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O CURRÍCULO
e a HISTÓRIA
dos TIGRES DE DENTES DE SABRE

Harold Benjamin, in "The CURRUCULUM context,Design and Development",
Olivier and Boyd, Edinburg, in Association with T'he Open University Press, 1977.

Este é um capítulo de uma famosa sátira sobre CURRICULA publicada nos Estados Unidos em 1939.


Tigre de dentes de sabre - David Borges Rabaça, 2002

 

Conta a história de uma tribo pré-histórica que decidiu introduzir a educação sistemática para as suas crianças. O currículo fora especificamente elaborado para ir ao encontro de necessidades particulares de sobrevivência no meio local e, por isso, incluía matérias como "AFUGENTAR - O - TIGRE - DE - DENTES - DE - SABRE - COM - O - FOGO". Mas o clima da região muda e os tigres de dentes de sabre morrem. As tentativas de mudar o currículo para ir ao encontro das novas necessidade de sobrevivência encontram firme oposição.  O primeiro grande teórico  e prático da educação de que a minha imaginação tem registo, era um homem do tempo de Chelehse, cuja nome completo era NEW-FIST-HAMMER-MAKER (fabricante do novo martelo de punho) mas que, por conveniência, chamarei, daqui em diante,  NOVO - PUNHO ( NEW-FIST).

                NOVO-PUNHO gostava de fazer coisas, apesar de haver pouco na região com que pudesse fazer o que quer que fosse de muito complicado. Já ouviram, com certeza,  falar de utensílios de pedra lascada em forma de pêra, aos quais os arqueólogos chamam "coup-de-poing" ou "fist-hammer". NOVO-PUNHO adquiriu o seu nome e um prestígio local considerável ao produzir um desses artefactos com uma forma mais útil e menos grosseira do que a dos anteriormente conhecidos da sua tribo. Os seus cacetes de caça eram, geralmente, armas superiores e as suas técnicas de uso do fogo eram padrões de simplicidade e de precisão. Ele sabia como fazer as coisas de que a  comunidade precisava e teve a energia e a vontade de ir por diante e fazê-las. Em virtude dessas características era um homem educado.

                NOVO-PUNHO era  também amigo de pensar. Então, como agora, havia pouco que os homens não  fizessem para evitarem o trabalho e o esforço de pensar. A mesma qualidade de inteligência que o levou à actividade, socialmente aprovada, de produzir um artefacto superior, levou-o também a empenhar-se na prática, socialmente desaprovada,  de pensar. Quando os outros se atafulhavam de comida e dormiam, NOVO-PUNHO) comia e dormia menos, levantava-se um pouco mais cedo para se sentar junto do fogo e pensar. Contemplava as chamas e interrogava-se sobre o seu meio, até que ficou fortemente insatisfeito com os costumes da tribo. Começou a tentar ver de que maneiras a vida se podia tornar melhor para ele próprio, para a sua família e para a tribo. Em virtude deste progresso tornou-se um homem perigoso.

                Foi este conjunto de circunstâncias, que fez, que este homem, amigo de fazer coisas e pensar, descobrisse, por acaso, o conceito de educação consciente e sistemática. O estímulo imediato, que o levou directamente à prática da educação, veio de observar as crianças a brincar. Notou, quando as via à entrada das cavernas, diante do fogo, entregues às suas actividades, que pareciam não ter qualquer objectivo no jogo, que não fosse o prazer imediato da própria actividade. Comparou as crianças com os adultos. As crianças brincavam por prazer; os adultos trabalhavam por motivos de segurança e de melhoria das suas vidas. As crianças lidavam com os ossos, paus e seixos, os adultos com os alimentos, a habitação e o vestuário. As crianças protegiam-se do aborrecimento, os adultos protegiam-se do perigo.  NOVO-PUNHO pensou que, se conseguisse levar aquelas crianças a fazer as coisas que dariam mais e melhor alimentação, habitação, vestuário e segurança, estaria a ajudar a sua tribo a ter uma vida melhor, pois, quando as crianças crescessem, teriam mais carne para comer, mais peles para se agasalharem, melhores cavernas onde dormir, menos perigo de morrerem desfeitas entre os dentes dos tigres.

