Serra da Estrela - Manteigas

in joraga.net aminhaTEIAinterminávelnaREDEilimitada

um ANDARILHO em viagem pelas
7 partidas... 7 jornadas... 7 mundos... 7 mares... 7 temas... 7 espaços... 7 tempos...

por JORAGA o acrónimo de JOsé RAbaça GAspar e outros mais de 1001 deNÓMIOS...

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Viagem à minha STerra - Serra da Estrela - Manteigas

A NOMINÁLIA

Nesta PÁGINA pode ver

o ESQUEMA das NOMINALIA

a DEDICATÓRIA

a INTRODUÇÃO

e depois pode saborear, em paralelo,

as 3 NOMINALIA carregue aqui ou na capa a seguir

ou a FESTA dos NOMES de Gentes e Alcunhas, Nomes dos Lugares ou Toponímia Nomes de Terras, Sítios e Lugares... Nomes de PESSOAS, nomes de registo, oficiais e NOMES que são máNomes ou Alcunhas ou Ápodos, e algumas expressões saborosas, do modo do "FALAR", da "fuala" das Gentes da Minha Terra - Manteigas...

(em eBOOK, em breve nesta PÁGINA da minha TEIA na REDE in joraga.net/serradaestrela - os Bancos de Dados que são a base deste trabalho))

NOMINÁLIA - o esquema

TOPONÍMIA

NOMES DE GENTE E ALCUNHAS!...

FALA / EXPRESSÕES



Os NOMES típicos dos LUGARES... PICOS, FONTES, CURSOS DE ÁGUA... são um GLOSSÁRIO fascinante... ou um retrato falado da SERRA...

Há muitos NOMES próprios e APELIDOS de Famílias que têm a marca enraizada da SERRA... mas as ALCUNHAS ou MÁ-NOMES, serão, por malícia ou ingenuidade popular, o NOME que define muitos personagens, da minha Terra na Serra, que, devido à delicadeza do assunto, procuramos não identificar...

EXPRESSÕES - O MODO DE FALAR rude, das Gentes de Manteigas, tem, porventura, uma relação com a rudeza dos envolventes e a dureza do clima... Ver tb. CARTA imaginada, de um PASTOR imaginado

 

Dedicatória

"Tendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todos os animais dos campos, e todos os pássa-ros dos céus, levou-os para o Homem, para ver como ele os havia de chamar; e todo o nome que o Homem pôs aos animais vivos, esse é o seu verdadeiro nome."
Génesis, 2, 19

"Who go to the mountains go to his roots."
"Qui va aux Montagnes va vers as Mère."
"Aquele que vai até à Montanha vai a caminho das suas RAÌZES mais profundas."
in KIM, Rudyard Kipling

...dedico, pois, este trabalho, primeiro
aos meus pais e suas numerosas famílias, os Paiva, os Rabaça, os Gaspar...
que desde há séculos se radicaram em Manteigas...

em sequência, claro, aos meus irmãos, primos e parentes
e aos filhos, agora espalhados pelas sete partidas do Mundo,
para que não esqueçam as suas RAÍZES
a Terra, a Água, o Ar, o Sol, as pavorosas tempestades das Serra...
o som, a música dos ribeiros e ribeiras e levadas e rios a correr...

e, finalmente a todas as pessoas da minha STerra
um nome que tive de inventar para dizer a minha Terra na Serra
e a toda a gente da Roda da Serra e de Trás de Serra...,
e ao seu poder criador - Sereis Como Deuses -
que conseguiu criar um povo belo, quase sem agredir a Mãe Natureza,
e para o criar, deu nome próprio às coisas, aos sítios e lugares, às pedras e às rochas e fraguedos e penedos e às suas variadas formas... e deu nome aos seus vizinhos e parentes que por vezes são mais verdadeiros que os da Pia do Baptismo... mas por vezes um tanto "agressivos" de tão verdadeiros
e assim criou o Nuosso Muodo de Fualar... um Universo próprio que é Si-nal e Selo da sua, da nossa Identidade... que nos torna únicos e diferentes iguais em todo o Mundo...

enfim, para que as RAÍZES se não percam... Ainda iremos a tempo?

