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estueja vuossumuecê
cum dueus e nua cumpanhuia dus que muais cuere qu’eu i muais
a muinha puatriuarca estuamos buem, cuando a buocuarra dos
cuântaros e muais a du suouto du conçuelho luá puás buandas
da luapa, nu nuos muostra os duentes arrueganhuados e nuão
nus avuanta pelos uares cuomo umua puena ou nuos vuem cuma
tuempestuade de nueves ou de granuizo caté pulas nuesgas das
puedras dua cuaubana se muete e a muodos c’abuala com o demónho
dua cubuertura du cuolmo pru a ribueira aciuma... atué pra
lá duas luamueiras ou inda pra ciuma duos cuovuões...
tuempo duanuado ueste que
nu nuos dueixa tumuar tuento nu guado que nuem um puouco se
puode dueixar da muão, pur vuia dus luobos que suão luobos
e por vuia dus uoutros que suão juente muas uainda muto piuore
cós luobos...
a muinha puatriarca uma anduadueira
buenza a dueus, uanda cu as muãos chueiinhas de fruieiras
cu muais puaruecem as chuagas do nuosso senhuor nu çuéu stueja...
uó senhuor duoutor!
nem puor um muomuento uê me
puosso olviduar duacuele duia nua suerra cum fruio duos diuanhos
i a juente a cunversuar e a butar fumuarada pur a buoca que
puareçuia muesmo as paluavras a tumuarem a fuorma do buafo...
e vuai duaí ós puois ueu juá muorduia a últimua piruisca e
nuem a uonça nuem o cuárduápio duas murtualhas tuinha nuem
cutuão...
ueu nu tuiruava us uolhos
duacueles ciuguarros uinrruluaduinhos tuoduos fueitos juá
vuenduidos tuodos reduondos e cuma ruolhua de cuortiça nua
puonta cua juente nuem lhu tuoma o guosto um migualho... e
vuai duaí, suó pra m’arrenuegar vuocemuecê duisse, uanda luá,
ó Juacuim, q’eu duou-te um puacuote duestes... e tu duás-me
umua uvuelha... i suou ueu qu’iscuolhe...
uora buenzuó dueus que vuomecê
buem suabe o puduer cu vuício tuem nua cuabueça dum uhomem...
ueu de cabueça puerdida... uinda ó muenos se fuesse dum duaqueles
defuinituivos ou duos provisuórius ou ó muenos uma uonça muais
ua murtualha cu duão cuá uma sustuância à buarriuga dum uhomem
cu nuem um caldudo de cuastuanhas puiluadas, uinda vuá...
aguora desses!!! ...muas a ceguueira uera tuanta dum ciuguarrinho
e cu senhuor me perduoe muas saíu-meu acuela sem mais acuelas...
duiabus luevem a chuiba cu sualva a vuida dun uhomem... ós
puois, cuando ume uestrevi a cuntar uá muinha ué cue fuoram
o cuabo dos trabualhos... aguora juá suei que vómucês a industruíram
muto buem prua puxuar uinda muais puor muim e de cuntuar ua
duos ciguarros de cuaixa e de puontas de cuortiça i uela aguetuou-se
uali sim arreuar, muais duma sumana cu a cuabra buem escundida
numa cuorte du luado uonde vósmecês ua dixuaram...
uessa fuoi muesmo de cuabo
d’isquuadra suim senhuora, i intué juá a cuntei nu fundevuila
uó juão dua puachueca e u cu nuos fuartámos du ruir cu caguatuas
cu’incuntruámos luá pruá cuastanhueira... intué cu jacuim
cúcu... uinda cum fruio de muil demoncres e uas paluavras
a suaírem dua buoca e a fazuerem aqulas buolas de nuvem e
a misturuarem-se co nevueiro qu’estuava levuado dum ruaio...
vuai duaí uós puois atué cuntuaram
uaquuela du cuatrâmbias
cu fuoi prueso puor muor danduar a dueituar o fuogo
uás muatas i intué u levuram ao injuinhueiro da mutas, o burjuona...
uaí u injuinhueiro dissu-lhu cu tuoda a juente suabia q’era
uele cu buotuava uos fuogos... e uele q’era muau d’assuar
uassim ua muodos carreluampuado da cubeça puor muor dus guases
da guuerra cu tuoda a juente o cunheçuia a fualuar suózinho
pulas escualueiras de suão puedro a buaixo cu souvuia uem
tuodo o fund’vuila e uaté nua inxertuada e nas ruabitas...
