joraga.dos1001deNÓMIOS

aminhaTEIAinterminávelnaREDEilimitada

um ANDARILHO em viagem pelas
7 partidas... 7 jornadas... 7 mundos... 7 mares... 7 temas... 7 espaços... 7 tempos...

por JORAGA o acrónimo de JOsé RAbaça GAspar e outros mais de 1001 deNÓMIOS...

contacto © joraga.net ® - desde 2002.09 aminhaTEIAnaREDE - início 2000.05 - joraga2000 - apoio: M. Cruz

ANDARILHO 7partidas
Poesia Décimas
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- cart2326
Cancioneiro NIASSA

Canto do
ALENTEJO
NOVO(MÉRTOLA)

Canto do CANTE os COROS

 

ALENTEJANEDOTAS

Tentativa de contribuir com algo de original - sabido de todos - e de tão velho, que já tem barbas - para conhecer melhor uma região...

Anedotas ALENTEJANAS na Internet. Ver algumas ligações:

anedotas.aborla.net
amar-ela.com/anedotas-alentejanas
orgulhoseralentejano.paginas.sapo.pt/aned_alet
tudoben.com/diversao/anedotas/anedotas_list.asp
miguelroque.com.sapo.pt/anedotas
loucuraerisosemjuizo.planetaclix.pt/alentejanos
anedotas.rir.com.pt/anedota_de_alentejanos
portugal-tchat.com/forum/ajouter-vos-fotos-blagues-rigolottes/4952-anedotas-alentejanas

Pistas para uma introdução...

Pistas para um ESQUEMA - uma modesta, respeitável e discutível opinião...

Pistas para uma BIBLIOGRAFIA e casos polémicos...

Elementos para mais uma REFLEXÃO ou para mais uma DISCUSSÃO... a ver noutra PG

série 0 1ª série 2ª série 3ª série 4ª série 5ª série 6ª série 7ª série
Uma ANEDOTA sua Estrutura para treino da oralidade
A/s ANEDOTA/s das AlentejANEDOTAS ANEDOTA/s para mostrar o estilo de "regatinhar"
... para mostrar a ligação à Terra
...para ver a lhaneza e simplicidade... os Lisboetas, os inimigos do coração... a esperteza saloia... a lei do menor esforço...

"Sábio é aquele que se sabe rir de si próprio - conhece-se."

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"É um POVO Sábio aquele que se sabe rir de si próprio."

Pistas para uma introdução...

Há quem diga que os melhores contadores de ANEDOTAS sobre ALENTEJANOS são os próprios ALENTEJANOS...
Pelo que me foi dado VER e OUVIR durante mais de 20 anos, é mesmo verdade...

Há quem diga que os Alentejanos não têm sentido de humor... são demasiado infelizes e sofredores...
Claro que há... alguns... sobretudo os que até têm pena de ser Alentejanos...

Ainda um aspecto a salientar: o saudável virus do "contágio"... numa roda de amigos, mesmo onde há muitos que não são Alentejanos... mesmo onde há alguns que não se lembram ou não sabem contar uma anedota... logo que a "roda" começa por algum mais capaz e dotado... é um encarreirar de anedotas que não para e pode dar um convívio de horas e horas acompanhado de um bom petisco e de uns bons copos... Como o Cante... Como o Baldão... Como as Décimas... Como as Décimas Silvadas... Como o despique... É o espírito de Competição?! umas vez saudável, outras vezes menos...

Possivelmente, este é um dos motivos, pelo qual as anedotas são in/catalogáveis... ver questão levantada por A. Machado Guerreiro... Como é que e porque é que as pessoas reagem e, ao ouvir uma anedota, tentam "furar"...
- Ah! a propósito!... sabem aquela... - Por semelhança?... a propósito?... qual propósito?... por contraste... como resposta a uma provocação... por exibicionismo... por inveja do êxito que o/s outro/s está a ter?... para animar?... para participar?...

Ver ainda, mais uma vez, a marca "colonizadora" duma região que quiseram ou tentaram que fosse "colonizada"...
Dando atenção ao "determinante" da palavra Além -Tejo, verifica-se, como em Além - Garbe... e Além - Mar... o "ferrete" - "estigma" da colonização... Ninguém dá um nome a si próprio usando "ali" "além"... nem os do Ribatejo... Poemos dizer "Eu sou do Riba Tejo..." Ninguém pode dizer: Eu sou d'Além..." a não ser para dizer precisamente que vem do estrangeiro e é estrangeiro... ora ninguém deve ser estrangeiro, sobretudo na sua própria Terra!!!... E, arrogar-se no direito de DAR um NOME... é indício de poderio e domínio... de exploração...

Como ja dissemos noutro lugar, não sugerimos que se mude o nome, mas que se assuma a "marca" porventura "indelével"...

Pistas para um ESQUEMA - uma modesta, respeitável e discutível opinião...
que afinal, dada a presença contante das interrelações, tanto quanto aos temas como quanto aos personagens e características implicados em cada ANEDOTA, como ainda quanto à oportunidade de a contar, (... a propósito, lembras-te daquela...), se torna aleatória e daí esta divsão ser, já em si, uma perfeita ANEDOTA... como qualquer outra...
Seguindo a sugestão de Arnaldo Saraiva (ver nas Pistas para uma Bibliografia: « ... a anedota pode dar um bom contributo para o estudo de uma comunidade - suas manias e fobias, seus hábitos sociais, seus desejos e recalcamentos, seus heróis e suas vítimas, sua visão do mundo e do destino».

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Uma ANEDOTA sua Estrutura para treino da oralidade A ANEDOTA das AlentejANEDOTAS ANEDOTA/s para mostrar o estilo de "regatinhar" ... para mostrar a ligação à Terra ...para ver a lhaneza e simplicidade... os Lisboetas, como ini/a/migos de estimação... a esperteza saloia... a lei do menor esforço...
Tal como no CONTO, a Estrutura com suas: Sequências... núcleos... indícios... informantes...
-
a linguagem como marca de umaidentidade Cultural...
- Quem conta mais anedotas sobre os Alentejanos?
- Os Alentejanos.
-E sobre os Lisboetas?
- ?
- Os Lisboetas Alentejanos...

- Porque é que os alentejanos contam ANEDOTAS?
- Para se rirem (uns) dos outros...

A competição...

Atão inda no regatinhámos NADA!!!

Atão troco com quiem?

Viver ao ritmo da Natureza e das Estações do Ano é sabedoria que a gente do "stress" já perdeu... e chama Perguiça... Uma folha A4 para um alentejano...

Planeamento familiar alentejano?
- Atirar pedras às cegonhas.
E o lisboeta?...

Há quem diga que a maioria dos lisboetas... são Alentejanos... - Não?! Atão porque é que todos querem lá um monte...