"O centeio é semeado no alto, em terras de pousio... ali é que engradece mais."
Um Pastor, Lavrador da Serra da Estrela, no Poço do Inferno, Verão 1979.

 


ABERTURA
UMA INTRODUÇÃO

Outrora, há muitos muitos anos, ERA UMA VEZ... ora aí está, a maneira como devia ter começado as notas de ABERTURA deste trabalho que afinal não sei bem se é um trabalho de estudo e investigação, ou se, exactamente por isso mesmo, é e foi uma maravilhosa viagem através do maravilhoso num constante deslumbramento á procura das recordações da minha infância..., à procura das vozes e sabedoria dos meus antepassados ..., à procura de mim como adulto cansado e desejoso de tantas viagens pelo vasto mundo e sempre sempre à procura das raízes..., à procura de per-ceber ou tentar perceber as gentes da minha STerra... da Estrela... das Estrelas... e a tentar perceber, se elas, as gentes da minha STerra, se percebem...

Mas, como ia contando no princípio, ERA UMA VEZ..., um REI muito podero-so, mesmo muito poderoso, tinha criado o céu e a terra, e depois passou uma data de tempo a dar nome às coisas todas para que todos percebessem que as coisas eram dele porque as tinha criado e não viessem depois os outros reis e donos das coisas dizer que aquilo era deles e por isso tinham direitos de autor e direito de fazer delas o que muito bem lhes apetecesse...

Ora o que aconteceu de facto é que esse REI muito poderoso, mesmo muito poderoso, há quem lhe chame mesmo omnipotente e por isso pode tudo, pode mesmo, como dizia um companheiro meu de catequese... se pode tudo até pode fazer um pe-dregulho tão grande tão grande que depois não pode com ele e aí ELE deixa de ser todo poderoso; parece que esse REI criou mesmo o céus e a terra tão grandes tão grandes que com certeza não teve tempo de dar nomes às coisas todas porque eram muitas e estavam e estão sempre a crescer e assim, talvez naquela altura em que ao sétimo dia teve de descansar para ver que tinha feito tanta coisa e tudo era espantosamente bom e belo, pumba, nessa altura, deve ter havido uma data de gente que não sabia o nome das coisas sobretudo daquelas mais comesinhas e sem importância a que aquele REI não teve tempo de dar nomes como as terras e as pessoas e os lugares e pedras e montes e fragas e rios e ribeiros e fontes de cada terra porque só os milhares de galáxias que tinha para contar e nomear já lhe davam um trabalhão e parece que não tinha estas máquinas modernas que servem para organizar os conhecimentos das pessoas e por isso se chamam organizadores ou ordenadores mas muita gente chama computadores talvez porque compõem tudo ou como dizem alguns más-línguas computam tudo ou putam tudo com..., o que eu não sei o que quer dizer, mas como há pessoas que sa-bem, pronto, está tudo certo mesmo sem o estar..., e assim, as pessoas que não sabi-am os nomes das coisas e por isso andavam às aranhas e não se entendiam nem lhe podiam chamar suas para fazerem delas o que muito bem entendessem, desataram a dar nomes às coisas...

e uns deram nomes às coisas para se apropriarem delas e as usarem ou destruírem...; parece que outros, iam chamando nomes a tudo o que viam ou tentavam ver, e se ficavam maravilhados, então, tentavam dar-lhe um nome bonito para que o nome lhes recordasse aquela boa impressão, ou, ao contrário, se encontravam alguma coisa e essa coisa aqui quer dizer tudo quer seja pedra ou erva ou bicho ou gente ou ser de qualquer espécie, e essa coisa não lhes agradava, então davam-lhe um nome que lhes fizesse sentir esse mesmo sentimento de medo ou horror cada vez que o pronunci-assem...

