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José
Penedo da Serra
Viagens do Cigano Castanho e da Cigana Mariana através do
Maravilhoso...
CONTOS e CANTOS e LENDAS de enCANTAR...
1ª
Jornada
(serve
de INTRODUÇÃO às LENDAS
DA SERRA)
 
(carregue em LENDAS DA SERRA ou no Quadro do Chagall para ir para
as LENDAS)
a
estória do Pobre Ceifeiro Rico...
CORROIOS
onde os RIOS COrrem em aRROIOS para A MAR
2000
Uma
Introdução das Mil Noites... e Uma...
e a estória do Pobre Ceifeiro Rico...
ou a estória de um CEIFEIRO... um mercador... príncipes...
e princesas...
ou
talvez a estória de como as estórias se reproduzem
e criam riqueza através da comunicação... ou
da ajuda "desinteressada" de um amigo mercador...
FICHA
TÉCNICA:
título O Pobre Ceifeiro Rico
autor José PENEDO da Serra
Todos os direitos reservados - @ direitos de autor JORAGA, Corroios
composição e lay-out JORAGA- Pentium 200 MWord - hp
Desk jet 550C
adaptação e tradautor José Rabaça Gaspar
sobre um Conto de Pearl S. Buck
ilustração e montagem José Rabaça Gaspar
impressão e registo final Corroios, Janeiro de 2000
E-mail joraga@netc.pt e joraga2000@hotmail.com e joraga2000@yahoo.com
- e visite a Página na WEB http://www.geocities.com/joraga2000
Com apoio e compreensão da Escola Secundária D. Manuel
I, Beja
dedicatória
em
2000
no ano do fim dum milénio
e no começo de outro
no ano em que aparece uma pequena réstia de luz
para as lendas e os contos circularem...
neste espaço de procura, tristeza e solidão
estes 5 exemplares
para os cinco "mercadores" mais próximos
para que possam levar este pequeno "diamante"
às princesas e príncipes que encontrarem
se puderem ver que o merecem...
para a
Diana
David
Fátima
e Ricardina...
e agora... pelos contactos recentes vindos dos lados da Minha STerra
- a Serra da Estrela e Manteigas, envio, também, este pequeno
saco dos Meios Dinheiros guardados tantos anos, para os Amigos,
que há tanto tempo não via... na expectativa de enviar
outros dentro de momentos...
para o Manuel Carvalhinho e Miraldina e seus Príncipes de
Manteigas...
Corroios, 09.02.2000
Sigmund
Freud - 1856 -1939, fundador da Psicanálise - Capa da Revista
Der Spiegel: Freud e "a consciência como extremidade
visível de um iceberg".Pintura que evoca a linguagem
dos sonhos
... uma introdução que pretende situar o baladeiro
contador de estórias...

...
porque é que continuo a teimar em escrever e fazer estas
coisas, se, desde há uns tempos, tomei uma decisão
bastante drástica:
Desisti
de ser poeta
por não poder suportar
as leis as modas as tretas
com que nos querem "capar"...
Assim, decidi ser livre
e como as aves voar
cantar a vida que vive
deixar os outros "falar"!!! (ladrar!!!)
...
porque, se calhar, tal como uma doença, descobri que o meu
dia era viver a noite dos outros...
SER
POETA É:
Viver
na noite dos outros
para poder ler as letras das estrelas
e, ao lê-las,
tentar guardar, em sonho e em poesia,
algumas das suas mensagens...
Possam, algumas
Alumiar, ao menos, como velas,
os caminhos dos cegos, que andam de olhos abertos,
durante as longas noites, a que chamam dias...
Há os que escolhem a noite para assaltar, roubar e ferir
e matar
aqueles que dormem...
Há outros, como os poetas
que escolhem a noite para iluminarem os sonhos
do sono dos outros...
e descobrirem a escuridão dos dias apressados
vividos sem sentido...

...
uma introdução... que pretende ser um apanhado das
mil noites e uma...
...
tinha eu uma quantidade de sonhos a transformar em realidade com
a varinha de condão, que uma fada madrinha me veio oferecer,
quando, subitamente, como ninguém queria sonhos fantásticos
e sonhos de encantar empacotados numa caixa que mais parecia uma
máquina, um dia de Abril, a bruxa serpente lançou
o seu mau olhado na minha caixa de magia donde saiam letras e fantasias
de espantar... e assim ficaram, outra vez, só na cabeça
daquele ceifeiro que segava erva para cavalos e assim poder viver
do produto da venda que os cavaleiros pagavam com uns míseros
tostões...
...
ao ver-me triste, a fada madrinha disse que iria pedir ajuda a uma
outra fada sua amiga que tinha uma varinha de condão que
ensinava os génios prisioneiros a saírem da sua lamparina
mágica, para se porem ao serviço dos seus amos e para
deleite e formação da turba, que gostava de Contos
e Lendas de enC(o)ant(r)ar...