Atão porque é que precisa de duas camas no quarto?

Atão na vai trabalhar?

- Saco vazio no s'indireita...

Atão na vai trabalhar?

- Saco cheio no se dobra...

a da Cortiça... como modelo, ou qualquer outra A/s ANEDOTA/s... das ANEDOTAS a da ida para a FEIRA... a dos "Beços"
a do Papa...
a do Puzzle E os lisboetas aos Alentejanos Uma p'ra dormir ca nha mulher outra ca sua... a da fome...

Pistas para uma BIBLIOGRAFIA e casos polémicos...

Para os que quiserem documentar-se sobre o MUNDO DAS ANEDOTAS e suas teorias, consultámos e reconmendamos que consultem o "enciclopédico investigador das ANEDOTAS em PORTUGAL: António Machado Guerreiro. Nos dois volumes que teve a oportunidade de publicar pode encontrar toda a informação ou pistas de estudo... desde:

- "Como se faz uma recolha"

- a Anedota e o pretenso CopyRight de algo que não tem autor e "é de toda a gente", como as "Cantigas da rua" é uma Anedota!.. Como é a única "coisa" no mundo que não tem direitos de Autor há por aí uns espertos que cobram direitos de autor pelas ANEDOTAS que não são deles! Ah!!! Ah!!! Ah!!!.

- a Catalogação de algo tão complexo e anárquico como é a ANEDOTA é outra ANEDOTA aue se pode chamr ARRUMAÇÂO... são sugeridos 17 GRUPOS, alguns subdivididod em ribricas... Sem este disparate deixava de haver livro de ANEDOTAS... Sem o sumo do ABSURDO... do "non sense"... da ESTUPIDEZ... do Trocadilho... etc. não há ANEDOTA...

Claro que o decidir incluir nesta TEIA um ESPAÇO para as ANEDOTAS e para as ANEDOTAS de e sobre ALENTEJANOS é porque nos interessa especialmente a chamada de atenção que A. Machado Guerreiro faz, citando Arnaldo Saraiva in Jornal de Notícias 12.07.1988: «Há mais de um ano me ocupei de anedotas, espécie literária tão popular quanto desprezada pelos estudiosos"... e mais adiante: « ... a anedota pode dar um bom contributo para o estudo de uma comunidade - suas manias e fobias, seus hábitos sociais, seus desejos e recalcamentos, seus heróis e suas vítimas, sua visão do mundo e do destino».

Livros consultados:

GUERREIRO A. Machado - ANEDOTAS - Contribuição para um Estudo, Editorial Império, Lisboa, 1986, 736pp.

GUEREIRO A. Machado - LIVRO DE ANEDOTAS - (da inocente à indecente) Textos. Comentários. Edições Colibri, Lisboa, Maio de 1995, 378.pp.

CHESTERTON, G. K. - DISPARATES DO MUNDO - Tradução e Prefácio de José Blanc de Portugal, Livraria Morais Editora, Lisboa, 1958, 208 pp.

DANINOS, Pierre - A VOLTA AO MUNDO DO RISO, Tradução de a. dias Costa, Livraria Bertrand, s/d (1958), 356 pp.

Nota - em especial nos dois primeiros, encontrará a BIBLIOGRAFIA e as PISTAS suficientes para o satisfazer.

A vaca - Temos feito grandes progressos, meu filho: antigamente, as autoridades sanitárias mandavam abater a tiro todos aqueles que contraíam a febre aftosa.
O vitelo. - E agora?
A vaca - Agora contentam-se em os levar para o matadouro.
[Novidades]

"É um POVO Sábio aquele que se sabe rir de si próprio."

"Sábio é aquele que se sabe rir de si próprio"

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Uma ANEDOTA para ver sua Estrutura Narrativa e para treino da oralidade

UM ALENTEJANO EM LISBOA com o DINHEIRO da CORTIÇA:

Um alentejano, que tinha e vendia cortiça, resolve um dia mandar o filho depositar o dinheiro, no banco, a Lisboa.
Este pega num taçalho de pão com linguiça, monta no seu burro e lá vai para Lisboa.

Chegando a Lisboa, visto estar cheio de fome, senta-se, na relva, junto do Marquês de Pombal, a comer o seu taçalho de pão.
Por ali, andavam dois ardinas a vender jornais e apregoavam:
- óóólhó sééééééclo (Olha o Século)...
- é u diáááário d'notíííííííícias (É o Diário de Notícias)...
O nosso bom alentejano, mal ouve isto,

pega nas suas coisa monta-se no burro e lá vem ele a caminho do Alentejo.
Quando chega a casa, o pai pergunta-lhe:
- 'tão filho! porque foste tão depressa? O banco stava fechado?
- cal banco! cal quê? atão um home vai a Lisboa, assenta-se a comer o seu taçalho de pão cum linguiça, muto descansado, vêm logo dois homes e gritam:
- óólhó, cerquem-no... óóólhó céérquem-no ...é o d'nheiro da cortiça... ele tem o dinheiro da cortiça...

PISTAS PARA UMA ANÁLISE ESTRUTURAL DA NARRATIVA
a partir desta pequena anedota:

Para os que se dedicam à ANÁLISE ESTRUTURAL DA NARRATIVA ou pensam que isso pode ter algum intresse, resumimos AQUI:

Sequências: Catálises - Informantes - Indícios:
Seq. 1 - Um alentejano... manda o filho... este vai para Lisboa
núcleo 1 - resolve mandar o filho...
núcleo 2 - o filho monta o burro...
núcleo 3 - e vai para Lisboa.

C1. Um alentejano écaracterizado - vendia...
Inf. Um dia... Banco... Lisboa...
Ind. Cortiça (símbolo $)... taçalho de pão (comida, uso, modo de ser)... vai de burro (uso, contraste) apressadamente...

Seq. 2 - Em Lisboa... senta-se... e come... e ouve... e parte...
núcleo 1 - Chegando a Lisboa senta-se a comer...
núcleo 2 - ouve os ardinas que apregoam os jornais...
núcleo 3 - monta-se e regressa rapidamente.
C1/2 - Chega... senta-se... vê/ouve 2 ardinas que por ali andavam...
Inf. Lisboa... Marquês (relva)... ouve e parte de LX pata Al
Ind. A estátua e a relva (Lx outro Mundo mas com relva)... o taçalho de pão (usos de uma Cultura) e... ardinas... Século... Diário de Notícias... (s. de outra cultura) Burro para fugir... Alentejo como refúgio...
Seq. 3 - Chega a casa... o pai pergunta... o filho responde...
núcleo 1 - Viagem de regresso e chegada a casa...
núcleo 2 - o pai espantado pergunta o que se passou...
núcleo 3 - o filhos responde porque teve de fugir.
C4/5 - Chegada a casa... Inquirição e Prestação de Contas...
Inf. casa no Alentejo... pai que pede explicações... e mostra espanto da pressa...
Ind. Banco fechado... descanso e comida... ardinas (2 homes)... Século = cerquem-no... Diário de Notícias = Tem o dinheiro da cortiça.