Claro que todos já descobriram que eu estou para aqui a contar histórias sem pés nem cabeça porque toda a gente sabe que todas as coisas têm nome, mas o que é verdade verdadinha é que quando se pergunta quem deu o nome àquela coisa, e sobre-tudo quando perguntamos porque é que aquela coisa tem aquele nome e não outro qualquer e porque é que em português têm um nome e em inglês ou francês ou chinês ou russo ou... noutra língua qualquer se chama de outra maneira, então aí, começamos a descobrir que sabemos de facto muito pouco e até nem sabemos os nomes verdadei-ros que esse REI poderoso, mesmo muito poderoso que criou tudo, lhes terá dado por-que até nem sabemos muito bem que língua é que esse REI falava ou fala... e, para cúmulo da ironia!, nem sabemos como é que esse Rei se chama... o perigo é que pare-ce que há uns que sabem... e até desatam a matar os outros ou os reprovam e margina-lizam até aceitarem o nome que, eles que sabem, lhes dão!!!... e isto não é só na religião ou nas religiões que acontece!... como só deve haver um só Deus, em princípio só deve haver uma verdade, uma religião e, a partir daí, cada um, que tem a sua, diz que a dele é que é, e embora se admita a democracia e a tolerância, bem, tolera-se que os outros tenham a sua respeitável opinião desde que admitam a nossa como indiscutível, e, como nós somos iluminados e recebemos revelações indiscutíveis, pronto, acaba a discussão e a nossa revelação é a verdade absoluta pois se não houvesse uma verdade absoluta e indiscutível como é que nos havíamos de entender?! era a confusão e o caos. Nin-guém se entendia, porque cada um podia ter a sua opinião!. Disparate. Desaparecia o universo e o cosmos cujas leis são perenes e imutáveis e, como se tem visto ao longo da história, foram sempre iguais, universais e indiscutíveis... o sol contínua calmamente a seguir a sua trajectória ao redor da terra, embora já se tenha provado que a terra gira estando, como se vê, indiscutivelmente parada, como até se vê que é plana e direita, quando sabemos que é sensivelmente redonda! ora o disparate! então como é que a gente se aguentava em pé e como é que se podiam fazer as verticais e as oblíquas!?... e como se pode constatar, isto que acontece nas religiões, o que não pode ser porque só pode haver uma e assim, pumba!, cada uma tem que acabar com as outras em nome do mais puro bom senso e da mais elementar lógica e como acabar com as outras, com as religiões, claro, implica acabar com quem as segue ou promove, pumba!..., daí con-cluir-se que se pode e deve estabelecer como princípio válido universal e indiscutível que cada um deve acabar com cada qual até que o deus único e verdadeiro e por conseguinte a religião única e verdadeira fique definitiva e indiscutível!!! ora daqui, como é lógico, passa-se para as ciências..., para a educação..., e até quanto aos nomes da Serra e da Terra... TAMBÉM! que sempre tiveram o mesmo nome e só podem ter um e PRONTO!!! e esse é Aquele que Eu digo!...

E se nos deixássemos de brincadeiras?
Afinal as coisas têm ou não têm nome? Se têm, e esse nome faz parte delas, então todos as deviam chamar da mesma maneira. Então as coisas não têm nome. Então se não têm nome cada um pode chamar-lhes da maneira que achar mais conve-niente! Mas nesse caso como nos íamos entender uns com outros? E como é que nos relacionávamos uns com os outros e com as coisas e os outros seres? Assim, parece que precisamos dos nomes, dos nossos nomes e dos nomes de tudo o que existe, para nos relacionarmos uns com os outros e para nos relacionarmos e comunicarmos com os outros seres e as outras coisas...

Então porque não chamamos todos os bois pelo seu nome?
Porquê tanta variedade?

