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- A LENDA DE ALFÁTIMA
a
minha / a sua LENDA

FÁTIMA
a minha LENDA (in)ventada a partir das NOVE versões...
ALFÁTIMA
UM REINO SUBTERRÂNEO DE SONHO E DE FANTASIA
À ESPERA DE SER DESCOBERTO PELA REALIDADE
ou
A VIAGEM PRODIGIOSA DE UM REGRESSO AO FUTURO... a
UM REINO DE OUTRO este MUNDO
Onde,
além do mais, se pode ver, também, a origem do nome
de MANTIGAS
(ver outra terra Manteigas no Sul do Alentejo já quase no
Algarve...)
...
nasce, a reCRIAÇÃO desta LENDA DO CORUTO DE ALFATIMA,
da necessidade de POVOAR A SERRA de FANTASIAS e de SONHOS que possam
ser um saudável confronto com a dura e insossa realidade...
do final do segundo milénio e dos alvores do terceiro milénio
do nosso calendário guia...
...
quer mostrar talvez, como quis provar o historiador Alexandre Herculano,
que o reinado e a ocupação da Ibéria pelos
mouros durante mais de sete séculos, (desde 711 com Tárik
a 19 de Julho, vence o exército visigodo de Rodrigo na batalha
de Guadalete - A reconquista iniciada logo desde 778, só
entre 1055-1064, chega às faldas da Serra da Estrela, Viseu,
Seia e ao longo do curso do Mondego, até Coimbra... até
1250 à reconquista do Algarve, com D. Afonso III - até
1492, reconquista de Granada o último reduto árabe
na Península) terá sido uma época de desenvolvimento
cultural com a introdução de novas técnicas
e espécimes na agricultura, contribuindo com os valiosos
conhecimentos nas ciências, como a matemática, astronomia
e ciência náutica, enfim um reino de tolerância
quanto à religião, ideias e modos de estar na Vida...
até nem mudaram a língua, nem destruíram as
divisões administrativas, mas enriqueceram-na... Sevilha
primeiro e Córdova depois até Silves, tornaram-se
num dos centros mais notáveis da cultura mediterrânea
e pode falar-se de três séculos de progressos notáveis
em todos os sectores - artes, indústrias, progresso científico,
arquitectura civil e militar e requinte de vida... houve progresso
nas ciências, nas artes, nas letras e num opulento estilo
de vida requintada, que se difundia em Granada, Sevilha, Valência,
Silves, todo o sul até Toledo, até mesmo ao Sul de
França... (in Cultura Portuguesa de Hernani Cidade e Carlos
Selvagem, Iº vol. De XVII, Empresa Nacional de Publicidade,
1967 e História de Portugal de Alexandre Herculano, I vol.
Reedição Ulmeiro, 1980... e, ver ainda, outros manuais
de História, dispersos...).
isto,
...
em oposição à fúria intolerante dos
cristãos que matavam não só por ambição
e poderio, mas pura e simplesmente por ódio religioso e pura
intolerância... em nome de um Deus Criador, Todo Poderoso,
Omnisciente, Pai de Toda a Humanidade!!! impondo leis e jugos,
insuportáveis, a escravidão, as leis morais, os princípios
de Honra!!!, ...os preconceitos que ainda hoje perduram... (Ver
citações referidas e outras fontes de informação,
onde talvez a História nos ensine a VER, ao longo dos tempos,
quem eram - são - os BONS... e os MAUS...
Nesta
LENDA... a libertação preconizada para daí
a milénios, segundo a LENDA, da MOURA ENCANTADA - AL-FÁTIMA
- será o regresso da TOLERÂNCIA, da LIBERDADE da FELICIDADE...
ao REINO DO AMOR possível nesta TERRA... nesta SERRA...!!!
ou à inevitável CONVIVÊNCIA entre o BEM e o
MAL... como à COEXISTÊNCIA, num simples DIA, entre
o DIA e a NOITE... como podemos observar numa PLANTA, numa FLOR,
que dum lado tem LUZ, no outro SOMBRA...
... coisas que as LENDAS contam?!!! Coisas que se sugerem, lendo
as lendas!!!...
...
Era
no dia de Natal... Estava frio na Serra, mas não havia muita
neve naqueles caminhos que me interessava percorrer... Faltavam
dois anos para começar a última década do século
XX... A grande festa da Família tinha sido na Noite anterior,
com a Ceia da Consoada e com a Missa do Galo e a abertura dos Presentes
na manhã... Não havia mais nada que me prendesse ali...
Quando a meio da tarde desse dia, me sentei no café da cidade,
que ficava depois da Serra que decidi atravessar, onde ansiosamente
procurava o meu Amor sem o poder encontrar... nem queria acreditar
que era eu que ali estava sentado a pedir uma imperial e um maço
do tabaco... as pernas ainda me tremiam... não sentia as
mãos e não era só do frio... o peito ainda
estava cheio de ar e emanações da montanha, que acabara
de atravessar... a cabeça estalava-me por dentro sem poder
acreditar, que era eu que ali estava... Estava ali agora, ou estava
a reviver as vezes que ali me tinha sentado há dezenas de
anos atrás?... ou estava pura e simplesmente noutra dimensão?...