               Tendo estabelecido uma meta educacional, NOVO-PUNHO avançou para a construção de um currículo, para ensinar, tendo em vista aquela meta. "Que é que nós, homens desta tribo, temos de saber para vivermos de barriga cheia, quentes e com o espírito livre do medo?", perguntou-se ele a si próprio.

                Para responder a esta questão, passou em revista, mentalmente, várias actividades. "Temos de apanhar peixe à mão, nos lagos que por aí há. Neste, naquele, no outro, apanhamos o peixe, sempre àmão."

                Assim, NOVO-PUNHO descobriu a primeira disciplina do primeiro currículo - "APANHA-DO-PEIXE-À-MÃO".

               "Andamos, também, à cacetada, aos pequenos cavalos peludos", continuou ele a sua análise. "Andamos à cacetada a eles, ao longo das margens do rio, quando vêm beber, quando os apanhamos a dormir entre os arbustos, bem como quando pastam nos prados das terras altas. Onde os encontramos abatemo-los à cacetada.

                Deste modo - "CACETADA-NOS-CAVALOS-PELUDOS" foi vista como a segunda disciplina importante no currículo.

               "Finalmente, afugentamos os tigres de dentes de sabre com o fogo", continuou NOVO-PUNHO a pensar. "Afugentamo-los da entrada das nossas cavernas, no nosso caminho ou do reservatório da água potável, com fogueiras, com ramos a arder ou com tições. Temos sempre de os afugentar, e afugentarmo-los com o fogo."
                Foi assim descoberta a terceira disciplina - "AFUGENTAMENTO-DE-TIGRES-DE-DENTES-DE-SABRE-PELO-FOGO".

                Tendo desenvolvido um currículo, NOVO-PUNHO passou a fazer-se acompanhar dos filhos, quando realizava as suas actividades. Deu-lhes a oportunidade de praticarem as três disciplinas. As crianças gostavam de aprender. Era mais divertido empenharem-se nessas actividades, que tinham um objectivo, do que brincarem com pedras coloridas   apenas. Aprenderam bem as novas actividades e, por isso, o sistema educativo foi um sucesso.

              Quando os filhos de NOVO-PUNHO cresceram, era fácil ver que estavam em vantagem em relação aos outros, que nunca tinham tido uma educação sistemática no que tocava a terem uma vida boa e segura. Alguns dos membros mais inteligentes da tribo começaram a fazer como NOVO-PUNHO e o ensino de - "APANHA-DE-PEIXE" - "CACETADA-NOS-CAVALOS" e do "AFUGENTAMENTO-DOS-TIGRES" veio a ser aceite cada vez mais corno fulcro de uma autêntica educação.

              Durante longo tempo, contudo, houve certos membros da tribo, mais conservadores, que resistiram ao novo sistema educativo formal por razões religiosas. Diziam que, se o Grande Mistério, que fala no trovão e se move no relâmpago tivesse querido que as crianças praticassem aquelas três disciplinas antes que fossem adultos, ter-lhes-ia implantado nas naturezas os instintos necessários. Logo, NOVO-PUNHO era ímpio, porque estava a tentar o que o grande Mistério nunca pretendera e era tolo porque tentava mudar a Natureza Humana.

                Homem de Estado, teorizador e administrador da educação, NOVO-PUNHO respondia polidamente a ambos os argumentos. Aos de espírito mais teológico dizia que o Grande Mistério ordenara que este trabalho fosse feito, e ele próprio o fazia, ao provocar nas crianças a vontade de aprender, porque as crianças não podiam aprender por si próprias sem a ajuda divina, e ninguém podia realmente compreender a Vontade do Grande Mistério em relação aos peixes, aos cavalos e aos tigres  de dentes de sabre a não ser que estivesse bem fundamentado nas três disciplinas fundamentais da escola de NOVO-PUNHO. Aos apologistas-de-que-a-natureza-humana-não-pode-ser-mudada, NOVO-PUNHO fazia notar que a cultura paleolítica tinha atingido o seu alto nível através de mudanças da natureza humana e que parecia quase antipatriótico negar o processo que tinha tornado a comunidade grande.