e uintué nuas luajens a pruegar cuontra tuudo u cuera autoriduade
e tuduo quera suanto... e duizem que duessa vuez ficou uali
mazuombo de tuodo... cuerem vuer quindua lueva uma tuosa...
ueles uaté suó u cruiam acuagaçuar... e uele mudo e cuedo...
e vuai duaí... espuera luá que vuais aguaçar uesta... puois
fuoi ó buarjuona... ueu juá mua luembro... intué uestá uali
o muestre suerra cu nu um dueixa muentuir... uintão uinté
fuoste tu que m’impruestuaste os fuósferes...
uessa uinda uera o muenos
puois tuodos suabiam a ualma qu’uele tuinha uós duas muatas
cu dueram cuabo duos puastos... i uá cuonta duos fuogos uinda
luvou muesmo uma tuosa luá na guardua muas uele mudo e cuedo
que nuem um puenedo...
muas ua uoutra do catruâmbias
cando uele uia
p´ruós luados da ruibueira dos sicueiros uá mualhuada e nua
estruada nuova ao valazuedo juá despuois de passuar as barrueiras
uá empresa puassa pur uele u senhuor cruz um uhomuem pur tuodos
muto respueituado quintué era o secretuário da cuambra e inté
lhu chuamuavam o muanga dualpuaca e o luetra fuina e uele
luvuava uns luivros luá da cuambra e uia uà sua vuida... e
vuai o catuâmbias e o muodos quia fualuando cu burruo... uanda
luá burruo cus domoncres quiscruesves tu muelhor cu ruabo
e espuantuar muoscas du que mutuos tuoda ua viuda a ecrevuer
cum canueta e apuaro de tuinta...
Uora uesta
juá vuai luonga menuino zué muas uisto duas paluavras queu
num suei ecrevuer i dituei uó mueu nueto cuanda nua ecuola
àum ruor d’anuos e nu puassa da çuepa tuorta... muas cumo
uia dizuendo uisto duas paluavras suão cumás cereijuas ca
juente cubiçuava nu cuintal da cuasa dua gurdua dua muata
de suão sabastiuão... muas cum uesta um fico e nu suei muais
u que duiga... puor uhoje abuonda... muto buem uhaja puor
tuduo puela esmuolinha que ume fuez e cando quijer tuer o
incómoduo de um cueruer fualuar tuem uali ua muinha cuasa
uás uórdens puobre muas cum buocuado de centuei nuegro e um
cueijo...
...i uisto uera um nu muais
acabuar... nuem me cuero a lembruar duacuela do Afuonso Cuosta
a me procurar o que se dizuia do Afuonso Cuosta que intué
uera de Sueia i tuem uma cuasa nas puenhas douruadas... oH!
atuão duizem que uele ué um gruande maluandro que nuem acreduita
im dueus e nuossa senhuora!!!
vuou acabuar.
Uinté muais
vuer... u sueu criaduo...
Mantueigas, muil nuoveçuentos
ui stuenta ui uoito,
Juaquim
Suono.
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Esteja vocemecê com Deus e na companhia dos que
mais quer que eu e mais a minha Patriarca estamos bem, quando
a bocarra dos Cântaros e mais a do Souto do Concelho lá para
as bandas da lapa, não nos mostra os dentes arreganhados e
não nos aventa pelos ares como uma pena ou nos vem com uma
tempestade de neves ou de granizo que até pelas nesgas das
pedras da cabana se mete e a modos que abala com o demónio
da cobertura de colmo pela ribeira acima... até para lá das
Lameiras ou ainda para cima dos Covões...
Tempo danado
este que não nos deixa tomar tento no gado que nem um pouco
se pode deixar da mão, por via dos lobos que são lobos e por
via dos outros que são gente mas ainda muito pior cós lobos...
A minha
Patriarca uma andadeira, benza-a Deus, anda com as mãos cheiinhas
de frieiras que mais parecem as chagas do Nosso Senhor, no
Céu esteja...
Ó senhor
doutor!
Nem por
um momento eu me posso
olvidar daquele dia na serra com um frio dos diachos e a gente
a conversar e a botar fumarada pela boca que parecia mesmo
as palavras a tomarem a forma do bafo... e vai daí ós pois
eu já mordia a última pirisca e nem a onça nem o cardápio
das mortalhas tinha nem cotão...
Eu não
tirava os olhos daqueles cigarros enroladinhos todos feitos
já vendidos todos redondos e com uma rolha de cortiça na ponta
que a gente nem lhe toma o gosto uma migalha... e vai daí,
só para m’arrenegar vocemecê disse, anda lá, ó Joaquim, q’eu
dou-te um pacote destes... e tu dás-me uma ovelha... e sou
eu que escolhe...