É
certo que a cerveja borbulhava com uma coroa de espuma a transvasar
do copo e as bolhas fervilhavam no líquido dourado... o Café
estava cheio de gente que parecia feliz e festejava, vinha ou ia
festejar o Natal...
...mas
o certo é que, inesperadamente, eu acabava de chegar duma
prodigiosa VIAGEM DE REGRESSO AO FUTURO e não podia acreditar
no que os meus olhos viam os ouvidos ouviam o nariz percebia a boca
saboreava, nem nas sensações que o meu corpo detectava
através da pele que me cobria, com o sangue a palpitar e
o coração a bater quase a acreditar que a felicidade
era possível...
Naquele
dia, a meio da tarde atrevera-me a tentar a viagem há tanto
desejada e sempre adiada... Apesar de nevar lá nas amuras...,
apesar da chuva..., apesar do nevoeiro... apesar do perigo de algumas
derrocadas nas estradas... arrisquei subir à Montanha e ver
se era verdade tudo o que ouvira dizer que se ouvia contar do Monte
Alfátima e do que se passara no Cocuruto de Alfátima...
Teria sido pelo ano 1064?... na fuga precipitada do Emir (Amir)
de Manteigas do tempo dos Mouros e Mouras encantadas, belas como
não é possível descrever... e de como a fada
madrinha de Fátima, a filha estremada daquele Emir, que se
via obrigado a fugir perante a fúria assassina dos cristãos
decididos a tudo dominar e subjugar, lhe valeu, no último
instante, abrindo a porta secreta daquele monte agreste, terroso,
agora semeado de pedras somas e cascalho, salpicado de tições
de arbustos queimados de algum incêndio do último verão,
e assim deu entrada num palácio de sonho e de fantasia, que,
por túneis secretos estava ligado aos canais que põem
a Lagoa Escura em contacto com o grande Mar... a Mar... e daí
entra em comunicação com as Estrelas até ao
infinito...
Eram
fantasias inacreditáveis..., Coisas de pastores que passam
muito tempo sozinhos sem contacto com o Mundo Real, e a solidão,
a lua e as estrelas, dão-lhes com certeza volta ao miolo.
Não podia ser... E como não podia ser e o dia que
escolhera era dos mais curtos do ano, o mais inadequado e inoportuno
possível, viajei penosamente pelo meio do nevoeiro e, depois
das Penhas Douradas, passei a Nascente do Munda, bebi na Fonte Discreta
que fica mais à frente no Planalto, passei a Ponte da Ribeira
de Cabaços e comecei a descer sem poder perceber bem em que
amura me encontrava... Caía uma chuva miudinha e persistente
e o nevoeiro ora se adensava ora abria pequenas clareiras...
Pude
descortinar, ainda que quase por puro instinto, a Cabeça
do Velho, que de barbas longas e olhos fundos me fitava olhando
o infinito... e, seguindo o seu olhar, depois de um declive na encosta
da montanha adornada de figuras escultóricas feéricas
provocantes, desenhando grupos fantásticos indizíveis...
até mesmo a Cabeça do Velho, agora não era
um, mas vários em diversas posições e gestos...
por fim... apareceu-me...
Era
o Monte. Era Alfátima. Parei ao pé da ponte, na curva,
e, logo em baixo, outro arco de uma ponte antiga, deixava passar
a água que corria em torrentes cantantes de espuma branca...
Isto
é uma loucura pensei eu! Estou a ver coisas!... Tantas vezes
que tenho passado aqui e nunca vi nada disto!!! Que se passa? Pense...
E tentava ouvir a voz do senso comum, mas antes de acabar de pensar
já estava a meio do monte, descortinando um vasto panorama
para Norte e para Poente com imensas terras e montes que se estendiam
sem fim salpicados aqui e ali de manchas de nuvens de algodão
ou de nevoeiro quase transparente... e, aos meus pés, a estrada
que serpenteava preta luzidia, quase repelente, a reprovar a minha
loucura...
Subir,
dizia eu... Voltar, avisava-me o senso comum e normal. Onde será
o Coruto de Alfátima de que falam as Lendas? perguntava eu.
Mais acima, claro! Sempre mais acima... Desce, repetia o aviso.
Vens noutro dia, no Verão, como os turistas... Mas eu não
sou turista e venho à procura de um segredo, de um mistério,
talvez de um tesouro fantástico, desses que a Serra guarda
ciosamente... A Serra, ciosa, por vezes como que se sente agredida
por tantas vilanias que lhe fazem e pelo desprezo e fama de atenção
que lhe votam... e oculta os seus mistérios e oculta-se repentina,
breve ou longamente cobrindo-se com um manto subtil ou denso de
nevoeiro que desorienta os incautos, ou acolhe-se por baixo de um
deslumbrante manto de neve esplendorosa e espessa e barra a passagem
aos forasteiros...