                E o educador pioneiro terminava a sua argumentação exaltando a humildade e a devoção dos seus companheiros de tribo, bem como as suas inteligência e lealdade, o seu patriotismo, de modo que, com tais qualidades, não acreditava que bloqueassem o desenvolvimento da maior manifestação da nobreza das nossas instituições - o sistema educacional paleolítico. "Agora que percebeis a verdadeira natureza e o verdadeiro propósito desta instituição, estou serenamente confiante de que tudo fareis em sua defesa."

              Com este apelo, as forças do conservantismo foram conquistadas para a nova escola e, com o tempo, toda a gente soube que o cerne da boa educação residia nas três disciplinas do currículo. NOVO-PUNHO e os seus contemporâneos envelheceram e foram levados pelo Grande Mistério para a Terra do Sol Poente. Outros homens seguiram os seus caminhos de educação, até que, por fim, todas as crianças da tribo praticavam sistematicamente as três disciplinas fundamentais. Desse modo a tribo prosperou e foi feliz na posse das quantidades adequadas de alimento, peles e segurança.

                É de supor que tudo teria ido bem para sempre com este bom sistema educativo se as condições de vida daquela comunidade tivessem permanecido as mesmas para sempre. Mas as condições mudaram, e a vida que outrora tinha sido tão segura e feliz no vale do reino das cavernas, tomou-se insegura e atribulada.

              Aproximava-se um novo período de glaciação naquela parte do mundo. Um grande glaciar desceu da montanha vizinha. Ano após ano foi-se aproximando da nascente do rio que passava através do vale da tribo, até que, com o tempo, atingiu a corrente e começou a derreter na água. A sujidade e as pedras que o glaciar apanhara na sua longa viagem foram lançados no curso de água. A água tornou-se lamacenta. O que outrora fora uma corrente cristalina, em que facilmente se podia ver até ao fundo, era agora uma corrente de água leitosa em que nada se podia ver.

                Imediatamente a vida da comunidade mudou num aspecto muito importante. Já não era possível apanhar peixe à mão. Não se conseguia enxergar o peixe na água lamacenta. Além disso havia alguns anos que o peixe se tinha tornado mais tímido, ágil e inteligente. O peixe estúpido pesadão e arrojado que, de inicio, existia em grande quantidade, foi apanhado à mão  de geração em geração até que ficaram apenas os peixes de inteligência e agilidade superiores, que agora se escondiam na água lamacenta debaixo dos blocos glaciares recentemente depositados, desafiando as mãos do mais conhecedor e treinado dos apanhadores de peixe. Por muito boa que tivesse sido a educação de  um APANIIA-DE-PEIXE dos homens tribo, eles, agora, não conseguiam apanhar peixe quando o não havia para apanhar.

                 As águas da fusão da camada de gelo, que se aproximava também, tornaram  a região mais húmida. O terreno tornou-se pantanoso, mesmo bastante longe das margens do rio. Os estúpidos cavalos peludos, com apenas cinco ou seis palmos de altura eram ambiciosos. Todos eles tinham desejos de se tornarem animais poderosos e agressivos,  em lugar de pequenos e tímidos. Sonhavam com dia longínquo em que os seus desendentes teriam 16 palmos de altura, pesariam mais de meia tonelada e seriam capazes de atirar com os seus potenciais cavaleiros a terra. Sabiam que nunca poderiam atingir esses objectivos numa região húmida, pantanosa, por isso foram em direcção às planícies secas, vastas, longe dos campos de caça paleolíticos. Os seus lugares foram tomados por pequenos antílopes, que desceram com a camada de gelo. Eram tão tímidos e velozes e tinham um sentido tão agudo de perigo que ninguém conseguia aproximar-se deles o suficiente para lhes darem cacetadas.

                 Os caceteiros-de-cavalos melhor treinados da tribo nada conseguiam na caça ao antílope. Uma educação para dar-cacetadas-nos-cavalos do tipo mais elevado não conseguia quaisquer resultados, quando não havia cavalos para dar cacetadas.