É que, como dizia Epicteto: "em nosso poder estão, não as coisas, mas as representações (fantasias) que temos das coisas; no uso dessas representações (fan-tasias) está a nossa liberdade, e nesta liberdade a nossa felicidade." Mas quem era esse senhor Epicteto que acabou agora de entrar aqui nesta história que começou outrora há muitos muitos anos e com a história de um REI muito poderoso mesmo muito poderoso que até podia fazer tantas coisas que não teve tempo para dar nome a todas as coisas que iam fazendo até porque as fez com poder para as coisas criarem outras coisas e assim fez uma quantidade de seres que parece que são todos que são como ELE ou parecidos com ELE com poder de criar coisas e tudo e de dar nomes às coisas!... Esse senhor Epicteto era um filósofo de um país perdido que nem era país mas que era na Frígia quando os romanos andavam a conquistar tudo em todo o lado e até já tinham arranjado maneira de se livrar do Viriato que os não deixava tomar conta dos montes Hermínios, pois o Epicteto já nasceu mais de cem anos depois de terem morto o Viriato lá para o ano 138 ac. e o Epicteto nasceu lá para o ano 50 pc., e foi escravo de um se-nhor romano que depois o libertou e ensinou em Roma até que o imperador Domiciano resolveu desterrar os filósofos e os poetas todos que eram uns tipos muito incómodos, e aí ele foi para Nicópolis do Epiro onde continuou a ensinar até morrer em 138 pc. e teve a sorte de ter um discípulo que escreveu as coisas que ele ensinava ou dizia que ele tinha ensinado...

Uma frase que, segundo os escritos de Ariano, ele teria dito era mais ou me-nos assim: "O que perturba e alarma o homem não são as coisas, mas as suas opiniões ou fantasias (representações) acerca das coisas." Parece pois perceber-se que o que perturba e alarma o homem, e aqui o homem são os homens e as mulheres e as crian-ças, não são as coisas mas o nome que o homem dá às coisas, porque os nomes antes de serem ditos ou escritos, oh! mas quanto tempo antes, já são uma representação ou uma imagem ou um símbolo ou signo na nossa cabeça ou na nossa fantasia e depois, ao longo de muitos muitos milhares de anos, as pessoas foram aprendendo a dizê-los e depois, muito muito depois foram tentando escrevê-los e passaram a dizer que eram coisas verdadeiras e existiam porque tinham nome...! E assim se foram entendendo e se entendem as pessoas de uma certa zona, criando uma Cultura... uma Identidade... uma Base de Entendimento... aprendendo a ter Medo e /ou a Admirar as mesmas coisas...

Então parece que, cada vez que damos o nome a uma coisa, a criamos. Ou nos apropriamos dela? Ou entramos em comunicação com ela? Seja pessoa, ser ani-mado ou inanimado como nós dizemos?

Bem, toda esta história veio para aqui para tentar explicar, ou para eu tentar perceber, o motivo porque resolvi organizar este livro sem histórias que parece mais uma lista telefónica ou um dicionário ou uma enciclopédia e afinal é uma NOMINÁLIA, a festa dos nomes que os romanos organizavam, e como os nomes todos têm uma histó-ria, afinal este livro sem histórias tem mais de mil histórias e fica à espera das mil e uma que tu tens para (me) contar... ou encantar?

Porquê então esta viagem de deslumbramento fascinante e encanto surpre-endente? Porquê? Talvez para saber quem sou. Talvez para sabermos quem somos. Talvez para não nos esquecermos do que fomos para construirmos melhor o futuro que fizermos...

Porquê NOMINÁLIA? Por ser a festa dos nomes das palavras, da lingua-gem...
Porque abre com dois hinos? Será a primeira parte... Ainda por cima um com pretensões de me deixar emocionar pelo imortal Beethoveen? Exactamente por isso. Para me abrir ao ESPANTO e ao DESLUMBRAMENTO perante as coisas... e as pe-dras... e as pessoas...!
O outro? Talvez para encontrar um sentido para a VIDA... ou para a MORTE?
E a cuarta? a carta? inventuada dum puastor ao sr. duoutor zué? Será uma tentativa de regressar aos meus sons de menino, ou aos sonhos? que ouvi talvez antes de ter nas-cido... e a revelar a impossibilidade de tentar transcrever a espantosa variedade de tons e sons das vária zonas da serra!