MODELO ACTANCIAL

ADJUVANTE
SUJEITO
OPONENTE

Filho - Pai

1. Pai manda

Banco distante

Burro - Filho
2. Filho vai
Ardinas
Nomes Jornais
Burro - Filho
3. Filho foge
Casa longe
DESTINADOR
OBJECTO
DESTINATÁRIO
Pai Juiz: decide, manda, pede contas
o BANCO
o $ a render
Pai / Filho
os ALENTEJANOS

 

Salientar 7 SIGNOS

SÍMBOLOS - ÍCONES - ÍNDICES - INDÍCIOS...

1. A cortiça - de riqueza e segurança...
2. Taçalho de pão e chouriço - a alimentação típica mesmo para um Alentejano rico...
3. o Burro - o meio de transporte adequado ao estilo de vida, não às funções do caso...
4. o Marquês - a estátua - o tamanho - a relva... O Mundo diferente- Lisboa - a altura - a grandeza - o domínio, o oposto do Alentejo mas com a relva em comum...
5. Ardinas e Jornais o nome dos jornais... e o que ele ouve - a acumulação de outros sinais complementares do anterior, símbolos de outra Cultura, do diferente, do desfasamento...
6. o BANCO - distante... Outro Mundo, mas símbolo de outro estatuto que se deseja, mas de um Mundo Cultura diferente...
7. O Alentejo - A Casa - o Pai... a Terra... a Segurança... a Autoridade... Um Universo - Uma Cultura diferente.

Para além destas PISTAS, se pegarmos nos DETERMINANTES - como o AQUI no ALÉM TEJO... e em ISOTOPIAS, por exemplo o nome dos jornais: Século que pode indicar o tempo... 100 anos... um tempo que nunca mais acaba... DIÁRIO que desde medida de tempo é nome indica algo de regular e frequente... habitual... acessível... NOTÍCIAS: do significado literal a nome de jornal... Podemos seguir por cada SIGNO seus SIGNIFICANTES e SIGNIFICADOS literais e simbólicos... aplicar por exemplo a cada um dos 7 ÍCONES inventariados...

Pistas para exercício oral:
Mentalizar o Ambiente que se quer cómico dentro da seriedade do ridículo...
Memorizar as 3 Sequências com 3 Núcleos cada - ver ESQUEMA!!!

NADA MAIS SIMPLES PARA SE TORNAR UM EXÍMIO CONTADOR DE ISTÓRIAS...

1ª série

A/s ANEDOTA/s das AlentejANEDOTAS

  - Porque é que os alentejanos contam ANEDOTAS?
- Para se rirem (uns) dos outros...
 
 

- Quem conta mais anedotas sobre os Alentejanos?
- Os Alentejanos.

 
  -E sobre os Lisboetas?
- ?
- Os Lisboetas Alentejanos...
 

2ª série

ANEDOTA/s para mostrar o estilo de "regatinhar"
Como resposta à solidão e isolamento em que alguns vivem?
Para mostrar o estilo aciganado de queda para o negócio...
Pura e simplesmente o exercício da Função Fálica da Linguagem e da Comunicação?...

O ALENTEJANO QUE VAI À FEIRA
(Esta e a seguinte são de Narrativa longa não recomendáveis como ANEDOTAS típicas que se quer curta e com desfecho inesperado. Estas servem só para tentar mostrar um aspecto mais ou menos velado, talvez de uma herança ou certa marca do convívio bastante frequente com o Povo Cigano... ou como se comenta noutro lado - a necessidade de enfatizar a Função Fálica da Comunicação e Contacto, para quem passa longos períodos em absoluta Solidão...)

Alentejano na feira... Atão que é que ia fazer à feira, sem o burrico para regatinhar? A NECESSIDADE DO JOGO E DA COMUNICAÇÃO...

Esta dum alentejano é mesmo verdade que eu conheço as pessoas. passou-se com o pastor António Verdasco que era ali de Baleizão e tinha um grande rebanho a meias com o patrão... bem feitas as contas já era mais dele que do patrão pois ele é que sabia das voltas e das trocas, e por causa do vivo, ali tinha a vida presa sem domingos nem dias de semana nem friados que isto os animais são com'a gente e comem todos os dias e são uma carga de trabalhos... eram dias, semanas, meses a fio lá no monte e pelos campos quase sem ver mais ninguém e sem poder uma hora de seu...

Tamén era demais! e pela feira de Beja, até o patrão já sabia... arranjava um moço por conta e abalava de madrugada cedinho a caminho da feira montado no gerico que tinha lá para os avios... duma vez que tinha uma burra lá para o avio, veio amontado na burra e, à ilharga, trouxe a cria que ela tinha parido...

Ainda não ia por altura das Neves e passou-lhe pela frente o carro dum lavrador ali das redondezas que logo à frente parou com grande barulho de travões... Lembrou-se que o feitor lá da herdade lhe tinha dito que fazia falta lá um jerico para o pastor deles e para certos trabalhos que andavam sempre enrodilhados... Na pressa, esperou pacientemente pela chegada do trio... Ora ali estava a solução. Em vez de andar por aí à procura e ter de ir comprar aos ciganos!... Estava lá agora para essas maçadas!... O pastor que reparou naquilo abrandou mais o duo... Que diabo quer o lavrador?! anda sempre tão apressado que nem tem tempo para dar a salvação à gente!!! Será que nos quer levar a todos três naquele carro tão bonito'!!!

Chegam-se á fala e:- Bons dias, pastor... Ah! é o Ti António Verdasco! Ora quem!... ia dizendo o lavrador a ver se apressava.
-Bons dias, lavrador. - respondeu o ti António chegando-se e parando.
-Atão o rebanho do patrão, ...a medrar e de boa saúde?
-Lá anda com'ó meu que vai de saúde e lá vai medrando..., sim senhor.
-Ah! o seu também é grande?
-Se o do patrão é grande, o meu também é grande sim senhor.
-Bem. 'Stá bem. Mas eu queria era outra conversa. Tem aí uma bela burra!?
-Tenho sim senhor. É ela que me faz os carregos e hoje é o meu transporte p'rá feira sim senhor.
-Ora era isso mesmo. Lá o Virgílio precisava lá um assim p'ró pastor lá da herdade e p'ralgum seriço no monte... era mesmo isso que a gente precisava...
- Ah! mas a burra no se vende que é o mê arrimo e as minhas pernas, lavradore... Inda o burricalho era com'o outro que se me der... inda o vendo lá na feira... vou cá com essa fezada...
-OH! homem, eu compro-lho já. Pra que vai gastar tempo e passadas lá na feira... Quanto é que vai pedir por ele?... Acertamos aqui as contas e já tem ganho o dia e pode voltar para trás...
-Ah! isso no sei lavradore... não sei o que estão lá a pedire... mas ê vou começar aí pelos mil... mil e ...
-Eh! pastor, no se fala mais nisso. Eu dou-lhe já mil e quinhentos e fica o negócio fechado... e digo ao Virgílio que mande lá por ele... - E nisto ia tirando o dinheiro e abrindo a porta do carro para o pastor no ter que desmontar... quando esbarrou com uma barreira intransponível...
- Tenha lá paciência, ó lavradore, mas assim no pode seri... Atão inda no regatinhámos nem nada!!! E ós pois O QUE É QUE EU IA FAZER LÁ NA FEIRA?

