Serra da Estrela - Manteigas

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um ANDARILHO em viagem pelas
7 partidas... 7 jornadas... 7 mundos... 7 mares... 7 temas... 7 espaços... 7 tempos...

por JORAGA o acrónimo de JOsé RAbaça GAspar e outros mais de 1001 deNÓMIOS...

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A-Pedra-de-Ver-o-Mar... A MAR...

 


Dizem as gentes da minha STerra,
da minha Terra na Serra,
a Serra da Estrela...
que, ao descer da Torre para a Lagoa Comprida,
há uma Pedra, no alto dum Monte, donde se pode ver o MAR...
É A-Pedra-de-Ver-o-Mar...
Para mim, claro, é
a Pedra de Ver A Mar...
donde se pode ver A_Mar...

É lenda com certeza!... Só pode ser mentira!

Creio que não é aí. Pelo menos não foi aí que eu a encontrei...

Nas Penhas Douradas, fica a nascente do Alva... Nas Penhas Douradas, à vista da Lagoa do Vale do Rossim, que é por assim dizer a Nascente do Alva, fica a um passo da Nascente do Mondego, o Mondeguinho, ali mesmo à beira da estrada entre as Penhas Douradas e Gouveia, no Planalto, onde fizeram uma fonte, e que depois se perde no Sumo, desaparecendo... vindo depois a reaparecer lá mais adiante... e depois seguir perdido para Nascente, volta de repente para A Mar...

São dois rios que nascem ali na Serra, muito perto um do outro, entre Gouveia e Manteigas, e que depois de muito correrem, se vão juntar na Raiva, para depois seguirem juntos para A_Mar...

Foi ali, entre as nascentes dos dois rios, nas Penhas Douradas, ao Pôr do Sol, à Hora em que a Penha Ângela e a Penha Rasa "se chamam DOURADAS, porque, ao crepúsculo, os reflexos fulvos do Sol, banham os píncaros agrestes, num colorido saturado de oiro..." (in "Como Eu Vi a Serra da Estrela", de Fred Wachsmann, Lisboa, 1949, p. 31.), foi ali que nós estávamos, banhados pela luz do Pôr do Sol, em finais do Verão do último ano da década de outenta... Eu, enquanto esperava absorto pelo milagre de ver as Pedras transformarem-se em Oiro, pude ver a tua silhueta, em pé recortada no horizonte... Ao mesmo tempo que a tua silhueta se reflectia na Água, aparecia recortada no Azul do Céu, entre as duas Penhas, como estátua de maravilha rodeada de cintilações de Luz Dourada... Era/s uma Aparição... real... Não resisti. Precisava de tocar para crer... Antes que o Encanto se desfizesse, tive a felicidade de ter pegado ao colo e de te levar até onde podíamos conversar... Entardeceu. Escureceu. Não sei o que dissemos nem o que fizemos... Trocámos beijos sem conta nem medida... Sei que era bom estar ali... Sei que não nos (me) apetecia regressar... Regressar para onde? Porquê? Não vale a pena deixar o Paraíso para voltar à Terra! Dali, do Céu, só para A MAR... que é continuar no Céu...
Ali, à luz Clara da Estrela d'Alva, ora sentada no meu colo, ora deixando-me repousar a minha cabeça no teu colo, olhando as Estrelas que enxameavam o Céu, olhando o Luar que inundava a Serra, ouvindo e vendo a Água, que reflectia a Lua, respirando o Ar puro da Montanha, olhando as Penhas, onde a tua silhueta se reflectira a contra luz e ainda lá permanecia qual imagem d'oiro, um deslumbramento, como tu disseste mais tarde, na hora de partir, ali, olhando a Serra imensa, a Terra toda, Tu / Eu contaste-Me / Te longas histórias... e, à medida que contávamos, Eu via desfilar na minha cabeça, as mais belas e fantásticas Lendas de En_Cantar, que povoam a Serra...

Agora, passados tantos anos! em troca, sem esperar receber nada... como o segador de erva lá das Lendas do Oriente, de Pearl BucK, aquele que poupava um dos cinco dinheiros, que recebia em cada dia de trabalho, e, um dia, passados muitos anos, mandou o seu tesouro de anos e anos de dinheiros poupados, à princesa mais bela que havia no mundo... agora, passados anos e anos, aqui te envio algo do que fui recolhendo e juntando ao longo do tempo, e a que resolvi chamar: o Livro das Lendas da Clara Estrela d'Alva, escrito por José da MAR - um outro deNómio de José da Serra do Vale do Zêzere...

Da cabeça para o papel ou para a rede universal, as Lendas não passam sozinhas...

Sentei-me à frente da máquina que escreve para a posteridade...

Sentei-me, então, à beira da Pedra de Ver o Mar... de Ver A Mar... e começo a contar...

Agora, sentado na Varanda Aberta sobre o Vale, naquela Cadeira de Baloiço de Contar istórias... eis-me de novo naquela PEDRA DE VER A MAR... para CONTAR...

... a istória... é para continuar dentro de momentos...

... carregando na cadeira de CONTAR ISTÓRIAS... pode voltar a istória do POBRE CEIFEIRO RICO... às MIL E UMA NOITES...


Foto de José da Cruz Paixão
1º prémio no IX ConcursoFotográfico de Manteigas, 1995

e se carregar na CABEÇA DO VELHO pode voltar às LENDAS DA SERRA DA ESTRELA...

 

 

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