                 Finalmente, para completar a ruptura da vida e da educação paleolíticas a recente humidade acentuada do ar provocou pneumonia nos tigres de dentes de sabre, uma doença a que aqueles animais são particularmente sensíveis e da  qual a maior parte deles sucumbiu. Uns quantos espécimes, escanzelados dirigiram-se para o sul, para o deserto. Já não havia, pois, tigres para afugentar e as melhores técnicas de o fazer tornaram-se meros exercícios académicos, bons em si mesmos, talvez, mas inúteis para a segurança da tribo. Surgira, entretanto, um perigo ainda maior, pois que, com o gelo, vieram ferozes ursos que não tinham medo do fogo, que andavam pelos caminhos de noite e de dia, e que não era possível afugentar pelos métodos mais avançados, desenvolvidos nos cursos de AFUGENTAMENTO-DE-TIGRES, que se estudavam nas escolas.

                A comunidade estava agora numa situação muito difícil. Não havia carne nem peixe para a alimentação, nem peles para agasalho, nem qualquer segurança contra a morte, que se passeava pelos caminhos de dia e de noite. Tinha de se fazer uma adaptação a esta situação difícil, imediatamente, se a tribo não quisesse caminhar para sua própria extinção.

                  Felizmente para a tribo, contudo, havia homens da cepa de NOVO-PUNHO, homens de habilidade para fazerem coisas e de ousadia para pensarem. Um deles, com o estômago colado às costas, quedou-se junto do rio, tentando encontrar uma maneira qualquer de conseguir peixe para comer. Depois de ter tentado várias vezes naquele dia, a técnica antiga sem resultado, acabou por rejeitá-la em profundo desespero e procurou em volta algo de novo que lhe permitisse sacar peixe do rio. Havia umas quantas trepadeiras fortes mas esguias penduradas das árvores ao longo da margem. Puxou-as para baixo e começou a prendê-las umas às outras mais ou menos sem objectivo. À medida que foi trabalhando foi tendo uma ideia do que podia fazer para matar a fome dele e da família, o que o aliviou um pouco. Trabalhou mais depressa e inteligentemente. Por fim ali a tinha - uma rede, uma tosca rede de pesca. Chamou um companheiro a quem explicou o utensílio. Numa hora, de lago em lago, apanharam mais peixe - o tal peixe inteligente na água lamacenta - do que toda a tribo num dos melhores dias da apanha-de-peixe-à-mão.

                    Outro membro inteligente da tribo vagueava esfomeado pelas florestas. Tentara a técnica da cacetada-nos-cavalos com os antílopes, mas depressa se convencera da sua futilidade. Ele sabia que, quem acreditasse na aprendizagem escolar para matar a fome, morreria. Tal como o inventor da rede de pesca, pôs de lado o que aprendera na escola e procurou novos caminhos. Vergou uma árvore nova, forte e flexível, sobre um trilho de antílope, pendurou dela uma trepadeira em forma de laço e fixou toda a armadilha de forma tão engenhosa que, um animal que passasse, soltaria um engate e seria apanhado sem possibilidades de fuga, quando a árvore se endireitasse de repente. Com uma série dessas armdilhas podia conseguir, numa só noite, mais carne e peles do que uma dúzia de caceteiros-de-cavalos, nos velhos tempos, numa semana.

                 Um terceiro homem da tribo, que decidiu enfrentar o problema dos ursos ferozes, esqueceu também o que lhe tinham ensinado na escola e começou a pensar de forma radical e directa. Com resultado, cavou um poço fundo num trilho de urso, cobriu-o com ramos de modo que um urso passasse sobre ele sem suspeitas e caísse lá no fundo e permanecesse aprisionado, até que os homens da tribo chegassem e acabassem com ele com paus e pedras à vontade. O inventor mostrou aos seus amigos como se cavariam e camuflariam outros poços até que todos os trilhos em redor da comunidade ficaram dotados deles. A tribo passou a ter mais segurança do que antes e, além disso, um fornecimento suplementar de carne e peles.

              Divulgadas as invenções, todos os membros da tribo se empenharam em familiarizar-se com os novos modos de vida. Fabricaram redes de pesca, montaram armadilhas para antílopes e ursos. A tribo estava ocupada e próspera.