...
levado, então, pelos conselhos e ajudas da fada madrinha
e consultando os livros de Magia que ela tinha nos seus tesouros...
fui de viagem até aos meus tempos de lendas e estórias
e de contos de enC(o)ant(r)ar...
...
e parei nas primeira páginas das Mil Noites e Uma...
....e
disse Scheherazade para a sua irmã Dinazarde: (adaptado)
Minha
boa irmã, preciso do vosso socorro num assunto importantíssimo
que é de vida ou de morte; peço-vos que não
mo recuseis. Esta noite, vai o meu pai levar-me ao sultão
para ser sua esposa... e como sabeis, desde aquela grande desgraça
com a sultana, que ele próprio matou e o seu concubino, todas
as mulheres que tiverem a graça de ser esposas do sultão,
terão essa ventura de só a viverem uma noite... No
dia seguinte, logo ao nascer do sol, a mulher é entregue
ao Grão Vizir, nosso pai, que não tem outro remédio
senão mandar matá-la e depois encontrar outra esposa
para essa noite...
Não vos assuste este nova. Com a tua ajuda, estou disposta
a livrar-me da morte e a livrar todo o povo desta grande consternação
em que vive temendo pelas suas filhas... O que te peço é
muito simples. Quando estiver junto do sultão, vou suplicar-lhe
que me permita deixar-vos dormir junto à câmara nupcial,
para que possa gozar, nesta última noite, da vossa companhia,
ali bem perto... Se alcançar esta graça, como espero,
logo de manhã muito cedo, antes do nascer do sol, lembrai-vos
de me acordar e dizer mais ou menos estas palavras:
"Minha
irmã, se não dormis, rogo-vos, esperando o dia, que
não tarda em aparecer, que me conteis um desses belos contos
que sabeis..." (Volume I, Tomo I, p. 34, antes da 1ª Noite)
E
assim aconteceu... e como, ao nascer do sol, o primeiro conto ia
ainda a meio "quando o génio estava decidido a matar
o pobre mercador... ou pescador..." e o sultão tinha
de partir para as suas orações e os seus afazeres...
foi-lhe concedido mais um dia de vida... e depois outro... e depois
outro... até aos mil que foram as mil noites e uma...
...
é, possivelmente, o que espero deste milagroso aparecimento
da Fada Madrinha... que estes contos sirvam para nos enC(o)ANT(r)AR...
e assim nos livrarmos da morte que nos espera... ao menos que a
esperança não morra e a vida nos apareça como
alguma coisa digna de ser vivida... descobrindo algo de bom e belo
para nós e para os outros...
O
que é que vai acontecer?
Nunca
se sabe como acontece nos contos de fadas e estórias de enC(o)ant(r)ar,
quando se liberta o Génio da Lâmpada e se abrem as
portas do Sonho e da Fantasia...
Como
nos contos das mil noites e uma...
...estes
contos não terão lógica nem sequência
e podem ser dominados só pelo inesperado e pelo absurdo das
circunstâncias mais inverosímeis, tendo por fronteiras
só a pura fantasia do delírio e da imaginação
do insólito e do mistério e o atrevimento e o encanto
do fascínio e do deslumbramento... onde o amor é uma
fonte de volúpias e de êxtases que nos podem levar
para outros Mundos na imensidão do cosmos, onde a lei natural,
a lei do amor, superior a todas as interdições, barreiras
e preconceitos, levará o ser humano a mergulhar nesse mar
imenso que é a mar... amar...
E
assim, para tornar a começar, cabem aqui alguns versos que
o meu amigo Thiago de Melo me ofereceu com dedicatória no
dia vinte de Julho de 1975 (nos meus 37 anos!!! meu Deus!!!), do
seu poema ESTATUTOS DO HOMEM, de Santiago do Chile, em Abril de
1964:
...
Artigo 8. ? "Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor"
...
Artigo 11. - "Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.
Artigo
12. - "Decreta-se que nada será obrigado nem proibido.
Tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begónia na lapela.
Parágrafo
único - Só uma coisa proibida:
amar sem amor.

E,
já agora, também uma palavras arrancadas de um livro
da minha outra apaixonada que nunca vi e de quem nunca tinha ouvido
falar até perto dos meus cinquenta anos, a Selma Lagerlöf,
in HISTÓRIAS MARAVILHOSAS, Editorial Minerva, 1952, logo
a abrir nas Recordações que não Esquecem:
"Tinha
eu cinco anos quando sofri o primeiro desgosto, e tão profundo
que me é difícil dizer se, desde então, tive
outro maior. Foi quando a minha avó morreu.
"Era hábito seu sentar-se todos os dias no sofá
de canto do seu quarto e contar-nos histórias.
"Lembro-me bem da avó a desfiar histórias, umas
após outras, de manhã à noite, enquanto nós,
as crianças a ouvíamos muito quietas, sentadas ao
seu lado. Era uma vida esplêndida! Não creio que outras
crianças além de nós tivessem uma infância
tão feliz!
"Assim, não será de estranhar que eu fale um
pouco a respeito da avó. Ainda hoje a vejo, com o seu cabelo
branco de neve, o corpo levemente inclinado, e os dedos, muito ágeis,
a mover agulhas de meia, todo o dia...