Foi talvez por isso que, para conseguir chegar aqui, tive de registar ao longo de muitos anos, vários bancos de dados como se fossem 1º) uma lista de TERRAS como se fosse um livro de geografia ainda por cima sem ilustrações; 2º) uma lista de nomes de lugares e recantos e fontes e rios e pedras e fragas e covões e naves e cas-catas e poios e penedos a que chamei TOPONÍMIA; 3º) uma lista de nomes de pessoas e gente com nomes verdadeiros... verdadeiros?! relacionados com as coisas da serra e da terra...; 4º) uma lista de nomes de pessoas e gente que existe e que não existe mas existe porque tem nome mas não tem aquele nome verdadeiro mas nomes que foram criados por alguém que, para além do nome verdadeiro, qual é o nome verdadeiro das pessoas?, lhe deram outro nome, quem?, e com que autoridade não se sabe, ninguém sabe, mas muitas vezes ninguém conhece aquelas pessoas pelo nome que dizem que é verdadeiro e se disserem o outro nome que lhe inventaram todos conhecem aquelas pessoas e assim eu chamei a essa lista de ALCUNHAS (que podia chamar-se ANEXINS, ALCUNHOS, APELIDOS, MÁ-NOMES, COGNOMES, NOMEADAS...) que por vezes é algo de fantástico em criatividade e talvez com um prodigioso sentido de oportunidade a retratar talvez não a pessoa mas a ideia que as outras pessoas fazem daquela pessoa... Mesmo sem ser com estes nomes que aqui registo e não existem nos registos, todos nós já inventámos nomes para as pessoas, professores, patrões, man-dões, pais, a maior parte das vezes a manifestar a nossa aversão ou desgosto e algu-mas vezes, a manifestar a nossa ternura e o nosso carinho...; Este é porventura o Ban-co de Dados mais difícil e mais delicado pelos melindres que pode causar, mas porven-tura o mais expressivo... e que era preciso completar, com mais umas viagens a Mantei-gas e mais umas conversas com o Jaquim Malagueta e a D. Guilhermina... 5º) depois acrescentei uma lista de palavras que não pretende ser um dicionário, mas algumas EXPRESSÕES DO RUDE E BOM FALAR DA SERRA, recorrendo à minha memória de despaisado, à conversa com familiares e amigos; depois, 6 e 7) recorrendo às obras de tantos e tão bons autores, jornais da terra e da serra... EXPRESSÕES, LINGUAGEM, FALA, como um mosaico variado talvez rude áspero mas belo e diversificado como as diferentes faces e aspectos da serra da montanha, arborizada e cheia de plantas até certa altura e depois despida de árvores mas com fraguedos e vertentes medonhas onde rebentam fontes e lagoas e com sargaços e fetos e giestas e aquela flor discreta e pequenina de um roxo azulado de lápis lazúli tão frágil em forma de campainha com cinco pétalas que mais parecem seda e é a campainha dos hermínios e tem um nome muito complicado e só ali existe no meio de tanta rudeza e desolação e não existe em mais lugar nenhum do mundo e a ninguém passaria pela cabeça que pudesse ali existir coisa tão bela e discreta e, talvez por isso, e para sorte dela e nossa, a maior parte das pessoas que correm à neve e aos ares da serra nunca a viu nem sabe que ela existe ou vai-a pisando sem saber que está a destruir algo de mais raro e precioso do que o ouro...!!!; assim 8º) caí na tentação ou loucura de recorrer a AQUILINO RIBEIRO e ar-rancar dos seus livros uma quantidade de EXPRESSÕES e modos de dizer que a maio-ria dos portugueses não conhece e retratam tão bem o nosso povo ou os povos da região da Serra ou da Terras do Demo que tão bem e também falam português... Há muitas pessoas que guardam essa maneira de falar e mesmo longe da terra há muitos anos conseguem falar e escrever com esse tom esse som essa maneira de ser de gen-te da serra... Talvez poucos o tenham conseguido tão bem como Aquilino Ribeiro. Fica só aí como desafio à criatividade e enriquecimento do nosso vocabulário que importa defender e desenvolver como as fontes que jorram torrentes de água sem cessar e correm soando e cantando pelos vales mesmo que lhe criem barreiras e barragens... Ai dos homens se não fizessem passagens para a água continuar a correr... No dia em que as águas gota a gota se juntassem subissem empurrassem... levariam na frente as paredes e as casas e todas as barreiras que lhes levantassem...; depois 9º) tive que me render perante o trabalho espantoso de Leonor Buecu em MONSANTO como executan-te do pensamento privilegiado do excepcional professor Lindley Cintra, ao qual tive de juntar o trabalho persistente e apaixonado do Dr. Jaime Lopes Dias que depois de dez volumes de recolhas e notas se mostra sempre insatisfeito e impotente perante a maravilhosa riqueza que é o falar, a cultura das gentes da Beira!!!, 10ºº) e, como não podia deixar de ser, no final, uma lista de livros de tantos e tão variados autores que escreveram sobre a Serra e Terras da Serra, daí a STerra, a que chamei BIBLIOGRAFIA, claro!

