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"Nos
tempos recuados da Idade Média, vivia junto dos Montes Hermínios,
numa vasta planície, um rei godo, do povo muito amado. Houvera
de sua mulher uma linda menina, branca como luar de Janeiro, cintilante
como as estrelas douradas a luzir no firmamento nas noites límpidas
e puras.
- É branca como as estrelas - diziam as aias que a vestiam.
E os pais da princezinha sorriam de contentamento e diziam um para
o outro: - Pois há-de chamar-se Estrela.
Este lindo nome recebeu no Baptismo e, quanto mais crescia, mais
as estrelinhas, suas irmãs, invejavam a sua beleza.
Na côrte havia um cavaleiro esbelto chamado D. Diego (ou Diogo
- já se não sabe ao certo) que gostava muito da princezinha.
Muito se amavam, e passavam juntos, em alegria, horas infindáveis...
Veio um dia a guerra contra os árabes, em terras distantes,
e D. Diego partiu com o Rei. A linda Estrela ficou desolada, cheia
de saudades, a chorar seu cavaleiro ausente.
O coração não suportava essa separação
já longa, e resolveu subir aos altos montes das redondezas
a ver se avistava D. Diego no seu regresso. Foi com as aias até
ao cimo dos mais altos penhascos onde trepava todos os dias na esperança
de ver, ao longe, o cavaleiro ousado, o seu querido D. Diego, no
seu cavalo branco em que fôra pelejar contra os mouros.
Dos cerros íngremes, tão altos que quase o céu
se tocava com a mão, a linda princesa espraiava o olhar na
distância infinda, mas, do seu cavaleiro ausente, não
divisava nada. Triste, muito triste, mais triste que a noite, clamava
em alta voz:
- Mom-Diego! Mom-Diego! porque não vens? Só as rochas
negras repercutiam o eco: - Mom-Diego! Mom-Diego!...
Assim
passaram os dias, assim correram as noites de infindável
angústia durante os quais os olhos da princezinha eram duas
fontes de lágrimas de água pura a correr...
Água tanta seus olhos derramaram, que ela foi correndo serra
a baixo...
Os pastores e as gentes da serra ouviram ainda, durante muito tempo,
o eco das cavernas repetindo as exclamações da princesa
que ali morreu de pena: - Mom-Diego! Mom-Diego!...
E, por isso, deram o nome ao rio que ali se formou das lágrimas
da princezinha e que é, nem mais nem menos, que o nosso Mondego.
E à Serra alta que, até então, se chamava Montes
Hermínios, deram o nome da formosa Estrela, tão linda,
esbelta e formosa como as estrelas do céu!... "
Extraída
da "Monografia da Vila de Seia"
De P. José Quelhas Bigotte
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