"Lembro-me, também, de que, sempre que terminava uma
história, me passava a mão pela cabeça e dizia:
"? Tudo isto é tão verdadeiro como estarmos,
eu aqui e tu aí, a ver-nos uma à outra."
...
depois
"...
a grande solidão em que ficámos quando ela se foi...
aquela manhã em que vimos o sofá vazio..."
...
"Calaram-se as histórias e canções que
embelezavam a nossa casa, encerradas naquele caixão negro,
donde nunca mais voltaram!"
"E então, qualquer coisa de muito doce nos faltou na
vida. Foi como se nos houvessem expulsado de um mundo maravilhoso,
cujas portas, constantemente abertas para nós, se tivessem
fechado de súbito e para sempre. E ninguém mais havia
que fosse capaz de as abrir!"
Isto não é verdade, pois não?!!! É mentira.
A própria neta desta avó transformou-se numa excepcional
Contadora de Histórias que entusiasmou e continua a entusiasmar
as crianças grandes e pequenas de todo o mundo e a povoar-lhes
os seus mundos de fantasia e de sonhos!!! E por isso lhe foi atribuído
o Prémio Nobel da Literatura, a primeira Mulher a recebê-lo...

É assim que eu lembro, mais ou menos a minha avó...
Não no sofá de canto, mas na cadeira de balouço,
que ela tinha trazido do Brasil e desde há uns anos eu transporto
comigo para onde quer que vá e ocupa sempre o lugar principal
da sala como se transportasse comigo aquela sala e aquela casa dos
meus avós lá na serra e onde, sucessivamente, a vejo
sentada o costurar ou a fazer malha pendurada dos seus óculos
redondos de metal e donde, quase sempre calada ou com poucas palavras,
governava toda aquela imensa casa e família que, de repente,
com a morte do meu avô, era ela ainda muito jovem, lhe ficou
inteiramente confiada... ou o meu pai a ler o jornal ou a chamar-nos
para as "contas" do dia ou para as grandes decisões...
e até a mãe, apesar de mal ter tempo para se sentar
um pouco, pois a recordação é de vê-la
sempre a girar, sempre com montes de coisas para fazer..., inclusive
ir com a vassoura debaixo do braço a casa de uma ou outra
vizinha doente para lhe varrer a casa e fazer-lhe um pouco de companhia,
apesar da lide da casa e dos seus oito filhos e "invasões"
constantes!!!
É,
sentado nesta cadeira, virada para a Varanda Aberta sobre o Vale
do Zêzere, que naqueles tempos não tinha casas em frente
para lhe cortar os horizontes, que eu me vejo muitas vezes a desfiar
histórias que nunca saberei contar e exorcizar assim aquela
tristeza imensa da Selma quando disse, precipitadamente com certeza,
levada por aquela grande perda:
"Calaram-se
as histórias e canções que embelezavam a nossa
casa, encerradas naquele caixão negro, donde nunca mais voltaram!"
"E então, qualquer coisa de muito doce nos faltou na
vida. Foi como se nos houvessem expulsado de um mundo maravilhoso,
cujas portas, constantemente abertas para nós, se tivessem
fechado de súbito e para sempre. E ninguém mais havia
que fosse capaz de as abrir!"
Ora, como isto não pode ser verdade, e os netos que ouviram
as histórias de encantar também um dia virão
a ser avós...
Aí vai... um, dois, três... era uma vez... e as portas
de um mundo maravilhoso vão-se abrir...

Para
mim já se abriram...
Fui ao tesouro do livro das "Mil e Uma Noites" e andei
à procura das frases dispersas por aqueles milhares de páginas
que me impressionaram quando li o Livro... afinal as histórias
podem-nos livrar da morte...
"...
Aos que nos contarem a sua história e o motivo que os trouxe
a esta casa, não lhes façais mal nenhum..., porém
não poupeis os que se recusarem dar-nos esta satisfação."
(p. 150, 36ª Noite de Histórias encadeadas, sabiamente
interrompidas em suspenso ao nascer do sol, a hora marcada para
o Sultão mandar matar a "esposa de uma noite"...
"Tendo
o mariola (o moço de recados) percebido que não se
tratava senão de contar a sua história para se livrar
de ser morto pelos sete escravos de Zobeida armados com os seus
alfanges, tomou a palavra e contou a sua história, o modo
como a irmã de Zobeida o tinha requisitado para a acompanhar
nas compras do mercado e... de como foi até casa das três
irmãs, que eram servidas por aqueles terríveis escravos
e tinham duas cadelas pretas..."
(p. 152, 37ª Noite)
Decisão do Califa GIAFAR (p. 244, 62ª Noite):
"Quero mandar escrever as suas histórias, que bem merecem
ter um lugar nos anais do meu reinado."
"Sei
uma história mais maravilhosa... Como vossa majestade gosta
de ouvir histórias deste género, estou pronto a contar-vo-la,
com a condição de que, se a achardes mais maravilhosa
do que aquela que acabais de ouvir, dareis perdão ao meu
escravo..."