Pareceu-me que era pouco e abri mais um capítulo. ou antes, aquele trabalho todo anterior só tinha sentido se desaguasse no rio a caminho do Mar... ou de A Mar como eu costumo dizer em outros Livros... Cada nome tem tantos sons tanta musicali-dade que me apeteceu cantar. Como não sei cantar, pus-me a brincar com as palavras como brincávamos com as pedrinhas e a fazer lenga-lengas e cantilenas como se cha-masse todas as pessoas e as coisas para brincarmos juntos e fazer a grande festa dos nomes - NOMINÁLIA- e as coisas e as pessoas assim fossem criadas de novo e assim criadas de novo nos aparecessem como apareceram naquele sétimo dia em que o GRANDE REI TODO PODEROSO que já tinha criado todas as coisas que haviam de criar outras, parou. para descansar. e ver que tudo o que tinha criado era belo e bom! E assim, nós ficávamos a saber quem éramos, porque ficávamos a saber o sentido que as coisas a que demos nomes têm para nós. Apareceram então a NOMINÁLIA I, II, e III.

ERA uma vez um miúdo que saiu da sua terra no meio da serra quando tinha os seus dez anos... tinha passado esses dez anos a ver todos os dias os picos da serra que tinha em frente da varanda aberta sobre o vale, a varanda da casa que dava para o vale do Zêzere e falava todos os dias com as fragas e fragões e picos e cabeços e poios e pedras e matas e pinhais e serras e ribeiros e ribeiras e rios e fontes e covões... e depois partiu... viajou pelas sete partidas do mundo... passados muitos muitos anos voltou menino muito velho ainda jovem... e por vezes perguntava às gentes que encon-trava na rua os nomes daquelas fragas e lugares... -Oh! têm muitos nomes meu se-nhor... Alguns nem são bem certos!... Mas há aí os velhos pastores que ainda sabem... Há pessoas até que os estão a registar e escrever e até vão ensinando como se devem escrever... e onde estão! Aí descobri que não servia para nada este livro que pretendia escrever e depois, escrevi-o para ficar aí inútil e sedutor, agreste e agressivo como o granito da serra, medonho e deslumbrante como os precipícios temerosos, horrível e luminoso como os recantos escondidos e inacessíveis... que têm e não têm nome!... que têm o nome que só os velhos sabem!? e mesmo eles duvidam e não sabem bem ao certo!... e afinal têm nome, nomes indiscutíveis e verdadeiros, porque, já não era sem tempo!, apareceram os donos da serra que sabem os nomes verdadeiros da serra e desvendaram a verdade da STerra que pensávamos cheia de mistério e de fantasia e de lendas, segredos das gentes da STerra, e!... espantosamente, a partir de uma iniciativa a todos os títulos meritória e louvável que foi a expedição científica de 1881 que foi em expedição à procura, em busca das maravilhas ocultas da STerra, chegaram agora os iluminados, os donos da verdade, a dizer-nos o que é a Serra e que nomes tem.

Podia parecer, esta obra, mais um contributo para a definição definitiva da verdade sobre a SERRA! Nada mais longe da verdade e das intenções do autor que aliás nem existe. É exactamente o contrário que se pretende. A Serra, na sua grandeza e mistério, é fonte constante de criatividade e de liberdade... mesmo quando derrotada! veja-se o que aconteceu com Viriato. No momento em que, à traição, o venceram, de-sencadearam, só, uma nova fonte de lendas e fantasias sobre a Serra... e sobre Ele... e sobre Nós, os que somos da STerra...

