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A
escritora, professora e jornalista Maria Rosa Colaço
morreu esta quarta-feira 2004.10.13), deixando à
cultura portuguesa uma importante herança de escrita
para crianças, esses agentes do futuro a quem dedicou
as mais belas palavras. Tinha 69 anos de idade.
d.r.
Maria
Rosa Colaço
Maria Rosa Colaço nasceu no Torrão (Alcácer
do Sal), em 1935. Fez o curso de Enfermagem no Instituto
Rockfeller mas optou pelo jornalismo. Frequentou a Escola
do Magistério de Évora e tornou-se professora
do ensino primário em Cacilhas e depois em Lourenço
Marques (actual Maputo, capital de Moçambique).
Foi
aí que deu início a uma missão que
Lídia Jorge havia de sintetisar como uma atitude
permanente de "tentar atingir a alma do mundo".
E fê-lo através das crianças e da poesia.
Porquê? Porque "as crianças entendem muito
bem a linguagem poética. Os adultos é que
duvidam dessa capacidade", respondeu a escritora em
entrevista concedida, em Maio de 2002, ao jornal "A
Página".
Maria
Rosa Colaço regressou a Portugal Continental quatro
anos depois da independência de Moçambique.
E foi, precisamente, em Moçambique que editou o livro
que lhe marcou a carreira, feito com base nas redacções
dos seus alunos de Cacilhas: "A Criança e a
Vida". Sobre este livro, o académico Urbano
tavares Rodrigues disse tratar-se de um autêntico
"milagre de pedagogia poética". Ao deixar
que as palavras das crianças falassem por si, a escritora
tornou-se tamb´me numa das pioneiras das produções
literárias infantis em língua portuguesa.
Ao
longo de 44 anos de carreira literária, acompanhados
por 20 anos de crónicas regulares no jornal "A
Capital", Maria Rosa Colaço recebeu vários
prémios e deixou-nos obras de literatura infantil
como "Aventura com Asas", Maria Tonta Como Eu",
"Viagem com Homem Dentro", "Espanta Pardais",
ou "O Coração e o Livro" (deste
ano). São suas as palavras cantadas pelos Trovante:
junto destes olhos / eu sou testemunha / que as histórias
nascem / por coisa nenhuma.
Foi
ainda, durante 12 anos, assessora na RTP do professor António
Reis, sendo autora de programas infantis ("Eu Sou Capaz"
e "Como É, Como Se Faz, Para Que Serve").
Tirou o Curso de Guionismo e escreveu vários guiões,
muitos dos quais ainda não foram realizados.
Tem
uma rua com o seu nome no Torrão e viveu os últimos
anos em Almada. Era uma mulher de esperança, uma
professora que acreditava no ensino e na certeza de haver
sempre uma forma de chegar até às crianças,
de as cativar e de as despertar para um futuro melhor. "Essa
procura é o fio condutor dos dias para alcançarmos
o sonho, para derrubar as sombras e acender o sol que um
dia aquecerá todo o frio do Mundo". Palavras
suas, palavras do Mundo. Sinais de uma luz que fica acesa,
para iluminar muitas almas
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