(p.368, 93ª Noite e começa a história de NOUREDDIN
ALI e de BEDREDDIN HASSAN)
"Achou
o Califa Haroun Alraschid tão maravilhosa esta história,
que concedeu, sem hesitar, a graça do perdão ao escravo
Rihan;"
(p.436, 122ª Noite... - fim do 1º Livro do 1º Volume
... em que Shariar, seduzido pela bela contadora de histórias
ainda hesita em mandar matá-la... e pensa para consigo, se
seria ajuizado e digno de um Sultão da sua estirpe, deixar-se
encantar pela magia das estórias, ou se devia dar execução,
de imediato, à jura que fizera desde que descobrira a infidelidade
da sua primeira Sultana:
"A
boa sultana conta histórias muito extensas; e quando uma
vez tem principiado uma não há meio de recusar ouvi-la
toda. Não sei se devia mandar matá-la hoje; mas não;
não nos precipitemos: a história que contará
é talvez mais interessante que todas as que contou até
agora, e não devo privar-me do gosto de a ouvir. ..").
"Achou
o sultão a história tão interessante que recomendou
ao seu historiógrafo particular que a escrevesse com todas
as circunstâncias..."
(1º Volume, 2º Livro, p. 16, 128ª Noite)
"Se
jamais alguma história mereceu ser escrita em letras de ouro,
é a deste corcunda."
(p. 172, 184ª Noite, diz o Barbeiro, o 7º irmão,
o Silencioso, depois das Histórias dos seus seis irmãos.)
"O
sultão, arrebatado de alegria de alegria e de admiração,
ordenou que se escrevesse a história do corcunda com a do
barbeiro para que a memória delas, que tanto merecia ser
conservada, não se apagasse em tempo algum."
"... e o califa achou esta estória tão extraordinária,
que ordenou a um famoso historiador que a escrevesse com todas as
circunstâncias... e fosse guardada com letras de oiro nos
seus arquivos donde muitas cópias, tiradas desse original,
a fizeram pública, mais tarde..."
(p.222, II vol., livro 3, lá para o fim de uma longa História
de GANEN, filho de ABOU AIBU, O ESCRAVO DE AMOR, que começa
na p. 163, e pode ir até à p. 286, se lhe metermos
na sequência, a História do PRÍNCIPE ZEYN ALASNAM
e DO REI DOS GÉNIO... Aqui, onde já o narrador perdeu
o conta das noites em que Sheherazade seduzia o sultão com
as suas histórias e ele, claro, não se decidia a mandar
matá-la.)
"O
califa Haron Alraschid dava a Cogi Hassan uma atenção
tão grande, que não percebeu o fim da sua história
senão pelo seu silêncio. Disse: "Cogia Hassan,
havia muito tempo que não tinha ouvido cousa que me desse
tanto gosto, ... Quero também que contes a minha história
ao guarda do meu tesouro, para que a faça pôr por escrito,
e que nele seja conservada com o diamante.""
(p.182, II vol. livro 4, isto no fim de uma longa série de
histórias encadeadas e inseridas misturadas com a HISTÓRIA
DE ALADIN, OU A LÂMPADA MARAVILHOSA.)
"Tinham-se já passado mil e uma noites nestes inocentes
passatempos que haviam contribuído muito para diminuir as
prevenções desagradáveis do sultão contra
a fidelidade das mulheres... Lembrava-se do valor com Sheherazade
se expusera voluntariamente a ser sua esposa, sem recear a morte,
à qual sabia que estava destinada no dia seguinte, como as
outras que a precederam...."
"Bem vejo, amável Sheherazade, que sois inesgotável
nos vossos pequemos contos; há bastante tempo que com eles
me divertis; abrandaste a minha cólera e de boa vontade renuncio,
em abono vosso, à lei cruel que me impusera; tendes toda
a protecção minha, e quero que sejais considerada
como a libertadora de todas as senhoras, que deviam ser imoladas
ao meu justo ressentimento."
"... O Grão Vizir foi o primeiro que soube esta agradável
nova da própria boca do sultão. Espalhou-se logo pela
cidade e pelas províncias, o que atraiu ao sultão
e à amável Sheherazade, sua esposa, mil bênçãos
de todos os povos do império das Índias."
(Volume II., Tomo IV, p. 448, 1001ª Noite)
A
estória do Velho Segador de Erva... O CEIFEIRO...
ou
a estória de um CEIFEIRO... um mercador... príncipes...
e princesas...
ou
talvez a estória de como as estórias se reproduzem
e criam riqueza através da comunicação... ou
da ajuda "desinteressada" de um amigo mercador...
... e assim começa a primeira estória a do Velho Segador
de Erva... O CEIFEIRO...
Eis
um conto de encantar da Índia.
É o primeiro conto do livro de Pearl S. BucK,
in
HISTÓRIAS MARAVILHOSAS DO ORIENTE,
edição livros do Brasil, Lisboa,
com direitos de autor, desde 1965, By Pearl S. Buck and Kenyon Angel,
que me proponho reescrever e recontar.