Enquanto
pensava sem pensar e me debatia, estava quase no cimo, mas a ventania
que embravecia à medida que subia empurrara-me para fora
da vereda que tinha descoberto e, de repente, estava numa espécie
de pátio empedrado que destoava de toda aquela encosta de
terra mole salpicada de cascalho e restos negros de tojos e giestas
que se erguiam como mãos negras a barrar a passagem nesta
viagem para o desconhecido... É ali o CORUTO... Afinal tinha
chegado ao cimo! Estava assinalado por um marco geodésico...
Tentei caminhar à roda... A vegetação queimada
acabara, abria-se agora um tapete de erva fofa e macia que provavelmente
nunca fora pisada... O vento agreste redobrou de fúria e,
quase sem fôlego, tentei caminhar mas fui derrubado... Chovia
agora mais... O nevoeiro fechava-se e abria-se agudizando os sinais
de perigo... Levantei-me. Insisti. Lembro-me vagamente de encostar
a mão a um muro salvador que me daria uma protecção
contra a fúria do vento e da chuva que redobrava... Seguindo
o muro, pensei que me ajudaria a orientar através do nevoeiro
que se adensara... e bastaria encontrar a encosta correcta para
descer e pronto... Tinha de desistir... e... não me lembro
de mais nada... Escorreguei?... Desmaiei com o susto?... o que sei
é que o Monte esfumou-se e desapareceu...
Sem
saber como, no instante seguinte, estava num palácio de maravilha...
era uma galeria infindável com uma luz difusa como se fosse
de cristal irreal ou talvez real que dava para esplêndidos
salões com candelabros cintilantes duma luz suavíssima
com majestosas mesas de mármore róseo de manchas esbranquiçadas,
uns divãs de alabastro com ricas almofadas de seda com desenhos
e cores de maravilha, reposteiros sumptuosos que davam para janelas
que eu não podia acreditar que existissem, tapetes tão
suaves que o pisá-los era esvoaçar por aquele reino
de maravilha e deslumbramento... Em cada canto subiam colunas de
fumo que impregnavam tudo de um suave perfume estonteante que produzia
uma extasiante embriaguez... e logo apareciam longos pátios
e ruas calcetados de prodigiosas figuras feitas de jogos fantásticos
de mármore preto e branco que sugeriam símbolos, signos,
mitos, cenas, danças, dramas, vida amor... e essas ruas serpenteavam
por impressionantes Jardins cheios de canteiros de flores raras
e incomparáveis misturadas com árvores odoríferas
das mais variadas e raras e outras árvores de frutos de sabor
capitoso e reconfortante... e logo apareciam verdejantes campos
de relva aveludada que envolviam pequenos e grandes lagos com repuxos
caprichosos e outros de água corrente límpida e sempre
em movimento que iam terminar em cascatas marulhantes que desapareciam
em música que me enchia todo por dentro num Mundo de sonho
nunca esperado!!!
Ainda
não estava refeito de tanta surpresa e esplendor, quando
ela apareceu esplendorosa no seu vestido branco, comprido, arrastando
uma longa curta cauda pelo chão, recamado de brilhantes pérolas,
esmeraldas, pequenos cristais cintilantes com bordados que desenhavam
arabescos de maravilha, mas que eu não percebia... e quando
ia a dizer: - Não tenhas medo! Sou eu a princesa, a Fátima
da lenda que dizem sepultada nas entranhas deste Monte a que chamam
de Alfátima!... Eu ouvi ou percebi claramente o que ela ia
a dizer mas sei que não o disse porque não mexeu os
lábios... só me olhou muito fundo nos seus olhos negros
e brilhantes... e não precisou de o dizer porque todo o meu
estado de encanto deslumbrado já mo tinha deixado adivinhar...
Ela
sentou-se naturalmente como se me esperasse e tivesse sido anunciado
pelos servos, e antes do seu sinal para fazer o mesmo, eu já
estava instalado num esplendoroso divã na sua frente, e quando
me olhei sentado e surpreso do meu à-vontade, vi-me com umas
roupas de seda com que nunca me vira vestido... quase não
se sentia sobre a pele... Logo a seguir, sem ter sido preciso nenhum
gesto ou som, chegou um cortejo imenso de gente discreta e sorridente
que nos serviu um vinho perfumado que por certo não existe
em nenhuma região da terra conhecida e começou a ouvir-se
uma música suavíssima fascinante até ao embevecimento
enquanto grupos e 'grupos de gente e mais gente circulavam e passeavam,
riam cantavam, conversavam e contavam, e não sei se andavam
ou dançavam, mas enchiam tudo de Vida, Movimento, Alegria
e de Felicidade...
Não
te espantes, ó poeta pastor dos finais do segundo milénio
dos anos que contais! Estávamos, claro, à tua espera!