(Lá se ia todo o encanto e magia de IR À FEIRA acalentado e amadurecido durante um ano em que era a única diversão para o pastor sair da sua solidão dos dias todos iguais e sempre presos... Todo aquele tempo sonhou, inda antes do burrico nascer, que naquele ano ia passar pela feira amontado na burra mai-lo burrico á ilharga... e aquela gente toda a olhar... passar por ali por entre a gente e depois descer até à feira do gado e dar a volta com as suas alimárias... beber-lhe uns copos e comparar os seus com os restantes que enchiam a feira... e ouvir os comentários... Eles sabem-na toda... eles vão desfazer nos meus e cantar loas aos deles... mas se fossem bons na nos iam a vender o que eles queriam sei eu... e ficar ali a ouvir e falar... que a falar é que a gente se intende... e depois discutir e regatinhar entre mais dois copos de três... e quanto é que havia de valer e não havia de valer... e até óspois se lhe desse na telha nem o vendia nem nada... e à noitinha, todo derreado e feliz, enevoado numa divina bebedeira, lá voltava a caminho de Baleizão, que isto um dia no são dias e... pró ano há outra feira... e até pode ser que este ano inda vá á de Castro pró S.Miguel, ou á do Alvito prós Santos!

E óspois, o que é que lá ia fazer à FEIRA?

Alentejano no comboio.

Trocava com quêim?
SOLIDÃO... A NECESSIDADE DE REGATINHAR... DO JOGO... DA COMUNICAÇÃO...

O ALENTEJANO NA CARRUAGEM (ou autocarro) VAZIA - TROCAVA COM QUEM?

Dia de chuva. Um alentejano embarca no comboio, em Beja, que vai para o Barreiro. Entra numa carruagem completamente vazia e senta-se no lugar que viu mais a jeito. Além de chover está bastante frio e ele embrulha-se muito bem na capa larga com gola de boa pele. Continua a chover torrencialmente. Agasalha-se ainda melhor e já quase dorme quando o comboio parte.

Entretanto, mesmo por cima do seu lugar começa a pingar. Dentro em pouco é uma goteira quase em fio. Aconchega-se ainda melhor na capa e lá segue as três horas de viagem meio adormecido pelo rolar e pelo barulho do comboio.

Já muito perto do Barreiro, aparece finalmente o revisor naquela carruagem perdida...
- Atão aqui sozinho, homem? - Atão!? - O sê bilhete?...
E o nosso alentejano, serena e lentamente, sem se desencostar, começa o penoso trabalho de encontrar o bilhete, procurando vagarosamente por tudo quanto é sítio parecido com bolso ou coisa que o valha. Finalmente encontra-o e mostra-o pacientemente ao revisor emergindo a custo a mão por entre as dobras da capa completamente encharcada...

O revisor. Trrrac... Trrrrac... - primeiro a obrigação...

- Tudo em ordem. Aqui tem o seu bilhete. Mas ó homem... estive aqui a reparar. Atão não vê que vai aí todo molhado?

- Atão que quer? Até no comboio chove! Pinsei qu'era só lá no mê monti!

- Mas, ó homem, atão não vê que só chove aí nesse lugar onde se sentou e o resto está tudo vazio! Porque é que não trocou de lugar?

- Porqui'é que nu troqui? E trocava com quêim?

O Baleizoeiro - e o da bicicleta... (Esta já revala mais a "cumplicidade" - a "fidelidade" aos próximos)
Estavam uns compadres à porta dum café em Baleizão a ver quem passa e, nos entretantos entra na curva lá em cima um ciclista com ar de turista que não é ali conhecido...

Desmonta da bicicleta, encosta a bicicleta à porta do café...
Dá a salvação e entra para tomar uma cervejinha... Paga...

Sai. E quando vai pegar na bicicleta verifica que não tem roda da frente...
Aflito e espantado pergunta aos dois compadres:
- Então vocês não viram que me roubaram a roda da bicicleta...
- Oh, amigo, tenha lá calma e não esteja aí com suspeições...
Atão nós no vimos muto beem... Quando mocê deu a curva lá em cima já na traziaaa...

3ª série

A/s ANEDOTA/s... para mostrar a ligação à Terra
o estilo de vida ligado ao tempo e ao ritmo das Estações...

O ALENTEJANO E O PRETO (P'los BÊÇOS).

Amonta-se um alentejano no comboio que vai de Beja até ao Barreiro e logo na sua frente pranta-se um preto. Nem "bom-dia", nem "salvo seja"... só se cumprimentam com um rápido olhar como quem diz "Olá"... "Pois então faça vocemecê muito boa viagem aí muito bem assentado que eu por aqui também faço tenção de fazer querendo deus, queira..."
E lá seguiram...

Pára aqui...Pára acolá... Já lá vai Cuba... Já lá vai Vila Nova da Baronia... Já passaram a Casa Branca...
Aqui mudam os passageiros que se destinam a Évora e outras direcções... Nem uma palavra... e o alentejano sempre a olhar, a olhar... ora directamente, ora de soslaio para não dar tanto nas vistas...

Chegam enfim ao Barreiro depois de três longas horas de minuciosa observação... À saída...
- "Faz favor..."
- "Faz favor..."
- "Ora até uma outra vez..."
E, já cada um com o seu saco na mão a caminhar para o seu destino, dirige-se o alentejano ao preto e pergunta:

- ? Desculpe lá amigo, mas tenho vindo toda a viagem a observá-lo... Diga-me lá uma coisa: Você é preto nu éi???
- Que pergunta meu amigo. Eu sou preto, sim senhor. Então não se vê logo? Olhe bem para mim!? Ah sim, já tinha arreparado. Logo me quis parecer, pelos bêços.

O da Cuba de burro... e o emigrante com o carro de 40 cavalos...