Fala
de um velho de coração simples,
que vive numa cabana de colmo, no meio da floresta,
e, mesmo pobre e sem nada para dar,
está decidido a ser generoso e a compartilhar
o pouco que foi guardando ao longo dos anos...
... Este gesto desinteressado
vai provocar uma espiral de dádivas verdadeiramente assombrosas...
Dá e torna a dar o que lhe é dado... até que...
ao fazer os outros felizes encontra a sua própria felicidade...
... pareceu-me talvez a melhor parábola do segredo da comunicação...
A estória do velho segador de erva...
...
o segador de erva... semeador de sonhos...
Em
tempos que já lá vão, vivia, numa aldeia não
muito longe duma grande cidade, um pobre Velho. Vivia numa cabana
de colmo e ganhava a vida cortando erva que vendia-a como forragem
para os cavalos. Ganhava cinco meios-dinheiros por dia, mas, como
era um simples e tinha tão poucas necessidades, ainda poupava
meio-dinheiro pois gastava o resto na comida e nas roupas de que
precisava, ele e a família...
Assim viveu muitos anos... Os filhos partiram, cada um para a sua
vida, e bem longe daquela miséria, a mulher morreu... Então,
um dia, vendo-se só e sentindo o peso dos anos, certa noite,
decidiu verificar as economias que tinha escondido num grande pote
de barro, debaixo da cabana.
Tirou o saco de dentro do pote e despejou-o no solo. Sentou-se a
olhar, cheio de espanto, o tesouro que se tinha acumulado... Que
faria com tudo aquilo? Não pensou, sequer, em gastá-lo
consigo, pois estava disposto a passar o resto dos seus dias como
sempre vivera e não ambicionava maior conforto ou luxo.
Como não sabia o que fazer meteu tudo outra vez num saco
velho e empurrou este para debaixo da cama, enrolou-se no seu esfarrapado
cobertor e deitou-se.
Geralmente, não sonhava; mas naquela noite sonhou com uma
rapariga encantadora. Acordou cedo, com o rosto da jovem ainda gravado
no espírito. Então, foi ao saco, tirou algumas moedas,
um saco razoável bastante pesado, e dirigiu-se à loja
de um joalheiro, que conhecia na cidade, com o qual ajustou a compra
de uma bonita pulseirinha de ouro.
Com a pulseira cuidadosamente embrulhada na faixa de algodão
que usava à cintura, foi a casa de um amigo rico, um mercador
que andava com os seus camelos e as suas mercadorias por muitos
países. O velho teve a sorte de o encontrar em casa. Sentou-se
e, depois de tagarelarem um pouco, perguntou-lhe quem era a senhora
mais bela e virtuosa que jamais encontrara.
O mercador respondeu-lhe que não sabia, mas, numa terra bem
longe onde passara, diziam haver uma princesa, famosa em toda a
parte tanto pela sua rara beleza, como pelo seu temperamento amável
e generoso.
? Então ? disse o Velho ?, da próxima vez que fores
para esses lados dá-lhe esta pulseirinha, com os respeitosos
cumprimentos de um homem que admira muito mais a virtude do que
deseja a riqueza.
Tirou a pulseira da faixa e estendeu-a ao amigo. O mercador sentiu-se,
naturalmente, muito surpreendido, mas não disse nada nem
levantou objecções à realização
dos desejos do amigo.
O tempo passou e, no decurso das suas viagens, o mercador chegou,
finalmente, à capital desse reino longínquo, no tempo
do Sultão Babel. Assim que teve ensejo, apresentou-se no
palácio e mandou entregar a pulseira, bem acondicionada numa
caixinha perfumada que ele próprio oferecera, e não
se esqueceu de mandar também o recado que o Velho lhe confiara.
A princesa não tinha nenhuma ideia de quem lhe oferecia tal
prenda, mas ordenou à criada que dissesse ao mercador que
voltasse depois de terminados os seus negócios na cidade,
a fim de lhe dar uma resposta. Decorridos poucos dias, o mercador
voltou e recebeu da princesa, como retribuição, um
carregamento de ricas sedas, além de um presente em dinheiro
para si próprio, e pôs-se de novo a caminho.
Meses depois regressou a casa e levou imediatamente o presente da
princesa ao Velho.
Grande foi a perplexidade do bom homem ao ver descarregar à
sua porta os fardos de seda!
Que havia de fazer de mercadoria tão cara? Após muito
pensar, rogou ao mercador que tentasse lembrar-se se conhecia algum
jovem príncipe a quem tais tesouros pudessem ser úteis.
? Claro que conheço! ? redarguiu o mercador, muito divertido
? Conheço-os todos, de Deli a Bagdade e de Constantinopla
a Larquenau. Mas não existe nenhum mais digno que o galante
e rico jovem príncipe das Ilhas dos Cantos enC(o)ant(r)ados.
? Muito bem, leva-lhe então as sedas, com a minha bênção
? disse o Velho, muito aliviado por se ver livre delas.
