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MARIA ROSA COLAÇO (1935 - 2004)


6ª edição - 1972 - ITAU - Júlio Roberto

Falam do livro:
Natércia Freire 1963
António Leitão - 1967
Alice Gomes - 1969
Urbano Tavares Rodrigues - 1969
Luís Angélica - 1969

 

A escritora, professora e jornalista Maria Rosa Colaço morreu esta quarta-feira 2004.10.13), deixando à cultura portuguesa uma importante herança de escrita para crianças, esses agentes do futuro a quem dedicou as mais belas palavras. Tinha 69 anos de idade.
d.r.

Maria Rosa Colaço
Maria Rosa Colaço nasceu no Torrão (Alcácer do Sal), em 1935. Fez o curso de Enfermagem no Instituto Rockfeller mas optou pelo jornalismo. Frequentou a Escola do Magistério de Évora e tornou-se professora do ensino primário em Cacilhas e depois em Lourenço Marques (actual Maputo, capital de Moçambique).

Foi aí que deu início a uma missão que Lídia Jorge havia de sintetisar como uma atitude permanente de "tentar atingir a alma do mundo". E fê-lo através das crianças e da poesia. Porquê? Porque "as crianças entendem muito bem a linguagem poética. Os adultos é que duvidam dessa capacidade", respondeu a escritora em entrevista concedida, em Maio de 2002, ao jornal "A Página".

Maria Rosa Colaço regressou a Portugal Continental quatro anos depois da independência de Moçambique. E foi, precisamente, em Moçambique que editou o livro que lhe marcou a carreira, feito com base nas redacções dos seus alunos de Cacilhas: "A Criança e a Vida". Sobre este livro, o académico Urbano tavares Rodrigues disse tratar-se de um autêntico "milagre de pedagogia poética". Ao deixar que as palavras das crianças falassem por si, a escritora tornou-se tamb´me numa das pioneiras das produções literárias infantis em língua portuguesa.

Ao longo de 44 anos de carreira literária, acompanhados por 20 anos de crónicas regulares no jornal "A Capital", Maria Rosa Colaço recebeu vários prémios e deixou-nos obras de literatura infantil como "Aventura com Asas", Maria Tonta Como Eu", "Viagem com Homem Dentro", "Espanta Pardais", ou "O Coração e o Livro" (deste ano). São suas as palavras cantadas pelos Trovante: junto destes olhos / eu sou testemunha / que as histórias nascem / por coisa nenhuma.

Foi ainda, durante 12 anos, assessora na RTP do professor António Reis, sendo autora de programas infantis ("Eu Sou Capaz" e "Como É, Como Se Faz, Para Que Serve"). Tirou o Curso de Guionismo e escreveu vários guiões, muitos dos quais ainda não foram realizados.

Tem uma rua com o seu nome no Torrão e viveu os últimos anos em Almada. Era uma mulher de esperança, uma professora que acreditava no ensino e na certeza de haver sempre uma forma de chegar até às crianças, de as cativar e de as despertar para um futuro melhor. "Essa procura é o fio condutor dos dias para alcançarmos o sonho, para derrubar as sombras e acender o sol que um dia aquecerá todo o frio do Mundo". Palavras suas, palavras do Mundo. Sinais de uma luz que fica acesa, para iluminar muitas almas

 

 

 

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