Vai o ti Manel no sê descanso, no fim de um dia de trabalho, amontado no seu burrico pela estrada fora que vai dar à Cuba... Num repente aparece o Tónio que ainda o ano passado emigrara para a Alemanha ao volante de um quarenta cavalos...
- Bos'tardes, ti Manel... Atão como vai tudo cá pela nossa terra...
- Cá vai andando sempre com o mê burrico para diante e p'ra trás...
- Olhe bem p'ra isto, homem!!! Um ano de emigra e tenho aqui um quarenta cavalos!!!... Até mais logo. Logo nos vemos na venda que vou mostrar esta máquina lá a todo o pessoal...

E arranca a toda a velocidade, deixando o pobre burro espantado e a cuspir a poeira que s'alevantou...
Andando, andando, lá vai adando o ti Manel até que entra na curva antes da ribêra...

Chega à beirinha da ponte e o que houvera de ver... O carro do António esbarrado, no meio da água... Ainda vai a parar mas, compreendendo, de repente, Sauda-o com grande aceno cá de cima:
- Atão compadre, a dar de beber ó gado!!!

O alentejano e as festas.
ESTRALA A BOMBA
E O FOGUETE VAI NO AR.
ARREBENTA, FICA TUDO QUEIMADO...
NO HÁ NINGUÉM, QUE BALHE MAIS BEM
C'AS MENINAS DA RIBEIRA DO SADO...
E AS MENINAS DA RIBEIRA DO SADO É QUE Éi
LAVRAM A TERRA C'AS UNHAS DOS PÉiS...
E AS MENINAS DA RIBEIRA DO SADO SAN COM'AS OVELHAS
TÊM CARRAPATOS ATRÁS DAS ORELHAS!!!
(Cantada pelas alunas que tiravam o curso de Educadoras na escola do Magistério Primário, Beja, em 1985... Fica como registo de linguagem fortemente agarrada à terra...)

 

4ª série

A/s ANEDOTA/s...para ver a lhaneza e simplicidade...
Há quem lhe chame "estupidez natural" ou até burrice crassa ou congénita...

  A Folha A4
- Sabes o que é uma folha A4, dobrada ao meio, para um alentejano...
- ??? !!!
- Um puzzle!
 
  Os da Cuba e o comboio suado... a manta...
Na Cuba, nunca perguntes pela manta a algum habitante desta simpática terra pois pode ser tomado como ofensa...
Consta que no dia da inauguração da Estação do Caminho de Ferro, quando o comboio ali parou pela primeira vez, entre os foguetes e as festas com grande multidão a ver os que viajavam... ao verem todo aquele vapor a sair da máquina... o maquinista aproveitava a pausa para aliviar a pressão... o Presidente da Junta gritou para os ajudantes:
- Ei, pessoal, tragam a manta para botar em riba da alimária que está toda suada!!!
E lá foram pressurosos cobrir a máquina que resfolegava!!!
 
  Os da Cuba e o comboio que matou metade do rebanho...
Conta um pastor, ali da Cuba, as suas desgraças para o outro pastor...
- Atão na quer lá ver o mê compadre... Vinha ali com o rebanho a atravessar a linha... veio o comboio e matou-me metade do rebanho!!! Isto é que são uma vidas!!!
- Eih! compadre no steja aí tão desmorecido por nada... Olhe que se o bicho viesse de atravessado, inda matava o rebanho todo...
 
  Os Alentejanos depois da seca...
O que é que os alentejanos haviam de esperar depois da seca?
Ora pois! Esperam que as vacas dêem leite em pó...
 
  Alentejano pós operatório.
Um doente com um cancro no cérebro é internado de urgência e a equipa médica decide que precisa de cortar cerca de um terço para que o cancro seja erradicado. No meio da confusão, ninguém teve tempo de perguntar quem era e donde tinha vindo... Por erro de cálculo o paciente vê-se privado de dois terços!!! Pânico na equipa. Ao acordar o cirurgião cumprimenta o paciente:
- Ena! A operação correu bem, você está vivo!!!
- Atão na ouvera de'star!!!
 
  Os alentejano e o Cristo-Rei.
Dois alentejanos
que regressavam de uma visita a Lisboa passam pelo monumento e dizem:
- Olha Jaquim a altura disto... a figura que isto metia lá na nossa planície...
- Metia mesmo vista.
Vai daí, tiraram os casacos e começaram a empurrar. Dois garotos, ali do Pragal, ao verem aquilo, apanharam os casacos e fugiram para roubarem o dinheiro.
Passado um tempo, os alentejanso param para descansar e olham para trás onde tinham posto os casacos e... - Ena compadre o que nós já andámos! Já nem se vêem os nossos casacos.
 
 

Os alentejano e o Cristo-Rei.
Dois alentejanos passam na Ponte para se dirigirem para Casa... Para passarrem para Além...

- Eh! cumpadre já olhastes bêemm!... Isto no é mesmo um desprezo que até corta a alma!!! Até o Cristo Rei viraram de costas lá pra nossa terra, home!!! Quanto mais os do Governo! Puxa!!!

 
  O alentejano "Zé Nabo" vai a Lisboa e verifica que toda a gente o conhece.
- Olha, Bia, co dinheiro da colheita deste ano já podemos comprar um carro e vou experimentá-lo a Lisboa. Vou ali c'o vezinho Blézinho que conhece aquilo bem. No t'assustes qu'a gente volta!
Mal entraram na confusão da ponte:
- "Chega p'raí ò seu Nabo..."
No Marquês:
- "Olha-me pr'aquele Nabo!"...
Na Avenida:
"Oh seu Nabo, não sabe ir na sua fila!!!..."
Volta ao Alentejo e conta à mulher:
- Vês, fui a Lisboa e vi que toda a gente me conhece...
- AH! sim? Ê quero lá ir contigo... Se calhar tamén me conhecem a mim!!! ...e foram. Desde a ponte, a mulher pôde verificar como todos o conheciam até que na Praça de Espanha um trocou o "Seu Nabo" por "Filha da..." - Ah! ? disse a mulher ? o que no me tinhas dito é que também conheciam a tua mãezinha!
 
  O alentejano compra um carro em Lisboa... e vai botar figura...
Com dinheiro vivo no bolso, o cumpadre corre tudo o que é istande de bons carros e lá se decide por um boca de sapo. Todo contente, depois de atravessar a ponte pára na primeira zona de descanso e descansa.
Passado um pouco, vai entrar e vê o carro todo amochado rentinho ao chão.
- Ora esta?! Inda nem cheguei à terra e já está o bicho estragado!!! Puxa do "portátel" e telefona para o istandard onde os vendedores rebentam a gargalhada...
- Ê vou voltar atrás e cantá-las bem cantadas!!!
E... telefona para a família a dizer que já não chegará nesse dia...
- Nem penses homem... Nem és home nem és nada se não chegas aqui dentro de cinco horas... 'Stá aqui a aldeia toda à espera e se no apareces é porque é um pelintra... e porque torna e porque deixa...
O homem decide arrancar para a terra e durante cinco horas deu voltas à cabeça...
Chega a aldeia. Há foguetes e vivas... Uma roda de povo nas ruas e na praça... o presidente da Junta está para o cumprimentar... Sai todo impante e antes dos cumprimentos, bate a porta, e ordena ao carro:
- "Dête-se".
 