Tudo isto é verdade. Não sonhas. Este é o meu
reino donde espero regressar ao futuro que já aconteceu há
quase mil anos... Os loucos humanos não viverão mais
mil, se não perceberem rapidamente os caminhos da felicidade
que perderam... se não terminarem os reinos do ódio,
da morte e da intolerância que fabricaram contra tudo e contra
todos... Nós que não pudemos suportar os tempos de
guerra e de ódio que vivemos, fomos arrancados a esse mundo
para regressar, quando for possível, ao futuro de paz, de
tolerância, de felicidade e de AMOR que estávamos a
construir... Nós já o construímos aqui... UM
REINO DE OUTRO MUNDO... esse que a que todos aspiram... Pensas que
estás enterrado num monte inóspito e agreste das Montanhas
dos Hermínios, mas vocês esquecem-se que deram a esses
montes o Nome de Montes Hermínios e de Serra da Estrela,
e que as lendas que se contam do Monte Alfátima e da Lagoa
Escura e do Pastor da Serra da Estrela, são mais verdadeiros
e reais do que aquilo que chamais a verdadeira realidade!!! Loucos
que são os humanos! Por mais que lhes queiramos falar, eles
não entendem! Alguns, que nos acreditam, são logo
rotulados de poetas e de loucos! Antes acreditassem na Loucura!
Nós não vivemos enterrados num monte como vês!
Vivemos neste Reino! Nesta Estrela! Vós não conheceis
as entranhas do Ventre da Terra e as suas ligações
e derivações que a põem em contacto com todo
o Universo e com o Cosmos infindável... Esta é talvez
a Estrela d'Alva, a Estrela dos Pastores, a Estrela da Tarde, a
Vénus, a Deusa do Amor... os nomes esquisitos que vós
chamais, mas em que não acreditais!... Aqui vivemos, amamos
e criamos... Os dias e as noites sucedem-se num contínuo
desafio à criatividade sempre empolgante fascinante... Com
o primado do Amor... Neste doce e suave ambiente de requinte e de
repouso que tu vês e onde estás, o Trabalho, a Música,
a Arte, a Poesia, o Canto, o Conto, a Dança, a Representação,
as Lendas... são o nosso segredo para nos livrarmos do mal...,
da intolerância..., da Guerra..., e da Morte...
Aí
tens o segredo deste Monte e dessa Lenda esquecida em que ninguém
acredita!... Sei que estás ansioso por saber como tudo aconteceu...
Põe-te à-vontade. Descontrai... Goza feliz o momento
que te é dado... Come! Bebe! Deixa-te inebriar pela Música
e por Tudo quanto vês em teu redor...
Saiu
do seu assento. Sentou-se delicada e deliciosamente no meu, mesmo
ao pé de mim. Obrigou-me, com um doce sorriso e um gesto
suave da mão, a reclinar a cabeça nas almofadas macias
onde me afundei. Acariciou-me os cabelos e olhou-me bem no fundo
dos olhos onde me perdi... nos dela, claro...Quando estendi a mão
tremente para lhe acariciar a face, a mão perdeu-se num mar
emaranhado de longos cabelos pretos que já me cobriam todo,
os seus lábios aproximaram-se da minha testa... e os eflúvios
que emanavam de todo o seu ser eram tão envolventes, tão
profundamente s inebriantes que fui inundado por um estado de felicidade
indizível, num encantamento de sonho consciente que se transformou
num êxtase que mais parecia uma morte deliciosa... Sinto,
ainda. Não posso mais esquecê-lo, o sabor dos seus
lábios nos meus, que tremiam de prazer e a partir daí,
a lenda que não sei se a contou se ma comunicou ou se me
apareceu contada como por encanto é esta que vou tentar contar,
com a consciência perfeita de não possível reproduzi-la
tal como me apareceu! Não há palavras, ouvi ainda
em sonhos, muito menos escritas, para contar uma Lenda de enCantar!!!
Também não tem importância, ouvi ainda, porque
aqueles que a quiserem perceber, mal vão precisar de a ler...
Como aconteceu contigo, basta olharem-me bem nos olhos, para se
perderem... e depois...ao sentirem o meu beijo de magia... fecham
os olhos, claro e podem ver a Lenda em todo o seu enCanto!!! E aí,
só me lembro dum sorriso seu, inesquecível, indelével...
Creio que em toda a sua doçura indescritível, pude
ver um certo ar de malícia... ou seria de piedade pelos preconceitos
tão próprios da nossa raça!!!
Conta uma lenda muito muito antiga, que há muitos muitos
anos, muitos séculos, nos anos mil ou mil e cem ou mais do
modo como vós contais o tempo mas que pala nós são
outros bem diferentes... conta a lenda que ali no meio da Serra
que eram' os Montes Ermos e depois Hermínios e depois ainda
a Serra da Estrela, havia um Reino de Tolerância, de Paz e
de Amor, onde havia um Rei Mouro que tinha uma filha encantadora,
que se chamava Fátima. Era eu a Fátima - Al-Fátima
como nós dizíamos. Do rei meu pai, que me amava ao
extremo, as pessoas esqueceram o nome, mas ele era o Vali - o Emir
ou Amir - mais amado de uma pequena terra de pastores, que viviam
em cabanas no meio da Serra. Como símbolo de tudo o que fazia
e desejava para si e para mim e para todos os seus súbditos,
mouros e Cristãos e adoradores dos deuses da Natureza, havia
uns, mais guerreiros e fortes que adoravam o Hendovélico
e falavam de um herói belo e invencível que conseguiu
parar a ocupação romana, mas para a memória
dos povos, o meu pai ficou conhecido como al-Mut'Amant. Era este
o Emir de Manteigas uma terra de pastores escondida e defendida
num recanto do vale do Zêzere e rodeada por todo o lado de
altas montanhas, intransponíveis, pensávamos nós,
que lá tínhamos chegado como que por milagre e ali
nos tínhamos refugiado, fugidos das ondas bárbaras
de irmãos nossos que só queriam guerras e carnificinas!...
