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A
DIALÉCTICA DA DIDÁCTICA
ou
A
COERÊNCIA DAS CONTRADIÇÕES
Estamos
na guerra de escalões...
na
progressão da carreira profissional...
na
dignificação da carreira docente...
ano
lectivo 92/93...
Há
uma possibilidade de pedir o ANO SABÁTICO...
Resolvi
pedir.
Um
dos documentos pedidos, mas que não era preciso,
para
pedir o ano sabático, era
o
relatório de desempenho.
No
Decreto Regulamentar nº 14/92 de 4 de Julho,
no
seu artigo 6º, pede-se:
no
seu número 1
-
que o relatório deve conter
a
apreciação crítica
da
actividade do docente
nas
suas componentes
lectiva
e não lectiva...
e
no seu número 2
-
diz que devem considerar
os
seguintes indicadores
ou
elementos de avaliação:
a)
Serviço distribuído;
b)
Relação pedagógica com os alunos;
c)
Cumprimento dos programas curriculares
d)
Desempenho de cargos directivos e pedagógicos;
e)
Participação em projectos e actividades desenvolvidas no âmbito
da comunidade educativa;
f)
Acções de formação frequentadas e unidades de crédito obtidas
nas mesmas;
g)
Contributos inovadores no processo de ensino/aprendizagem;
h)
Estudos realizados e trabalhos publicados.
Acrescenta
ainda o número 3
-
que deve constar
a
assiduidade
as
sanções
bem
como os louvores e distinções.
e
há ainda o número 4 e o número 5...
resolvi
então fazer, para comentar a seguinte dissertação:
A
DIALÉCTICA DA DIDÁCTICA
ou
A
COERÊNCIA DAS CONTRADIÇÕES
1º.
- Vou
usar a componente lectiva para falar da componente não-lectiva
ou
será melhor usar a não lectiva para falar da lectiva?
-
ora o que é verdade é que, o que me vale, é usar a componente
não lectiva para aguentar a componente lectiva enquanto tenho
de usar a componente lectiva para pagar a não lectiva...
-
ou seja, desde que apareceu a Escola Cultural fiquei a pensar:
mas em que diabo de Escola estive eu?
-
a seguir apareceu a área Escola e eu fiquei a pensar: Porra!
Até aqui eu tenho andado fora da Escola!!!
-
mas, desde que me lembro que antes até havia uns estágios
que eram humanamente horríveis mas!!! pedagogicamente correctissíssimos!!!
Pois!
Humano é humano e Pedagógico é pedagógico!
Pus-me
outra vez a pensar: ora pois não estão haver! Ele às vezes
há o humano que não é pedagógico e o pedagógico que não é
humano e então vai daí: ele há escolas que não são humanas
mas são correctíssissimamente pedagógicas e escolas que não
são pedagógicas mas são correctississamente humanas...
Depois,
até apareceram uns estágios em que os "Bons Professores"
os "Pedagogos", os "Orientadores" ensinavam
os seus orientados que os orientados deles eram livres e criadores...
Depois,
logicamente, apareceu o desafio: faça o seu PIT, que eu pensei
que era um plano de trabalho interactivo, mas era, pura e
simplesmente um Plano Individual de Trabalho...
-Vieram
ainda os Planos de Formação, PFFF!. Claro. Cada um forma-se
e então PF! era mandar os planos deles pró caralho! Mas não
era PFFF! era PF.
-
A seguir, finalmente, e este finalmente é para continuar,
apareceram as ESEs igual a Escolas Superiores de Educação
em que o pessoal de Boston ou da Bosta veio ensinar como é
que as pessoas mesmo sem o serem podiam ser educadoras de
outras pessoas: bastava saber...
-
e apareceu a FORMAÇÃO em SERVI€O ou a PROFISSIONALIZAÇÃO EM
EXERCÍCIO que consiste em tirar as pessoas do exercício e
do serviço para as mandar aprender a estar em serviço estando
em exercício...
Em
resumo: aprender a partir do serviço e do exercício, confrontando
a prática com a teoria! é coisa que os sábios do saber não
conseguem ensinar! A razão? Deve ser muito simples: é que
não sabem!... Assim ficamos com os Estágios Abortos = EA;
os Estágios Humanamente Horríveis e Pedagogicamente Correctos
= EHH+PC; os Estágios Orientados = EO; os Planos Individuais
de Trabalho = a PITs; os Planos de Formação = PFs; até que
chegou a Formação em Serviço = FS; e a Profissionalização
em Exercício = PE.
Modernamente acho que chegou a FoCo = a FORMA€ÇO CONTÍNUA!
FODA-SE!
Quando ‚ que chega a Formação Organizada, Documentada, Assistida
- Superiormente Exemplificada ou baseada na Experiência para
chegarmos ao = a FODA-SE ?
2º
. O docente estabelece a ESTRUTURA do RELATÓRIO...
Assim,
mesmo que seja contra as limitações e distorções impostas
pelos OBJECTIVOS, deve considerar os OBJECTIVOS mencionados
no ECD que não sei se é o Estatuto da Careira Docente ou dos
EsCuDos?