  O alentejano repentista
... visita o rico lá da terra de origem duvidosa e fortuna misteriosa. Vê tudo o que lhe mostram: os grandes corredores, aquelas luzes todas, os quartos... e finalmente bebem um copo na sala nobre onde estão pendurados os quadros dos notáveis da família. Chega cá fora e os companheiros das farras não o largam para saber novas daquela visita tão insólita.
E ele:
DO HOMEM QUE DIZ SER FILHO
TEM O RETRATO NA SALA;
MAS DA PUTA QUE O PARIU
NÃO TEM RETRATO NEM FALA.
(Esta tem nomes e a casa é conhecida de todos... O Zé Luís... é que a sabe completa... Parece que é atrinuída ao Poeta Popular Francisco Ramos que foi contemporâneo e rival do Ti Inocêncio de Brito, de S. Matias...)
 
  O alentejano e os antropófagos, num concurso da TV.
Num célebre concurso do Artur Agostinho na TV, depois da selecção apertada resta um alentejano para ganhar o último prémio.
Pergunta:
- Para ganhar este fabuloso prémio, basta responder a esta pergunta:
Como é que se chama o homem que come outros homens?
- Alô, Alô, Vidiguêra, Já ganhi! É paneleiro!!!
Artur Agostinho desesperado:
- Lamento mas perdeu!
 
  O alentejano e as sobras.
No fim de um lauto repasto, sobra uma iguaria que ninguém quer ou uma bebida! Alguém se sacrifica a aproveitar e comenta:
- Se há-de ir p'rós porcos!!!
 
  O alentejano e o limpa pára brisas.
- Porque é que, no Alentejo, foram proibidos os carros com limpa pára brisas atrás?
- Porque havia muitos alentejanos que passaram a conduzir de marcha atrás.
 
 

O Alentejano e com um RÁDIO portátil, que tem AM e FM:
- Atão cumpadre, o sê rádio tem aí umas letrinhas: AM e FM... Pra que raio serve essa coisa?...
- Atão vmc. qué tão esperto, no sabe? AM é Antes de Mértola... FM é Fora de Mértola!!!...???

 
  O Alentejano e com um RELÓGIO, que tem AM e PM...
- Atão vmc. qué tão esperto, no sabe? AM é Antes de Mértola... PM é PRA Fora de Mértola!!!...???
 

 

5ª série

A/s ANEDOTA/s... para mostrar os Lisboetas, como ini/a/migos de estimação...
os "queridos inimigos" e vice/versa...

  - Sabes como é que os Alentejanos fazem o Planeamento familiar?
- Atão n'avera de sabere!!! Atirarando pedras às cegonhas....
- E os lisboetas?...

- Homessa?!!! Atirando pedras ós Alentejanos...
 
  - Há quem diga que a maioria dos lisboetas... são Alentejanos...
- ??? !!!
- Ah Não?! N'acreditas?? Atão porque é que todos dizem que têm lá um monte... ó andam mortinhos por lá ter um...!
 
  - Quem conta mais anedotas sobre os Alentejanos?
- Os Alentejanos.
 
  -E sobre os Lisboetas?
- ?
- Os Lisboetas Alentejanos...
Sim porque a maior parte dos lisboetas são Alentejanos e os outros... uma grande parte, parece que sejam filhos deles...

 

 

  - Porque é que os Lisboetas gostam do Pão Alentejano?
- Porque na lhes deu trabalho nenhum a fazeriee...
- Atão e porque é que os Alentejanos gostam do Pão alentejano?
- Porque no dá trabalho ao estômago e assim já podem trabalhar mais um bocado pra fazer mais pão prós Lisboetas...
 
  O alentejano pós operatório.
Tiraram parte do cérebro a um alentejano para evitar que a cancro alastrasse. No lugar, para não ficar deformado, os médicos meteram tripas e trampa que tinham ali à mão. Que é que ficou? Um lisboeta.
 
  O alentejano e as alcunhas.
Avisaram aquele lisboeta que estava de abalada para visitar uma aldeia no alentejo, para ver se...
Dizem que os alentejanos, lá da outra aldeia por onde tens de passar, pôem alcunhas a todos os de lá da terra e até a quem por lá passa.
- Ah! sim. Então eu vou de volta, diz o lisboeta.
Daí em diante todos conheciam aquele lisboeta. Era o "VOU DE VOLTA"!
 
  Pinguins no Alentejo?!
Dois lisboetas num duzentos cavalos correm a caminho do Algarve... Às tantas, ouve-se um barulho e diz o condutor:
- Ena pá, acho que atropelei dois pinguins!!!
- Ó homem, tu estás doido?!! Não vês que estamos a atravessar o Alentejo?!!!
- Eiii! Queres ver que matei duas freiras!
 
  O alentejano e os antiquários de Lisboa.
Um desses lisboetas, coleccionadores de raridades, passa no Alentejo e numa aldeia perdida entra numa taberna e vê um gato a comer num prato de barro que lhe pareceu uma coisa única e que lhe daria bom dinheiro. Come bem. Paga melhor e ainda com a gorgeta na mão:
- Já agora podia oferecer-me ou até dar-me aquele caco onde come o gato.
- Sabe, mê senhor, ê até lho dava mas o gatinho que está habituado só a comer naquele caqueiro! Que se há-de fazer? Lá morria o gatinho.
- Mas eu compro-lhe o gato e trato-o muito bem... e vai de oferecer mais e mais...
Negócio fechado, mê senhor. Leve lá o gato que é esse o preço, o prato fica aí pois com este, já são trinta e cinco gatos que eu vendo a papalvos como você!
 
  O alentejano que chega a Lisboa
... desembarcado do vapor que passa o Tejo sai-se com esta lengalenga:
NO RESSIO, ENFIO
CUM DESIMBARAÇO;
LOGO ME PRANTI
NO TERREIRO DO PAÇO.
FOI ATÃO QUE VI
E QUE PUDE OBSERVÁ-LO
UM HOME DE CHUMBO
EM RIBA DUM CAVALO!

(Contada por uma Professora em Mértola, em 1985...)
 