Também os havia e há... Mas como te contei, ali escondidos,
tínhamos fundado o nosso reino em sã convivência
com todos os habitantes que nos acolheram e, tendo escolhido o meu
pai como Emir, pela Cultura e Sabedoria que mostrara, ali passou
a reinar a Tolerância e o Amor, tanto, que a dureza do clima
e da terra eram coisa de pouca monta para a vida de felicidade e
entreajuda em que todos vivíamos... Como podes ver, quando
voltares a Manteigas, os romanos só passaram por aqui, muitos
anos depois de terem assassinado Viriato à traição,
mas só lhes interessou o ouro que encontraram por entre os
azereiros do rio... de resto, nem uma calçada ou uma pedra
de inscrição... talvez uma que se perdeu... O meu
pai, como podes ainda ver, ensinou as gentes deste povo a descobrir
a água, o verdadeiro ouro do rio que dava para todos comerem,
sem ser só por cobiça e riqueza fácil... É
ver os pegos, as presas, os açudes, todo um sistema de dragagem,
barragem e comportas e o sistema de rega, com suas aduas, o quinhão
de águas regadias reguladas por um aduaneiro, que era supervisionado
pelo almotacel... as alpondras ou as poldras como vocês agora
dizem... e serviam como pontes para passar dum lado para o outro
do rio, dos ribeiros e ribeiras... É ver a rede de levadas
e regos com o seu sistema de aquedutos rodízios e rodas dentadas...
as noras com seus alcatruzes a rodar na vertical numa engrenagem
horizontal, que poupava as forças, puxadas pelas pessoas
ou a tracção animal, que giravam à roda e até
lhes vendavam os olhos para não entontecerem... e as cegonhas,
ou as picotas ou shadufs, para tirar a água das poças...
as rodas de água, as azenhas que moviam os moinhos e deram
origem às fábricas de lanifícios... que levam
a água a cada lameiro, a cada horta, a cada pomar, a cada
jardim... que no verão e nas secas dava tantas lutas que
a distribuição teve de ser gerida pelo Almotacel,
que governava desde as tomadas de água até à
construção e limpeza dos aquedutos e as embocaduras
e tornadouros, onde por vezes havia lutas com os aduaneiros, por
causa do caudal de água que era mais abundante para um lado
do que para o outro... É ver ainda os sinais das lojas por
debaixo das casas para aproveitar para o gado e para armazém
das colheitas... Isto e muito mais todos aprenderam com meu pai
e seus seguidores... Ninguém se lembra dele! O que faz a
ingratidão e a falta de memória das pessoas que não
sabem respeitar o passado!!!
A
minha madrinha, como consta, como conta a Lenda, era uma Fada, que
tinha sobre a cabeça uma brilhante estrela, ela era uma Estrela,
que dia e noite velava e vigiava, mas só à tardinha
e de madrugada, naquelas tardes e noites que não eram de
nuvens e tempestades medonhas, é que aparecia e se via e,
quando aparecia, era sempre a primeira a aparecer quando caia a
tarde, e era sempre a última a desaparecer quando o sol rompia
com a aurora. Ela ficou a ser minha Madrinha, mas já antes
ela era a Estrela dos Pastores, pois nas noites da Primavera e do
Verão era vê-la todos os dias a girar no céu
encantando os pastores que vinham dos lados da Idanha e desde o
Alentejo até Ourique... Eles chegavam com seus grandes rebanhos...
Era uma festa, antes de subirem para a serra, em que todo o povo
se juntava numa noite sem dormir ao som dos adufas e das flautas
de cana... e Ela encantada, espiava os amantes que se refugiavam
atrás de uns penedos ou pelos campos cultivados e, depois
de subirem... solitários... era Ela que conversava com eles
nas longas noites da serra, desde o entardecer até ao romper
da aurora... ou eram eles que conversavam com Ela? O certo é
que, só depois de todas as outras estrelas terem ido dormir,
fugindo à luz do sol, é que ela se apagava discreta
e silenciosa, como se continuasse ali a velar e a vigiar...
Depois,
quando as noites começavam a crescer e os dias iam encurtando
cada vez mais, os pastores desciam da Serra a caminho das planícies
para Sul, para as margens do Zêzere, do Tejo, do Ana e do
Mira... Ode é o nome que nós damos aos rios... e era
outra grande festa! Era a festa da Alegria e da Abundância...