Na sua próxima viagem para esses lados, o mercador levou
as sedas e em devido tempo chegou à capital das Ilhas e solicitou
audiência ao príncipe. Levado à sua presença,
mostrou-lhe as belas sedas do Velho e rogou ao jovem que as aceitasse
como humilde tributo ao seu mérito e grandeza. Muito comovido,
o príncipe ordenou que fossem entregues ao Velho, como retribuição,
doze dos melhores cavalos pelos quais o seu país era famoso
e acrescentou-lhes uma recompensa generosa para o mercador, pelos
seus serviços.
Como da outra vez, o mercador chegou finalmente a casa e, logo no
dia seguinte, foi levar os doze cavalos ao Velho. Quando os viu
aproximarem-se, ao longe, o velho disse para consigo: ? Que sorte,
vem aí uma manada de cavalos! Com certeza precisarão
de muita erva e, assim, venderei toda a que tenho sem ser obrigado
a levá-la ao mercado.
E, sem perda de tempo, começou a segar erva o mais depressa
que podia. Grande foi o seu espanto, porém, ao verificar
que, afinal, os cavalos eram todos seus. Ao princípio não
soube que fazer deles, mas passados momentos teve uma ideia brilhante:
deu dois ao mercador e pediu-lhe que levasse os restantes à
princesa, sem dúvida a pessoa mais indicada para possuir
tão belos animais.
O mercador abalou a rir, mas, fiel ao pedido do seu velho amigo,
levou os cavalos consigo na próxima viagem e ofereceu-os,
a seu tempo, à princesa. Desta vez a princesa mandou-o chamar
e interrogou-o acerca do ofertante. Habitualmente verdadeiro, o
mercador não se atreveu a descrever o Velho como ele era,
um pobre velho cujo rendimento se resumia a cinco meios-dinheiros
por dia e que mal tinha roupas com que se cobrir. Disse, por isso,
à princesa que o amigo ouvira falar da sua beleza e bondade
e que ambicionava depor a seus pés o melhor que possuía.
A princesa contou ao pai o que se passava e rogou-lhe que a aconselhasse
acerca da forma como devia retribuir a cortesia do homem que persistia
em fazer-lhe semelhantes presentes.
? Bem ? respondeu-lhe o rei ?, não podes recusá-los.
O melhor que tens a fazer é enviar a esse amigo desconhecido
uma prenda tão majestosa que não lhe seja possível
superá-la, mandando-te outra melhor. Envergonhado, não
te mandará mais nada.
Ordenou então que, em troca de cada um dos dez cavalos, a
princesa oferecesse duas mulas carregadas de prata. Assim, em poucas
horas, o mercador encontrou-se com a responsabilidade de uma caravana
tão esplêndida que teve de contratar um grupo de homens
armados, para a protegerem dos ladrões, e foi com prazer
que se viu de novo na cabana do Velho.
? Outra vez! ? exclamou o velho, ao ver toda aquela riqueza à
sua porta. ? Embora possa retribuir ao generoso príncipe
o seu magnificente presente de cavalos, devo lembrar-me de que incorreste
em grandes despesas por minha causa. Por isso, se aceitares seis
mulas e a sua carga e levares o resto direito às Ilhas dos
Cantos enC(o)ant(r)ados, agradecer-te-ei de todo o coração.
O mercador sentiu-se generosamente recompensado pelo seu trabalho
e, embora perguntasse a si mesmo o que aconteceria a seguir, não
levantou dificuldades. Preparou tudo e partiu para a nova viagem,
com aquela nova e principesca dádiva.
Desta vez o príncipe sentiu-se também embaraçado
e interrogou muito o mercador. Este pensou que o seu bom nome estava
em jogo e, apesar de não ser intenção sua levar
a brincadeira mais longe, não resistiu à tentação
de descrever o Velho em termos tão entusiásticos que
o velho jamais se reconheceria, se os ouvisse. O príncipe,
como acontecera ao rei daquele país longínquo, resolveu
mandar-lhe um presente genuinamente real e talvez susceptível
de impedir o ofertante desconhecido de lho retribuir. Formou, por
isso, uma caravana de vinte esplêndidos cavalos ajaezados
com xairéis bordados a ouro, belas selas de marroquim, rédeas
e estribos de prata; vinte camelos da melhor raça, velozes
como cavalos de corrida e capazes de trotarem todo o dia sem se
cansarem, e vinte elefantes com enfeites de prata e coberturas de
seda bordada a pérolas. O mercador contratou um grupo de
homens para tomarem conta dos animais e a caravana partiu e despertou
grande curiosidade ao viajar pelas estradas da Índia.
Quando o Velho viu a nuvem de poeira que a caravana levantava, ao
longe, e o brilho do seu equipamento, disse para consigo:
? Por Alá, aproxima-se uma grande multidão! E traz
elefantes, também! Hoje vender-se-á muita erva!