  O alentejano pastor e o turista lisboeta.
Está um pastor no seu descanso a tomar conta do gado e pára um turista para meter conversa.
- Quantas vacas (ovelhas) é que tem este rebanho?
- Ora vo(ce)mecê que está interessado pode botar-se a adivinhar!...
- Olhe deve Ter aí umas 434.
- Ena! mê senhor, é mesmo certo. Nem mais uma nem menos uma. Como é que adivinhou?
- Ora foi só contar as patas e dividir por quatro!!!...
- Pois muito bem, mas tem de concordar que era mais simples contar os cornos, que estão ao alto e dividir por dois!!!
 
  O alentejano pastor e o turista.
- Por onde vai esta estrada?
- Esta estrada não vai para lado nenhum que a gente precisa dela aqui.
 
  O alentejano pastor e o turista.
- Ó ti Manel para onde vai esta estrada?
- Como é que você sabe que eu me chamo Manel?
- Basta olhar para a sua cara e vê-se logo que tem cara de Ti Manel!
- Pois atão olhe bem para as trombas da estrada que vê logo pra donde é que ela vai.
 
  O alentejano pastor e o turista.
Um casal de alentejanos apascentava calmamente uma vara de porcos. Para render mais a engorda, pegavam nalguns porcos mais pequenos e levantavam-nos até aos ramos dos chaparros para poderem comer as boletas...
Pára uma família de turistas que se demora a ver a cena... e o pai de família, passado algum tempo, não se conteve e sugeriu:
- ? Olhe lá, não era melhor abanar a árvore ou bater as bolotas com a vara? Caiam no chão e os porcos podiam comer mais e sem tanto trabalho!...
- ? Mulher, 'stás ouvindo? Estes devem ser ingenheiros!!!
 
  O alentejano pastor e o turista.
Estava então um pastor alentejano encostado a um sobreiro e olhar pelo gado...
Pára um carro donde sai uma grande família de estrangeiros...
- Estão a ver, - diz o pai - esta é a árvore da cortiça da qual se fazem as famosas rolhas!!!
- ? Mas paizinho, onde é que estão as rolhas? - e partem.
O pastor a remoer...: Tal 'stá a moenga, hen!
 
 

A menina vedeta e o pastorzinho Alentejano...
Esta é mesmo verdade!!! - Pára o carro... dá dois dedos de conversa... se possível tira uma fotografia... e depois... vai "cantar" prós amigos... em Lisboa...

 
  O turista estrangeiro no Alentejano...
Esta é mesmo verdade!!! Vem... gosta muito do Alentejo... até namora umas Alentejanas... depois compra um Monte... e depois ensina os Alentejanos como é que devem ser os Alentejanos...
 

6ª série

A/s ANEDOTA/s... para mostrar a esperteza saloia...
ou a capacidade de resposta pronta e adequada de quem não se estaria à espera...

  Quarto com duas camas...
- Atão, cumpadre, porque é vmc que precisa de duas camas no quarto?
- Atão!!! Uma é pra dromir ca nha Senhora e a outra pra dromir ca sua...
(Claro que a pergunta pode ser feita por um Lisboeta).
 
  E se na Cuba não se pode pedir uma manta... em Aguiar não se pode perguntar as horas...
Conta-se que depois das obras demoradas e muito caras da igreja, o povo de tão simpática terra passou um ror de tempo a ser cerrazinado pelo prior lá da terra para abrirem mais uma vez os cordões à bolsa... e contribuírem generosamente para comprar os sinos que tanta falta faziam para completar aquela bela obra... Os anos passaram... As esmolas lá iam caindo... caindo... Mas de sinos nem notícia... Até que por zangas ou andanças o prior foi mudado de freguesia...
Revolta do povo... protestos ao bispo... grandes ajuntamentos... Ameaças... Ainda por cima foi-se imbora co dinheiro dos sinos!!!...
Até que um dia chegam à terra uns caixotes enormes puxados por umas valentes juntas de bois... Ajuntamento geral... São finalmente os sinos... Aquele prior dum c., sempre sentiu vergonha e lá nos mandou aquilo que nos pertence...
Corre a voz por toda a terra e, com os homens no campo, as mulheres é que fazem todo o alarido... cada uma deitando contas à esmola com que a família tinha contribuído...
-
Eu também lá tenho parte...
- Ê 'inda tenho mais que só da nossa parte demos pelo menos o dobro...
- Olha, olha... a minha 'inda é maior que demos mais...
e lá foi correndo a conversa até que o pessoal das juntas dos bois descarregou a encomenda e lá foi à vida... Logo apareceram as autoridades e os grados da terra para abrirem os caixotes com todos os devidos cuidados...
Salta a tampa dos dois enormes caixotes quase ao mesmo tempo e o que é que sai de lá? Uma quantidade enorme de grandes e rijos cornos...
- Olha, Bia, aqueles mais ramalhudos devem ser a tua parte!!!
 
  O Alentejano que tinha três testículos...
Um dia um alentejano lá se deixa de vergonhas e vai ao médico... Para espanto de ambos, depois de observar cuidadosamente, o médico anuncia ao nosso homem...
- É estranho, mas não será caso de morte, homem!!! Esse mal que o atormenta é só um caso raro da natureza... Você tem três testículos!!!
O nosso homem lá abalou conformado e até um tanto vaidoso por ter alguma coisa mais que outros... e, sem querer falar muito no assunto, claro, não ia por aí anunciá-lo aos quatro ventos, mas um dia não se conteve... Ia no comboio mesmo ao lado de outro compadre e não tinham mais assunto de conversa... Meio atrevido, meio envergonhado atira para o outro:
- Atão no quer lá sabere, ó cumpadre... atão no é vão aqui, no conjunto de ambos os dois, nada mais nada menos, que cinco testículos...
- Que é que se passa compadre? Atão no querem lá ver que vocemecê só tem um?!!!
 
  O Alentejano e o espelho.
Um alentejano vai a Lisboa e depois de correr tudo o que pode, já quase no regresso, fica embasbacado em frente de uma montra que tinha um espelho... Olha olha no qurem lá ver!!! Logo a primeira vez que venho a esta terra e já têm ali a minha fotografia... Entrou e comprou logo aquela preciosidade... Chegou a casa e foi logo mostrar à mulherie...
- Olha o que eu fui encontrar, em Lisboa, ó Bia!!! A minha fotografia ali escapachada numa montra da cidade!!! A mulher olha, olha, deixa o homem abalare... Olha outra vez e não se contém:
- Olha-me aquele velhaco! Apanha-se sem mim por um dia e logo arranjou outra, inda por cima parecida comigo!!! ... e corre a fazer queixas à mãe...
- Atãoe no quer lá ver nha mãe... Aquele desgraçado vai a Lisboa a arranjou logo uma amante... Venha cá ver o que aquele malvado trougue de presente!!!
A mãe olha com atenção, mira e remira o espelho e comenta:
- Dêxa, mulher, no te rales que já é uma velha relha e gasta que no presta p'ra nada...
 