Enfim, foi um prazer imenso um deslumbramento renovado, um fascínio sem-pre novo trabalhar ás vezes até à exaustão durante mais de uma dezena de anos, a ler a esgravatar mapas a descobrir velhas cartas e livros a calcorrear a serra a falar com gente da serra nas terras da serra e espalhadas por muitas outras terras e assim, como a serra é sempre a mesma e sempre diferente, sempre igual e mudando dia a dia, até a sua altitude varia dia a dia! aí fica este livro definitivo e provisório a que todos podem juntar uma pedra uma árvore uma flor uma erva uma fonte e foram tantos tantos os que ajudaram a construi-lo e levantá-lo...

Se para mais não servir este livro, fica aí escrito como uma homenagem a todos os autores que aí vão citados e tanto trabalharam e tanto sonharam e tanto con-seguiram para que todos ficássemos a saber melhor donde vimos, quem somos e para onde vamos... Fica também a minha homenagem e admiração para todos os que não consegui citar... porque nunca soube o nome!... porque sabendo-o, eram da minha famí-lia parentes patrícios ou meus amigos e ficam aí como se fossem eu ou o tal zé da serra da vale do zêzere que eu não sei quem é!... ou então, o meu grande fascínio, vai para aquele autor colectivo, comunitário, invisível, diluído entre muitos, que fez nascer tantos nomes!..., tantas alcunhas!..., tantas expressões!... que depois na escola e os doutores vão dizer que não é português bem falado! Talvez não seja com mil demoncres mas bonda para as pessoas avantarem cá pra fora aquilo que sentem e alumiarem como se fosse uma jaja nova...ou apicharem fogo às coisas que não seguem pelo rego certo... Ficam aí de cambolhada umas como se fossem umas conapas em véstia nova, ou azi-nagre por vinho mas outras como se fossem vozes saídas da terra rude e agreste que alguns teimam em aformosear de tal maneira que não param quedos enquanto não a estrambelarem toda!... e ós pois, dão por i cada carvalhós, como diz o Martelão, e que Dueus Nuosso Suenhor e muais a muilagrosa Senhuora dua Graça e mais o Senhuor duo Cualvário nos acudam que bem puodem... e depois de ficarem sem trambelho, fi-cam muito arrelampados e a dizer que não sabem porquê? Atão nu é que só andavam a trabalhar p'ró desenvolvimuento e para o progruesso!!!

Ah! falta, se for importante, responder a uma crítica que me chegou... "Isto não é um estudo científico e rigoroso!!! As Alcunhas dizem só respeito a Manteigas e o resto, a Toponímia, os nomes de muitas Terras à roda da Serra..., o FALAR... abrange um leque muito mais vasto..."
Bom, acho que tenho uma resposta, mas é mais ou menos como aquela discussão do nome de Manteigas... Primeiro, não sabia que só Deus Nosso Senhor e os Doutores é que lá estavam a assistir quando nasceu o nome de Manteigas. Segundo, ainda não me tinha apercebido que a minha Terra na Serra só tinha Doutores, o que muito prezo e respeito, e que só vivem de trabalhos científicos rigorosos. Terceiro, é de facto assim.
Não é nem quero que seja rigoroso e científico! Deus me livre de tal veleidade!
Eu, os nomes da intimidade só conheço bem os da minha Família, e os mais próximos... e o nome das coisas e lugares e os vários falares... conheço muitos para me poder rela-cionar e comunicar... É por isso que estes vários escritos foram todos subordinados a um tema que se chama: Viagem à Minha STerra, Serra da Estrela e Manteigas tudo numa só palavra que não existe e eu decidi "criar"! contra todas as regras da gramática e da ortografia! Creio que me é proibido, mas posso!!! A realidade, creio que pode ser colorida com a criatividade e com a fantasia e a Palavra do Homem é Criadora, como a Palavra de Deus!


Bruegel - o Carnaval


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