E correu para a floresta, onde segou quanta erva pôde e o
mais depressa possível. Ao regressar. verificou que a caravana
parara à sua porta e que o mercador o esperava, com certa
ansiedade, a fim de lhe comunicar o que acontecera e de o felicitar
pelas suas riquezas.
? Riquezas! ? exclamou o Velho. ? Para que quer riquezas um homem
que, como eu, está com os pés para a cova? A bela
princesa é que vai gozar todas estas bonitas coisas! Guarda
para ti dois cavalos, dois camelos e dois elefantes, com todos os
seus arreios e ornamentos. e oferece-lhe o resto da minha parte.
Ao princípio o mercador protestou, afirmando-lhe que começava
a achar aquelas embaixadas um pouco desagradáveis. Recompensavam-no
prodigamente, sem dúvida, mas mesmo assim não gostava
de viajar com tanta frequência e sentia-se apreensivo. No
fim, porém, consentiu em ir mais uma vez, mas jurou a si
mesmo que seria a última e que não se meteria noutra
aventura daquelas.
Passados alguns dias de repouso a caravana pôs-se novamente
a caminho. Ao ver entrar no pátio do seu palácio o
maravilhoso cortejo, o rei sentiu-se tão surpreendido que
correu a informar-se pessoalmente do que se passava e ficou assombrado
quando lhe disseram tratar-se de outro presente do opulento Velho
Desconhecido para a princesa sua filha. Dirigiu-se sem perda de
tempo aos aposentos da jovem e disse-lhe:
?~ Quanto a mim, minha querida, esse homem deseja desposar-vos.
É esse o significado de tantos presentes! Acho melhor irmos
visitá-lo em pessoa. Deve ser imensamente rico e como parece
ser-te muito devotado, talvez pudesses ver por ti própria
se queres casar com ele!
A princesa concordou com as palavras do pai e mandaram preparar
sem demora inúmeros elefantes e camelos, bonitas tendas e
bandeiras, liteiras para as senhoras e cavalos para os homens, pois
o rei e a princesa iam visitar o grande e munificente príncipe.
O mercador conduziria a caravana, por ordem do rei.
É impossível imaginar os sentimentos do pobre mercador
ao ver-se perante tão cruel dilema. De boa vontade fugiria,
mas tratavam-no com tanta hospitalidade, como representante do Velho
desconhecido, que raro tinha um momento de descanso e nunca se lhe
apresentava oportunidade de se escapar.
Partiram no sétimo dia, entre ruidosas salvas disparadas
das muralhas da cidade, muita poeira, muitos vivas e toques de trompa.
Os dias passavam, um a um, e o pobre mercador sentia-se cada vez
mais desesperado
Por fim encontraram-se apenas a um dia de marcha da cabanazinha
de barro do Velho. Armaram aí um grande acampamento e o mercador
foi incumbido de ir informar o Velho de que o rei e a princesa daquele
Reino de Longe tinham chegado e lhe solicitavam audiência.
O mercador encontrou o amigo a comer o seu jantar de cebolas e pão
seco e, quando lhe disse o que acontecera, o velho não teve
coragem de o censurar. Transtornado de aflição e vergonha
por si, pelo seu amigo e pelo bom nome da princesa, o Velho chorou,
puxou barba e gemeu comovedoramente. Com as lágrimas nos
olhos, suplicou ao amigo que os detivesse por um dia, inventando
para isso qualquer desculpa, e que voltasse na manhã seguinte,
a fim de estudarem o que deviam fazer.
Mal o mercador partiu, o Velho convenceu-se de que havia uma única
maneira honrosa de se libertar da vergonha provocada pela sua leviandade:
fugir, desaparecer. Pegou na foice e num bastão e, com uma
velha sacola, partiu de noite rumo ao desconhecido. Quando se sentiu
seguro e longe suficiente para o encontrarem, deitou-se a dormir
de baixo de umas árvores...
A certa altura sentiu que acordava e teve consciência de um
suave resplendor, perto de si.
? Querem ver que me descobriram! Por certo a manhã nascera
já, para apressar e revelar a minha desgraça! Tentou
abrir os olhos e perceber donde vinham os algozes para o levarem
e condenarem diante do rei e da princesa. Levou as mãos ao
rosto para limpar o olhos e, quando as tirou, viu dois seres maravilhosos,
que percebeu instintivamente não serem humanos, mas, sim,
Génios do Paraíso.
? Porque choras, Velho? ? perguntou-lhe um deles, em voz tão
clara e musical como a do rouxinol do Oriente.
? Choro de vergonha ? respondeu-lhe.
? Que fazes aqui? ? quis saber o outro.
? Vim aqui para morrer.
E, instado pelas suas perguntas, contou-lhes toda a história.
Chegado ao fim, o primeiro Génio aproximou-se, colocou-lhe
uma das mãos num ombro e o Velho começou a sentir
que algo de estranho, não sabia o quê, lhe acontecia.