Tanta que os homens e mulheres transformavam todo aquele leite que
sobrava em queijos e manteigas e assim, durante os invernos de fome
todos tínhamos o que comer... e de longe, às vezes
de muito longe, vinham gentes à procura do pão e das
manteigas para não morrerem de fome... e foi talvez isso
que nos perdeu... Foi assim que o nossa terra ficou conhecida em
todo o lado como a terra das Manteigas e passou a ser cobiçada
por alguns e chegou aos ouvidos dos conquistadores a fama do seu
pão e dos seus sabores...
A
partir daí, nas noites de Outono e rigoroso Inverno... sim
é certo, só eu, os pastores e os poetas enamorados
A adivinhavam, porque as nuvens negras e as tremendas noites de
tempestade e neve não permitiam que ela aparecesse... mas
nós sabíamos que ela estava lá vigilante e
amante... Os outros também sabiam, mas é como se não
o soubessem... Não se lembravam!... Não tinham tempo
para se lembra!... A vida!...O trabalho!... Os afazeres!... como
se a vida e o trabalho, e os afazeres pudessem ser vida e trabalho
e afazeres sem o Amor... Mas há sempre pessoas assim distraídas
a passar ao lado da Vida e do Amor!...
Ainda
há mais um grande segredo para te contar... Nesse reino de
tolerância onde reinava o primado do Amor, fiquei enamorada
dum valente guerreiro cristão... Foi na altura em que os
Godos cristãos tinham decidido reconquistar as terras e os
povos que diziam lhes pertenciam e donde tinham sido expulsos por
romanos e por nós depois de muitos outros povoarem estas
terras... Apaixonei-me!... O meu pai que me adorava nem o chegou
a saber... Pensava eu, no ambiente e educação que
sempre tivera, que era a melhor maneira de vencer o ódio
e a intolerância de que vinham eivadas essas hordas de cristãos
que reconquistavam a Lusitânia a ferro e fogo submetendo e
subjugando tudo e todos... O meu pai não precisava de saber...
Ele sabia... Além de toda a sabedoria e mestria na arte de
bem governar, ele, como o mais notável dos Califas de Bagdade,
o Harun al-Rachid, - o das Mil e Uma Noites - ele ouvia encantado
as Lendas dos pastores, e aquelas de que mais gostava, mandava-as
gravar em letras de oiro aos seus escribas, para depois as guardar
juntamente com os seus tesouros!!! Vieram numa das Arcas mais bem
guardadas que transportámos na fuga para o Coruto salvador...
Nunca ninguém as vai encontrar, senão no fim... Tu
tiveste o privilégio de ter delas um breve sinal...
No
jardim da casa de meu pai adornado e protegido por frondosas e odoríferas
Árvores verdejantes, oliveiras, macieiras, laranjeiras e
atapetada de flores e plantas como a alfazema, o alecrim e o rosmaninho,
que enchiam o ar de perfumes inebriantes, quantas tardes e noites
eu sonhei, quando não podia estar com ele, com esse meu amante,
que eu amava e pensava que ele me amava, ouvindo o murmúrio
a música celestial das águas que corriam nas fontes
e catavam correndo nos regatos e ribeiras e cascatas cantantes e
ouvindo e contando, com as minhas aias e amigas lendas de encantar
e cantos e danças que nos abriam o coração
e o espírito para além das nuvens e das estrelas...
Dedique-lhe o meu afecto porque esse valente cavaleiro cristão,
que por ali apareceu antes da chegada das hordas inimigas, logo
me fascinou ao primeiro olhar, por ver nele um irmão da minha
raça... Vim a saber, logo depois que ele era, afinal, fruto
de amores proibidos de seu pai, que era fidalgo e par dos grandes
senhores que constituíam a corte dos reis que desde as Astúrias
tentavam reconquistar as suas terras perdidas, nas guiados pelo
ódio em nome de um deus vingativo e intolerante, mas esse
fidalgo não resistira aos encantos de uma bela moura princesa
como eu, mas que logo abandonou quando soaram os gritos de guerra
e de ódio... Tinha assim sangue mouro, do meu sangue, mas
fora educado, logo separado da mãe, no ódio contra
os invasores, como descendente dos antigos Lusitanos desde Púnico
e Viriato e Lisa e Alípio o velho contador de histórias,
e como herdeiro de Tântalo e Sertório que deram continuidade
à luta do grande herói Viriato, e ali ficou, subitamente,
dividido e angustiado entre o seu dever de soldado e o amor que
subitamente nos fulminara como uma luz resplandecente e irrecusável!...
O sangue falou mais alto e quase acreditámos que ali ficaríamos
a salvo da reconquista, pois os cristãos que por ali passaram,
como ele, tinham ido em busca de pão e de manteigas para
o seus exércitos... Os grandes senhores talvez não
ligassem importância a um povoado tão perdido e insignificante
no meio da Serra... Talvez nem se atrevessem a arrostar com os perigos
da Montanha... mas logo que os primeiros fornecimentos chegaram,
logo falou mais alto a cobiça e o ódio...
