Serra da Estrela - Manteigas

in joraga.net aminhaTEIAinterminávelnaREDEilimitada

um ANDARILHO em viagem pelas
7 partidas... 7 jornadas... 7 mundos... 7 mares... 7 temas... 7 espaços... 7 tempos...

por JORAGA o acrónimo de JOsé RAbaça GAspar e outros mais de 1001 deNÓMIOS...

contacto © joraga - ® em construção desde Maio 2000 in joraga2000 - em rec. Outubro de 2002

CONTOS e LENDAS da minha STerra - Manteigas e da SERRA da ESTRELA

A LENDA do PASTOR da SERRA DA ESTRELA

por Gentil Marques (2ª versão)

A LENDA DO PASTOR DA SERRA DA ESTRELA

A (minha) verdadeira Lenda do Pastor da Serra da Estrela,
contada no ano de 2000 metros de Altitude...
(Texto denso e longo - vai aparecer noutra PÁGINA desta minha TEIA na REDE, quando a foto a seguir estiver ligada.)

5 LENDAS - UMA LENDA

por Gentil Marques (2ª versão)

A LENDA DO PASTOR DA SERRA DA ESTRELA

In: LENDAS DE PORTUGAL - IV Volume - LENDAS RELIGIOSAS, de Gentil Marques, Editorial Universus, Porto, 1965.


SIM, o que vamos contar é precisamente a história dum homem que ouviu, um dia, a sua estrela! (1) Era um pobre pastor. (2) Vivia numa aldeia triste e tinha como único amigo o seu cão. (3) Mas o homem era novo e tinha esperanças. Às vezes, fitava os horizontes e perguntava a si próprio:
- Porque razão não poderei atravessar aquelas serras?... Ir ver o mundo que fica do outro lado? .Ah! Hei-de ir um dia... hei-de ir! Isto aqui é pequeno para mim e aquelas serras são tão grandes... tão altas!... Que haverá para além das montanhas?...

Ora aconteceu, segundo conta a lenda, que certa noite o pastor, enamorado do luar (4) e da aragem fresca que corria de mansinho, nem sequer pensou em deitar-se. Ficou-se para ali, sentado, sonhando de olhos abertos... E, a determinada altura - fosse realidade ou sonho - teve a nítida impressão de que uma pequenina estrela descia até ele. Nessa estrela havia um rosto de criança. E a estrela falou-lhe, numa voz meiga e infantil:

- Pastor! É verdade que desejas ir conhecer o mundo? Não tens medo do desconhecido?
Surpreendido. o homem estremeceu.
- Meu Deus! Pois será possível que as .estrelas tenham voz?
A vozinha meiga e 'infantil fez-se ouvir de novo:
- Sim, sou eu que te falo.... Mas foi Deus que me enviou para te guiar! Quando quiseres, poderemos partir!
Uma alegria imensa tomou de assalto o jovem pastor.
- Partir?! Disseste que podemos partir?... Ah! Quem me dera, realmente, deixar tudo isto e correr aventuras, descobrir novas terras!... Quem me dera!...O pastor ficou-se extático, ouvindo o seu próprio desejo, mas a vozinha da estrela brilhante que descera do Alto interrompeu-lhe o êxtase. Lembrando-lhe com vivacidade:
- Meu bom amigo! Já te disse que tudo depende apenas da tua vontade. Quando estiveres disposto a partir, basta que chames por mim. Eu ficarei à tua espera, lá em cima... junto das minhas irmãs. Adeus, pastor!
E correndo, ligeira, a estrelinha foi juntar se às outras estrelas.
O pastor seguia a com o olhar. Mal podia acreditar no que vira e ouvira. A verdade, porém, é que a estrelinha brilhante não mais o abandonou. O pastor todas as noites a via, mais luminosa do que as outras, parecendo até sorrir-lhe. E ele acabou por se resolver à grande aventura.

