá!!! |
|
| |
O
Alentejano à Segunda Feira...
-
Sabem porque é que os alentejanos, à Segunda-feira,
saem de casa pela janela?
- ??? !!!
- Porque têm uma semana de trabalho à porta!!! |
|
| |
O
alentejano a benzer-se.
Obrigado meu deus, (e leva a mão à testa), por
poder encher a barriga (e leva a mão ao peito ou um pouco
mais abaixo); sem ter de mexer este nem este ( e leva sucessivamente
a mão aos ombros). |
|
| |
O
alentejano levanta-se muito cedo.
- Porquê? Para Ter mais tempo para descansar. |
|
| |
O
alentejano cava sentado.
- Porquê? Já expromenti dêtado mas no dá
jêto! |
|
| |
O
alentejano na América visita um amigo e fala contantemente
do seu monte...
Uns tempos depois o amigo americano vem a Portugal e não
descansa enquanto não vai visitar o alentejano no seu
monte. Com o seu automóvel, passados dois minutos, têm
o monte todo visto.
- Isto é que é o seu monte de que você tanto
falava lá na América? Lá na América,
a minha herdade, no fim de cinco horas ainda não tinha
visto tudo!!!
- Ê tinha um desses mas vindi-o!!! |
|
| |
O
alentejano motociclista.
- Porque é que os alentejanos usam um fato às
listas para andarem de moto?
- Para se deitarem nas curvas. |
|
| |
Os
alentejanos e as traquitanas de 4 rodas...
-
Atão cumpadre p'ra que cumprou vmc uma dessas motas
tapadas e de quatro rodas?
- Atão os outros são maisqueu!? Assim impato
os carros grandes na mesma e passo os burros todos pela esquerda...
|
|
| |
ATÃO
PRA QUIÉQUE VOMC STÁQUI CONTANDO TANTAANEDOTA?
- Oressa! Desta e doutras vou ê pedir CopyRightes... |
|
Elementos
para mais uma REFLEXÃO ou para mais uma DISCUSSÃO...
a ver noutra PG

|