Os seus velhos farrapos de algodão transformaram-se em belo
linho e tecido bordado, os seus pés calejados experimentaram
o conforto de uns sapatos macios, a sua cabeça ostentava
um grande turbante cravejado de pedras preciosas, do pescoço
pendia-lhe grossa cadeia de ouro e a pequena foice de segar erva
que usava na faixa da cintura transformara-se em deslumbrante cimitarra,
cujo punho de marfim brilhava como neve ao luar.
Enquanto se olhava, maravilhado, como se sonhasse, o outro Génio
acenou-lhe com a mão e mandou-o virar a cabeça. Na
sua frente abria-se um portão nobre, do qual partia uma alameda
de gigantescos plátanos, por onde os Génios o conduziram,
atordoado de espanto. No fim dela, exactamente no lugar em que se
erguera a sua cabana de barro, erguia-se agora um maravilhoso palácio,
cheio de luzes, de criados azafamados que ocupavam os alpendres
e as varandas e de guardas que andavam de um lado para o outro e
o saudaram respeitosamente ao verem-no acercar-se ao longo dos passeios
musgosos e dos grandes relvados verdes, onde murmuravam fontes e
as flores perfumavam o ar. Por fim, o Velho parou diante do palácio,
aturdido e confuso.
? Nada temas ? disse-lhe um dos Génios. ? Entra na tua casa
e aprende que Deus recompensa os simples de coração.
Após estas palavras, desapareceram ambos e deixaram-no.
O Velho entrou no palácio, ainda convencido de que devia
estar a sonhar, e retirou-se, para descansar, num quarto esplêndido,
muito mais grandioso do que jamais julgara possível.
Quando acordou, de madrugada, verificou que o palácio e os
servos eram reais e que, afinal, não sonhara!
Se o Velho estava aturdido, o mercador, levado à sua presença
pouco depois de nascer o Sol, ficou ainda mais...
Contou ao Velho que não dormira toda a noite e que começara
a procurá-lo de madrugada. E enquanto o procurava, de repente,
uma grande extensão de terra árida transformara-se,
da noite para o dia, em parques e jardins. Se alguns dos novos criados
não o houvessem encontrado e trazido para o palácio
teria fugido, julgando que a ansiedade o enlouquecera e tinha tido
perigosas alucinações.
O Velho contou então ao mercador tudo o que acontecera. Por
conselho deste, mandou convidar o rei e a princesa do País
de Longe, assim como toda a sua comitiva, até ao mais humilde
servidor, e durante três noites e três dias ofereceu
um grande festim em honra dos seus reais convidados. Todas as noites
o rei e os nobres eram servidos em pratos e taças de ouro
e os convidados de menor categoria em pratos e taças de prata,
recomendando-se sempre a todos que guardassem uns e outras como
recordação. Nunca se vira nada tão sumptuoso.
Além do banquete, havia desportos e jogos, danças
e divertimentos de toda a espécie.
No quarto dia o rei chamou o Velho de parte e perguntou-lhe se era
verdade que, como suspeitava, desejava desposar a princesa. O velho
agradeceu-lhe muito a distinção, mas afirmou-lhe que
jamais ousara esperar tão grande honra, pois era demasiado
idoso e feio para desposar tão bela dama. Além disso
era, afinal, mesmo muito pobre... Aquilo que eles agora viam era
uma espécie de Conto de Fadas... Um dia contaria... Mas rogou
ao rei que ficasse mais um pouco em sua casa, pois aguardava visitas...
Tinha mandado velozes mensageiros com um irrecusável convite,
ao príncipe das Ilhas dos Cantos enC(o)ant(r)ados... Apesar
do Longe e da Distância o Príncipe apareceu... e deparou
com os ricos festejos que decorriam...
O príncipe encontrou o Velho, deram-se a conhecer e o Velho
fez-lhe saber que era sem dúvida um jovem excelente, corajoso
e digno, e ficaria encantado por conquistar a mão de tão
excelsa donzela.
O príncipe, sem perda de tempo, apaixonou-se loucamente pela
princesa e desposou-a no palácio do Velho, no meio de grande
regozijo.
Depois o rei daquele Reino de Longe e o Príncipe e a Princesa
regressaram aos seus países. Quanto ao Velho, viveu ainda
muitos, muitos anos, ajudando todos aqueles que precisavam de auxílio
e conservando na prosperidade o carácter simples e generoso
que o caracterizara quando era apenas o segador de erva...
Carregando na imagem dos cavaleiros e ceifeiros
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Reprodução
da capa do LIVRO
HISTÓRIAS MARAVILHOSAS DO ORIENTE
de Pearl S. Buck
Edição "Livros do Brasil" Lisboa
com ®1965 by Pearl S. Buck and Lyle Kenyon Engel.
Capa de Infante do Carmo (acima o desenho reproduzido da capa)
ilustrações do Texto de Jeanyee Wong
(Os outros desenhos estão identificados. Os que não
estão foram tirados
de livros escolares e o do final da Mil e Uma Noites foi tirado
de
CONTOS ÁRABES
AS MIL E UMA NOITES
Nova Edição, ilustrada com 131 Gravuras,
Artes Gráficas - Porto, s/d
(Que comprei em Beja em 1983)
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