Uma noite em que o luar não tinha ainda chegado, o pastor olhou o céu e falou assim:
- Oh, minha pequenina estrela! Fosse loucura ou verdade, eu ouvi a tua voz. Pois estou decidido! Que se faça a vontade do Senhor!... Irei à aventura até alcançar aquela grande serra que vejo além, (5) a maior de todas! Oh, minha boa estrela! Desce do céu e vem para me guiares!...
Então o pastor ouviu uma espécie de estranha melodia descendo sobre ele. E de novo o pastor escutou aquela vozita cheia de ternura que já ouvira uma vez:
- Aqui estou! Sabes que cheguei a pensar que não acreditavas em mim? Mas ainda bem que te resolveste!
- Então a caminho! Seguir-te-ei para onde tu quiseres!
E, assim dizendo, o pastor dispunha-se já a dar início à sua jornada, quando um obstáculo surgiu. O cão, fiel companheiro do pastor, sentiu decerto uma presença estranha junto dele. Era a estrela! E o cão ladrou na noite escura, pondo em sobressalto toda a aldeia!
Aflito com tamanha irreverência, o pastor apressou se a impor-lhe silêncio:
- Quieto! Quieto... aqui! Para que ladras tu? A estrela é nossa amiga... Vai levar-nos àquela serra. Vês? Vamos, acalma-te! Ninguém te faz mal!...
Aos poucos, o cão acalmou, e seguiu mansamente o seu dono pelos caminhos do desconhecido.
Na aldeia, os velhos ficaram abanando as sábias cabeças. Era um louco que partia! Fora dali, só poderia encontrar a fome, a miséria e a morte!
De facto, eles quase tinham razão. Durante tempos e tempos o pastor andou como que ao acaso, sem alcançar o seu destino. (6) Foi uma caminhada longa e dura. O alto da serra ficava sempre mais além, e o caminho, que julgara curto, parecia não ter fim. Eram voltas e voltas sem conto. Eram dias e meses passando como fantasmas, sem que o pastor alcançasse o almejado cimo da serra.
O cão, seu fiel companheiro, não conseguiu aguentar a jornada. Ficou no caminho, marcado por tosco sinal de pedra. O pastor, antes de o abandonar, olhou a terra fria, enquanto algumas quentes lágrimas tentavam aquecê-la, e disse:
- Deixo-te aqui... Tu foste o meu fiel e único amigo! Onde me levarão os meus passos? Não sei! Conseguirei eu alcançar aquela serra? Só Deus o sabe! Adeus, meu amigo! O teu destino parou. O meu tem de continuar!...
E silenciosamente seguiu rumo ao alto da serra, o pastor que um dia sonhara abraçar de lá todo o horizonte.

Muitos anos passaram. O pastor envelheceu - e a própria estrela também, segundo nos conta a lenda...
Porém, um dia - esse dia havia de chegar! - o pastor pôs o pé no alto da serra! A alegria que sentiu foi quase de loucura. Olhava em redor o vasto e belo horizonte, e a cabeça parecia estalar-lhe. Chorava e ria ao mesmo tempo. Gritava por entre o vento o seu hino de louvor:
- Bendito seja Deus! (7) Bendita sejas tu, minha boa estrela!... Chegámos!...
E o vento, rodeando as palavras do velho, resolveu subir com elas, cheio de cuidado, não fosse perder-se alguma, até lá onde os pés do homem não podem chegar...
Ouvindo-o, a estrela sorriu-lhe e disse:
- Meu bom pastor! Passaste, na verdade, muitos tormentos... Envelhecemos ambos... Mas Deus fez-te a vontade!
Então, dominando o espaço, a voz do pastor soou potente e convicta:
- Aqui ficarei para sempre na tua companhia! Para sempre! E o pastor instalou-se ali, mergulhando, deliciado, o seu olhar na amplitude vasta do horizonte.

Então aconteceu que o rei daquelas redondezas ouviu falar num pastor que habitava no alto da serra e que possuía uma estrela única no mundo com quem falava todas as noites. Sem hesitar, mandou emissários para que o trouxessem à sua presença. Quando o velho pastor, um tanto surpreendido, chegou ao palácio do rei, este elucidou-o sobre o seu intento:
- Ouve, pobre velho! Dar-te-ei todas as riquezas que quiseres... farei de ti um homem poderoso para o resto da vida! Em troca, quero apenas que me dês a tua estrela!
O velho pastor olhou o rei com desespero.
- Pedis o impossível, Senhor! A estrela não é minha, é do Céu!
Furioso. o rei gritou lhe:
- Que importa? Eu sei que ela faz o que tu ordenas... Se tu quiseres, ela será minha!
Com uma dignidade que assombrou o monarca, o velho pastor replicou:
- Senhor, prefiro continuar pobre, desprezado, mas sempre com a minha estrela!
E no mesmo assomo de energia, o velho pastor voltou as costas ao rei poderoso, e abalou de novo a caminho da serra. Quando lá chegou, a noite ia já alta. Ele atirou-se para cima da enxerga e mordiscou uma côdea de pão negro. (8) Então, a tal estranha melodia já muito sua conhecida desceu do alto e veio sussurrar-lhe aos ouvidos:
- Ainda bem que as riquezas não te tentaram! Ficaria tão triste! Deixei-te passar misérias para te expor ainda mais à tentação, mas confesso que receei muito! O rei ofereceu-te verdadeiros tesouros...
Erguendo-se da enxerga para onde o cansaço do corpo o tinha atirado, o velho respondeu com lágrimas na voz:
- Ouve, minha boa estrela! Já perdi a conta dos anos. Nem sei desde quando nos conhecemos... Mas quero que fiques sabendo que não poderei viver sem ti, sem a tua luz, sem o teu brilho, sem a tua presença!...
A estrela explicou lhe. num sussurro, fazendo amainar o vento que corria célere:
- Pois quando morreres, meu bom pastor, podes morrer descansado! Eu aqui te prometo que jamais te abandonarei!
Num êxtase, o pastor encarou a sua estrela. O seu brilho intenso salpicava-lhe de luz os cabelos encanecidos. E o velho, numa voz de profeta, proclamou do alto das montanhas:
- Eu te agradeço o que fizeste por mim! De hoje em diante esta serra há-de chamar-se, e para sempre - a serra da Estrela! (9)