Ora, benza-o
Deus que vocemecê bem sabe o poder que o vício tem na cabeça
dum homem... e eu, de cabeça perdida... ainda ao menos se
fosse dum daqueles definitivos ou dos provisórios ou ao menos
uma onça mais uma mortalha que dão cá uma sustância à barriga
dum homem que nem um caldudo de castanhas piladas, ainda vá...
agora desses!!! ...mas a cegueira era tanta dum cigarrinho...
e que o Senhor me perdoe mas saiu-me aquela sem mais aquelas...
diabos levem a chiba que salva a vida dum homem... e de
pois, quando me atrevi a contar á minha é que foram o cabo
dos trabalhos... agora já sei que vocemecês a industriaram
muito bem para puxar ainda mais por mim e de contar a dos
cigarros de caixa e de pontas de cortiça e ela aguentou-se
ali sem arrear, mais duma semana com a cabra bem escondida
numa corte do lado onde vocemecês a deixaram...
Essa foi
mesmo de cabo de esquadra, sim senhor! e até já a contei no
Fundevila ao João da Pacheca e o que nos fartámos de rir com
o Cagatas que encontrámos lá prá Castanheira... até com o
Joaquim Cuco... ainda com um frio de mil demónios e as palavras
a saírem da boca e a fazerem aquelas bolas de nuvem e a misturarem-se
com o nevoeiro qu’estava levado dum raio...
Vai daí
depois até contaram aquela do Catrâmbias que foi preso por
causa de andar a atear o fogo ás matas e até o levaram ao
engenheiro das matas, o Barjona... Aí o Engenheiro disse-lhe
que toda a gente sabia q’era ele que botava os fogos... e
ele q’era mau d’assoar assim a modos arrelampado da cabeça
por mor dos gases da guerra que toda a gente o conhecia a
falar sozinho pelas escaleiras de S. Pedro a baixo que se
ouvia em todo o Fundevila e até na Enxertada e nas Rabitas...
e até nas Lajes, a pregar contra tudo o que era autoridade
e tudo que era santo... e dizem que dessa vez ficou ali mazombo
de todo... querem ver que ainda leva uma tosa... eles até
só o queriam acagaçar... e ele mudo e quedo... e vai daí...
espera lá que vais agarrar esta... pois foi, ó Barjona...
eu já me lembro... até está ali o Mestre Serra que não me
deixa mentir... Então até foste tu que me emprestaste os fósforos...
Essa ainda
era o menos pois todos sabiam a alma que ele tinha aos das
Matas que deram cabo dos pastos... e à conta dos fogos ainda
levou mesmo uma tosa lá na Guarda mas ele mudo e quedo que
nem um penedo...
Mas a outra
do Catrâmbias, quando ele ia prós lados da Ribeira dos Siqueiros,
à malhada, e na Estrada Nova, ao Valazedo, já depois de passar
as Barreiras, à Empresa passa por ele o senhor Cruz um homem
por todos muito respeitado que até era o secretário da Câmara,
e até lhe chamavam o Manga d’Alpaca e o Letra Fina e ele levava
uns livros lá da Câmara e ia à sua vida... e vai o Catrâmbias
e a modos que ia falando com o burro... anda lá burro, C’os
domoncres que escreves tu melhor com o rabo a espantar moscas
do que muitos que passam toda a vida a escrever com caneta
e aparo de tinta!...
Ora esta
já vai longa menino Zé mas isto as palavras que eu não sei
escrever e ditei ao meu neto que anda na escola há um ror
de anos e não passa da cepa torta... mas como ia dizendo isto
das palavras são como as cerejas que a gente cobiçava no quintal
da casa da guarda da mata de S. Sebastião... Mas com esta
me fico e não sei mais o que diga... Por hoje abonda... Muito
bem haja por tudo, pela esmolinha que me fez e quando quiser
ter o incómodo de me querer falar tem ali a minha casa às
ordens... Pobre mas com um bocado de centeio negro e um queijo...
...E isto
era um não mais acabar... Nem me quero lembrar daquela do
Afonso Costa a me procurar o que se dizia do Afonso Costa
que até era de Seia e tem uma casa nas Penhas Douradas...
Oh! Atão, o que haviam de dizer... dizem que ele é um grande
malandro que nem acredita em Deus e Nossa Senhora!!!
Vou acabar.
Até mais ver... O seu criado...
Manteigas, mil novecentos
e setenta e oito.
Jaquim Sono...
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