                    Uns quantos, que iam usando a cabeça enquanto trabalhavam, faziam perguntas e criticavam mesmo a escola. "Estas novas actividades de FABRICO-E-LANÇAMENTO-DE-REDES-OE-PESCA, de ARMADILHAGEM e de ESCAVAÇÃO-DE-COVAS são indispensáveis à vida moderna. Porque é que não podem ser ensinadas na Escola?".

              A maioria segura e moderada replicou, de imediato, a esta pergunta simplória, acentuando que, ali, estavam na lida de preservar a vida e a felicidade da tribo, que aquelas actividades nada tinham que ver com a escola. Não se tratava de recitar lições e que melhor seria esquecerem as matérias escolares se queriam sobreviver.

              Os radicais persistiram na sua argumentação. "O USO-E-FABRICO-DE-REDE-DE-PESCA, a CONSTRUÇÃO-E-OPERAÇÃO-DE-ARMADILHAS-PARA-ANTÍLOPES, a CAÇA-E-ABATE-DE-URSOS, salientavam eles, "requerem inteligência e destreza - coisas que queremos ver desenvolvidas nas escolas. São também actividades que precisamos de conhecer. Por que é que as escolas não as podem ensinar?".

              Os anciãos sábios que controlavam a escola sorriam indulgentemente a esta sugestão: "Isso não seria EDUCAÇÃO". Seria mero treino e o currículo, com as disciplinas que tem, está demasiado povoado. Não lhe podemos acrescentar essas modas e futilidades. Só de pensar nisso o corpo do grande NOVO-PUNHO, fundador do nosso sistema educativo paleolítico, daria voltas no túmulo. O que nós precisamos de dar aos nossos jovens é bases mais firmes no que é fundamental. Mesmo os graduados das escolas secundárias não conhecem de forma completa, hoje em dia, a arte da APANHA-DE-PEIXE, brandem os cacetes-para-cavalos de forma horrorosa e quanto à velha ciência de AFUGENTAMENTO-DE-TIGRES, bem, mesmo aos professores, parece faltar-lhes uma real devoção pela matéria, coisa que nós mais velhos tínhamos na nossa juventude e nunca perdemos."

               "Mas, com os diabos", explodiu um dos radicais, "como é que qualquer pessoa de bom senso pode estar interessada em actividades tão inúteis?"

                "Não seja tolo", disse um dos sábios anciãos, sorrindo muitíssimo indulgente. "Nós não ensinamos a APANHA-DE-PEIXE para se apanhar peixe: ensinamo-la para desenvolver uma agilidade, generalizada que nunca pode ser desenvolvida pelo mero treino. Não ensinamos CACETADA-NOS-CAVALOS para abatê-los; ensinamo-la para desenvolver uma força generalizada no aluno, que ele nunca conseguirá obter de uma coisa tão prosaica e especializada como MONTAGEM-DE-ARMADlLHAS-PARA-ANTILOPES. Não ensinamos AFUGETAMENTO-DE-TIGRES para afugentar tigres; ensinamo-lo com o propósito de dar aquela nobre coragem que permanece em todas as situações da vida e que nunca poderia vir de uma actividade tão rudimentar como o ABATE-DE-URSOS".

                 Todos os radicais se calaram perante esta afirmação, todos excepto o mais radical de todos. Ele sentia-se humilhado, é certo, mas era tão radical que fez um último protesto.

                  "Mas - mas, de qualquer modo", sugeriu ele, "terá de admitir que os tempos mudaram. Não poderiam, por favor, EXPERIMENTAR essas outras actividades mais actuais? Pode ser que tenham ALGUM valor educativo apesar de tudo".
             Mesmo os seus companheiros radicais sentiram que as coisas estavam a ir demasiado longe.

             Os sábios anciãos estavam indignados. Os seus sorrisos indulgentes desapareceram. "Se você mesmo tivesse educação", disseram severamente, "saberia que a essência da verdadeira educação é a intemporalidade. É algo que resiste através de condições em mudança, como uma rocha sólida, permanecendo firme, sem arredar milímetro, no meio de uma torrente tumultuosa. Devia saber que há algumas verdades eternas e que o currículo "dentes-de-sabre" é uma delas!"

(traduzido e condensado e ilustrado... joraga 2002)


 

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