E diz a Lenda que no alto da serra desse nome pode ver se todas as noites, entre as suas irmãs, uma estrela que brilha ainda hoje duma maneira estranha e diferente. (10) O seu brilho derrama reflexos de saudade e de amor sobre a campa desconhecida daquele que foi e continuará a ser - o seu pastor!

NOTAS E COMENTARIOS:

(l)- OUVIR E FALAR COM AS ESTRELAS - A imagem não existe somente na imaginação popular, mas também na inspiração dos poetas. É caso até para inquirir: qual das fontes teria influenciado a outra? Teria sido o povo a levantar sugestões na alma dos poetas, ou teriam sido os poetas a tocar o coração do povo?
De qualquer modo lembro que para lá desta lenda de autêntica concepção popular (nunca a li em parte alguma e creio, portanto, ser esta a primeira versão escrita que dela se faz) dois grandes poetas, um deles nascido em Portugal e outro no Brasil (ambos, pois, de alma portuguesa e em língua portuguesa) glosaram esse tema singular de ouvir e falar com as estrelas.
Confessa nos Eugénio de Castro num dos seus admiráveis sonetos:

Antes de me deitar, fecho a janela
Habituado a dormir sempre às escuras.
Mas ao fechá-la, diz-me das alturas
Uma doirada e pequenina estrela:

? Vais dormir com uma noite assim tão bela?
Pois não vês como nós brilhamos puras?
Terás na morte a treva que procuras
E tanta... que hás-de aborrecer-te dela!

Se é de lágrimas só o teu fadário
Dorme para esquecer... mas de contrário
Vela e mira-nos bem com os olhos ternos.

Dormir o que é, senão morrer um pouco?
Vive! Aproveita a vida, pobre louco!
Olha que em breve deixarás de ver-nos!

Por seu turno, o brasileiro Olavo Bilac (a quem chamaram precisamente "o Poeta das Estrelas") inicia deste modo aliciante um poema que ficou imortal na história do lirismo lusíada:

Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso! E eu vos' direi no entanto
Que, paro ouvi-las, muita vez desperto,
E abro a janela, pálido de espanto.

E remata o mesmo soneto, maravilhosamente:

E eu vos direi: - Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e entender estrelas!

(2) - PASTOR. - No livro "Os Avós dos Nossos Avós", Aquilino Ribeiro definiu assim o pastor de antanho. - A significação do termo pastor associado à ideia de potentado ou herói das sociedades primitivas, é esta: "... dono de gado... e porque. segundo os costumes, o senhorio se acompanhava do mester: homem de cajado e de lança."
Mais especificamente ainda, a propósito dos próprios pastores da serra da Estrela, escreveu 0liveira Martins no I tomo da sua "História de Portugal": "O pastor quase-bárbaro dessas cumeadas da Serra a tapetar com as nuvens ( 1800 a 2000 metros de altitude), abordoado ao seu cajado, vestido de peles, seguindo o rebanho de ovelhas, é talvez o descendente dos companheiros de Viriato."

(3) - O CAO DO PASTOR - Já entre os antigos Gregos e Romanos, os pastores se faziam acompanhar por cães, para melhor guardar os seus rebanhos, molossos e mastins, que foram os primeiros cães-de-pastor. Destes, uma das raças mais afamadas é justamente a dos cães da serra da Estrela.

(4) - O LUAR - O sortilégio do luar encontra grande ressonância na alma romântica do povo português, pelo que muitas das nossas lendas, como se tem visto o evocam com especial predilecção.

(5)-A GRANDE SERRA - É curioso verificar o contraste flagrante que existe entre a linguagem popular e a linguagem erudita. O povo, de facto, às grandes elevações de terreno dá sempre o nome de serras. E às maiores chama lhes grandes serras. Os eruditos, porém, dão á palavra serra, como acidente geográfico, definições assaz diversas. Assim, enquanto para H. Pacheco "serra é uma cordilheira de montes ou penhascos cortados", para o professor Gonçalves Guimarães "uma serra abrange ordinariamente algumas rugas de terreno, paralelas e ligadas umas ás outras"; para C. Monteiro "serra é uma cordilheira de pouca extensão"; e para R Botelho "serra é uma cadeia cheia de cumes agudos". A analogia entre o perfil da serra orográfica e o do instrumento que serve para serrar é típico da língua portuguesa.
(6) DESTtNO - Ver as notas referentes ao destino insertas nos volumes anteriores desta obra.
(7) BENDITO SEJA DEUS! - Nalgumas versões que ouvi desta lenda, percebi que os narradores ingenuamente confundiam a ideia do louvor a Deus com a ideia da benção de Deus. Elas são contudo bem diferentes, pois se manifestam em sentidos inversos: o louvor, do homem para Deus; a benção, de Deus para o homem.