Foi
precisamente nessa altura que os chefes cristãos já
poderosos e firmemente estabelecidos em tudo o que era povoações
importantes em toda a roda da Serra, devido às taifas, as
províncias que se tornaram independentes e desorganizaram
o nosso império centrado em Córdova que chegou a rivalizar
em Cultura e Explendor, com Bagdade e Cairo... decidiram assaltar
este recanto de Paz e sã convivência, que era o nosso
pequeno reino (mini-taifa) encravado e escondido na Montanha! Um
Reino de Outro Mundo!!!
O
meu pai' resistiu firmemente em Manteigas, enquanto e como pôde.
Eu temia pelo meu amado amante... Mas a fúria e o Número
dos exércitos que nos combatiam era cada vez maior e mais
atrevido e, o meu pai não teve outro remédio senão
ordenar a retirada para tentar salvar tudo e todos os que pudesse.
Organizaram-se assim, vagas e vagas de mulheres e crianças
protegidas por guerreiros que buscaram refúgio nos castros
mais isolados e protegidos no alto da Serra e eu fui destinada àquele
que ficava entre o Alva e o Munda no cimo de um monte que parecia
poder dar mais protecção a um possível e teimoso
ataque dos cristãos godos que não nos davam descanso...
Foi afinal ali que a luta se tornou, mais encarniçada e desesperada...
No fim de uma tarde, quando os raios do sol poente douravam já
as Penhas sobranceiras que dominam o Vale dos Rocins, as Penhas
Douradas e a nossa clara Estrela d'Alva aparecia no Céu...
fomos atacados de tal maneira que parecia não haver salvação
para nenhum de nós que acreditava na tolerância e no
Amor e por isso tivémos de combater feroz e incansavelmente...
até à morte se fosse preciso...
Ainda
hoje não sei se não teria sido por uma imprudência
fogosa do meu amante que tudo isto aconteceu, quando meu pai tentava
enviar-me protegida para mais longe da fúria dos guerreiros
inimigos que, afinal, ali, nos assaltavam e dominavam por todos
os lados... Subitamente, eis que vejo sorrir a Estrela, a nossa
Estrela, que depois, também subitamente desapareceu... porque
logo uma onda de nevoeiro denso varreu a Serra toda e rebentou uma
repentina tempestade fragorosa... Parecia o fim... estávamos
perdidos... Mas não era. A tempestade serviu para parar e
desorientar os guerreiros que surpreendidos nos perderam... Nesse
instante, a Fada, descendo pelo último raio de Sol, pegou-me
na mão, bateu com a sua varinha num determinado sítio
da Montanha e o clarão que de súbito explodiu, foi
tão inesperado e repentino que combatentes Mouros e Cristãos
ficaram aturdidos e o combate parou... Eu vi-me arrastada por estas
galerias, salões e jardins de espanto sem poder acreditar
no que os meus olhos viam, como aconteceu contigo, sem saber se
tinha sido morta ou salva pelo meu amante que se distinguia em fúria
e heroicidade talvez na ânsia de me não perder... e
logo atrás de mim, sem poder tomar disso consciência,
apareceram o meu pai e todo o seu exército e gente do povo,
mulheres, homens e crianças que tinham fugido connosco...
Passados
momentos que pareciam nunca mais acabar para nós, mas foram
apenas breves minutos infinitos, a fenda da Serra fechou-se... Todos
os nossos estavam a salvo , Através desta glande bola de
vidro que aqui vês em cima desta mesa, nós pudemos
ver. a reacção dos guerreiros que ficaram 1á
fora... Passada aquela súbita tempestade e o formidável
clarão que se desabou sobre a Serra, os guerreiros recompuseram-se
e, quando se aprestavam de novo para a luta... Mas não encontraram
nada nem ninguém... Sem perceberem o que tinha acontecido,
ergueram então um imenso grito de Vitória!!! Dos nossos
nem rasto! Nada que lhes pudesse oferecer resistência ou combate
ou cair nas suas mãos. Mortos e Vivos, todos tínhamos
desaparecido por obra e arte da nossa Fada Madrinha, a Estrela d'Alva...
Eles bem procuraram restos e rastos por todos os lados! Calcorrearam
todos os recantos do monte desde o cocuruto ate ao sopé...
Mesmo sem cadáveres nem despojos, cantaram Vitória...
Nos olhos do meu amado amante ainda vi relampejar um brilho de espanto
e de esperança... Era talvez o único que podia ter
percebido algo do que se tinha passado...
Já
sabes o que aconteceu! A Fada madrinha, a mando dos Deuses da Montanha,
abriu a porta secreta do Palácio Encantado que aqui vês
e nos dá acesso através dos rios que correm nas entranhas
da Terra e das Lagoas para o Espaço Infinito e Infindável
do Cosmos... e deixou, por uns tempos, a terra e a serra entregue
ao ódio e à fúria dos que acreditam no ódio
e nas guerras até se cansarem e destruírem, porque
não têm olhos para ver, nem ouvidos para ouvir, nem
coração para amar!!! É isso. O pior de TUDO
é ISSO: não acreditarem no AMOR!