  O (A) Alentejano(a) e o espelho.
Passados largos anos de trabalho e poupanças e de mudanças de herdade para herdade, lá chegou o dia que o moiral decidiu comprar um guarda-roupa com um grande espelho...
Monta-se a armário, grande azáfama para arrumar as roupas... As mulheres da casa fazem desfile para se verem de alto a baixo... Passa a avó velhinha e comenta:
- Oh filha, é verdade que aquela ali sou eu? Olha a figura triste que ando por aí a fazer!!!
(Isto passou-se com a avó Clara que era a mãe da ti Beatriz da Vinha, de S. Matias, contada em 1991).
 
  O Alentejano interrogado pelo polícia sobre o acidente...
- Olhe bem senhor polícia: Vê aquele chaparro?... Vê aquela curva?...Pois eles nã vi(ra)ram!!!.
 
  O alentejano e as diferenças.
Para um alentejano, qual é a diferença entre um relógio e um burro?
O relógio, quando parte a corda, pára; o burro, quando parte a corda, foge.
 
  O alentejano e os veteranos da guerra.
Um alentejano confraterniza com dois veteranos da guerra do Golfo.
- Olhe aqui compadre: esta é de Kweit City...
E o outro:
- Esta é de Bagdade City!
E o alentejano mostra a sua e
Apend City!
 
  O alentejano e os veteranos da guerra.
No fim da guerra, aquele alentejano que até, depois, ficou a trabalhar no Banco lá da terra, na farra da despedida, comprometeu-se com os dois amigos, um americano e um inglês a beberem um copo, cada um no seu país, para lembrar os bons e os maus momentos daquela guerra e por terem sobrevivido.
Todos os dias, desde há mais de vinte anos, ali o empregado do café já tinha os três copos de três perfilados para o nosso compadre veterano...
Um dia o empregado fica alarmado. Contra toda a rotina, o nosso alentejano corre apressado e faz-lhe sinais desesperados para que não comece e encher o terceiro copo... Com a garrafa na mão, boquiaberto, o empregado espera e com o ar mais triste que conseguiu, interroga:
- Então?, compadre, lá morreu um dos seus camaradas?!!!
- Deixe-me sossegado, homem e deixe ficar só estes dois. Ontem, depois de sair daqui, fui ao médico... e ê, é que deixei de beber!!!
 

7ª série

A/s ANEDOTA/s... para mostrar a lei do menor esforço...
que afinal pode ser confundida com a 3ª série a lhaneza, a simplicidade, a ligação à terra

  AZEITONAS OU CARACÓIS?
Pergunta-se a um Alentejano:
- Vomecê prefere apanhar caracóis ou azeitonas?
- !!!??? - o Alentejano depois de muito matutare... a pensare nas frieiras e na geada... da apanha da azeitona... - Ê cá prefiro apanhar azeitonas... Os caracóis são bichos muito remexidos...
 
  - Atão, hoije na se vai trabalhar, cumpadre?
- Saco vazio no s'indireita, patrão!!!...
O lavrador manda dar de comer ó home...
- Atão na vai trabalhar? Bem comido... Bem bebido...!
- Saco cheio na se pode dobrariee...
 
  O ALENTEJANO EM LISBOA (Dinheiro a pontapés.)
Um compadre já um bocado farto de passar toda a vida ali no monte, resolve-se ir até Lisboa e vai comentando esta ideia com os conhecidos e amigos...
Um dia encontra um velho conhecido e este é que o decide mesmo:
- Pois faz muito bem o mê compadre... Lá em Lisboa o dinheiro é aos ponta-pés!!!
Lá vai o nosso homem de comboio... Viagem no Domingo para não perder sequer um dia de trabalho... Sai do comboio no Barreiro e amonta-se no vapor que passa o Tejo... Mal põe o pé no chão o que havia de ver... Uma nota de vinte escudos a voar à sua frente...
Olha bem, esfrega os olhos e quando se ia a baixar, dá-lhe um pontapé e comenta:
- Ora cá stá o co mê compadre muto bem dezia... Dinheiro aos puntapés...!!!? Ora hoje no trabalho, que é Domingo.
 
  Os Alentejanos e a alâmpada...
- Quantos alentejanos são precisos para mudarem uma lâmpada?
- ??? !!!
- São precisos cinco (41)... Um para segurar a lâmpada e os quatro (40 para andar ca casa à roda...) para andar com ele à roda... primeiro para a esquerda até tirar a fundida e depois para a direita até atarrachar a nova...
 
  O Alentejano e a cadeira ao lado da cama...
- Porque é que os alentejanos têm sempre uma cadeira ao lado da cama?
??? !!!
- Para descansarem logo que s'alevantam.
 
  O Alentejano que cava sentado.
- ? Atão compadre, aí sentado a cavar!??
- Atão como houvera de ser! Já experimentei dêtado no dá!!!
 
  O Alentejano à Segunda Feira...
- Sabem porque é que os alentejanos, à Segunda-feira, saem de casa pela janela?
- ??? !!!
- Porque têm uma semana de trabalho à porta!!!
 
  O alentejano a benzer-se.
Obrigado meu deus, (e leva a mão à testa), por poder encher a barriga (e leva a mão ao peito ou um pouco mais abaixo); sem ter de mexer este nem este ( e leva sucessivamente a mão aos ombros).
 
  O alentejano levanta-se muito cedo.
- Porquê? Para Ter mais tempo para descansar.
 
  O alentejano cava sentado.
- Porquê? Já expromenti dêtado mas no dá jêto!
 
  O alentejano na América visita um amigo e fala contantemente do seu monte...
Uns tempos depois o amigo americano vem a Portugal e não descansa enquanto não vai visitar o alentejano no seu monte. Com o seu automóvel, passados dois minutos, têm o monte todo visto.
- Isto é que é o seu monte de que você tanto falava lá na América? Lá na América, a minha herdade, no fim de cinco horas ainda não tinha visto tudo!!!
- Ê tinha um desses mas vindi-o!!!
 
  O alentejano motociclista.
- Porque é que os alentejanos usam um fato às listas para andarem de moto?
- Para se deitarem nas curvas.
 
 

Os alentejanos e as traquitanas de 4 rodas...
- Atão cumpadre p'ra que cumprou vmc uma dessas motas tapadas e de quatro rodas?
- Atão os outros são maisqueu!? Assim impato os carros grandes na mesma e passo os burros todos pela esquerda...

 

 
  ATÃO PRA QUIÉQUE VOMC STÁQUI CONTANDO TANTAANEDOTA?
- Oressa! Desta e doutras vou ê pedir CopyRightes...
 

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