|
Fátima
IX
LENDA
DE ALFATEMA
(J. Leite de Vasconcelos)
&
a sua versão

in
CONTOS TRADICIONAIS PORTUGUESES - Vol. II (de IV), pp. 323/4
Tesoiros da Nossa Literatura - Escolhidos e Comentados por Carlos
de Oliveura e José Gomes Ferreira - Iniciativas Editoriais
- Lisboa - Edição Especial para a Livraria Figueirinhas
- Porto, s/d
LENDAS E CRENDICES, MISTÉRIOS E PRODÍGIOS
LENDA
DE ALFATEMA
Quando
os mouros foram daqui expulsos, deixaram ali ficar escondidas as
suas riquezas e puseram-lhe guardas encantadas, que eram formosas
mouras. Por esse tempo o rei mouro de Manteigas tinha uma filha
chamada Fátima, muito linda e a quem em extremo queria. Os
cristãos das vizinhanças faziam todas as diligências
para lhe conquistarem o Estado e cativarem a filha e as riquezas:
o rei fez-se forte na vila, mas não podendo resistir, fugiu
pelas mais ocultas veredas da serra, levando a filha e o tesouro
que não tinha ainda escondido. Quando chegou a noite, tinha
Fátima desfalecido de cansaço; mas na sua frente se
abre um formoso caminho, calçado de pedras finas, e no fim
uma luz que o iluminava todo. Foi isto para os mouros sinal de salvamento,
e tomando todos por esse caminho foram dar a um magnífico
palácio, onde tudo era de tal esplendor que o próprio
rei ficou deslumbrado. O que aí se passou ninguém
o soube; mas no dia seguinte desceram da serra uns pastores que
ninguém conhecia, e que se demoraram algum tempo no país,
fazendo ao Coruto de Alfatema (nome que eles deram ao cabeço)
repetidas visitas, e por fim desapareceram sem que ninguém
mais tivesse novas deles. Eram os mouros disfarçados em pastores
e por eles se soube que uma fada, madrinha de Fátima, a guardara
no seu palácio encantado, até a volta dos mouros a
Portugal.
Continua
a lenda: Daí a muitos anos, passando por Alfatema, numa madrugada
de S. João Baptista, uma pobre mulher, sentou-se ali a descansar
e a comer um bocado de pão que trazia. Viu então a
seu lado um grande estendal de figos secos. Encheu deles uma cesta
que levava e partiu. Chegando a casa, e ao ver a cesta, ficou pasmada,
porque os figos se haviam transformado em brilhantes e grandes moedas
de ouro. A mulher ambiciosa, voltou ao corucho, na esperança
de encontrar mais valores. O sol dourava os píncaros da serra,
e o encanto tinha-se quebrado, e os figos desaparecido. Ouviu então
uma voz que lhe dizia:
Era
teu tudo o que viste
Agora tornaste em vão!
Não passes mais neste sítio
Na manhã de S. João.
Não te perdeu a pobreza,
Pode matar-te a ambição.
A
mulher voltou, e contentou-se com o que tinha; comprou muitos bens,
e só tarde declarou a origem da riqueza.
(J. Leite de Vasconcelos)
FÁTIMA
IX - (A SUA VERSÃO...)
(É minha intenção - tentação,
deixar aqui uma série de páginas em branco, como fazem
muitos escritores que sabem que vão ser lidos por alguém,
para você, caro leitor, escrever a sua lenda... Sinceramente,
como não consigo calcular o espaço a dar... e como
talvez o leitor, se o houver, opte por não ler estas que
aqui estão, porque ouviu contar a sua versão, e porque
sabe a sua versão de cor e salteada para a adaptar e contar
a seu bel-prazer... afinal, não deixo nenhuma página
em branco, para lhe poder deixar todo o espaço do Mundo,
à disposição da sua imaginação...)
e,
no final, já agora a MINHA...
A
LENDA DE ALFÁTIMA
a
minha / a sua LENDA

|