...
e essa porta secreta ainda 1á se encontra para os que forem
capazes e dignos de a encontrar, Foi por ela, por condescendência
especial, que tu entraste, quando exausto, e cheio de medo pensavas
que tinhas desfalecido, no cocuruto do Monte Alfátima...
Pareceu-me, quando te vi ali perdido através desta bola de
cristal, pareceu-me a mim e às minhas aias, que davas um
ar desse meu cavaleiro cristão, de que até o nome
me esqueceu! Ataúlfo! Sim era o meu Ataúlfo das lendas,
mas tu não tens nada o ar de corajoso e atrevido guerreiro
invencível!!! Os tempos estão a mudar!!!
Não
sabemos quantos milénios vão passar até os
humanos perceberem e decidirem acabar com os reinos de ódios,
guerras, muros e fronteiras... entretanto, enquanto os anos passam,
em noites de Lua Cheia, os pastores e os poetas que adregam passar
por aqui, vão depois contar à luz trémula da
primeira fogueira que encontram rodeada de pastores a de poetas,
porque os outros nem os ouvem, que 1á no alto do Monte Alfátima,
sentada num rochedo, vêem uma figura branca de Mulher morena,
a pentear os seus cabelos negros com um pente que brilha como ouro,
e dos seus olhos negros e profundos, correm pelas suas faces lágrimas
que brilham como diamantes!!! ... até que as guerras e os
ódios acabem, dizem eles que disse o Encanto... parece que
nunca aqueles olhos cessarão de chorar!!! - E onde estão
os figos secos que se transformam em pepitas de oiro e as lágrimas
que se transformam em diamantes?... - perguntam os incrédulos...
Mas os pastores-poetas que trazem esses tesouros, por dentro, no
coração, abrem as mãos e só podem mostrar
os calos e os nós dos dedos que são as marcas visíveis
das dores de dentro por tanta incredulidade e têm de se calar
e guardar o oiro puro e os diamantes no segredo do seu silêncio
gritado em poemas que ninguém entende...
São
loucos esses pastores e esses poetas, dizem, os mais assisados que
já viram muito Mundo e viram muitas guerras nos muitos anos
que viveram...
Não
vás agora acreditar que vão acreditar em ti!!! É
assim Zé da Serra... e enquanto não chegar o cavaleiro
encantado paladino da Tolerância e da Convivência Fraterna
entre todos os Povos da Terra, de todas as Raças e Credos,
e dos Astros, enquanto não for implantado o Reinado do Amor,
ninguém, ninguém no Mundo terá acesso à
porta secreta deste Reino de Maravilha que se esconde no VENTRE
DESTA SERRA, no VENTRE DA TERRA...!
Mas
eu... ia a dizer... consegui en...
E
quando, pasmado e mal crendo nos meus olhos e ouvidos e sentidos
ia a responder que afinal eu tinha entrado, mesmo sem saber por
onde... ansioso por saber como ia ser a minha Vida feliz, à
espera dos Milénios futuros... acordei desperto pelo marulhar
da fonte que existe junto à ponte, escondida num recanto,
e aberta na pedra, uma cova funda que porventura a liga ao VENTRE
DA TERRA...
Deixem.
Foi possivelmente um SONHO...
Para
voltar à realidade chamada realidade, Bebi da Água
dessa fonte... depois Bati na pedra donde a Água corria...
Depois olhei em volta a ver se sabia aonde estava... Depois ainda,
como não se via ninguém e eu não acredito nessas
coisas, Experimentei várias PALAVRAS, como ABACADRABA e OUTRAS
que me ocorreram dos CONTOS e LENDAS que ouvira da minha Avó
e da minha Mãe, que pudessem ter a Magia que lhe é
dada nos Contos e nas Lendas!... Tudo em vão!!!
Por
sorte o carro estava ali, parado na berma da estrada... Sem querer,
ou quase sem pensar, deixei-o seguir pela Serra abaixo... à
procura do significado do que me tinha acontecido... teria mesmo
acontecido alguma coisa?!... à procura da Felicidade do Amor
que procuro por toda a parte, e ainda AGORA me encontro VIAJANDO,
à procura... para, quem sabe?, descobrir que não é
preciso ir muito longe... basta a coragem?, a vontade - fogo interior?,
a sabedoria?, de conseguir EMPREENDER a GRANDE VIAGEM de me descobrir
a MIM PRÓPRIO... e o Oiro e os Diamantes lá escondidos
no segredo...

FIM
a que se seguem... AS MOURAS ENCANTADAS
OU todas
as LENDAS que quiser...
saltando
por exemplo (mais tarde) para as LENDAS do ALENTEJO...
Lendas
de Beja
Lendas
de Serpa
Lendas
de Moura
Lendas
d Ilha do Pessegueiro
...
gilvicente
e as raizes do teatro português... em
http://www.joraga.net/gilvicente
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