(8) - PAO NEGRO - Além de se referir naturalmente a pão de farinha escura e mal fabricado, neste caso a imagem exprime ainda a dureza do pão, a tragédia do pão duro e negro, símbolo de trabalho penoso e mal recompensado. Tal como já tive ocasião de divulgar no meu livro "O Pão, as Padeiras e os Padeiros", o povo usa múltiplas imagens, muito pitorescas, que ligam o pão às mais variadas passagens e aos mais diversos conceitos da vida. Pão negro é uma delas.

(9) - A SERRA DA ESTRELA - No romance "A Lã e a Neve", Ferreira de Castro dá-nos esta magnifica visão da serra da Estrela: "Belo monstro de xisto e de granito, com a terra encher-lhe os ocos do esqueleto, ondula sempre: contorce-se aqui, alteia-se acolá, abaixa-se mais adiante, para se altear de novo, num bote de serpente que quisesse morder o Sol. Ao distender-se, forma altivos promontórios, dos quais se pode interrogar o infinito, e logo se ramifica que nem centopeia de pesadelo, criando, entre as suas pernas, trágicos despenhadeiros ou tortuosas ravinas, onde nascem rios e as águas rumorejam eternamente."
Já o muito remoto Estrabão, no livro III da sua "Geografia", apontava o facto de ser bastante valiosa a região da serra da Estrela, dizendo: Esta região é naturalmente rica de frutos e de gados, assim como de ouro, prata e muitos outros metais".
E Gil Vicente, na famosa "Tragicomédia Pastoril da Serra da Estrela", ao descrever os presentes para a rainha Dona Catarina que acaba de ser mãe (leite, queijos, ovelhas, castanhas e panos finos), acrescenta ainda enfaticamente:

Eu heilhe de presentar
Minas d'ouro que eu sei,
ContanO que ela ou EI Rei
O mandem cá apanhar
Abasta que lho criei.

E evoco de novo a "História de Portugal" de Oliveira Martins: "A serra da Estrela é a mais elevada das cordilheiras portuguesas; é o prolongamento da espinha dorsal da Península; é a divisória das duas metades de Portugal, tão diversas de fisionomia e de temperamento; e finalmente como que o coração do País - e acaso nas suas quebradas e declives, pelos seus vales e encostas, demora ainda o genuíno representante do Lusitano antigo. Se há um tipo propriamente português; se através dos acasos da História permaneceu puro algum exemplar de uma raça ante-histórica onde possamos filiar-nos, é aí que o havemos de procurar...

(10) - A ESTRELA DO PASTOR - Dá se esse nome (e suponho que haverá uma certa analogia com a nossa história, nos caminhos da tradição popular) ao planeta Vénus, também chamado Estrela da Alva e Estrela da Tarde. Diz-se que se denomina Estrela do Pastor porque nasce à tarde muito cedo e desaparece de manhã muito tarde, servindo assim de orientação aos hábitos especiais dos pastores serranos.

(11) - LENDAS DA SERRA DA ESTRELA - Nos volumes anteriores inclui várias lendas localizadas na Serra da Estrela: Lenda da Lagoa Escura, Lenda da Campainha de Bronze, Lenda da Moura Alfátema. Quanto à origem do seu nome, existem outras lendas além da que acabei de contar. Há uma povoação chamada Estrela no concelho de Moura, distrito de Beja, que tem por orago Nossa Senhora da Estrela.

 

Daqui pode seguir já para a 4ª versão da mesma LENDA

 

ou para
A Lenda do PASTOR da Serra da Estrela (completa)

 

(em eBOOK, em breve nesta PÁGINA da minha TEIA na REDE)

 

Sempre que visite esta página e tenha elementos ou críticas ou sugestões, CONTACTE:

 

E-Mail: joraga@netcabo.pt e joraga@netc.pt
pelo telefone 212 553 223 ou pelo Telmv. 917 632 524
e pelo CORREIO: Rua Almada Negreiros, 48 - 2855-405 CORROIOS.
visite ainda a minha TEIA na REDE além de joraga.net - joraga.net/gilViTeatro/cart2325/bart2838/alice2000rgGaleria

Compatível com IE/Netscape na resolução 800x600
Joraga 2000 em viagem