Terá
ainda de considerar os seguintes indicadores ou elementos
de avaliação:
a) (Serviço distribuído;)
Cumpro
escrupolosamente o SERVIÇO que me É DISTRIBUÍDO
para
protestar pelo trabalho que não nos é devido
b)
(Relação pedagógica com os alunos;)
Dou
liberdade aos alunos para gerirem o Programa, o Espaço, o
Tempo, os Meios, a Avaliação, para ser o mais justo, objectivo
e eficiente possível;
c)
(Cumprimento dos programas curriculares;)
Cumpro
os Programas integral e escrupolosasmente, para reclamar contra
o espartilho imposto pelos programas;
d)
(Desempenho de cargos directivos e pedagógicos;)
Recuso
cargos que pretendem atribuir-me para exigir condições para
os desempenhar com dignidade;
e)
(Participação em projectos e actividades desenvolvidas no
âmbito da comunidade educativa;)
Cada
palavra, cada aula, cada tema, cada unidade é integrada e
enraizada na comunidade e na Cultura ancestral e, vai daí,
pedem-me programas desenvolvidas no âmbito da comunidade educativa;
f)
(Acções de formação frequentadas e unidades de crédito obtidas
nas mesmas;)
Estudo
e trabalho tenazmente para descobrir que pouco ou nada sei
do que devia e depois pedem-me unidades de crédito! mas os
bancos só passam cartões de crédito!!!
g)
(Contibutos inovadores no processo de ensino/aprendizagem;)
Usei
a escrita, a fala, o diálogo, a comunicação, o jornal, a rádio,
a fotografia, o diapositivo, a imagem, o som, o diaporama,
o vídeo, o computador, o processador de textos... como forma
de diálogo, a comunicação e interrelação entre os alunos/pessoas
em situação... e depois mandaram-me fazer exame e dar aulas
para uma sala de carteiras alinhadas com o senhor doutor ao
cimo!!! como contributo para o processo de carneirazização...
h)
(Estudos realizados e trabalhos publicados.)
Dão-me
vinte e cinco horas de trabalho por dia, reuniões, pautas,
aulas a preparar, trabalhos a ver, avaliações, relatórios,
pautas, termos, registos, actas... propostas regeitadas, planos
pura e simplesmente ignorados, trabalhos exaustivos menosprezados...
e depois..., depois perguntam por trabalhos publicados!
3º.
Indique ainda os seus "níveis de assiduidade... as sanções
disciplinares que, eventualmente, lhe tenham sido aplicadas,
bem como os louvores e distinções que lhe hajam sido atribuídos."
A
assiduidade ‚ registada em livros de ponto, todos os dias!
As
sanções, têm centenas de inspectores, contínuos e foncionários
zelosos à cata da mais pequena falha!
Louvores
e distinçäes!? existem para os afilhados!!! Para os que deram
nas vistas e têm lá padrinhos pelos ministérios...
então
porque não perguntam pelos louvores e distinções que lhe não
foram atribuídas... e a listagem de injustiças de que foram
vítimas?
4º.
Junte depois ao relatório "os documentos comprovativos
da certificação das acções de formação contínua concluídas"!!!
Um
Ministério que não promove acções de Formação, ou quando as
promove, são demasiado caras, ou/e demasiado estúpidas e desadequadas!!!
pede a creditação destas e não liga à incansável, contínua
e exaustiva Formação Contínua que tantos tantos professores
realizam dia a dia no seu dia a dia!!!
5º.
"O relatório é posto à disposição do conselho pedagógico,
para efeitos de consulta, caso o docente a isso não se oponha."
!
Tanto
trabalho ignorado, tanto esforço desprezado, mas para inspecionar
e para dar de borla um trabalho..., vá lá, ao menos é dito
que "é no caso de o docente não se opor"! Valha-nos
ao menos isso. É que, neste Ministério, como paga bem!, todo
o trabalho e direitos de autor são considerados suficiente
e justamente pagos. PUTA QUE OS PARIU!!!
finalmente,
como
isto até aqui não é poesia
PARA
OS DONOS DA POESIA
VAMOS
RESUMIR ASSIM:
A
DIALÉCTICA DA DIDÁCTICA
ou
A
COERÊNCIA DAS CONTRADIÇÕES
a)
Cumpro escrupolosamente o SERVIÇO que me ‚ DISTRIBUÍDO
para
protestar pelo trabalho que não nos é devido
b)
Dou liberdade aos alunos para gerirem o Programa, o Espaço,
o Tempo, os Meios, a Avaliação para ser o mais justo, objectivo
e eficiente possível;
c)
Cumpro os Programas integral e escrupolosasmente para reclamar
contra o espartilho imposto pelos programas;
d)
Recuso cargos que pretendem atribuir-me para exigir condições
para os desempenhar com dignidade;
e)
Cada palavra, cada aula, cada tema, cada unidade é integrada
e enraizada na comunidade e na Cultura ancestral, e, vai daí,
pedem-me programas desenvolvidos no âmbito da comunidade educativa;
E se fossem dar uma curva ao bilhar grande?
f)
Estudo e trabalho tenazmente para descobrir que pouco ou nada
sei do que devia e depois pedem-me unidades de crédito! E
eu só tenho um cartão que não é de crédito é para o dinheiro
que lá tenho!!!
g)
Uso diariamente a escrita, a fala, o diálogo, a comunicação,
o jornal, a rádio, a fotografia, o diapositivo, a imagem,
o som, o diaporama, o vídeo, o computador, o processador de
textos..., enfim ponho os alunos/pessoas em situação e criatividade,
como forma de diálogo, comunicação e interrelação... e depois
mandaram-me fazer exame e dar aulas para uma sala de carteiras
alinhadas com o senhor doutor ao cimo!!! Os FILHOS DA PUTA!
h)
Dão-me vinte e cinco horas de trabalho por dia, reuniões,
aulas a preparar, trabalhos a ver, avaliações, pautas a fazer
e a passar a pente fino, relatórios, termos, registos, actas...
propostas regeitadas, planos pura e simplesmente ignorados,
trabalhos exaustivos menosprezados... e depois..., depois
perguntam por trabalhos publicados!
E
se fossem o mais educadamente possível para
a
realíssima PUTA QUE OS PARIU!!!
Fins
de Janeiro de 1993
Amora,
Seixal
José‚
divertidissimamente cretino
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